eisFluências - Revista Literária e Informação

 

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eisFluências - Revista Literária e Informação eisFluências - Literary Magazine and Information Revista de Fevereiro de 2012 Magazine 2012 February Revista literária e informação em lingua portuguesa e eventualmente com artigos em espanhol

Popular Pages


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issn 2177-5761 issn 2177-5761 9 772177 576008 revista bimestral fevereiro/2012 ano iii núm xv universidade da lusofonia para a integração do espaço lusófono ­ antecipar o futuro criar uma nova sagres do espaço lusófono por antónio justo a consciência social na sua dinâmica de desenvolvimento foi evoluindo da organização de tribo para a estrutura de estado/nação encontrando-se hoje no seu flanco mais avançado na era pós-nacional nesta era de mudanças globais rápidas a nível de supraestruturas no sentido dum tecto comum criam-se problemas de aferimentos de identidades culturais não chegando para os resolver uma ideologia apelativa ao progresso ao dinheiro e relações de mercado como se estes possibilitassem a formação duma plataforma metafísica de identificação comum a velocidade do desenvolvimento é tão rápida que torna inseguras pessoas nações e culturas com outro ritmo ou estado de desenvolvimento para corrigir o curso geral da sociedade global a caminho da entropia o espaço lusófono unido teria de tomar medidas de fomento duma consciência de pertença a uma biosfera natural e cultural comum formada por ecossistemas étnicos de convergência numa relação de complementaridade o biossistema necessita do sol tal como o biossistema lusófono precisará dum ideário/vivência comum não é razoável a implementação dum sistema artificial de conexões baseadas no mero intercâmbio mercantil sem se ter em conta o substrato humano de relacionamento alicerçado na dignidade da pessoa humana e consequente comunidade neste sentido seria óbvio que os países do espaço lusófono cplp se unissem na definição dos pilares dum tecto metafísico comum e para isso começassem por criar um modelo de universidades de expressão conjunta que se tornassem em oficinas mentais de todo o espaço lusófono os países da cplp poderiam criar uma nova escola de sagres para si e para o mundo na continuação do espírito do infante d henriques encontramo-nos num momento histórico de acentuada erosão do sentido de solidariedade de comunidade e de dignidade humana a sociedade do mercantilismo liberalista global impõe-se de maneira tão vigorosa que as nações não podem resistir à sua força sendo levadas na sua avalancha isto só serve o grupo restrito dos mais fortes com a crise da civilização ocidental ­ civilização motora da história global desde os descobrimentos portugueses todo o mundo se encontra em crise a crise é uma oportunidade uma situação de gravidez que prepara o momento de dar à luz um novo ser trata-se de reconhecer não só os sinais dos tempos mas também as leis da evolução da história a mundivisão árabe é dominada sobretudo pelo princípio da subjugação e do medo o mundo asiático pelo fado individualista funcionalista o mundo cristão que constituiria a mundivisão mais integral aberta e humanista encontra-se numa fase de desnudação da pessoa no sentido do indivíduo a caminho dum tipo de homem chinês o significado de pessoa e de comunidade são desvirtuados no sentido do indivíduo e do colectivo neste sentido convergem o comunismo materialista o capitalismo liberal o islão e uma certa filosofia tradicional asiática de referir que capitalismo e comunismo são filhos do cristianismo a china e a Índia se não se perderem em lutas intestinas parecem preparar-se para determinar o destino da humanidade isto significará uma acentuação da degradação da pessoa para mero indivíduo cliente e súbdito esta era dum politeísmo oportuno tem tanta força que ameaça arrastar no seu movimento não só nações mas até uma civilização que pretendia compatibilizar monoteísmo e politeísmo pessoa e sociedade neste contexto seria a hora de o espaço lusófono tentar salvaguardar o genuíno espírito humanista e social que até a europa e a américa põem em perigo num mundo sem tecto metafísico chove por todo o lado em casa e na sociedade o espaço cristão inclui uma visão optimista do mundo precisando naturalmente duma clivagem como demonstra a sua crise os princípios da crise que dele surgiu contêm neles as forças para a sua solução os países lusófonos têm já dado alguns passos no sentido duma maior interligação e co-responsabilização uma solução de perspectiva nacional não proporciona uma iniciativa à altura da exigência da época esta precisa da complementação dum valor maior um ideal comum a realizar o brasil criou a universidade federal da integração luso-afro-brasileira unilab voltada para os países da África o próximo passo seria a criação duma universidade aberta da lusofonia para todo o espaço lusófono esta teria o fim de integração cultural social política económica sob a bandeira da língua e duma mundivisão cristã aberta o seu sentido seria fomentar uma cultura com uma identidade comum partido de sinergias já existentes nos países da cplp mas a ser alargadas a uma nova filosofia e consequente estratégia a parceria solidária basear-se-ia no princípio da complementaridade convénios de cooperação e intercâmbio científico e de pessoal entre universidades conhecimento e aperfeiçoamento das línguas e culturas locais aperfeiçoamento artístico e iniciativas no sentido de celebração e vivência da festa comum uma maneira diferente de estar no mundo implica uma nova estratégia ligada a uma pedagogia diferente um projecto político-pedagógico do espaço lusófono terá sempre como ponto fulcral fomentar sinergias integradoras de polos extremos masculinidade e feminidade a língua portuguesa lusofonia é o ponto de ligações e relações cruzadas de indivíduos tribos raças civilizações culturas e valores reunidos numa atitude diferente perante si e o mundo e numa maneira própria de estar e de ser a nível individual e social no e com o mundo neste sentido ao repensar-se a lusofonia no âmbito da cplp contribuir-se-ia para uma maneira diferente de estar no mundo aquela maneira de ser que a alma lusa realizou antes nas descobertas e continua hoje a realizar na emigração colaborando para a emancipação integral.

