Revista Mediação - número 03

 

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revista de educação editada e produzida pelo colégio medianeira diretor pe raimundo kroth s.j vice-diretor prof adalberto fávero coordenador administrativo e financeiro gilberto vizini vieira coord comunitário e de esporte prof francisco alexandre faigle coordenação editorial e revisão luciana nogueira nascimento mtb 2927/82v nilton cezar tridapalli projeto gráfico e diagramação sonia oleskovicz ilustração da capa luiz rettamozo fotografias arquivo medianeira colaboraram nesta edição adalberto fávero cláudio adriano piechnik cristóvão tezza fabiano pinkner rodrigues francisco carlos rehme gladimir nascimento libera regina c c venturelli liliam martinelli loivo josé mallmann marcelo cambraia sanches maria elena kern nilton cesar tridapalli paulo venturelli rosangela lupatini abou fares rudi isidoro rabuske sérgio luis do nascimento suzana valaski e suzana braga bertassoni ilustrações luiz rettamozo e denize roman tiragem 3.500 exemplares papel reciclato suzano 90g/m2 miolo reciclato suzano 240 g/m2 capa número de páginas 60 ctp serzegraf impressão e acabamento serzegraf equipe pedagÓgica educação infantil e ensino fundamental de 1ª à 4ª séries coordenadora profª silvana do rocio andretta ribeiro ensino fundamental de 5ª e 6ª séries coordenadoras profª eliane zaionc manhã profª carolina queiroz lopes de araújo tarde ensino fundamental de 7ª e 8ª séries coordenadora profª liliam maria born martinelli ensino médio coordenador prof rudi isidoro rabuske issn 1808-2564 a essencialidade do sentimento cláudio adriano piechnik 6 quando o problema aparece na escola rosangela lupatini abou fares 10 salas ambientes no espaço escolar libera regina c c venturelli 12 crise ecológica ­ uma reflexão loivo josé mallmann 17 vivência no laboratório a teoria vista e revista na prática maria elena kern 20 arte e indústria cultural você tem fome do quê você tem sede do quê paulo venturelli 24 ensino médio informação e formação rudi isidoro rabuske 29 a responsabilidade de orientar a escolha profissional suzana braga bertassoni 33 quando temos não temos algumas considerações sobre educação ambiental gladimir nascimento 40 entrevista com cristóvão tezza 44 coordenador de pastoral prof edilson ribeiro centro de espiritualidade prof fernando guidini comunicação e marketing luciana nogueira nascimento os artigos publicados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião dos editores e do colégio nossa senhora medianeira a reprodução parcial ou total dos textos é permitida desde que devidamente citada a fonte e autoria democratização das vagas no ensino superior um debate necessário sérgio luís do nascimento 48 identidade da universidade jesuíta padre theodoro peters s.j 52 crônica haikai nilton cezar tridapalli 56 br 476 km 130 nº 10546 prado velho · curitiba · paraná fone 41 3262-7511 fax 41 3264-7272 www.colegiomedianeira.g12.br www.colegiomedianeira.com.br mediacao@colegiomedianeira.g12.br 3

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prezados professores e editores da revista mediação cumprimento a todos pela qualidade de sua publicação saliento sobretudo sua atividade de professores-pesquisadores um exemplo para toda a comunidade docente de nossa cidade marta morais da costa diretora da Ãrea de letras pucpr leitor caro leitor escreva para a revista mediação enviando seus comentários sobre as matérias e artigos lidos aqui não deixe de participar mande sua mensagem participar para nilton@colegiomedianeira.g12.br ou mediacao@colegiomedianeira.g12.br 4 marcelo cambraia sanches de portuguès e literatura do colégio medianeria professor

