CONSTRUÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA

 

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sÉrieensinar leitura e escrita no ensino fundamental 1

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sÉrieensinar leitura e escrita no ensino fundamental [coordenação stella maris bortoni-ricardo 1 falar ler e escrever em sala de aula do período pós-alfabetização ao 5º ano stella maris bortoni-ricardo e maria alice fernandes de sousa 2 integração de crianças de 6 anos ao ensino fundamental silviane bonaccorsi barbato 3 a construção da leitura e da escrita do 6º ao 9º ano do ensino fundamental marcia elizabeth bortone e cátia regina braga martins 4 educação de jovens e adultos maria do rosário ribeiro alves

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sÉrieensinar leitura e escrita no ensino fundamental marcia elizabeth bortone cátia regina braga martins [coordenação stella maris bortoni-ricardo do 6º ao 9º ano do ensino fundamental

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editor marcos marcionilo capa e projeto grÁfico editorial andréia custódio conselho ana maria stahl zilles [unisinos carlos alberto faraco [ufpr egon de oliveira rangel [pucsp gilvan müller de oliveira [ufsc ipol henrique monteagudo [univ de santiago de compostela kanavillil rajagopalan [unicamp marcos bagno [unb maria marta pereira scherre [ufrj unb rachel gazolla de andrade [puc-sp salma tannus muchail [puc-sp stella maris bortoni-ricardo [unb cip-brasil catalogaÇÃo na fonte sindicato nacional dos editores de livros rj b748c bortone marcia elizabeth a construção da leitura e da escrita do 6 ao 9 ano do ensino fundamental marcia elizabeth bortone cátia regina braga martins são paulo parábola editorial 2008 136p il ensinar leitura e escrita no ensino fundamental v.3 inclui bibliografia isbn 978-85-88456-80-8 1 língua portuguesa ensino fundamental estudo e ensino i martins cátia regina braga ii título iii série 08-1677 cdd 469.8 cdu 811.134.3´271 direitos reservados à parÁbola editorial rua sussuarana 216 ipiranga 04281-070 são paulo sp pabx [11 5061-9262 5061-1522 home page www.parabolaeditorial.com.br e-mail parabola@parabolaeditorial.com.br todos os direitos reservados nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios eletrônico ou mecânico incluindo fotocópia e gravação ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão por escrito da parábola editorial ltda isbn 978-85-88456-80-8 © do texto marcia elizabeth bortone e cátia regina braga martins 2008 © desta edição parábola editorial são paulo maio de 2008

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sumário 7 n introduÇÃo brasil multifacetado a construção do letramento na escola 9 a proposta do livro 11 o porquê do tema brasil 12 palavras finais 14 primeira unidade brasil pandeiro primeira aula 1 bem-vindos à sala de aula 17 2 refletindo juntos 29 3 saberes que colhemos na comunidade saberes que colhemos nos livros 40 4 trocando mensagens 40 n 17 n 45 segunda unidade brasil de tantas marias segunda aula 1 bem-vindos à sala de aula 45 2 refletindo juntos 56 3 saberes que colhemos na comunidade saberes que colhemos nos livros 67 4 trocando mensagens 67 terceira unidade brasil de tantas caras terceira aula 1 bem-vindos à sala de aula 73 2 refletindo juntos 94 3 saberes que colhemos na comunidade saberes que colhemos nos livros 102 4 trocando mensagens 102 n 73 sumÁrio 5

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n 107 quarta unidade brasil de tanto mar quarta aula 1 bem-vindos à sala de aula 107 2 refletindo juntos 125 3 saberes que colhemos na comunidade saberes que colhemos nos livros 132 4 trocando mensagens 133 referÊncias bibliogrÁficas n 135 6 marcia elizabeth bortone e cÁtia regina braga martins

