Seleções em Folha Ano 02 número 02

 

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Fanzine de Haicai

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número atrasado 3 selos de r 0,22 seleÇÕes em folha ano 2 nº 02 «««»»» 10.02.98 a fina palavra exata procuro no som grosso de meu passo depois ei-lo estendido na superfície da folha quieto como um animal compreensivo assinatura até 12.98 12 selos de r 0,22 não caberei aqui ­ diz-me douda sorrindo ­ vou romper-te afinal colete de procusto infla o colo e depois torce o quadril robusto e estorce em demasia um braço airoso e lindo nessas lutas paciente esqueço um tempo infindo sem a loucura que é o homem mais que a besta sadia cadáver adiado que procria fernando pessoa 1888/1935 pelo estreito vestuário em que seu talhe ajusto ora apertando um laço ora outro desunindo faço passar por fim cabeça espádua e busto sob as dobras da veste os contornos agora desenhemos com arte e a forma se avigora vêde a roupa flutua e a beleza se acusa estará bem ou mal nesses traços serenos ­ nada ao corpo de mais nem na alma de menos ­ tu és o louco da imortal loucura o louco da loucura mais suprema a terra é sempre a tua negra algema prende-te nela a extrema desventura mas essa mesma algema de amargura mas essa mesma desventura extrema faz com que tua alma suplicando gema yo sueño que estoy aquí destas prisiones cargado y soñe que en outro estado más linsonjero me ví ¿qué es la vida un frenesí ¿qué es la vida una ilusión una sombra una ficción y el mayor bien es pequeño que toda la vida es un sueño y lo sueños sueños son la vida es sueño monólogo de segismundo pedro calderón de la barca eu sonho que estou aqui de correntes carregado e sonhei que noutro estado mais lisonjeiro me vi que é a vida um frenesi que é a vida uma ilusão uma sombra uma ficção o maior bem é tristonho porque toda vida é sonho e o sonhos sonhos são a vida É um sonho calderón de la barca 1600/1681 tradução renata pallottini para um coração vazio ó aquele murmúrio chora não sei que mal meu coração cansado um desengano ­ qual É sem causa este mal É a maior dor ­ dói tanto ­ não se saber porquê sem ódio ou amor no entanto o coração dói tanto arieta paul marie verlaine 1844/1896 trad guilherme de andrade e almeida 1890/1969 aliso o seu pêlo duro ­ escrevo o poema no escuro e do que foi sede no corpo e na garganta secura ele surge água pura poética ­ i eunice arruda e rebente em estrelas de ternura tu és o poeta o grande assinalado que povoas o mundo despovoado de riquezas eternas pouco e pouco na natureza prodigiosa e rica toda a audácia dos nervos justifica os teus espasmos imortais de louco o assinalado gosto assim da mulher a assim desejo a musa josephin soulary 1815/1891 trad Álvaro reis cuando trago mis cinco años en un cofre ya viejo ¡y salta de la caja un niño rubio con traje azul de marinero con qué fruición me miro en esa hoja muerta y bajo por el tronco y a las raíces llego el ayer fernando nebel não trago mensagem na voz quando escrevo é a vida que exercito para que tudo o que exista em mim fique escrito por isso não trago mensagem na voz É missão de quem escreve apenas eternizar o que foi breve da finalidade do trabalho ­ ¿qué es poesía dices mientras clavas en mi pupila tu pupila azul ¿qué es poesía ¿y tú me lo preguntas poesía eres tú gustavo adolfo bécquer 1836/1870 o coração é o colibri dourado das veigas puras do jardim do céu um ­ tem o mel da granadilha agreste bebe os perfumes que a bonina deu o outro ­ voa em mais virentes balsas pousa de um riso na rubente flor vive do mel ­ a que se chama ­ crenças ­ vive do aroma ­ que se diz ­ amor ­ recife 1865 o coração antônio de castro alves joão da cruz e souza 1863/1898 para esquecer esta dor ­ transformá-la em poesia para eternizar esta dor ­ transformá-la em poesia hora poética eunice arruda sueña el rey que es rey y vive con este