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a torre negra vol 1 stephe n ing o pistoleiro

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tradução de mário molina 0 b j e tiv a copyright © stephen king 1982 2003 publicado mediante acordo com o autor através de ralph m vicinanza inc agradecimentos especiais pela permissão para reprodução de um trecho de look homeward angel de thomas wolfe copyright © 1929 charles scribner s sons copyright renovado ©1957 edward c ashwell administrator c.t.a e/ou fred w wolfe reproduzido mediante permissão da scribner um selo da simon schuster adult publishing group o pistoleiro copyright 1978 by mercury press inc para the magazine offantasy and science fiction outubro de 1978 o posto de parada copyright 1980 by mercury press inc para the magazine offantasy and science fiction abril de 1980 o oráculo e as montanhas copyright 1981 by mercury press inc para the magazine offantasy and science fiction fevereiro de 1981 os vagos mutantes copyright 1981 by mercury press inc para the magazine offantasy and science fiction julho de 1981 o pistoleiro e o homem de preto copyright 1981 by mercury press inc para the magazine offantasy and science fiction novembro de 1981 proibida a venda em portugal título original the gunslinger todos os direitos desta edição reservados à editora objetiva ltda rua cosme velho 103 rio de janeiro rj cep 22241-090 tel 21 2556-7824 fax 21 2556-3322 www.objetiva.com.br capa pós imagem design revisão marcelo magalhães renato bittencourt rita godoy ed itoração eletrônica abreu s system ltda.

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k52p king stephen o pistoleiro stephen king tradução de mário molina rio de janeiro objetiva 2004 22 lp a torre negra v.l isbn 85-7302603-0 tradução de the gunslinger 1 literatura americana romance i título

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contra-capa assim começa a história de roland de gilead o último pistoleiro condenado a vagar por um mundo pós-apocalíptico em busca da lendária torre negra lugar mítico que controla todo o tempo e todo o espaço roland é o protagonista deste primeiro dos sete volumes de a torre negra obra mais ambiciosa do cultuado escritor norte-americano stephen king inédita no brasil a série foi descrita por seu autor como o mais longo romance popular de todos os tempos 0 pistoleiro acompanha roland em sua incansável perseguição ao enigmático homem de preto na paisagem desértica quase atemporal de um mundo arruinado alcançar sua misteriosa nêmesis é apenas o primeiro passo em sua jornada rumo à torre negra onde roland espera que a rápida destruição de seu mundo possa ser interrompida ou até mesmo revertida enquanto o pistoleiro vai aos poucos descobrindo o que lhe reserva seu ka seu destino o leitor é arrebatado por este romance ao mesmo tempo realista e visionário porta de entrada para um universo fantástico que cultiva uma legião de fãs ao redor do mundo inspirada no universo imaginário de j.r.r tolkien no poema épico do século xix childe roland à torre negra chegou e repleta de referências à cultura pop às lendas arturianas e ao faroeste a torre negra mistura ficção científica fantasia e terror numa narrativa que forma um verdadeiro mosaico da cultura popular contemporânea orelha o pistoleiro apresenta ao leitor o fascinante personagem de roland deschain último descendente do clã de gilead e derradeiro representante de uma linhagem de implacáveis pistoleiros desaparecida desde que o mundo médio onde viviam seguiu adiante para evitar a completa destruição desse mundo já vazio e moribundo roland precisa alcançar a torre negra eixo do qual depende todo o tempo e todo o espaço a torre negra é a obsessão de roland seu cálice sagrado sua única razão de viver o pistoleiro acredita que um misterioso personagem a quem se refere como o homem de preto conhece e pode revelar segredos capazes de ajudá-lo em sua busca pela torre negra e por isso o persegue sem descanso pelo caminho encontra pessoas que pertencem a seu ka-tet ou seja cujo destino está irremediavelmente ligado ao seu entre eles estão alice uma mulher que roland encontra na desolada cidade de tull e jake chambers um menino que foi transportado para o mundo de roland depois de morrer em circunstâncias trágicas na nova york de 1977 mas o pistoleiro não conseguirá chegar sozinho ao fim da jornada que lhe foi predestinada na verdade sua aventura se estenderá para outros mundos muito além do mundo médio levando-o a realidades que ele jamais sonhara existir inteiramente revista pelo autor esta primeira edição brasileira de o pistoleiro traz também prefácio e introdução inéditos de king.

