Revista Trabalho e Educação

 

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leia nesta edição um olhar sobre os desafios e perspectivas apontadas para o integrar pág 04 desafios das políticas públicas da educação de jovens e adultos em esteio pág 05 uma política para a educação de jovens e adultos pág 06 formação o espaço da docência pág 07 a natureza da escola pág 08 a escola e a educação necessárias à juventude da classe trabalhadora pág 09 a organização do currículo do proeja perspectivas e possibilidades pág 12 educação profissional para quê construindo a formação dos trabalhadores para além do falso consenso pág 14 políticas públicas de educação e trabalho na perspectiva dos direitos sociais pág 18 escola técnica josé césar de mesquita aprendendo e ensinando com as juventudes pág 22 educação de jovens e adultos em canoas pág 24 inclusão digital e meio ambiente na escola de jovens e adultos joão paulo i pág 26 educação de jovens e adultos em esteio pág 27 saiba como é a repercussão da educação de jovens e adultos na comunidade de esteio pág 28 o tempo pág 30 expediente instituto integrar fone/fax 51 3225-7799 e/ou 3228-0972 r voluntários da pátria 595 conj 1601 centro porto alegre cep 90030 003 site www.integrar.org.br e-mail integrar@integrar.org.br confederação nacional dos metalúrgicos da cut cnm/cut paulo cayres presidente instituto integrar nacional edson carlos rocha da silva presidente instituto integrar/rs porto alegre 2011 conselho de gestão paulo chitolina coordenador estadual claudir antonio nespolo e lirio segalla martins rosa equipe técnica/pedagógica do instituto integrar/rs solange b marmitt coordenadora técnica docimar querubin coordenador pedagógico soloá citolin assessora pedagógica romilda nunes de oliveira assessora administrativo-financeira rosaura vicente ferraz secretária pedagógica e jaime fogaça assessor pedagógico diagramação daiani cerezer jornalista mtb 12.106 impressão vt propaganda esse material pode ser reproduzido em todo ou em parte desde que citada a fonte distribuição gratuita

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apresentação o s anos 90 caracterizaram-se pela expansãoaumento do desemprego e pela perspectiva neoliberal de enfraquecimento do estado brasileiro por meio de constantes privatizações e retirada de seu papel nas políticas públicas foi nessa conjuntura que os trabalhadores metalúrgicos em são paulo e depois em vários estados do brasil ousaram e propuseram um grande desafio investir no desenvolvimento de uma proposta de educação para os trabalhadores que respeitasse o conhecimento construído ao longo da trajetória de trabalho e de vida em 2011 essa experiência completa 15 anos durante esse período várias mudanças aconteceram a conjuntura brasileira alterou significativamente um metalúrgico assumiu a presidência da república e apesar do preconceito conseguiu reverter a lógica construída nos anos 90 assim o brasil a partir de 2002 avança rumo a novas perspectivas essas mudanças culminaram com a eleição da primeira mulher presidente do brasil no campo da educação estamos vendo um crescimento significativo dos institutos federais de educação o que tem gerado um aumento de vagas para os jovens principalmente os de baixa renda que agora tem mais chance de acessar as escolas técnicas e os espaços das uni versidades antes restritos a grupos com maior poder aquisitivo o instituto integrar chega aos seus 15 anos com uma nova cara novos ares e influenciado pela atualidade da conjuntura brasileira para celebrar esses 15 anos estamos publicando a revista trabalho educação e políticas públicas a revista é fruto do acúmulo construído nesses últimos anos através do debate o programa integrar tem contribuído para a construção de uma nova política de educação de adultos as experiências na formação de educação de jovens e adultos na formação de professores da eja e no acompanhamento as secretarias de educação de canoas e esteio estão sintetizadas nos textos e artigos que veremos na revista também há artigos algumas reportagens de grupos escolas e depoimentos do que representam essa experiência além disso o trabalho com as juventudes é destaque no artigo da escola mesquita esperamos que os textos fomentem o debate para que juntos educandosas professoresas educadoresas organizações da sociedade movimento sindical e popular trabalhadoresas e governos construam e implementem uma outra política para a educação de jovens e adultos inclusiva e que assuma a cidadania como um direito de todosas