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introdução brasil multifacetado que bela história tem esse povo brasileiro darcy ribeiro caros professores este é o volume 3 da série ensinar leitura e escrita no ensino fundamental voltado especialmente para o trabalho pedagógico com a leitura e escrita na fase conclusiva do ensino fundamental a partir do 6° ano de escolaridade gostaríamos de convidá-los a construir um olhar diferenciado em relação ao ato de ler e à prática da escrita as unidades foram elaboradas na intenção de desenvolver novos procedimentos de leitura e escrita uma vez que os indivíduos inseridos em sociedades complexas têm na escrita e na leitura a condição sine qua non para a integração entendemos que o indivíduo letrado envolve-se cotidianamente nas práticas sociais de leitura e de escrita o que obviamente altera sua condição do ponto de vista sociocultural político lingüístico e econômico possibilitando plena participação social É por meio da leitura no seu sentido mais amplo que o homem tem acesso à informação defende seus pontos de vista e partilha dos bens culturais que a sociedade atual considera como legítimos podendo exercer assim a cidadania É por entender a importância e a abrangência desse envolvimento que nos propusemos fazer com vocês esse percurso o documento do mec/cne 009/2001 ao formular as diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da educação básica já enfatizava quanto mais o brasil consolidar as instituições políticas democráticas mais fortalecerá os direitos da cidadania e mais ampliará o reconhecimento da importância da educação para a promoção do desenvolvimento sustentável e para a superação das desigualdades sociais introduÇÃo 7

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entre as inúmeras dificuldades encontradas para a implementação de uma política educacional eficiente o documento destaca o preparo inadequado de muitos professores cuja formação manteve-se predominantemente no formato tradicional não contemplando as características consideradas na atualidade como inerentes à atividade docente o documento destaca entre outros alguns procedimentos básicos compatíveis com os novos paradigmas educacionais entre eles salienta os seguintes n comprometer-se com o sucesso da aprendizagem dos alunos esse procedimento altera toda uma concepção tradicional que via no fracasso do aluno padrões de exigência do professor quanto mais os alunos tiravam notas baixas na disciplina mais o professor se gabava de ser competente hoje sabemos que o bom professor é aquele que consegue transmitir com clareza o conteúdo e ainda mais que leva o aluno não só a adquiri-lo mas a aprender a refletir sobre sua competência discursiva assumir a diversidade existente entre os alunos e saber lidar com ela o professor deve ver a diversidade sociocultural existente entre os alunos como algo positivo e aprender a lidar com essa diversidade respeitando as características de cada um bem como levando seu aluno a respeitar o outro com suas diferenças e peculiaridades em relação à diferença dialetal o professor precisa mostrar ao aluno como reconhecer características contextuais e desempenhar papéis verbais de acordo com essas características não podemos dizer aos alunos que há uma fala certa e uma fala errada mas que há falas mais monitoradas e menos monitoradas e que devemos usar umas ou outras de acordo com a situação na qual nos encontramos É preciso construir uma metodologia que sem desvalorizar qualquer norma compare e diferencie as formas usadas em cada estilo de fala e lembre que a gramática da norma-padrão deve ser ensinada de maneira reflexiva inserida em contextos discursivos possibilitando ao aluno dominá-la e permitindo-lhe desenvolver a capacidade de monitorar seu estilo de fala incentivar atividades de enriquecimento cultural É fundamental que o professor trabalhe em uma perspectiva interdisciplinar levando o aluno a conhecer novas culturas em especial as culturas de seu país e a ampliar sua visão de mundo acerca das diferentes linguagens existentes artes visuais música literatura fotografia compreendendo os gêneros textuais como ferramenta de acesso ao multiculturalismo n n n desenvolver práticas investigativas É crucial que as atividades de pesquisa sejam constantes na prática pedagógica do professor o aluno precisa ser estimulado a buscar novos conhecimentos e a ter autonomia para construí-los desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe o trabalho de pesquisa deve sempre que possível ser desenvolvido n 8 marcia elizabeth bortone e cÁtia regina braga martins