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quem tem ou já teve a experiência de dar aulas no ensino superior deve concordar boa parte dos alunos têm dificuldades imensas e generalizadas desde o famoso déficit de atenção que assola boa parte de uma juventude desligada e pouco afeita ao trabalho intelectual até o descompromisso com o ideal de nação que deveria permear parte considerável da conduta de um universitário para começo de conversa os alunos não são leitores e qualquer leitor sabe que esse é um problema sério que afeta toda uma malha de fluências e influências de que depende o futuro de um país que deseja se desenvolver muito além dos avanços mecanicistas ou do aumento do pib podemos falar que o jovem perdeu o encanto perdeu os ideais perdeu seu horizonte político perdeu sua característica ­ antes dita inerente ­ de se rebelar contra estruturas injustas mas pensar em um jovem calouro da universidade implica perceber que ele não nasceu com 17 anos de idade implica lembrar-se de que ele já construiu uma bagagem de experiências e de vivências que entre outros lugares se formou durante o tempo em que ele passou ­ no mínimo ­ 11 anos na escola entre os chamados ensino fundamental e médio implica ainda não esquecer que no ano anterior de ingresso na faculdade ele estava ao menos a maioria freqüentando o último ano do ensino médio o chamado por muitos terceirão ora passar horas com o perdão da aliteração e agora da rima vendo professores entrando e saindo da sala de aula ­ cada um com uma tonelada de informações das mais diversas em cada manga ­ e geralmente rodeado por 200 ou 300 outros alunos que mal se conhecem mas se sabem concorrentes dificilmente vai transformar um aluno em um sujeito que tenha tempo e espaço adequados para trabalhar intelectualmente e construir relações humanas e de conhecimento acadêmico então a partir disso estabelece-se uma grande contradição entre aprovação em vestibular e vida universitária de um lado promessas e outdoors frenéticos dizendo que tal instituição obteve 300 de aprovação a concorrente saltita brandindo 310 e assim vai com muita musiquinha para decorar mas decorar o que mesmo muito macete muita informação despejada e sem sentido o aluno encara o vestibular e olha que à vezes se dá bem tudo bem agora vem o outro lado É hora de encarar a vida universitária quem passou a vida escolar lendo resumos de obras literárias ao invés de lê-las na íntegra ou vendo peças de teatro que transformam em comédia até a obra mais densa ­ afinal é preciso agradar o cliente ­ ou cantando e ouvindo piadas que reforçam o pensamento do senso-comum que precisaria em uma instituição de ensino ser combatido dificilmente terá sucesso na vida universitária em tese bastante exigente com o profissional que irá formar o paradoxo se estabelece promessas de sucesso que não vão além do dia da prova depois a ressaca alunos universitários que mal sabem escrever um texto de 15 linhas uma página inteira então parece o mesmo que escrever um romance de balzac enfim é fácil detectar problemas mas o desafio se mantém como conciliar uma formação humana e acadêmica competentes e ao mesmo tempo preparar também para o famigerado vestibular É o que o tema de capa de nossa revista mediação se propõe a discutir e tem mais nessa edição você lerá sobre a importância da arte para o combate ao simplismo muitas vezes proposto pela indústria cultural pensará sobre a polêmica da reserva de vagas na universidade ­ as cotas também saberá como a filosofia tão esquecida na sociedade pragmática pode ajudar a pensar os problemas ambientais e não perca a entrevista exclusiva de mediação com o escritor cristovão tezza que vem ganhando vários prêmios pelo seu último romance o fotógrafo quer mais tem mais educação ambiental aprendizagem significativa importância das aulas práticas problemas da infância e da adolescência também revisitamos as salas de aula pensando em criar um ambiente melhor de aprendizagem tem crônica cartas aliás por falar em cartas escreva pra gente deixe o seu recado comente algum artigo É isso aí abraço nilton cezar tridapalli 5

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a essencialidade do sentimento por cláudio adriano piechnik tomar banho de chuva explorar quilômetros de cavernas visitar museus são atividades que apaixonam e a paixão é muito importante para que o conhecimento transcenda as paredes da sala de aula e passe a ser parte integrante do modo de ser sentir pensar e agir do aluno ah e do professor também 6

