p. 1
joaquim nabuco embaixador 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 1 26/10/2011 23:24:00
[close]
p. 2
ministério das relações exteriores ministro de estado secretário-geral embaixador antônio de aguiar patriota embaixador ruy nunes pinto nogueira fundação alexandre de gusmão presidente embaixador gilberto vergne saboia centro de história e documentação diplomática diretor embaixador maurício e cortes costa a fundação alexandre de gusmão instituída em 1971 é uma fundação pública vinculada ao ministério das relações exteriores e tem a finalidade de levar à sociedade civil informações sobre a realidade internacional e sobre aspectos da pauta diplomática brasileira sua missão é promover a sensibilização da opinião pública nacional para os temas de relações internacionais e para a política externa brasileira ministério das relações exteriores esplanada dos ministérios bloco h anexo 2 térreo sala 1 70170-900 brasília df telefones 61 3411 6033/6034 fax 61 3411 9125 www.funag.gov.br o centro de história e documentação diplomática chdd da fundação alexandre de gusmão mre sediado no palácio itamaraty rio de janeiro prédio onde está depositado um dos mais ricos acervos sobre o tema tem por objetivo estimular os estudos sobre a história das relações internacionais e diplomáticas do brasil palácio itamaraty avenida marechal floriano 196 20080-002 rio de janeiro rj telefax 21 2233 2318 2079 chdd@funag.gov.br chdd.funag@veloxmail.com.br 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 2 26/10/2011 23:24:01
[close]
p. 3
joaquim nabuco embaixador volume i 1905-1907 rio de janeiro 2011 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 3 26/10/2011 23:24:01
[close]
p. 4
direitos de publicação reservados à fundação alexandre de gusmão ministério das relações exteriores esplana dos ministérios bloco h anexo ii térreo 70170-900 brasília df telefones 61 3411-6033/6034 fax 61 3411-9125 site www.funag.gov.br e-mail funag@itamaraty.gov.br coordenação editorial maria do carmo strozzi coutinho programação visual e diagramação vinicius freitas tomas impresso no brasil j63 joaquim nabuco embaixador centro de história e documentação diplomática rio de janeiro chdd brasília funag 2011 2v 360 p 15,5 x 22,5 cm conteúdo v 1 1905 a 1907 v 2 1908 a 1910 isbn 978.85.7631-350-2 1 relações internacionais brasil estados unidos 2 diplomacia brasileira 3 embaixada brasileira em washington i título ii fundação alexandre de gusmão cdu 32781:73/79 depósito legal na fundação biblioteca nacional conforme lei n 10.994 de 14/12/2004 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 4 26/10/2011 23:24:01
[close]
p. 5
sumÁrio volume i apresentação nabuco e a construção do pan-americanismo · 7 mil novecentos e cinco · 25 mil novecentos e seis · 93 mil novecentos e sete · 221 volume ii mil novecentos e oito · 7 mil novecentos e nove · 143 mil novecentos e dez · 261 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 5 26/10/2011 23:24:01
[close]
p. 6
00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 6 26/10/2011 23:24:01
[close]
p. 7
nabuco e a construção do pan-americanismo ricardo pereira de azevedo tiago coelho fernandes1 virada do século xix para o xx foi um período de mudanças no concerto internacional de poder especialmente no que se refere ao equilíbrio antes existente entre as grandes potências europeias a emergência de países como a alemanha e os estados unidos provocou alterações significativas nas relações internacionais ao longo das décadas seguintes marcadas por duas guerras mundiais e pela continuação da corrida imperialista na África e na Ásia a crescente importância conferida pela diplomacia brasileira às relações com os estados unidos se deve em grande medida a essas transformações com o advento da segunda revolução industrial e em virtude da unificação alemã concluída em 1871 novos estados emergiram como ameaça ao poder britânico baseado no amplo domínio dos mares na liderança da produção de bens industrializados e na criação de um império informal visentini e pereira 2010 p 135 alemanha estados unidos e japão tornaram-se novos postulantes ao papel de potências mundiais e de certo modo à competição por mercados consumidores e fornecedores de matérias-primas que possibilitassem e sustentassem sua expansão econômica a influência cada vez maior dos estados unidos sobre o mundo anglo-saxão tendo por base seu território continental com vastos recursos naturais e sem vizinhos que os ameaçassem diretamente contribuiu para a gradativa mudança do pólo mundial de poder de londres para washington que viria a completar-se ao final da segunda guerra mundial a política comercial protecionista adotada pelo governo norte-americano que propiciou expressivo superávit com a grã-bretanha e a existência de um mercado consumidor interno com grande potencial de crescimento foram outros fatores que impulsionaram a sua ascensão 1 a pesquisadores do centro de história e documentação diplomática 7 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 7 26/10/2011 23:24:01
