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cidadescriativas perspectivas ana carla fonseca reis peter kageyama orgs
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dados internacionais de catalogação na publicação cip câmara brasileira do livro sp brasil cidades criativas perspectivas ana carla fonseca reis peter kageyama orgs são paulo garimpo de soluções 2011 vários autores isbn 978-85-63303-03-5 1 cidades administração 2 cidades criativas 3 cultura 4 cultura aspectos econômicos 5 desenvolvimento sustentável 6 espaços públicos urbanos 7 planejamento urbano 8 políticas públicas i reis ana carla fonseca ii kageyama peter 11-08805 cdd-307.76 Índices para catálogo sistemático 1 cidades criativas economia criativa cultura aspectos sociais 307.76 2 cidades economia da cultura aspectos sociais 307.76
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ana carla fonseca reis peter kageyama org cidades criativas perspectivas 1ª edição em português são paulo garimpo de soluções creative cities productions 2011
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crÉditos editores garimpo de soluções creative cities productions organizadores ana carla fonseca reis peter kageyama criativos eduardo santos rafael nascimento editor eduardo santos ilustrador rafael nascimento diretora de arte andreza silviano editor eletrônico rosana tetamanti autores ana carla fonseca reis e andré urani jaime lerner jorge melguizo bill strickland peter kageyama avril joffe enrico bertacchini rolando borges martins jordi pardo jean-louis bonnin evert verhagen anamaria wills john howkins lisbeth iversen einat kalisch rotem charles chin-rong lin
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Índice prefÁcio À ediÇão em português ana carla fonseca reis prefÁcio charles landry sebrae santander são paulo turismo repense introduÇão ana carla fonseca reis cidades criativas perspectivas brasileiras ana carla fonseca reis e andré urani qualquer cidade pode ser criativa jaime lerner medellin uma cidade criativa jorge melguizo cidade criativa bill strickland cidade criativa peter kageyama reflexÕes da África do sul avril joffe da regeneraÇão urbana À cidade criativa o papel das polÍticas culturais na cidade de turim enrico bertacchini lisboa criativa rolando borges martins gestão e governanÇa nas cidades criativas jordi pardo nantes uma cidade criativa jean-louis bonnin qualidade lÍquida de cidade evert verhagen cidades criativas construindo sobre o que jÁ aprendemos anamaria wills ecologias criativas john howkins desenvolvimento urbano clima e meio ambiente como vantagens competitivas lisbeth iversen o espaÇo público na cidade criativa einat kalisch rotem cidades criativas e governanÇa urbana a histÓria de duas cidades em taiwan charles chin-rong lin micro e pequenas empresas no cenÁrio brasileiro desafios e oportunidades ana carla fonseca reis posfÁcio peter kageyama 6 7 16 17 18 22 24 30 38 44 50 54 60 70 78 84 94 106 116 124 130 138 150 162 170
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prefÁcio À ediÇão em português ana carla fonseca reis este livro começou a passar de sonho a realidade em fins de 2009 como generosa contribuição voluntária de 18 dos mais empenhados estudiosos e praticantes das cidades criativas sua motivação conjunta era apresentar perspectivas distintas acerca de um conceito ainda em formação apaixonante e promissor para o futuro de nossas cidades a iniciativa da garimpo de soluções que concebeu organizou e co-editou voluntariamente a obra logo foi respaldada também pela contribuição da repense agência de criatividade que entre outras iniciativas inseriu a temática em sua rede de repensadores quando creative city perspectives veio à luz embalada pelos fogos do réveillon de 2009 começamos a receber telefonemas e mails de profissionais e estudantes das mais diversas áreas ávidos pelo lançamento da versão em português foi para atender a esses pedidos e a outros latentes que editamos agora cidades criativas perspectivas obra acrescida de alguns capítulos e nas versões digital e impressa o momento não poderia ser mais oportuno nos últimos poucos anos as cidades têm motivado debates e engendrado soluções para obstáculos que antes pareciam intransponíveis ao longo do último ano em especial surgiram projetos e programas de envergadura e pioneirismo como criaticidades cidades criativas do brasil voltado ao reconhecimento das singularidades criativas dos pequenos municípios brasileiros e dos bairros das cidades de maior porte que chegará ao público a partir do final de 2011 realizar esta edição porém exigiu a busca de parceiros que estivessem sintonizados na mesma frequência de criatividade que o livro trazia foi assim que tivemos o privilégio de obter a participação do santander banco que vem se destacando pelo envolvimento com projetos como empreendedores criativos e chamada criativa o patrocínio do sebrae que há anos atua com um termo de referência voltado à economia criativa em termos nacionais e estaduais e a parceria da são paulo turismo spturis que tem por tradição realizar e apoiar as mais emblemáticas realizações criativas da cidade de são paulo com pioneirismo e excelência este trabalho coletivo por definição espera despertar em cada leitor uma perspectiva mais criativa sobre sua cidade por nascimento ou opção de vida trabalho e amor boa leitura 6
