Revista Mediação - número 11

 

Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

1

[close]

p. 2

2

[close]

p. 3

revista de educação editada e produzida pelo colégio medianeira diretor pe rui körbes s.j vice-diretor prof adalberto fávero coordenador administrativo e financeiro gilberto vizini vieira coord comunitário e de esporte prof francisco alexandre faigle coordenação editorial e revisão nilton cezar tridapalli luciana nogueira nascimento mtb 2927/82v projeto gráfico e diagramação sonia oleskovicz ilustrações melissa colaboraram nesta edição adalberto fávero carolina zanella de queiroz cecília pimenta christiane denardi fernando guidini francisco carlos rehme gleisi hoffmann ivana suski vicentin kelly cristina bubniak tavares levis litz mábile borsatto soraya toniolo branco de abreu tranquilo fiametti tiragem 2.800 exemplares papel reciclato suzano 90g/m2 miolo reciclato suzano 240 g/m2 capa número de páginas 52 issn 1808-2564 vida ética qual caminho seguir fernando guidini 6 movimento de construção e reconstrução da cidadania ii parte tranquilo fiametti 9 concentração disciplina e saúde ­ efeitos do tai chi chuan levis litz 14 inclusão trajetórias e possibilidades soraya toniolo branco de abreu 18 inclusão um debate e uma urgência adalberto fávero 21 inclusão uma pauta que é de todos nós carolina zanella de queiroz e ivana suski vicentin 27 raizes do marumbi francisco carlos rehme 34 equipe pedagÓgica educação infantil e ensino fundamental de 1ª à 4ª séries coordenadora profª silvana do rocio andretta ribeiro ensino fundamental de 5ª e 6ª séries coordenadora profª eliane dzierwa zaionc ensino fundamental de 7ª e 8ª séries coordenador profª roberta uceda vieira ensino médio coordenador prof marcelo pastre coordenador de pastoral pe guido valli s.j coordenador de mídia-educação nilton cezar tridapalli marketing luciana nogueira nascimento educação como modelo de transformação social gleisi hoffmann 37 um país se faz de homens e livros cecília pimenta 38 educação inclusiva e ensino da arte possibilidades e desafios christiane denardi 40 uma experiência de inclusão kelly cristina bubniak tavares 44 inclua-me fora dessa mábile borsatto 47 os artigos publicados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião dos editores e do colégio nossa senhora medianeira a reprodução parcial ou total dos textos é permitida desde que devidamente citada a fonte e autoria uma criança feliz luciana nogueira nascimento 50 linha verde br 476 km 130 nº 10546 prado velho · curitiba · paraná fone 41 3218-8000 fax 41 3218-8040 www.colegiomedianeira.g12.br mediacao@colegiomedianeira.g12.br 3

[close]

