Catálogo | des_locamentos

 

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Mostra SESC de Arte Contemporânea, realizada pelo SESC Blumenau, com obras de Aline Assumpção, Charles Steuck e Daiana Schvartz, e curadoria de Roseli H. Schmitt.

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mostra sesc blumenau de arte contemporÂnea des_locamentos aline_assumpção charles_steuck daiana_schvartz

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des_locamentos por roseli hoffmann schmitt no contexto artístico social-histórico das primeiras décadas do século xxi verificamos um bombardeamento de imagens que se movem dentro de uma densa rede de mercado e sistemas como galerias museus feiras de arte bienais e as dinâmicas dos colecionadores a arte mergulha em experimentações e excessos numa condição de estranhamento e instabilidade que desnorteia e intriga provoca os artistas incorporam e comentam a vida em suas grandezas e pequenezas em suas potencialidades de estranhamento e em suas banalidades a pintura não morreu tão pouco a escultura desapareceu juntam-se a elas as instalações objetos performances textos vídeos internet e um sofisticado sistema de suportes e possibilidades matéricas artistas contemporâneos buscam sentido um sentido que pode ser alicerçado nas preocupações e apreensões da realidade nem sempre deslocada mas locada em um tempo e espaço próprios e ao mesmo tempo universais aline_assumpção charles_steuck daiana_schvartz 21 outubro a 15 novembro 2009 |

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made in daiana_schvartz daiana cria fábulas suas obras combinam o desenho a fotografia a plotagem as instalações a obra provoca o estranhamento tal como em alice no país das maravilhas gerando um clima de mistério liberdade ausência e solidão do mundo pós-moderno convivem com o mesmo espaço como um lacônico cenário de contos de fadas em que o cidadão do mundo viaja por continentes e culturas diversas os desenhos sobem pelas paredes entrelaçam cantos e tetos com as vozes roucas do mundo agigantam-se e abafam o silêncio do não dito do oprimido da violência É o cântico desesperado do mundo das muitas vozes dos muitos povos fragmentação e circularide da alice ­ nas grandezas e nas pequenezas as etiquetas plotadas no chão formam uma cobertura poética de significância simbólica beirando os limites do mundo global e da inexistência de identidade e particularidade formam um tapete de partículas efêmeras e de memórias pessoais e ao mesmo tempo globais traçam o itinerário do tempo marcam topografias de percursos aleatórios nas mãos da artista objetos e elementos banais como as etiquetas de roupas tão esquecidos e surrados com o tempo de uso ou não formam um microcosmos de uma vida em trânsito a artista realiza operações mentais que anunciam verdades profundas cria uma trama exercícios de subjetividade que se iniciam no ambiente doméstico e dele ecoam para uma torre de babel de línguas e culturas na somatória das vozes um clamor de aconchego busca o significado mais amplo de nossa existência a transitoriedade no mundo memória emprestada de fragmentos imaginários retalhos de banalidades que envolvem a etiqueta não só de vestimentas mas de pessoas identidades cravadas no chão onde cada qual pisa aqui eu fiz aqui eu andei aqui está meu vestígio quase apagado no tempo mas feito no mundo no brasil na china na materialidade e no tecido da voz des_locamentos

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s participação juliana teodoro

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anteontem aline_assumpção as implicações da arte contemporânea nas questões do corpo são complexas ligam-se ao contexto do final do século xx da globalização ao anonimato aliada a um culto ao corpo que permite transformações físicas demandando uma nova e radical fisicalidade emerge desse contexto sócio-histórico um corpo pós-moderno que não mais se representa ele orquestra um jogo multifacetado de conteúdos manipula materialidades e emoções e escapa de suas conexões com a realidade assume contornos rarefeitos etéreos artificiais e efêmeros na construção desse jogo de sentidos aline apropria-se das possibilidades de representação do corpo para expressar a sua arte o corpo que a artista apresenta passa a materializar comentários sobre sexo morte religião vida decadência espiritualidade individualidade massificação passa por um ilimitado campo de experimentações autobiográficas atemporais e universais a memória corporal torna-se um valioso bem de imensurável valor afetivo a artista desnuda e oferece ao fruidor uma cumplicidade e intimidade de quem abre um diário a rigidez da forma do corpo e da fisionomia gélida e comum do rosto instaura a sua própria ausência o corpo desmaterializa o lugar de sua fisicalidade e intimidade enquanto corpo físico e orgânico e transformam-se em um corpo de simulacro a artista corta a materialidade que reveste o corpo o vestido e deixa vestígios marcando territórios e tempos no vídeo usa uma fala pragmática de imagens saindo do espaço individual e temporal para abarcar a universalidade virtual e simbólica a ausência do corpo ­ corpo no vestido o corpo sem vestido o corpo sem rosto o rosto de todos a cadeira sem corpo o corte da tesoura a tesoura no vestido o tecido do corpo o corpo de todos de ontem anteontem do hoje do amanhã a vida de todos no chão a vida toda des_locamentos

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sem tÍtulo charles_steuck no nosso mundo urbano contemporâneo as coisas não se pretendem representar ou serem representadas representando verdades externas a si mesmas no mundo confuso do nosso dia-a-dia onde as coisas acontecem numa velocidade superior à capacidade humana de apreensão as aparências simplesmente são charles articula as possibilidades do real no irreal a questão da identidade é perpassada por uma sensação de impossibilidade e fugacidade o artista cria instalações que apresentam a dualidade como tema a partir dos efeitos de luz e sombra do deslocamento do real e do irreal com o uso da luz o artista cria um sistema em que as coisas se apresentam como irônicos trompe l´oeils assim a bicicleta suspensa no espaço e por isso mesma matéria de desfrute e não de uso vê-se projetada na altura do solo para ser pedalada revestida de múltiplas cores e o que aparece estranho se apresenta na verdade como a concepção mais possível verdadeira e palpável da materialidade as tensões das coisas do mundo são apresentadas através das curiosas criações do artista charles propõe a impossibilidade de se reter um lugar externo tanto quanto de se enraizar internamente ele discute a falência da sensação de conforto e estabilidade da vida do sistema de relacionamentos reais e a crescente aldeia global de relacionamentos virtuais desconstrói mitos e recria verdades os artistas falam do não lugar daquela estranha ­ no entanto familiar ­ sensação de não se pertencer a lugar e tempo nenhum ­ do deslocamento do tempo e do espaço e da materialidade roseli hoffmann schmitt é crítica de arte-abca/aica des_locamentos

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presidência do sistema fecomércio /sc bruno breithaupt diretor regional do sesc roberto anastácio martins diretora de programação social leila echer setor de cultura maria teresa piccoli valdemir klamt textos roseli hofmann schmitt projeto gráfico liquidificador comunicação e arte produção executiva jamil antônio dias gerência idelfonso dos santos

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os artistas falam do não lugar daquela estranha ­ no entanto familiar ­ sensação de não se pertencer a lugar e tempo nenhum ­ do des-locamento do tempo e do espaço e da materialidade casa sesc rua getúlio vargas 227 blumenau sc

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