O fim da era do petróleo e a mudança do paradigma energético mundial - Perspectivas e desafios para a atuação diplomática brasileira

 

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o fim da era do petróleo e a mudança do paradigma energético mundial perspectivas e desafios para a atuação diplomática brasileira

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ministério das relaçÕes exteriores ministro de estado secretário-geral embaixador antonio de aguiar patriota embaixador ruy nunes pinto nogueira fundação alexandre de gusmão presidente instituto de pesquisa de relações internacionais diretor centro de história e documentação diplomática diretora substituta embaixador gilberto vergne saboia embaixador josé vicente de sá pimentel maria do carmo strozzi coutinho a fundação alexandre de gusmão instituída em 1971 é uma fundação pública vinculada ao ministério das relações exteriores e tem a finalidade de levar à sociedade civil informações sobre a realidade internacional e sobre aspectos da pauta diplomática brasileira sua missão é promover a sensibilização da opinião pública nacional para os temas de relações internacionais e para a política externa brasileira ministério das relações exteriores esplanada dos ministérios bloco h anexo ii térreo sala 1 70170-900 brasília df telefones 61 3411-6033/6034/6847 fax 61 3411-9125 site www.funag.gov.br

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fernando pimentel o fim da era do petróleo e a mudança do paradigma energético mundial perspectivas e desafios para a atuação diplomática brasileira brasília 2011

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direitos de publicação reservados à fundação alexandre de gusmão ministério das relações exteriores esplanada dos ministérios bloco h anexo ii térreo 70170-900 brasília ­ df telefones 61 3411-6033/6034 fax 61 3411-9125 site www.funag.gov.br e-mail funag@itamaraty.gov.br equipe técnica henrique da silveira sardinha pinto filho andré yuji pinheiro uema fernanda antunes siqueira fernanda leal wanderley juliana corrêa de freitas revisão júlia lima thomaz de godoy programação visual e diagramação juliana orem impresso no brasil 2011 pimentel fernando o fim da era do petróleo e a mudança do paradigma energético mundial perspectivas e desafios para a atuação diplomática brasileira fernando pimentel ­ brasília fundação alexandre de gusmão 2011 236 p isbn 978-85-7631-308-3 1 diplomacia 2 petróleo 3 política externa cdu 327.381 ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária sonale paiva crb /1810 depósito legal na fundação biblioteca nacional conforme lei n° 10.994 de 14/12/2004.

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a minha mulher manuela por uma vida que não poderia ser sonhada a meus pais carlos e yara pelas ideias desde o começo a minhas filhas olívia emília e aurélia pelo incomensurável infinitamente.

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glossário das principais siglas e abreviaturas africom aiea aspo bem bid brics btc ccs cepal cera co² cst ctl doe dos eia eor comando da África forças armadas dos eua agência internacional de energia atômica association for peak oil studies balanço energético nacional banco interamericano de desenvolvimento brasil rússia Índia e china baku-tblisi-ceyhan único oleoduto entre a Ásia central e a europa que contorna a rússia captura e sequestro de carbono na sigla em inglês comissão econômica para a américa latina e caribe cambridge energy research institute dióxido de carbono concentrated solar thermal processos para produção de eletricidade a partir do potencial térmico da energia solar coal to liquids tecnologia para produção de petróleo sintético department of energy governo dos eua department of state governo dos eua energy information administration agência governamental dos eua enhanced oil recovery

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epe eroei farc gao gnl h-bio iea ioc mma mme nic noc nymex ocde oie opec opep osc otan pch pne pnmc pnud po proinfa pv rsu empresa de pesquisas energéticas governo brasileiro energy return on energy invested fuerzas armadas revolucionarias de colombia general accounting office Órgão fiscalizador do congresso dos eua gás natural liquefeito tecnologia da petrobras para aproveitamento processamento de diesel a partir de óleo de soja em refinarias international energy agency vinculada à ocde companhias internacionais de petróleo na sigla em inglês ministério do meio ambiente ministério de minas e energia national inteligence council do governo dos eua companhias nacionais de petróleo na sigla em inglês new york mercantile exchange bolsa de mercadorias de nova york organização para a cooperação e o desenvolvimento econômico oferta interna de energia sinônimo de matriz energética nacional organization of petroleum exporter countries o mesmo que opep organização dos países exportadores de petróleo shangai cooperation organization organização dos países do tratado do atlântico norte pequenas centrais hidrelétricas plano nacional de energia plano nacional para mudança do clima plano brasileiro programa das nações unidas para o desenvolvimento peak oil programa de incentivo a fontes alternativas de energia elétrica foto voltaico na sigla em inglês rejeitos sólidos urbanos lixo urbano encontrado nos aterros sanitários