engaño mandando disponiendo y gobernando y este aplauso que recibe prestado en el viento escribe y en cenizas le convierte la muerte ¡desdicha fuerte ¿qué hay quien intente reinar viendo que ha de despertar en el sueño de la muerte sueña el rico en su riqueza que más cuidados le oferece sueña el pobre que padece su miseria y su pobreza sueña el que a medrar empieza sueña el que afana y pretende sueña el que agravia y ofende y en el mundo en conclusión todos sueñan lo que son aunque ninguno lo entiende sonha o rei que é rei e segue com esse engano mandando resolvendo e governando e os aplausos que recebe vazios no vento escreve e em cinzas a sua sorte a morte talha de um corte e há quem queira reinar vendo que há de despertar no negro sonho da morte sonha o rico sua riqueza que trabalhos lhe oferece sonha o pobre que padece sua miséria e pobreza sonha o que o triunfo preza sonha o que luta e pretende sonha o que agrava e ofende e no mundo em conclusão todos sonham o que são no entanto ninguém entende que é a poesia uma ilha cercada de palavras por todos os lados que é o poeta um homem que trabalha o poema com o suor do seu rosto um homem que tem fome como qualquer outro homem poética cassiano ricardo leite 1895/1974 ¿mar desde el huerto huerto desde el mar ¿ir con el que pasa cantando oírlo desde lejos cantar el nostalgico juan ramon gimenez eunice arruda lo que yo te veo cíelo eso es el misterio lo que está de tu otro lado soy yo aquí soñando nube juan ramon jimenez 1881/1958 encontro o poema no descompasso chora não sei que mal como chove na rua que lânguida emoção me invade o coração ó frio murmúrio nas telhas e no chão taller de haiku grupo seibu profesora liria miyakawa asociación japonesa seibu haijins argentinos seleçào de maria haydee aguilar campos mendonza 270 ­ morón 1708 buenos aires argentina fones 585-2022 ­ 666-2402 gatos y mosca dibujan en el aire linternas mágicas lía miersch calles mojadas naranjo seco me acompañan la luna nevado de azahares y algunas ranas luna piadosa liria miyakawa liria miyakawa en el rincón florece la ceniza la espada duerme manuel asorey nogal y noche a la luna desnuda visten de encaje maría celia c de casanova el aire limpio trocitos de colores las mariposas maria haydee aguilar campos barre la escoba mi larga vida resplandores de polvo una soga sobada despojos de ocio tientos y trenzas mónica viviana asorey rómulo cartagénova fría laguna anunciando primaveras solemne tero susana de luna kidais de segunda-feira mancha na parede se mexe cinza mariposa carlos roque barbosa de jesus verÃo um trovão estronda ­ e os trovõezinhos ecoam na selva em redor nenpuku sato 1898/1979 num canto a cigarra canta triste ao ver na terra formigas em farra nilton manoel de andrade teixeira ipÊs em folha no rio tranqüilo indiferente ao mormaço o barco desliza alba christina campos netto dia da mulher o mês de março parece ficar mais bonito humberto del maestro calor de verão vou de sorvete de coco para refrescar joão batista serra nem se importa o povo se faz chuva se faz sol tudo é carnaval leonardo cezário dos santos kigos para os três haicais a serem enviados até o dia 10.03.98 dia do carteiro escola de samba traça até o dia 10.04.98 arapuca dia da poesia girassol fazer um haicai é como tirar uma foto ou filmar vemos o kigo focalizamos sentimos o que estamos vendo fotografamos ou filmamos e escrevemos revelamos compondo assim um haicai com kidai ou seja haicai com tema da estação por conter como assunto principal o kigo o haicai deve ser narrado no instante da ocorrência e à vista do kigo termo de estação com 5-7-5 sílabas poéticas sons em cada um dos respectivos três versos com sutilezas que o leitor perceberá por si mesmo sem a aparente explicação do autor cartão de natal entre mil papéis antigos lágrimas nos olhos humberto del maestro leve movimento rompe o mormaço da