Recife Antigo, Recife Moderno - Edição 16

 

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Recife Antigo, Recife Moderno - Edição 16

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soluÇÕes a gestão da cultura e a sustentabilidade dos museus aÇÃo social orquestra dos meninos do coque dá o tom da cidadania estilo de vida ary diniz as lições de um empreendedor da educação museu do estado de pernambuco

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editorial o que uma revista deve ser a presente edição marca a passagem de um ciclo de nossa revista estamos promovendo a transição editorial que marca a conclusão de uma etapa e o começo de outra em 2002 após uma memorável campanha institucional realizada no ano anterior o tema recife antigo recife moderno foi escolhido para dar nome a uma publicação que servisse ao mesmo instante como veículo de informação e elo entre a moura dubeux e a sociedade além dos lançamentos e das novidades do mercado imobiliário a publicação oferece desde então a valorização da arquitetura clássica encontrada em prédios históricos do recife em apenas cinco anos foi construída uma história de sucesso que nos anima a seguir em frente pois agora deparamonos com novos desafios do desenvolvimento sustentável de pernambuco ampliamos a visão para o futuro em um primeiro instante a região nordeste é o nosso destino a busca do equilíbrio entre o antigo e o moderno que caracterizou a fase recifense da publicação vai continuar como traço característico de nossos artigos e reportagens a diversidade de temas abordagens e pontos de vista no entanto será o maior diferencial dessa nova fase tendo como objeto das pautas a história a cultura e a dinâmica urbana de outros centros além da capital pernambucana e mais serão abordados assuntos e soluções comuns à economia e à cultura nordestinas quando relemos as edições anteriores da revista para definir o novo nome vimos que o conteúdo refletia cada passo da moura dubeux em sua trajetória para acompanhar a expansão geográfica e de produtos da companhia tínhamos que pensar em um nome que em si resumisse o momento atual e o futuro assim a revista recife antigo recife moderno passará a se chamar a partir do próximo número plural e por que plural plural é abrangente a vida das pessoas é plural É feita de educação cultura moda gastronomia decoração informática arquitetura ciências o mundo é plural cada país com seu idioma cada região com seu sotaque com seu dialeto ser plural é ter visão macro conhecer profundamente suas raízes e expandir seus horizontes É ter capacidade de respeitar a cultura local de cada região e conseguir se comunicar É escrever plural em português e saber que vai ser entendido em inglês espanhol e alemão como diz seu antônimo plural é uma palavra singular porque para ser singular antes de tudo é necessário ser plural tudo o que uma revista deve ser marcos roberto dubeux

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06 ano 5 edição 16 dezembro de 2007 a revista recife antigo recife moderno é uma publicação trimestral da moura dubeux engenharia moura dubeux engenharia av domingos ferreira 467 10º 11º 12º e 13º andares boa viagem recife-pe fone 81 3087.8000 www.mouradubeux.com.br diretoria editorial aluísio j moura dubeux gustavo j moura dubeux marcos j moura dubeux marcos roberto moura dubeux editor geral marcos roberto moura dubeux mrd@mouradubeux.com.br editor executivo fábio lucas drt/pe 2428 fabiolucas@uol.com.br coordenação e atendimento comercial bruno perrelli bruno@mouradubeux.com.br coolaborador editorial marcos alencar textos carlyle paes barreto fábio lucas joana rodrigues júlia nogueira de almeida paula perrelli roberta jungmann colaboradores desta edição francisco cunha margot monteiro maria do amparo pessoa ferraz verônica machado projeto gráfico g design comunicação diagramação felipe duque felipe@mouradubeux.com.br fotografia agência renata victor fotografics revisão laércio lutibergue e solange lutibergue tradução david jonh hunt inglês impressão gráfica flamar tiragem 8 mil exemplares tiragem auditada por macdata processamento de dados os artigos divulgados não refletem necessáriamente a opinião desta revista os projetos imobiliários apresentados podem sofrer alterações após sua divulgação a revista recife antigo recife moderno foi feita pensando em você participe das próximas edições enviando suas críticas sugestões e assuntos de seu interesse para o e-mail da nossa redação o faleconosco@mouradubeux.com.br contamos com a sua colaboração sumário 06 recife antigo a história e os novos caminhos do museu do estado 12 soluções problemas enfrentados em pernambuco e o papel dos museus na sociedade contemporânea 18 recife moderno edifícios engenho guimarães e engenho casa forte 20 artigo desemprego tecnológico marcos alencar defende uma visão política que minimize o impacto da tecnologia sobre os postos de trabalho 22 22 de pernambuco para o mundo o artesanato fez a fama do alto do moura em caruaru 28 ação social a música de crianças do coque encanta o recife 32 gastronomia pratos perfeitos para a estação das flores e a expansão do vinho em pernambuco 28 36 estilo de vida ary diniz o fundador do colégio e da faculdade boa viagem e seus ensinamentos 40 decoração material para superfícies sólidas da corian agrega tecnologia e funcionalidade a todos os ambientes