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em equipe É importante ensinar o aluno a trabalhar de forma coesa e participativa n utilizar novas metodologias estratégias e materiais de apoio É fundamental que o professor tenha um real interesse em conhecer não só as novas metodologias como também as teorias que as fundamentam a sociolingüística tem dado contribuições relevantes para o ensino de língua portuguesa nas escolas entre outras pela ampla discussão da questão dos níveis de letramento nas comunidades urbanas em vias de desenvolvimento a análise textual contribui com a metodologia da leitura e da produção escrita ao trabalhar a tessitura do texto salientando os elementos coesivos como suporte da estrutura global de coerência e ao analisar os processos sociocomunicativos que entram na construção da leitura e ainda a análise do discurso contribui para a compreensão dos processos de significação explicitando as condições de produção da leitura compreensão que supõe uma relação com a cultura com a história com o social e com a linguagem que é atravessada pela reflexão e pela crítica a construção do letramento na escola as práticas discursivas de letramento assumem importância fundamental por conta do papel que desempenham na formação do indivíduo enquanto ser social cabe à escola assumir as rédeas de um processo que lhe é pertinente que é sua meta maior os estudos atuais sobre o letramento têm demonstrado sua importância seja na prática escolar opondo-se à concepção tradicional e mecanicista de alfabetização seja como prática social comparando-se os usos e funções da escrita e da leitura em sociedades tradicionais e modernas essas reflexões buscam justamente melhor definir as competências lingüísticas do indivíduo inserido em sociedades complexas nas quais a escrita e a leitura constituem condição primeira para a integração das pessoas como membros efetivos desse modelo de comunidade as constantes transformações dessas sociedades exigiram uma redefinição das práticas sociais que hoje incluem o uso constante da leitura e da escrita nas sociedades pós-industrializadas por exemplo entende-se por alfabetizado o indivíduo que apenas aprendeu a ler e a escrever mas não se apropriou da leitura e da escrita incorporando as práticas sociais que as demandam o letrado por sua vez seria aquele que se envolve nas práticas sociais de leitura e de escrita funcionalmente nessa nova perspectiva é crucial que nós professores entendamos que língua não é apenas um sistema abstrato que reflete nossos pensamenintroduÇÃo 9

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tos de forma neutra e imune às condições socioculturais ela é algo muito mais complexo um jogo de poder uma arena de conflitos e é por isso que precisamos compreender bem suas diversas faces a linguagem que usamos para ler o mundo determina em grande medida a forma como pensamos e agimos nesse mundo e sobre ele tais significados são portanto sempre construídos e produzidos de forma contextual no interior de práticas discursivas determinadas quanto ao trabalho com a oralidade em sala de aula deve-se salientar que não há uma fala certa e uma fala errada mas que há falas mais monitoradas e menos monitoradas que devemos usar de acordo com a situação na qual nos encontramos É importante salientar igualmente que não há língua ou variedade melhor ou pior que outra pois todas exercem a função precípua de comunicar portanto todas as variedades devem ser valorizadas na escola e mais a norma-padrão não é melhor do que as outras mas é a que goza de maior prestígio social daí ser obrigação da escola ensiná-la para que os alunos possam usá-la em contexto formais quanto ao trabalho com a leitura é crucial entender que ela tem uma função primordial na formação de nossos educandos assim precisa ser vista como um processo no qual o leitor realiza um trabalho de construção do significado do texto a partir do conhecimento de mundo dos conhecimentos lingüísticos da intencionalidade do autor entre outros o texto nessa perspectiva não pode ser mais considerado como algo pronto e acabado mas como um conjunto de pressupostos intenções implícitos que somados aos fatores contextuais e intertextuais que evoca criam um universo de leitura a ser desvendado pelo leitor a produção textual por sua vez precisa ser incentivada e para tal é necessário que se trabalhe com a noção de gêneros textuais discursivos pois cada texto terá uma função social a desempenhar entendendo-se que a língua deve ser trabalhada sempre em situações de uso real para tanto é necessário utilizar diferentes gêneros presentes em nosso dia-a-dia cumprindo diversas funções tais como divertir anunciar comunicar persuadir solicitar instruir informar narrar relatar divulgar documentar anunciar entre outras assim reportagens histórias em quadrinhos propagandas receitas cartazes bilhetes cartas poemas artigos e tantos outros materiais escritos ocupam espaço privilegiado nas sociedades letradas esses textos possuem variações de tipos e funções de acordo com situações específicas de interlocução daí ser tarefa prioritária considerar suas especificidades tendo como ponto de referência suas condições de produção uso social e funcionamento 10 marcia elizabeth bortone e cÁtia regina braga martins