tarde pernilongo toca sua música irritante alguém bate palma joão elias dos santos a bota vermelha recheada de cartões fartura de amigos darly a de oliveira barros baú de lembranças guarda um cartão de natal do primeiro amor hermoclydes siqueira franco crianças chorando entre fraldas desfraldadas dia da mulher cecy tupinambá ulhôa ri o pobre casal ­ uma taça de sorvete mas duas colheres clície maria angélica pontes vendendo sorvete cansado sob o mormaço garoto resiste alba christina campos netto brisa que passeia maria de jesus baptista de mello chuva de verão de meus olhos rolam lágrimas dia de mormaço somente as cigarras cantam lembranças molhadas olíria alvarenga noite olhos acesos o jacaré treme ante a lanterna dos homens roberto hissashi saito dia da mulher liberdade ­ grito ardente bandeiras hasteadas rogério marques na foto eu menino de repente em minha boca gosto de sorvete sérgio bernardo rosas presentes comemorando seu dia a mulher sorri sergio de jesus luizato pousa em minha mão um bichinho colorido joaninha faceira sueli teixeira chega o carnaval juntam-se reis e plebeus samba e fantasia thereza costa val sol a sol trabalha trabalha trabalha trabalha no verão ocioso armindo dos santos teodósio cartolina e cores crianças capricham letras cartões de natal mariemy tokumu céu todo encoberto um mormaço envolve a tarde uma rosa aberta cai a chuva de verão rosa desfolhada djalda winter santos guarda-chuva azul corre aflito atrás do bloco criança quer carnaval douglas eden brotto lar esposo filhos e o dia em doce rotina dia da mulher edmar japiassú maia que canto punjente ­ cigarra apronta algazarra à morte inclemente 44 fernando lopes de almeida soares sorvete escorrendo à terra com fome e sede guri com inveja leonilda hilgenberg justus mormaço um cochilo do sol na rede macia de uma nuvem branca darly a de oliveira barros cartões de natal correios abarrotados de frases impressas renata paccola frischkorn na noite inquieta pernilongos seresteiros hinário da insônia fernando vasconcelos tristonha e cansada humberto del maestro na pele dourada mormaço faz seu caminho na bochecha rosa pernilongo finca agulha uma luz se acende mariemy tokumu noite de verão sinfonia inacabada som de pernilongo ercy maria marques de faria ensaiam batuque as panelas e os baldes carnaval em chuva luís koshitiro tokutake cigarra extravasa entre contínuos gemidos sua curta passagem m u moncam com graça e grandeza sob o estandarte de momo desfilam brasis 23 maria de jesus baptista de mello manoel fernandes menendez praça marechal deodoro 439 apto 132 01150-011 são paulo sp 1 preencher os três haicais de cada seleção conforme seus respectivos kigos em uma única ½ folha de papel carta ou ofício escrever o nome e o endereço e assinar enviá-la normalmente pelo correio com nome e endereço do remetente até o dia 10 do respectivo mês os haicais não precisam ter necessariamente cada um dos três kigos do mês isto é pode-se repetir ou não cada um deles nos três haicais 2 posteriormente o haicaísta receberá devidamente numerada a relação dos haicais desse mesmo mês sujeita a possíveis falhas no texto e sem a devida correção em tempo hábil afim de selecionar 10 deles 3 o haicaísta se compromete a enviar numa folha até o último dia do mesmo mês o resultado dessa sua seleção a folha conterá respectivamente o nome do haicaísta selecionador em cima e à direita papel e em seguida um abaixo do outro o número e o texto de cada haicai assim escolhido sob pena de não o fazendo perder os votos que venha a receber os haicais de sua autoria escusado dizer-se que na seleção não se escolherá haicais de própria lavra 4 o resultado somatório de todos os votos assim enviados será dado por volta do dia 10 do mês seguinte tomotsugo muramatsu não se trata de forçar a inclusão do kigo mas permitir que o sentido do kigo esteja em sintonia com a emoção kigo