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a natureza e a história humana nos fizeram trilhar caminhos um tanto quanto conturbados no decorrer de milênios eis então a sociedade atual milhares de povos etnias grupos religiões tribos e outras tantas denominações que nos remetem à diversidade humana homo sapiens este é o nome cientificamente utilizado para classificar e posicionar nossa espécie diante da diversidade de representantes de seres vivos que habitam a grande esfera azul errante esta denominação no decorrer dos séculos muito mais nos diferenciou do que nos integrou ao grande fluxo que rege o universo viver em grandes cidades demanda estudar trabalhar consumir lutar suar locomover pagar comer assistir e outros tantos verbos que são aplicados muitas vezes como sinônimos de viver não só eu mas qualquer habitante da polis participa deste intrincado joguete que perpassa os trilhos da história humana de repente nos vemos atolados em meio ao fascinante bolo de informações que foi acumulado mas que ao mesmo tempo possibilitou sermos classificados como seres humanos pós-modernos somos então impelidos a conhecer e admirar toda a magnitude e esplendor da história humana da história natural dos cálculos das relações das localizações das línguas da saúde corpórea das crenças etc a naturalidade do interesse humano sobre o mundo que o cerca e todas as suas relações são perceptíveis desde o interior do ventre materno porém são mais fascinantes de serem observadas nas crianças nossa sobrevivência depende dos cinco sentidos e são justamente estes as ferramentas centrais que nos possibilitam não só receber informações do meio externo mas também nos expressar a respeito de nossas impressões e atitudes seria tão simples se pudéssemos reduzir o fenômeno da aprendizagem e da educação à frase anterior mas há algo muito significativo que não foi mencionado ainda o sentimento como somos naturalmente impelidos a desvendar os fenômenos naturais é mais do que esperado que gostemos muito mais de apreciar uma bela praia do que uma aula de botânica criptogâmica mas por que será se ambas possuem muitos elementos comuns de análise não se trata somente de uma questão de denominação um dos objetos de estudo da botânica criptogâmica são as algas e numa praia também posso observar e admirar algas qual a diferença então podemos responder a esta pergunta da seguinte forma estando na praia nos libertamos do cárcere intelectual isso mesmo os nossos sentimentos as nossas idéias as discussões as conversas as teorias as leituras as dúvidas adquirem uma nova dimensão quando estamos fora do ambiente de sala de aula as questões passam a contar com um novo elemento central o já citado sentimento então devemos abandonar todas as teorias e estudos sobre educação nos mudarmos para o litoral com os milhares de alunos que habitam nossas salas de aulas e passarmos a morar em praias fazendo elucubrações sobre botânica criptogâmica não mas devemos dar o direito de nossos jovens experimentarem o mundo saudável com uma freqüência muito maior porque só nos damos conta do quanto estamos à parte da natureza e de sua lógica quando nos deslocamos do eixo frenético da polis lembro-me muito bem de uma caminhada pelo caminho dos jesuítas localizado na serra do mar quando o tempo insistia em não colaborar e fomos obrigados a percorrer o sinuoso e deslizante percurso literalmente escorregando sobre os seixos e matacões utilizados como pavimentos da trilha no decorrer do caminho discutíamos a perspicácia coragem e resistência dos primeiros exploradores a subir a serra o desafio das chuvas vida selvagem as doenças e o comércio a história do brasil os fenômenos naturais a geografia sob nossos pés e a ecologia presentes nas conversas não foram somente exemplos práticos da transdisciplinariedade ou da complexa rede de conhecimentos sendo construídos e reconstruídos a cada passada ­ ou seria melhor dizer escorregão como se não bastassem todas as observações botânicas zoológicas e ambientais muitos alunos cerca de 40 estavam presentes reunidos em um quiosque à beira da estrada da graciosa tremelicando de frio e de pés descalços no chão acabaram por confessar que jamais haviam tomado um banho de chuva como lembrei desta história simplesmente pelo fato de que ao encontrar estes exalunos a primeira frase que eles mencionaram foi lembra-se daquele banho de chuva na graciosa este fato nos remete a uma releitura sobre a es 7