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36 46 do mundo para pernambuco as maravilhas da Índia por verônica machado 18 51 condomínio dia de mudança a necessidade de segurança aprimora os serviços ofertados pela indústria de transporte de bens 32 56 bairros setúbal o crescimento e o amor dos moradores pela localidade de boa viagem 60 recife moderno ii beach class residence é inovação no mercado 62 clube do corretor moura dubeux premiação é reconhecimento aos profissionais do mercado imobiliário 46 51 66 mercado destino nordeste pré-lançamentos em natal e fortaleza marcam a expansão da moura dubeux na região 40 70 gestão hoje especial crescimento econômico da china desperta a curiosidade de empresários pernambucanos 72 andamento das obras 66

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recife antigo o museu de pernambuco desde 1940 em um casarão localizado na esquina da rua amélia com a av rui barbosa o museu do estado abriga três séculos e meio de arte pernambucana maria do amparo pessoa ferraz fotos renata victor 06 recife antigo recife moderno

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o conhecido palacete da ponte d uchoa a casa da avenida rui barbosa nº 960 no bairro das graças na cidade do recife esquina com a rua amélia é entre nós um marco da expansão da cidade do recife da construção civil e da arquitetura do século xix a casa tem atravessado mais de um século naquele endereço construída para ser a residência de dr augusto frederico de oliveira irmão do barão de beberibe francisco antônio de oliveira ela abriga desde 1940 o museu do estado de pernambuco um registro marcante de sua importância no cenário urbano é a litogravura datada de 1878 feita nas oficinas de francisco henrique carls um alemão que chegou ao recife em 1859 e aqui permaneceu até a morte em 15 de setembro de 1909 o ano de sua chegada ao recife coincide com o ano de inauguração da fábrica de gás e do sistema subterrâneo de distribuição de gás para iluminação pública das vias e suprimento das edificações com objetivo de iluminação predial de cocção e produção de vapor para máquinas motrizes esse sistema foi construído pelos ingleses que venceram a licitação realizada em 1856 observando a litogravura do palacete da ponte d uchoa vêse que ostentava já em 1878 luminárias a gás nos terraços e no jardim no começo do século xx o prédio foi modificado com o acréscimo do segundo pavimento e em 1951 para abrigar o crescente acervo do museu do estado foi construído o prédio anexo o museu do estado de pernambuco foi criado em 24 de agosto de 1928 pela lei estadual nº 1919 que autorizava o governador estácio coimbra a criar a inspetoria estadual de monumentos e um museu histórico e de arte antiga de 1930 a 1933 o museu foi instalado na cúpula do palácio da justiça sendo então desativado e todo o seu acervo passou à guarda da biblioteca pública do estado até 1940 em 10 de maio de 1940 com o decreto nº 491 o museu foi recriado e então instalado na sua atual sede atualmente seu acervo tem obras dos séculos xvii xviii xix antiga residência de dr augusto frederico de oliveira,filho do barão de beberibe,atualmente museu do estado litografia colorida,19,9x31,4cm de f.h.carls desenho de luís krauss,1878 e xx tombadas por lei federal compreendendo doações do estado de colecionadores e o conjunto de obras premiadas nos salões do estado obras essas representativas da história da arte pernambucana marcando o século xvii o acervo mostra obras de frans post enquanto do xviii nos chegam três quadros de autoria desconhecida recife antigo recife moderno 07