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prefÁcio cidade criativa a histÓria de um conceito charles landry a criatividade é um frenesi todo mundo participa do jogo criativo a criatividade se tornou um mantra de nossa era dotada quase exclusivamente de virtudes cidades regiões e nações se declaram criativas da última vez que contei chegavam a cem isso foi há duas décadas hoje podemos falar de um movimento criativo e até mesmo de um movimento de cidade criativa mas nos idos do final dos anos 1980 quando foram desenvolvidas muitas das ideias propulsoras desse fenômeno os termos discutidos eram cultura artes planejamento cultural recursos culturais indústrias culturais neste prefácio ao sumarizar alguns momentos dessa história haverá passagens um pouco biográficas espero que não soe muito autocentrado mas por ter escrito o livro the creative city a cidade criativa estou inevitavelmente envolvido na história as ideias sempre são nutridas pela colaboração e pelo trabalho dos outros evolução da trajetória um elemento essencial do que se tornou a trajetória de cidade criativa a partir do início dos anos 1980 foi o esforço da comunidade artística para justificar seu valor econômico isso eclodiu nos estados unidos e em seguida no reino unido e na austrália tendo se espalhado pela europa e além nos anos 1990 a gama de estudos de impacto econômico teve grande influência nesses documentos ressaltava-se a importância da criatividade dos artistas para a cidade e a economia em paralelo desde o início dos anos 1970 a unesco e o conselho da europa começaram a pesquisar as indústrias culturais em geral no que diz respeito às cidades criativas foi nick garnham professor de comunicações na universidade de westminster quem emprestado para o conselho da grande londres greater london council em 1983/4 criou uma unidade de indústrias culturais e as inseriu na agenda da política urbana trabalhando muito próximo a ele minha empresa comedia participou de vários estudos que salientavam o poder e o potencial do setor no mundo em mudanças em cidades tão diferentes como londres manchester birmingham edimburgo e depois na europa e alhures por volta do mesmo período mas menos conhecido no mundo anglófono surgiu o trabalho de gunnar törnqvist e do economista regional Åke andersson eles abordaram o contexto do conhecimento da criatividade e do desenvolvimento regional e chamaram a atenção para o papel do ambiente criativo em 1983 törnqvist cunhou o conceito ambiente criativo formado por quatro traços informação transmitida entre pessoas conhecimento baseado em parte no estoque de informação competência em certas atividades relevantes e criatividade a criação de algo novo como resultado das três outras atividades 7
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prefÁcio cidade criativa a histÓria de um conceito charles landry em 1985 Åke andersson publicou um documento importante sobre criatividade e desenvolvimento urbano usando essa proposta e tendo estocolmo como estudo de caso em 1988 ocorreram duas conferências internacionais importantes a primeira foi organizada pela associação de artes anglo-americana em glasgow intitulada artes e a cidade em transformação uma agenda de regeneração urbana e a segunda em melbourne recebeu o nome de cidade criativa tendo por foco discutir como as artes e a cultura poderiam ser mais bem integradas no processo de planejamento para o desenvolvimento da cidade então em 1989 escrevi uma das primeiras estratégias de criatividade urbana chamada glasgow a cidade criativa e sua economia criativa ela enfocava tanto a cidade como organismo criativo quanto como um ambiente para o desenvolvimento dos setores criativos a exemplo de design e música mais tarde em 1991 publiquei uma estratégia semelhante para barcelona em 1994 paul keating primeiro-ministro da austrália lançou uma política cultural de nação criativa enfatizando a abertura do país para o mundo e seu orgulho por ter um tecido multicultural a cultura era reconhecida como um recurso identitário e econômico essa foi a primeira vez em que um país deu esse foco à sua agenda em 1994 comedia em colaboração com o professor klaus kunzmann de dortmund organizou um encontro em glasgow reunindo cinco cidades alemãs e cinco cidades britânicas colônia dresden unna essen karlsruhe e bristol glasgow huddersfield leicester e milton keynes para debater a criatividade urbana o time de kunzmann já tinha explorado os temas criativos em seu trabalho na alemanha especialmente acerca de como as cidades podem se tornar mais sistematicamente criativas isso resultou no estudo a cidade criativa na grã-bretanha e na alemanha e