p. 4

acuso o recebimento da revista de educação do colégio medianeira mediação número 10 agradecendo a deferência e parabenizando-os pela publicação prof dr marcelo fernandes de aquino reitor da unisinos aproveitamos para louvar a iniciativa do colégio nossa senhora medianeira com a criação dessa publicação e manifestar o nosso interesse em continuar a receber as demais edições da revista bem como da coleção completa pare que possamos encaminhá-la à nossa biblioteca vista mediação pelo teor crítico que costuma apresentar até pouco tempo ainda recebia a revista porque minha irmã estudava no colégio como ela não estuda mais aí quero saber como posso fazer para receber a revista se é possível isso ou o que posso fazer ah também quero saber se como ex-aluna posso escrever algo para a revista confesso ficar tentada a fazê-lo por diversas vezes atualmente estudo na ufpr no curso de psicologia e trabalho em uma ong chamada rede mulheres negras pr e também participo de um grupo chamado afroatitude na universidade fazemos no afroatitude a discussão de políticas afirmativas ingresso na universidade racismo preconceito direitos humanos e prevenção a dst/hiv/aids já fomos no colégio fazer algumas atividades com o pessoal do terceiro ano na rede o trabalho que desenvolvo é de representação política na promoção da ação política de mulheres negras paranaenses luta contra o racismo sexismo opressão de classe homofobia e todas as formas de discriminação atualmente atuo especificamente com a implementação de políticas públicas para a juventude e participo das conferências de juventude que estão acontecendo em todas as instâncias municipal estadual e nacional em algumas etapas recentemente em 2007 meu outro filho participou também da campanha do papel do colégio e o resultado também foi muito bom como fazemos parte do grupo escoteiro universitário pedi ajuda ao prof fernando guidini para implantar lá a campanha do papel e ele me forneceu as informações que necessitava implantada a campanha já temos muito bons resultados não só de arrecadação 1200 kg em pouco tempo mas o que acho mais importante é a disseminação da educação ambiental entre os nossos jovens escoteiros rosane beyer coordenadora do curso de letras da unicuritiba recebemos e agradecemos a revista mediação que será de grande utilidade para nossos acadêmicos luzenira alves dos santos bibliotecária crb9/1506 centro universitário de curitiba unicuritiba agradeço o envio da revista mediação os dois exemplares já estão incorporados ao acervo da biblioteca do sesc da esquina fiquei surpresa em recebê-las e desde já agradeço se você puder nos enviar as demais edições nossos parabéns a redação da revista e aos autores da matéria mário josé de souza engenheiro agrônomo especialista em educação e gestão ambiental analista do fundo paraná de ciência e tecnologia para projetos de meio ambiente agricultura aquicultura e pesca e principalmente pai de dois adolescentes primeiramente gostaria de parabenizá-los pela revista mediação conheci apenas agora mas gostei muito de seu conteúdo e apresentação gostaria de saber como posso adquirir exemplares não sou de curitiba mas tenho muito carinho pela cidade celise helena niero diretora do sesc da esquina achei muito interessantes os artigos e a diagramação também é primorosa parabéns pelo excelente trabalho se for possível me colocar na lista tenho interesse em continuar recebendo a publicação fabiane ariello editora revistas profissão mestre e gestão educacional recebemos e agradecemos o envio das revistas mediação escola e cultura contemporânea desafios de aprender a aprender e mediação tecnologia e humanidade conflito ou horizonte que serão incorporadas ao acervo da divisão de documentação paranaense desta biblioteca pública do paraná informamos ainda que há interesse desta biblioteca em receber os outros oito números da coleção quero manter contato e se possível receber a mediação e publicar matérias também michely ribeiro da silva psicologia ufpr brasil afroatitude rede mulheres negras pr 41 92319238 mais uma vez venho agradecer o envio revista mediação através do meu filho foi um prazer ler os artigos queria especialmente comentar o artigo o uso do papel reciclado dos professores leandro guimarães e liliane grein como o meio ambiente anda em moda todo mundo fala na teoria na prática estamos apenas começando o histórico do consumo do papel é muito interessante e deveria ser mais divulgado para os alunos tive uma experiência muito boa com o colégio em 2001 meu primeiro filho participou da campanha do papel promovida pelo colégio medianeira a princípio estava meio desanimado posteriormente se interessou e envolveu toda a família amigos vizinhos etc a casa a garagem o carro sempre estavam lotados de papel o dia de entrega então era uma festa foi muito bom mesmo sendo da área às vezes não conseguia passar as questões de reciclagem educação ambiental gestão etc desde já agradeço pela atenção natália simões cervigne trabalho na área de gestão do colégio medianeira em santiago rio grande do sul entrei no site de sua escola e fiquei encantada com o trabalho que realizam e como estamos sempre buscando inovações gostaria de saber a possibilidade de vocês nos disponibilizarem uma revista mediação para pensarmos na possibildade de implantarmos esta idéia em nossa escola parabenizo a equipe responsável a revista é maravilhosa os assuntos atuais e muito interessantes com certeza de muito proveito para toda a comunidade escolar se possível gostaria muito de receber periodicamente sua revista pois poderemos utiliza-la também como material de estudo em nossas reuniões e até mesmo na preparação das aulas por parte dos professores um grande abraço e parabéns pelo site está muito bom cláudio gamas fajardo diretor da biblioteca pública do paraná sou michely ribeiro da silva e fui aluna do medianeira até 2004 sempre adorei a re rita nicola santiago rs 4

[close]