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referentes às batalhas das tabocas e dos guararapes datados de 1709 procedentes do antigo paço municipal de olinda o século xix está bastante retratado nas pinturas do pernambucano teles júnior 1851­1914 e em inúmeras litogravuras de f h carls luís adam cornell krauss luís schlappriz e emil bauch suas cerca de 12 mil peças são agrupadas como armaria arqueologia antropologia numismática mobiliário iconografia imaginária jóias porcelanas e artes plásticas há muito que se deleitar e aprender sobre pernambuco e o brasil naquele endereço recifense agende uma visita você não vai se arrepender espaço cícero dias anexo do museu administração auditório espaços expositivos de longa duração e temporárias maria do amparo pessoa ferraz é mestre historiadora 08 recife antigo recife moderno

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artigo novos caminhos para o museu do estado guardar e preservar não é esconder e esquecer ao contrário quanto mais se mostra e se interage com o passado mais se têm condições de zelar pela identidade cultural margot monteiro fotos renata victor a unesco na década de 1970 por intermédio do conselho internacional de museus icom elaborou um conceito mundialmente aceito até hoje colocado em prática pelos mais importantes museus do mundo segundo o qual as atribuições de um museu devem estar identificadas com as expectativas da comunidade e servir aos interesses públicos os museus deveriam representar as maneiras de as sociedades humanas exporem o seu passado e a compreensão do seu presente bem como as diversas maneiras de expor a sua cultura material os processos de preservação concepção do patrimônio público e as infinitas possibilidades de formação do ser na sociedade enfim os museus são espaços que mostram em seu acervo e coleções as relações sociais que os homens estabelecem entre si e com a natureza em diferentes culturas ao longo do tempo um museu é por excelência a instituição que tem como função conservar o patrimônio cultural de um determinado povo manter e valorizar sua identidade entretanto guardar e preservar não é esconder e esquecer nos depósitos o seu passado ao contrário quanto mais mostramos e interagimos com as peças mais temos condições de zelar justamente porque as conhecemos e lhesdamos o devido valor a importância do museu está no fato de o homem ser o criador de sua própria história o museu se torna então um meio de comunicação entre o homem seu passado e presente estabelecendo um dialogo entre observador e objeto observado É um convite e estímulo ao raciocino porque o observador tratará de responder ou pesquisar o objeto despertado a imaginação faculdade espiritual que surge necessariamente á frente de todo testemunho do passado e do presente devido à ação do raciocíni será a semente plantada no campo do conhecimento e formação de uma sociedade ao longo do tempo os museus têm sido considerados instrumentos pedagógicos na formação de estudantes em diferentes níveis na realidade o museu existe para recife antigo recife moderno 9

