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comunicação saúde educação interface apresentaÇÃo apresentaÇÃo ensaios sobre educação produção de conhecimento ensino aprendizagem e educação severino antonio joaquim severino 7 11 107 deba debates saúde coletiva história e paradigmas everardo duarte erar everardo duarte nunes notas sobre ideologia e educação 23 fernando ari fernando maia currículo paralelo em medicina experiência clínica e pbl uma luz no fim do túnel sérgio sérgio rego 35 innovación educacional en las profesiones 119 de la salud ¿moda o necesidad ventur enturelli josé venturelli mudanças na educação médica e residência médica no brasil laura feuer euerwerker laura feuerwerker 51 125 internet no ensino universitário pesquisa e comunicação na sala de aula moran josé manoel moran 133 artigos relat artigos e relatos de la acción comunicativa a la sociedad democratica j félix angulo rasco livros multimeios livros e multimeios 141 teses 73 notas 145 notas breves espaÇo abert espaÇo aberto 149 formação profissional reflexões sobre interdisciplinaridade toralles-pereira oralles-pereir maria lúcia toralles-pereira por for orto oresti miriam celí pimentel porto foresti o programa uni no brasil uma avaliação da coerência no seu processo de formulação e implementação 87 oliveir eira auristela maciel lins luiz carlos de oliveira cecilio criaÇÃo 155 olhares interiores pierre devin pierre devin congela dor eduardo triboni eduardo triboni 167 169 informes
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comunnication health education interface presenta presentation essays essays on education the production of knowledge teaching learning and education severino antonio joaquim severino 7 11 107 deba debates social medicine history and paradigms everardo duarte erar everardo duarte nunes notes on ideology and education fernando ari fernando maia 23 parallel curriculum in medicine clinical practice and problem based learning is there a way out sérgio sérgio rego educational innovation in health professions 119 fad or necessity 35 125 51 133 141 73 ventur enturelli josé venturelli changes in medical education and medical residency in brazil laura feuer euerwerker laura feuerwerker internet and higher education research and communication in the classroom moran josé manoel moran multimedia books and multimedia theses articles reports articles and reports from communicative action toward a democratic society j félix angulo rasco 145 brief notes page open page professional background reflections on interdisciplinarity toralles-pereira oralles-pereir maria lúcia toralles-pereira por for orto oresti miriam celí pimentel porto foresti oliveir eira auristela maciel lins luiz carlos de oliveira cecilio the uni program in brasil an evaluation of the coherence of its development and implementation processes 87 149 creation creation 155 olhares interiores pierre devin pierre devin congela dor eduardo triboni eduardo triboni 167 169 news
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presentação apresentação interface comunicação saúde educação chega ao terceiro número trazendo transformações em seu projeto gráfico-textual sem intenção de cristalizar formas ou hierarquizar conceitos e experiências a revista trabalha com a idéia de um projeto em movimento assume como desafio buscar novas interfaces procurando cruzamentos e implicações entre diferentes discursos trazendo relações entre texto e texto texto e imagem imagem e imagem numa concepção de conhecimento não linear hipertextual a opção por um bloco temático que a cada número está representado na seção de ensaios constitui um dos recursos de interface para traçar com maior precisão a rede de relações de sentido que constrói sua identidade com o bloco temático e as demais seções a revista vai demarcando seus espaços em superfície e profundidade procurando encontrar seu leitor em sua diversidade para intensificar trocas problematizando conceitos e experiências que dão materialidade ao debate que se adensa neste final de milênio na confluência das três áreas que estão na origem de seu projeto editorial como arena desse debate propõe mediar os conflitos entre as diferentes análises e reflexões teóricas explorando a pluralidade de temas e abordagens sem deixar de explicitar seu alinhamento no atual momento do mundo contemporâneo em que o avanço científico e tecnológico ocorre numa velocidade bem maior do que a nossa capacidade de interpretar refletir e decidir ameaçando transformar a curto prazo o corpo humano numa mercadoria interface assume uma posição polarizada em favor do humano a dimensão de responsabilidade que hoje precisamos encarar frente às contradições criadas pela ciência moderna é grande em demasia para poder ser percebida num contexto de formação pautado pelo automatismo