semioótica teste

 

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introdução necessária o que separa a chamada literacia do cidadão comum da do especialista seja este autodidata ou possuindo um background académico com longos anos de experiência na confirmação de modelos teóricos é um espaço que só se mede pela utilidade prática que qualquer um pode trazer para o pensamento humano ou para o bem estar social conheci em tempos um jardineiro que para além de saber totalmente do seu ofício também era aquilo a que chamamos um fascinante filósofo sobre todos os assuntos tinha uma palavra a dizer sobre o mar a juventude as cores a alimentação e sobre o futuro naturalmente nunca poderia construir ou mesmo desenhar um edifício de mais de 2 pisos porque necessitaria de bases suficientemente científicas que são exigências dos nossos dias mas de certo seria capaz de aconselhar um arquitecto sobre o lado mais solarento da casa e dos jardins que poderia ter que dimensões deveria ter a despensa para guardar as ferramentas modernas do dia a dia e ­ quem sabe como deveria ser a biblioteca para guardar a memória colectiva da família quando se aprende que há um lado mecânico nas coisas por exemplo que as palavras se arrumam por uma linearidade natural ou que as narrativas escritas têm que ter podem ter um protagonista um antagonista e espaços que não são exactamente espaços físicos interrogamo-nos se a felicidade que descobrimos nestas descobertas cruzar-se-á também com aquele jardineiro nos seus mais espontâneos actos um pôr-do-sol para mim será mais transcendental filososófico épico poético emotivo por que eu percebo a dimensão do universo a translação da terra e toda a dimensão física que daí decorre na escolha de uma temática para este trabalho de semiologia gostaria que percorrer da forma simples um pequeno caminho sobre as linguagens e os sinais que nos rodeiam e depois tentar explicar àquele homem com o mesmo interesse com que o ouvia o que agora penso ter a revelar há cerca de 30 anos steven spielberg apresentava perto do natal um novo filme na sequência de êxitos anteriores como os salteadores da arca perdida e e.t era ­ dizia-se ­ o seu primeiro filme sério que abordava o problema do racismo na américa na década de 30 a cor purpura the color purple

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para além da revelação de whoopi goldberg como atriz que aliás recebeu um óscar pelo seu papel e da excelente música de quincy jones não podemos deixar de relembrar diversas cenas como as dos coros gospel na igreja o passeio no meio das papoilas ou memoravelmente a aprendizagem por celia do alfabeto e das palavras usando a irmã inúmeros papéis junto às loiças da cozinha ou mesmo em si própria nos cabelos nos braços ou nos joelhos fiquei emocionado pelo salto de sabedoria que se apoderava da vida de celia mas não estava porém atento ao facto de que esse maravilhoso ritual de aprendizagem se podia enquadrar numa espécie de ciência que cerca de 70 anos antes se consolidava como explicação possível para a nossa identificação de sons imagens acções no nosso quotidiano À nossa volta todos os dias se respira arte e a ciência a que se tem juntado nos últimos anos e quase de supetão a tecnologia a moderna claro entre os cidadãos há três formas destes se relacionarem com tais realidades ou trabalham nelas ou as estudam ou as usufruem inconscientemente durante os últimos anos trabalhei com a tecnologia e com a arte mas progressivamente e de uma forma empírica fui descobrindo que tudo possui estrutura e intencionalidade ao se tornar real como facto social e existe também como universo mental em 2011 resolvi voltar à universidade e confrontei-me com a cadeira de semiologia que já sei que também se podia chamar de semiótica que de certo não vinha mal ao mundo e afinal o que descobri que era a tal ciência do início do século xx obviamente com muitas raízes centenárias ou milenares em que tudo palavras dança música cinema publicidade tinha uma ordem própria no mundo mas que contudo permitia a existência de subjectividade suficiente para que as víssemos em função da nossas identidades pessoais ou colectivas e assim pensei nesta semiologia e nestas semióticas e interroguei-me se os meus amigos e familiares se davam conta que andamos com uma espécie de etiquetas labels como dizem os americanos para onde quer que vamos ou sempre que abrimos a boca ou fazemos pequenos e grandes gestos interroguei-me também se as pessoas saberiam que quando vamos às compras podemos ter um precalço polissémico i.e comprarmos algo que não nos encomendaram em casa porque há palavras por uma questão de poupança sabe-se lá que pronuciando-se e até escrevendo se da mesma maneira têm significados diferentes interroguei-me se as pessoas saberiam e se isso as incomodava que quando iam ao cinema tudo aquilo tinha mais do que emoções e acção podendo desmanchar-se numa manta de retalhos a que se chama análise fílmica entrando-se em intimidades tão cruéis como identificar o ângulo de onde se vê o beijo de dois apaixonados o que os envolve cenograficamente e que objectos de cena podem ser responsáveis por uma eventual separação interroguei-me também se as pessoas saberiam que quando são cativadas por um perfume novo anunciado nas páginas de uma qualquer revista podem estar a ser malevolamente