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proteger o patrimônio histórico e cultural da comunidade e estimulála a conhecer seu passado para a construção de um futuro melhor como podemos nos tornar melhores e trilhar o caminho da evolução se não aprendemos com os erros e acertos do passado entretanto apesar da consciência da importância dos museus e da preservação do patrimônio cultural de nossa sociedade enfrentamos graves problemas para sua sobrevivência atualmente o caminho para um museu sustentável está atrelado à participação do empresariado da iniciativa privada e do poder público um museu dinâmico demanda a participação da comunidade como um todo como universidades escolas turismo e por que não lazer introduzir o museu como lazer é um trabalho árduo representa torná-lo agradável para encontros conversas e comercialização de produtos ligados à arte desde o renascimento temos exemplos de grandes mecenas que com seus incentivos foram responsáveis por novos rumos da arte e da cultura como lorenzo dei medici que transformou florença em um centro de arte cultura e ciência inúmeros artistas trabalhavam sob a sua égide patrocínio financeiro monumentos 10 recife antigo recife moderno e bibliotecas foram construídos e até hoje são exemplos de beleza e esplendor a história está plena de grandes empreendimentos que se mantiveram até os nossos dias devido a pessoas que criaram e foram coadjuvantes no processo criativo o museu do estado de pernambuco mepe tem um dos mais ricos acervos obras raras que testemunharam a formação do brasil além de ser o museu mais antigo de pernambuco no entanto apesar de toda essa riqueza é urgente a necessidade de recursos para a conservação do patrimônio inclusive da edificação devido à multiplicidade de instituições existe uma pulverização de recursos que poderiam ser margot monteiro é diretora do museu do estado de pernambuco destinados a acervos de real importância hoje o mepe e outros museus encontram-se com dificuldades para poder realizar o seu propósito de museu carecemos atualmente do vigor de empreendimentos que mostrem o potencial humano e uma visão contemporânea onde o empresariado e o estado dêem as mãos em um mesmo objetivo o bem comum.

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soluções o desafio do tempo baixa visitação instalações deficientes e falta de recursos são os principais problemas enfrentados pelos museus pernambucanos joana rodrigues fotos neca lucena e divulgação 12 recife antigo recife moderno

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p reservar a história e a cultura de uma geração guardar os seus ideais transmitir os seus desejos e expor as suas fraquezas os museus abrigam as partes que reconstroem o todo de uma época ou constroem a perspectiva de um tempo que está por vir são lugares para falar de sonhos e de fatos expressos por formas sons cores e texturas em todo o mundo os museus adquiriram status de destino turístico tornando-se muitas vezes tão ou mais importantes que monumentos históricos e paisagens naturais não se vai a paris sem visitar o louvre ou a nova iorque sem visitar o metropolitan isso porque nesses que são dois dos maiores museus do mundo pode-se encontrar a história da humanidade narrada pelas mãos de seus artistas quando os olhos voltam-se para a realidade brasileira no entanto o cenário é mais austero segundo pesquisa realizada pelo ministério da cultura minc 70 dos brasileiros nunca entraram em um museu nessa pesquisa estão também incluídos os museus que não lidam com arte no seu conceito original mas com a história dos objetos como os museus do carro museus da moeda museus da moda entre outros mesmo assim num grupo de dez pessoas sete nunca visitaram o templo das musas significado etimológico da palavra grega mouseîon no brasil de acordo com informações do sistema brasileiro de museus sbm órgão criado para intermediar as relações entre os museus e as instituições relacionadas a eles dos 2.400 museus cadastrados 69 estão nas regiões sul e sudeste a percentagem contrasta com os 19,6 do nordeste nessa região o ranking quantitativo de museus cadastrados pela mesma instituição indica que a bahia figura na primeira posição seguida pelo ceará em segundo e pernambuco em terceiro lugar alguns dos principais museus de pernambuco passam por dificuldades para manutenção de sua estrutura física e conservação do acervo são obras que aguardam restauração e casarões históricos que esperam por projetos de modernização já há algum tempo o museu do estado de pernambuco sediado no antigo casarão do barão de beberibe na avenida rui barbosa vem enfrentando esse problema muitas obras armazenadas estão ameaçadas pela ação do tempo e a velocidade com que o museu consegue providenciar a restauração não acompanha a urgência da deterioração segundo margot monteiro diretora da instituição algumas obras correm o risco de ser perdidas pela falta de condicionamento adequado o museu do estado tem uma coleção respeitada de mobiliário em que se destacam as peças de madeira marajoara assinadas por francisco béranger louças e porcelanas portuguesas e orientais dos séculos xvii e xviii pertencentes às dinastias ming e ching painéis a óleo com o tema da insurreição pernambucana datados de 1709 entre outras obras de valor inestimável para a preservação da história do estado por ser o museu do estado um rico acervo do museu do estado é diversificado e as peças precisam de constante cuidado acervo de arte indígena que por sua delicadeza precisa de atenção especial a administração se preocupa com a possibilidade de que essas e outras peças sejam perdidas devido à falta de recursos para contornar o seu desgaste natural fechado para reformas ou parado no tempo ainda mais grave é a situação em que se encontra o museu de arte contemporânea mac com sede em olinda localizado na rua 13 de maio é um dos cartõespostais da cidade e tem um acervo com cerca de 1.170 obras que inclui coleções de abelardo rodrigues dorian gray josé telles jr vicente do rego monteiro portinari assis chateaubriand entre outros hoje o mac está fechado para reformas estruturais de acordo com luciana azevedo diretora da fundarpe a paralisação do museu foi fundamental uma vez que o mau estado de conservação de sua estrutura física chegou a causar riscos ao acervo e aos próprios visitantes segundo as previsões da funarte o museu deve ser reaberto a visitação ainda em dezembro deste ano também o museu da cidade do recife enfrenta problemas hoje já sem grande destaque no cenário recife antigo recife moderno 13