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cdd813 para ed ferman que apostou nessas histórias uma por uma sumário introduÇÃo prefÁcio 1 o pistoleiro 2 o posto de parada 3 o orÁculo e as montanhas 4 os vagos mutantes 5 o pistoleiro e o homem de preto introduÇÃo sobre ter 19 anos e algumas outras coisas os hobbits eram grandes quando eu tinha 19 anos um número de alguma importância nas histórias que você vai ler havia provavelmente meia dúzia de merrys e pippins marchando pelo barro da fazenda de max yasgur durante o grande festival de música de woodstock o dobro disso em número de frodos e gandalfs hippies sem conta o senhor dos anéis de j r r tolkien era tremendamente popular naquele tempo e embora eu nunca tenha passado por woodstock certo é uma pena acho que fui no mínimo um meio-hippie o suficiente sem dúvida para ter lido a coleção e me apaixonar por ela os livros da torre negra como a maioria dos romances fantásticos escritos pelos homens e mulheres da minha geração {as crônicas de thomas covenant de stephen donaldson e a espada de shannara de terry brooks são apenas dois dentre muitos tiveram suas raízes nos de tolkien mas embora eu tenha lido a coleção em 1966 e 1967 demorei a escrever reagi e com um fervor algo tocante ao ímpeto da imaginação de tolkien à ambição de sua história mas queria escrever uma história ao meu jeito e se tivesse começado naquela época teria escrito no dele isso como a falecida velha raposa nixon gostava de dizer não seria direito graças ao senhor tolkien o século xx teve todos os duendes e

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magos de que precisava em 1967 eu não fazia a menor idéia do tipo de história que poderia escrever mas não importava confiava que ia reconhecê-la quando ela cruzasse comigo na rua tinha 19 anos e arrogância sem dúvida arrogância suficiente para achar que podia cozinhar um pouco minha inspiração e minha obra-prima como tinha certeza que haveria de ser acredito que aos 19 a pessoa tem o direito de ser arrogante geralmente o tempo ainda não começou suas furtivas e infames subtrações ele nos leva os cabelos e o poder de explosão como diz uma conhecida canção country mas no fundo leva muito mais eu não sabia disso em 1966 e 1967 e se soubesse não teria me importado podia imaginar vagamente ter 40 anos mas 50 não sessenta nunca sessenta estava fora de cogitação e aos 19 é assim que deve ser dezenove é a idade em que você diz cuidado mundo estou fumando tnt e bebendo dinamite por isso se você sabe o que é bom pra você saia do meu caminho aí vai o stevie os 19 são uma idade egoísta que restringe severamente as preocupações da pessoa eu tinha muita coisa na minha frente e era o que me importava tinha muita ambição e era o que me importava tinha uma máquina de escrever que carregava de uma porra de apartamento pra outra sempre com alguma coisa para fumar no bolso e um sorriso na cara os compromissos da meia-idade estavam longe os ultrajes da idade avançada além do horizonte como o protagonista daquela música de bob seger que agora eles usam para vender caminhões eu me sentia infinitamente poderoso e infinitamente otimista meu bolso estava vazio mas a cabeça estava cheia de coisas que eu queria dizer e o coração cheio das histórias que queria contar parece sentimentalóide agora soava maravilhoso então soava muito tranquilo mais que tudo eu queria penetrar nas defesas dos meus leitores queria rompê-las capturá-las e trocá-las para o resto da vida por nada mais que histórias e sentia que podia fazer essas coisas sentia que tinha sido feito para fazer essas coisas até que ponto isto parece pretensioso muito ou pouco de um modo ou de outro não peço desculpas eu tinha 19 anos não havia um único fio grisalho na minha barba eu tinha três calças jeans um par de botas a idéia de que o mundo era minha ostra e nada do que aconteceu nos 20 anos seguintes provou que eu estava errado então por volta dos 39 anos os problemas começaram bebida drogas um acidente de carro que mudou meu modo de andar entre outras coisas já escrevi longamente sobre o assunto e não preciso voltar a ele aqui além disso para você tanto faz certo o mundo acaba sempre lhe enviando a bosta de um patrulheiro para retardar seu avanço e mostrar quem está no comando você que está lendo isto sem a menor dúvida já encontrou ou vai encontrar o seu eu encontrei o meu e tenho certeza de que ele voltará ele tem o meu

