A Política do Poder

 

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i p r i martin wight a politica do poder

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c li c À o clÁssicos ipri comitê editorial celso lafer marcelo de paiva abreu c;e!son i onseca júnior carlos i icnriquc cardim a reflexão sobre a temática das relações internacionais está presente desde os pensadores da antigüidade grega como é o caso de tucídides it jualmente obras como a utopia de thomas more e os escritos de maquiavel hobbes e montesquieu requerem para sua melhor compreensão uma leitura sob a ótica mais ampla das relações entre estados e povos no mundo moderno como é sabido a disciplina relaçôes internacionais surgiu após a primeira guerra mundial e desde então experimentou notável desenvolvimento trans formando-se em matéria indispensável para o entendimento do cenário a tual assim sendo as relações internacionais constituem área essencial do conhecimento que é ao mesmo tempo antiga moderna e contemporânea no brasil apesar do crescente interesse nos meios acadêmico político em presarial sindical e jornalístico pelos assuntos de relações exteriores e políti ca internacional constata-se enorme carência bibliográfica nessa matéria nesse sentido o instituto de pesquisa de relações institucionais ipri a editora universidade de brasília e a imprensa oficial do estado de são pau lo estabeleceram parceria para viabilizar a edição sistemática sob a forma de coleção de obras básicas para o estudo das relações internacionais alt jumas das obras incluídas na coleção nunca foram traduzidas para o português como o direito da paz e da guerra de hugo grotius enquanto outros títulos apesar de não serem inéditos em línt jua portuguesa encontram-se esgotados sendo de difícil acesso desse modo a coleção cias lcos iprl tem por obje tivo facilitar ao público interessado o acesso a obras consideradas fundamen tais para o estudo das relações internacionais em seus aspectos histórico conceitual e teórico cada um dos livros da coleção contará com apresentação feita por um espe cialista que situará a obra em seu tempo discutindo também sua importância dentro do panorama geral da reflexão sobre as relações entre povos e nações os crar.licos iprl destinam-se especialmente ao meio universitário brasilei ro que tem registrado nos últimos anos um expressivo aumento no número de cursos de graduação e pós-graduação na área de relações internacionais.

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coleção ti id i s clÁssicos ipri g w f hi i histôna da guerra do peloponeso prefácio hélio jaguaribe textos seleaonados rganização e prefácio franklin trein e h carr ji an-jacql1 s rolissi i l i inte anos de crise 1919-1939 uma introdu textos seiecionados ção ao l istudo das relações lnternaaonais prefácio eiiti saro organização e prefácio gelson fonseca j r nor i n an lj.i j m iÚ:yni:s 4s consequénaas econômicas da paz prefácio marcelo de paiva abreu 4 grande ilusão prefácio josé paradiso th f ias r y l nd ar l paz e guerra entre as nações prefácio antonio paim m 21 i i mnu utopia prefacio joão alrnino iiscritos xeleaonados prefácio e organização josé aui usto guilhon albuquerque hl co grotil s conselhos 1iplomáticos vários autores rganizaçào e prefácio luiz i ;elipe de seixas corrêa e ilri

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ministÉrio das relaÇÕes exteriores ministro de estado professor celso lafer secretário geral embaixador osmar chohfi fundaÇÃo alexandre de gusmÃo funag presidente embaixadora thereza maria machado quinti j-la centro de histÓria e documentaÇÃo diplomÁtica chdd diretor embaixador Álvaro da costa franco instituto de pesquisa de relaÇÕes internacionais ipri diretor ministro carlos henrique cardim universidade de brasÍlia reitor professor lauro morhy diretorda editora universidade de brasília alfxandre li1 1a conselho editorial elisabeth cancelli presidente alexandre lima estevão chaves de rezende martins henryk siewierski josé maria g de almeida júnior moema malheiros pontes reinhardt adolfo fuck sérgio paulo rouanet e sylvia ficher imprensa oficial do estado de sÃo paulo diretor diretor diretor diretor presidente s·:rc kohayasiii vice-presidente ll iz carlos pricerio industrial carlos nicolaewsky financeiro e administrativo richard vainber