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artístico da cidade não atrai um público significativo para visitação ao forte das cinco pontas onde está localizado para o historiador leonardo dantas seu acervo é fundamental para reconstruir a história da cidade o problema é que a exposição não é renovada e o museu permanece parado no tempo diz além da falta de infra-estrutura e da má conservação das obras que abrigam não existe nos museus pernambucanos uma política sistemática de renovação do acervo a aquisição de novas peças se dá em geral de forma pontual quando surgem oportunidades específicas de adquirir coleções o acervo do mac é um exemplo de como isso é prejudicial para o desenvolvimento artístico do estado ele e o museu de arte de são paulo masp foram fundados na mesma época e pela mesma pessoa o jornalista e empresário assis chateaubriant que doou parte de sua coleção às duas instituições o masp é hoje um dos mais importantes museus de arte moderna do país com acervo que compreende obras da escola italiana como rafael botticelli e bellini de pintores espanhóis como velásquez e goya e impressionistas franceses como renoir manet monet cézanne e degas para não citar outros grandes nomes da história da pintura enquanto o mac segue fechado pelo estado crítico em que se encontravam suas instalações e acervo cristiana tejo atual diretora do museu de arte moderna aloísio magalhães mamam chama atenção para a ausência dessa política de aquisição de acervo no estado nós estamos sempre à beira de perder coleções porque não temos verba para comprar diz hoje o mamam busca recursos para adquirir obras de paulo bruscky reconhecido como um dos mais importantes artistas locais dos anos 60 e 70 ele vai realizar uma grande exposição em são paulo ainda este ano e as obras estarão à venda o nosso grande medo é que elas sejam compradas por um museu de são paulo confessa cristiana tejo acrescentando que o mamam encaminhou um projeto para compra das obras e agora espera resposta o mac em olinda tem dificuldades para manter o acervo e as instalações a maior parte das verbas destinadas aos museus brasileiros parte dos cofres públicos o caminho mais comum no entanto é fazer essas aquisições através de doações a direção do museu procura os artistas e expressa o interesse por determinada obra mas conta a diretora muitas vezes não recebe exatamente a peça que gostaria porque aquela é em geral a mais interessante e o artista não se propõe a doar o museu acaba recebendo uma obra menos significativa o que diminui seu poder de fogo alternativas de gestão para contornar o problema da falta de recursos a solução encontrada por muitas instituições é a participação da sociedade civil nas associações de amigos dos museus trata-se de entidades sem fins lucrativos que auxiliam os museus nas questões administrativas e de captação de recursos seja para adquirir novas obras seja para reformas ou planejamento de novas exposições ainda assim a maior parte das verbas destinadas aos museus brasileiros vem dos cofres públicos quando as sociedades de amigos dos museus empenham-se em captar recursos elas o fazem com base em leis de incentivo à cultura como a lei rouanet nos casos de parceria ainda são primordialmente empresas públicas que fecham contratos e a iniciativa privada permanece afastada desse processo a petrobras nos apóia bastante o banco do brasil também mas empresa mesmo é muito difícil comenta a diretora do mamam atualmente a biblioteca do museu do estado passa por uma restauração também com o apoio do banco do brasil as direções dos museus não identificam interesse da iniciativa privada em apoiar os projetos e queixam-se da falta de visão cultural do empresariado por outro lado a baixa visitação das instituições de arte e conseqüentemente a pouca 14 recife antigo recife moderno