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sencialidade do sentimento não que os outros fatos escolares não tiveram significado mas os esquemas mentais que passam pelo sentimento afloram com maior facilidade a experiência fora de sala de aula pode e deve ser um dos elementos de nossas práticas didáticas muitas vezes deslocarmo-nos de nosso ponto de visão acaba por nos surpreender muito mais do que a nossos alunos outro exemplo que surge em minha memória é o de uma visita feita à ilha do mel com equipes de alunos que discutiam problemas ambientais relacionados com as questões do lixo e da poluição das águas ao chegarmos à ilha uma bióloga nos esperava para monitorar a visita e esclarecer as dúvidas dos estudantes nossa surpresa foi que a primeira atividade desenvolvida começou quando cada um sem exceção recebeu um saco de lixo ao percorrer cerca de três quilômetros de praias de areias brancas e mar calmo coletamos facilmente algumas centenas de embalagem que salpicavam com o subir e descer das marés na paisagem da costa depois começamos a analise do que foi coletado foi aí que a atividade que até o dado momento havia sido mal encarada pelos alunos passou a ter real significado muitas das embalagens coletadas sequer eram brasileiras passamos a refletir sobre algo muito sério que extrapolava a poluição e que nos remetia à essência da ecologia qualquer mal que se faz ao planeta terra é um mal que atinge diretamente todo e qualquer ser vivo dentre eles o ser humano valores como reciprocidade altruísmo compaixão tão raros na sociedade do ter e do poder começaram a surgir nas rodinhas de discussão a face obscura da globalização acabava de ser apresentada de uma forma um tanto quanto primária mas também quem sabe da forma mais significativa tínhamos acabado de sair de nosso mundo encantado de livros e teorias e acabamos pondo as mãos na massa da maravilhosa e intrincada rede de informações que até então eram fatos distantes da realidade vivida ou ignorada por muitos tínhamos acabado de encarar os problemas que precisavam ­ e ainda precisam ­ de soluções práticas são problemas contextualizados e não se desvinculam das teorias porém a distância teoria prática os faz perpetuar perpetuar até quando toda vez que precisamos nos deslocar uma força um tanto quanto intensa age sobre nossos corpos não se trata de um princípio físico mas o de vencer a tendência de nos acostumarmos à rotina algo que percebo e é claro não se pode generalizar surge do fato de que muitos dos jovens e adultos adquirem uma relação de comércio e consumismo dentro de suas relações familiares de amizade ou qualquer outra relação humana o fazer algo somente em troca de uma recompensa material torna-se perceptível em muitas ocasiões certa vez estávamos visitando as cavernas do parque estadual de campinhos e várias crianças e jovens estavam acompanhados por seus pais depois da visita enlameados porém radiantes pelos fascínios do mundo subterrâneo paramos para um lanche muito me surpreendeu que alguns dos pais estavam ali pois seus filhos os haviam convencido a participar da excursão os relatos das visitas anteriores dos pequenos eram tão fascinantes que impulsionaram os adultos a vivenciarem algo que jamais imaginavam antes da excursão muitos manifestaram suas preocupações quanto à segurança medo sujeira nas roupas lanternas escuridão a ansiedade era perceptível mas depois da visita vem o relaxamento a felicidade por um dia tão simples mas um dia de convivência ou seja o mundo está aí e precisa ser explorado conhecido muitos haviam esquecido que o estar com é muito mais importante que o dar recompensas justamente pelo fato que já mencionei o que passa pelo sentimento adquire uma nova dimensão a ansiedade o frenesi o cansaço os prazos e datas a corrida de gato e rato que vivemos e nos acostumamos a chamar de estresse aos poucos nos corrompe a acaba por chegar à mente de nossos jovens como algo normal algo que deve acontecer logo as tentativas de não sofrimento passam por várias estratégias não saudáveis que cada dia mais nos assustam e estampam manchetes de jornais a lógica instaurada não admite o erro não admite as diferenças não admite a independência a autonomia ou a criatividade claro devemos tomar cuidado para não aplicarmos estes conceitos como mecanismos de defesa que justificam todos os fatos sentimentos podem ser bons ou maus a última história que contarei assim como qualquer história de pessoas que assumem os riscos de se aventurar junto à natureza envolve uma outra questão o outro lado da moeda que insisti 8

