p. 1
estudo 07 texto dn 7-8 sonhos sobre o fim de reinos quando nos voltamos para a segunda metade do livro de daniel nos encontramos em uma atmosfera bastante diferente se perceba certa continuidade de um lado os capítulos continuam preocupados com o controle de deus sobre o destino de todos os povos neles também sua soberania não é publicamente evidente mas torna-se visível através de revelações especiais pelos sábios a partir de atos excepcionais de livramento estes temas perpassam todo o livro mas por outro lado mesmo sendo temas repetidos eles adquirem nova coloração em vista da perseguição de antíoco epífanes em 167 a.c os reinos gentios/opressores não seriam mais vistos como potenciais servos de deus ao invés vez disso passam a ser encarados como monstros rebeldes que só podiam ser destruídos a aspiração dos judeus fiéis não era mais chegar a uma posição alta na corte gentílica mas brilhar como um exército celeste no pós-vida a maioria dos estudiosos concorda que dn 7 seja o auge do conjunto formados pelos capítulos 2 a 7 como se fosse uma primeira grande conclusão todo o essencial já teria sido dito isso porque os capítulos 8 a 12 são um tipo de extensão e explicitação deste capítulo com o fim do capítulo 7 termina o texto em aramaico e com o capítulo 8 encontramos o texto hebraico e o início da segunda parte holbrook 1986 destaca a existência de um duplo quiasmo no livro daniel que os textos da primeira parte estejam relacionados com os textos da segunda parte esta observação é importante para facilitar nossa compreensão do livro ao lado está reproduzida de forma adaptada a proposta de holbrook com todas essas particularidades continua o desafio estes capítulos do livro de daniel podem nos inspirar hoje tendo em vista nossa participação no reino de deus 1 a bestialidade dos governos 7.1-8 no primeiro ano de belsazar rei da babilônia daniel teve um sonho e certas visões passaram por sua mente estando ele deitado em sua cama ele escreveu o seguinte resumo do seu sonho 2 em minha visão à noite eu vi os quatro ventos do céu agitando o grande mar 3 quatro grandes animais diferentes uns dos outros subiram do mar 4 o primeiro parecia um leão e tinha asas de águia eu o observei e em certo momento as suas asas foram arrancadas e ele foi erguido do chão firmou-se sobre dois pés como um homem e recebeu coração de homem 5 a seguir vi um segundo animal que tinha a aparência de um urso médio erguido com três costelas na boca entre os dentes foi-lhe dito `avança e coma carne em abundância 6 depois disso vi um outro animal que se parecia com um leopardo nas costas tinha quatro asas como as de uma ave esse animal tinha quatro cabeças e recebeu autoridade para governar 7 em minha visão à noite vi ainda um quarto animal aterrorizante assustador e muito poderoso tinha grandes dentes de ferro com os quais despedaçava e devorava suas vítimas e pisoteava tudo o que sobrava era diferente de todos os animais anteriores e tinha dez chifres 8 enquanto eu considerava os chifres vi outro chifre pequeno que surgiu entre eles e três dos primeiros chifres foram arrancados para dar lugar a ele esse chifre possuía olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância 1 jakler nichele nunes 1
[close]
p. 2
estudo 07 sonhos sob o fim dos reinos bre de agora em diante será o próprio dan quem tem os sonhos ou visões sem a intervenção do rei ele es m niel m u screve a visão sem receber uma ordem especia al a primeiro ano d baltazar se refere ao pas de e ssado ou most despreocup tra pação cronológ e histórica da gica a na sequência do livro o p parte do auto mais do qu contar a história como nos textos anter or ue riores ele está interessado e analisar a h á em história o son nho no texto faz parte do estilo literário e o autor faz uso dele como ve o eículo para tra ansmitir um conteúdo este sonho simbo c e oliza de certa form o desejo das vítimas oprim ma s midas por ant tíoco iv e de certa forma o das vítimas de todos os gov e vernos opressor res o mar imen agitado pelos quatro v nso ventos recorda imediatamente o cenário da criação e gênesis 1 em que do c a o em caos primordial f fecundado pel vento espírito de deu em sua ple lo us enitude quatr se produzi toda a real ro iu lidade porém ao autor interess principalme sa ente o aspecto histórico po isso a alusã ao mar agita tem relaçã mais intens com o s 6 o or ão ado ão sa 65.8 o verdadeiro caos que am meaça israel é o mar das na ações que pod invadir e d de destruir a pale estina É esse mar que o au utor contempla o ventos entã instigam o caos em vez de subjugá-lo daniel vê um mundo envol em