em 1995 em um livreto chamado the creative city a cidade criativa que escrevi em parceria com franco bianchini ambas as publicações ampliaram a noção de cidade criativa para além de seu foco em atividades artísticas ou em economia criativa foram trazidos à baila temas como a dinâmica organizacional para fomentar a criatividade o que é um ambiente criativo e como estimulá-lo ou ainda o papel da história e da tradição na criatividade depois disso participei de várias estratégias de cidades ou regiões criativas em lugares tão diversos como liverpool cracóvia johannesburgo ou adelaide outro momento importante ao longo dessa trajetória contínua foi o lançamento em 1999 do livro all our futures creativity culture and education todos os nossos futuros criatividade cultura e educação de ken robinson 8
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ele nos fez lembrar que nosso sistema educacional é responsável em grande medida por quão criativos nós nos tornamos teve um impacto forte assim como suas publicações subsequentes a exemplo de out of our minds learning to be creative doidos aprendendo a sermos criativos em 2001 meu livro mais robusto the creative city a toolkit for urban innovators a cidade criativa um kit para inovadores urbanos foi publicado em 2000 e pareceu atingir um ponto nevrálgico em uma sentença dizia quando o mundo está mudando dramaticamente precisamos repensar o papel das cidades e de seus recursos e como o planejamento funciona por meio de exemplos de todo o mundo ele descrevia a evolução de um novo mundo urbano baseado em princípios distintos dos que funcionavam nas cidades industriais ele contrastava o paradigma urbano de engenharia de desenvolvimento urbano focado no hardware ao fazer criativo tendo por base como o entendimento do software da cidade nos ajudaria a reconstruí-la esse conceito foi elaborado em the art of city making a arte de construir a cidade em 2006 o livro the creative economy a economia criativa de john howkins foi lançado em 2001 enfocando as novas fontes de criação de valor e como as pessoas conseguem ganhar dinheiro com ideias john deu continuidade a esse trabalho em seu livro creative ecologies where thinking is a proper job ecologias criativas onde pensar é um trabalho adequado em 2009 já the rise of the creative class a ascensão da classe criativa de richard florida saiu em 2002 ele descreve uma nova classe de trabalhadores do conhecimento que estão liderando a criação de riqueza nas cidades e afirma que para serem bem-sucedidas as cidades precisam atrair esse grupo ele enfatiza ainda o ambiente desses lugares onde artes bom design cafés cultura e acesso a parques têm um papel lembra aos tomadores de decisão que as cidades precisam criar um clima para as pessoas assim como um clima para as empresas cidades de todo o mundo disputam a atratividade desse talento móvel richard deu continuidade a isso em outros livros como who s your city quem é sua cidade cujo subtítulo how the creative economy is making where to live the most important decision of your life como a economia criativa está fazendo da decisão de onde morar a mais importante de sua vida descreve o conteúdo com competência cada um desses livros tem um foco diferente mas juntos eles tiveram um impacto em como as cidades poderiam progredir com uma ênfase crescente em fatores soft que fazem as cidades funcionarem desde então o interesse por cidades regiões e espaços criativos deu um salto na europa nas américas na Ásia e na austrália É difícil ir a um país que não tenha algum tipo de estratégia de cidade criativa ideias centrais muitos dos temas que esses autores e outros ativistas cobriram estavam envoltos em algumas percepções como o mundo está saindo rapidamente da era 9
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prefÁcio cidade criativa a histÓria de um conceito charles landry industrial qual será sua forma futura e qual será o papel das cidades então qual é a essência da competitividade há uma nova economia emergindo como ela é e quais são as fontes de sua criação de riqueza qual é o papel da cultura na regeneração urbana serão os artistas e as indústrias criativas os maiores catalisadores da transformação dos lugares em mais criativos que papel os velhos edifícios industriais convertidos em incubadoras das novas indústrias podem desempenhar na regeneração inicialmente o conceito de cidade criativa foi considerado o de um lugar onde os artistas desempenhavam um papel central e onde a imaginação definia os traços e o espírito da cidade ao longo do tempo as indústrias criativas do design à música das artes do espetáculo às visuais ocuparam o centro da cena dos debates por seu papel como eixo econômico criador de identidade urbana ou fator de geração de turismo e imagem em seguida a presença de uma grande classe criativa que inclui as acima citadas assim como a comunidade de pesquisa e os nômades do conhecimento foi vista como um indicador básico de cidade criativa ao mesmo tempo meu próprio entendimento