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mos em ignorar poderia falar aqui de uma excursão ao pico paraná ao pico marumbi à serra do araçatuba ou então ao pico caratuba mas vou falar de um outro local também muito lindo várias vezes fizemos caminhadas para uma cachoeira chamada salto dos macacos localizada na serra do mar após cerca de uma hora de caminhada pela floresta atlântica passando por dentro de três rios chega-se a uma subida íngreme que exige preparo físico para alcançar a cachoeira quando pensamos em um passeio assim imaginamos que todos chegarão ao fim ou seja que todos chegarão à cachoeira muitas pessoas ao chegarem a essa subida íngreme desistem da caminhada e isto sempre acontece desistimos ou porque não nos preparamos bem ou porque não avaliamos bem a situação antes de encará-la e só percebemos isso durante o processo mesmo que sejamos capacitados para ir até o fim hoje nos acostumamos ao não sofrimento eu não quero sofrer você não quer sofrer pais não querem que seus filhos sofram entretanto grandes desafios exigem certa dose de sofrimento e dedicação e como se não bastasse o topo é na verdade apenas a metade de um caminho quando significamos através do sentimento qualquer atividade devemos ter em mente não somente nossas virtudes mas as nossas limitações como humanos quem sabe nos esquecemos de transmitir aos jovens que o sentimento e o indivíduo têm valor pensar sobre si sobre os outros e sobre o ambiente e suas relações que extrapolam teorias e livros se faz necessário ao nos prepararmos para o futuro precisamos nos orientar para buscar objetivos factíveis e para articular estratégias que nos levem a obtê-los muito mais significativo do que isso estar com significa humanizar lembrando sempre que o homo sapiens só pode co-existir pois é parte de um todo muito maior sobre homens e montanhas jon krakauer você sabia que é possível escalar cachoeiras sabia que o monte mckinley no alasca o maior dos estados unidos possui um dos ambientes mais inóspitos do planeta e que mesmo assim cerca de trezentas pessoas o escalam a cada ano você sabe qual é a segunda maior montanha do mundo e sabe que ela é bem mais difícil de ser escalada do que o everest por que tantas pessoas arriscam a vida nas paredes de gelo e rocha nesta coletânea de artigos e reportagens sobre aventuras vividas ao redor do mundo do himalaia ao alasca jon krakauer autor de `no ar rarefeito e `na natureza selvagem mostra homens e mulheres que enfrentam paredes de gelo e rocha por todo o planeta o que fazem como sobrevivem e o que os motiva a teia da vida fritjof capra neste livro capra propicia uma síntese de descobertas científicas recentes como a teoria da compelxidade a teoria gaia a teoria do caos e outras explicações das propriedades de organismos sistemas sociais e ecossistemas as descobertas surpreendentes de capra confrontam os paradigmas mecanicistas e darwinistas aceitos e proporcionam uma extraordinária nova base para políticas ecológicas que nos permitam construir e sustentar comunidades sem colocar em risco as oportunidades para futuras gerações baseado em dez anos de pesquisas e discussões com cientistas de vanguarda em todo o mundo `a teia da vida apresenta novas e estimulantes perspectivas sobre a natureza da vida e abre caminho para a autêntica interdisciplinaridade a obra do artista uma visão holística da vida frei betto resgatar as raízes do verdadeiro humanismo debater a questão de novos paradigmas e buscar uma relação diferente entre ciências e fé visão de mundo e visão de deus atento a o que dizia einstein `a ciência sem a religião é imperfeita a religião sem a ciência é cega cláudio adriano piechnik é formado em biologia pucpr mba em sistemas de gestão ambiental pucpr e mestrando em biologia celular e molecular ufpr É professor da 1a e 3a séries do ensino médio no colégio medianeira 9

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quando o problema por rosangela lupatini abou fares aparece na escola uma parte de mim sofre outra pede amor carlos drummond de andrade a educação dos filhos é tema que gera sempre uma preocupação grande por parte de pais educadores psicólogos alguns procedimentos de observação e educação no entanto podem ajudar a conhecer melhor o filho que temos em casa e o aluno que temos na escola a cooperação entre escola e família é sem dúvida uma poderosa estratégia para a resolução de alguns problemas 10