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manipulados por uma ideia de falsa liberdade dada por um magnífico horizonte que surge no fundo do anúncio e em que um pequeno texto auxiliar sussura viva sem limites vá até ao fim do mundo muito destas peças de dominó da comunicação humana têm a designação de signos muitos dos meus amigos dirão que não acreditam nisso não são supersticiosos mas não deixam de se orgulhar de ter uma personalidade vincada porque são touros ou amáveis porque são virgens ora mesmo que possamos associar estes signos de que este texto pretende falar aos signos do zodíaco ou mesmo aos signos chineses desejo apenas transmitir uma ideia de que tendo como base as palavras podemos associar-lhes um ou mais significados tudo depende do contexto em que as dizemos quando trocamos ideias com amigos ou familiares ou mesmo com os funcionários do gás ou da companhia da electricidade sabemos que qualquer das partes adquiriu com o tempo um património verbal temos uma certa cultura de burocracia social que descodifica facilmente o que outro diz por isso a grande probabilidade é entendermo-nos recorrendo ao funcionário da electricidade ele pode dizer você consome muito no período do vazio se está vazio como é que eu posso consumir alguma coisa penso eu mas não estou a pensar errado ele o tal funcionário refere-se a dois períodos tarifários em que se paga mais ou menos pela electricidade que se consome quando é de noite menos gente utiliza electricidade e por essa razão ela torna-se mais barata para as nossas actividades período do vazio aqui facilmente depois de uma pequena explicação entendemo-nos mas em tantas outras coisas talvez isso não se passe a base destas hostilidades é a necessidade de comunicação humana a cada momento alguém diz alguma a coisa a outrem este descodifica i.e entende se tiver um acumulado ao longo do tempo onde já existem as palavras que agora ouve se não percebe as palavras do seu interlocutor individualmente ou se a frase tendo várias palavras não faz sentido no seu conjunto diz-se que não consegue descodificá-la não te entendo dirá mas o que parece ser apenas um jogo de palavras ­ mas interessante garanto ­ torna-se uma gigantesca montanha de elementos visuais e sonoros que apelam ao exercício dos sentidos com maior ou menor imaginação a língua teve a primeira atenção dos pensadores sobre as regras do entendimento humano em particular porque há muitos anos ainda não existiam tantas tecnologias que nos preenchem os nossos contemporâneos momentos de prazer e de necessidade de informação mas a importância dada à língua justificou-se e justifica-se porque o seu número é imenso com maior ou menor proximidade fonética com construção etimológicas e ortográficas distintas russo portugês chinês indiano árabe e por aí além