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um olhar sobre os desafios e perspectivas apontadas para o integrar solange marmitt coordenadora técnica do instituto integrar/rs proposta deste texto é apon tar alguns desafios do inte grar frente a sua história e às políticas públicas de jovens e adultos a partir da experiência desenvolvida no ultimo período pensar perspectivas nos obriga a retomar os objetivos que delinearam os primeiros passos no sentido de contribuir na elaboração e experimento de uma metodologia de formação e qualificação profissional que respeitasse e valorizasse a história de vida de trabalhadores e trabalhadoras para que assim se desse o processo de aprendizagem através da articulação dos conhecimentos construídos e sistematizados com escolarização e o diálogo com o mundo do trabalho consideramos que boa parte destes objetivos foram alcançados nos projetos desenvolvidos pelo integrar nestes quinze anos mas também julgamos que um largo caminho ainda poderia ser vivenciado contribuindo para o processo de implementação de uma política de educação que primasse pelo compromisso com a cidadania e com o desenvolvimento humano sustentável e justo da sociedade neste período várias modificações foram implementadas e fortaleceram a proposta inicial dentre elas o critério do público para o qual o integrar estava voltado no início exclusivamente para adultos maiores de 25 anos pois a metodologia articula os conteúdos das áreas do conhecimento com a busca de construção de alternativas de trabalho e renda a partir das experiências de trabalho dos educandos/adultos que se encontrem em situação de desemprego a atualmente o critério de idade passou a ser 18 anos dialogando com a legislação atual e a metodologia articulando as áreas do conhecimento com o tema trabalhado numa perspectiva de contribuir para o ingresso dos educandos no mundo do trabalho neste segundo caso a certificação acontece através das redes municipais de ensino nas parcerias com as prefeituras somados a estas novas características outros elementos podem ser apontados a partir da experiência do integrar na parceria com as prefeituras como fundamentais no processo metodológico · a formação sistemática e contínua dos educadores a fim de aprofundar os vários temas e linguagens para sala de aula entre outros · a troca de experiências sobre o cotidiano da sala de aula entre os educadores e as várias propostas de ação · a garantia de horário para que os educadores realizem coletivamente o planejamento de trabalho · a elaboração de material didático específico a partir das trocas realizadas e das necessidades que o processo vai apontando · a construção de um processo de sistematização das experiências · o aprofundamento sobre os temas específicos que envolvem o trabalho como um todo · o desenho e o planejamento específicos de atividades como laboratórios e oficinas pedagógicas como espaços de complementação na interrelação da aprendizagem com a realidade dos educandos entre outros importante reforçar que muitos destes elementos já são insistentemente apontados e reconhecidos como essenciais na construção de uma política de educação que busca a inclusão cidadã dos educandos a assessoria do integrar favoreceu a consolidação destes elementos e para além destes pontos pensar as perspectivas para o integrar significa encarar a necessária atualização de sua estratégia e de seus objetivos junto ao movimento sindical a longo prazo a possibilidade de propor parcerias que possibilitem o desenvolvimento de cursos em que a escolarização esteja articulada com a qualificação social e profissional como foi inicialmente desenhado após a pesquisa participativa com a formação técnica geral/ftg que deu luz ao projovem trabalhador e algumas tímidas experiências a curto prazo significa sobretudo repensar sua contribuição no campo da educação de jovens e adultos especificamente garantindo uma sistematização permanente das reflexões destes processos e uma participação mais ativa nos vários fóruns e conselhos sobre os temas afins tendo estes desafios como pano de fundo visualizamos como perspectiva imediata a continuidade da contribuição do integrar na construção de uma política de educação de jovens e adultos que se realiza através da formação continuada dos educadores do planejamento coletivo e sistemático das atividades e na elaboração de cadernos pedagógicos com as práticas de sala de aula construídos a partir das trocas coletivas e tomados como suporte ao desenvolvimento da proposta políticopedagógica.

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desafios das políticas públicas da educação de jovens e adultos em esteio secretaria municipal de educação esteio/rs a ntes de descrever os desafi os das políticas públicas re ferentes ao eja no município de esteio cabe salientar que ­ conforme amélia hamze a educação de jovens e adultos nasceu no cenário da sociedade civil das lacunas do sistema educacional brasileiro em que as principais características das ações governamentais em educação de jovens e adultos eram de políticas assistencialistas populistas e compensatórias importante destacar que em 1967 com a criação do mobral movimento brasileiro de alfabetização objetivava-se o controle desta população e somente nos anos 70 a educação de jovens e adultos foi então caracterizada como suplência da educação formal tendo por objetivo a oportunidade de acesso de jovens e de adultos ao sistema formal de educação ou seja os desafios são históricos e no todo do brasil mesmo que em respeito às particularidades dos estados desta forma com a ldben 9394/96 o eja surgiu enquanto modalidade de ensino voltada para os alunos que não concluíram seus estudos oportunamente ou seja com a idade própria tal política voltou-se essencialmente para o acesso e a permanência dos alu nos e segue com tal objetivo na contemporaneidade sempre valorizando e respeitando as diferentes experiências linguagens e conhecimentos frente às especificidades encontradas para esteio no entanto o desafio está em superar uma realidade de desigualdade por total ou seja garantir e priorizar uma educação popular que valorize o diálogo e a interação com olhar crítico corroborando o educador paulo freire que em inúmeros de seus textos afirma a todos os sujeitos participantes da modalidade eja no intuito de propiciar o protagonismo e essencialmente o enxergar-se enquanto ser atuante e importante na sociedade com base no que aprende no que vive e no que ensina também assim a secretaria municipal de educação e esporte smee desde 2009 oportuniza formações que objetivam principalmente a reflexão com os educadores frente às práticas pedagógicas buscando garantir a permanência e a continuidade dos estudos dos educandos inserindo-os assim na realidade enquanto prática de vida muito mais que teoria somente apresentada necessário salientar que além de garantir a escolarização deve-se possibilitar aos sujeitos a apropriação das habilidades bási cas e essenciais de leitura escrita e conhecimentos gerais para continuidade dos estudos garantindo de fato o exercício da cidadania atualmente o desafio no eja é pensar uma prática educativa a partir de um contexto socioeconômico político e cultural considerando as especificidades e particularidades dos sujeitos ­ sejam eles trabalhadores ou não numa perspectiva de atender a demanda ainda existente de alunos e garantir o acesso e permanência destes também o de fomentar nos educadores a importância de uma formação continuada instrumentalizando-os com referenciais teóricos metodológicos que deem conta das especificidades desta modalidade de ensino pensando desta forma em todos envolvidos no que diz respeito a atuação na sociedade mesmo frente as diferenças vividas pensadas e disseminadas apesar do clichê todos fazem parte do convívio social e a contribuição de cada um é importantíssima para o crescimento de uma nação independente de qual área seja já que há o protagonismo de todos valorizar o outro independente de seu histórico escolar é fundamental para uma ação conjunta das diferentes experiências que se complementam para a melhora sempre de um todo para todos responsável pela seção de pedagogia no portal educacional brasil escola formada em pedagogia com administração em habilitação escolar.

