ANÁLISE DE TEXTOS - FUNDAMENTOS E PRÁTICAS

 

Embed or link this publication

Popular Pages


p. 1

série estratégias de ensino 21

[close]

p. 2

série estratégias de ensino 1 o ensino do espanhol no brasil joão sedycias [org 2 português no ensino médio e formação do professor clecio bunzen márcia mendonça [orgs 3 gêneros catalisadores letramento e formação do professor inês signorini [org 4 a formação do professor de português que língua vamos ensinar paulo coimbra guedes 5 muito além da gramática por um ensino de línguas sem pedras no caminho irandé antunes 6 ensinar o brasileiro respostas a 50 perguntas de professores de língua materna celso ferrarezi 7 semântica para a educação básica celso ferrarezi 8 o professor pesquisador introdução à pesquisa qualitativa stella maris bortoni-ricardo 9 letramento em eja maria cecilia mollica marisa leal 10 língua texto e ensino outra escola possível irandé antunes 11 ensino e aprendizagem de língua inglesa conversas com especialistas diógenes cândido de lima org 12 da redação escolar ao texto um manual de redação paulo coimbra guedes 13 letramentos múltiplos escola e inclusão social roxane rojo 14 libras que língua é essa audrei gesser 15 didática de línguas estrangeiras pierre martinez 16 a sentença e a palavra estudo introdutório ronaldo de oliveira batista 17 coisas que todo professor de português precisa saber luciano amaral oliveira 18 gêneros textuais ensino a paiva dionisio a r machado m a bezerra orgs 19 as cadeias do texto construindo sentidos cláudia roncarati 20 produção textual na universidade désirée motta-roth graciela rabuske hendges 21 análise de textos fiudamentos e práticas irandé antunes

[close]

p. 3



[close]

p. 4

capa e editoração revisão editor andréia custódio marcos bagno marcos marcionilo conselho editorial ana stahl zilles [unisinos carlos alberto faraco [ufpr egon de oliveira rangel [puc-sp gilvan müller de oliveira [ufsc ipol henrique monteagudo [universidade de santiago de compostela kanavillil rajagopalan [unicamp marcos bagno [unb maria marta pereira scherre [ufes rachel gazolla de andrade [puc-sp salma tannus muchail [puc-sp stella maris bortoni-ricardo [unb cip-brasil catalogaÇÃo na fonte sindicato nacional dos editores de livros rj a672 antunes irandé 1937análise de textos fundamentos e práticas irandé antunes são paulo parábola editorial 2010 estratégias de ensino 21 inclui bibliografia isbn 978-85-7934-022-2 1 língua portuguesa composição e exercícios estudo e ensino 2 análise do discurso 3 linguagens e línguas estudo e ensino 4 linguística estudo e ensino i título ii série 10-3916 cdd 469.8 cdu 811.134.3´42 direitos reservados à parábola editorial rua sussuarana 216 alto do ipiranga 04281-070 são paulo sp pabx [11 5061-9262 5061-8075 fax [11 2589-9263 home page www.parabolaeditorial.com.br e-mail parabola@parabolaeditorial.com.br todos os direitos reservados nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios eletrônico ou mecânico incluindo fotocópia e gravação ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão por escrito da parábola editorial ltda isbn 978-85-7934-022-2 © do texto irandé antunes © da edição brasileira parábola editorial são paulo setembro de 2010

[close]

p. 5

a cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos nas forças que não usamos na prudência egoísta que nada arrisca e que esquivando-nos do sofrimento perdemos também a felicidade drummond definitivo

[close]

p. 6



[close]

p. 7

a joão antunes victor um pedacinho de voz que veio fazer parte da grande sinfonia do interdiscurso humano.

[close]

p. 8



[close]

p. 9

sumário sobre peixes e linguagem marcos bagno 11 introdução 13 capítulo 1 uma visão sumária das práticas pedagógicas de análise de textos 21 capítulo 2 noções preliminares sobre o texto e suas propriedades 29 2.1 o conceito de textualidade 29 2.2 o conceito de texto 30 capítulo 3 questões envolvidas na análise de textos 45 3.1 por que analisar textos 46 3.2 o que é que se faz quando se analisa um texto 49 3.3 com que finalidades se deve fazer a análise de textos 50 3.4 que textos analisar 52 3.5 que elementos analisar 55 3.6 À luz de que princípios analisar 58 3.7 o que evitar nessas atividades de análise de texto 59 3.8 como analisar textos ou que procedimentos de análise adotar 61 capítulo 4 fundamentos para a análise de textos o foco em aspectos globais 65 4.1 o universo de referência 66 4.2 a unidade semântica 67 4.3 a progressão do tema 68 4.4 o propósito comunicativo 69 4.5 os esquemas de composição tipos e gêneros 70 4.6 a relevância informativa 74 4.7 as relações com outros textos 75 capítulo 5 práticas de análise de textos quanto a sua dimensão global 79 5.1 análise do comentário a mercadoria alucinógena 80 5.2 análise da crônica talvez o último desejo 87 9

