p. 3
joão martins contando causos 2012 3
[close]
p. 5
introduÇÃo o projeto original desta obra era compartilhar memórias de vida na rede social facebook começou de forma totalmente descompromissada em outubro de 2011 logo após a morte do jornalista diógenes benedicto gobbo com quem trabalhei no jornal o liberal na década de 80 e que ultimamente mantinha neste mesmo veículo de comunicação americanense a coluna contando causos a repercussão me surpreendeu já nos primeiros causos postados vários amigos começaram a sugerir a publicação de um livro de início não levei a sério tal sugestão mas foram tantos e insistentes os pedidos que resolvi aceitar o desafio aí surgiu um problema sendo um livro de memórias sabia onde começava mas não sabia onde acabaria a solução veio do amigo armando soares de penápolis não acabe publique o primeiro volume e depois quantos se fizerem necessários assim estão condensados aqui os 54 primeiros textos e fotos originalmente publicados no álbum contando causos em meu perfil no facebook com o acréscimo de outras fotos relacionadas aos causos e também dos comentários postados pelos meus amigos reais ou virtuais joão martins julho de 2012 5
[close]
p. 8
fazer memória contar causos é fazer memória memória de fatos significativos ou nem tanto da nossa vida que ficaram gravados em nossa mente fazer memória de uma forma prazerosa sem a preocupação com a cronologia dos fatos nem com o rigor da narrativa histórica É isso o que pretendo fazer neste álbum contando causos a partir de algumas fotos começando por esta que é a minha primeira foto ou seria retrato com um ano de idade esse era o cenário único por sinal do tradicional foto luís na minha cidade natal penápolis ficava ali na avenida luís osório próximo ao santuário são francisco de assis com essa escada ao fundo os noivos eternizavam o momento de seu casamento em uma foto não havia álbuns naquele tempo enca8
[close]
p. 9
dernada numa capa de papel encorpado e personalizado ficando protegida com uma folha de papel de seda como dizia essa foi minha primeira foto mas minha mãe não gostou por um pequeno detalhe reparem que a mão direita aparece meio desfocada não havia nem em sonho uma câmera digital em 1966 e os defeitos das fotos só se viam após a revelação que demorava dias para não ficar parecendo maneta minha mãe me levou de novo ao foto luís alguns dias depois com a mesma roupa de passeio nem sei de tinha outra e acho até que tinha herdado essa de meu irmão mais velho para uma nova sessão de fotos mas a segunda ficou pior e como dessa vez o defeito foi no rosto a original é que acabou indo para o álbum da família comentários dosas amigosas anna carolina nossa com seu filho se parece com você maristela mitica você era bem mais gordinho naquele tempo celina passafaro peres saudades da escadinha do foto luis tinho garcia faz tempo essa foto abraço alessandra nadai olá tudo bem posso copiar os causos e arquivar no museu histórico abraços joana paro queridos amigos joão e marilda fico emocionada com suas histórias de vida de amizade e muito amor gratísssima pela coragem de compartilha-las nesse universo aberto os seus momentos de extrema emoção poucos são tão generosos beijo no coração de cada um 9
[close]
p. 10
santa casa casa santa alguém pode estar se perguntando o que a foto de um hospital faz no álbum de alguém que tem aversão a remédios à medicina oficial e a hospitais mas este não é um hospital qualquer É a santa casa de penápolis em cuja maternidade nasci no dia 2 de julho de 1965 um privilégio numa época em que a maioria das crianças nascia em casa mesmo com a ajuda das parteiras santa casa casa santa local sagrado de chegada à vida e de partida para a outra vida quando ali nasci o hospital era administrado pela irmandade de misericórdia e contava com o trabalho das irmãs franciscanas do coração de maria durante décadas foi o único hospital da comarca de penápolis com o surgimento de outras unidades em especial os particulares houve um progressivo sucateamento da santa casa para favorecer os mercadores da doença em 2004 o prédio foi a leilão em função da dívida milionária acumulada em alguns anos de gestão criminosa feliz10
[close]
p. 11
mente ninguém arrematou o prédio naquele ano meu amigo joão luis dos santos venceu as eleições municipais assumiu a prefeitura em janeiro de 2005 e iniciou um processo de recuperação do hospital tanto do ponto de vista financeiro quanto da qualidade do atendimento prestado naquele momento inicial coube à claudia slavez nutricionista da santa casa assumir a superitendência e tomar medidas enérgicas para reverter o caos foi sucedida depois pelo roberto torsiano que fez avançar o processo sempre com o apoio do prefeito joão luís e da irmandade presidida à época pelo waldir ruffato pai da minha amiga professora adriana lacava ruffato soliani vivi um fato curioso na santa casa logo no início de 2005 na condição de secretário de comunicação do município fui até o hospital para uma reunião com a cláudia tendo passado 19 anos fora de penápolis ainda não era reconhecido pelas pessoas na recepção sem me identificar pedi para falar com a superitendente ela não pode atender está ocupada foi a resposta agradeci pedi que lhe transmitissem o recado que o joão martins a procurara nesse momento a moça da recepção me encarou e perguntou você é o joão martins puxa me desculpe pode entrar e me conduziu à sala da cláudia comecei a sentir ali naqueles corredores a hipocrisia que ainda permeia as relações sociais numa cidade interiorana onde se bajula quem está investido de alguma autoridade e se ignora completamente os simples mortais isso foi o que mais me incomodou no período em que fiz parte da assessoria do 11