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i p r i martin wight a politica do poder prefácio henrique alternani de oliveira tradução carlos sérgio duarte imprensa oficial do estado editora universidade de brasl1ia instituto de pesquisa de relações internacionais são paulo zooz

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© royal institute of international affairs título original power politics tradução de carlos sérgio duarte publicado pela primeira vez no brasil em 1985 pela editora unb direitos © desta edição editora universidade de brasília scs q 2 bloco c n 78 2° andar 70300-500 brasília df a presente edição foi feita em forma cooperativa da i ditora universidade de brasília com o instituto de pesquisa de relaçôcs internacionais ipri/i unag e a imprensa oficial do estado de são paulo todos os direitos reservados conforme a lei nenhuma parte desta publicação poderá ser armazenada ou reproduzida por qualquer meio sem autorização por escrito da editora universidade de brasília equipe técnica s to planejamento editorial isi bi s res assistente eiiti editoração fotolitos impressão e acabamento imprensa oficial do estado de sÃo paulo dados internacionais de catalogação na publicação cip câmara brasileira do j.ivro sp brasil wight martin a política do poder martm wight 1913-72 prefácio de henrique altemani de oliveira trad c sérgio duarte 2a edição brasília editora universidade de brasília instituto de pesquisa de relações internacionais são paulo imprensa oficial do estado de são paulo 2002 li 329 p ,23 cm clássicos ipri 7 isbn 85-230-0040-2 editora da unb isbn 85-7060-140-9 imprensa oficial do estado i relações internacionais 2 política internacional i título i i série cdu hi feito o depósito legal na biblioteca nacional lei n° lh25 de 20/12/1997 327

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sumÁrio prefacio anov» eoic brasileir ix henrique .altemani de oliveira norx expijcativa d s editori·:s capítu1j i potências c pítuu ii potências dominantes c pítljid iii grandes potências capÍtulo iv potências mundiais ci pítllid xxxvii 1 11 23 37 v potências menores 45 53 69 capÍtltlo vi poder marítimo e poder terrestre c pítlll vii revoluções internacionais capítlilo viii interesses vitais e prestígio c pítlilo ix anarquia internacional c/wítl lo x a sociedade internacional c pítlijd xi a diplomacia ci pítllf,c xii alianças 85 91 97 107 117

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capÍtuij xiii guerra capÍtulo xiv a expansão das potências capÍtulo xv a configuração do poder capÍtulo xvi o equilíbrio de poder capÍtul j xvii a compensação capÍtulo xviii a intervenção capÍtulo xix a liga das nações capÍtulo xx a organização das nações unidas capÍtulo xxi a corrida armamentista capÍtulo xxii o desarmamento capÍtulo xxiii o controle de armamentos capÍtulo xxix além da política do poder ap ndice api~ndice 133 141 155 167 187 193 203 221 247 269 291 305 311 319 321 1 a classificação das potências 2 doutrinas internacionais Índice on mÁstic

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prefÁcio À nova ediÇÃo brasileira henrique .altemani de oliveira vida r ohra martin wight é considerado como um dos mais importantes teóri cos de relações internacionais da geração passada e um dos fundadores do que se convencionou chamar de escola inglesa de relações interna cionais esse termo é usado para descrever um grupo de intelectuais principalmente historiadores ftlósofos teólogos e diplomatas que no final dos anos 50 se juntaram para constituir o comitê britânico para a teoria da politica internacional com o objetivo de investigar questões fundamentais da teoria internacional wight foi o responsável por uma das mais distintas contribuições da escola inglesa o desenvolvimento do conceito e a análise de diferentes sistemas de estados mostrando a importância da história mundial para o estudo das relações internacio nais martin wight nasceu em 1913 e foi educado no hertford college oxford onde se graduou em história moderna sob a orientação de herbert butterfield trabalhou no royal institute of international affairs chatham house de 1936 a 1938 e de 1938 a 1941 foi professor em haileybury hertfordshire de 1941 a 1946 compôs o corpo do nuffield college oxford por algum tempo foi o correspondente di plomático sobre as nações unidas para o the observer 1946-47 antes de retornar para chatham house 46-49 foi nomeado reader em rela ções internacionais na london school of economics de 1946 a 1961 onde desenvolveu suas famosas conferências sobre teoria internacio professor do departamento de política da pllc-sp e coordenador adjunto do núcleo de pesquisa em relações internacionais da usp