[close]

p. 10

5.3 análise da fábula os urubus e os sabiás 96 5.4 análise do texto expositivo a geografia linguística no brasil 103 5.5 análise do poema a missa dos inocentes 109 capítulo 6 fundamentos para a análise de textos o foco em aspectos de sua construção 115 6.1 a coesão e a coerência 117 6.2 os tipos de nexos textuais 118 6.3 recursos de constituição dos nexos textuais 121 capítulo 7 práticas de análises de textos quanto a aspectos de sua construção 143 7.1 análise da fábula os urubus e os sabiás 144 7.2 análise do texto expositivo quinhentos anos de história linguística 158 7.3 análise da crônica nós os brasileiros 164 7.4 análise do comentário o maiúsculo e o minúsculo 170 7.5 e a gramática na construção desses textos 174 capítulo 8 fundamentos para a análise de textos o foco em aspectos da adequação vocabular 177 8.1 a relevância da adequação vocabular de um texto 178 8.2 uma questão fundamental o critério da associação semântica entre as palavras do texto 179 8.3 as palavras e suas combinações preferenciais 180 8.4 o uso de sinônimos 181 8.5 o uso de hiperônimos 183 8.6 a questão dos vocabulários técnicos 184 8.7 os efeitos de sentido pretendidos por meio de recursos morfossintáticos 185 capítulo 9 práticas de análises de textos quanto a aspectos de sua adequação vocabular 187 9.1 análise do comentário a liberdade e o consumo 1 187 9.2 análise da anedota boateiro 195 9.3 análise do comentário a geração digital entra em cena 200 9.4 a título de sugestão a análise do vocabulário de um poema 206 9 5 análise de algumas escolhas ao contrário 208 capítulo 10 uma espécie de síntese como no final de uma longa conversa 213 quanto às práticas de análise 214 quanto aos critérios de análise 215 quanto aos textos 215 quanto a aspectos do léxico em uso nos textos 216 quanto à exploração dos fatos gramaticais 216 referências bibliográficas 220 referências bibliográficas dos textos analisados 223 10

[close]

p. 11

sobre peixes e linguagem marcos bagno m e ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água fora da água o peixe não existe toda a sua natureza seu desenho seu organismo seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela como focas pinguins sapos e salamandras que levam uma existência anfíbia mas os peixes não ser peixe é ser na água com os seres humanos é a mesma coisa não existimos fora da linguagem não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético ser humano é ser linguagem mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem que é a única forma como a linguagem realmente adquire existência a dimensão textual abrir a boca para falar empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja ativar a memória raciocinar sonhar esquecer todas essas atividades humanas só se realizam como textos só tem linguagem onde tem texto no entanto por alguma misteriosa razão os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso é que o caráter textual de toda 11

[close]

p. 12

análise de textos ­ fundamentos e práticas irandé antunes manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo e as consequências desse desprezo para a educação configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos a redução do estudo da língua na escola à palavra solta e à frase isolada uma palavra solta uma frase isolada são um peixe fora d água o texto é o ambiente natural para qualquer palavra qualquer frase fora do texto a palavra sufoca a frase estrebucha e morre e como pode o peixe vivo viver fora da água fria a ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da antiguidade clássica mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico metafísico mesmo pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas muito menos preocupações didáticas o que interessava a eles era descobrir de que maneira e se é que a linguagem refletia o funcionamento da alma que por sua vez e se é que refletia o funcionamento do mundo natural que por sua vez e se é que refletia a organização do universo para isso bastava a frase a sentença isolada o autotelos logos ou seja o enunciado completo em si mesmo porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica o desastre se opera quando essa autossuficiência suposta da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e pior ainda para o ensino da língua o peixe morto que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro se tornou o objeto do ensino de línguas quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo em cardume dentro de seu ambiente natural líquido aquoso lago lagoa riacho rio praia alto-mar a água-texto irandé antunes incansável defensora dos peixes vivos prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto estripado e malcheiroso que ainda infecta o nosso ensino de línguas em pleno século xxi É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio que ensinar línguas não é pescar mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes deveria ser óbvio mas não é por isso só podemos comemorar aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem da língua e do texto que na água vivificada pelo espírito humano são uma coisa só 12