[close]
p. 8
joaquim nabuco embaixador como potência e permitiram que o país trilhasse seu caminho rumo ao importante papel que exerceu e exerce desde então sobre o tema paulo josé dos reis pereira escreveu É possível dizer que o crescimento do poder internacional norte-americano foi a tentativa de colocá-lo em consonância com o crescimento de recursos potenciais de poder acumulados durante todo o século xix essa postura internacional norte-americana mais agressiva caminhava na mesma direção do novo fôlego dos movimentos imperialistas europeus direcionados pela busca de mercados consumidores de produtos manufaturados e mercados fornecedores de matéria prima na Ásia e na África essa ação coincidia com uma mudança no equilíbrio e na estrutura de poder do sistema internacional a partir do declínio relativo da preponderância britânica e a ascensão alemã e japonesa os movimentos imperialistas incentivados também por esses novos atores centravam sua expansão no rumo dos países periféricos da mesma forma que havia ocorrido no primeiro levante de colonização no século xvi enfrentava-se assim um novo momento de luta por zonas de influência em todo o mundo 2005 p 46 desse modo os estados unidos puderam crescer de forma auto-sustentável sem participação em conflitos externos que drenassem seus recursos concentrados então no seu desenvolvimento interno esta atitude isolacionista se manteria até o final do século xix quando os interesses norte-americanos se ampliaram para a américa latina mais especialmente para o caribe o marco dessa mudança foi a ativa participação na guerra hispano-americana em 1898 que terminou com o reconhecimento da independência de cuba nesse sentido escreveu rubens ricupero remontam de fato aos dois primeiros anos da embaixada de nabuco os dois acontecimentos que simbolizam para os historiadores da política externa americana a emergência dos estados unidos como potência de primeira grandeza em âmbito planetário o primeiro em 1905 foi a mediação de roosevelt 8 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 8 26/10/2011 23:24:01
[close]
p. 9
apresentação para pôr fim à guerra russo-japonesa no extremo oriente2 o segundo no ano seguinte foi a participação pela primeira vez em assunto puramente europeu extra-hemisférico na conferência de algeciras3 após o incidente de agadir entre a frança e a alemanha a respeito do marrocos a presidência de theodore roosevelt após a guerra hispano-americana a incorporação de porto rico e das filipinas o virtual protetorado sobre cuba coincidem com a afirmação vigorosa do poderio ianque por toda a parte da china onde os americanos advogam a política da porta aberta ao caribe à américa central onde exercem dominação exclusiva que se traduzirá nas numerosas intervenções e na secessão forçada do panamá 2005 p 8 o fortalecimento da presença norte-americana no cenário internacional provocou uma nova leitura da doutrina monroe que pode ser resumida na famosa frase a américa para os americanos apesar de enunciado em 1823 quando o país ainda não dispunha de meios para colocá-la em prática o postulado ganhou novo significado na administração de theodore roosevelt 1901-1909 de acordo com o corolário roosevelt os estados unidos poderiam ocupar militarmente os países que não pagassem regularmente suas obrigações assumindo mais do que nunca um papel de polícia em seu hemisfério aos países que mantivessem a ordem interna cumprindo normalmente suas obrigações roosevelt afirmava que não necessitavam temer qualquer tipo de intervenção citando nominalmente a argentina o brasil e o chile moniz bandeira 2009 p 68 desse modo os estados unidos se antecipariam a uma eventual movimentação de alguma potência europeia no continente americano que consideravam sua área natural de influência foi nesse contexto e no intuito de aprofundar o relacionamento com os estados unidos que o brasil abriu a sua primeira embaixada em washington no ano de 1905 cumpre ressaltar a importância de que se o conflito terminou com a assinatura do tratado de portsmouth em 1905 tendo o presidente theodore roosevelt sido o mediador das negociações razão pela qual recebeu o prêmio nobel de paz de 1906 3 o conflito também se encerrou com a mediação de roosevelt que se inclinou favoravelmente às pretensões francesas 2 9 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 9 26/10/2011 23:24:01
[close]
p. 10