era de que uma cidade criativa deve ser criativa por completo de modo transversal a todos os campos muito além das indústrias criativas ou da presença de uma classe criativa minha lógica tem sido que os outros setores ou grupos como a classe criativa só podem florescer quando a administração pública é imaginativa onde há inovações sociais onde a criatividade existe em áreas como saúde serviços sociais e mesmo política e governança em suma só podem se desenvolver se houver uma ecologia criativa um tema que john howkins destrincha em seu capítulo neste livro isso significa que criativos não são apenas os artistas os profissionais das novas mídias ou design ou os pesquisadores das universidades a questão central é quais são os atributos que os artistas a economia criativa ou a classe criativa podem trazer para formar uma cidade mais criativa qualquer pessoa é criativa em princípio embora nem todos sejam igualmente criativos e todos possam ser mais criativos do que são o mesmo se aplica às empresas vizinhanças e cidades alguns aspectos da criatividade podem ser aprendidos mesmo assim muitas pessoas têm tendências ou modos automáticos de pensar algumas florescem em um contexto mais aberto outras o acham ameaçador ou desestabilizador de modo geral pode-se concluir que mais pessoas e empresas preferem a zona de conforto daquilo que já foi tentado e testado do conhecido e aparentemente comprovado 10
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há debates acalorados acerca dessas colocações mesmo assim ao longo do tempo foi surgindo um repertório nas cidades ele inclui características como na visão estratégica da maioria das cidades é importante desenvolver setores da economia criativa novos equipamentos icônicos podem ajudar as cidades a entrar na tela do radar e eventualmente podem ajudar a gerar orgulho cívico atrair nômades do conhecimento e a comunidade de pesquisa é vital reutilizar antigos edifícios para as atividades da nova economia normalmente cria uma atmosfera viva e misturar o novo e o antigo geralmente faz diferença é importante mudar o olhar sobre o ambiente físico das cidades para criar espaços para a socialização e o convívio estimulando assim um ambiente criativo isso conta embora cada vez mais os que desenham as políticas também estejam olhando para seu ambiente urbano completo como um sistema criativo unindo criatividade e inovação paralelamente a essas discussões sobre criatividade como qual é sua essência quem é criativo onde está a criatividade houve debates intensos nas empresas com relação à necessidade de inovação e à sua essência esses debates não foram suficientemente transversais no campo da inovação o foco tem sido sobre passar de um estágio de competitividade baseado em investimento no qual o desempenho competitivo depende da capacidade de produzir bens e serviços padronizados para um estágio de competitividade baseado em inovação neste o desempenho competitivo depende da capacidade de produzir bens e serviços inovadores de fronteira tecnológica de modo eficiente e sustentável em suma é preciso criar inovações as pautas de criatividade e inovação estão ligadas a precondição para ser criativo é estimular as pessoas a serem curiosas com curiosidade é possível desencadear a imaginação e com esses atributos é possível ser criativo nesse substrato novas ideias processos tecnologias produtos e serviços podem ser inventados se as invenções forem aplicadas elas se tornarão inovações a essência da criatividade é uma engenhosidade multifacetada e a habilidade de avaliar e encontrar soluções para circunstâncias ou problemas inesperados inusitados e desafiadores também é um processo de descobrir e possibilitar que o potencial se concretize É imaginação aplicada usando qualidades como inteligência inventividade e aprendizado ao longo do tempo isso significa que a criatividade pode se manifestar em qualquer campo do social ao político do organizacional ao cultural do tecnológico ao econômico ela requer uma atitude de abertura flexibilidade e habilidade para pensar de modo transversal às disciplinas e aos limites portanto a criatividade é genérica é um modo de pensar e uma mentalidade que se torna uma capacidade ou aptidão para resolver problemas e criar oportunidades ao mesmo tempo é específica e é voltada a ações a aplicações em campos específicos 11