desordem os ão d m lto quatro feras terrestres se levantam do m e são solt no mundo podemos ad mar tas o diantadament dizer que si te imbolizam qua atro e amente indica todos os impérios a de am escrição const titui na verda ade uma análise da história de a impérios que esquematica dominação p pelos governos opressores o caos assume a forma de go overno com i isso não se qu dizer apena que quatro reis uer as ou reinos se levantarão o texto pinta um quadro desses reino com faces monstruosas de forma a comunicar fo e o os forte sentimento de terror os r d reis deste mod não seriam meramente humanos ma manifestações da força pr do m as rimordial do c caos o apóstolo p paulo diria n mesmo sen no ntido nossa luta não é contra a carne e o sangue mas contra os principado e e os potestades o tido dado a ca uma das fe ada eras a chave d interpretação usada até a de agora para da aniel embora não haja consenso sobre o sent nos permite i inferir de form mais conte ma extualizada qu ue leà alado dn 7.4 Ão n animal urso dn 7.5 n leopardo dn 7.6 o monstr dn 7.7-8 ro significado nabucodonoso e n or im mpério babilôn nico am metamorfose do animal a par ser humano é clara ra alusã ao cap 4 cor ão rtadas a sua arrogância ele pode a erguer em posição humana r-se h império medo m a posição mostr que se ra mantém sempre pronto a m e ata acar e o pormen de três nor co ostelas de uma v alude à vez sua voracid dade império persa o o detalhe das 4 asas e cabeças refere-se à un niversalidade desse império sempre atento às quatro direç ções e pronto para mover-se rapidamente império de a alexandre magn no dividido apó sua morte ent ós tre seus quatro generais com a o proeminênc dos selêucida cia as a descrição é mais longa e o desequilibra o conjunto su a ua força e destr rutividade alude à e experiência judaica sob a dominaç selêucida ção embora dn 7 seja comparável ao capítu 2 no que d respeito a um esquema d quatro rein o contexto e o conjunto de ulo diz u de nos o o imagens são bem diferente a disputa de sabedoria e es entre os calde e o judeu não é mais um fator no ca eus m apítulo 7 nem há m ão e o mais a questã de ganhar a aprovação de um rei gentio a literatura p profética além da apocalípt m tica também representou im mpérios em fi igura de anim 1 ez 32 de mais escreve o egito na o figura de cro ocodilo ez 17.3 prefere a im magem da águ gigante de grandes asas de larga env uia e s vergadura jr 5 51.34 apresen a nta babilônia co omo dragão v voraz este re ecurso poético pode se ins o spirar no em mprego de ani imais emblem máticos seja p para caracterizar tr ribos gn 49 seja como no omes de seus c chefes corvo touro serpente etc os p o profetas explo oraram as imag gens comparando os instintos bestiais das fer com as qua b ras alidades de vio olência crueld dade voracida e injustiça dos impérios o ade a s cap 4 do livr de daniel fez algo parecid ao apresent nabucodonosor transfor ro fe do tar rmado em ani imal e agora o cap 7 estabe elece uma conexão com ele ao mencionar a transformaç do leão a o o ção alado em hom mem as ima agens não são uma sequên o ncia desleixada a antes interpre etam e avaliam as quatro f m feras sucedem na história mas não melhoram a ex m-se a m xistência huma ana antes a torn pior cresc nam cendo na feroc cidade sobre o chifr pequeno o autor dá maio interesse ou destaque aos seus detalhes porque o sím re or u s s mbolo se aprox xima da época em a que ele escre ele també crê que er chegado o tempo do des eve ém ra t sfecho esperad e anunciad de julgamen o terror das do do nto bestas foi inst tigado apenas para ser venci ido 1 os escritores bíb blicos também estav familiarizados com tradições mito vam ológicas que são muito mais extensas do que o que agora encontramos na b a bíblia e que são bas stante relevantes para daniel lançou-se muita luz sobre essa tradições pela de as escoberta dos mitos ugaríticos neles o mar yamm apa arece como um deus que desafia a sober s rania de baal eles lu utam e baal o des strói em outro lug lemos que baa golpeou lotan o antigo dragão des gar al struiu a serpente to ortuosa shilyat das sete cabeças em uma s variante do mit lemos que anat golpeou o amado de el mar destruiu o rio de el rabb amordaçou o d to d bim dragão e golpeou a serpente tortuosa s shilyat das sete cab beças nesse conflito entre baal e o mar encontramos um pr rotótipo da batalha de javé com os mo a onstros marinhos na poesia bíblica a jakler nichele nunes e 2
[close]
p. 3