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endereço É um cara mesquinho um mau elemento o inimigo jurado da piração da putaria do orgulho da ambição da música alta e de todas as coisas dos 19 anos mas ainda acho que essa é uma idade muito boa talvez a melhor idade você pode rolar no rock a noite toda mas quando a música cessa e a cerveja chega no fim você consegue pensar e sonhar sonhos grandes o patrulheiro mesquinho acaba mais cedo ou mais tarde podando você e se você já começou pequeno pois é quando ele acaba não sobra quase nada além da bainha do seu corpo arranje outro ele grita e sai marchando com o bloquinho de multa na mão por isso um pouco de arrogância ou mesmo um monte não é tão ruim mesmo que sua mãe é claro tenha dito outra coisa a minha disse o orgulho vai embora depois da queda stephen disse ela e eu constatei bem na idade certa isto é 1 9 x 2 que você acaba mesmo caindo ou que é empurrado para a vala aos 19 podem mandar você parar no acostamento sair da porra do carro levar sua dolorida queixa e sua bunda ainda mais dolorida para o meio da estrada mas não podem apreendêlo quando você senta para pintar um quadro escrever um poema ou contar uma história pelo amor de deus e se por acaso você que está lendo isto é ainda muito novo não deixe os mais velhos e supostamente mais vividos lhe dizerem nada diferente certo você nunca esteve em paris não você nunca correu com os touros em pamplona claro você é um moleque que três anos atrás ainda não tinha cabelo debaixo do braço mas e daí se você não começa grande demais para sua calça como vai caber dentro dela quando crescer deixe que ela rasgue não importa o que os outros digam esse é o meu ponto de vista sente-se e fume a calça acho que os escritores aparecem em duas categorias e isso inclui o tipo de escritor frangote que eu era em 1970 aqueles destinados ao lado mais literário ou sério do trabalho examinam cada possível tema à luz desta pergunta o que escrever este tipo de história significaria para mim aqueles cujo destino ou ka se você preferir inclui a elaboração de livros populares estão aptos a fazer uma pergunta bem diferente o que escrever este tipo de história significaria para os outros o escritor sério está procurando respostas e chaves para o eu o escritor popular está procurando um público ambos os tipos são igualmente egoístas conheci um bom número deles e deixo aqui meu testemunho e garantia a esse respeito seja como for acredito que mesmo aos 19 anos reconheci a história de frodo e seus esforços para livrar-se do Único grande anel como pertencente ao segundo grupo eram as aventuras de um bando de peregrinos essencialmente britânicos contra o pano de fundo de uma mitologia vagamente nórdica gostei da idéia da busca na realidade adorei mas não tinha interesse nem nos vigorosos personagens camponeses de tolkien o que não significa dizer que não tenha gostado deles pois gostei nem em seus frondosos cenários escandinavos se eu tentasse ir naquela direção teria me dado muito mal então esperei em 1970 tinha 22 anos os primeiros fios grisalhos haviam aparecido na minha barba acho que fumar dois maços e meio de