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a língua serve de ferramenta para identificarmos objectos acções e juízos de valor alguém dizer ele mora à beira-mar numa zona cheia de girassóis leva-nos ao exercício de uma representação mental correspondente a essa realidade bem como a uma apreciação subjectiva e quase orgânica dessa mesma ideia sabendo escrever podemos mesmo imaginar a transposição gráfica dessas palavras quanto a palavras escritas que é mais do que palavras ditas a fala é claro que muitos de nós adquirimos também uma imagem visual das palavras enquanto um todo de letras agregadas que pode mesmo ser entendido por quem não saiba ler mas saiba ver memorizando É possível a um analfabeto que chegou a ler pharmacia numa loja de venda de medicamentos identificar uma nova loja que tenha um letreiro farmÁcia e supor que persiga a mesma actividade daí a existência de muitos métodos de ensino infantil da língua pela visualização e memorização integral e ou silábica das palavras associando-as à sua representação fonética para além da necessidade da língua como elemento de convenção acordo entre os cidadãos de um território físico ou linguístico entre nomes palavras e objectos ou pessoas são precisos acordos entre povos de diferentes origens i.e temos que combinar chamar ao lugar onde habitamos casa e se dela quisermos falar a um francês teremos que dizer que é a nossa maison com um inglês somos obrigados a dizer que é a nossa our house por alguma razão somos consensuais com as flores e as plantas já não tanto com todos os animais e de todas elas é frequente dizemos que são bonitas esta palavra não é uma coisa palpável mas sabemos que nos faz bem à alma ouvi-la sabemos que quando oferecemos flores a alguém e esse alguém se expressa do seguinte modo em agradecimento sÃo bonitas está talvez também a manifestar a sua estima por nós assim incorporamos mais do que um significado incorporamos um elemento de atribuição de valor nas palavras e nas frases usadas como alicerces das nossas trocas diárias de objectos de paixões de raivas de ansiedades sinto-me preocupado com a minha filha as palavras usam-se também para criar arte e narrativas o que apreciamos na poesia tradicional é na maior parte dos casos a sonoridade que resulta da combinação das palavras além do seu significado próprio se a morte fosse interesseira ai de nÓs o que seria o rico comprava a morte sÓ o pobre É que morria ou então sei que pareÇo um ladrÃo

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mas hÁ muitos que eu conheÇo que nÃo parecendo que sÃo sÃo aquilo que eu pareÇo antónio aleixo e ainda quem foi o arquitecto que fez este cafÉ tÃo longe da natureza e tantos homens de pÉ criado pÔe esta gente na rua e abre um buraco no tecto que eu quero ver a lua josé gomes ferreira mais ainda É pau é pedra é o fim do caminho É um resto de toco é um pouco sozinho É um caco de vidro é a vida é o sol É a noite é a morte é um laço é o anzol É peroba do campo é o nó da madeira caingá candeia é o matita pereira É madeira de vento tombo da ribanceira É o mistério profundo é o queira ou não queira É o vento ventando é o fim da ladeira É a viga é o vão festa da cumeeira É a chuva chovendo é conversa ribeira das águas de março é o fim da canseira É o pé é o chão é a marcha estradeira passarinho na mão pedra de atiradeira É uma ave no céu é uma ave no chão É um regato é uma fonte é um pedaço de pão É o fundo do poço é o fim do caminho no rosto o desgosto é um pouco sozinho