joaquim nabuco embaixador revestia este fato no início do século passado se em washington havia somente sete representações desse nível alemanha Áustria-hungria frança grã-bretanha itália méxico e rússia 4 o rio de janeiro não era sede de representação diplomática alguma com tal status a atitude do governo brasileiro portanto não foi apenas um mero ato administrativo mas um sinal real de aproximação com aquele país constituindose no paradigma de nossa política externa nas décadas posteriores 1 convergências e divergências brasileiras ante o pan-americanismo assim no final do século xix as relações interamericanas começam a se redesenhar com o recrudescimento da ação intervencionista norte-americana no continente os estados unidos dispostos a consolidar a sua hegemonia deram nova roupagem à doutrina monroe sob o signo do pan-americanismo a i conferência pan-americana realizada em 1889 a guerra hispano-americana em 1898 e o corolário roosevelt à doutrina monroe são alguns dos eventos que representaram a nova postura daquele país perante a américa latina baseandose na ideologia da existência de valores origem e destino comuns ao hemisfério ocidental se os encontros continentais realizados até então não haviam gerado qualquer comprometimento formal do governo brasileiro a receptividade ao monroísmo e ao pan-americanismo propalados pelo governo norte-americano se expressara desde os tempos de d pedro i com o novo regime buscou-se formular uma visão americana própria já o manifesto republicano de 1870 afirmava a necessidade de romper o isolamento e adaptar o regime brasileiro ao sistema americano somos da américa e queremos ser americanos a nossa forma de governo é em sua essência e em sua prática antinômica e hostil ao direito e aos interesses dos estados americanos bueno 1995 p 24 4 em 1907 após o chile ter aprovado a criação de uma embaixada nos estados unidos o senado norte-americano derrogou a lei de reciprocidade diplomática causando um malestar nas relações entre ambos os países tal resolução foi reconsiderada poucos dias depois a esse respeito ver os ofícios de n 3 e 1 de 16 e 19 de janeiro 2 13 e 14 de 1º 18 e 20 de fevereiro 3 e 20 de 4 e 20 de março e 23 de 1º de abril todos de 1907 10 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 10 26/10/2011 23:24:02
[close]
p. 11
apresentação com a conferência pan-americana ainda em andamento foi proclamada a república no brasil o encontro teve lugar em washington prolongando-se por cerca de um ano a partir de outubro de 1889 bueno 2004 p 68 seus resultados imediatos foram aquém dos projetados porém a presença massiva de representantes dos governos do continente a continuidade dos encontros por um longo tempo com a hegemonia inquestionável dos estados unidos a criação da união internacional das repúblicas americanas sucedida pela organização dos estados americanos em 1948 indicam um considerável sucesso político em lançar as bases do pan-americanismo sedimentando a via para sua expansão econômica a alteração de regime político no brasil determinou uma reorientação imediata da sua política externa a delegação imperial enviada a washington levava instruções que alertavam para os passos hegemonistas do anfitrião e recusavam propostas como o arbitramento obrigatório além de expressar reservas a um evento de contornos americanos muito exclusivistas aos olhos monarquistas após o 15 de novembro o delegado brasileiro foi substituído por salvador de mendonça e o ministro de relações exteriores por quintino bocaiúva ambos signatários do manifesto republicano a nova diretriz aceitava o princípio do arbitramento obrigatório e requeria a tradução das instruções originais para o espírito americano bueno 1995 p 27-29 porém com uma mudança de regime que trazia poucas transformações estruturais a americanização da política externa republicana manteve em boa medida as premissas do império em alguns momentos se buscaria a legitimidade da nova política na continuidade em relação ao antigo regime o historiador moniz bandeira menciona a divisão geopolítica entre américa do norte e do sul que desde a fase imperial orienta a atuação da diplomacia brasileira e pauta as relações bilaterais com os estados unidos elegendo a américa do sul como sua zona de influência o brasil manteve postura semelhante em situações distintas durante os dois períodos protestou contra o bombardeio espanhol a valparaíso em 1866 reagiu à tentativa dos eua de interferir nas negociações de fronteira com o peru 1908 e ao ultimato dado ao chile pelo pagamento da dívida 1909 por outro lado tratou com indiferença a monarquia de maximiliano no méxico apoiou as intervenções norte-americanas na guerra de 1898 realizou gestões com argentina 11 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 11 26/10/2011 23:24:02