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assim como nos versos de drummond a criança e o adolescente têm necessidades distintas ao mesmo tempo porém eles têm dificuldade em identificar seus sentimentos nomeá-los e expressá-los utilizam então os recursos disponíveis para sua idade assim surgem as alterações comportamentais e as dificuldades escolares a tarefa do adulto é tentar decifrar o que as crianças estão comunicando e poder ajudá-las atualmente as crianças e adolescentes passam a maior parte do seu tempo na escola ou envolvidos com atividades escolares a escola tem um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo emocional interpessoal social e de personalidade considerando a proeminência da escola para este grupo de idade é comum que alguns problemas apareçam primeiro na escola ou que sejam detectados por esta os primeiros sinais de que existe algum problema costumam ser o baixo rendimento escolar e as queixas de mau comportamento em alguns casos trata-se apenas de falta de limite em outros pode ser o indício de um problema mais grave por mais grave entende-se depressão ansiedade raiva e agressão hiperatividade fobias e isolamento social entre outros por menos grave mas não menos importante está a falta de limites observa-se atualmente que muitos pais sentem-se culpados pelo pouco tempo que passam com seus filhos e não querem desperdiçá-lo com reprimendas seguidas de choro e birra os pais temem que seus filhos não gostem deles afinal as crianças manipulam muito bem os filhos conhecem mais estratégias para manipular os pais do que estes conhecem para educar os filhos os resultados são pais ansiosos por verem que seus filhos estão cada vez mais indisciplinados e filhos ansiosos por não receberem o que precisam de seus pais crianças e adolescentes precisam de regras claras para saber escolher entre o que é bom e o que não é além disso sentem-se seguros e protegidos quando estão orientados o afeto pelos pais aumenta mesmo quando parece o contrário afinal eles vão testá-los para saber até quanto o seu amor suporta os pais têm o papel de educadores e não devem delegar tudo à escola precisam estabelecer regras e servir de modelo para seus filhos não adianta exigir que o filho faça o que nem mesmo os pais conseguem fazer o modelo é a estratégia mais valiosa que os pais possuem para ilustrar será utilizado um exemplo real relatado por uma mãe ela repreendeu seu filho por bater em um amigo ele respondeu para a mãe que ela sempre batia nele quando não gostava de alguma coisa que ele havia feito neste caso a criança tem razão e não adianta dizer que a mãe pode e ele não para as crianças os pais são perfeitos mesmo quando reclamam deles e eles querem ser iguais portanto imitam É um desafio para os pais e educadores manter um relacionamento baseado em afeto mas sem perder a autoridade esta tarefa torna-se ainda mais árdua quando a criança apresenta algum distúrbio do comportamento e não apenas a birra habitual em muitas situações os pais podem ficar confusos sobre o que está acontecendo com seu filho ou mesmo não perceber que existe um problema pelo fato de acostumarem-se com a situação passando a achar normal também neste momento a escola torna-se importante É esperado que os pais tenham um bom vínculo com a escola que escolheram para seu filho e possam confiar em uma avaliação recebida a escola tem um papel fundamental no encaminhamento para profissionais especializados que possam investigar a situação e orientar os pais quanto ao procedimento que deve ser adotado nestes casos os pais precisarão adotar estratégias diferenciadas que necessitam de orientação profissional a escola deverá seguir a mesma orientação pois é fundamental que haja coerência entre os educadores incluindo outros familiares que tenham um contato significativo com a criança atenção os profissionais que irão atender seu filho seja ele criança ou adolescente devem ter especialização em infância e/ou adolescência para esta faixa etária o atendimento é diferenciado e conta com recursos apropriados a cada situação ou idade a avaliação inicial é um passo importantíssimo se ela for mal conduzida o restante do processo também será por exemplo encontram-se alguns diagnósticos de hiperatividade sendo que na ver 11 11

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dade a hiperatividade pode ser apenas um sintoma de outro transtorno o que é bastante comum o tratamento deverá ser indicado quando realmente existir uma dificuldade da criança e da família que poderá ser beneficiada pelo atendimento médico e psicológico em alguns casos apenas uma orientação será suficiente em outros haverá necessidade do atendimento infantil acompanhamento familiar e escolar só uma boa avaliação poderá responder vários problemas associados ao comportamento e ao desempenho escolar podem ser atribuídos a uma psicopatologia não identificada crianças e adolescentes que manifestam comportamentos considerados difíceis ou problemáticos podem estar apresentando sintomas de uma psicopatologia que nunca foram diagnosticados o risco de transtornos psiquiátricos posteriores é maior em crianças e adolescentes que apresentam uma psicopatologia considerando os riscos de recorrência dos sintomas ou de desenvolvimento de comportamentos desviantes de longo prazo são indicadas intervenções que utilizem técnicas com apoio empírico e eficácia comprovada eduque com carinho equilíbrio entre amor e limites lídia weber editora juruá este livro traz o que há de mais recente em pesquisas científicas sobre educação de filhos em uma abordagem que se chama disciplina positiva benett ilustrou o livro com lindos e divertidos cartuns `eduque com carinho indica que o exercício da educação dos filhos deve ser uma parceria entre pais e filhos o objetivo é guiar os pais a se tornarem mais seguros e participativos e assim ajudarem seus filhos a se tornarem responsáveis autônomos competentes autoconfiantes e afetivos os direitos dos pais construindo cidadãos em tempos de crise tania zagury editora record rosangela lupatini abou fares é psicóloga infantil graduada em psicologia com formação em terapia comportamental infantil É especialista em terapia cognitiva itcsp e em psicologia clínica utppr É orientadora de pesquisa pucpr e utp há algum tempo quase todas as publicações voltadas para a educação na família vêm enfatizando de forma acentuada os deveres dos pais e os direitos dos filhos esse fenômeno tem causado uma aguda sensação de insegurança e medo nos pais levando a uma crescente inibição em relação à educação dos filhos e a situações extremas pais presentes pais ausentes regras e limites paula inez cunha gomide editora vozes `pais presentes pais ausentes procura mostrar as conseqüências negativas de determinadas práticas educativas salienta as formas apropriadas de relacionamento entre pais e filhos que permitem que crianças e jovens cresçam saudáveis bem como traz algumas alternativas e reflexões para tornar esta tarefa mais fácil e agradável 12