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sin unep Única wec weo ypf ypfb sistema interligado nacional united nations energy program união nacional da indústria canavieira world energy council world energy outlook relatório anual da iea yacimientos petrolíferos fiscales empresa petrolífera argentina yacimientos petrolíferos fiscales de bolívia unidades de medidas b/d bpc mb/d tep mw gw tw l/ha barris de petróleo/dia barris de petróleo per capita milhões de barris de petróleo/dia tonelada equivalente de petróleo mega watts giga watts mil mw tera watts mil gw litros por hectare nota sobre nomes de companhias petrolíferas na maioria dos casos os nomes de companhias formadas há décadas evoluíram para adquirir o sentido próprio desvinculados das siglas originais a british petroleum hoje é apenas bp com o moto beyond petroleum a aramco já foi arab-american consortium hoje é a grande companhia estatal da arábia saudita assim os nomes de empresas petrolíferas serão tratados como nomes próprios e não como siglas entre as principais companhias citadas neste trabalho estão anglo-persian consórcio de iocs formado para exploração e produção de petróleo no irã aramco estatal saudita bp ioc de origem inglesa chevron ioc de origem norte-americana cnooc estatal chinesa cnpc estatal chinesa conoco/philips ioc de origem norte-americana

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e.on enarsa enel eni exxon gazprom hess gdf suez ongc-videsh pdvsa petrobras repsol shell sinopec cnpc standard oil texaco total unocal ypf ypfb empresa de energia alemã energia de argentina sa nova estatal petrolífera argentina empresa de energia italiana ioc italiana ioc de origem norte-americana estatal russa ioc de médio porte de origem norte-americana com participação em bloco do pré-sal ioc francesa formada pela fusão de outras duas gaz de france e suez estatal indiana estatal venezuelana estatal brasileira ioc espanhola ioc de origem inglesa estatal chinesa primeira grande petroleira dos eua desmembrada em ação antitruste ioc de origem norte-americana ioc francesa ioc de origem norte-americana estatal argentina privatizada na década de 90 estatal boliviana

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sumário prefácio 13 introdução 19 estrutura do trabalho 24 algumas considerações metodológicas 27 capítulo i evolução e declínio da era do petróleo 31 1.1 a história do petróleo e suas crises 31 1.2 a teoria do peak oil 54 1.3 o debate acerca do peak oil defensores e detratores da teoria 56 capítulo ii alternativas para a crise 69 2.1 a sustentação do paradigma perspectivas para os combustíveis fósseis 69 areias betuminosas tar sands 70 xisto betuminoso oil shale 72 carvão 73 gás natural 74 uma nota sobre sustentabilidade ambiental 76 2.2 a caminho de um novo paradigma energia renovável nuclear e conservação 77 energia solar 78 energia eólica 79 energia hidrelétrica 80 energia nuclear 82 biocombustíveis 84 a etanol 84 b biodiesel 87 eficiência e conservação 90

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2.3 a energia do futuro 92 hidrogênio 93 fusão nuclear 94 carros elétricos plug-ins 95 2.4 um novo paradigma 96 capítulo iii o fim da era do petróleo 99 3.1 dois cenários de crise 99 cenário a um pouso forçado 101 cenário b transição induzida 102 3.2 o reordenamento do tabuleiro impactos globais 104 impactos econômicos cenário a 104 impactos econômicos cenário b 113 impactos geopolíticos cenário a 125 impactos geopolíticos cenário b 137 capítulo iv perspectivas para o brasil e a américa do sul 141 4.1 a projeção da matriz energética brasileira 141 críticas e alternativas ao plano nacional de energia 2030 149 a promessa do pré-sal 153 4.2 perspectivas para a américa do sul 159 um novo paradigma energético para a américa do sul 172 4.3 reservas na escassez implicações para a inserção global do brasil 181 conclusão 195 impactos da crise econômica 197 alternativas para a mudança de paradigma 201 riscos do processo de transição 204 perspectivas para o brasil 206 anexo i 213 anexo ii 215 bibliografia 217

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prefácio o presente trabalho foi concluído em fevereiro de 2009 em meio à fase mais severa da crise financeira que eclodiu em 2008 trata-se de um exame das condições objetivas no médio prazo para a transição rumo a um paradigma energético global pós-petróleo sob dois tipos de cenário uma transição induzida por políticas deliberadas que diminuam a dependência da economia global em relação ao petróleo ou uma transição forçada por um estancamento na capacidade de se aumentar a oferta global de petróleo convencional nos moldes da teoria do peak oil em ambos os cenários foram examinadas as consequências econômicas e geopolíticas da transição com destaque para o impacto sobre o brasil e seu relacionamento com outros países nos dois anos que se passaram entre a finalização e a publicação deste trabalho o mundo vivenciou a conclusão da fase aguda da crise econômico-financeira a frustração das expectativas em relação à cúpula de copenhague o vazamento de petróleo no golfo do méxico o terremoto no japão seguido do acidente nuclear na usina de fukushima a primavera Árabe e a confirmação da viabilidade de importantes reservas de gás natural não convencional a partir de avanços na tecnologia de extração caberia um breve exame de como esses eventos recentes contribuem para a leitura deste livro 13