estudo 07 sonhos sobre o fim dos reinos 2 o julgamento de deus e o princÍpio de uma nova histÓria 7.9-14 enquanto eu olhava tronos foram colocados e um ancião se assentou suas vestes eram brancas como a neve o cabelo era branco como a lã limpíssima seu trono chamas de fogo e as rodas do trono em chamas 10 de diante dele saía um rio de fogo milhares de milhares o serviam milhões e milhões estavam às suas ordens o tribunal iniciou o julgamento e os livros foram abertos 11 continuei a observar por causa das palavras arrogantes que o chifre falava fiquei olhando até que o animal foi morto e o seu corpo foi destruído e atirado no fogo 12 dos outros animais foi retirada a autoridade mas eles tiveram permissão para viver por um período de tempo 13 em minha visão à noite vi alguém semelhante a um filho de homem chegar nas nuvens dos céus ele se aproximou do ancião e foi conduzido à sua presença 14 ele recebeu autoridade glória e o reino todos os povos nações e homens de todas as línguas o adoraram seu domínio é um domínio eterno que não acabará e seu reino não terá fim 9 retomando temas proféticos o autor apresenta o julgamento dos governos opressores antes que deus instaure seu reinado a cena muda para uma cena de majestade divina os tronos são postos e um ancião se assenta como numa espécie de assembléia por cima da tempestade terrestre dos impérios s 29 o trono cercado por miríades de servos e um rio de fogo lembra a visão do apócrifo 1 enoque 14.22 e sugere que os visionários apocalípticos beberam de tradições comuns o trono evoca o assento do governante e ao mesmo tempo o do juiz funções que na antiguidade eram prerrogativas do rei o ancião representa deus que é a última instância de governo e de julgamento da história a veste branca reflete a sua majestade celeste os cabelos brancos são uma tentativa de aludir à eternidade o trono de fogo insinua sua transcendência inatingível tudo isso compõe uma imagem que procura captar o mistério do deus vivo que está presente no mais profundo de toda a realidade dirigindo a criação para a plenitude da liberdade e da vida no espaço e no tempo da história o rio de fogo que sai do trono simboliza a ordem do rei e a sentença do juiz is 30.27-30 como rio flexível as ordens e sentenças do rei atingem seu destino os servidores incontáveis não são apenas seres celestes mas simbolicamente todos os seres que reconhecem a deus e servem ao seu projeto talvez por isso se fale de tronos os que servem a deus e ao seu projeto participam da sua função de governar e julgar os livros são os registros das ações dos homens tudo está escrito para ser examinado e julgado por deus is 65.6 m 3.16 s 56.9 segue-se um julgamento de acordo com os livros celestiais supõe-se que os animais ferozes estejam todos ao mesmo tempo diante do tribunal supremo em um final da história a sessão começa mas não assistimos ao processo o autor vai logo à execução da sentença supõe-se que os quatro impérios estejam presentes mas o que vai ser julgado e eliminado primeiro é o império grego que chegou ao máximo da perversidade no pequeno chifre arrogante isto é antíoco iv epífanes É cortado em pedaços e atirado ao fogo para ser completamente destruído em poucas palavras deus julga condena e destrói o poder do governo opressor as outras feras são despotencializadas e continuam vivas até certo ponto isso porque de agora em diante as feras símbolos da opressão serão submetidas pelo homem ou seja o projeto do reino de deus a alternativa de resgate da humanidade vai vencer e domar o instinto selvagem dos governos opressores segue-se então a famosa aparição de um como um filho de homem vindo com as nuvens do céu e domínio glória e reino lhe são outorgados 7.13-14 enquanto a história terrestre era dominada pelas feras agora aparece uma figura tipo humana que vem do céu e contrasta com as bestas segundo collins 2010 o significado ou identidade desse personagem talvez seja a questão mais celebrada e talvez a mais difícil na literatura apocalíptica muitos estudiosos observaram que no uso bíblico tradicional o cavaleiro das nuvens é javé porém aqui o que desce com nuvens tem certa subordinação ao ancião os especialistas propõem que a bíblia hebraica não explicaria adequadamente esta imagem antes a representação de javé como um cavaleiro das nuvens seria adaptação de um conjunto de imagens canaanitas antigas sobre baal repetidamente chamado de cavaleiro nas nuvens ele uma figura divina no panteão canaanita é subordinado a el os pai dos deuses e seres humanos el é chamado de pai dos anos ugt abu shanima e seria um protótipo para o ancião a exaltação do cavaleiro das nuvens parecido com baal sobre os monstros marinhos poderia ser relacionada ao triunfo de baal sobre yamm nos mitos canaanitas