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a proposta do livro o presente livro não tem a pretensão de esgotar todas as possibilidades de se trabalhar a língua pretende sim construir com o professor novos caminhos que lhe dêem a oportunidade de levar seus alunos a desenvolver habilidades de oralidade leitura e escrita para tal reproduzimos o universo da sala de aula levando o professor a refletir sobre sua prática docente e dando-lhe subsídios teóricos e metodológicos para poder ir além nossa principal intenção é desenvolver as quatro habilidades na língua a flexibilidade comunicativa a proficiência na leitura a capacidade de reflexão e a competência na produção textual salientamos em primeiro lugar nossa preocupação com o desenvolvimento de uma metodologia da leitura que trabalhe as diversas dimensões essenciais à construção desse processo a dimensão contextual leva o aluno a compartilhar a visão de mundo do autor em diversos textos bem como insere o texto em seu contexto sociocultural a dimensão infratextual leva o aluno a responder questões inferenciais que exigem uma compreensão não só do que está explícito no texto como também dos pressupostos e das entrelinhas a partir das pistas que o texto oferece o que é seguramente a dimensão crucial para a compreensão procuramos também trabalhar o diálogo constante entre os textos dando espaço à análise da dimensão intertextual mostrando por exemplo como a paródia desconstrói e reconstrói o texto original a dimensão textual por sua vez é igualmente explorada para levar o aluno a perceber como as relações coesivas que se estabelecem na tessitura textual promovem sua progressividade e dão coerência ao texto o livro inclui textos de diferentes gêneros como receitas reportagens artigos gráficos imagens pinturas tiras crônicas lendas poesias textos científicos e instrucionais verbetes mapas propagandas bem como se utiliza de diversos suportes jornal revista livro internet ao trabalhar com textos escritos e visuais este volume da série ensinar leitura e escrita no ensino fundamental enseja a leitura multimodal outro aspecto que consideramos relevante é o trabalho referente à produção textual o estímulo à reescrita o trabalho coletivo com o texto e a preocupação de salientar a importância de trabalhar a escrita sempre que possível com uma função social real o que estimula o aluno a perceber seu valor social em relação ao léxico trabalhamos bastante os campos semânticos e as figuras de linguagem mostrando como esses recursos semânticos e lexicais constroem os efeitos de sentido nos diversos gêneros literários e não-literários a maioria das atividades de reflexão gramatical parte do texto mostrando as funções coesivas/argumentativas e os efeitos de sentido que as introduÇÃo 11

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conjunções pronomes advérbios adjetivos entre outros exercem em seu interior o estudo da gramática sempre contextualizada reflexiva e funcional procura evidenciar como o texto se organiza a compreensão da tessitura textual também contribui para o desenvolvimento das competências em leitura e produção e da oralidade que procuramos desenvolver por meio do processo interacional que se constrói em sala de aula bem como em atividades a serem propostas aos alunos como debates e entrevistas com a comunidade e com a família o porquê do tema brasil hoje é prioridade o respeito a valorização e o convívio harmonioso das diferentes identidades culturais existentes nos territórios nacionais como condição de cidadania devemos reconhecer e valorizar nossas diferenças culturais como fator para a coexistência harmoniosa das diversas manifestações culturais que compõem o brasil e retratam nossa brasilidade para darcy ribeiro em seu livro o povo brasileiro valorizar a cultura europeísta em detrimento da cultura dos povos dos trópicos é uma visão perversa e um complexo de inferioridade que até hoje permeia o imaginário do povo brasileiro tão afeito a imitar os países ricos e a se envergonhar de seu povo de sua raça darcy ribeiro salienta ao longo dos séculos viemos atribuindo o atraso do brasil e a penúria dos brasileiros a falsas causas naturais e históricas umas e outras imutáveis entre elas fala-se dos inconvenientes do clima tropical ignorando-se suas evidentes vantagens acusa-se também a mestiçagem desconhecendo que somos um povo feito do caldeamento de índios com negros e brancos e que nos mestiços constituímos o cerne melhor de nosso povo fundação darcy ribeiro http www.fundar.org.br em fevereiro de 2005 foi realizado o i seminário nacional de políticas públicas para as culturas populares para que o brasil pudesse reconhecer e valorizar sua diversidade cultural transcrevemos aqui uma parte da fala do secretário sérgio mamberti que proferiu a palestra inaugural ao longo da história a exclusão dos segmentos populares das políticas públicas de nosso país bem como a segregação social e racial tem sido fator determinante na desvalorização de sua produção cultural daí a urgência na discussão e construção de uma política nacional envolvendo os interessados sociedade civil e gestores estatais a partir de um amplo debate por todo o país que deve levar em conta os contextos locais de decisão garantir as condições de criar difundir e fruir as expressões das culturas populares bem como o acesso à educação e formação de qualidade que respeite nossa diversidade cultural é direito e elemento fundamental de um projeto de desenvolvimento nacional 12 marcia elizabeth bortone e cÁtia regina braga martins

