Dissertação Felipe Santos

 

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Dissertação Felipe Santos

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ministÉrio da educaÇÃo universidade federal do rio grande-furg instituto de ciÊncias biolÓgicas pÓs-graduaÇÃo em biologia de ambientes aquÁticos continentais distribuição espaço-temporal e dieta de lontra longicaudis carnivora mustelidae em região costeira do sul do rs felipe augusto penna dos santos dissertação apresentada ao programa de pós-graduação em biologia de ambientes aquáticos continentais para obtenção do título de mestre em biologia de ambientes aquáticos continentais rio grande agosto de 2011.

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ministÉrio da educaÇÃo universidade federal do rio grande ­ furg instituto de ciÊncias biolÓgicas pÓs-graduaÇÃo em biologia de ambientes aquÁticos continentais distribuição espaço-temporal e dieta de lontra longicaudis carnivora mustelidae em região costeira do sul do rs aluno biól felipe augusto penna dos santos orientador dr elton pinto colares rio grande agosto de 2011 i

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dedico este trabalho aos meus pais irmãos e namorada que foram meu suporte e combustível durante este período e sem os quais não haveria maneira de concluir este trabalho ii

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agradecimentos primeiramente a deus por me iluminar e sempre me mostrar o caminho do bem e do correto À minha família pela força e incentivo em todos os momentos não só durante o trabalho quanto ao longo de toda a vida em especial ao meu pai e à memória de minha mãe por construírem meu caráter e pelo eterno e infinito amor que sempre me foi dado ao amor da minha vida samanta por estar comigo tanto nos momentos bons mas principalmente nos ruins não me deixando desistir jamais ao meu orientador elton colares por aceitar trabalhar comigo neste difícil período e por toda a compreensão e apoio para que eu me tornasse um profissional e uma pessoa melhor aos colegas de mestrado que de alguma forma ajudaram na realização deste trabalho ao órgão financiador capes pela bolsa de mestrado iii

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resumo a lontra-neotropical lontra longicaudis é um carnívoro semi-aquático com adaptações morfológicas para viver nos mais diversos habitats aquáticos como rios lagos mangues e estuários além disso também é encontrada em ambientes marinhos onde se alimenta ou apenas transita são carnívoros que se alimentam principalmente de peixes e crustáceos o objetivo desde trabalho foi verificar a utilização de ambientes de influência do mar por l longicaudis no litoral sul do rs a área de estudo foi a praia do cassino onde foram percorridos seis cursos d água sangradouros por cerca de 1 km em cada à procura de fezes de lontras entre dezembro de 2009 e novembro de 2010 as fezes foram analisadas para determinar a distribuição espaço-temporal e a dieta das lontras foram encontradas 75 fezes de lontras sendo a maior quantidade no inverno e outono diminuindo na primavera e verão as maiores quantidades de fezes foram encontradas nos sangradouros r7 e r9 por estes serem mais extensos e profundos as menores quantidades de fezes nos sangradouros r4 r8 e r10 se deve ao fato de estes serem menores e menos profundos os peixes foram as principais presas das lontras seguidos pelos crustáceos anfíbios moluscos insetos aves e mamíferos os peixes foram mais predados na maior parte das estações exceto no outono quando os crustáceos predominaram no inverno os anfíbios predominaram sobre os crustáceos sendo o segundo grupo mais predado os peixes mais consumidos foram perciformes e siluriformes foi verificado que as lontras utilizam os sangradouros da praia do cassino mesmo estes não possuindo vegetação e substrato mais favoráveis à espécie a maior utilização dos ambientes durante o inverno provavelmente se deve ao fato de neste período os sangradouros estarem mais profundos a dieta das lontras variou ao longo do ano possivelmente conforme a disponibilidade das presas palavras chaves lontra longicaudis dieta distribuição ambiente marinho iv

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Índice introduÇÃo geral 1 objetivos 8 referÊncias bibliogrÁficas 10 artigo distribuição espaço-temporal e dieta de lontra longicaudis carnivora mustelidae em região costeira do sul do rs 19 resumo 20 abstract 21 introduÇÃo 22 material e mÉtodos 25 resultados 27 discussÃo 29 agradecimentos 35 referÊncias bibliogrÁficas 36 tabelas 42 figuras 45 v

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lista de tabelas tabela 1 número de fezes encontradas por quilômetro de margem percorrida fezes/km nos sangradouro da praia do cassino durante o ano 42 tabela 2 número de fezes de lontras coletadas no estudo contendo cada grupo de peixes 43 vi