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uma política para a educação de jovens e adultos secretaria municipal de educação de canoas/rs o município de cano as através da se cretaria municipal de educação vem trabalhando intensamente na consolidação de uma política pública de educação de jovens e adultos a proposta pedagógica esta sendo construída a partir da realidade dos educandos e da prática docente de acordo com a legislação vigente a eja como modalidade do ensi-n o fundamental constitui-se direito subjetivo dos jovens e adultos tendo atribuição de assegurar gratuitamente àqueles que não tiveram acesso e/ou não concluíram o ensino fundamental na idade própria oportunidades educacionais apropriadas consideradas as características dos estudantes seus interesses suas condições de vida e de trabalho mediante educação de qualidade faz-se necessário garantir o acesso a uma educação de qualidade que dialogue com a realidade de uma grande cidade como canoas todo o processo educativo tem por objetivos metas e princípios a qualificação reconhecimento e valoração dos saberes humanos temos como objetivos possibilitar o acesso à educação para os jovens e adultos de acordo com as características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades estimular condições de permanência desenvolvimento intelectual e exercício da sua cidadania além de mediar ações educativas reunindo cidadãos em contínua transformação em um ambiente de respeito e socialmente constituído em prol da construção da cidadania nosso compromisso é assegurar o aprender a conhecer o aprender a fazer o aprender a viver e o aprender a ser ou seja o saber e o agir consciente das responsabilidades pessoais e interpessoais e o respeito aos valores o acesso ao mundo do trabalho as novas e constantes transformações tecnológicas nos desafiam a construir políticas públicas de jovens e adultos capazes de dialogar com a realidade vigente e que garantam as ferramentas para construção de um processo educativo autônomo crítico criativo emancipatório e com capacidade de buscar soluções para as diversas dimensões da vida humana para dar conta do conjunto de desafios que estão colocados para a eja o município vem investindo na formação permanente dos educadores da rede pública em parceria com instituições públicas e privadas visa construir os princí pios norteadores do trabalho a ser desenvolvido nesta modalidade de ensino bem como as diretrizes gerais e a organização curricular buscando trazer a reflexão o debate e a construção da política de eja junto aos educadores educandos e comunidade escolar vem trabalhando na adequação curricular e nos re-arranjos necessários a vida escolar para que educação de jovens e adultos seja parte integrante da mesma essa é uma opção política de investir na modalidade para atender a demanda das pessoas que não tiveram acesso ou abandonaram a vida escolar no processo a participação nos fóruns tem sido uma das marcas da nossa caminhada a retomada do fórum metropolitano a integração ao fórum de eja do rio grande do sul e a participação de gestores e educadores no encontro nacional de eja em 2011 reafirmam a disposição e o investimento na afirmação da eja como uma alternativa viável e qualificada de educação pública em síntese procura-se promover com os educandos um ambiente em que eles sejam sempre estimulados a pensar na vida e na realidade a formular perguntas a saber pesquisar a ouvir a falar a debater a produzir sempre a ter iniciativa a trabalhar em grupo a escrever a partir de seus próprios pensamentos a socializar o que aprendeu a sentir-se responsável pelo seu presente e futuro.

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formação o espaço da docência soloá citolin assessora pedagógica instituto integrar/rs estudar não é fácil porque estudar é criar e recriar é não repetir o que os outros dizem estudar é um ato revolucionário paulo freire práticas dos próprios professores tais práticas formativas demonstravam sua fragilidade quando se percebia um descontinuo processo desprovido de um trabalho consistente e coletivo que tornava os caminhos da educação cada vez mais distantes de construir conhecimentos e teorias que contribuíssem para o avanço do sucesso escolar a sociedade não é inerte ela se movimenta de forma permanente a partir da história dos seus representantes de forma dialética foi assim a partir de teorias inovadoras que muitos educadores passaram a observar as práticas pedagógicas aprendemos então que para adotarmos um conceito de formação que consista em aprofundamento teórico metodológico é necessário partir da prática docente e também olhar de forma reflexiva para a realidade em que está inserido o contexto escolar para construirmos uma escola que reflita sobre sua ação quer seja na organização do trabalho pedagógico ou na do trabalho escolar é primordial dedicarmos atenção à prática pedagógica da escola o objetivo maior dos processos formativos é fazer com que cada professor se constitua em um pesquisador porque este é o maior instrumento de aprendizagem do mesmo no contato com as teorias e principalmente com a situação prática é que o professor adquire novos conhecimentos assim terá a possibilidade de ter um novo olhar imposto pela complexidade trazida através da interação sobre a prática a partir dos ensinamentos do mestre paulo freire assim como tantos outros que se empenharam em dedicar sua vida ao estudo da prática pedagógica dentro de realidades concretas de crianças jovens e adultos é que compreendemos que a formação continuada de professores deve ser concebida como um processo continuo e permanente de reflexão e analise das práticas pedagógicas sempre tendo presente a importância de um suporte teórico que balize este olhar partindo deste pressuposto precisamos buscar referenciais de educação/formação que evoluam tanto no plano epistemológico como teórico e metodológico para um processo que respeite a realidade dos sujeitos envolvidos no processo formativo e que os mesmos possam partir da análise de suas práticas concretas numa prática que deve ser reconstruída constantemente em consonância com a teoria pois no dizer de freire a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática ativismo olhando a realidade dos sujeitos suas histórias de vida refletindo sobre a prática docente e buscando pressupostos teóricos que fortaleçam este caminho devemos ir construindo em um processo dialético e dialógico a formação continuada formação esta que possibilite avanços no processo de construção de conhecimentos para todos os envolvidos nada está pronto nada está dado nada é o que parece ser então como já dizia saramago tudo no mundo está dando respostas o que demora é o tempo das perguntas este texto faremos uma bre ve reflexão sobre a importân cia para o desempenho da prática docente da formação continuada de professores olhando para o espaço pedagógico como parte do nosso cotidiano escolar pois na sociedade de hoje considerada letrada a linguagem da leitura e escrita é tomada como metodologia e é neste contexto que se insere a formação de professores durante longos anos na história da educação a formação tradicional não teve a preocupação de relacionar a teoria à prática concreta dos docentes os professores eram levados a executar tarefas copiar modelos e técnicas mas não a refletir sobre sua prática isso tornou o que fazer pedagógico como mero ato mecânico e repetitivo no dizer de girardi a formação do professor deve ser garantida para que ele possa ser um bom profissional porque treinar se treina animais reciclar se reciclam máquinas as pessoas se formam aqui a palavra formação não tem a conotação de ser algo que formata a pessoa e a coloca em uma forma mas é o ato do próprio sujeito ser capaz em processo de formar seus conceitos e garantir a construção de conhecimentos os discursos pedagógicos balizados por diferentes teorias elaboraram a partir de políticas e programas de educação diferentes visões de como organizar o currículo bem como que tipo de formação se faz necessária para solidificar as mesmas muito se viu e ouviu sobre modelos prontos a serem seguidos mas pouco ou quase nada se valiam das experiências n girardi corinta palestra proferida na universidade de passo fundo em 1996 freire paulo 1920 pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa paulo freire ­ são paulo paz e terra 1996 ­ coleção leitura saramago josé 1999 memorial do convento rio de janeiro bertrand brasil.