tecnológico pelo contrário coloca em evidência a necessidade de recuperar o valor da formação geral e cultural de tipo humanista a acumulação das irracionalidades que ameaçam a vida humana neste final de século o risco iminente de uma catástrofe ecológica a miséria e a fome a que é submetida grande parte da população mundial a violência e a intolerância a droga e a medicalização da vida nos colocam frente a frente com a complexidade do desafio contemporâneo a busca de um novo equilíbrio entre capacidade de ação e capacidade de previsão das conseqüências dessa ação exige uma nova articulação entre o conhecimento concreto e a problematização mais ampla do sentido da vida e da sociedade como bem traduziu boaventura santos cujas idéias têm fundamentado o projeto editorial da revista neste sentido intervir em favor do humano pode significar hoje comprometer-se com a desocultação das relações sociais e dos interesses que constróem o automatismo tecnológico pode significar criar alternativas que possibilitem uma relação mais conseqüente entre ação e capacidade de previsão numa posição de resistência à desumanização da vida e recuperando uma analogia de boaventura santos a exemplo da postura assumida por um guarda na exposição de arte em kassel que em defesa da autonomia da arte diz não toque isto é arte caberia talvez dizer não toque isto é humano agosto 1998 7
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presentation interface comunicação saúde educação communication health education now reaches its third issue and introduces a transformation of its textual and graphic design disregarding fixed formats and avoiding the establishment of a hierarchy of concepts and experiences it is a periodical publication that works around the idea of a project in constant motion it takes on the challenge of searching for new interfaces looking for the implications and intersections among different lines of discourse and establishing connections between text and text text and image image and image based on a non-linear concept of knowledge in a manner reminiscent of hypertext the choice of a central theme for the essay section of each issue is one of the ways through which interface traces more precisely the network of relationships of meaning that shape its identity through the central theme and other sections the periodical delimits its scope both in terms of coverage and of depth seeking out readers in their full range of diversity for an intense exchange it questions those concepts and experiences which lend substance to the growing debates that occupy the end of this millenium at the intersection of the three areas that are at the heart of its editorial project placing itself in the role of an arena for the said debates interface proposes to mediate conflicts between different analyses and theoretical reflections probing into the plurality of themes and approaches yet nonetheless making its own position perfectly clear in our contemporary world science and technology progress at a rate far superior than our ability to interpret analyze and decide which threatens to transform the human body into a mere a commodity in the near future within this context interface deliberately adopts a position heavily biased towards the human being in the current day and age the dimension of the responsibility one must face vis à vis the contradictions generated by modern science is far to great to be captured through a formatting context characterized by technological automatism on the contrary it highlights the need to restore the value of a general and cultural humanities-based upbringing the accumulation of irrationalities that threatens human life at the end of this century the impending risk of an ecological catastrophe the misery and hunger to which a major part of mankind is submitted the violence and intolerance drugs and medical orientation of life together place us face to face with the complexity of contemporary challenges the search for a new balance between the capability for action and the ability to forecast the outcome of such action demand a new relationship between real knowledge and broad questioning of the meaning of life and society as boaventura santos whose ideas have grounded the editorial project of this periodical has put forward so well thus to interfere in favor of human life in this day and age may mean committing oneself to revealing the social relations and the interests that constitute the building blocks of technological automatism it might mean the creation of new alternatives capable of leading to a more consequential relationship between action and the ability to forecast in a position of resistance against the dehumanization of life an analogy by boaventura santos comes to mind based on the attitude adopted by a guard in the kassel art exhibition who in defense of the autonomy of art says do not touch this is art perhaps it would be equally fitting to state do not touch this is human 8 interface comunic saúde educ 3
