Águas em Transe. Fotografia e preservação hídrica

 

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Trabalho de conclusão do Curso de Pós-Graduação “Fotografia: Imagem, Memória e Comunicação” da Universidade Cândido Mendes – Instituto de Humanidades, que trata do papel e da importância da fotografia na preservação do meio ambiente. As idéias do autor sã

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Águas em transe fotografia e preservaÇÃo hÍdrica

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Águas em transe fotografia e preservaÇÃo hÍdrica trabalho de conclusão do curso de pósgraduação fotografia imagem memória e comunicação da universidade cândido mendes ­ instituto de humanidades pedro trindade março de 2010

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dedica dedicatÓria À irmã e amiga teresa cristina grande incentivadora da minha veia fotográfica e para cleo admirável artista plástica e fonte de inspiração agradecimentos agradecimentos a todos que colaboraram direta ou indiretamente na realização deste trabalho dentre os quais destaca-se o eng jander duarte campos um dos maiores especialistas em recursos hídricos do brasil que contribuiu com valiosas informações e orientações principalmente na fase embrionária do trabalho.

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sumÁrio 1 2 4 7 26 27 introdução a fotografia como instrumento de preservação ambiental caracterização e histórico da bacia do rio iguaçu método de documentação fotográfica conclusão bibliografia

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introdução desde o anúncio de sua invenção em 1839 a fotografia vem sendo utilizada com numerosas finalidades assim exemplificando subsidia pesquisas científicas é importante forma de comunicação e impôs-se como nova forma de expressão artística frequentemente a câmera é empregada como passatempo especialmente nas mãos de turistas flusser 2002 p 15 chega a diagnosticar que o fotógrafo não trabalha com o aparelho mas brinca com ele seja como for nossas vidas estão intimamente ligadas a imagens capturadas por equipamentos que vêm sendo objeto de contínuos aperfeiçoamentos técnicos culminando neste início de século com a democratização da câmera digital colocada no mercado no final do século xx ela popularizou mais que nunca a produção e tornou mais rápida a disseminação de imagens especialmente após sua incorporação a telefones móveis muitas vezes conectados à internet assim a capacidade de comunicação e informação inerente à fotografia na medida em que se constitui em linguagem visual e universal ampliou-se formidavelmente o mesmo desenvolvimento tecnológico que possibilitou a evolução dos equipamentos fotográficos o qual se acelerou vertiginosamente a partir da expansão da revolução industrial pelo mundo no século xix resultou no crescimento da poluição ambiental com impactos na água doce esse bem essencial para a sobrevivência humana caracteriza-se pela escassez uma vez que cerca da quarta parte dos continentes é coberta por desertos além de sofrer variações de disponibilidade em face de vicissitudes climáticas nesse contexto reside o escopo deste trabalho que é exemplificar o emprego da fotografia em questões relacionadas com a preservação de mananciais e na denúncia de atividades que contribuem para a sua degradação assim procura-se provocar uma reflexão e a consequente compreensão dos respectivos problemas sócio-ambientais com o auxílio de fotografias autorais de aspectos de uma bacia hi1 drográfica apoiadas em texto contendo informações históricas concisas tanto sobre a região fotografada como também sobre alguns antigos trabalhos que guardam alguma afinidade com o tema a propósito disso importa antecipar que o chamado fotodocumentarismo de denúncia social constitui-se em um dos mais antigos empregos da câmera de que se tem notícia e resultou em publicações clássicas todavia até quando foi possível pesquisar há carência de uma bibliografia específica sobre a inter-relação entre a fotografia e a conservação de recursos hídricos a bacia objeto do trabalho é a do iguaçu rio que nasce em um santuário ecológico na serra do mar nas proximidades do município de miguel pereira rj e que deságua na baía de guanabara junto à refinaria duque de caxias após percorrer regiões de mata atlântica áreas rurais e urbanas as últimas situadas na baixada fluminense onde residem mais de dois milhões de pessoas em deploráveis níveis de qualidade de vida.