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x martin w]c;iit nal tornando-se posteriormente o primeiro decano da escola de estu dos europeus na universidade de sussex morreu subitamente em 1972 hedley buli aponta que martin wight era um perfeccionista que pou co publicou de seu trabalho seus escritos em relações internacionais com preendem uma panfleto de sessenta e oito páginas publicado em 1946 pela chatham house e cerca de uma dúzia de capítulos em livros ou artigos era um desses intelectuais hoje aliás tão raro que para usar uma frase de albert wowstetter acreditam numa elevada ratio do pensamento para pu blicação após sua morte hedley buli não teve dúvidas sobre a necessidade de publicar o trabalho que wight tinha deixado alguns textos estavam inconclusos outros não tinham sido pensados para publicação outros talvez não estivessem no padrão de profundidade que ele se impunha o que pesou na decisão de publicação foi a crença na importância do pró prio material e na necessidade de torná-lo disponível a outros de forma que as linhas de pesquisa que ele tinha aberto pudessem ser avançadas especialmente talvez haja a necessidade de fazer as idéias de martin wight mais profundamente avaliadas em suas formas originais do que através de interpretação de segunda mão de outros como um analista de relações internacionais na tradição realista embora ele preferisse se classificar como um racionalista ele teve o comportamento internacional dos estados e o relacionamento entre eles como seu assunto central os títulos de seus principais trabalhos a maior parte publicada postumamente confirma isso o primeiro systems of 5tates 1977 teve como base uma coleção de ensaios escritos nos últimos anos de sua vida para o comitê britânico sobre a teoria da política internacional o segundo power politics 1979 editado por hedley buli e carsten holbraad baseou-se no panfleto de 1946 publicado pelo royal institute of international affairs tendo sido revisto e expandido por wight nos últimos 20 anos de vida o terceiro international theory thethree i buli hcdlcv martin wighr and the thcory of intcrnanonal rclations in wic;ht martin [nternational theory the tbree traditions ne v york i iolmes meicr i.ondon the roval institute of internatlona affairs 1991 p ix 2 ibidem p x

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prefácio à nova edição brasileira xl traditions 1991 mais filosófico no objetivo e concentrando-se essencial mente nas tradições rivais do pensamento sobre as relações entre estados foi baseado em conferências e teve sua publicação retardada pela morte de buli em 1985 sean molioy avalia que poucos analistas na história do pensamen to internacional deixaram um legado tão disputado como martin wight para os que o defendem ele foi um intelectual que a partir de suas conferências difundiu uma linha de pensamento que influenciou e arti culou muito do que vai ser a escola inglesa de relações internacio nais roy e jones no entanto considera seu pensamento como histó ria metafísica seu sistema particularmente frio e sem vida e que seus efeitos sobre as relações internacionais inglesas foram terríveis da mesma forma martin nicholson deplora o fato de seu pessimismo ter permanecido respeitável no pensamento britânico hedley buli aponta que foi manning quem sugeriu e insistiu que ele acompanhasse a série de conferências que estavam sendo proferidas por martin wight então reader no departamento de relações interna cionais na london 5 ehool of eeonomies and politieal 5cienee e acrescenta que essas conferências o impressionaram de tal forma que a partir desse momento ele esteve constantemente influenciado pelo pensamento de martin wight no prefácio da primeira edição da theanarehieal 5ociery buli ao apontar que a obra tinha sido beneficiada pelas discussões no comitê britânico sobre a teoria da política internacional relembra es pecificamente o papel de martin wight tenho um profundo débito com martin wight quem em primeiro me demonstrou que relações internacionais pode ser considerada como um sujeito e cujo trabalho nesse campo para usar uma de suas próprias metáforas permanece como uma alvenaria romana num subúrbio londrino seus escritos ainda ina dequadamente publicados e reconhecidos são uma constante inspira çao 4 molloy scan bridging rcalism and chnstianiry in rhc lntcrnanonal thought of l 1artin x/ight trabalho apresentado no i -ourrh pan-i uropcm lnrcrnational rclanons confercncc univcrsitv of kcn at canrcrburv.sc l o scptcrnbcr 2011 i bltj.i l icdlcv th« 1iltm!ji f soaetv i .1 1 0 arder in noridjjo/i/iÚ i.ondon macmillan 1977 p ix.

