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hermínio naddeo cinco contos de réis
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bÚzios jogando búzios procurando um caminho nos caminhos já percorridos este caramujo da esquerda mostra um corte às vésperas de um casamento ou um corte perto de um nada ou perto de um tudo que não chegou a haver este outro já caiu assim três vezes não mostra nada quer dizer não há caminhos já percorridos neste caminho que você quer procura ou que não procura afinal onde você quer chegar ou está querendo dizer chega chega não chega que iemanjá fez seu corpo fechado não há despacho que pegue pode fazer o seu caminho siga os caminhos já percorridos e você acha os novos caminhos para onde ninguém sabe isso os búzios não dizem É claro que eles falam não está vendo este
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aqui o menorzinho está contando o que você já sabe como você não sabia claro que sabia os búzios disseram você estava aí e nem viu cuidado ao dirigir porque os caminhos são cheios de curvas você olha pra trás e não vê mas elas estão lá claro que estão você passou ficaram as marcas as marcas das curvas dos caminhos elas ficaram não não estão em você só estão percorridos os caminhos procurando um caminho percorrendo onde vai dar esse caminho olha o búzio mostra ele leva até onde você quer chegar onde seja onde for se você pegar o caminho da direita também chega no mesmo lugar que você quer chegar ou pode ser pela esquerda lá adiante tem um atalho se você quiser pegar pode ser que o atalho chegue antes mas é possível também chegar depois ninguém sabe como o atalho é esse caramujo de ponta não falha ele disse que o corpo está fechado é porque está pode seguir o caminho percorrido procurando o seu caminho tem alguém no seu caminho não isso o búzio não fala pode ser que o alguém ficou nas curvas claro existe a possibilidade no atalho ou à direita pode ser à esquerda já passou ou vai passar procurando o caminho nos caminhos já percorridos é só fazer o seu caminho não há caminhos que levem lá todos chegam todos vão ou já foram ou já chegaram a esse lugar a que você quer ir você não quer ir então não vá ficando também se pode chegar os faróis do fim do mundo estão apagados não dá pra ver se os faróis estão lá mas é claro que estão lá naquela direção que o caramujo aponta não está vendo É para a esquerda ou para a direita.você pode escolher prefere ir para a frente ou para trás É lá atrás também tem coisa boa os búzios garantem que você vai chegar.
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31 de outubro da minha janela dá para ver o cais os navios estão lá encostados desde ontem todo enfeitados a multidão se aglomera para as despedidas e o ruído chega misturado com a música tocando alto pelo sistema de som instalado em cada esquina e praça da cidade minhas malas estão arrumadas há semanas nesses últimos tempos só tenho feito apagar os vestígios de minha estadia por aqui acho que fiz tudo direito eu mesmo quase não percebo minha presença neste quarto onde vivi a maior parte de minha vida minha mulher e meus filhos estão lá no cais vivendo o feriado que se repete a cada ano É uma festa bonita.acho que só é triste para quem está indo porque a gente não sabe para onde vai participei desta festa tantas vezes e só agora entendo
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porque tinha gente que subia para o navio com lágrimas correndo pelo nariz a sensação é realmente esquisita saber que tem que ir mesmo 20 anos depois do governo dar a ordem a impressão é de que ninguém se acostumou É duro passar 55 anos convivendo com esse mundo apegandose às coisas criando amor em tudo e de repente acabou os jovens sentem menos porque nasceram com a ordem instalada foram preparados É normal para eles acontecer o feriado dançar e beber na praça do cais e dizer adeus para seus velhos mas para nós os velhos é difícil muito difícil eles disseram que lá é muito melhor que é um verdadeiro paraiso onde não falta nada nunca e a solidão não existe as assistentes sociais fazem programas permanentes eles disseram que eu não vou ter tempo de sentir saudades e que daqui a três anos quando minha mulher completar 55 ela leva as notícias para mim notícias eles garantem que eu não vou querer saber passo pelo portão e nem ele mais é o mesmo não posso evitar esse nó na garganta porque começo a compreender que já não faço parte daqui sou como o velho portão de madeira que eu mesmo troquei faz tão pouco tempo por este que se abre célere para minha passagem sigo para o depósito das coisas que não têm mais utilidade as pessoas com quem encontro descendo a rua mal têm tempo de olhar para mim elas sabem que estou indo é gente com quem convivi todos esses últimos anos mas elas passam indiferentes a euforia com a festa está no rosto de cada uma nas roupas com cheiro de novo no olhar ansioso com que procuram as bandeiras tremulando suas cores nos mastros dos navios.