p. 5

quem define os conceitos na discussão da inclusão o exercício de despir-se de preconceitos olhar o outro sem discriminação sem comparar parâmetros pré-determinados socialmente para o que deve ser considerado certo ou errado rico ou pobre culto ou ignorante normal ou deficiente deve ser praticado todos os dias principalmente quando se trata de inclusão mas afinal o que é incluir que tipo de discussão devemos fazer na sociedade quando o assunto são as pessoas portadoras de necessidades especiais trata-las como iguais não seria um modo de ignorar sua condição ou de negar-lhes direitos ou trata-las como diferentes especiais seria uma forma de separalas dos demais reforçar e valorizar as diferenças quem define ou decide o que é normal ou não na discussão da inclusão o debate é de fato urgente e necessário as escolas de ensino básico hoje são obrigadas por lei a receber crianças e jovens com necessidades especiais mas estão preparadas para atendê-las nestas necessidades os professores compreendem e receberam formação para isto o que os pais esperam encontrar e como ficam os alunos o que eles esperam da escola interrogações que se multiplicam todos os dias e para as quais não existem fórmulas mágicas que respondam imediatamente somente o tempo o aprendizado o conhecimento e a experiência apresentarão as respostas mas trazemos nesta edição de mediação várias questões para que o debate aflore sob diferentes perspectivas para que não seja a legislação o ponto de partida da discussão da educação inclusiva e para a o individualismo crescente aos poucos perca espaço para a humanização das relações como uma solução para a inclusão não só de quem tem necessidades especiais os corpos mutilados que representaram mais de 200 países na paraolimpíada em pequim que terminou em 17 de setembro não receberam a mesma atenção da mídia ou dos patrocinadores mas deram um banho de desempenho esforço dedicação harmonia e beleza nos atletas de corpos perfeitos que participaram das olimpíadas realizadas poucos dias antes incluir é entender a dinâmica de um atleta que sem os braços bate o recorde mundial de nado borboleta é entender a superação do time de futebol de cegos que chega à medalha de ouro com 2 gols sob o adversário dono da casa o brasil teve o melhor desempenho de sua história nas paraolimpíadas deste ano terminando a competição em 9º lugar com 16 medalhas de ouro e 47 no total e os atletas normais que estavam em maior número com apoio e exposição que resultados trouxeram mesmo vamos voltar a discutir inclusão ou quem sabe começar esta discussão luciana nogueira nascimento mediacao@colegiomedianeira.g12.br 5

[close]

p. 6

qual caminho por fernando guidini vida Ética seguir as verdades são sempre relativas ao seu tempo e espaço mas como a Ética que depende de acordos coletivos se vê diante de uma realidade marcada pelo individualismo o que muda o que é inegociável c conta-se que em um distante vilarejo em nosso país há uma pequena comunidade que em seu existir diário tem um modo peculiar de ação as pessoas que ali vivem mantêm suas relações pautadas em um quadro de valores sociais que é comum a todos do mais novo ao mais idoso são ensinados e vivenciados os mesmos princípios não que eles vivam numa espécie de ditadura mas sim porque a todos é oferecido o mesmo sistema em que tais valores ou códigos de ação são assimilados nessa comunidade ainda reina o respeito mutuo a educação a arte de fazer política ao mesmo tempo ainda existem famílias famílias essas que em seu seio ensinam as normas e os códigos básicos de convivência social passados às gerações seguintes nesta mesma comunidade também é cultuado um deus as pessoas em sua liberdade percebem que há muitos elementos na realidade que ultrapassam o seu entendimento e compreensão sendo assim a religião é para eles uma forma de responder aos seus questionamentos mais internos religar o que está quebrado e despedaçado e ao mesmo tempo dar uma identidade comum ao povo local os líderes religiosos desse lugar compreendem que a religião pode contribuir com o bem comum social e trabalham para que os princípios valores e códigos religiosos sejam conhecidos por todos o passo seguinte o da assimilação fica por conta da comunidade em geral os mais experientes faixa etária essa ainda valorizada e respeitada carrega consigo a sabedoria de vida 6

[close]