É claro daniel não oferece uma reprodução exata dos mitos até porque eles são mais de mil anos mais antigos que daniel contudo o uso de imagens conhecidas não deve ser confundido com o objetivo da visão daniel não fala sobre baal el ou yamm mas busca caracterizar a situação dos judeus sob antíoco epífanes o propósito das imagens é revelar o significado da situação por analogia existem algumas similaridades fundamentais entre a arrogância dos reis gentios especialmente o chifrinho antíoco2 e a fúria de yamm mar porém o uso dessas imagens assimila a um padrão universal que permitiria à 2 devemos sempre lembrar que nas imagens apocalípticas chifres sempre são símbolos de poder jakler nichele nunes 3
[close]
p. 4
estudo 07 sonhos sobre o fim dos reinos visão de daniel ser reinterpretada e reaplicada em situações subseqüentes já que nenhum nome é dado e surgiram outras bestas arrogantes após a morte de antíoco ainda sobre a questão do um como um filho de homem devemos compreender a imagem aplicada no texto e o seu significado em temos pictóricos a imagem é a de um anjo o que provoca contraste com as bestas existem interpretações que consideram que a imagem é a de jesus enquanto messias contudo considerar a questão assim é desvincular o texto do contexto tanto literário quanto histórico isso provocaria perda de sentido para o leitor contemporâneo ao autor inclusive se fosse um dos objetivos anunciar jesus o que seria assunto de suma importância o anúncio deveria acontecer em outros textos do mesmo livro o que não ocorre assim sendo o anjo da imagem seria um tipo de líder do exército celestial também deve-se levar em conta que expressões similares são utilizadas em outros lugares de daniel para se referir a anjos gabriel é como a aparência de um homem 8.15 10.18 tem voz de homem 8.16 é como a semelhança dos filhos dos homens 10.16 anjos são simplesmente homens em 9.21 10.5 12.6,7 assim a expressão era prontamente compreensível quando compreendida originalmente em referência a um anjo similaridade literária encontramos no apocalipse de joão 14.14 onde o um como um filho de homem aparece assentado em uma nuvem este evidentemente seria um anjo e não cristo a outra questão a considerar é o que a imagem significa de imediato alguns diriam jesus porém novamente perdemos o contexto se assim consideramos tal anjo representa o núcleo do povo fiel que receberá o poder de deus para governar o povo após a derrota de antíoco com grande possibilidade a imagem pode se relacionar com a família dos macabeus os especialistas concordam que o texto buscou inspiração no salmo 8 que fala da majestade de deus que triunfa sobre os inimigos do seu povo e concede ao ser humano glória e esplendor para reinar sobre tudo inclusive dominando as feras o reino de deus se torna reino do humano desde que a humanidade aceite e concretizes o projeto de deus a justiça que tudo reconcilia para produzir o mundo da vida também é importante reconhecer que o homem do oriente antigo cria numa mútua relação entre a realidade celeste e a realidade humana a segunda seria uma projeção da primeira os conflitos experimentados não seriam apenas humanos por isso tantas alusões a seres celestiais numa tentativa de explicar a origem dos males ou das soluções esta idéia é melhor explorada nos capítulos 10-12 onde somos informados de que por trás dos conflitos humanos da era helenística haveria uma batalha em curso nos céus entre miguel o anjo patrono de israel auxiliado por gabriel e os príncipes cósmicos da pérsia e da grécia ao final do conflito miguel se ergueria com vitória começa assim uma etapa nova e contrária à era de opressão deus entrega o poder ao seu povo que tem por objetivo realizar o seu projeto de liberdade e vida para todos esse reino é perene como reino simbolizado pela pedra em 2.44 ou seja depois de derrotado o poder opressor o projeto do reino de deus marcará o início de uma história radicalmente nova e sem fim 3 a destruiÇÃo da fera e o triunfo dos santos 7.15-28 15 eu daniel fiquei agitado em meu espírito e as visões que passaram pela minha mente me aterrorizaram 16 então me aproximei de um dos que ali estavam e lhe perguntei o significado de tudo o que eu tinha visto ele me respondeu dando-me esta interpretação 17 os quatro grandes animais são quatro reinos que se levantarão na terra 18 mas os santos do altíssimo receberão o reino e o possuirão para sempre sim para todo o sempre 19 então eu quis saber o significado do quarto animal diferente de todos os outros e o mais aterrorizante com seus dentes de ferro e garras de bronze o animal que despedaçava e devorava