LÍNGUA NA MÍDIA

 

Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1



[close]

p. 2

sumário apresentação 1 imagine 2 eu acuso 9 13 7 25 17 31 43 55 35 sírio possenti sumário 3 candidatos a gramáticos 4 descatracalização 5 e onde estão as análises 6 enunciado simples o que é mesmo 7 regências 39 8 procurar o objeto direto 9 gerundismo 10 aprender a olhar 47 51 11 ainda sobre olhar e não ver 12 internetês 59 13 nota sobre o esperanto 65

[close]

p. 3

14 preconceito genérico 15 uma carta 16 ah as leituras 77 89 69 17 dois casos exemplares 18 nomear as coisas 19 quem faltou à aula sírio possenti 20 -ilizar 113 97 103 109 117 123 129 133 21 mas é uma gramática 22 não erre mais sacconi língua na mídia 23 mas pronomes substituem nomes i 24 mas pronomes substituem nomes ii 25 mais uma coluna 26 mais sobre precisão 27 a zelite 145 137 141 28 nosso probus de plantão 29 páscoa paulo coelho 30 da boa literatura 31 redundantemente Índice de nomes 147 153 157 161 165

[close]

p. 4

apresentacao este livro reúne colunas que escrevi nos últimos anos a maior parte delas foi publicada no site primapagina.com.br a partir de 2002 as exceções são duas ou três publicadas anteriormente no jornal de jundiaí e algumas publicadas mais recentemente em terramagazine.com.br o que as unifica de alguma forma é que comentam análises fajutas com uma ou outra exceção de autoria de prestigiosos profissionais da mídia que quando falam de língua emitem juízos completamente desinformados alguns dão a impressão de serem donos de bibliotecas razoáveis ou pelo menos de que recebem grande quantidade de livros para comentar o que frequentemente fazem sem lê-los aposto ­ arrisco esse palpite com base nos comentários a respeito dos que conheço mas devem ter em um cantinho do escritório um mísero dicionário ­ talvez dois ­ e só uma gramática que provavelmente nunca leram seus comentários se baseiam no que lembram das aulas de seus professores ou professoras às quais frequentemente apelam ou então em manuais de redação dos jornais ou em volumes similares do tipo pronto-socorro ou seja o que falam sobre língua os intelectuais da praça não tem nem de longe a qualidade do que falam sobre os temas aos quais dedicam sua carreira e suas leituras ­ seja literatura seja economia antropologia ou mesmo generalidades muitos sabem de tudo um pouco e nada direito num mesmo dia comentam música pintura futebol economia artes plásticas e língua ­ e é então que suponho que tudo deve ser precário coisa das orelhas dos livros no sírio possenti apresentação

[close]

p. 5

máximo umas das raras exceções é sérgio rodrigues com quem o debate tem outra dimensão um pouco diferentes são os especialistas em língua que assessoram jornais estes lêem gramáticas e dicionários diversos mas sempre selecionam ou produzem um resumo de consenso invariavelmente fundado na posição mais conservadora ou alternativamente simplificam as regras reduzindo-as a uma unidade que não se encontra nas gramáticas em geral eles se especializam em duas coisas fornecem dicas que não funcionam e observam pessimamente fatos que estão diante de seu nariz que pretensamente analisam sírio possenti não preciso dizer que eles nunca tomaram conhecimento do que eu disse deles pelo menos publicamente com uma exceção como fazem com quase tudo eles não iam perder tempo com leitura há duas ou três exceções entre os interlocutores um jovem de jundiaí que se chateou com comentários que eu tinha feito sobre colunas do prof pasquale de quem era aluno e um professor universitário com o qual partilho posições mas cuja leitura de textos meus sobre ensino foi a meu ver desastrada nos dois casos interessa menos o pequeno combate do que a oportunidade de dizer certas coisas não tive a preocupação de atualizar dados isso permite tanto que os textos sejam lidos como se o fossem no calor da hora quanto que valham independentemente das circunstâncias de sua produção campinas setembro de 2009 língua na mídia