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produção de conhecimento ensino/aprendizagem e educação en sa io s antonio joaquim severino 1 severino a j the production of knowledge teaching/learning and education interface comunicação saúde educação v 2 n 3 1998 this paper intends to discuss from a philosophical point of view the relation between the epistemological process specific to the production of knowledge the pedagogical process itself that occurs within a situation of teaching learning and the anthropological process of bringing up the learner it deals with the hypotheses that education does not become an effective tool for the construction of the human development of the learner merely on the basis of epistemic psychological and pedagogical processes as has been presented by contemporary schools of constructivism it then proceeds to defend the idea that the processes of constructivity present in situations of production of knowledge and of effecting teaching/learning only become true mediators of education when they are also branded by the historicity typical of actual practice which constitutes the substance of concrete human existence itself in a special way the current reflection seeks to highlight the potential contributions of vygotsky s thoughts toward enlightening the meaning of education relative to its link with involving social and cultural processes key words knowledge teaching learning education este trabalho pretende debater de uma perspectiva filosófica as relações entre o processo epistemológico específico da produção do conhecimento o processo propriamente pedagógico ocorrente na situação de ensino/aprendizagem e o processo antropológico de formação do sujeito educando lida com a hipótese de que a educação não se efetiva como construção do desenvolvimento humano do educando apenas com base nos processos epistêmico-psíquicopedagógicos tais como vêm sendo apresentados por vertentes contemporâneas do construtivismo defende então a idéia de que os processos de construtividade presentes nas situações de produção do conhecimento e de realização do ensino/aprendizagem só se legitimam como mediadores da educação quando marcados também pela historicidade típica da prática real que constitui a substância do próprio existir concreto dos homens de modo especial a presente reflexão busca destacar as possíveis contribuições do pensamento de vygotsky ao esclarecimento do sentido da educação em seu vínculo com processos sócio-culturais envolventes palavras-chave conhecimento ensino aprendizagem educação trabalho apresentado na seção de painéis no xi encontro nacional de didática e prática de ensino maio de 1998 professor de filosofia da educação da faculdade de educação da universidade de são paulo e assessor científico junto ao programa de mestrado em psicologia universidade são marcos são paulo e-mail severino@uol.com.br 1 agosto 1998 11
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antonio joaquim severino a abordagem das relações entre o conhecimento e a educação pressupõe a discussão preliminar sobre o lugar do conhecimento no todo da existência humana nesse âmbito a função substantiva do conhecimento é intencionalizar a prática mediadora dessa existência na verdade o conhecimento é a única ferramenta de que a espécie dispõe para essa intencionalização ou seja para dar um sentido orientador para sua existência histórica real vistas as coisas à luz da perspectiva da investigação histórico-antropológica não há como buscar fundamentos transcendentais para a gênese do conhecimento no âmbito da espécie humana o conhecimento surgiu como estratégia de ação dos indivíduos humanos que viviam e agiam coletivamente ao longo de sua temporalidade histórica sem dúvida a substância do existir é a prática não é a expressão teórica em si mesma que efetiva nossa existência real só se é algo mediante um contínuo processo de agir só se é algo mediante a ação É o que testemunham todos os entes que se revelam à experiência humana É na e pela prática que as coisas humanas efetivamente acontecem que a história se faz e que o próprio homem vai se fazendo humano nesse sentido a consciência o pensamento enquanto equipamento da subjetividade humana nasceu embutido na própria prática do homem originariamente na sua prática produtiva pela qual garantia sua existência material mantendo-a inserida num processo permanente de trocas com a natureza por isso a esfera básica da existência humana é aquela do trabalho propriamente dito ou seja prática que alicerça e conserva a existência material dos homens já que a vida depende radicalmente dessa troca entre o