p. 7

chega de digressões será que uma sociedade como essa ainda existe o que escrevemos acima não é uma simples estória passou o tempo em que os códigos éticos o quadro de costume o ethos social era o mesmo ou não o sendo existiam alguns princípios norteadores que direcionavam o existir cotidiano das pessoas os costumes transformados em hábitos e esses em ações faziam com que a dimensão objetiva do agir ético se tornasse real tanto pessoal quanto comunitariamente ser ético em tais comunidades era por exemplo perceber que a justiça era um valor a partir de então tal valor era assimilado pela pessoa e vivenciado em seu cotidiano a justiça até o momento um mero valor simbólico e objetivo se tornava realidade subjetiva e intersubjetivamente ganhava vida sendo assim sinais de justiça se tornavam visíveis na ação diária da casa à escola do trabalho à igreja da praça ao mercado desse modo o ethos ganhava vida e se tornava hábito costume ética foi esse o movimento acontecido a partir das primeiras comunidades humanas e também das muitas que se seguiram ao longo da história do ocidente da grécia do século iii a.c à europa do século xv muito do que se vivenciou e se preconizou nos quadros de agir social estava embasado em tais princípios É claro que com muitas variantes dadas as matrizes filosóficas religiosas sociológicas e culturais que moldaram esses povos perpassando a racionalidade grega chegando ao aparato teológico judaicocristão e configurando desse modo a identidade dos povos ocidentais com o advento da modernidade os paradigmas sociais são modificados no campo ético pode-se afirmar que a dimensão objetiva do agir ético ­ aquela responsável pelo conceito gerador e pela matriz axiológica ­ desaparece surge então um novo paradigma o humano É o homem em sua subjetividade infinita que a partir de então ditará as normas e regras e será o único responsável pela determinação de suas ações a mensurabilidade humana em sua essência antropológica subjetiva os valores e os terrifica fazendo com que a partir das realidades situa das dos etheia locais eles se tornem culturalmente vivenciáveis a justiça para um povo pode não ser a mesma para o outro a bondade para uma cidade pode diferenciar de uma outra a verdade para esta família independe do que o vizinho pensa ou concebe como sendo verdade os padrões comuns não mais existem as pessoas agem conforme lhes parece ser o mais razoável e o mais próximo do seu pensar desde então a intersubjetividade adquire um novo quadro normativo e muitas éticas aparecem os séculos passaram o homem evoluiu a ciência avançou aos limites do infinito a tecnologia criação humana rege as ações cotidianas século xxi os comportamentos são os mais diversos possíveis os quadros de valores são muitos o homem em sua busca por respostas passa pela bomba atômica e atinge os limites da genética deus estado família ainda existem tais realidades caso ainda existam como estão sendo adequadas a essa nova sociedade quais as éticas vigentes quais os quadros valorativos nas escolas o que é ensinado como virtude às novas gerações o que é preconizado ao homem como ação ética nesse contexto frente a tais questionamentos como fica a comunidade citada no início do texto ela ainda existe em caso afirmativo será uma realidade incomum que dentro em pouco já não mais existirá pois ao seu redor os conceitos e valores vigentes destoam da sua realidade cotidiana por mais que seus líderes locais se esforcem por manter viva a chama ética atual sucumbirão ao avanço técno-humano em nossa interioridade diária vivenciamos movimentos opostos ao mesmo tempo em que fazemos parte de um grupo social com as características elencadas ao longo do texto ­ pois somos fruto desse novo mundo de relações ­ o mesmo e velho modus vivendi se faz presente em nosso cotidiano pela nossa educação e também por outros meios aprendemos uma série de valores e conceitos que perpassam os séculos por outro lado nossa dinâmica de vida faznos perceber que esse antigo mundo não mais existe e que devemos nos inserir nesses novos quadros de comportamentos enquanto nos são 7

[close]

p. 8

passados e ensinados valores objetivos e quadros éticos de comportamento que ultrapassam a nossa subjetividade somos levados pelo todo que nos cerca a conceber a realidade como finita sendo nós mesmos os primeiros e únicos responsáveis pela sua normatização como compreender a crise de sentido nesse contexto como entender a liquidez das relações em nosso cotidiano como voltar a acreditar no fazer político e na educação vencendo as desigualdades sociais como conceber uma ética com princípios comuns em tal contexto complexo por natureza e que preza pela subjetividade egoísta como voltar a se preocupar com a vida e com a saúde do planeta como vencer o vazio de sentido que atinge o nosso jovem homem como membros de uma comunidade somos portadores de uma história pessoal e coletiva que se encontra situada no aqui e no agora ao mesmo tempo nossa liberdade preconizada há séculos nos torna aptos ao discernimento e à decisão É por essa liberdade que enquanto pessoas morais mediante nossa razão e vontade somos sujeitos primeiros de atribuição dos atos da vida ética nesse sentido o principio da dignidade da pessoa humana eu-nós torna-se imperecível e inquestionável frente a qualquer posicionamento ético tal é o desafio ético que hoje nos é proposto restando a cada um de nós a opção de escolha feita essa escolha ela se torna realidade viva hábito arraigado costume caráter o ponto focal pelo qual pautarmos nosso proceder determinará nosso modo de ser tanto subjetivo quando objetivo e intersubjetivo perpassando nossos relacionamentos na comunidade humana nesse sentido foi confúcio 551479 a.c quem primeiro nos disse que o bom proceder consiste em sermos em tudo sinceros e conformarmos a alma com a vontade universal isto é fazer aos outros aquilo que desejamos que nos façam a ele outros tantos mestres no ocidente e no oriente se seguiram até hoje nos ensinando veredas éticas pelas quais podemos pautar nossas ações simpatizantes de tais idéias ou não seguidores de um deus ou não crentes em ideais de família e de estado ou não devemos ter claro em nosso agir cotidiano que enquanto pessoas estabelecemos relações É nesse sentido que a justiça a bondade a igualdade a verdade o amor e o bem quando assumidos e vividos em sua totalidade tornam o nosso existir relacional mais humano digno e solidário são eles princípios e fundamentos universais e sempre atuais capazes de dar sentido à nossa viagem existencial em um mundo que ainda hoje se pergunta pelo melhor caminho ético a seguir comente este artigo em mediacao@colegiomedianeira.g12.br fernando guidini é graduado em filosofia pela faje-bh e pós-graduado em comunicação e semiótica pela pucpr É orientador religioso das 5ª e 6ª séries manhã e de convivência escolar das 3ª e 4ª séries tarde no colégio medianeira bibliografia bauman zygmunt modernidade líquida rio de janeiro jorge zahar 2001 comparato fábio k Ética são paulo companhia das letras 2006 nietzsche friederich a gaia ciência são paulo companhia das letras 2001 vaz henrique c de l escritos de filosofia iv ­ introdução à Ética filosófica 1 são paulo loyola 1999 vaz henrique c de l escritos de filosofia v ­ introdução à Ética filosófica 2 são paulo loyola 2000 pÓs-modernidade Ética e educaÇÃo pedro goergen editora autores associados apresenta alguns encaminhamentos a partir do arcabouço teórico de alguns autores dentre os quais jürgen habermas deve ser entendido antes de mais nada como uma introdução um primeiro olhar sobre questões que atingem a todos como indivíduos e coletividade e mais ainda como educadores 8