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pall mall por dia provavelmente teve algo a ver com isso mas mesmo aos 22 podemos nos dar ao luxo de esperar aos 22 o tempo ainda está do nosso lado embora aquele velho e mau patrulheiro já ande pela vizinhança fazendo perguntas então num cinema quase completamente vazio o bijou em bangor no maine se é que isso importa vi um filme dirigido por sérgio leone chamava-se três homens em conflito e antes mesmo da metade da fita percebi que o que eu queria escrever era uma história com o senso de busca e a magia de tolkien mas ambientada no quase absurdamente majestoso cenário de faroeste de leone se você só viu este faroeste-piloto na tela da televisão não vai entender o que estou falando queira me perdoar mas é a verdade numa tela de cinema projetado com as lentes panavision certas três homens em conflito é um épico que rivaliza com ben-hur clint eastwood parece ter uns cinco metros de altura com cada espeto de barba brotando no rosto mais ou menos do tamanho de uma pequena sequóia os sulcos rodeando a boca de lee van cleef são fundos como desfiladeiros e quem sabe não há um filete d água ver mago e vidro no fundo de cada um o panorama do deserto parece se estender pelo menos até a órbita do planeta netuno e o cano de cada revólver parece ter mais ou menos o tamanho do túnel que liga nova york a nova jersey ainda mais que o cenário o que me atraía era aquela sensação de épico de tamanho apocalíptico o fato de leone não saber porra nenhuma da geografia americana segundo um dos personagens chicago ficaria em algum lugar nas proximidades de fênix arizona contribuía para a sensação de imponente desajustamento do filme e no meu entusiasmo talvez do tipo que só uma pessoa jovem pode manifestar eu quis escrever não apenas um livro comprido mas o romance popular mais comprido da história não consegui fazer isso mas sinto que cheguei bem perto a torre negra do primeiro ao sétimo volume realmente compreende uma única história e os primeiros quatro volumes se estendem por cerca de duas mil páginas em edição comum os últimos três volumes cobrem outras 2.500 páginas de original não estou tentando sugerir que a extensão tenha qualquer relação com qualidade só estou dizendo que quis escrever um épico e até certo ponto consegui se você me perguntasse por que quis fazer isso eu não saberia responder talvez faça parte de tornarse um americano adulto construir o mais alto cavar o mais fundo escrever o mais longo e aquele coçar de cabeça quando a questão da motivação vem à tona parece que também faz parte de ser americano no fim nos limitamos a dizer na época parecia uma boa idéia outra coisa se me der licença sobre ter 19 anos é a idade creio em que muitos ficam razoavelmente confiantes mental e emocionalmente se não fisicamente os anos vão passando e um dia você se descobre olhando o espelho com real admiração por que essas rugas no meu rosto você pergunta de onde veio essa estúpida barriga droga eu só tenho 19 anos não é propriamente uma idéia original o que de modo algum compromete o espanto da pessoa o tempo põe o grisalho na sua barba o tempo leva o poder de explosão e enquanto isso você está pensando como um tolo que ele ainda está do seu lado seu lado lógico está mais bem informado mas o coração

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se recusa a dar-lhe crédito se tiver sorte o patrulheiro que o multou por estar indo muito depressa e se divertindo demais também lhe dá uma dose de sais aromáticos foi mais ou menos o que me aconteceu perto do final do século xx veio na forma de uma van plymouth que me jogou na vala ao lado da estrada em minha cidade natal cerca de três anos após o acidente fui a uma noite de autógrafos para buick 8 numa livraria borders em dearborn no michigan chegando ao início da fila um cara disse que estava realmente realmente satisfeito pelo fato de eu ainda estar vivo escuto muito isso e é muito melhor do que ouvir por que você não morre logo eu estava com um amigão meu quando soubemos que você tinha sido atropelado disse ele rapaz começamos a balançar a cabeça e a dizer lá se vai a torre está se inclinando está caindo ahhh merda agora ele nunca vai terminá-la uma versão da mesma idéia tinha me ocorrido a perturbadora idéia de que tendo construído a torre negra na imaginação coletiva de um milhão de leitores podia estar obrigado a torná-la segura pelo tempo que as pessoas quisessem ler sobre ela poderia ser no máximo por cinco anos mas poderia também ser por 500 histórias fantásticas tanto as más quanto as boas agora mesmo provavelmente alguém lá fora está lendo varney o vampiro ou o monge parecem ter longas vidas nas prateleiras o meio de roland proteger a torre é tentar remover a ameaça às hastes que mantêm a torre de pé eu teria de fazer isso percebi após meu acidente acabando a história do pistoleiro durante as longas pausas entre a redação e a publicação das primeiras quatro histórias da torre negra recebi centenas de cartas tipo arrume suas coisas vamos viajar para o país da culpa em 1998 ou seja quando eu trabalhava sob a equivocada impressão de estar ainda basicamente com 19 anos recebi uma carta de uma avó/82 anos não pretendo incomodálo com meus problemas mas muito doente nesses Últimos dias a avó me contava que tinha provavelmente apenas um ano de vida 14 meses no máximo o câncer tomou conta de mim e embora não esperasse que eu fosse concluir a história de roland naquele prazo só por causa dela queria saber se eu não poderia por favor {por favor contarlhe como ia acabar a linha que cortou meu coração embora não fundo o bastante para me fazer recomeçar a escrever foi sua promessa de não contar a ninguém um ano depois provavelmente após o acidente que me jogou no hospital uma de minhas assistentes marsha difilippo recebeu a carta de um sujeito à beira da morte no texas ou na flórida querendo saber essencialmente a mesma coisa como ia acabar prometia levar o segredo para o túmulo o que me deu arrepios eu teria dado a essas duas pessoas o que elas queriam um sumário das novas aventuras de roland se isso me fosse possível mas infelizmente não era não tinha idéia das coisas que iam acontecer com o pistoleiro e seus amigos para saber tenho de escrever já tinha feito um rascunho mas o perdera pelo caminho provavelmente aliás não valia merda nenhuma eu só tinha algumas anotações tipo rifle pocotó cabeça não sei o quê-não sei o quê na cesta como diz o papel duvidoso em cima da minha mesa enquanto escrevo isto por fim a partir de julho de