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prefÁcio cidade criativa a histÓria de um conceito charles landry por que essa criatividade acontece e por que é importante há um risco de que o conceito de cidade criativa ou de cidade-região esteja sendo esvaziado e se tornando um mero slogan e quanto à economia criativa e à classe criativa parece que tudo precisa do prefixo criativo algum de nós sugeriria que houvesse mais educação não criativa uma economia não criativa e mais pessoas da classe não criativa criatividade e a economia em transformação muitas reflexões resultaram do reconhecimento crescente a partir do final da década de 1980 de que o mundo estava se transfomando rapidamente a partir da década de 1970 as indústrias dos países desenvolvidos já tinham tido de se reestruturar esse movimento levou um tempo para se desenrolar em termos globais de comércio movido pelas novas tecnologias de informação o valor agregado é gerado pelas ideias que se transformam em inovações invenções e direitos autorais isso agitou muitos países e cidades conforme buscavam novas respostas para criar um propósito para si mesmos e empregos enquanto suas cidades estavam fisicamente presas ao passado isso levou à busca da essência em diferentes níveis e muitos concluíram que o velho modo de agir não funcionava bem o suficiente a educação não parecia preparar os estudantes para as demandas do novo mundo organização gestão e liderança que com seu etos de controle e foco hierárquico não oferecia flexibilidade adaptabilidade e resiliência para lidar com um ambiente competitivo emergente cidades com ar e aparência da era industrial e nas quais a qualidade do design era vista como um acessório não eram consideradas suficientemente atraentes ou competitivas lidar com essas mudanças requeria uma reavaliação dos recursos e potenciais das cidades e um processo de reinvenção em todas as frentes ser criativo portanto parecia ser a resposta e a busca da criatividade ocorreu em todos os setores primeiro o sistema de educação com seu currículo mais do que rígido e sua tendência de aprender decorando não preparava suficientemente bem os jovens aos quais se pedia que estudassem mais assuntos mas talvez os entendessem menos os críticos dizem que os estudantes deveriam adquirir qualificações mais elevadas tais como aprender a aprender criar descobrir inovar resolver problemas e se autoavaliar isso desencadearia e ativaria gamas mais amplas de inteligências estimularia abertura 12
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exploração e adaptabilidade e possibilitaria a transferência de tecnologia entre contextos diferentes conforme os estudantes aprendessem como entender a essência dos debates ao invés de recordá-los fora de seu contexto em segundo lugar o aproveitamento cada vez maior da motivação do talento e das habilidades não ocorreria em estruturas organizacionais de cima para baixo pessoas interessantes não raro diferentes não se predispunham a trabalhar em estruturas tradicionais isso levou a novas formas de gestão e governança com nomes como gestão matricial ou democracia de stakeholders cujo propósito era liberar a criatividade e gerar mais realizações o impulso para as inovações requeria ambientes de trabalho nos quais as pessoas queriam compartilhar e colaborar obtendo vantagens mútuas os movimentos de código aberto e de co-criação são indicações dessa mudança cada vez mais entra em jogo a noção de um ambiente criativo este é um contexto urbano no qual as pessoas são estimuladas a participar comunicar e compartilhar a cidade criativa e a construção de uma visão partindo de seus primórdios tendo por mote as artes e as indústrias criativas a ideia de uma cidade criativa se transformou rapidamente no início da década de 1990 para se tornar uma visão aspiracional e de empoderamento da cidade como bill strickland enfatiza em seu artigo a cidade criativa é portanto uma mensagem clara para estimular a abertura mental a imaginação e a participação pública isso tem um impacto enorme na cultura organizacional a filosofia é que sempre há mais potencial em todo lugar do que qualquer um de nós pensaria à primeira vista embora pouquíssimas cidades talvez londres nova iorque ou amsterdã sejam criativas de modo mais integral ela pressupõe que sejam criadas condições para que as pessoas pensem planejem e ajam com imaginação para estimular oportunidades ou resolver problemas urbanos aparentemente incuráveis estes podem variar de lidar com os sem-teto a criar riqueza ou melhorar o ambiente visual isso significa que tanto as cidades grandes quanto as pequenas podem ser criativas cidade criativa é portanto um conceito positivo o pressuposto é que pessoas comuns podem fazer o extraordinário acontecer se lhes for dada uma chance a criatividade necessária depende do contexto no século xix a criatividade urbana necessária tinha por foco temas como saúde pública no início do século xxi está mais voltada a encontrar soluções criativas para questões como a mudança climática ou modos inventivos para o convívio das pessoas isso requer explorar a criatividade de múltiplas fontes incluindo qualquer pessoa que resolva problemas de modo inventivo seja um assistente social um executivo um cientista um funcionário público ou um web designer uma cidade criativa estimula a inserção de uma cultura de criatividade no modo como se participa da cidade ao incentivar a criatividade e legitimar o uso da imaginação nas esferas pública privada e da sociedade civil amplia-se o conjunto 13