suas vítimas e pisoteava tudo o que sobrava 20 também quis saber sobre os dez chifres da sua cabeça e sobre o outro chifre que surgiu para ocupar o lugar dos três chifres que caíram o chifre que tinha olhos e uma boca que falava com arrogância 21 enquanto eu observava esse chifre guerreava contra os santos e os derrotava 22 até que o ancião veio e pronunciou a sentença a favor dos santos do altíssimo chegou a hora de eles tomarem posse do reino 23 ele me deu a seguinte explicação o quarto animal é um quarto reino que aparecerá na terra será diferente de todos os outros reinos e devorará a terra inteira despedaçando-a e pisoteando-a 24 os dez chifres são dez reis que sairão desse reino depois deles um outro rei se levantará e será diferente dos primeiros reis 25 ele blasfemará contra o excelso oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos e as leis os santos serão entregues nas mãos dele por um ano e outro ano e outro ano e meio 26 mas o tribunal o julgará e o seu poder lhe será tirado e totalmente destruído para sempre 27 então a soberania o poder e a grandeza dos reinos que há debaixo de todo o céu serão entregues nas mãos dos santos o povo do altíssimo o reino dele será um reino eterno e todos os governantes o adorarão e lhe obedecerão 28 esse é o fim da visão eu daniel fiquei aterrorizado por causa dos meus pensamentos e meu rosto empalideceu mas guardei essas coisas comigo daniel diante de seu sonho reconhece a necessidade de um intérprete 7.16 o que é típico da apocalíptica a mudança do intérprete humano de daniel 2 para um dos presentes da assembléia do capítulo 7 expressa um sentido mais profundo de mistério e segredo o texto apresenta uma interpretação rápida 7.17-18 como antecipadamente dito as quatro feras são quatro reinos ou impérios o babilônico o medo o persa o macedônico ou grego segundo o esquema tradicional depois disso os santos do altíssimo receberiam o reino e o possuiriam para sempre notemos bem que a expressão santos do altíssimo 7.18,22,27 substitui agora a expressão filho do homem ambas estão necessariamente relacionadas quem são os santos esta é outra questão turbulenta igualmente à questão do um como um filho de homem temos uma imagem e um significado a imagem tecnicamente diz respeito a um corpo de anjos que compõem o exército celestial é atacado pelo chifre 7.19-20 e recebem do ancião o reino por justiça 7.21-22 seu significado é a comunidade de israel representada pelos judeus fiéis que não aderiram à política helenizante de antíoco iv foram perseguidos por ele e receberiam jakler nichele nunes 4
[close]
p. 5
estudo 07 sonhos sobre o fim dos reinos de deus a sua terra de volta na prática com a releitura podemos dizer que os santos são os que temem e buscam a javé os homens que nele se abrigam os justos que têm como lema evitar o mal e praticar o bem ou seja praticar a justiça É esse o povo que vai herdar o poder do espírito de deus não para se vingar do governo opressor mas para construir o mundo novo voltado para a vida de todos a princípio deveria ser nós a explicação está completa mas o autor insiste sobre a quarta fera 7.19-27 que representa seu presente histórico a dominação greco-selêucida os dez chifres são dez reis talvez a dinastia que vai de alexandre magno e se prolonga no lado selêucida o número provavelmente é simbólico o pequeno chifre é o outro rei que derruba três reis ou seja antíoco iv epífanes que eliminou seus concorrentes e opositores o olhar e a boca arrogante aludem ao orgulho de antíoco que se atreveu contra deus ao pretender destruir a identidade religiosa e cultural do povo judeu s 75.5-6 101.5 o versículo 7.25 chega ao cerne da questão ele blasfemará contra o excelso oprimirá os seus santos e tentará mudar os tempos e as leis os santos serão entregues nas mãos dele por um ano e outro ano e outro ano e meio lendo 1 mb 1.41-63 podemos ver que foi exatamente o que antíoco fez seguindo seu programa de helenização forçada para os judeus tanto javé como o calendário e a lei são realidades sagradas entronizando zeus-júpiter no templo mudando o calendário das festas e comemorações e introduzindo os costumes gregos antíoco estava na verdade destruindo a identidade e a alma do povo judeu os três anos um ano outro ano e outro ano e meio e meio se referem à duração do tempo de perseguição e ao mesmo tempo da resistência e luta dos judeus chefiados pelos macabeus entre 167 e 164 a.c o tribunal no versículo 26 destruiu o poder da fera e entregou o reino aos santos do altíssimo isto simboliza que deus julgou o imperialismo de antíoco e entregou o reino ao seu povo fiel