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xii ma.rtjn wjght barry buzan e richard little em recente trabalho com ineqüivoca influência do pensamento de wight apontam que estávamos intriga dos pela observação de wight de que o caleidoscópio político das eras grega e helenística parece moderno aos nosso olhos ao passo que a imensa majestade da paz romana e da unidade cristã do mundo medie val parecem remotas e estranhas as eras grega e helenística realmente parecem modernas e a paz romana e o mundo medieval remotos e estranhos como wight entendeu e de importância podemos caracte rizar essas muito diferentes arenas políticas como sistemas internacio nais no brasil gelson fonseca jr por exemplo inclui-se entre os ana listas que seguem a linha de raciocínio desenvolvida por wight como aponta celso lafer no plano internacional o primeiro problema do tema da legitimidade não é o das modalidades dos tipos ideais do exercício do poder à maneira da análise de max weber que usualmente são as referências iniciais da discussão no âmbito interno do estado É o critério que legitima a participação de um ator no sistema internacio nal como apontou com argúcia e erudição martin wight cujas idéias assim como as de thomaz m franck são um dos relevantes pontos de-partida de gelson fonseca jr neste sentido o consenso fundamen tal constitutivo do sistema internacional interestatal tal como se confi gurou a partir da idade moderna é o reconhecimento recíproco das soberanias inicialmente fundamentadas em razões dinásticas e depois lastreadas no povo soberania popular ou na nação soberania nacio nal o pl njamhnto ao procurar definir as bases do pensamento de martin wight hedley buli aponta que suas inquietações decorriam em primeiro da buzan barry little richard lnternationalxystems in world history remakin~í the jtur/y oi international relations oxford oxford university press 1999 o trecho de wight citado é da presente obra estando nessa edição na página 16 lafer celso prefácio in fonseca .ir gelson a legitmidade e outras questôes internacionais poder e ética entre as nações são paulo paz e terra 1998 p 14-15.

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prefácio à nova edição brasileira xiii constatação da ausência de um corpo teórico que explicasse as formas do relacionamento entre os estados e em segundo que essa preocupa ção não era só de wight mas de uma série de pensadores que buscava a compreensão dos fenômenos internacionais em termos de cooperação e conflito e que transcendiam as políticas nacionais assim quando nos anos 50 wight estava desenvolvendo seu cur so na london school of economics o movimento científico ou behaviorista estava ganhando força nos estados unidos este movi mento tinha suas bases na insatisfação com o que era visto como uma metodologia obsoleta sobre relações internacionais especialmente de escritores realistas como edward h carr george kennan e hans morgenthau os quais formavam o padrão acadêmico da época a mo tivação para os behavioristas decorria da perspectiva de que a partir do desenvolvimento de uma metodologia mais científica seria possível chegar a um corpo rigorosamente científico de conhecimento que pos sibilitaria explicar o passado predizer o futuro e providenciar uma sóli da base para a ação política o interesse de wight pela teoria das relações internacionais de corria igualmente da insatisfação com os escritos dos realistas com os quais o seu próprio ensaio power politics na versão original publicada como panfleto na coleção looking fonuard tinha íntimas afinidades embora fosse uma insatisfação com seu conteúdo antes do que com sua metodologia mas o tipo de teoria que ele almejava era completamente diferente da ambicionada pelos behavioristas considerava a teoria das relações internacionais ou como ele chamava a teoria internacional como um estudo de filosofia política ou de especulação política direcionado para o exame das principais tradições do pensamento so bre relações internacionais no passado enquanto os behavioristas buscavam desenvolver uma teoria que os aproximasse da ciência rejeitando a literatura do passado até mesmo a do passado imediato wight visava uma aproximação com a filosofia começando por pesquisar organizar e categorizar tudo o que tinha sido dito e pensado sobre o assunto através dos tempos enquanto excluíam as questões morais como além do escopo do tratamento científico wight