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lista de figuras figura 1 Área de estudo litoral do município de rio grande evidenciando os seis sangradouros percorridos 45 figura 2 freqüência absoluta anual dos itens predados pela lontra-neotropical no litoral do município de rio grande ­ rs durante um ano 46 figura 3 freqüência absoluta por estação de cada item predado pela lontraneotropical no litoral do município de rio grande ­ rs durante um ano 47 figura 4 frequência relativa anual dos itens predados por l longicaudis no litoral do município de rio grande ­ rs durante um ano 48 figuras 5 frequência relativa por estação dos itens predados pelas lontras no litoral do município de rio grande ­ rs durante um ano 49 vii

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introduÇÃo geral lontra longicaudis conhecida como lontra-neotropical é um carnívoro pertencente à família mustelidae e subfamília lutrinae na qual existem 13 espécies de lontras com oito delas constando na lista de animais ameaçados de extinção da iucn international union for conservation of nature seis destas espécies ocorrem no continente americano pteronura brasiliensis lontra felina lontra provocax lontra longicaudis lontra canadensis e enhydra lutri sendo que lontra canadensis e enhydra lutri ocorrem apenas na américa do norte e as outras se distribuem na américa latina van zyll de jong 1972 foster-turley et al 1990 koepfli w ayne 1998 a lontra-neotropical possui ampla distribuição geográfica ocorrendo desde o norte do méxico até a argentina no brasil a lontra é encontrada em praticamente todo o território eisemberg redford 1999 É um animal semi-aquático geralmente solitário e de hábito crepuscular o que dificulta o seu estudo chehÉbar 1990 emmons 1997 cheida et al 2006 possui porte médio entre 90 e 136 cm com coloração marrom-pardacenta próximo ao preto e com o ventre mais claro a pelagem é dividida em duas camadas a interna mais densa e macia e a externa com pêlos longos e ásperos cimardi 1996 a lontra pode ser encontrada em rios lagos manguezais estuários além de áreas marinhas carvalho junior et al 2005 por ser um animal de hábitos semiaquáticos a espécie possui adaptações morfológicas para viver neste meio como por exemplo pés com membrana interdigital cauda um pouco achatada na extremidade o focinho não possui pêlos na ponta e apresenta grandes vibrissas que auxiliam na localização da presa em baixo d água chanin 1985 silva 1994 também dependem do meio terrestre para descansar parir e amamentar seus filhotes chanin 1985 1

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contudo as adaptações para viver no meio aquático tornam a espécie pouco adaptada ao deslocamento na terra em relação a outras espécies de mustelídeos terrestres com isso ficam mais vulneráveis a potenciais predadores e perseguições neste ambiente tarasoff et al 1972 no ambiente terrestre a lontra geralmente utiliza áreas restritas à margem dos corpos d água para realizar diversas atividades as tocas servem como local de descanso e de criação dos filhotes e se localizam geralmente no centro da região das atividades da lontra melquist hornocker 1983 green et al 1984 também utilizam áreas exclusivas para atividades de descanso principalmente durante o dia kruuk 1995 para a marcação territorial é utilizada a deposição de fezes e arranhões feitos pelo animal nestes locais de marcação as fezes são depositadas em locais conspícuos próximos às áreas de forrageio no limite da área de vida e nos centros de atividade kruuk hewson 1978 arden-clarke 1986 devido ao hábito noturno a observação e o estudo das lontras são difíceis portanto a isso a maioria dos estudos com a espécie utiliza como metodologia principal a coleta e análise de fezes desses animais já que algumas partes das presas como ossos e escamas não são digeridas além disto esta metodologia é relativamente de baixo custo e fácil de ser realizada assim como é fácil a visualização das fezes no ambiente kruuk 1995 muitos trabalhos utilizam também a observação de pegadas e arranhões em barrancos e troncos de árvores além do reconhecimento do odor característico desses animais jenkins burrows 1980 w aldemarin 1997 brandt 2004 na natureza as lontras são geralmente visualizadas solitárias ou em grupos de dois ou três indivíduos quando ocorrem em grupos normalmente são fêmeas e seus filhotes sendo que grupos com machos fêmeas e filhotes nunca foram vistos o casal permanece junto por pouco tempo apenas durante o período de acasalamento 2