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2001 comecei a escrever de novo a essa altura eu já sabia que não tinha mais 19 anos nem estava isento de qualquer um dos males dos quais a carne é herdeira sabia que estava a caminho dos 60 talvez dos 70 e queria concluir minha história antes que o patrulheiro mau viesse pela última vez não tinha pressa de ser posto na estante com os contos de canterbury e o mistério de edwin drood o resultado qualquer que seja o seu valor jaz na sua frente leitor fiel quer você esteja começando com o volume um ou se preparando para o volume cinco pouco importa se as pessoas gostam dela ou não a história de roland agora está pronta espero que você a desfrute quanto a mim eu me diverti pra valer stephen king 25 de janeiro de 2003 prefácio a maior parte do que os escritores escrevem sobre seu trabalho é besteira mal contada É por isso que você nunca viu um livro intitulado os cem melhores prefácios da civilização ocidental ou preâmbulos favoritos do povo americano É claro que isso é um julgamento de valores da minha parte mas depois de escrever pelo menos 50 introduções e prefácios para não falar de um livro inteiro sobre a arte da ficção acho que tenho direito a ele e acho que você deve me levar a sério quando digo que posso estar numa daquelas raras ocasiões em que tenho algo que realmente vale a pena ser dito alguns anos atrás criei certo furor entre meu leitores ao apresentar uma versão revista e ampliada de meu romance a dança da morte fiquei justificadamente apreensivo acerca do livro porque a dança da morte sempre foi a história de que meus leitores mais gostavam no que diz respeito aos fãs mais incondicionais da dança eu poderia ter morrido em 1980 sem que o mundo se tornasse um lugar perceptivelmente mais pobre se há uma história que rivaliza com a dança da morte na imaginação dos leitores de king é provavelmente o romance de roland deschain e sua busca da torre negra e agora porra acabei fazendo de novo a mesma coisa para uma discussão mais completa do fator besteira ver on writing publicado pela scribner s em 2000.