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antónio carlos jobim em todos os casos sentimos existir uma dimensão musical por via das rimas mas ela é maior porque reconhecemos por exemplo no último poema letra de canção como é sabido um ritmo natural próprio do samba brasileiro e das batidas mas as palavras não produzem só pequenos poemas mas combinam-se em dimensões majestosas para nos ocuparem dias e semanas num outro universo paralelo à nossa vida para onde migramos episodica ou regularmente para retiro espiritual as palavras geram os livros os livros são um outro lado de espelho em que descobrimos se somos como as personagens ou distintos delas se agimos como elas ou nos escandalizamos com os seus actos pela leitura dos livros aferimos a nossa condição humana e os nosso valores morais e éticos com os livros finalmente entendemos a dimensão dos nossos sonhos se são maiores ou menores mais ou menos violentos mais ou menos inquietantes que a realidade neles revelada da palavra e da língua de que trata uma ciência como a linguística descobrimos com o olhar algo de novo já muito antigo que são as outras formas de comunicação humana as linguagens das artes do corpo entre outras segundo algumas pessoas as linguagens não pressupõem a necessidade de comunicar com alguém mas são apenas simples e emotivas exteriorizações do pensamento um agricultor tradicional ou um pescador religiosos com a sua fé própria são por princípio inseguros e tementes pela força dos elementos pela ideia de submissão humilde a um deus desconhecido espontâneamente esculpem com maior ou menor perfeição e riqueza de detalhes um cristo depois colocam-no numa parede da casa ou na entrada e toda a comunidade quando o visita identifica a representação contida e age com algum automatismo benzendo-se não existia na casa de qualquer um deles qualquer aviso escrito nem norma de comportamento no entanto o símbolo em si descodificou um conjunto de entendimentos percepções e atitudes próprias das linguagens artísticas a linguagem da pintura é uma das mais antigas da humanidade marcada pelo relato de vivências quotidianas de sobrevivência no caso das pinturas ruprestes como marcada pelo relato da vida na cidade pelas notícias de navegação pelos relatos de guerra pela adoração dos deuses múltiplos pela organização do trabalho e pela definição da pirâmide social ultrapassando a pintura da idade média no ocidente já o perído a que se convencionou chamar de renascimento entre os fins do século xiii e meados de século xvii tem uma grande influência da vida religiosa dos cidadãos e do fausto encontrado nas cortes de todas as monarquias da europa independentemente dos estilos formas e diferenças de construção estética das pinturas e das técnicas utilizadas é possível identificar na pintura clássica quem eram os protagonistas sociais da altura quais eram os elementos arquitectónicos de referência mas acima de tudo,

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qual era o pensamento dominante sobre o papel de deus e dos homens em qualquer momento do seu percurso na terra ou no além a linguagem da pintura que no século xx percorreu estilos tão diversos como o cubismo o hiper-realismo o surrealismo mesmo o art nouveau acaba sempre por ser um manifesto de amor admiração raiva pelas atitudes humanas e pela maior ou menor submissão às divindades mas porque é hoje em dia tão divorciada a relação entre o cidadão comum e a pintura e os pintores porque é que a sua linguagem não se aproxima de muitos de nós com a facilidade do que é expresso pela fala porque fazemos da ida a um museu nacional para além de não ser uma prioridade na hierarquia dos gastos de um cidadão comum um ritual sem prazer especial se acaso não possuimos a literacia que o proporciona quantos dos que frequentam as igrejas por culto se apercebem da expressão humana que foi envolvida aquando da sua construção e que se descobre em cada santo cada altar cada coluna cada tecto cada orgão saberão o que significa e o que evoca cada pintura estranharão alguns tons de cor densos escurecidos sem vida muito diferentes das cores com que acabaram de renovar a própria casa que já estava a precisar de obras de embelezamento e a perspectiva de algumas paisagens estranhas quando vão à janela as ruas não aparecem assim e as proporções das pessoas e as roupas os cidadãos dos nossos dias se não vão aos museus ou às exposições que não tomo como actos obrigatórios à sua condição encontram no dia-a-dia a arte urbana manifesta-se como expressão livre de rebeldia individual ou de manifesto político esta linguagem urbana corresponde a uma diferença de estilo pictórico/gráfico em relação à pintura tradicional mesmo mural mas representa sempre um testemunho pessoal ou de um grupo de denúnica de qualquer tipo de assimetria ou desiquilíbrio social étnicos culturais profissionais de género ou sexo etc os grafittis são actos de confronto público que não se constroem em espaços convencionados para a arte e supõem a existência de um acto de transgressão no próprio acto da criação plástica mas é na rua que convivemos com outra dimensão da comunicação humana que procura violentamente um receptor enquanto que os grafittis apelam à reflexão interior ou colectiva do destinatário a publicidade apela ao espírito de identidade de classe do destinatário receptor da mensagem o que é que isso significa afinal significa que a publicidade é uma técnica que submete uma qualquer estética a um pressuposto de sugestão persuasiva de compra de um produto ou serviço associando a essa mensagem desejos mais ou menos conscientes mais ou menos insconscientes do futuro comprador.