[close]
p. 12
joaquim nabuco embaixador e chile pelo reconhecimento do panamá 1903 além de silenciar-se diante da agressão à nicarágua em 1910 bandeira 2005 bueno 1995 p 150-152 o alinhamento ao pan-americanismo concretizou-se logo nos primeiros momentos da república quando se destacam dois episódios quatro anos depois da proclamação a revolta da armada desafiou o governo central contrapondo diferentes facções do novo regime representadas nas disputas entre exército e marinha pela composição do frágil poder o marechal floriano peixoto aceitou auxílio estrangeiro e o apoio da frota norte-americana foi fundamental para dissuadir a ação dos revoltosos bueno 1995 p 155-184 o outro marco de caráter mais simbólico foi a postura brasileira diante da guerra de 1898 embora oficialmente o brasil se mantivesse neutro representantes do governo e da intelectualidade registraram sua simpatia pela intervenção do aliado do norte salvador de mendonça que assumira a legação em washington declarou com apenas um mês de conflito que meu coração e simpatia estarão com o vosso nobre povo e com o porta-estandarte da américa republicana que está estendendo os postos avançados da liberdade humana até dentro das últimas trincheiras do passado 5 seu sucessor recordava alguns anos depois que foi o brasil o único país latino que teve real simpatia pelo êxito favorável aos estados unidos como a única nação do mundo que lhes vendeu navios de guerra nas vésperas do conflito bueno 1995 p 151-152 para o amazonense josé veríssimo a solidariedade com a libertação das antilhas incluía a necessidade de superar as tradições hispânicas apesar de informado sobre os eventos reconhece seu equívoco quanto à receptividade nos demais países daquilo que considerava uma ação justa quem escreve estas linhas com seu sincero amor de ver livre o pequeno povo que há vinte e cinco anos estava lutando pela sua independência uma luta atroz e desigual cometeu o grave erro de supor que as nações hispano-americanas veriam ao menos com indiferença senão com satisfação os estados unidos tomarem a parte daquela heroica população apud prado 2001 p 141 esses elementos formam o pano de fundo para a aliança não escrita durante a longa gestão do barão do rio branco a doutrina 5 cumpre registrar que o autor do discurso recebeu uma advertência superior 12 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 12 26/10/2011 23:24:02
[close]
p. 13
apresentação monroe e o pan-americanismo foram traduzidos conforme uma leitura própria da inserção do brasil no contexto internacional mais ameno em relação à europa e com um caráter multilateral no qual o papel do brasil teria destaque mesmo aceitando a precedência dos estados unidos burns 2003 p 185-200 diante do corolário roosevelt novamente a postura brasileira foi inversa à de seus vizinhos aceitando positivamente seus termos por entender que a mensagem se dirigia às pequenas e instáveis repúblicas da américa central e caribe e que o brasil estaria em situação análoga em relação a seus vizinhos a nova fase das relações interamericanas foi objeto de intensa polêmica em minoria estavam as vozes que denunciaram os riscos do alinhamento num momento ainda marcado pelo embate entre republicanos e monarquistas um foco de crítica ao pan-americanismo eram os panfletários simpáticos ao antigo regime geralmente em nome da defesa de vínculos com a europa era o caso de eduardo prado 1893 que resistia à ideia de um destino comum com os estados unidos denunciando o caráter instrumental da doutrina monroe considerando ainda uma quimera qualquer espécie de americanismo célebre pelo espírito irrequieto e alheio ao movimento monarquista o historiador e diplomata manuel de oliveira lima publicou um volume no qual criticava com sua ironia característica as bases do pan-americanismo em plena gestão rio branco e às vésperas da terceira conferência panamericana no rio de janeiro oliveira lima que acabara de servir em caracas,6 avalia com ceticismo a doutrina monroe que com suas rugas de quase um século continua a exercer a maior sedução e lembra que seu caráter unilateral a tornara inútil aos demais países do continente desde a sua proclamação no enunciado de roosevelt identificava uma expressão prática da tutela jurídica e o darwinismo aplicado às relações internacionais embora concordasse que este não ameaçava o brasil apto a aspirar a dividir com os estados unidos a `hegemonia hemisférica oliveira lima 1980 p 37 e 42 a estes pode-se agregar o pensamento de manoel bomfim precursor da sociologia brasileira com uma inovadora interpretação do brasil inserido no contexto latino6 em dezembro de 1902 à revelia da doutrina monroe navios da inglaterra alemanha e itália bombardearam portos venezuelanos em represália à moratória da dívida externa oliveira lima foi chefe da missão brasileira em caracas entre 1904 e 1906 13 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 13 26/10/2011 23:24:02