[close]

p. 9

movimento de reconstrução por tranquilo fiametti construção da e cidadania ii parte dando seqüência ao artigo publicado em mediação 9 acompanhe mais desses complexos passos da trajetória reflexiva da humanidade em busca de conceitos e práticas de cidadania 9 9

[close]

p. 10

o o texto que segue é continuidade de um estudo sobre cidadania apresentado na revista mediação nº 9 ano iii de dezembro de 2007 movimento de construção e concepção de cidadania com o objetivo de apresentar uma síntese do texto da primeira parte o quadro seguinte pretende ser um esquema abreviado da concepção de direitos geracionais apresentado na primeira parte do estudo a temática cidadania enquanto movimento de conquista e ampliação de direitos e deveres é um assunto antigo e dificilmente sairá de moda remete-nos à sua trajetória histórica e está também relacionada ao contexto atual e à perspectiva de futuro depois de ter apresentado alguns pontos relacionados ao movimento de conquista e ampliação de cidadania a partir dos direitos geracionais agora vou adicionar um elemento importante tanto na sua compreensão como para a sua conquista que é a participação a participação na conquista da cidadania cidadania para pedro demo passa por um processo de compreensão conscientização e representação em outras palavras entende-se que a cidadania não é dada é um processo contínuo e permanente de conquistas para ele é necessário desfazer a pobreza política porque a pobreza política é o oposto de cidadania este processo de desconstrução e possível reconstrução e conquista poderá viabilizar-se por meio da formação de um tipo de competência ou seja de 10

[close]

p. 11

saber fazer-se sujeito histórico capaz de pensar e conduzir seu destino este processo para o mesmo autor passará por três caminhos o primeiro é a competência humana no sentido de fazer-se sujeito histórico político e sujeito real e atuante o segundo passo é no sentido de propor o fato de propor exigirá um saber para viabilizar uma proposta de emancipação deve ser uma sociedade que queira superar a pobreza política e com esta a pobreza material o terceiro passo é a organização política coletiva a emancipação como um processo contínuo tende a ser uma competência um saber fazer política isto é perpassa a correlação de forças que se estabelecem no cotidiano e na representação política portanto cidadania não é uma dádiva um presente que se recebe de alguém mas é um processo em permanente construção e de conquista que tende a acompanhar o contexto histórico nas correlações de força e interesses que interagem também com o desenvolvimento e complexificação da sociedade fazem parte para demo na construção da cidadania os seguintes componentes 1 noção de formação 2 noção de participação 3 noção de sujeito social 4 noção de direitos e deveres 5 noção de democracia para garantir a participação 6 noção de liberdade igualdade e comunidade e 7 noção de acesso à informação e ao saber para fábio konder camparato a idéia central decorrente da nova cidadania é a de possibilitar que o povo se torne participante do processo de seu desenvolvimento portanto é a idéia de participação e também de autonomia alcançar manter e desenvolver direitos e deveres de cidadania é também um permanente exercício de participação socioeconômica e política alcançar pois a cidadania não é possuir um status como o diz marshall é avançar no estado de consciência social que é o cerne do coletivo nos diz lygia coelho 1990 p 24 aristóteles como vimos na primeira parte diz que cidadania é status uma posição de um grupo dirigente a questão da participação ganha espaço e importância no processo de desenvolvimento dos direitos de cidadania dizemos que participação é conquista para significar que é um processo no sentido legítimo do termo infindável em constante vir-a-ser sempre se fazendo lembra pedro demo assim a participação não é ausência ou eliminação do poder mas outra forma de poder e de representação participação como vimos é conquista é processo é uma determinada forma de poder ainda nas palavras de lygia coelho na medida em que a cidadania se desenvolve nas pessoas/classes sociais ela conquista fatias de poder isto é processo infindável quanto mais se participa mais se alcança saber e poder mais se aprofunda a noção de cidadania ela se instaura em cinco níveis segundo comparato 1 na distribuição dos bens materiais e imateriais indispensáveis a uma existência socialmente digna 2 na proteção dos interesses difusos ou transindividuais 3 no controle do poder político 4 na administração da coisa pública e 5 na proteção dos interesses transnacionais por uma questão de espaço não vou aprofundar nível por nível enumero-os dessa forma para percebermos a complexidade do movimento e a diversidade dos elementos de concepção da construção e reconstrução de cidadania falar de cidadania é falar do sujeito dotado de direitos e deveres como ilustra a declaração francesa dos direitos do homem e do cidadão e a declaração universal dos direitos humanos da onu declaração francesa dos direitos do homem e do cidadão e a onu a concepção de sujeito dotado de direitos foi formalizada na declaração francesa dos direitos do homem e do cidadão em 26 de agosto de 1789 pela assembléia nacional na qual foi pro 11