é simplesmente a interação do poeta com a natureza permitindo que ela se torne parte de nós quando mergulhamos no interior dessa natureza percebemos que algo nos deixa felizes essa felicidade deve ser cantada no haicai gotas de suor maria de jesus baptista de mello em noite de insônia monótona serenata canta o pernilongo maria reginato labruciano as nuvens espessas escondendo o sol ardente trazem o mormaço heloísa sauerbronn brandão o mormaço impera nos ares que em vão esperam ventos que morreram luis koshitiro tokutake rede na varanda mormaço no meio da tarde cartão de natal carteiros esbaforidos entregam desejos fernando vasconcelos do calor do asfalto eleva-se uma miragem mormaço na estrada maria reginato labruciano chuva de verão repentina e ritmada morse no telhado fernando vasconcelos suave perfume invade toda a sala na jarra uma rosa helvécio durso dois meses apenas e a samambaia na sala tornou-se mais linda hermoclydes siqueira franco um tanque-de-guerra pulgões com medo,se agrupam uma joaninha maria reginato labruciano serviço que espere sergio de jesus luizato nem vento nem brisa sombra e silêncio na tarde intrusos famintos os pernilongos voejam eu sou o banquete darly a de oliveira barros mormaço nos ares de repente me refresco ­ mini-saia à vista m u moncam solo de violino fere o silêncio da noite pernilongo chato armindo dos santos teodósio cartão de natal testemunho de amizade que linda mensagem albertina canedo gomes dos santos passista sambando paetês e plumas brancas anjo decaído maurício robe barbosa rosa rosas amorosas olorosas nelson brotto À beira do rio rede sob a sombra da árvore ­ tempo de mormaço maria madalena ferreira pernilongos entram pelas janelas abertas batalha noturna edelice edna costa de carvalho suaviza o mormaço heloísa sauerbronn brandão tempo nublado nenhum movimento de ar ­ dia da mulher yara shimada brotto só este mormaço douglas eden brotto

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nÃo estÁ ouvindo os cachorros latirem juan rulfo tradução eliane zagury ­ você que vai aí em cima ignacio diga se não esta ouvindo algum sinal de alguma coisa ou se não está vendo alguma luz em algum lugar ­ não se vê nada ­ já devemos estar perto ­ sim mas não se ouve nada ­ veja bem ­ não se vê nada ­ coitado de você ignacio a sombra comprida e negra dos homens continuou se movimentando de cima para baixo subindo nas pedras diminuindo e crescendo conforme avançava pela margem do arroio era uma única sombra cambaleante a lua vinha saindo da terra como uma labareda redonda ­ já devemos estar chegando nesse povoado ignacio você que está com as orelhas de fora preste atenção para ver se não escuta os cachorros latirem lembre-se de que nos disseram que tonaya ficava bem atrás do morro e há quantas horas já deixamos o morro lembre-se ignacio ­ sim mas não vejo sinal de nada ­ estou ficando cansado ­ desça-me o velho foi recuando até encontrar o paredão e se encostou ali sem largar a carga dos seu ombros embora já lhe do brassem as pernas não queria se sentar porque depois não poderia levantar o corpo de seu filho que lá atrás horas antes tinham ajudado a colocar sobre os seus ombros e assim o trouxera desde então ­ como é que você está se sentindo ­ mal falava pouco cada vez menos havia momentos em que parecia dormir havia momentos em que parecia sentir frio tremia sabia quando o tremor atacava seu filho pelas sacudidelas que recebia e porque os pés dele fincavam-lhe nas ilhargas como esporas depois as mãos do filho que vinham segurando o seu pescoço balançavam-lhe a cabeça como se fosse um chocalho ele cerrava os dentes para não morder a língua e quando aquilo acabava perguntava a ele ­ está doendo muito ­ um pouco ­ ele respondia primeiro dissera apeie-me aqui deixe-me aqui vá você sozinho eu alcanço você amanhã ou quando me recompuser um pouco dissera isso assim umas