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a natureza da escola profº ms jaime fogaça a lguns dos princípios básicos do ser humano é saber con viver coletivamente a natureza humana ao longo de sua história evidenciou tal necessidade pela lógica da evolução do pensamento e das transformações provocadas e realizadas pelos diferentes momentos do surgimento de uma nova natureza mas afinal de que natureza falamos daquela cuja experiência coletiva supre e provoca nos indivíduos a buscar por organizar sua vida e a vida dos seus iguais quando entramos no universo da escola a partir de seu projeto cultural civilizatório percebemos que a perspectiva é racionalista e tem seu tempo de organização e sistematização dos saberes no entanto chega o momento em que a natureza humana e o conjunto das suas ações exigem que a escola vá além do padrão estabelecido e construa em sua natureza o espaço onde o indivíduo e o saber cientifico estejam inseridos nos espaços locais e globais mas sem que haja a desumanização de princípios que os torne integradores e socializados É preciso saber que a natureza humana é também a natureza da escola pois o espaço escolar se constituí como revelador dos conflitos dos medos das paixões dos desejos das trajetórias e das relações que os sujeitos estabelecem entre si e com o mundo portanto a escola em sua natureza é a própria imagem dos que os seus sujeitos que conseguiram ou não realizar seus desejos suas necessidades nas suas naturezas a escola é um agente transformador realizador e integrador não cabe mais um olhar voltado ao limitado processo de ensino-aprendizagem pois mesmo com outras limitações de caráter econômico e estrutural a escola é sim o portal para seus sujeitos encontrarem-se e perceberem-se nas suas vivências se teoricamente dizemos que a escola é um espaço complexo sem receios podemos afirmar que são as diferentes dimensões humanas que tornam esse espaço com as mesmas características se constituída por pensamentos complexos mas humanos é da natureza humana a complexidade e por isso atrativa lúdica formadora e provocativa a partir desses elementos de reflexão sobre a natureza da escola é que as diferentes experiências surgem no seu âmbito sejam elas de natureza formal ou não o importante é que possa ultrapassar as limitações do espaço físico e enxergar além dele ou seja integrar à convivência escolar as relações sociais os sentimentos de diferentes naturezas em relação à vida humana e também das demais vidas do planeta e primordialmente os desejos por desenvolver sabor e o amor pelo aprender na escola e não mais senti-la como natureza remota assim a escola não é só mais um prédio impregnado de regras e obrigações mas sim um espaço visto como a paisagem constituída por muitas imagens reais onde os elementos de natureza viva e não só representativa comungam de acordo com as suas experiências e de acordo com os saberes sistematizados sem necessariamente priorizar somente um desses elementos a cada dia a cada instante e a cada encontro a natureza escolar tornase mais viva mais desejada mais esperada pelo momento que se faz presente no cotidiano ela simplesmente acontece e nesse acontecer é espontânea mas organizada é complexa mas desperta o aprender e é formadora mas realizadora dos desejos das necessidades e dos princípios da natureza humana e portanto escolar nesse caminho de construção os momentos em que as práticas da escola se tornam necessárias para enfrentar as limitações que também fazem parte da natureza humana e escolar como o não acesso ao escrever ler refletir e produzir é importante para o encontro com o universo das experiências de vida e com a organizada vida escolar constituindo o sentido de existência da escola e reafirmando as trajetórias já elaboradas por seus sujeitos verifica-se aí que os saberes já elaborados são necessários que as novas experiências formadoras resultam da mediação dos diferentes momentos e processos históricos e por isso importantes e relevantes ao seguro e sentido de existência da escola essas provocações são algumas do universo de necessidades vontades e desejos contidos na natureza que a escola cria desperta e sem dúvida integra ao mundo ao sujeito e ao portador de uma necessidade muito importante de participar dessa natureza com a sua vida com os seus desejos e com suas experiências perceber a escola numa perspectiva sempre de renovação de encantamento e porque não de um espaço de realização dos sentimentos de conflitos e de conquistas e de projetos que constituem a natureza da vida formação em geografia mestre na área pela ufrgs membro da equipe do instituto integrar/rs.