[close]

p. 12

clamada a liberdade a igualdade e a autonomia popular que paulatinamente transcenderam com o tempo o espaço geográfico francês em 1793 foi proclamada outra declaração na qual em nome da fraternidade introduz uma dimensão mais social que a de 1789 em seguida surge a declaração de 1795 que introduziu ao lado dos direitos os deveres percebe-se aqui mais claramente como o movimento de concepção de cidadania vai se desenrolando isto é como a cidadania vai se estruturando através de participação e conquistas nos trabalhos da assembléia nacional francesa de 1789 interagiam duas correntes de pensamento uma apoiada em j locke que defendia que o cidadão em qualquer país em qualquer época tem os mesmos direitos fundamentais mesmo que não reconhecidos pelo estado esta corrente de pensamento é a favor do alcance universal dos direitos e adota o uso do termo homem em lugar de cidadão a outra parte com a influência de rousseau entende que no estado civil contrariamente ao estado da natureza todos os direitos são fixados pela lei como expressão da vontade geral fábio konder camparato a cidadania neste caso comporta duas dimensões uma nacional e outra internacional universal que se expressa como os direitos do homem e do cidadão a onu organização das nações unidas na declaração universal dos direitos humanos de 10 de dezembro de 1948 é entendida como uma contribuição para possibilitar e instaurar a concepção da universalização da cidadania não se fala aqui de direitos universais de cidadania mas sua trajetória acompanha principalmente a interação o desenvolvimento e o movimento da complexificação da sociedade nesse sentido pode-se dizer que a concepção de cidadania toma forma e contornos de universalidade para demerval saviani cidadão significa ser sujeito de direitos e deveres cidadão é pois aquele que está capacitado a participar da vida da cidade literalmente e extensivamente na vida da sociedade resulta daí o sentido político da cidadania ser cidadão é pois agir politicamente mas é também um agir consciente instauração de interesses difusos a liberdade enquanto valor básico na cidadania moderna tem uma conotação diferenciada que a liberdade do mundo antigo continha na civilização greco-romana era livre somente o cidadão que participasse da gestão da coisa pública mas esse cidadão soberano na esfera política era súdito e obediente da coletividade em sua vida privada no mundo moderno a liberdade consiste em não ser molestado abusivamente pelo estado na vida privada diz outra vez comparato o desenvolvimento e a complexificação da sociedade trouxeram também o subdesenvolvimento econômico e social a sociedade de massas e com eles a possibilidade de superação da cidadania liberal-indivilualista com a sociedade de massas instauraram-se relações predominantemente simbólicas e impessoais ou os chamados direitos difusos isto é nas palavras de comparato não encarnados especificamente num grupo ou classe social portanto em sociedades subdesenvolvidas o sistema de garantia das liberdades individuais foi posto à prova pela discrepância sócio-econômica decorrente entre setores econômicos classes sociais e entre regiões geográficas comparato com a dinâmica do desenvolvimento da sociedade surgem novas demandas e novas formas para dinamizar a cidadania novos direitos jean rivero diz que a tendência dos direitos depois da metade do século xx vem incorporar novos elementos e se caracteriza com isso por novos tipos de direitos ele diz que a veiculação desses direitos deu-se pela onu e unesco a partir da década de 70 para serem incorporados nos textos constitucionais os chamados novos direitos introduzidos no cenário internacional e paulatinamente incorporados em constituições nacionais foram chamados direitos de solidariedade rivero esses direitos se caracterizam por apresentarem um titular determinado um objeto definido são os direitos ao desenvolvimento direito de paz internacional direito a um meio ambiente protegi 12