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parera 1996 a comunicação entre os indivíduos se da através de marcas e feromônios utilizando ambientes de fácil acesso à água como troncos pedras e barrancos para defecar além disto podem fazer arranhões nos barrancos que provavelmente estão relacionados à demarcação do território parera 1996 w aldemarin colares 2000 quanto à comunicação dos carnívoros em geral ela pode ocorrer de várias maneiras como por exemplo o contato direto a luta observação de estímulos visuais como expressões faciais e postura do corpo comunicação vocal e por odores esta última inclui os traços olfatórios ou de emissão de odor deixado pelo animal hutchings w hite 2000 tal comunicação através do olfato possui certas vantagens sobre as outras sinalizações como ser usada em situações em que sinais visuais e auditivos não podem ser detectados à noite em cavidades do subsolo ou em vegetação densa pardini 1998 além disto podem permanecer ativas por longos períodos mesmo sem a presença do seu emissor desse modo a comunicação olfativa pode providenciar um registro espacial e histórico do movimento e comportamento dos indivíduos gorman trowbridge 1989 de acordo com ralls 1971 e johnson 1973 a marcação odorífera pode estar relacionada ao mapeamento de recursos como fontes de alimento e locais de descanso à advertência na ocupação da terra a alarmes ao reconhecimento individual e à atração sexual sua função em uma determinada população pode ser indicada pela distribuição espacial dessas marcas entretanto este método não deve ser usado para indicar o tamanho de uma população uma vez que existem fatores que influenciam a intensidade das marcações em situações de fragmentação do habitat e declínio populacional poucos sinais são deixados e quando a população é saudável o contrário ocorre com isso podem existir 3

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relações entre a quantidade de marcações e o sucesso das populações macdonald mason 1985 dentre os principais problemas que a lontra enfrenta há a fragmentação dos ambientes como desmatamento das margens de rios isto causa um mosaico de fragmentos aumentando a ameaça à conservação das lontras pois a distância entre estes fragmentos aumenta sendo um problema para a lontra que está constantemente transitando entre um lugar e outro carvalho-junior 2007 outros problemas enfrentados pela espécie são os conflitos com pescadores e proprietários de criadouros de peixes a poluição da água e a contaminação de níveis tróficos inferiores devido ao fato de ocorrer um acúmulo da poluição ao longo da cadeia trófica animal este último problema se torna especial para as lontras que são predadoras de topo de cadeia macdonald mason 1985 1990 krebs 1994 as lontras são também consideradas como boas bioindicadoras já que são sensíveis à poluição e dessa forma sua presença em um habitat demonstra a boa qualidade do mesmo marques 2001 devido à sensibilidade não somente à poluição como das mudanças no ambiente elas se tornam vulneráveis e podem sofrer ameaças oriundas de atividades humanas como dragagens drenagens canalização de rios construções de represas mineração exclusão de matas ciliares poluição da água e pesca comercial rosas et al 1991 as lontras são pouco exigentes quanto ao local de descanso e em regiões sem muita perturbação derivada de atividade do homem podem até utilizar áreas no chão sem nenhuma proteção porém geralmente utilizam tocas pois os locais utilizados para a criação de filhotes devem ser protegidos das intempéries e outros riscos chanin 1985 os habitats de preferência pelas lontras são geralmente áreas florestadas matas ciliares e capineiras de grande porte provavelmente por causa da proteção contra predadores e variações do clima que estas vegetações conferem jenkins 4

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burrows 1980 serfass 1984 mason macdonald 1986 newman griffin 1994 gomes-junior 2009 entretanto mesmo com algumas preferências e exigências por certos habitats alguns autores dizem que as lontras podem viver em áreas moderadamente urbanizadas e onde problemas ambientais como poluição orgânica e desmatamento de mata ciliar estejam presentes outras espécies de lontras como lontra-euro-asiática lutra lutra e a lontra-norte-americana lontra canadensis já foram localmente extintas em inúmeras regiões isso mostra que mesmo espécies altamente adaptáveis e flexíveis podem sofrer declínios populacionais diante de grandes modificações ambientais griess 1987 foster-turley et al 1990 reuther et al 2000 a respeito disso w aldemarin 1997 sugere que a densidade de lontras em um local pode ser determinada pela disponibilidade de alimento pela disponibilidade de habitat e pela intensidade da atividade humana em relação às exigências nos habitats poucos estudos foram desenvolvidos com a lontra-neotropical outras espécies de lontras foram estudadas mais profundamente como a lontra-euro-asiática lutra lutra a lontra-norte-americana lontra canadensis a lontra-do-sul lontra provocax a lontra-de-pescoço-pintado lontra maculicollis a lontra-sem-unhas-do-cabo aonyx capensis e a ariranha pteronura brasiliensis dubuc et al 1990 newman griffin 1994 schenck 1999 madsen prang 2001 carugati perrin 2001 medina-vogel et al 2003 para lontra longicaudis foram realizados estudos que buscaram identificar as características dos locais utilizados pela espécie nas margens de corpos d água spinola vaughan 1995 pardini trajano 1999 um estudo no norte do méxico é o único até então que comparou as características de regiões utilizadas pela lontra com às disponíveis na área de estudo podendo desse modo identificar a seleção de habitat ou não pela espécie carrillo-rubio et al 2004 5