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entro na praça e as pessoas me envolvem É engraçado essa multidão de rostos sorrindo juventude e simpatia estendendo a caneca de bebida na absurda comemoração de minha própria partida o cais está repleto as pessoas se acotovelam no ritmo da música minha mulher e meus filhos estão aí junto com o povo nessa alegria louca perdidos de todos e de tudo eu vou e não importa subo os degraus como tanta gente tem subido nesses últimos 20 anos desde a ordem volto a cabeça procurando um rosto amigo um olhar que seja demonstrando sentimento mas as pessoas lá embaixo estão muito ocupadas consigo mesmas os velhos os inúteis velhos de 55 anos não deixam saudades vão apenas porque é chegado o dia de ir na amurada olho o povo se afastando ficando pequeno na distância o som chega abafado as luzes vão sumindo pouco a pouco na curvatura do horizonte o navio apita uma duas vezes.
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12 crianÇagem a irmã tinha começado a usar sutiã e ele é que estava com fogo de contar para o amigo e contou pondo força em cada palavra o outro apertava o calço para segurar a asa do aeromodelo enquanto a cola secava distraído estava distraído ficou a conversa parou por aí até os próximos dias motorzinho aparafusado no caibro pregado no chão rodando rodando saiu num solavanco ontem eu vi os peitinhos da lúcia que nem dois limõezinhos deste tamanhinho e como é que você viu ela me mostrou ora luiz onze anos lúcia treze já pegando jeito de moça
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que o irmão não atinava com tanta transformação naquele quarto que era dos dois a mãe deu o primeiro absorvente com o mesmo isto é pra você do dia do sutiã comentava tudo com o irmão ia parar no ouvido de odrigo doze único amigo que os pais deixavam ter cheiro de tinta do aeromodelo entrando pelo nariz rodrigo moleque safado ficou bobo que luiz viu a coisa da lúcia porque aquilo ele nunca tinha visto ainda escuro que nem a noite macio como o veludo e você pôs a mão ela deixou que é que tem ora foi só pra sentir como era agora que estavam em férias ninguém precisava se incomodar com horário uniforme lição os pais saíam pela manhã às vezes vinham para o almoço se sobrava um tempinho que nunca sobrava lúcia em recuperação com a montanha de livros da escola para estudar pai chegava tomava o ponto se errava apanhava de cinto na frente do amigo do luiz e ia dormir sem janta assim você aprende rodrigo mostrando para luiz o relógio novo ganho de natal lúcia no canto da sala enfiada nos livros a consulta veio de menino que não sabe nada para o moleque sabido criado mais solto na rua como é que ia fazer para botar na irmã rodrigo se encheu de sabedoria e ensinou falando baixinho e olhando para ver se a menina prestava atenção vocês dormem no mesmo quarto ué de noite você vai pra cama dela baixa a calcinha e deita em cima e se ela acordar sei lá finge que toma um susto faz de conta que é sonâmbulo que tá acordando na hora pai do luiz não deixou ir junto para cabo frio rodrigo foi para as férias com a família só quinze dias não adianta insistir fala obrigado e diz que você vai de outra vez mas
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agora não podia ser a irmã em recuperação ficar sozinha em casa luiz precisava estar lá o avião fez o maior sucesso na praia só vendo a turma toda com inveja meu pai falou que hora dessas compra um de controlar pelo rádio você me ajuda deu certo rodrigo deu certo o quê aquele negócio com minha irmã eu trepei nela fiz como você falou ela tava dormindo eu fui pra cama dela baixei a calcinha dela e foi eu acho que ela acordou mas fingiu que tava dormindo porque ela abriu as pernas um pouquinho e quando voltei pra minha cama percebi ela vestindo a calcinha de novo dava pra ver o coração batendo no peito magro e nu a mão segurando por cima do calção boca entreaberta e olhão arregalado a bomba para explodir dentro da cabeça ainda mais escuro que nem a noite e macio como o veludo não pensou duas vezes para fazer o pedido de amigo para amigo fala com ela pra dar pra mim também não eu nem sei se ela sabe o que aconteceu e você não vai comer a minha irmã não negado o pedido chantagem seja feita se você não falar com ela eu vou contar pra todo mundo aeromodelo do jeito que estava ficou lúcia enfiada nos livros e apanhando seis horas da tarde os dois só conversando em baixa tensão já falou com ela pois é o aeromodelo já vou indo não obrigado minha mãe está esperando pra janta.até que luiz disse que lúcia queria ver o de rodrigo só ver moleque que se achava safado ficou com vergonha mostrou quase uma semana depois lá no quintal perto da porta da cozinha baixando o calção um
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pouquinho ela riu lá de cima da janela do quarto depois desceu e enfiou a cara no livro no canto da sala um olhando para o outro com vergonha rodrigo chegando pra perto perna tremendo lúcia fingindo que estava lendo rodrigo abraçou por trás foi logo pondo a mão ela não ligou ligou sim quando a mãozinha entrou pelo elástico da calcinha ela foi mais para a frente na cadeira coração batendo mais forte dentro do limãozinho galego o esquerdo mal se viam os meninos luiz sempre trancado no quarto brincando com jogo de armar rodrigo e lúcia na sala brincando com jogo de amar nem sabiam que chamava assim lúcia em pé ao lado da janela pernas abertas vigiando se vem alguém rodrigo sentado na cadeira ao lado mão esquerda mexendo dentro da calcinha mão direita mexendo dentro do calção ela reclamando se ele parava o movimento mexe tá gostoso mexe sentados no sofá os pais sairam agora não precisa se preocupar mão de rodrigo perdida embaixo da saia lúcia sem calcinha luiz brincando no quarto lúcia mordendo pedaço de queijo parmesão rodrigo aproximando a boca da boca o primeiro beijo recusado -não deixa de ser sem vergonha isso não ele empurrando o pano da calcinha com o peruzinho ela um degrau mais alto na escada ele querendo subir subir mas com medo danado de chegar achava que era homem moleque safado dizia que era perigoso e se ela tivesse nenê era homem nada que a coisinha branca que ele via ela sujeira sebinho de tanto por a mão treze anos e onde foi que ela aprendeu por que você não vai na farmácia e compra aquele negócio que põe aí eles não vendem para menino.