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a escola e a educação necessárias à juventude da classe trabalhadora marco mello educador e coordenador pedagógico na rede municipal de educação de porto alegre-rs a juventude como problemática social e educacional p rogramas governamentais nas áreas de saúde e segurança pública ong´s de direitos humanos e com atuação na área social empresas e fundações ligadas ao terceiro setor pesquisadores ligados a universidades meios de comunicação de massa escolas todos parecem ter em um período relativamente recente ampliado o interesse e tematizado a situação da juventude na sociedade contemporânea isso se deve em boa medida a emergência dos novos movimentos sociais e culturais no processo de redemocratização da sociedade e da vida política nos anos oitenta e noventa também de pesquisas sobre as identidades coletivas contemporâneas e o multiculturalismo tais como as questões envolvendo os recortes étnicos de gênero e geracionais que alteraram profun damente a configuração desse debate um exemplo dessa atenção é a aprovação recente pela câmara dos deputados do estatuto da juventude o texto prevê os direitos e as políticas públicas destinadas aos jovens de 15 a 29 anos além de prever a criação da rede e o sistema nacional de juventude que incluirão conselhos estaduais e os sistemas de avaliação e informação sobre a juventude as políticas públicas previstas pelo estatuto têm como base a geração de trabalho renda e profissionalização dos jovens condições especiais de jornada de trabalho que possibilitem compatibilizar o emprego e os estudos direito a meia passagem nos transportes públicos intermunicipais e interestaduais para jovens dentro dessa faixa etária se a juventude é uma categoria que deve ser vista como uma construção social histórica cultural e relacional é preciso também lembrar que sob essa generalização escondem-se grandes distâncias e subsumindo outras tantas identidades o lugar de classe o pertencimento étnico-racial as questões de gênero a orientação sexual a adesão associativa a crença religiosa as preferências estéticas musicais etc portanto pode-se considerar a juventude como uma condição social que tem como parâmetro fundamental a faixa etária mas não se resume a ela assessora práticas formativas em educação junto à movimentos sociais e populares do campo e da cidade e processos de reconstrução curricular junto às administrações populares endereço eletrônico marcoantoniomello@terra.com.br os jovens e os indicadores da exclusão o reconhecimento dos jovens como sujeitos de direitos é recente novaes,2007 e as iniciativas de políticas públicas para a juventude sobretudo aquela empobrecida que vive na periferia são insignificantes diante dos enormes desafios contemporâneos ser jovem no brasil hoje é pertencer a um contingente de 50,2 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos mais de 1/4 da população brasileira desses 14 milhões são tidos como pobres pois a renda per capta de suas famílias não passa de meio salário mínimo o desemprego é maior entre os jovens pobres em torno de 26,2 do que entre os ricos 11,6 e ainda mais grave 68,3 dos jovens entre 18 e 24 anos não frequentam a escola castro e aquino 2008 aqueles matriculados no ensino médio encontram a dificuldade de conclusão e acabam em boa medida alimentando os altos índices de retenção e evasão na modalidade de cada 100 apenas 14 dos jovens conseguem cursar uma universidade pública esses são alguns dos indicadores do quanto tem sido traumática a travessia dos jovens da classe trabalhadora nesse desejo de uma real integralização de sua formação escolar e de uma inserção soberana no mundo do trabalho toda essa busca em um país que ainda mantém um padrão extremamente concentrado de partição da renda e da riqueza e como vimos pelos índices também do capital cultural.

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a escola e a educação necessária m especial as modalidades da educação de jovens e adultos a educação de nível médio e a educação profissional precisam urgentemente de uma reestruturação para que assim se possa de fato construir novos currículos que atendam aos anseios e necessidades da classe trabalhadora o que certamente implica ir muito além de uma política compensatória de curta duração e de preparação técnica para o mercado de trabalho e para as demandas do capital precisamos de escolas e edu e cadores que não dissociem as dimensões do trabalho da tecnologia da ciência e da cultura mas sim que valorizem os saberes resultantes das vivências trazidos por esses jovens que muitas vezes carregam consigo desde muito cedo as marcas de um processo de exploração e dominação uma escola que problematize as visões alienadas do senso comum e que favoreça uma formação omnilateral integral para a cidadania ativa e que também junto a isso capacite para a inserção crítica no mundo do trabalho para tanto é preciso discutir amplamente a função social da escola e da educação no contexto vivido a gestação de um novo modelo de desenvolvimento pautado na justiça social e na emancipação humana requer que necessariamente se faça uma reordenação das políticas públicas em educação com aprovação e implementação do novo plano nacional de educação 2001-2011 que se não tem o papel redentor e nem é tão avançado como gostaríamos coloca seguramente o debate da educação e seus desafios em um patamar superior ao existente pne desafios no horizonte a travessia da realidade vivi da à realidade desejada re quer que as experiências contrahegemonicas gestadas na sociedade civil nos movimentos sociais e populares no meio sindical possam ganhar consistência capilaridade e amplitude de forma a servir de parâmetro para as políticas públicas de estado e não apenas de governo mais do que isso é necessário que consigamos a aprovação de um plano nacional de educação ­ pne que aloque recursos suficientes para que possamos ter um desenvolvimento social e educacional compatível com o país que queremos com recursos públicos para as escolas pú blicas e uma educação que promova a criticidade e a automonia dos sujeitos por essa razão diversos movimentos sociais e populares centrais sindicais além de partidos e coletivos de esquerda têm se mobilizado em torno da campanha 10 do pib na educação pública já esta exige do governo federal que 10 do produto interno bruto pib do país seja destinado à educação pública com implantação imediata basta lembrar que no governo fhc tivemos em torno de 4 pib e no de lula 5,3 nagoya 2011 precisamos de medidas por parte dos gestores que busquem a adoção de um padrão custoa luno indissociável da qualidade o controle e regulação das iniciativas privadas na educação pelo estado como o voraz sistema s a valoriza ção de todos os trabalhadores em educação com formação permanente e em serviço e que comece com o pagamento do piso salarial nacional e a implementação de planos de carreira além disso faz-se necessária a democratização da gestão da escola a universalização do acesso a garantia de permanência e inclusão social na educação possíveis todas se com políticas de assistência permanência estudantil e ações afirmativas exigências que combinadas à ampliação da eja desde a alfabetização até a integração com a educação técnica e tecnológica e uma nova configuração do ensino médio e profissional nos seus tempos metodologias e focos podem alavancar uma nova fase de desenvolvimento social e humano em nosso país e não apenas econômica a serviço do capital o investimento em recursos para a educação e o conjunto das políticas públicas requeridas não terão efetividade todavia se não forem desencadeadas ações na concretude do chão da escola pelas comunidades e em uma perspectiva emancipatória.