e assim cumpre-se o vers 27 desta forma o autor resume toda a história política do oriente médio do século vii ao século ii a.c como uma história de impérios ferozes e devoradores que em nada contribuíram antes só pioraram a situação numa sucessão crescente de hostilidade e destrutividade as autoridades políticas são apresentadas como feras que só produzem a animalização dos povos 4 o governo medo-persa e o grego 8.1-14 1 no terceiro ano do reinado do rei belsazar eu daniel tive outra visão a segunda 2 na minha visão eu me vi na cidadela de susã na província de elam na visão eu estava junto do canal de ulai 3 olhei para cima e diante de mim junto ao canal estava um carneiro seus dois chifres eram compridos um mais que o outro mas o mais comprido cresceu depois do outro 4 observei o carneiro enquanto ele avançava para o oeste para o norte e para o sul nenhum animal conseguia resistir-lhe e ninguém podia livrar-se do seu poder ele fazia o que bem desejava e foi ficando cada vez maior 5 enquanto eu considerava isso de repente um bode com um chifre enorme entre os olhos veio do oeste percorrendo toda a extensão da terra sem encostar no chão 6 ele veio na direção do carneiro de dois chifres que eu tinha visto ao lado do canal e avançou contra ele com grande fúria 7 eu o vi atacar furiosamente o carneiro atingi-lo e quebrar os seus dois chifres o carneiro não teve forças para resistir a ele o bode o derrubou no chão e o pisoteou e ninguém foi capaz de livrar o carneiro do seu poder 8 o bode tornou-se muito grande mas no auge da sua força o seu grande chifre foi quebrado e em seu lugar cresceram quatro chifres enormes na direção dos quatro ventos da terra 9 de um deles saiu um pequeno chifre que logo cresceu em poder na direção do sul do leste e da terra magnífica 10 cresceu até alcançar o exército dos céus e atirou na terra parte do exército das estrelas e os pisoteou 11 tanto cresceu que chegou a desafiar o príncipe do exército suprimiu o sacrifício diário oferecido ao príncipe e o local do santuário foi destruído 12 por causa da rebelião o exército dos santos e o sacrifício diário foram dados ao chifre ele tinha êxito em tudo o que fazia e a verdade foi lançada por terra 13 então ouvi dois santos conversando e um deles perguntou ao outro quanto tempo durarão os acontecimentos anunciados por esta visão até quando será suprimido o sacrifício diário e a rebelião devastadora prevalecerá até quando o santuário e o exército ficarão entregues ao poder do chifre e serão pisoteados 14 ele me disse isso tudo levará duas mil e trezentas tardes e manhãs então o santuário será reivindicado no apresentado pelo autor daniel continua na babilônia mas através da visão salta para o império medo-persa e depois para o império grego até chegar a antíoco iv a visão junto ao rio relembra ezequiel 1 susã é a capital invernal do império medo-persa o carneiro 8.3-4 personifica o império medo-persa e o chifre mais alto se refere à parte persa maior e mais importante esse império se expandiu em três direções chifradas do leste para oeste tanto no norte como no sul chegando até o mar mediterrâneo os reinos menores não puderam resistir e assim formou-se um dos maiores impérios do oriente depois vem o bode com um chifre entre os olhos simbolizando o império greco-macedônico o chifre é alexandre magno 8.5 que rapidamente sobrevoando espalhou suas conquistas e atacou o império medo-persa carneiro subjugando-o quebrou os dois chifres do carneiro 8.6-7 jakler nichele nunes 5
[close]
p. 6
estudo 07 sonhos sobre o fim dos reinos alude-se aqui à conquista de persépolis 331 a.c e de ecbátana 330 a.c por alexandre contra dario 1mb 1.1-3 alexandre continuou suas conquistas progrediu muito mas morreu logo seu grande chifre se quebrou seu grande império foi então dividido entre seus quatro generais quatro chifres como vimos cassandro ficou com a grécia lisímaco com a trácia e a Ásia menor seleuco com a síria a babilônia e a pérsia ptolomeu com o egito e a palestina 8.8 1mb 1.4-9 dividido o império perdeu a sua universalidade e a unidade passou a ser garantida apenas pela cultura grega comum aos quatro por outro lado para a bíblia interessou principalmente a polarização lágida egito e selêucida síria pois a palestina ficava no meio espremida e disputada entre as duas partes através de daniel 7 sabemos que o chifre pequeno é antíoco iv epífanes que lutou contra o egito sul a pérsia nascer do sol e a judéia terra deliciosa ou literalmente a pérola veja jeremias 3.19 antíoco é descrito em toda a sua arrogância crescer até o céu e derrubar algumas estrelas é o auge da sua