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treze anos e onde foi que ela inventou e se você botar aí o saquinho de plastico que vem na gelatina royal É fininho será que não dá não dava peruzinho ficou dançando plastico sobrando e o cheiro de gelatina por mais que lavasse não saía e o medo de escorregar e ficar lá dentro saquinho e tudo deus me livre e se não saísse mais riram que tava engraçado mas depois ela ficou com raiva dele e mandou ele embora nem quis que mexesse mais rodrigo descendo a escada nossa lá embaixo lúcia e a mãe a mãe dele com cara de brava os degraus subindo contra seus pés fala na frente dele lúcia fala É sim ele tava olhando pelo buraco da fechadura eu tava no chuveiro escutei barulho na porta e vi ele correndo quando eu abri a mãe chamou pra outra sala perguntou se era verdade ele jurou pela tia que tinha sido freira que não tinha olhado mãe falando pra mãe que quando ele jura pela tia freira pode acreditar que é verdade lúcia espantada foi apanhando pra casa passando vergonha na rua de tarde rodrigo foi lá primeiro ficou rondando com medo da mãe dela depois sentou na calçada em frente luiz na janela fez sinal para entrar lúcia abriu a porta com cara de tudo bem nem chamaram o irmão nem tocaram no assunto foram para o sofá e ela passou a tardinha vigiando ao lado da janela estava sempre com a mão cheirando lúcia lúcia já estava dentro do nariz lavava a mão com sabonete e nem assim o cheiro saía e toda hora a vontade de ficar lá os dedos molhados luiz tinha razão era macio como o veludo e era molinho por dentro igual enfiar os dedos no potinho de gelatina o saquinho de gelatina a caixa do supermercado ficou olhando pra ele olhando para as dezenas de caixinhas de jontex penduradas quer algu-
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ma coisa ele sem coragem de pedir saiu ela deitou de bruços ficou deitada esperando saia levantada nas costas ele olhando era grande uma grande lua branca quase desistiu deitou por cima procurando achando caminho com a mão ajudando perguntando ela virando as páginas da revistinha É aí mais pra baixo e agora mais pra cima um pouquinho humm humm virando página da revistinha lendo a historia foi a mesma coisa de tarde mesmo sofá da sala mesmas perguntas humm humm pronto ele estava indo embora ela perguntou sabe por que eu fiz isso pra me vingar de duas pessoas meu pai e minha mãe não falou mais com ele começaram as aulas rodrigo mudou de escola via luiz de vez em quando nunca mais fizeram aeromodelo brigaram um dia de rasgar camisa e arranhão nas costas rodrigo fez outro amigo um dia contou que era homem já que nada o outro disse sou sim não é não você não tem tamanho levou ele pra empregada provar quem tinha razão ela estava passando roupa em pé o amigo levantou a saia dela baixou a calcinha ele encostou ficou esfregando até dizer pronto a empregada riu não era homem mesmo ainda não rindo sozinho de contente correu pela rua nem dormiu direito esperou em frente da casa cedinho o pai saiu a mãe também luiz já estava na escola bateu lúcia atendeu da janela da sala ele disse que não era homem ainda não abre a porta que podiam sem perigo não precisava nem de saquinho de gelatina ela bateu a janela chamou rodrigo de cavalo estava vingada.
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aquÁrio apagou todos os blocos de textos pela décima vez e ficou procurando na tela em branco as palavras que queria ver escritas inspirou fundo apoiou os pulsos e recomeçou a digitar acompanhando a velocidade do pensamento ela entrou tirou a camisola e jogou-se na cama não disse uma palavra.aquele olhar queria dizer tudo a mulher assustou-se papel arrancado da impressora de uma só vez bolinha branca amassada em direção ao cesto de lixo fechou o livro batendo as páginas e olhou para ele com força foi o primeiro a baixar os olhos disse desculpe enquanto colocava mais folhas na bandeja da impressora a mão dela foi chegando os dedos entraram pelos cabelos,
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