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fernando pimentel desde o final da fase aguda da crise econômico-financeira observou-se uma vigorosa retomada dos preços do petróleo e das commodities de modo geral em janeiro de 2011 a cotação do petróleo tipo brent voltou a ultrapassar a barreira dos us$100,00 tais cotações elevadas têm sido relativamente resistentes com naturais oscilações até mesmo à deterioração da situação econômica na zona do euro e à intervenção direta da agência internacional de energia que em junho de 2011 liberou cerca de 60 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas com o fito não explicitamente declarado de conter o aumento de preços e prevenir a deterioração das condições econômicas globais em que pese a contribuição de fatores geopolíticos e das políticas heterodoxas ultraexpansionistas de países desenvolvidos há crescente consenso de que os elevados preços do petróleo refletem fundamentalmente um descompasso entre a demanda e a oferta global do produto a realidade econômica atual caracteriza-se por um crescimento em duas velocidades em que taxas insuficientes de crescimento nas principais economias desenvolvidas contrastam-se com a forte recuperação nas principais economias de mercados emergentes com destaque para a china a manutenção desta dinâmica implicará um maior consumo de energia por unidade de produto global já que as locomotivas emergentes são consideravelmente mais intensivas no uso de energia do que suas contrapartes desenvolvidas além da crise econômica o modesto para dizer o mínimo resultado da cúpula de copenhague e a aparente inabilidade de a comunidade internacional acordar uma estratégia para lidar com o aquecimento global deverá ter importantes desdobramentos sobre os mercados globais de energia como será visto mais adiante fontes alternativas limpas e renováveis de energia já enfrentam uma batalha morro acima com os combustíveis fósseis geralmente mais baratos e de utilização mais conveniente está claro que a geração de energia limpa e renovável com escala e custos compatíveis com a manutenção do processo de desenvolvimento global não pode se dar na ausência de um arcabouço legal e de um esquema de incentivos especificamente desenhados para tal a incapacidade de as nações mais ricas do planeta e dos principais poluidores globais acordarem uma estratégia comum com compromissos justos e realistas retarda ­ quando não impede ­ o desenvolvimento e implantação de fontes menos poluentes de energia 14

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prefácio a partir de dezembro de 2010 a primavera Árabe logrou derrubar regimes ditatoriais na tunísia e no egito ensejou uma guerra civil na líbia provocou violentas rebeliões civis no iêmen na síria e no bahrein além de motivar manifestações e protestos em grande número de países do norte da África e oriente médio a velocidade e a contundência das demonstrações populares surpreenderam a grande maioria dos analistas dedicados à região bem como governos em todas as partes do globo além de seu impacto direto sobre o mercado de petróleo como consequência da guerra civil na líbia ­ na qual mais uma vez instalações petrolíferas tornaram-se alvos estratégicos tanto de tropas rebeldes quanto das governistas ­ a primavera Árabe adicionou uma nova fonte de instabilidade em uma região historicamente turbulenta que concentra as maiores reservas de petróleo do planeta entre as principais conquistas de cunho tecnológico com impacto sobre o mercado de energia nos últimos anos está a viabilização da exploração de grandes reservas de gás natural não convencional que segundo a agência internacional de energia poderiam vir a dobrar o tamanho das reservas mundiais de gás o gás natural é o menos poluente dos combustíveis fósseis com potencial para utilização inclusive no setor de transportes poderia atuar assim como ponte que facilitaria uma transição menos atribulada para um paradigma global pós-petróleo os novos processos que permitem a exploração de gás não convencional no entanto não são isentos de riscos e controvérsia pois consistem na injeção de grandes quantidades de água areia e produtos químicos no subsolo com potencial para a contaminação de lençóis freáticos sua utilização está em debate em diversos estados dos estados unidos e foi proibida na frança no campo da produção de petróleo propriamente dita o evento de maior relevância não terá sido a descoberta de alguma grande reserva mas sim o vazamento na plataforma operada pela bp no golfo do méxico que por fatalidade ou negligência resultou em bilhões de dólares em danos ambientais e às populações atingidas pela mancha de óleo ensejando uma moratória do governo norte-americano na exploração de petróleo no golfo do méxico mais do que isso o vazamento evidenciou os riscos da exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas e parece ter galvanizado principalmente nos eua mas potencialmente também nos demais países com exploração em águas ultraprofundas inclusive o 15

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