pretensão pois na bíblia as estrelas são o exército de deus seu comandante 2mb 9.10 diz referindo-se a antíoco aquele que pouco antes parecia capaz de tocar as estrelas do céu podemos inclusive historicizar a passagem pois segundo números 3-4 e 26 o sacerdócio levítico é visto como exército a serviço de javé com efeito antíoco demitiu todos os que serviam no culto e que a ele se opuseram 2mb 4 antíoco ousou enfrentar o próprio deus interferindo diretamente na religião aboliu o sacrifício permanente ou perpétuo que era oferecido pela manhã e pela tarde ex 29.38-42 também abalou as bases do santuário entronizando no templo uma estátua de zeus-júpiter o que significava destronizar javé para entronizar uma divindade estrangeira antíoco colocou sobre o altar dos holocaustos a abominação da desolação isto é a estátua de zeus 1mb 1.54 jogar por terra a verdade significa desprezar a religião verdadeira consignada nos livros sagrados ver 1mb 1.56-57 e s 86.11 e antíoco prosperou ou seja conseguiu tudo o que quis o início do versículo 12 também poderia ser traduzido por um exército foi encarregado do sacrifício perpétuo sacrílego dando maior sentido no contexto com o templo dedicado a zeus os sacrifícios se tornaram sacrilégios o episódio dos dois santos 8.13-14 deve ser corretamente entendido a imagem é de dois anjos assistindo a luta mas simbolicamente como no cap 7 representam os judeus fiéis perplexos até quando vai durar a perseguição desencadeada por antíoco até quando o templo permanecerá profanado a resposta é enigmática 2300 tardes e manhãs certamente uma alusão ao sacrifício permanente ou perpétuo mas como entender a cifra alguém sugeriu dividir entre tardes e manhãs resultando em 1150 dias mais ou menos os três anos e meio de 7.25 tempo que duraram a perseguição e a resistência É provável porém tais números são um tanto vagos já que as datas não têm compromisso de serem constantes de uma forma ou de outra o número está ligado à ideia de 7 anos ou fração dele o que é plenamente simbólico para o judeu antigo quanto à reivindicação do santuário ela se refere à nova consagração descrita em 1mb 4.43-59 5 a derrota do opressor 8.15-27 15 enquanto eu daniel observava a visão e tentava entendê-la diante de mim apareceu um ser que parecia homem 16 e ouvi a voz de um homem que vinha do rio ulai gabriel dê a esse homem o significado da visão 17 quando ele se aproximou de mim fiquei aterrorizado e caí prostrado ele me disse filho do homem saiba que a visão refere-se aos tempos do fim 18 enquanto ele falava comigo eu com o rosto em terra perdi os sentidos então ele tocou em mim e me pôs em pé 19 e disse vou contar-lhe o que acontecerá depois no tempo da ira pois a visão se refere ao tempo do fim 20 o carneiro de dois chifres que você viu representa os reis da média e da pérsia 21 o bode peludo é o rei da grécia e o grande chifre entre os seus olhos é o primeiro rei 22 os quatro chifres que tomaram o lugar do chifre que foi quebrado são quatro reis seus reinos surgirão da nação daquele rei mas não terão o mesmo poder 23 no final do reinado deles quando a rebelião dos ímpios tiver chegado ao máximo surgirá um rei de duro semblante mestre em astúcias 24 ele se tornará muito forte mas não pelo seu próprio poder provocará devastações terríveis e será bem-sucedido em tudo o que fizer destruirá os homens poderosos e o povo santo 25 com o intuito de prosperar ele enganará a muitos e se considerará superior aos outros destruirá muitos que nele confiam e se insurgirá contra o príncipe dos príncipes apesar disso ele será destruído mas não pelo poder dos homens 26 a visão das tardes e das manhãs que você recebeu é verdadeira guarde silencia sobre a visão pois refere-se ao futuro distante 27 eu daniel fiquei exausto e doente por vários dias depois levantei-me e voltei a cuidar dos negócios do rei fiquei assustado com a visão estava além da compreensão humana recordando a interpretação da visão é obrigatória num apocalipse com efeito daniel literariamente vivendo na babilônia não pode entender a visão porque ela se refere ao futuro aparece então a figura de um homem retomando o contraste feras/filho de homem do capítulo anterior trata-se na verdade de um anjo intérprete típico do gênero gabriel significa deus é forte e seria o mesmo anjo do anúncio de jesus a maria a reação diante da personagem transcendente é padrão e lembra a reação de ezequiel ez 1.28-2.2 o anjo esclarece que se trata de uma visão sobre o tempo final mas precisamente o tempo final da ira 8.17-19 não se trata do fim do mundo e sim do fim da história dos impérios da fase dos governos opressores is 26.20-21 depois virá o reino de deus esse tempo da ira havia começado com a queda de jerusalém nas mãos da babilônia prolongou-se com os impérios sucessivos e o tempo final é o imperialismo de antíoco iv a expressão ocorre jakler nichele nunes 6