organismo e a natureza física esta esfera da prática produtiva constitui o universo do fazer mas a prática produtiva dos homens não se dá plenamente só como trabalho individual ela é antropologicamente falando expressão necessária de um sujeito coletivo ou seja a espécie humana só é humana na medida em que se efetiva em sociedade não se é propriamente humano fora de um tecido social que constitui o solo de todas as relações sociais não apenas como referência circunstancial mas como matriz placenta que nutre toda e qualquer atividade posta pelos sujeitos individuais os homens para que sejam especificamente humanos têm de habitar uma `societas precisam ser efetivamente socícolas mas é preciso observar que essa trama de relações sociais que tece a existência real dos homens não se caracteriza apenas como coletividade gregária dos indivíduos como ocorre nas sociedades animais um elemento específico interfere aqui mais uma vez marcando uma peculiaridade humana a sociedade humana é atravessada e impregnada por um coeficiente de poder ou seja os sujeitos individuais não se justapõem uns ao lado dos outros em condições de simétrica igualdade mas se colocam hierarquicamente uns sobre os outros uns dominando os outros torna-se assim uma sociedade política uma cidade este coeficiente que marca as nossas relações sociais como relações políticas e que caracteriza nossa prática social envolve os indivíduos na esfera do poder mas se a prática é prioritária e fundamental na configuração do modo de existir humano impõe se considerar que a prática humana tem suas especificidades não se reduzindo nem ao determinismo onto-essencialista da 12 interface comunic saúde educ 3
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produÇÃo de conhecimento ensino metafísica nem ao mecanicismo naturalista da ciência nem ao seu decorrente pragmatismo funcionalista a prática tipicamente humana que delineia seu modo de ser não é a prática mecânica transitiva ao contrário é uma prática intencionalizada marcada desde suas origens pela simbolização vai ocorrer então que tanto a prática produtiva quanto a prática política só se tornam práticas humanas porque são atravessadas por uma terceira dimensão específica do agir humano trata-se da simbolização da prática simbolizadora pode-se sintetizar essa tomada dos homens sobre o mundo como uma constituição do sentido a própria base de sua capacidade simbolizadora mas essa função simbolizadora não se faz nem pela explicitação de uma intuição imediata de uma essência nem pela mera transposição da percepção empírica e transitiva dos órgãos dos sentidos nem pela elaboração de um constructo puramente lógico-formal o que se tem de fato é uma construção histórica e coletiva do objeto pelos sujeitos mas é preciso ter ainda presente que o sentido do existir humano também não se dá apenas como decorrente da experiência estetizante dos sujeitos no clima de crítica ao racionalismo e às suas manifestações iluministas tem sido comum confundir-se conhecimento e racionalidade sem dúvida quando se trata das opções valorativas necessárias para a significação de nosso agir base de orientação da própria existência a sensibilidade afetiva a emotividade a subjetividade desejante são fatores dinâmicos indiscutíveis mas o que é preciso ter bem presente é que essa potência desejante se não impregnada pela intencionalização da subjetividade epistêmica perde toda sua especificidade humana o território da subjetividade envolvida na atividade de conhecimento não se confunde com nem se restringe ao território da racionalidade lógica toda expressão emocional da subjetividade humana é igualmente atravessada pela dimensão epistêmica do saber por isso o sabor presente na vivência afetiva emocional só se vivencia como sabor na exata medida em que é atravessado pela vivência do saber ou dito de outra forma o desejo só se sabe só se saboreia como sabor na medida em que se sabe se vivencia se apreende como saber mas na verdade o conhecimento individual se dá sobre um fundo de uma experiência radicalmente histórica e coletiva que lhe é anterior e que lhe serve de matriz placentária esse contexto como que um tecido que vai se complexificando pela contínua articulação de novas experiências já tornadas possíveis pelas experiências passadas e acumuladas é a cultura uma das mediações concretas da existência dos homens e a cultura é o universo do saber isto é válido tanto no plano da experiência epistêmica do indivíduo trata-se sempre de uma experiência que se vai construindo acumulando sintetizando reorganizando sistematizando dados quanto no plano da própria humanidade tanto na perspectiva ontogenética como na perspectiva filogenética podemos então equacionar a existência humana como se dando mediada pelo tríplice universo do trabalho da sociedade e da cultura como os três ângulos de um triângulo esses três universos se complementam e se implicam mutuamente um dependendo do outro a partir de sua própria agosto 1998 13