[close]

p. 13

introdução enso em quem quando escrevo um livro como este penso nos professores de português do ensino fundamental e médio penso nos alunos de letras ou de pedagogia que se preparam para assumir a função de professor ou de orientador na lidas do ensino de línguas penso na verdade em trazer uma espécie de reforço à prática da análise de textos privilegiando é claro aspectos da sua textualidade pretendo portanto apoiar aqueles que desejam fazer morada no domínio amplo e complexo das questões textuais pretendo trazer-lhes algumas pistas para a caminhada no meio do labirinto que é a análise de texto enquanto atividade pedagógica não cabe pois descer a especulações mais aprofundadas a definições e metalinguagens mais apuradas com o cuidado de fazer recortes sem abrir mão da consistência teórica e da seriedade metodológica pretendo apenas mostrar um pouco de como se pode fazer análises de textos centradas em elementos que de fato são determinantes para a construção de sua textualidade e de sua função interacional vamos lá facilmente se pode comprovar a dificuldade de alguns professores para fazer esse tipo de análise submetidos durante anos desde alunos e depois como professores a uma prática de análise que se esgotava na identificação de categorias gramaticais ou sintáticas eles deixam de perceber os aspectos mais relevantes de construção da textualidade além dos limites dessas experiências reducionistas muitos professores não tiveram oportunidade em seus cursos de formação de entrar em contato com teorias sobre p 13

[close]

p. 14

análise de textos ­ fundamentos e práticas irandé antunes o texto e suas propriedades ou não souberam encontrar nessas teorias implicações para futuras análises de fato a competência para a exploração da linguagem em eventos da comunicação oral e escrita supõe por um lado uma fundamentação teórica ampla consistente e suficientemente clara que contemple aspectos fundamentais de sua construção e de seu funcionamento as conexões que podem ser criadas em um texto e que apoiam sua interpretação ultrapassam aquelas previstas pelas determinações morfossintáticas ultrapassam porque o destinatário vai sendo instruído para estabelecer diferentes nexos entre diferentes pontos do texto por vezes pontos até distantes nexos que não se devem apenas a elementos de ordem morfológica ou sintática em outras palavras a construção dos sentidos se deve a outros elementos para além daqueles de ordem gramatical em geral os estudos linguísticos que integram os currículos dos cursos de letras ainda incidem muito sobre aspectos da morfossintaxe das línguas em detrimento de questões sobre a construção e a circulação das ações de linguagem consequentemente o olhar de professores e alunos sobre a construção do texto ainda é um olhar quase exclusivamente gramatical ainda falta em muitos cursos uma abordagem consistente de teorias sobre a textualidade o que poderia ser possível pela exploração dos princípios da linguística de texto por outro lado falta ao professor uma prática contínua de análise que possibilite o desenvolvimento da capacidade de enxergar os elementos que para além do gramatical são centrais para o entendimento do texto não por acaso se formou nos professores e nos alunos uma visão de análise presa exclusivamente ao que aparecia na superfície do texto mesmo depois de tantos apelos a favor de análises de caráter textual ainda vigora na maioria das escolas concretamente entre professores coordenadores de ensino e gestores e entre os alunos uma prática de análise que equivale à mera identificação de categorias gramaticais para alunos e professores até mesmo o sentido do termo `análise remete somente para essa identificação 14

[close]

p. 15

i n t rod uç ã o a superação desse problema consequentemente também requer por um lado o estudo das questões eminentemente textuais como aquelas relativas aos critérios da coesão da coerência da relevância informativa da intertextualidade e de tantas outras presas às condições contextuais em que acontecem as ações de linguagem por outro lado exige que se instaure na escola com regularidade a prática da análise dessas questões textuais em exemplares reais orais e escritos que circulam ou circularam em nossas atividades sociais esse prisma de análise das regularidades textuais faria com que se obscurecesse aquele outro viés com que se costuma analisar o que os alunos escrevem na escola o viés da correção gramatical segundo o qual basta o texto não ter erros gramaticais para estar bom a teoria apenas sem a prática da análise pode representar uma abstração um conjunto de hipóteses de suposições simplesmente em termos de linguagem pode parecer uma referência a algo que não pertence à nossa experiência concreta de falantes e ouvintes por sua vez a análise apenas não se desenvolve sem os fundamentos de princípios teóricos consistentes teoria e análise se alimentam mutuamente pareceu-me oportuno então oferecer aos professores e alunos a partir de um conjunto de `lembretes teóricos algumas indicações e alguns exemplos de como se pode perceber em textos elementos de sua construção de sua relevância comunicativa e de como se pode ultrapassar nas atividades de análise a simples identificação de elementos de sua superfície sabemos quanto os sentidos e intenções expressos no que dizemos são resultado de determinações contextuais textuais lexicais e gramaticais que atuam para além do que aparece na superfície cada um desses conjuntos de determinações promove a instauração daqueles sentidos e intenções de maneira que um não pode prescindir dos outros as determinações gramaticais por exemplo isoladamente são insuficientes ou seja uma ação linguística não se faz apenas com gramática ou apenas com léxico embora gramática e léxico tenham uma função 15

[close]

Comments

no comments yet