cinqüenta vezes agora nem isso dizia mais lá estava a lua na frente deles uma lua grande e vermelha que lhes enchia os olhos de luz e que espichava e escurecia mais a sua sombra sobre a terra ­ não enxergo mais por onde estou indo ­ dizia ele mas ninguém respondia o outro ia lá em cima todo iluminado pela lua com o rosto descolorido sem sangue refletindo uma luz opaca e ele cá em baixo ­ ouviu ignacio estou dizendo que não enxergo bem e o outro ficava calado continuou andando aos tropeções encolhia o corpo e depois o erguia para tornar a tropeçar de novo ­ isso não é caminho disseram que atrás do morro ficava tonaya já passamos pelo morro e não se vê tonaya nem se ouve nenhum ruído que diga que está perto por que é que você não quer me dizer o que está vendo você que está indo aí em cima ignacio ­ quero descer pai ­ você está se sentindo mal ­ sim ­ vou levar você a tonaya logo que puder vou encontrar quem cuide de você dizem que lá existe um médico vou levar a ele trouxe você carregado durante horas e não o vou deixar jogado por aí para que acabem com você quem quer que sejam eles cambaleou um pouco deu dois ou três passos de lado e tornou a se aprumar ­ vou levar você a tonaya ­ quero descer sua voz ficou baixinha mal murmurando ­ quero me deitar um pouco ­ durma aí em cima afinal estou levando você bem seguro a lua ia subindo quase azul sobre um céu claro o rosto do velho molhado de suor encheu-se de luz escondeu os olhos para não olhar de frente já que não podia abaixar a cabeça segura pelas mãos do filho ­ tudo isto que estou fazendo não estou fazendo pelo senhor não estou fazendo é pela sua falecida mãe porque o senhor é filho dela É porisso que estou fazendo ela ia me recriminar se eu o tivesse deixado jogado lá onde o encontrei e não o tivesse apanhado para levar para onde o possam curar conforme estou fazendo É ela que me dá ânimo não o senhor a começar que não lhe devo além de dificuldades sofrimentos vergonhas suava ao falar mas o vento da noite secava-lhe o suor e sobre o suor seco tornava a suar ­ vou ficar extenuado mas chego com o senhor a tonaya para que aliviem essas feridas que lhe fizeram e estou certo de que quando o senhor se sentir bem vai voltar para o seu mau caminho isso já não me importa desde que vá para longe onde eu não torne a saber do senhor sendo assim porque para mim o senhor não é mais meu filho maldisse o sangue meu que o senhor tem a parte que me cabia maldisse disse que apodreça nos rins o sangue que lhe dei disse isso quando soube que o senhor andava trafegando pelas estradas vivendo de roubo e matando gente e gente boa aí está o meu compadre tranquilino o que batizou o senhor que lhe deu o seu nome ele também teve a má sorte de encontrar com o senhor desde então eu disse este não pode ser o meu filho ­ olhe para ver se você já vê alguma coisa ou se escuta alguma coisa você que pode fazer isso daí de cima porque já estou me sentindo surdo ­ não estou vendo nada ­ pior para você ignacio ­ estou com sede devia ouvir se os cachorros estão latindo tente ouvir ­ quero água ­ aqui não há água só há pedras espere e mesmo que houvesse eu não ia descer você para beber água ninguém ia me ajudar a subir você outra vez e eu sozinho não consigo ­ estou com muita sede e muito sono ­ estou me lembrando de quando você nasceu já era assim acordava com fome e comia para tornar a dormir e sua mãe lhe dava água porque você já tinha acabado com o leite dela não tinha medida e você era muito raivoso nunca pensei que com o tempo aquela raiva fosse subir para a sua cabeça mas foi assim sua mãe que em paz descanse queria que você se criasse forte pensava que quando você crescesse seria o seu sustento só teve você o outro filho que ia ter a matou e você a teria matado outra vez se ela estivesse viva a estas alturas sentiu que aquele homem que levava sobre os ombros deixou de apertar os