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só que não fiz não de verdade e quero que saiba disso também quero que fique sabendo o que eu realmente fiz e por quê talvez para você não tenha importância mas é muito importante para mim e por isso este prefácio fica isento eu espero da regra da besteira do king primeiro por favor não esqueça que a dança da morte sofreu cortes profundos no original não por razões editoriais mas financeiras também houve limitações de acabamento mas não quero chegar tão longe o que repus no fim dos anos 80 foram seções já revistas do manuscrito preexistente também revisei o trabalho como um todo atento principalmente ao conhecimento da epidemia de aids que floresceu se assim se pode dizer entre a primeira edição de a dança da morte e a publicação da versão revista oito ou nove anos depois o resultado foi um volume com cerca de 100 mil palavras a mais que o original no caso de o pistoleiro o volume original era fino e o material acrescentado nesta versão não passa de 35 páginas cerca de nove mil palavras se você já leu o pistoleiro só encontrará aqui duas ou três cenas totalmente novas os puristas da torre negra que existem em número surpreendente dê uma olhada na internet vão querer ler novamente o livro é claro e a maior parte deles será capaz de fazê-lo com um misto de curiosidade e irritação entendo isso mas tenho de dizer que estou menos preocupado com eles que com os leitores que nunca se depararam com roland e seu ka-tet a despeito de ter fervorosos seguidores a história da torre é bem menos conhecida por meus leitores que a dança da morte as vezes quando faço palestras peço a quem já leu um ou mais de meus livros que levante a mão pelo simples fato de se terem dado ao trabalho de estar lá o que às vezes inclui a inconveniência de ter de chamar uma baby-sitter e arcar com a despesa adicional da gasolina no velho automóvel não é de admirar que a maior parte dos presentes levantem a mão então peço que mantenham as mãos levantadas se já leram uma ou mais histórias da torre negra quando digo isso pelo menos metade das mãos invariavelmente se abaixa a conclusão é bastante clara embora eu tenha gasto uma excessiva quantidade de tempo escrevendo os livros da série nos 33 anos entre aqueles ligados pelo destino.

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1970 e 2003 relativamente poucas pessoas os leram aqueles que o fizeram no entanto ficaram apaixonados e eu mesmo me senti consideravelmente assim pelo menos a ponto de nunca deixar roland escapar para aquele exílio que é a infeliz morada de personagens mal acabados pense nos peregrinos de chaucer a caminho de canterbury ou na gente que povoava o último e inacabado romance de charles dickens o mistério de edwin drood acho que eu sempre presumi em algum lugar no fundo da minha mente pois não me lembro de ter pensando nisso de modo consciente que haveria tempo para terminar que talvez deus me mandasse um telegrama cantado na hora combinada dim-dom-dom dim-dom-dorre volte ao trabalho stephen acabe a torre e de certa forma realmente aconteceu algo parecido embora não se tratasse de um telegrama cantado mas de contato imediato com a pequena van plymouth que me faria recomeçar se o carro que me atingiu naquele dia fosse um pouco maior ou se a batida fosse um pouco mais direta teria sido um caso de por favor não mandem flores a família king agradece os votos de pesar e a busca de roland teria permanecido para sempre inacabada ao menos por mim seja como for em 2001 época em que eu já começara a me sentir de novo mais autoconfiante decidi que estava na hora de acabar a história de roland pus tudo de lado e comecei a trabalhar nos últimos três livros como sempre fiz isso não tanto para os leitores que o exigiam mas para mim mesmo ainda que no inverno de 2003 quando escrevo isto as revisões dos últimos dois volumes ainda não tenham sido feitas os livros em si foram terminados no verão passado e no intervalo entre o trabalho editorial com o volume cinco {lobos de calla e o volume seis canção de susannah decidi que estava na hora de voltar ao começo e iniciar as últimas revisões completas por quê porque na realidade estes sete volumes jamais foram histórias distintas mas partes de um mesmo romance extenso chamado a torre negra e o início estava fora de sincronia com o final minha abordagem da revisão não tem se alterado muito nos últimos anos sei que certos escritores revêem à medida que vão escrevendo mas meu método de ataque sempre foi mergulhar de cabeça e avançar o mais depressa possível mantendo o gume da lâmina da narrativa o mais afiado