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a escola é um espaço público em que cada um aluno ou professor relaciona-se no cotidiano com o outro com o diferente a escola é um espaço da construção e reconstrução simbólica e os profissionais da educação são também profissionais da cultura É fundamental para um projeto democrático que os cidadãos brasileiros sejam formados com o respeito e com a convivência dos diferentes grupos sociais como uma maneira de superar o preconceito seja no espaço escolar ou fora dele através de projetos especiais de arte-cidadania somos mestiços não apenas etnicamente mestiços somos culturalmente mestiços dançando o aruanã sob a lua rezando numa capela de nossa senhora de chestokova curvados sobre a almofada da renda de bilros trocando objetos e valores no moitará depositando ex-votos aos pés dos nossos santos sambando na avenida contemplando a pedra barroca tocada pela eternidade do aleijadinho dobrando a gaita numa noite de frio no sul tocados pela décima corda da viola sertaneja possuídos pelo frevo e o maracatu nas ladeiras de olinda e recife atados à corda do círio de nazaré o coração de tambores percutindo nas ruas do pelourinho ou no sapateado do cateretê girando a cor e a vertigem do boi de parintins e de são luís digerindo antropofagicamente o hip-hop no caldo da embolada ou do jongo somos irremediavelmente mestiços a lógica da homogeneização nos oprime por isso gingamos o corpo damos um passe e seguimos adiante como num drible de futebol ou numa roda de capoeira que sem deixar de ser luta tem alma de dança e de alegria como formular um projeto de políticas públicas de cultura que contemple esse mosaico imperfeito como abrir janelas e portas e dizer brasil mostra a tua cara como na canção de cazuza muito obrigado brasília 23 de fevereiro de 2004 o ministro gilberto gil em outubro de 2006 em audiência pública do conselho de comunicação social no senado federal falou sobre como preservar a identidade nacional em seu discurso ele afirmou que o ministério da cultura está criando formas de registro dos saberes brasileiros que possam repercutir em todo o sistema de ensino para garantir a transmissão de saberes dentro de todo o ensino formal está na hora de garantir na escola um espaço privilegiado para a multifacetada cultura brasileira e assim tentar recuperar a auto-estima de nossos alunos por meio do resgate de nossas origens e de nossas expressões culturais este livro pretende assim ampliar a visão de mundo do aluno e construir valores solidários e humanísticos introduÇÃo 13

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palavras finais É urgente o constante diálogo com o professor em exercício trazendo novas abordagens tanto no que se refere às especificidades dos discursos oral e escrito como em relação aos processos de ensino/aprendizagem da leitura e produção de textos o conhecimento das novas metodologias favorece a descoberta de novos caminhos dentro do cotidiano do professor o resgate da cultura brasileira como forma de preservar nossa identidade precisa ser implementado e considerado como uma das prioridades da educação no brasil a formação continuada de professores de língua materna tornou-se uma necessidade integrada às próprias atividades educacionais não um acréscimo ou complementação muito menos uma proposta de suprir defasagens e incompletudes a formação continuada nessa perspectiva constitui um programa de procedimentos que dá sustentação ao diálogo entre sujeitos que se constituem discursiva e socialmente além de colocar o professor em um movimento de sempre refazer suas práticas atividades de formação continuada permitem a troca de papéis de experiências de informações que possibilitem reflexões sobre novas realidades e sobre as conseqüências dessas novas abordagens no processo de ensino de língua materna É com esse espírito que dedicamos a vocês professores e educadores este livro que por meio de uma linguagem acessível e de exemplos concretos de sala de aula pretende contribuir para a prática daqueles realmente compromissados com a ampliação do universo lingüístico e cultural de seus alunos márcia elizabeth bortone cátia regina braga martins brasília maio de 2008 14 marcia elizabeth bortone e cÁtia regina braga martins

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