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excluimos daqui a publicidade informativa a que damos o nome de divulgação e centramo nos na codificação das mensagens i.e como é que um anúncio de imprensa de rádio ou televisão pode ser construido para seduzir encantar convencer alguém de uma necessidade as mensagens publicitárias essencialmente visuais têm vários elementos comuns a marca e o produto ou serviço que se pretende oferecer são fundamentais um por questão óbvia o produto e por uma questão de fidelização e credibilidade permanente a marca mas ficam em aberto duas questões essenciais a primeira é a diferenciação dos públicos compradores pelas suas posses pela racionalidade dos próprios actos de compra mas em muitos casos pela identificação a grupos sociais ou classes sociais normalmente ditas de nível superior a segunda é o elemento psicológico de associação conceptual entre as qualidades dos produtos e as ideias que uma qualquer pessoa procura para autoafirmação segurança e sucesso pessoais para isso os codificadores publicitários as equipas que envolvem quem produz o elemento linguístico ­ o texto ­ com quem produz o elemento pictórico pintura ou fotografia têm de estabelecer um conjunto de códigos de identificação corrente que interajam para produzir a mensagem final assim promover a compra de um carro opta-se por uma fotografia de um modelo cheio de malas com inúmeras pessoas lá dentro além do cão se for um carro de família barato de preferência aqui as cores são vivas e em fundo pode-se ver a praia por exemplo se a viatura for de luxo então as cores da foto tendem para o denso em azul escuro cinzento preto sem muitos detalhes ou com um hotel de cinco estrelas em fundo do carro pode ver-se a afastar se uma bela mulher com roupa a condizer com maior ou menor sexismo o elemento textual do anúncio pode dizer por exemplo mercedes 605 hÁ combinaÇÕes que atingem a perfeiÇÃo mas sÓ alguns o reconhecem nota pessoal de momento não me lembro se a mercedes fez recentemente um anúncio deste tipo mas tenho boa memória de ter inspirações semelhantes de qualquer modo aprecio o design da mercedes mas não ambiciono ter nenhum excepto uma camioneta talvez a publicidade em revistas e em jornais é condicionada na sua linguagem pela natureza das próprias publicações embora televisão e rádio definam as suas mensagens ou talvez as horas de inserção/emissão em função dos períodos do dia ou do ano em que passam programas que são da preferência dos eventuais compradores tanto estes meios como os outdoors urbanos ou rurais são de certo modo dirigidos a todos esperando que o rácio investimento publicitário/vendas compense o mundo fascinante do audiovisual se dependente financeiramente da publicidade do merchandising dos dvds e dos jogos também depende da sua essência narrativa na modalidade de cinema ou de televisão a sociedade descobre um novo espaço de sublimação de frustações ou de simples entretenimento orgânico sem me deter por ora na programação própria do meio televisão reportagens políticas concertos musicais desporto concursos programas infantis etc a chamada área de ficção