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visibilidade que a marca conseguiria alcançar desencorajam possíveis patrocinadores o mamam tem uma freqüência anual de cerca de 12 mil visitantes um número pequeno se comparado a outros museus de arte contemporânea do país cristiana tejo contudo acredita que o alcance do museu não pode ser medido por números como o público de arte contemporânea ainda é pequeno os investidores pensam que não vão ter retorno mas o que eles não entendem é que podem vir a ter no futuro porque este seria um investimento na educação diz a discussão sobre os motivos que levam à baixa visitação das instituições de arte diverge em vários aspectos dependendo do foco da análise contudo um dos erros comuns ao se abordar o tema é falar dos museus como locais elitistas e antidemocráticos pois eles se encontrariam distantes das classes mais pobres nos museus pernambucanos assim como em todo o brasil o público visitante é majoritariamente composto por escolas e especialmente por escolas públicas que participam de programas em que instituições de ensino e de arte agendam visitas periódicas e monitoradas tais programas são fundamentais para manutenção desse público mas a problemática da baixa visitação tem raízes mais profundas para o historiador leonardo dantas que dirigiu o museu do estado e o mac além de ter assumido a secretaria de cultura entre 1973 e 1979 e hoje prestar consultoria para o instituto ricardo brennand o que leva à baixa visitação dos museus em pernambuco é por um lado a falta de informação segundo ele nosso povo não é educado para as artes para a história e por isso há um grande desinteresse pelo passado de pernambuco por outro lado os museus não têm condições de atrair visitantes É caro manter um museu porque você tem que mantê-lo com bons monitores boas informações mas também ir atrás do público complementa o historiador para cristiana tejo esq do mamam o público de arte contemporânea ainda é pequeno da sociedade ao cotidiano do museu isso poderia ser alcançado com cursos área de lazer biblioteca ativa promoção de eventos entre tantas outras ações que dinamizariam a vida dos museus acervo de colecionador em pernambuco o instituto ricardo brennand tem uma freqüência que o coloca junto aos cinco museus mais visitados do país por mês uma média de 17.100 pessoas passeiam pelos jardins e corredores do museu observando a coleção particular do industrial ricardo brennand fazem parte do acervo 18 quadros do pintor holandês franz post ­ a maior coleção particular desse artista ­ uma exposição sobre arte brasileira no século xix com os grandes nomes da missão francesa representados além de uma coleção de armas brancas com mais de três mil peças segundo leonardo dantas a instituição adquiriu no mês de agosto duas peças da roma antiga século ii para se juntar ao sarcófago do século i que já fazia parte da coleção o instituto recebeu a escultura de uma matrona e de um pretor romano É o acervo de um colecionador e o colecionador está sempre querendo recife antigo recife moderno 15 nosso povo não é educado para as artes para a história segundo margot monteiro para atrair esse público espontâneo que está distante das salas de exposição falta uma forte estratégia de marketing direcionada aos turistas e ao cidadão para o primeiro grupo seria necessário suprir as lacunas de infra-estrutura e material sobre as mostras um turista que chega hoje ao estado dificilmente é encaminhado às instituições de arte e quando isso acontece não encontra material explicativo no seu idioma nem é guiado por um instrutor com conhecimentos em outras línguas por exemplo já para atrair o cidadão comum a sugestão seria criar uma atmosfera cultural que buscasse uma integração

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