[close]
p. 14
joaquim nabuco embaixador americano que se desenvolve em uma perspectiva antielitista e contrária às explicações baseadas no racismo cientificista então em voga o sergipano analisa as dificuldades do continente a partir de suas raízes históricas apontando para o parasitismo colonial herdado pelas sociedades pós-independência partindo da defesa da educação como base de um projeto nacional avança na crítica de soluções que venham de fora ou de cima e se inspira na revolução mexicana para defender o caminho popular para as transformações as tribunas pró-monroístas eram muito mais amplas criada em 1909 a revista americana foi pioneira ao abrir espaço à produção intelectual do continente de caráter oficioso7 muitos dos colaboradores se dedicaram a analisar o monroísmo fosse do ponto de vista histórico fosse para intervir no debate político o historiador heitor lyra desenvolveu sua reflexão em ambos os sentidos e chama atenção sua tese de que d joão vi antecipando-se a monroe inaugurara uma política americanista consolidada com os primeiros atos após a independência na sua leitura a situação no período das independências se resumia à demagogia com todas as suas consequências da qual apenas estados unidos e o brasil se livravam logo a superioridade da organização política brasileira se deveria a que ao redor do trono pelas antessalas não estavam estadistas de faca e pistola cortesãos ávidos de ouro mas homens esclarecidos e sensatos homens ilustrados viajados e habituados à civilização europeia lyra 2001 p 190-192 euclides da cunha8 partilhava as ideias de distanciamento em relação aos vizinhos e de admiração pelos estados unidos mas o grande advogado do monroísmo no brasil foi joaquim nabuco liberal moderado célebre abolicionista assumiu com entusiasmo na última fase de sua vida a causa da aproximação com os estados unidos vista com reservas por oliveira lima9 o ápice de seu projeto foi alcançado entre a revista era coordenada por arthur guimarães de araújo jorge auxiliar de gabinete do barão do rio branco e tinha entre seus colaboradores grande número de diplomatas foi publicada até 1919 8 ver solidariedade sul-americana e o ideal americano em cunha euclides da contrastes e confrontos rio de janeiro record 1975 1907 disponível em
[close]
p. 15
apresentação 1905 e 1906 quando recebeu a tarefa de elevar o status da legação em washington a embaixada a primeira de um país sul-americano e se dedicou aos preparativos da iii conferência pan-americana que coroava as relações brasil-estados unidos com a vinda do secretário de estado elihu root o local do evento não por acaso foi o palácio monroe que havia sido o pavilhão do brasil na exposição universal de saint louis e desmontado trazido de volta para o rio de janeiro 2 de abolicionista a diplomata a trajetória de joaquim nabuco até washington monarquista e abolicionista joaquim nabuco se notabilizou por uma intensa atuação em prol de grandes causas pátrias moldado nesta aparente contradição lutou pelo fim da escravidão sem no entanto pretender o fim do regime que a suportava mantendo fidelidade estrita a d pedro ii nascido em 19 de agosto de 1849 no recife e contemporâneo de grandes personalidades como rui barbosa oliveira lima e domício da gama nabuco se diplomou em ciências sociais e jurídicas na faculdade de direito do recife para onde se transferiu depois de iniciar seus estudos na faculdade de direito do largo de são francisco em são paulo foi advogado jornalista no periódico a reforma onde defendeu princípios monárquicos e autor de diversas obras dentre as quais a escravidão inédita até 1988 quando foi publicada pela fundação joaquim nabuco seu primeiro cargo público em 1876 foi como adido de legação em washington capital onde quase 30 anos depois ocuparia papel de destaque como o primeiro embaixador do brasil após esta passagem pelo exterior dedicou-se ao que por muito tempo foi seu objetivo maior a luta antiescravista como parlamentar eleito pela província de pernambuco em 1878 e um dos mais importantes homens públicos do país nabuco empreendeu sua luta através de atividades parlamentares e de seus escritos organizou e instalou em sua própria residência a sociedade brasileira contra a escravidão desafiando a elite conservadora da época e contrariando seu próprio partido o liberal o que inviabilizou uma possível reeleição 15 00_joaquim nabuco embaixador_abertura.indd 15 26/10/2011 23:24:02
[close]