[close]

p. 13

do direito de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade direito à comunicação os novos direitos se referem a todo ser humano mas o homem enquanto ser individual não é o único titular ele pertence também a diferentes grupos e coletividades organizadas assim como direitos da família direitos das minorias étnicas e culturais direitos dos anciãos dos trabalhadores percebe-se aqui a idéia de universalização dos direitos sem contudo esquecer as particularidades dos grupos que são características dos direitos de terceira geração portanto a participação é um elemento importante no processo de conquista e ampliação da cidadania que está intimamente relacionada a direitos e deveres o desenvolvimento da cidadania no brasil é um trabalho que parte da herança colonial perpassando o processo de desenvolvimento no brasil da reabertura democrática em 1985 aos dias de hoje parte fundamentalmente da trilogia apresentada por t h marshall especificando com mais detalhes os direitos civis políticos e sociais uma leitura da cidadania no brasil é tema para outra publicação de mediação comente este artigo em mediacao@colegiomedianeira.g12.br participaÇÃo É conquista pedro demo editora cortez a democracia por maiores defeitos que possa ter e tem é um valor em si acima dos sistemas vigentes devendo impregnar em todas as suas dobras qualquer esforço de política social É neste sentido que participação é conquista busca arrumar um pouco algumas dimensões da participação de tal sorte que se consiga um espaço mais definido de discussão e de prática não se trata de um tratado e nem de uma teoria do estado e do governo mas uma aproximação primeira inspirada na prática mais recente voltada sobretudo para as associações de microempresários e para organizações de técnicos sem endossar qualquer ativismo pretende transmitir ao texto ao menos um pouco de praticidade no fundo são velhas idéias apenas repontadas num momento histórico diferente ainda que apareçam de maneira dispersa e dentro de conflitos ideológicos evidentes a começar pela presença do estado ecopedagogia e cidadania planetÁria francisco gutierrez cruz prado companhia cortez a noção da cidadania planetária sustenta-se na visão unificadora do planeta e de uma sociedade mundial ela abarca um conjunto de princípios valores atitudes e comportamentos e demostra uma nova percepção da terra como uma única comunidade ela se manifesta em diferentes expressões nossa humanidade comum unidade na diversidade nosso futuro comum nossa prática comum É nesse contexto que se pode falar de ecopedagogia uma pedagogia que promove a aprendizagem significativa atribuindo sentido à ações cotidianas uma pedagogia da pergunta democrática e solidária que nos convida educadores e educandos a garantir a sustentabilidade de cada um de nossos atos cotidianos como seres humanos que compartilham com outros seres a aventura de viver neste planeta bibliografia camparato fábio konder a nova cidadania in lua nova são paulo marco zero n° 28/29 p 85-106 1993 demo pedro participação é conquista noções de política social participativa são paulo cortez 1988 rivero jean sobre la evolución contemporánea de la teoría de los derechos del hombre in anales de la cátedra de francisco suárez granada n° 25 p 189-202 1985 marshall t h cidadania classe social e status trad de meton porto gadelha rio de janeiro zahar 1967 esse é um clássido da cidadania coelho lígia martyha c da costa sobre o conceito de cidadania uma crítica a marshall uma atitude antropológica rev tb rio de janeiro 100 9 jan a mar 1990 irmão tranquilo fiametti é mestre em serviço social trabalha no colégio catarinense em florianópolis no segmento do 6º ao 9º ano e na pastoral 13

[close]

p. 14

concentração disciplina saúde ­ efeitos do tai chi chuan a por levis litz assim que o sol desponta no oriente antes de começar um dia de estudo ou trabalho milhões de pessoas freqüentam praças e parques para praticar o tai chi chuan na china taiwan tailândia e em outros países asiáticos muitas escolas e empresas reservam algum momento do dia para que seus alunos e funcionários possam praticar o tai chi inclusive alguns hospitais chineses incluem o tai chi na rotina de tratamentos de doentes resultados práticos também já são corroborados por profissionais no ocidente e aqui mesmo em curitiba em alguns consultórios o tai chi chuan está sendo recomendado como auxiliar no estímulo à concentração disciplina e como uma prática que pode proporcionar ao indivíduo maior grau de serenidade em seu dia-a-dia o tai chi chuan exige treinos regulares disciplina e aplicação prática diária algumas pessoas que realizam esta prática relatam sentir maior capacidade de concentração diminuição no grau de ansiedade melhoria da memória e fortalecimento das articulações bem como maior consciência da indissociabilidade entre corpo e mente comenta a psicóloga emerli schlögl para pessoas de todas as idades o tai chi chuan proporciona em uma mesma atividade a consciência de que corpo e mente ­ entidades que o senso comum insiste em entender como separadas ­ são indissociáveis 14