[close]
p. 7
estudo 07 sonhos sobre o fim dos reinos muitas vezes nos livros dos macabeus 1mb 1.64 2.49 3.8 2mb 5.20 7.33 8.5 mas esta fase tem seus dias contados e isso trouxe esperança para o povo algo novo vai acontecer no mundo virá o reino de deus que derrotará completamente a opressão 8.20-22 explica o que já antecipamos a interpretação se detém no chifre pequeno aqui chamado de rei ousado claramente antíoco iv 8.23-35 ele é caracterizado como esperto forte destruidor e bem-sucedido 1mb 1.29-32 os poderosos destruídos por ele são os reis conquistados principalmente o egito 1mb 1.16-19 o povo dos santos é o povo judeu fiel dt 26.19 a fraude alude à falsa proposta de paz de 1mb 1.30 mas o maior crime de antíoco foi contra javé na linha do salmo 2 os reis da terra se revoltam e unidos os príncipes conspiram contra javé tal crime foi sem dúvida o de destronizar javé do templo de jerusalém dedicando o santuário a zeus-júpiter mas no texto antíoco tem os dias contados sem ninguém fazer nada ele será destruído exatamente o que se dizia sobre a pedra em 2.34,45 isso queria dizer literariamente que antíoco seria destruído pelo próprio deus interpretou-se assim a sua morte porém há duas versões conforme 1mb 6 antíoco teria morrido de depressão que o consumiu já segundo 2mb 9 ele teria tiro uma infecção interna fatal os judeus entenderam com isso a mão de deus derrotando o pretensioso rei e dessa forma acabando com a opressão o episódio se encerra com a ordem de guardar em segredo a visão 8.26 isso se justifica pela antedatação daniel está literariamente vivendo séculos antes dos acontecimentos só os contemporâneos do autor poderão entender a visão a doença é decorrência da visão os acontecimentos são tão graves que a pessoa fica prostrada is 21.3-4 É um recurso dos apocalípticos para sublinhar a importância do assunto que escrevem 6 terminando o assunto se você chegou até aqui pode bem dizer ufa concordo com você esse conjunto de textos e especialmente o capítulo 7 provavelmente seja o de mais difícil compreensão no livro são muitos símbolos muitas imagens e um contexto histórico estranho à história bíblica apresentada no cânon protestante contudo o texto ganha um sentido mais real com os aspectos apresentados É natural haver incômodos em alguns aspectos até porque a linha de interpretação adotada aqui não foi a mais tradicional esse foi um dos objetivos mostrar que compreender um texto pode ser muito mais trabalhoso e também muito mais interessante que engolir uma tradição no que diz respeito às imagens tradicionalmente atribuídas a jesus em especial o termo o um como um filho de homem nas narrativas dos evangelhos jesus assume esta figura e a supera em termos de significado mas é o caso de uma releitura e não aplicação direta do texto sem perda alguma de significado afinal toda a ação de jesus foi em favor da vinda do reino de deus e da sua justiça mt 3.15 ele é o protótipo da humanidade querida por deus criada à imagem e semelhança do próprio deus gn 1.26-27 e sua ordem é clara em primeiro lugar busquem o reino de deus e a sua justiça mt 6.33 aí está o caminho para o novo horizonte sua ressurreição é a certeza de vitória 7 estimulando a releitura e a aplicaÇÃo 1 2 3 4 5 6 7 8 a análise da história feita por daniel 7 é aplicável à história hoje quais seriam as feras de que modo deus governa e julga a história condenando o imperialismo e instaurando o reino qual a nossa expectativa para a concretização do reino de deus qual a certeza que podemos ter de que deus assina os nossos projetos de resistência e luta por que não é possível fazer média entre o reino de deus e os imperialismos de que modo o imperialismo investe contra deus de que modo deus responde à investida do imperialismo por que a leitura espiritualizante da bíblia desvia sua força de provocar transformações históricas 8 bibliografia recomendada collins j j a imaginação apocalíptica uma introdução à literatura apocalíptica judaica são paulo paulus 2010 holbrook f the seventy weeks leviticus and the nature of prophecy v 3 maryland review and herald publishing association 1986 daniel and revelation comitee series richard p el pueblo de dios contra el império daniel 7 em su contexto literario e historico revista de interpretacción bíblica latinoamericana quito-equador n 7 p 25-46 1990 disponível em
[close]