joelhos e começou a soltar os pés balançando-os de uma lado para o outro pareceu-lhe que a cabeça lá em cima sacudia como se soluçasse sobre o cabelo sentiu que caíam gotas grossas como de lágrimas ­ está chorando ignacio a lembrança de sua mãe faz o senhor chorar não é mas o senhor nunca fez nada por ela sempre pagou mal a nós parece que em lugar de amor recheamos seu corpo de maldade está vendo agora o feriram o que foi que aconteceu com os seus amigos foram todos mortos mas não tinham ninguém eles bem que poderiam ter dito não temos a quem oferecer a nossa pena mas e o senhor seu ignacio aí estava o povoado já viu brilharem os telhados sob a luz da lua teve a impressão de que o peso de seu filho o esmagava ao sentir que seus joelhos dobravam no último esforço ao chegar ao primeiro telheiro recostou-se ao muro da calçada e soltou o corpo frouxo como se o tivessem desconjuntado desprendeu com dificuldade os dedos com que seu filho viera se segurando no seu pescoço e ao ficar livre ouviu que para todo lado latiam os cachorros ­ e você não ouvia ignacio ­ disse ­ você não me ajudou nem mesmo com esta esperança são paulo perseguiu matou pobres cristãos são pedro renegou jesus perante a morte tomé se recusou a crer nos seus irmãos jesus com a chibata em seu templo foi forte e tantos santos mais nessa imensa coorte na sua humanidade apresentam desvãos na crença ou em questões de variada sorte sem caridade e amor lembrando atos pagãos e todos entretanto encarados de frente ­ ante as regras da vida em que se dedicaram a deus com seu fervor ­ pela igreja exigente a todos desde o rei até o anacoreta entre salmos de amor e fé santificaram a todos menos um por quê padre anchieta anchieta adélia victória ferreira jornal fanal 01.98 nº 509 y el salón apagado del verdor de la vida ¿te han hablado del carnaval rupestre semental desbocado rojo arcángel terrestre ¿te han hablado del mar y la campaña del cielo repujado que ni una nube empaña ¿te han hablado yo te hablo de otro río del río de janeiro de no-techo sí-frío hambre-sí no-cruzeiro del llanto sin pañuelo del pecho sin escudo de la trampa y el vuelo de la soga y el nudo el jazz en la soirée sacude el aire denso yo pienso en el café y lloro cuando pienso mas pienso en la favela la vida allí estancada es un ojo que vela y pienso en la alborada ¿te hablaron ya de río com su puñal clavado en el pecho sombrío ¿te han hablado rio 1953 canción carioca nicolás cristobál guillén batista 1902/1989 saltas de puente en puente y sueñas con un río como una solterona que espera en vano a un hijo tú llena de puente secos sobre el gentío são paulo nicolás guillén ¡ay pobre doña maría ella que no sabe nada su hijo el de la piel manchada a sueldo en la policía ayer taimado y sutil rondando anduvo mi casa ¡pasa ­ pensé al verle ­ ¡pasa iba de traje civil señora tan respetada la pobre doña maría con un hijo policía y ella que no sabe nada la habana 1952 doña maría nicolás guillén murió callada y provincial tenia llenos los ojos de paz fría de lluvia lenta y lenta melodia su voz como un cristal esmerilado anunciaba un resplandor encerrado se llamó la llamaban vagamente lucía en este breve mármol ha quedado toda su biografía la habana 1953 epitafio para lucía nicolás guillén ao escritor e educador uruguaio jesualdo sosa virgen de la caridad que desde un peñón de cobre esperanza das al pobre y al rico seguridad en tu criolla bondad ¡oh madre siempre creí por eso pido de ti que si esa bondad me alcanza des al rico la esperanza la seguridad a mí a la virgen de la caridad nicolás guillén ­ agüente um pouco já devemos estar perto o que acontece é que já é tarde da noite e devem ter apagado as luzes do povoado mas pelo menos você ¿te hablaron ya de río del pan del corcovado y el sanguinario estío ¿te han hablado de la boite encendida

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