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as juventudes da classe trabalhora e a educação popular n a especificidade pedagógi ca a opção pela educação popular freire 1983 mello 2011 requer um processo dialógico onde educadores e educandos reflitam analisem debatam e construam conhecimentos significativos explorando as contradições e ambiguidades para o avanço possível É a práxis político-pedagógica libertadora que vai construir o sonho possível freire 1998 citolin 2005 e acumular na direção de um projeto histórico de emancipação das classes populares para além do capital mÉszaros 2005 afirmar uma prática pedagógica popular implica repensar no plano pedagógico os critérios de seleção organização e hierarquização dos conhecimentos a serem trabalhados com as juventudes da classe trabalhadora na eja no ensino médio ou na educação profissional partindo dos saberes práticas e culturas dos próprios educandos implica em buscar uma prática interdisciplinar dialética mÉjia jimÉnez 1989 que supere progressivamente o isolamento das disciplinas em si e da própria realidade em uma dupla ruptura epistemológica santos 2007 seja em relação aos saberes populares seja em relação aos saberes científicos implica no desvelamento crítico dos processos de exploração dominação e opressão estimulando no plano político ações coletivas e organizadas na busca da superação das condições de desigualdade social como pertinentemente lem bra frigotto 2009:135 o olhar da escola e de seus profissionais que queiram pautar essa agenda cobra dois movimentos concomitantes estar com os movimen-tos sociais e com suas lutas e exercer no terreno que nos cabe uma crítica implacável aos governos reformistas e aos organismos internacionais sentinelas e intelectuais do sistema capital e de sua natureza destrutiva e mutila¬dora de direitos e de vidas humanas nessa direção é preciso determinação aliada à generosidade para trabalhar com a diversidade sócio-cultural aprender e valorizar as experiências e os saberes da classe trabalhadora querubin 2005 ao mesmo tempo em que façamos o bom combate às desigualdades sociais produzidas pela classe que vive da exploração do trabalho dos outros os deserdados da terra comecemos socializando os recursos necessários para tanto um plano nacional de educação com qualidade social e 10 do pib para a educação pública referências bibliográficas abramovay miriam andrade eliane ribeiro esteves luiz carlos gil orgs juventudes outros olhares sobre a diversidade brasília ministério da educação secretaria de educação continuada alfabetização e diversidade unesco 2007 castro jorge abrahão de aquino luseni orgs juventude e políticas sociais no brasil ipea ­instituto de pesquisas aplicadas ministério da fazenda governo federal texto para discussão n.1335 brasília abril de 2008 citolin soloá o processo metodológico do programa integrar in querubin docimar org educação de jovens e adultos a experiência dos metalúrgicos do programa integrar/rs porto alegre tommo editorial camp 2005 pp.131-136 freire paulo pedagogia do oprimido 12 ed rio de janeiro paz e terra 1983 educação o sonho possível in brandÃo carlos rodrigues org educador vida e morte 11 ed rio de janeiro graal 1998 frigotto gaudêncio escola e trabalho numa perspectiva histórica contradições e controvérsias sísifo revista de ciencia da educação n.9 pp.129-136 disponível em htttp:sisifo.fce.ul.pt acesso em nov 2011 mÉjia jimÉnez marco raúl educação popular pedagogia e dialética ijuí ed unijuÍ 1989 mello marco culturas e identidades juvenis na educação de jovens e adultos tensões e desafios in oliveira everton ferrer de loch jussara aguiar helvécio orgs formação de educadores de educação de jovens e adultos anais do seminário nacional porto alegre deriva 2011 mÉszaros istván a educação para além do capital são paulo boitempo 2005 novaes regina juventude e sociedade jogos de espelhos revista sociologia ano i n 2 especial juventude brasileira 2007 pp 6-15 nagoya otávio campanha exige 10 do pib para educação no brasil revista caros amigos out 2011 p.32-33 querubin docimar org educação de jovens e adultos a experiência dos metalúrgicos do programa integrar/rs porto alegre tomo editorial camp 2005 santos boaventura de sousa renovar a teoria crítica e reinventar a emancipação social são paulo boitempo 2007.