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a fotografia como instrumento de preservação ambiental para a formação de atitudes preservacionistas é necessário que o ambiente que se deseja conservar ou recuperar seja conhecido e compreendido a fotografia pode se constituir numa valiosa ferramenta para atingir esse objetivo em face de ser fácil de entender e acessível a todos [além de gerar imediato efeito emocional freund 1980 p 215 ao transmitir emoções portanto a fotografia exerce considerável poder de persuasão historicamente imagens produzidas por fotógrafos têm influenciado socialmente culturalmente e politicamente o mundo um contundente exemplo disso é a foto de phan thi kim phuc uma menina de apenas nove anos tragicamente queimada por bombardeio com napalm correndo nua com outras crianças numa rodovia sul vietnamita amplamente veiculada pela mídia no início da década de 1970 tornou-se um triste símbolo da guerra do vietnam produzindo um efeito extraordinariamente mais chocante que dúzias de páginas escritas sobre os horrores desse conflito o impacto sobre a opinião pública foi tão intenso que acredita-se contribuiu para a retirada das forças armadas norte-americanas depois disso fotógrafos passaram a não ser mais bem-vindos aos campos de batalha a ponto de serem raras as fotos que documentam a recente guerra do iraque país ainda hoje ocupado por tropas dos estados unidos desde o século xix a fotografia vem cumprindo um papel ecológico conforme exemplificado por rosenblum 2007 p 144 a 153 ao reproduzir fotos de paisagens de formações rochosas de gêiseres e de cachoeiras do oeste norte-americano obtidas entre 1867 e 1885 curiosamente imagens desse tipo podem produzir o efeito contrário ao desejado pelo convite implícito que elas representam ao turismo frequentemente predatório e até mesmo à inadequada ocupação de locais que deveriam ser mantidos em condições naturais para se evitar que isso aconteça é fundamental a prática da educação ambiental que ganha em eficiência com o uso de imagens não foi possível identificar no âmbito deste trabalho a época em que se iniciou o uso da fotografia para denunciar agressões ao meio ambiente como as questões ecológicas passaram a ser discutidas mais intensivamente e em nível institucional somente a partir da década de 70 pode-se supor que tenha sido a partir de então que o emprego da câmera com tal finalidade tenha apresentado maior significado uma vez que o ser humano faz parte do meio ambiente entretanto não é exagero afirmar que essa prática tenha origem bem anterior já que o fotodocumentarismo de denúncia social remonta a 1862 de acordo com souza 2000 p 54 quando foi publicada em londres a obra street life in london de john thomson ainda no século xix mais precisamente em 1890 foi publicado um livro contendo 100 fotos de jacob riis retratando as precárias condições em que viviam os imigrantes na cidade de nova iorque how the other half lives como foi intitulado teve grande repercussão mas segundo sontag 2

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2004 p.79 enquanto um dos cortiços fotografados foi demolido e seus ocupantes transferidos outras habitações extremamente precárias foram deixadas intactas recentemente destaca-se nesse tipo de documentação o fotógrafo brasileiro sebastião salgado que ganhou reconhecimento internacional pelo seu trabalho em diversas regiões do mundo a aparência dos cortiços da cidade de nova iorque no final do século xix assemelha-se a dos becos das favelas cariocas de hoje fotografia de jacob riis 3

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igua caracterização e histórico da bacia do rio iguaçu os cursos d água têm desempenhado um papel tão relevante na saga da humanidade que não é exagero creditar a alguns deles o florescimento de grandes civilizações do passado assim por exemplo a mesopotâmia surgiu entre os rios eufrates e tigre o egito no vale do nilo e as origens da china se deram ao longo do rio huang he ou amarelo o brasil é privilegiado com uma rede hidrográfica das mais ricas do mundo sendo cerca de 45 do seu território ocupado pela bacia amazônica que é a maior do planeta além de contar com outras importantes bacias como as dos rios são francisco e paraná talvez em virtude dessa exuberância hídrica o brasileiro pouco valor tem dado à água muito embora conte com mecanismo legal de regulamentação do seu uso que é considerado dos mais avançados qual seja a política nacional de recursos hídricos instituída em 1997 o rio iguaçu contemplado para ilustrar este trabalho devido às suas características é um dos mais importantes mananciais da região metropolitana do rio de janeiro nasce na serra do tinguá denominação local da serra do mar a uma altitude de cerca de 1000 m e deságua na baía de guanabara após atravessar os municípios de nova iguaçu belford roxo e duque de caxias dessa forma seu curso de aproximadamente 43 km tem lugar principalmente na baixada fluminense topônimo cuja origem é a palavra latina flumem que significa rio ao passo que as cabeceiras do rio iguaçu apresentam um adequado nível de preservação propiciado em grande parte pela existência da reserva biológica do tinguá que apresenta expressiva área coberta por mata atlântica a parcela plana e alagadiça da sua bacia encontra-se degradada sendo habitada por algo em torno de 180 mil pessoas a maioria delas vivendo em condições das mais precárias na época da descoberta do brasil a região era território dos tamoios os quais faziam parte da nação tupinambá os gaignon em 1555 sendo que o rio iguaçu teria sido navegado por jean de léry e outros franceses entre 1557 e 1560 a partir de 1566 após a expulsão dos huguenotes ocorreram as concessões das terras que pertenciam à capitania de são vicente cujo donatário era martim affonso de souza assim os portugueses passaram a explorar economicamente a região com a implantação de olarias e canaviais datando de 1611 o começo da construção do primeiro engenho de açúcar no final do século xvii foi concluído o caminho novo de minas em substituição ao caminho de parati ligando as minas gerais a um porto no rio iguassú grafia arcaica de iguaçu nele as riquezas especialmente o ouro vindas do interior em tropas grupos de vinte até cinquenta mulas conduzidas por um arrieiro a cavalo e por tocadores a pé eram encaminhadas para a cidade do rio de janeiro primeiros colonos locais possivelmente foram protestantes calvinistas trazidos por ville4

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posteriormente foi aberta a estrada real do comércio que possibilitava o escoamento da produção dos cafezais do barão de ubá até a villa iguassú onde eram embarca das as mercadorias o que consolidou a importância do curso d água em foco como hidrovia todavia essa função viria a ser esvaziada com a construção da estrada de ferro d pedro ii que começou a operar em 1858 o ramal de japeri integrante da hoje denominada supervia é o remanescente local dessa estrada trecho remanescente da estrada real do comércio importante via de ligação entre o interior e o porto de iguassú no século xviii hoje utilizada como acesso à sede da reserva biológica do tinguá 5

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