[close]
p. 12
prefeito comentários dosas amigosas maurício oscar franco marques grande mestre joão martins as tuas narrações sempre são uma lição de vida sinto-me privilegiado por ter convivido com você e participado da administração municipal onde o exemplo citado era e é corriqueiro infelizmente angela maria ramos garcia infelizmente a vida é assim o velho ditado popular você vale o quanto pesa triste somos todos iguais quando morrermos iremos para o mesmo lugar e caixão não tem gaveta mas existe esta diferença em tratar as pessoas um abraço do pessoal do jornal regional a todos também fizemos parte da sua vida profissional no tempo em que morou em penápolis e algumas marcam para sempre celina passafaro peres prazer trabalhar com você joão lucas araújo um outro mundo é possível joão martins em busca da nova civilização do amor livro sendo reeditado rodolfo valadão ambrósio parabéns joão martins embora não tenha tido o prazer de trabalhar com você todos lhe elogiam muito e sei da sua grande competência este seu pequeno texto narra em poucas palavras a barbaridade que fizeram com a nossa santa casa e a feliz e sábia escolha do prefeito joão luis por salvar nosso hospital abraços e boa sorte maurício oscar franco marques valeu rodolfo o reconhecimento é uma das maiores conquista do homem 12
[close]
p. 13
joão martins obrigado rodolfo valadão ambrósio sinto-me honrado com suas palavras e esteja certo tenho grande consideração por você também faço votos de que continue honrando como fez até agora o voto de confiança que o povo de penápolis lhe deu conduzindo-o à câmara de vereadores vera lucia nogueira sabe que mora no meu coração sinto falta da sua ajuda carmelita souza marques ros que lindo pessoal me emocionei de verdade obrigada pelo trabalho marcia elisa molina mandell minha filha nasceu na santa casa de penápolis em 1975 não moro mais aí desde 1979 deisi cunha eu também nasci na santa casa de misericórdia de penápolis no dia 23 de fevereiro de 1951 tive minha filha gabriela também na santa casa de penápolis em 1975 hoje ela reside em bridgeport nos estados unidos e eu moro em americana amo penápolis 13
[close]
p. 14
semear a paz arar a terra esperar a chuva semear no tempo certo assim foi a vida de meu pai annibal martins homem simples nunca frequentou os bancos escolares mas era dotado de grande sabedoria adquirida na escola da vida turrão assim como eu defendia até o fim suas idéias e convicções mas tinha a humildade de ouvir a opinião dos filhos antes de tomar decisões importantes foi assim que o conheci arando a terra trabalhando duro para garantir o sustento da família essa é das primeiras recordações que tenho dele no sítio do tio alvino no bairro lagoa da mata eu tinha cerca de 3 anos e adorava vê-lo chegar da roça no final da tarde exausto sentava-se na porta da sala enrolava um cigarro de palha e eu ficava ali ao seu lado após a janta deitava-se no sofá e eu me acomodava entre suas pernas até dormir 14
[close]
p. 15
suas virtudes e também seus defeitos ajudaram a moldar minha personalidade meu caráter quando lhe diziam que eu era parecido com ele na fisonomia e no modo de ser cheio de orgulho afirmava então é um grande homem revelava aí a consciência de seu papel como pai esposo chefe de família cidadão como todo lavrador era paciente e persistente pacientemente esperava a hora certa de plantar esperava que o tempo sol e chuva na medida certa favorecesse a plantação e quando a colheita não era como esperava quase todo ano era assim com persistência recomeçava o trabalho saí da roça aos 10 anos mas aprendi com meu pai a semear com paciência aguardar a colheita e a persistir na semeadura quando os frutos tardam a surgir hoje estou empenhado em semear a paz tão ou mais difícil que semear os grãos também exige preparar o terreno adubar tirar as ervas daninhas o arado a enxada e o esterco são outros o diálogo a tolerância o sorriso a busca de consensos o respeito às diferenças as intempéries já me levaram muitas colheitas mas espero persistir até o fim como meu pai me ensinou e viveu comentários dosas amigosas marilda martins É incrível mas a cada dia que passa você fica mais parecido com ele márcia correia que homenagem linda joão anibal martins neto que saudades do avô 15
[close]