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a organização do currículo do proe romir rodrigues professor de geografia e coordenador do proeja do instituto federal do rio grande do sul ­ campus canoas s fenômenos sociais e his tóricos permitem a observa ção em um primeiro momento apenas de sua aparência pois sua essência sempre contraditória e em movimento permanece refratária a uma percepção imediata para a compreensão da essência dos fenômenos é necessário estabelecer um processo de análise que procure englobar as suas várias dimensões e as diferentes forças que nele atuam numa perspectiva de totalidade nessa direção analisar o programa nacional de integração da educação profissional com a educação básica na modalidade eja ­ proeja ­ requer percebê-lo no mínimo em dois aspectos importantes um deles está relacionado ao fato do programa integrar um conjunto de movimentos iniciados a partir do governo lula que redefiniram a política da educação profissional no brasil esta redefinição foi permeada por disputas entre os diferentes sujeitos sociais como os sindicatos as empresas o sistema s e a rede federal sendo portanto atravessada por interesses contraditórios a segunda dimensão é a da sua implantação efetiva especialmente na rede federal de educação profissional cuja inércia institucional ainda está carregada de práticas que muitas vezes não dialogam com as demandas dos educandos da educação de jovens e adultos aprofundando o aspecto do proeja enquanto política pública este se constitui em um programa instituído pelo decreto 5.840 de 13 de julho de 2006 que alia o aumen o to da escolaridade à formação profissional articulando a educação de jovens e adultos com a educação profissional segundo o documento base do proeja a pretensão é articular uma formação humana com garantia do acesso aos diversos saberes produzidos historicamente pela humanidade integrada a uma formação profissional com sólida base científica e tecnológica que permita não só compreender o mundo mas sobre ele agir na construção de uma sociedade mais justa e solidária nesse sentido o proeja pretende contribuir para a diminuição das desigualdades sociais indicadas por exemplo em dados que apontam para o fato de 65,9 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais ainda não terem concluído o ensino fundamental ou que 10 milhões de pessoas maiores de 14 anos integradas à atividade produtiva serem analfabetas ou subescolarizadas para atingir este objetivo o proeja propõe a instituição de um currículo integrado que busca articular os eixos do trabalho ciência e cultura numa concepção que voltada para a eja reconhece os saberes produzidos no mundo do trabalho e nos diversos espaços sociais na direção de uma formação integral para isso é proposto pelo documento base o estabelecimento de uma organização curricular que supere os limites dos modelos tradicionais fundamentados em disciplinas e na rigidez dos tempos e espaços uma estrutura curricular que implemente uma abordagem de conhecimentos e práticas interdisciplinares baseadas em metodologias dinâmicas que partam da valorização dos saberes dos educandos e de suas realidades o currículo proposto para o proeja avança numa direção mais crítica visto que reafirma a concepção de homem como ser históricosocial busca desenvolver uma perspectiva de totalidade e integração de saberes por meio de práticas interdisciplinares com o protagonismo dos educadores e dos educandos na condução do processo educativo e tem a pesquisa e o trabalho como princípios educativos para desenvolver estes pressupostos o documento base do proeja projeta como possibilidades metodológicas a organização do currículo por complexo temático centrado em resolução de problemas mediado por dilemas reais vividos pela sociedade e por Áreas do conhecimento ou seja independente da metodologia adotada a organização curricular deve ser centrada na integração no diálogo de experiências no estudo da realidade local e na elaboração de um planejamento coletivo e participativo na análise dos pressupostos do proeja é possível identificar que os limites para a sua implantação não estão na legislação ou na dimensão de política pública mas sim no segundo aspecto anteriormente indicado na sua implantação efetiva nas instituições educativas especialmente os institutos federais ­ ifs ­ locais prioritários para o desenvolvimento do programa de modo geral os ifs apesar de possuírem uma institucionalidade recente carre dados censo ibge 2000 retirados do documento base do proeja

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eja perspectivas e possibilidades gam para o bem e para o mal uma longa tradição das antigas escolas técnicas se esta tradição gera em alguns casos uma excelência na formação profissional em outros dificulta a entrada de novas metodologias e arranjos curriculares de tempo e espaço necessários para trabalhar com as classes populares foco do proeja tais dificuldades se constituem em vários momentos do desenvolvimento do programa iniciando na definição de cursos sem uma investigação do arranjo produtivo e das demandas sociais locais passando pela realização de processos seletivos por meio de provas e pela organização curricular disciplinar cindida entre componentes de formação geral e de formação profissional que não dialogam entre si outro elemento importante é a formação do grupo de educadores que de maneira geral não está preparado para trabalhar com as exigências da eja empregando equivocadamente os mesmos procedimentos metodológicos utilizados nas aulas dos demais cursos aprofundando um pouco mais a questão curricular e atendo-se às experiências com as quais dialoguei observam-se as mesmas sequências didáticas características do ensino médio regular a rigidez nos tempos e espaços a invisibilidade dos conhecimentos que os educandos construíram ao longo da vida e dessa forma reafirmam-se as mesmas práticas pedagógicas que foram responsáveis pela exclusão dos sujeitos em suas trajetórias escolares É necessário ressaltar porém o fato de existir educadores que implementam metodologias diferenciadas propõem ativid ades interdisciplinares e se preocupam em partir dos conhecimentos e saberes construídos ao longo da vida dos educandos outras formas de pensar o currículo começam a ser gestadas com o perceber as áreas do conhecimento como importante instância de articulação do trabalho pedagógico a implantação de eixos formativos selecionados a partir de questões da vida dos educandos e do mundo do trabalho e a realização de projetos de trabalho interdisciplinares o proeja é portanto um programa que possui uma potencialidade significativa em termos de inclusão das classes populares e na qualificação dos trabalhadores em especial os que apresentam uma trajetória formativa intermitente além disso constitui-se em uma política consistente para a reafirmação do caráter público da rede federal ao trazer para seu interior de forma permanente sujeitos que tradicionalmente estavam dela afastados conclui-se nesta rápida e sintética análise que o proeja tem muito a avançar mas já é hoje uma importante iniciativa para o aumento da escolaridade e para a qualificação profissional mas que enfrenta dentro da rede federal um conjunto de resistências da mesma forma o trabalho permanente de vários educadores começa a erodir estas resistências abrindo espaços para a entrada de novas formas de pensar a educação em especial no ensino profissional e o papel social dos ifs para o proeja estes são momentos de travessia de construção e reconstrução de sua identidade como uma importante política pública para o desenvolvimento social e econômico do país e de cada pessoa uma possibilidade para o avanço é a realização de uma refundação deste programa com a retomada dos princípios e concepções expostas no conjunto de documentos que o criaram e sua transformação em práticas concretas no interior das instituições bibliografia frigotto gaudêncio ciavatta maria ramos marise ensino médio integrado concepções e contradições são paulo cortez 2005 setec/mec documento base do programa nacional de integraçãoda educação profissional com a educação básica na modalidade eja brasília 2007.