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nacional ou estrangeira partilha em grande parte o modelo de linguagem narrativa do cinema claro que do ponto de vista da construção visual os planos são mais aproximados das pessoas não tendo havido no período da televisão 4:3 uma utilização de grandes planos gerais de paisagens em filmes telefilmes no caso ou séries feitos especialmente para televisão o que talvez esteja a ser alterado com a chegada das tvs planas em 16:9 a linguagem do cinema e será adequado que pensemos na linguagem do cinema de hoje sem esquecer o património de 100 anos claro nas suas componentes plásticas ­ expressionismo alemão por exemplo ou nas suas componentes de transposição da realidade social ­ neorealismo italiano ou novo cinema inglês onde as opções comunicativas se cruzam com o mercantilismo plástico e económico ou com as variantes do chamado cinema sintético 3d ou cinema bd desdobra a sua linguagem em fórmulas distintas de ritmos de montagem enquanto acrecenta novos actores sociais como personagens reflectindo no cinema de qualidade os ajustamentos na renovação de valores que são feitos na sociedade É corrente depararmo-nos com filmes sobre problemas sociais tendo como agentes centrais famílias negras que já podem ser represenattivos de qualquer família de raça branca os problemas como a poluição já são denunciados e a guerra deixa de ter só um lado justo se por acaso há guerras justas com a tecnologia o cinema ganhou alguma riqueza na recolha das imagens a câmara pode ser transportada em mão com maior .estabilidade e pode estar em todos os ângulos possíveis e imaginários que a narrativa poderia sugerir uma imagem pode continuar sem quebras do olhar de alguém que dormita em casa para alguém que a espera a um quilómetro dali à beira do lago com recurso a um cabo aéreo ou a um mini-helicóptero enfim o olhar de alguém pode ser acompanhado penetrantemente pela câmara como se fosse o olhar de outro alguém colados em movimento perpétuo a outra nova linguagem do cinema reflecte duas realidades da vida nos nossos dias ritmo acelerado stress e violência de qualquer tipo até aos limites diz-se É um modelo dirigido aos mais novos tal como é o desafio dos desportos radicais atingir e superar os limites humanos para o público infantil a produção cinematográfica trabalha sincronamente com o merchandising e os modelos são de heróis antecipados na idade sustentado pelo mimetismo de comportamentos tendo como referências colegas mais velhos competição pessoal como elementos de rejeição de submissão paternal e defesa perante fenómenos de bullying escolar entre outros da linguagem das artes plásticas e audiovisuais podemos retirar alguns códigos com que deparamos no nosso relacionamento humano bem como nas artes ditas perfomativas quero com isto dizer que se há uma linguagem na publicidade cujo papel codificador é levado à prática no momento da publicação do anúncio e na sua percepção pelo comprador depois de feita a compra este desenvolve outra linguagem na sua utilização assim a maneira de vestir é outro processo codificador que pretende transmitir noções de identidade às pessoas ou grupos ou agregados com quem se convive.

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continuando a existir estratificação social ora por posse de bens materiais ora por níveis de formação académica ou ocupação profissional já para não falar de aspectos ligados à categorização familiar de sangue ou de boas famílias o mais natural é que se use a roupa o carro a casa a localização das férias o tipo de casamento ou as prendas como informadores ou conotadores sociais de diferenciação as roupas que muitos jovens usam como elementos de identificação de independência são sempre uniformes não são vestidas por uma pessoa só mas por dezenas centenas ou milhares de indivíduos como identidade a um esquema de comportamentos de princípios e de ideias não se afastam por isso da mesma formatação dos militares que eventualmente podem até considerar conservadora e dogmática até há 30 ou 40 anos calças rotas significavam socialmente pobreza vergonha eram utilizadas unicamente no trabalho manual ou operário deixando-se para o domingo o melhor facto hoje em dia calças rotas significam na linguagem do vestir ousadia desafio progressismo intelectual abertura emocional etc a linguagem do vestir não é de qualquer forma a mesma no mundo ocidental no africano no russo no japonês ou no árabe mais do que a escrita talvez a lingaugem tem um enquadramento fortemento cultural e os signos de uns povos dificilmente são entendíveis por outros povos com marcadas diferenças civilizacionais em especial se a sua cultura tiver uma marcação forte da religião ou outro culto quer sejam monoteísta um deus politeístas diversos deuses panteístas submissos às forças da natureza ou de exercícios modernos ou ancestrais de relacionamento com os espíritos ou com fórmulas híbridas candomblé por exemplo no culto dos mortos na viuvez o uso das cores preto ou branco ou mesmo a cores tem significados antagónicos para culturas distintas o que é prática na europa não o é na india no japão ou no médio oriente o não seguimento das normas escritas ou não exerce-se como uma expressão desviante numa linguagem de decoro social que pode chegar a punições físicas extremamente graves num universo de bairro tradicional todos os comportamentos são elementos de uma linguagem com quem se anda a que horas se sai a que horas se entra e com quem o carro novo que tem o colar novo que usa quem lhe deu o amante a roupa apertada e subida acima do joelho que usa as horas a que vem pôr o lixo na rua e se deixa o filho andar naquela figura com aquele cabelo além de já não ajudar a mãe ­ que está num lar ­ há vários meses este conjunto de expressões sociais confundem-se com a expressão corporal que admiramos ou odiamos menos apreciamos nas pessoas dá um gosto voltar a vê-lo a sorrir depois de ter saído do hospital dir-se-á do velhote do cimo da rua do 93-2º o homem da mercearia quando lhe disse que agora que me tinham ficado com o subsidio de férias ­ é a crise ­ fez-me cá uns olhos como se eu estivesse a pensar não lhe pagar todas estas frases representam a existência de uma outra linguagem