[close]

p. 6

1 imagine josé reis é provavelmente o mais conhecido divulgador de conhecimento científico no brasil escreve sobre descobertas e problemas de biologia há décadas agora imagine que você vai a sua coluna e lê que o corpo humano se divide em três partes cabeça tronco e membros marcelo gleiser é provavelmente o mais conhecido dos físicos que escrevem em jornal sobre as mais avançadas pesquisas em seu campo de trabalho no brasil porque pelo mundo afora há muitos agora imagine que em sua coluna você lesse os nomes corretos dos planetas do sistema solar quem sabe sua etimologia e sua relação com os deuses milton santos é um conhecidíssimo geógrafo brasileiro dos grandes do mundo de repente um jornal anuncia que ele vai publicar um livro de geografia no qual o leitor não vai encontrar uma lista com os afluentes da margem direita do rio amazonas mas por exemplo um mapeamento dos shopping centers a distribuição dos frigoríficos pelo território nacional etc convenhamos que isso é obviamente fazer geografia qualquer um concordaria intuitivamente até porque é em torno dos shoppings que nos instalamos agora e não à margem dos rios quando a revista bundas começou é uma pena que tenha acabado em um dos primeiros números um articulista achava que aquela publicação deveria ter uma coluna sobre língua portuguesa ­ praticamente todos os jornais brasileiros mantêm uma ­ mas ele queria que essa coluna não fosse quadrada e a exigência que capítulo 1 imagine

[close]

p. 7

fazia era que por exemplo explicasse de maneira bem humorada a diferença entre ora e hora parece que isso é o máximo de novidade que se pode exigir de uma coluna sobre língua que seja engraçada ora querer que se explique a diferença entre ora e hora de maneira engraçada ou bemhumorada é mais ou menos como pedir uma aula de anatomia do tipo o corpo se divide em três partes cabeça tronco e membros e esperar que isso seja engraçado bem talvez seja basta pensar em outro sentido da palavra membro passando a imaginar um corpo humano com membros assim no plural para quem tem unzinho só pensar em alguém que tenha vários seria de fato muito engraçado o que estou querendo dizer afinal simplesmente que não acho graça nenhuma nem utilidade em colunas e programas de tv que ensinam a falar corretamente suprindo as tarefas da escola e da família mas com os mesmos livrecos e a mesma cabeça reduzindo a língua a um objeto estático e quase ridículo falando dela como um astrônomo que repetisse os nomes dos planetas como se não houvesse nada de interessante nas línguas como se não se tratasse de um campo de pesquisa e portanto de discórdia e controvérsia como se não houvesse numerosas pessoas no mundo pesquisando sobre línguas sobre nossa língua nossa de quem cara pálida poderia perguntar um dos muitos índios que falam uma das muitas línguas indígenas que há no país ooo assisti um trecho de uma entrevista meio antiga que joão ubaldo deu a alberto dines duas coisas chamaram minha atenção dois equívocos desses respeitáveis senhores Às tantas joão ubaldo confessou que deve ser dos poucos que leem dicionário que inclusive joga dicionário o que vem a ser mais ou menos o seguinte lê um verbete inteiro e se encontrar nele uma palavra que não conhece vai a ela lê de novo todo o verbete se encontrar uma palavra que não conhece vai a ela e assim por diante faz isso com dicionários de várias línguas inclusive do catalão disse foi aí que dines entrou para elogiar ubaldo ou melhor esse tipo de formação que ubaldo tem e para falar mal dos 10 língua na mídia sírio possenti

[close]

Comments

no comments yet

YOUBLISHER
About
What Others Say
Sitemap
Impressum

PUBLISHERS
Login
Signup
Tutorials
FAQ
Support

BUSINESS
Overview
Advertising
Support

DEVELOPERS
API

LEGAL
Report a Copyright Violation
Copyright FAQ
Terms of Use
Privacy Policy