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possível pelo uso constante e tentando ultrapassar o inimigo mais insidioso do escritor que é a dúvida olhar para trás inspira perguntas demais até que ponto meus personagens são verossímeis a história é mesmo interessante até que ponto é realmente boa alguém vai gostar dela eu vou gostar quando meu primeiro rascunho de um livro fica pronto eu o ponho de lado com tudo que ele tem de ruim para amadurecer algum tempo depois seis meses um ano dois anos realmente não importa consigo voltar a ele com um olhar mais frio embora ainda amoroso e dou início à tarefa de rever e ainda que cada livro da série da torre fosse revisto como entidade separada consegui realmente ver a obra como um todo ao terminar o volume sete a torre negra quando tornei a olhar para o primeiro volume que agora você tem em mãos três verdades evidentes se apresentaram a primeira foi que o pistoleiro havia sido escrito por um homem muito jovem e tinha todos os problemas do livro de um homem muito jovem a segunda foi que continha uma grande quantidade de lapsos e falsos pontos de partida particularmente à luz dos volumes que vieram depois a terceira foi que o pistoleiro não era sequer parecido com os últimos livros era francamente um tanto difícil de ler com muita frequência eu me ouvia me desculpando por ele dizendo que se as pessoas perseverassem veriam a história encontrar sua verdadeira voz em a escolha dos três em determinado ponto de o pistoleiro roland é descrito como o tipo de homem que alinharia quadros em quartos de hotéis desconhecidos eu mesmo sou esse tipo de cara e até certo ponto isso é tudo que reescrever significa endireitar os quadros passar aspirador no chão esfregar os banheiros executei muitas tarefas domésticas no transcurso desta revisão e tive a oportunidade de fazer o que qualquer escritor quer fazer com um trabalho que está pronto mas ainda precisa de um polimento e uma regulada simplesmente fazer direito a partir do momento em que um exemplo provavelmente servirá por todos no texto da edição anterior de o pistoleiro farson é o nome de uma pequena cidade em volumes posteriores acaba se tornando o nome de um homem o rebelde john farson que arquiteta a queda de gilead a cidade-estado onde roland passa a infância.

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você sabe como as coisas funcionam você deve isso ao leitor potencial e a você mesmo volte e ponha as coisas em ordem foi o que tentei fazer aqui tendo sempre o cuidado de impedir que algum acréscimo ou alteração deixasse escapar os segredos ocultos nos últimos três livros do ciclo segredos que em certos casos venho pacientemente guardando a nada menos de 30 anos antes de encerrar gostaria de dizer uma palavra sobre o homem mais novo que se atreveu a escrever este livro o jovem se expusera a um número excessivo de seminários sobre a escrita e acabara se ajustando demais às idéias que aqueles seminários propagam que a pessoa não está escrevendo para outra pessoa mas para si mesma que a linguagem é mais importante que a história que a ambiguidade é preferível à clareza e à simplicidade indícios geralmente de mente grosseira e literal como resultado não fiquei surpreso ao encontrar um alto grau de pretensão na primeira aparição de roland para não mencionar o surgimento de milhares de advérbios desnecessários removi o máximo que pude da tagarelice vazia e não lamento um só corte nesse sentido em outros pontos invariavelmente naqueles em que fui induzido a esquecer as idéias do seminário de escrita por algum episódio particularmente envolvente da história pude deixar o texto quase inteiramente em paz salvo pelos detalhes habituais de revisão que qualquer escritor precisa observar como já assinalei em outro lugar só deus faz as coisas certas logo da primeira vez seja como for não quis sufocar ou mesmo alterar demais o modo como a história fora contada apesar de todos os defeitos ela tem seu próprio encanto acho eu alterá-la de forma muito radical seria repudiar a pessoa que escreveu pela primeira vez sobre o pistoleiro no final da primavera e início do verão de 1970 e isso eu não quis fazer o que eu realmente quis fazer e se possível antes de saírem os últimos volumes da série foi dar aos recém-chegados à história da torre e aos velhos leitores que quiserem refrescar suas lembranças um ponto de partida mais claro e um acesso ligeiramente mais fácil ao mundo de roland também quis que tivessem um volume que antecipasse mais efetivamente acontecimentos futuros espero ter conseguido e se você for um dos que jamais visitou o mundo estranho no qual roland se move com seus amigos espero que desfrute as maravilhas que encontrará por lá.

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mais que qualquer outra coisa eu quis contar uma história de espanto se você se descobrir caindo sob o feitiço da torre negra mesmo que só um pouco vou considerar cumprido meu trabalho que começou em 1970 e no geral acabou em 2003 roland contudo seria o primeiro a salientar que tal intervalo de tempo não significa grande coisa de fato quando alguém anda à procura da torre negra o tempo é um assunto que não tem absolutamente nenhuma importância 6 de fevereiro de 2003

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