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própria dos seres humanos e parcialmente também dos outros animais usamos o olhar a fala ­ em modo turbo i.e gritando ­ as mãos e os braços e o conjunto do corpo em geral para manifestarmos todo um conjunto de avisos emoções desânimos cansaços com quem convivemos em familia e em sociedade na sua maior parte são gestos e movimentos que são facilmente descodificáveis por pessoas de outras culturas quando se chora dificilmente terceiros deixarão de comprender que um sentimento de tristeza nos invade a alma ou a consciência quando se chora porque se perde um familiar ou se se vê partir um filho para a guerra a leitura é sempre a mesma e muito universal seja a guerra justa e o filho possa vir a ser um herói mesmo um herói vivo há sempre um sentimento de perda que se percebe sem palavras sem sons as expressões corporais ou a linguagem corporal existem no nosso quotidiano de trabalho e de descanso mas também num tempo e num espaço de lazer ou de liturgia de exteriorização emotiva aqui somos simultaneamente consumidores e produtores de informação no espaço público usamos as mãos para exprimir juizos de valor sobre actos de terceiros um dedo indicador apontado à cabeça a rodar signifca que alguém é maluco se o dedo permanecer fixo simula uma pistola e pode complementar-se com uma onomatopeia do tipo pum significa este gesto que alguém disse um disparate qualquer por exemplo os mal-entendidos do trânsito ou a desconfiança pelos termos de um negócio podem gerar que o dedo médio se torne uma imagem fálica simbolo de desprezo pela outra parte o polegar e o dedo mindinho ou mínimo espetados com os do meio recolhidos junto da orelha significa que depois telefonamos a linguagem gestual corrente dos falantes não é obviamente tão rica quantitavamente quanto a dos surdos porque é apenas complementar da fala e contempla normalmente reacções mais excessivas usadas como reforço da expressão verbal normal no entanto podem ganhar um riqueza especial em artes do epectáculo como o teatro a mímica em particular a dança o circo e a música ao vivo toda a expressão corporal assenta numa determinada cultura os gestos e atitudes admissiveis num país podem não sê-lo num outro como atrás se disse a representação teatral pode ser em si uma representação de actos do trabalho agrícola o desconhecimento de ferramentas e de movimentos de colheita de uma determinada planta ou fruto se não identificados não deixam que a própria representação dessa actividade seja identificada tornando eventualmente imperceptível a própria narrativa de uma história como espectadores somos consumidores às vezes como cidadãos sem valores cívicos tornamo-nos produtores de linguagem mas a linguagem corporal estende-se também às demonstrações naturais de ternura e afecto talvez ditadas pela nossa fisionomia ou fisiologia comum à grande parte dos animais o acolhimento de um cria ou de um filho ao centro do corpo e com um abraço protector é o mesmo significando a mesma compreensão para quem testemunha esse acto a mão estendida completada por um olhar submisso é particularmente idêntica nos primatas,