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salas por libera regina c c venturelli ambientes no espaço escolar a escola e nela a sala de aula é um espaço onde o aluno passa um período considerável de seu dia desse modo para que o processo de construção do conhecimento por parte da criança seja eficiente e agradável é importante investir em salas ambientes que dêem condições para que o aluno desenvolva todo o seu potencial cognitivo 13

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espaço e ambiente são conceitos intimamente ligados o termo espaço se refere aos locais onde as atividades são realizadas caracterizados por objetos móveis materiais didáticos decoração o termo ambiente diz respeito ao conjunto desse espaço físico e às relações que nele se estabelecem as quais envolvem os afetos e as relações interpessoais os adultos e as crianças em relação ao espaço desse modo não se considera apenas o meio físico ou material mas também as situações resultantes dele por isso dizemos que o ambiente fala transmitenos sensações evoca recordações passa segurança ou inquietação mas nunca nos deixa indiferentes zabala e fornero xão a criticidade a participação processos não formais da educação a escola é um espaço-tempo de redes de múltiplas relações sociais e movimentos que permitem a rica criação de novos conhecimentos e do processo de interação do professor-aluno alunoaluno família-escola aluno-conhecimento conhecimento-aplicação aplicação-vivência podemos ver muitas mudanças nas escolas mas a sala de aula permanece inalterada sendo ainda o espaço fundamental da educação tem as mesmas dimensões as pessoas sentam-se de costas umas para as outras de frente para o professor que é a revelação do conhecimento o essencial da escola está aí o professor com sua bagagem pessoal cultural e familiar com seus sentimentos e desejos dividindo o espaço da sala com seus alunos que por sua vez também têm sua forma de ver a vida e a escola trazem sua própria bagagem histórica pessoal cultural e familiar com sentimentos e desejos específicos dominando determinados conteúdos que não são os mesmos que os do professor e de seus colegas É possível imaginarmos as relações sócio-interacionais que podem ocorrer nesse espaço durante um dia de aula ou durante um ano tudo isso implicará para a construção e ação da consciência possibilitando também a linguagem verbal e a linguagem não verbal do aluno e do professor há também os corredores pátios a escola deveria ter espaços diversificados para as variadas formas de trabalho individual em pequenos grupos em grandes grupos a biblioteca seria o espaço mais importante esse é um caminho cada vez mais os nossos alunos devem passar o tempo produzindo conhecimentos a escola deve ter uma multiplicidade de ações educativas e não só aulas diretivas de um modo mais geral cada instituição deve buscar maior qualidade oferecendo aos alunos espaços de construção de conhecimentos sólidos e competentes desse modo ainda a sala de aula pode ser o local privilegiado da aprendizagem uma maneira interessante de a escola organizar diferentemente o espaço físico das salas de aula é transformá-las em salas ambientes já para as crianças que estejam cursando as 3ª e 4ª séries do ensino fundamental por exemplo uma sala contendo os materiais básicos mapas globos estamos vivendo numa sociedade na qual os meios de comunicação transitam e transmitem uma série de informações em uma velocidade sem parâmetros recebemos milhões de mensagens vemos milhares de livros sendo publicados fazendo-nos reféns desse implacável volume de dados são tantas coisas para ver tocar conhecer ouvir experimentar e consumir que corremos o risco de nos distanciarmos de nós mesmos percebe-se uma exaustão dos modelos hegemônicos do cientificismo nas ciências humanas desse século nosso ritmo de viver tem se transformado de forma clara atendendo a muitas demandas que a sociedade nos impõe vivemos num mundo onde há cada vez mais incertezas a geração atual tem novos hábitos outros ritos muitos são frutos de famílias que já não giram em torno do puro centrismo famílias que são submetidas à desunião e recomposição que ainda vivem um clima de tensão e dificuldades dentro deste contexto a escola precisa acompanhar essas mudanças transformando a organização do espaço e do tempo pedagógico que por muito tempo apesar das inovações permanecem inalterados precisamos reinventar a escola a partir de um conceito de educação permanente isso significa valorizar a experiência dos alunos a pesquisa a ética a solidariedade o respeito a refle 14