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prefÁcio cidade criativa a histÓria de um conceito charles landry de ideias de soluções potenciais para qualquer problema urbano esse é o pensamento divergente que gera múltiplas opções e deve ser alinhado ao pensamento convergente que fecha as possibilidades a partir das quais as inovações urbanas que se mostraram viáveis podem emergir uma cidade criativa demanda infraestruturas que vão além do hardware edifícios ruas ou saneamento uma infraestrutura criativa é uma combinação de hard e soft incluindo a infraestrutura mental o modo como a cidade lida com oportunidades e problemas as condições ambientais que ela cria para gerar um ambiente e os dispositivos que fomenta para isso por meio de incentivos e estruturas regulatórias para ser criativa a infraestrutura soft da cidade precisa incluir força de trabalho altamente capacitada e flexível pensadores criadores e implementadores dinâmicos já que a criatividade não se refere apenas a ter ideias infraestrutura intelectual ampla formal e informal mesmo assim muitas universidades que parecem fábricas com linhas de produção não ajudam ser capaz de dar vazão a personalidades diferentes comunicação e redes fortes internamente e com o mundo exterior bem como uma cultura geral de empreendedorismo seja com fins sociais ou econômicos uma cidade criativa procura identificar nutrir atrair e manter talentos de modo a conseguir mobilizar ideias talentos e empresas criativas que mantenham os jovens e os profissionais ser uma pessoa ou empresa criativa é relativamente fácil mas ser uma cidade criativa é diferente tendo em vista as culturas e os interesses envolvidos as características desses espaços tendem a incluir tomada de riscos calculados liderança ampla sensação de ter uma direção ser determinado mas não determinista tendo a força para ir além do ciclo político e fundamentalmente ter princípios estratégicos e táticas flexíveis para maximizar isso é necessária uma mudança de mentalidade de percepção de ambição e de vontade para ser criativa a cidade requer milhares de mudanças de mentalidade criando as condições para que as pessoas possam se tornar agentes de mudança ao invés de vítimas dela vendo a transformação como uma experiência vivenciada não como um evento que não irá se repetir esse ambiente construído o palco o cenário o recipiente é crucial para criar um ambiente ele oferece as precondições físicas ou a plataforma sobre a qual a base de atividades ou o ambiente de trabalho pode se desenvolver esse ambiente criativo contém os requisitos necessários em termos de infraestruturas hard e soft para gerar um fluxo de ideias e invenções 14
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um ambiente pode ser um prédio uma rua ou um espaço como a truman s brewery em brick lane rundle street east em adelaide queen street em toronto ou ainda o soho em nova iorque recursos da cidade criativa para aproveitar ao máximo a criatividade precisamos considerar seus recursos de modo mais amplo e nos basear na história dos lugares e na evolução de sua cultura levar a cultura em consideração nos ajuda a entender de onde um lugar vem por que ele está como está e como pode criar seu futuro por meio de seu potencial esses recursos culturais são a matéria-prima da cidade e sua base de valores seus ativos substituindo o carvão o aço ou o ouro criatividade é o método para explorar esses recursos e ajudá-los a crescer a tarefa que os urbanistas têm é de reconhecer administrar e explorar esses recursos de modo responsável a cultura deveria moldar as características técnicas do planejamento e do desenvolvimento urbanos ao invés de ser vista como um acessório marginal a ser considerado uma vez que as questões importantes de planejamento como habitação transporte ou ocupação do solo estiverem resolvidas sendo assim uma perspectiva que considera a cultura deveria condicionar como a cidade se pensa e uma visão de futuro essa visão deveria afetar o planejamento urbano bem como o desenvolvimento econômico e as questões sociais esse foco leva a atenção para o que é diferente único e especial em um lugar esses recursos únicos estão embutidos na inventividade nas habilidades e nos talentos das pessoas eles não são apenas coisas como edifícios mas também são motivações símbolos atividades e o repertório do conhecimento local inserido em artesanato produtos serviços e pesquisa os recursos culturais urbanos incluem o patrimônio histórico industrial e artístico bem como paisagens e marcos urbanos também incluem tradições locais de vida pública festivais rituais ou histórias além de hobbies entusiasmo e a capacidade de falar línguas estrangeiras comida e cozinha atividades de lazer subculturas ou tradições intelectuais e claro recursos culturais são a gama e os tipos de habilidades nas artes visuais e do espetáculo e nas indústrias criativas visto desse modo é claro que a cidade criativa precisa ser considerada de modo holístico e interconectado uma cidade criativa é mais um processo do que um plano é dinâmica não estática 15
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