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educação profiss construindo a formação dos trabalh 1 um debate atual antonio almerico biondi lima educador popular pedagogo doutor em educação ufba ex-diretor de qualificação do ministério do trabalho e emprego 2003-2007 e sup h á um aparente consenso so bre a necessidade de educa ção profissional as diversas centrais de trabalhadores empresariado local e multinacional diversos setores e níveis de governo organizações não governamentais agências multilateriais a opinião pública em geral concorda com a necessidade e expansão desta modalidade de educação mas tal aparência se desfaz rapidamente quando se pergunta educação profissional para quê para quem como onde quais conteúdos devem ser aprendidos a primeira questão é definir o que é educação profissional para fins deste artigo educação profissional é um conjunto de políticas programas e ações de educação independente do nível e de sua relação com a escolaridade,cujo princípio e objetivo é a formação para o trabalho em todas as suas formas a definição é ampla o suficiente para abarcar como preconiza a ldb os cursos superiores de tecnologia os cursos técnicos de nível médio e os cursos livres sem vinculação com a escolaridade denominados de qualificação profissional embora tais cursos sejam chamados de vários nomes adestramento treinamento capacitação etc o anúncio do programa de acesso à educação profissional e tecnológica pronatec recrudesceu o debate e exige reflexões críticas sobre o desenvolvimento desta política pública tão importante para o desenvolvimento social econômico e ambiental do brasil 2 um breve passeio na história da educaçãoprofissional no brasil p ara entender o atual estado da educação profissional no brasil pode-se utilizar várias abordagens partindo do pressuposto que a formação de trabalhadores sempre foi objeto de disputa envolvendo os donos do capital seus representantes no estado e os próprios trabalhadores o que está em jogo é a qualificação do trabalhador entendida comoos conhecimentos necessários para realizar um determinado trabalho este conceito sociológico não deve ser confundido com o termo qualificação profissional que tem um sentido mais restrito de cursos sendo fundamental para a produção do mais-valor e portanto adquire papel estratégico nas interações capital e trabalho a primeira abordagem envolve a historicização do desenvolvimento da educação profissional no brasil colônia e império formar para trabalho era algo para órfãos e desvalidos constituindo uma rede de escolas confessionais que dura até hoje já os escravos eram formados no trabalho forçado e a elite ia estudar nas cortes portuguesa e francesa e posteriormente nas poucas faculdades criadas por aqui no brasil da 1a república as experiências de formação de trabalhadores conduzidas por socialistas e anarquistas escolas livres são sufocadas pela repressão e se instala em 1909 a 1a rede pública as escolas de artífices mantidas pela união que viriam a constituir a atual rede federal de educação com o estado novo transfere-se parte da responsabilidade da formação dos trabalhadores para o trabalho para o empresariado sendo criados o senai e o senac base da rede pública sob gestão privada denominada sistema s mais ou menos nes te período foram criadas também escolas públicas estaduais cujo desenvolvimento seria desigual e cíclico ao longo do século xx a estas grandes redes se somam em relação aos cursos técnicos,as iniciativas de escolas privadas escolas municipais escolas vinculadas às universidades e em relação à qualificação profissional um sem número de entidades de clubes de mães sindicatos empresas universidades corporativas igrejas organizações não governamentais etc nestes processos históricos ficam evidentes questões recorrentes como vinculação com o modelo de desenvolvimento ,a dicotomia autonomia-subordinação relação com a educação básica categorias de trabalhadores selecionados para qualificação financiamento público de ações privadas etc.

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sional para quê hadores para além do falso consenso 3 uma 2ª abordagem o campo qualificação e seus atores perintendente de educação profissional da bahia 2008 até o presente p odemos encarar os processos envolvendo qualificação como um campo de forças e de luta bourdieu ou seja um espaço social onde as disputas pelo controle de objetivos conteúdos métodos e recursos se desenrolam neste campo os atores sociais transitam e sua capacidade de intervenção lhes dão papel de protagonistas coadjuvantes ou meros figurantes como no mundo da arte os papéis podem se inverter resultado das lutas e do reconhecimento da capacidade de intervenção da cada ator analisando o campo qualificação nos últimos 25 anos podemos observar tais mutações por exemplo verifica-sea forte presença das agências multilaterais nos anos fhc enfraquecidas nos governos lula a ambiguidade e complementariedade do ministério do trabalho e emprego mte e ministério da educação mec em todo o período o permanente protagonismo do empresariado e o papel quase coadjuvante por vezes figurante das organizações de trabalhadores bourdieu afirmava que no cam po em contraponto aos sacerdotes responsáveis por manter a tradição e a liturgia do campo ou seja manter as relações de poder estáveis em poder de um pólo hegemônico aparecem profetas quase sempre heréticos que questionam as estabilidade do campo e dão fundamento às lutas travadas dentro dele o momento atual é auspicioso para que tais heresias se afirmem questionando o estabelecido principalmente aquelas testadas e ancoradas em base social popular 4 algumas das heresias que estão modificando as relações de força do campo qualificação a formação integral e currículo integrado a concepção de educação profissional como educação permite pensar a formação do estudante jovem e/ou trabalhador,como pessoa humana trabalhador/a e sujeito de direitos uma das formas de integração experimentada pelo movimento sindical cut foi a principal prática de resistência à separação da educação básica da educação profissional nos anos fhc adotada atualmente pelo mec e reintroduzida pelo decreto 5.154 2004 que revogou o famigerado decreto 2.204/96 a integração da educação básica com a educação profissional é uma necessidade permanente seja como forma de humanizar o currículo seja como base científica da tecnologia ou ainda como forma de reintroduzir o trabalho no ensino médio na rede estadual da bahia corresponde por mais de 75 da oferta de cursos b eixos tecnológicos arcos ocupacionais introduzida pelo mec no 1o governo lula a classificação dos cursos tecnológicos e técnicos de nível médio em eixos tecnológicos além de vinculá-los a uma base científica comum e permitir a discussão sobre o papel social das tecnologias contribui para a regulação da oferta de cursos objeto de disputa no campo qualificação já os arcos ocupacionais foram elaborados pelo mte e introduzidos em ações de qualificação profissional e no programa projovem como estratégia de superar a tradicionalfragmentação curricular voltada para uma única ocupação ou meramente atividades dela com uma formação ampla que ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de inserção no mundo do trabalho possa ser ponto de partida para os processos posteriores de qualificação c ciências humanas e da linguagem nos cursos de educação profissional e a formação de seus educadores a base científica não pode se limitar às ciências exatas e naturais as ciências humanas e da linguagem são bases necessárias para a formação integral neste sentido os currículos das disciplinas da base nacional comum podem influenciar as da formação técnica es-

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