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atlas maquetes onde os alunos estudariam história e geografia outra com ábacos material dourado réguas fita métrica figuras geométricas jogos tabuadas etc onde aconteceria a aula de matemática e assim por diante com salas para outras áreas de ensino nesse sentido também se modificaria o tempo de aula e os alunos mudariam de sala a cada duas aulas ­ aulas geminadas já existem experiências nesse sentido que demonstram que os alunos dessa fase necessitam sentir-se mais desafiados quanto à organização quanto à riqueza maior de conhecimentos em um processo de iniciação científica as salas ambientes possibilitam aos alunos o exercício da crítica da manifestação do diferente e do aprender a aprender estimulam a aprendizagem manipulando objetos construindo assumindo e dialogando com diferentes papéis a sala de aula planejada para a aprendizagem convida os alunos a se envolverem nas atividades evitando problemas de disciplina e permite à equipe de professores conhecer o aluno como indivíduo único tornando a sala de aula um lugar atraente para o aluno no qual sinta vontade de estudar pesquisar e se garanta a cientificidade dos conteúdos superando o senso-comum e construindo assim uma forma coerente lógica e científica de compreender o mundo estas salas oportunizam ao aluno contato com vários professores o tempo-espaço diferenciado a conquista da autonomia do aluno no ser pensar e agir pois mudando de sala a cada determinado horário terão oportunidade de um pequeno espaço-tempo para arejar e retomar a atenção o que implica um rendimento maior nos estudos segundo o médico doutor em farmacologia ivan isquierdo cientista brasileiro mais citado em publicações internacionais a respeito dos mecanismos da memória já foi comprovado através de estudos sobre o cérebro que quatro horas seguidas de aula não servem para nada a primeira hora e meia é produtiva porque o cérebro funciona com programações curtas veja-se quantas atividades foram desenvolvidas com uma duração de noventa minutos partidas dos mais diversos esportes filmes peças de teatro por quê porque durante esse período de tempo podemos absorver de um gole só até os sonhos costu mam ocorrer mais ou menos a cada noventa minutos durante a noite mas para que esse processo dê certo é fundamental o papel do professor como mediador facilitador investigador e que tenha uma postura dialógica que saiba ouvir a palavra do outro que tenha uma postura clara assumida enquanto educador tendo como foco principal o domínio sólido dos conteúdos a serem ensinados todas as situações de aprendizagem a serem trabalhadas com os alunos necessitam ser discutidas na série e na área pelos professores tendo sempre presente a proposta da escola esse projeto pedagógico não se sustenta na ação individual e solitária de cada um dos professores É necessária a articulação a interação entre eles para que não se fragmentem outro fator preponderante é o conhecimento da faixa etária em que o educador atua sob pena de estar lidando com um aluno abstrato a interdisciplinaridade no trabalho das diversas áreas é um fator a ser considerado tendo presente sempre que a interdisciplinaridade é um objetivo nunca completamente alcançado e por isso deve ser permanentemente buscado não somente na teoria mas sobretudo na prática apostar neste trabalho significa defender um novo tipo de pessoa mais aberta flexível solidária democrática e crítica libera regina c c venturelli é formada em ciências sociais ufpr e é especialista em currículo e práticas educativas pucrio no medianeira trabalha como assistente disciplinar da educação infantil até a 4a série do ensino fundamental 15

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