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antonio joaquim severino especificidade e é nesse contexto que podemos entender as relações do conhecimento com o universo social com efeito o conhecimento pressupõe um solo de relações sociais não apenas como referência circunstancial mas como matriz como placenta que nutre todo seu processamento mas essa trama de relações sociais em que se tece a existência real dos homens como já adiantamos não se caracteriza apenas pelas relações de gregaridade dos indivíduos como ocorre nas sociedades animais mas sobretudo por relações de hierarquização envolvendo pois o elemento específico a interferir no social humano o poder que torna política a sociedade o saber aparece portanto como instrumento para o fazer técnicoprodutivo como mediação do poder e como ferramenta da própria criação dos símbolos voltando-se sobre si mesmo ou seja é sempre um processo de intencionalização assim é graças a essa intencionalização que nossa atividade técnica deixa de ser mecânica e passa a se dar em função de uma projetividade o trabalho ganhando um sentido do mesmo modo a atividade propriamente política se ideologiza e a atividade cultural transfigura a utilidade pragmática imediata de todas as coisas como entender então a educação nesse contexto das mediações histórico-sociais que efetivamente manifestam e concretizam a existência humana na realidade ela deve ser entendida como prática simultaneamente técnica e política atravessada por uma intencionalidade teórica fecundada pela significação simbólica mediando a integração dos sujeitos educandos nesse tríplice universo das mediações existenciais no universo do trabalho da produção material das relações econômicas no universo das mediações institucionais da vida social lugar das relações políticas esfera do poder no universo da cultura simbólica lugar da experiência da identidade subjetiva esfera das relações intencionais com efeito se se espera acertadamente que a educação seja de fato um processo de humanização é preciso que ela se torne mediação que viabilize que invista na construção dessas mediações mais básicas contribuindo para que elas se efetivem em suas condições objetivas reais a problemática das relações entre epistemologia psicologia e educação ocupa um lugar de destaque no debate filosófico relacionado com o construtivismo por sua própria configuração categorial e por seus objetivos intrínsecos o construtivismo compreende uma proposta de articulação entre uma concepção do sujeito epistêmico com a atividade de um sujeito-educando mediados por um sujeito psíquico as preocupações epistemológicas carlos fajardo 1989 14 interface comunic saúde educ 3
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produÇÃo de conhecimento ensino centrais do construtivismo integram o mesmo universo temático de um movimento filosófico atual bastante significativo movimento que venho designando como transpositivismo em grandes linhas esse movimento se caracteriza por uma postura mais lúcida e esclarecida frente ao conhecimento científico com efeito reconhece e reafirma a autonomia e a relevância da ciência mas ao mesmo tempo entende necessário superar aquela postura de puro deslumbramento frente a ela típica do positivismo ortodoxo por isso mesmo o transpositivismo se dá fundamentalmente como epistemologia que aliás é entendida como reflexão voltada especificamente para o discurso científico e nessa análise crítica sobre a atividade científica a ciência não é mais considerada como se fosse uma atividade puramente lógica que nada tivesse a ver com outras dimensões do conhecimento da cultura e da própria existência humana em geral desenvolvido por pensadores familiarizados com a prática científica físicos biólogos matemáticos o transpositivismo quer livrar a ciência de alguns resíduos metafísicos e de outros tantos viéses dogmáticos que lhe deixou ainda o positivismo comteano ao mesmo tempo que quer enriquecer o conhecimento científico enquanto processo epistêmico mostrando que ele não é apenas de textura lógico-formal destacam-se nesse amplo movimento dentre outros pensadores tais como poincaré canguilhem meyerson koyré brusnchvig bachelard kuhn e feyerabend aos quais se pode acrescentar autores mais recentes do campo da educação como piaget e vygotsky estes pensadores conhecendo a fundo a ciência e ciosos de sua validade e relevância sentiram a necessidade de fundamentá-la cada vez mais com rigor e lucidez tentando modernizar essa fundamentação nesse sentido compartilham das preocupações epistemológicas relacionadas às condições de possibilidade do conhecimento científico mas julgam que a epistemologia não pode se