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xiv martin wicht colocava essas questões no centro de sua pesquisa enquanto espera vam chegar a uma teoria que colocaria um final nas divergências e incertezas wight visualizava a emergência de seus estudos simplesmente como um inventário do debate entre tradições e teorias em conflito das quais nenhuma resolução poderia ser esperada a sua oposição sistemática e até mesmo desconsideração com os behavioristas refletia a confiança e segurança que tinha com sua própria posição nunca aceitou a idéia de que uma abordagem teórica ahistórica e não filosófica pudesse gerar uma base séria para a compreensão do mundo político em decorrência desse seu levantamento martin wight identificou três paradigmas clássicos que existiram em diferentes versões quase que ao mesmo tempo que os estados soberanos realismo racionalismo e revolucionismo ainda que sob o risco de uma simplificação estes ter mos denotam as idéias contrastantes do auto-interesse nacional e da di plomacia prudente maquiavel direito internacional e civilização grócio e comunidade política global kant são modelos categoricamente dife rentes de pensamento com sua própria lógica e linguagem a teoria internacional clássica de acordo com wight é precipuamente uma teoria da sobrevivência sendo soberanos os esta dos existem numa condição de anarquia e em última análise dependem de si mesmos para sobreviver como apontava wight a teoria política e o direito são sistemas de ação num campo de relacionamento normal e de resultados calculá veis são a teoria da boa vida a teoria internacional é a teoria da sobrevi vência o que para a teoria política é um caso extremo como uma revo lução ou guerra civil para a teoria internacional é um caso normal realismo concebe as relações internacionais como definidas pre dominantemente se não exclusivamente pela raison d état o direito polí essas ponderações iniciais sobre o pensamento de wight estào integralmente baseadas em buli hedley martin wight and the theory of internacional relations in wight martin lnternational tbeory tbe tbree traditions new york holmes meier london the royal institute of internacional affairs 1991 pp x-xi k wight martin why is there no international theory in w1ght martin butterfield h diplomatir im1estigatiollj london g alien unwin 1966 p 33

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prefácio à nova edição brasileira xv tico é o bem do estado e a soberania é a palavra final nessas questões o sistema internacional é a arena na qual os homens de estado perseguem seus interesses e periodicamente chegam a conflitos que podem amea çar a sobrevivência de alguns o problema fundamental das relações internacionais é prevenir tais conflitos através de diplomacia defesa nacional alianças militares equilíbrio de poder etc a imagem realista é a de estados soberanos livres competitivos e algumas vezes egoístas e combativos individualismo internacional racionalismo por contraste é a concepção das relações interna cionais como uma sociedade definida pelo diálogo entre estados e pela regra da lei a sociedade internacional é assim uma sociedade civil de membros estatais que têm interesses legítimos que podem possibilitar conflitos mas que estão sujeitos a um corpo comum de direito interna cional que procura regular esses conflitos a teoria internacional é ainda uma teoria da sobrevivência mas os meios de sobrevivência são tanto sociais quanto individuais revolucionismo é o terceiro paradigma da teoria internacional identi ficado por wight e refletido na reforma protestante na revolução france sa e na revolução comunista os revolucionistas rejeitam o sistema de soberania existente na convicção de que é um obstáculo para ultimar os valores da humanidade a imagem revolucionista predominante é a da co munidade humana ou universitas os homens têm precedência sobre as ins tituições e conseqüentemente o estado soberano tem que estar subordina do a uma autoridade superior ou à civitas maxima de alguma forma essas três tradições algumas vezes apresentadas por wight como realismo racionalismo e revolucionismo e em outros momentos como maquiavélica grociana e kantiana constituem a base das análises de wight e de seus seguidores para molloy o sistema de wight é dialógico não axiomático e descrito em suas própria palavras como segue tudo que estou dizendo é que encontro essas três tradições de pensamento na história interna a apresentaçào dessas três perspectivas teóricas está baseada em jackson robert h qua.ri states rol em n mtemattona rclations aud tbe tlurd lt orld cambridge cambridge univcrsity prcss 1990 pp 164-166.

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