[close]

p. 15

o dr carlos assis médico homeopata e acupunturista por exemplo indica a prática do tai chi chuan aos seus pacientes como um bom recurso complementar para aliviar as tensões do cotidiano ao perceber os benefícios do tai chi o próprio dr assis tornou-se um adepto e já pratica essa arte há mais de 15 anos os movimentos são feitos com a respiração profunda e tranqüila e isso melhora a capacidade cardiorrespiratória reforça o sistema endócrino e imunológico aumenta a flexibilidade e o alongamento de tendões e músculos diz empresários funcionários pais e alunos em instituições que incentivam o tai chi têm sentido a eficiência no alívio da ansiedade estresse fobias e até mesmo depressão estudantes têm apresentado melhor rendimento nas escolas com mais atenção e concentração aprender a praticar tai chi chuan foi uma das melhores coisas que me aconteceram em 2007 o meu grande desafio neste ano foi a busca do equilíbrio e serenidade e eu consegui obter isto em grande parte com a ajuda do tai chi comenta marian labigalini gerente de projetos mãe dos alunos luigi nunes labigalini da 1ª série do ensino médio e thayssa nunes labigalini da 3ª série do ensino fundamental e que pratica tai chi no colégio medianeira o professor de português fabiano pinkner participou de todas as oficinas de tai chi chuan realizadas nos workshops do colégio medianeira perguntado sobre suas impressões ele comenta as aulas de tai chi organizadas para os workshops têm a qualidade de apresentar uma prática que muitas vezes atrai mas é distante do dia-a-dia das pessoas além disso a apresentação e a aproximação com os primeiros pensamentos e movimentos ocorrem de forma descontraída e num clima de amizade entre os que participam da aula ­ alunos e professor o tai chi com milhões de devotos na Ásia vem ganhando adeptos rapidamente no ocidente principalmente por causa dos seus resultados terapêuticos a redução do estresse e a melhora da saúde através de movimentos lentos e contínuos são alguns dos atrativos que conquistaram os praticantes do tai chi chuan em curitiba e no resto do mundo sua dinâmica peculiar de exer cícios permite melhorar os níveis de concentração e ao treinar o auto-controle e a percepção do próprio corpo produz no praticante uma sensação de bem estar e plenitude a socialização interação entrosamento e parceria também são reforçados com os movimentos do tai chi pois é necessário que o praticante se esforce para ajustar-se ao tempo e harmonia do grupo apesar de ainda equivocadamente alguns acreditarem de que somente pessoas idosas praticam o tai chi há muitos jovens e até mesmo crianças que freqüentam aulas inspirado nos movimentos dos animais ou em elementos da natureza o tai chi chuan é uma arte marcial que surgiu na china que produz muito pouco impacto e por isso seu risco de lesões é mínimo como conseqüência a cada dia evidencia-se que o tai chi melhora a qualidade de vida como um todo e isso é fundamental para qualquer um dorival da silva pai da aluna luara carolina mendes e silva do 2º ano do ensino médio comenta inicialmente comecei a participar das aulas como forma de tomar conhecimento sobre tai chi por vezes me sentia um tanto acanhado e as primeiras aulas pareciam não fazer muito sentido entretanto com o tempo fui percebendo que a prática de tai chi exige consciência corporal e disciplina o que nos conduz a uma situação de auto-controle ou seja possibilita não deixarmos que nosso dia-a-dia seja conduzido pelo piloto automático imposto pela vida moderna e passarmos a perceber mais nosso corpo a energia corrente nossas falhas de respiração e mantermos o equilíbrio em momentos de tensão sou apenas um iniciante mas cada vez mais começo a perceber os benefícios desta prática a fonoaudióloga silvana cristina deliberador martinelli mãe das alunas victória e geórgia deliberador martinelli compartilha sua experiência pratico o tai chi chuan há algum tempo com o entendimento que é a arte marcial milenar que melhora o equilíbrio entre o corpo e a mente exercito esta rotina de movimentos suaves na busca da melhoria da qualidade de vida melhor saúde e creio que assim tem sido admiro uma leitura da essência desta arte que poderia assim ser definida 15

[close]

Comments

no comments yet