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quanto ao status da espécie atualmente a lontra é considerada quase ameaçada e não consta na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção machado et al 2005 sendo protegida pela lei de proteção à fauna a qual proíbe o comércio de produtos feitos de animais silvestres entretanto nas listas estaduais de espécies ameaçadas de extinção do rio grande do sul paraná e minas gerais lontra longicaudis aparece com status de ameaça vulnerável principalmente pela destruição dos habitats p ex matas ciliares e poluição das águas fontana et al 2003 chiarello et al 2008 na avaliação realizada pela iucn a espécie foi alocada na categoria data deficient hilton-taylor 2000 as lontras são animais carnívoros que se alimentam de vertebrados e invertebrados com preferência por peixes e crustáceos entretanto sua dieta pode variar conforme o ambiente em que vive e a época do ano sendo muitas vezes considerados animais oportunistas se alimentando dos organismos que estiverem mais disponíveis no local e ao longo do ano moluscos insetos anfíbios répteis aves e pequenos mamíferos podem ocorrer também na dieta das lontras mas geralmente com percentuais menores helder andrade 1997 quadros monteiro-filho 2001 kasper et al 2008 porém outros estudos dizem que as lontras são animais especialistas mostrando que a espécie muitas vezes se alimenta de espécies mais lentas solitárias e com hábitos bentônicos o que facilitaria a predação destes erlinge 1968 adrian delibes 1987 tumlison karnes 1987 w eber 1990 pardini 1998 uchÔa et al 2004 em relação à predação da lontra sobre os peixes pode haver variações de acordo com o tipo de ambiente em regiões estuarinas a maioria das espécies predadas é marinha e estuarina alarcon simÕes-lopes 2004 já em ambientes lóticos são consumidas mais espécies de hábito bentônico pardini 1998 kasper et 6

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al 2008 enquanto que em ambientes lênticos são predominantes as espécies territorialistas e com cuidados parentais helder andrade 1997 a classificação dos animais em generalistas e especialistas está relacionada ao número de espécies que um animal se alimenta os generalistas consomem um amplo espectro de presas em termos de número de espécies e de microhábitats além disto não possuem uma clara preferência por uma fonte de alimento já os especialistas possuem sua dieta restringida a um número relativamente pequeno de espécies gerking 1994 É reconhecido que há um predomínio de espécies generalistas em rios e especialistas em lagos além disto a especialização da dieta não é típica de habitats efêmeros lowe-mcconnell 1987 araÚjo-lima et al 1995 segundo gerking 1994 um grande número de espécies tem a capacidade de mudar suas presas e seus hábitos alimentares para responder às variações temporais e/ou espaciais na disponibilidade dos alimentos atualmente está ocorrendo um aumento no número de estudos sobre a espécie sendo que sua maioria é relacionada à sua dieta helder-josÉ de andrade 1997 pardini 1998 colares w aldemarin 2000 quadros monteiro-filho 2001 kasper et al 2004 quintela et al 2008 ao uso de hábitat colares w aldemarin 2000 quadros monteiro-filho 2002 louzada-silva et al 2003 e à distribuição ao longo de ambientes quadros monteiro-filho 2002 povh quadros 2005 quadros 2006 peres martinez 2007 já estudos sobre reprodução e fisiologia da lontra foram realizados apenas em cativeiro colares silva 1987 colares best 1991 bertonatti parera 1994 parera 1996 apesar do recente aumento de publicações de trabalhos sobre a biologia das lontras esse número ainda é relativamente escasso tendo em vista a ampla distribuição geográfica da espécie olimpio 1992 passamani camargo 1995 spinola vaughan 1995 helder andrade 1997 pardini 1998 quadros monteiro-filho 2001 gori et al 2003 7

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