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embora assiste a cada espécie razões diferentes para pedir alimento ou qualquer outro apoio ligados à religião que se professa ou a outros grupos com que nos identificamos desenvolvemos também linguagens para actos ritualizados qualquer religião desenvolve cerimónias de estrutura regular que envolvem fala expressão corporal leituras e mesmo silêncio tácito entre todos os participantes mas o universo dos rituais como linguagem e além da religião estende-se por áreas tão diversas como os desfiles militares as manifestações de protesto os eventos desportivos entre outros os desfiles militares não transmitem só sinais de disciplina para os que neles participam mas são símbolos de comunicação de massas como a publicidade criando uma representação pública do conceito de nação unida e poderosa o desfile absorve a coragem e a determinação de todos os cidadãos do país falámos do vestir em que a roupas são sinais de estatuto social e de identidade os desfiles de moda também encerram sinais de impermeabilidade como um desfile militar os rostos são severos o caso é sério o movimento é independente do comportamento da assistência poderia falar de um sem número de actividades humanas que envolvem a existência de uma linguagem mas para completar este texto tocarei em apenas três bastante distintas a arqueologia a música e a fotografia a primeira recolhe vestigios materiais de vida debaixo da terra ou no mar ou então nas próprias construções humanas como as fábricas arqueologia industrial e refaz a narrativa social de séculos atrás cada peça de barro ou porcelana piso empedrado colheres e outros materiais são elementos de linguagem que deixam perceber quem agia como agia e como interagia a música tem múltiplas dimensões na própria linguagem ­ É uma linguagem composta de elementos significantes fortemente organizados mas na sua diversidade melódica e étnica é uma linguagem fantasticamente rica de significados representa todas as emoções representa todos os actos materiais representa todos os processos mentais do ser humano finalmente a fotografia é algo como o cinema mas em que a narrativa normalmente incompletaestá condensada num único momento :o da captação do que se vê do que ficou registado pode-se inferir as origens ou as causas do que se vê só se pode imaginar o futuro a fotografia tem também variantes de linguagem do meu ponto de vista umas vezes exprime-se pelas cores coerência e incoerência outras vezes pela geometria e pelo equilibrio também se exprime pela memória dos lugares e dos factos mas talvez possa partilhar as noções de barthes quanto ao efeito que qualquer fotografia tem sobre nós a maior parte delas descreve-nos os contextos as harmonias os elementos que culturalmente identificamos ou descodificamos mas são poucas as que nos marcam para a vida estendo obviamente a noção de studium e de punctum a outras linguagens como o cinema e a música talvez não a obras especifícas mas a períodos de absorção cultural extasiante o novo cinema francês nouveau cinéma français e música francesa de brel brassens e ferré.

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nota não cruzei voluntariamente no corpo do texto a deambulação pelas linguagens com as noções teóricas de saussure e pierce por exemplo mas é óbvio que na publicidade e na pintura estão presentes ícones como o estão também na escultura porque têm algo a ver com a coisa ou objecto representada nas roupas nos rituais de que falei estão presentes símbolos fruto de convenções prévias cores corações crucifixos em igrejas ou impressos em livros são alguns exemplos disso finalmente a sinalética actual que organiza os nosos movimentos é um grande dicionário de índices que estabelecem uma relação directa com o nosso destino próximo também os três polos de avaliação dos signos por pierce distintos dos dois de saussure significante/significado podiam aplicar-se ao aqui relatado em especial às artes plásticas e à fotografia introduzindo para além do significante as fotografias em si e do seu significado o interpretante o conteúdo das fotos ou dos quadros como elemento referente raul reis aluno 82467 junho de 2012 ano lectivo 2011/2012

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