reduzir a uma pura lógica formal ela envolve necessariamente considerações de ordem axiológica ou seja ela não se desvincula de uma filosofia da ciência tratase pois de uma reflexão que incide sobre a significação da ciência enquanto processo e produto da atividade humana avaliando seus resultados e desenvolvendo uma discussão sobre o sujeito construtor do saber científico nesse sentido o transpositivismo contrapõe-se ao outro também significativo movimento filosófico contemporâneo que é o neopositivismo tendência esta que reduz a epistemologia a uma análise meramente formal da configuração lógico-lingüística do discurso científico como todas as tendências filosóficas preocupadas em desenvolver uma reflexão sobre a ciência também o transpositivismo é herdeiro mediato da tradição iluminista da filosofia da modernidade retomando e valorizando suas perspectivas subjetivistas em que pesem as diferenças e especificidades também marcantes presentes no interior desse movimento algumas preocupações comuns entre todos os pensadores que o integram o caracterizam dando-lhes um ar de família assim a idéia de ciência forma indiscutivelmente válida de conhecimento não se exaure nem nos processos experimentais de apreensão de seus objetos nem nos esquemas formais de sua expressão lógico-matemática também a idéia que muitos outros fatores intervêm nesse processo marcando profundamente o conhecimento agosto 1998 15
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antonio joaquim severino científico e fazendo dele uma atividade intrinsecamente histórica não se tratando de pura reconstrução racional independente do processo de descoberta e de invenção criativa descoberta e justificativa se mesclam nos contextos fisiológico psíquico social cultural político e ideológico sem dúvida esta inflexão da tradição positivista que leva à constituição de uma epistemologia crítica representa uma retomada atualizadora de alguns aspectos fundamentais da epistemologia kantiana quais sejam aqueles relacionados com a ativa participação do sujeito na construção do objeto É bem verdade que se trata de um kantismo sem kant já que não está em pauta a assunção de todo o complexo sistema kantiano mas apenas o reconhecimento da atividade do sujeito da afirmação da relevância da razão na construção do objeto sem que isso implique qualquer compromisso com o idealismo apriorista e transcendental de kant reconhecida assim a importância da participação da subjetividade reconhece-se por decorrência o caráter do objeto enquanto configuração enquanto constructo o que compromete a identificação do objeto como mero fenômeno natural como mera coisa e a passividade do sujeito frente às impressões sensíveis É forçoso reconhecer também o caráter formalístico e axiomático dos sistemas científicos e sua necessária pluralidade enquanto esse formalismo e axiomatismo levam uma significativa corrente de pensadores a uma postura puramente lógico-formalista presente tanto no neopositivismo como no estruturalismo outra corrente é levada a repensar o procedimento científico enquanto vinculado a uma subjetividade humana só que totalmente desligada de qualquer perspectiva de transcendentalidade formal ao contrário no plano epistemológico o processo do conhecimento é um processo radicalmente imanente às condições concretas do existir natural do homem assim é preciso reinserir o conhecimento no fluxo bio-fisio-psíquico se é verdade que o conhecimento amadurecido se configura enquanto estruturação lógico-formal ele se faz num contínuo processo numa constante passagem de estágios de conhecimento menor a estágios de conhecimento maior a ciência tem uma gênese a estruturação final do conhecimento é sempre progressiva por isso impõe-se levar em consideração a dimensão psicogenética do conhecimento científico a análise lógica do conhecimento não podendo se separar de uma análise psicológica nesta linha ressaltam-se a grande contribuição das abordagens construtivistas na elaboração da teoria do conhecimento e da teoria da aprendizagem o conhecimento se dá sempre como uma assimilação ativa do sujeito que vai incorporando o objeto nos seus esquemas sensório-motores isto é àquelas de suas ações capazes de se reproduzirem e de se combinarem entre si trata-se então de uma epistemologia que tenta superar tanto o idealismo quanto o empirismo no caso de piaget temos um construtivismo interacionista que enquanto estruturalismo genético busca resolver a problemática do conhecimento e da aprendizagem salvaguardando as contribuições tanto subjetivas quanto objetivas na constituição desses processos piaget não escapa no entanto de certa dependência em relação ao esquematismo a priori da inteligência só que não admite este a priori como 16 interface comunic saúde educ 3
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