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02 eisfluências fevereiro 2012 esta maneira der estar diferente em sociedade e no mundo interpretá-la-ia deste modo uma maneira de ser relacional cum grano salis com humor a religião a ciência a política a economia e a ideologia querem-se na sociedade e na vida apenas como partes complementares e encaradas com espírito de humor o mesmo se diga quanto à energia masculina e feminina a acentuação exagerada das forças masculinas virilidade na sociedade e na pessoa conduziu-nos ao empasse em que nos encontramos momentaneamente seria interessante neste contexto ocupar-nos um pouco com o espírito luso um espírito mais mãe que pai e que por isso se antecipou nas descobertas e se encontra espalhado em migração pelo mundo aquela atitude de alma escondida no coração dos marinheiros portugueses e que seguia nas naus/caravelas para novas paragens realizava-se na admiração e mistura com as mulheres das novas paragens aqueles homens entregavam-se de coração e alma sem preconceito nos braços delas para nelas se perderem e ressurgirem de novo mais acrescentados no mestiço assim não só o estado cumpria a missão civilizacional de dar novos mundos ao mundo mas também a alma lusa a nível individual cumpria o seu destino de se rever criando e dando novos mundos ao mundo nas novas raças nas novas maneiras de estar a alma lusa um estado hibrido de homem e mulher reconhece-se bem no mestiço nela se junta o indivíduo e o colectivo e nela se esvaem os limites circundantes a alma lusa não se deixa reduzir à definição não faz a distinção clara entre poesia e prosa sabendo-se reunida na prosa poética sim a alma lusa é prosa poética num acontecer de prosa a deslizar na poesia a componente civilizacional lusa terá que comportar sempre os diferentes pilares civilizacionais ultrapassa barreiras étnicas culturais e continentais em vez de cultivar um ressentimento contra os seus invasores sabe assimilar o saber das civilizações invasoras guardando delas na memória colectiva o saber e tecnologias dos fenícios egípcios gregos romanos germanos mouros que lhe passaram pelo território por outro lado soube chamar a sagres os melhores especialistas da altura em questões de navegação e astronomia dos seus antepassados as tribos lusitanas soube guardar o mito de que eram pacíficas mas valentes e bons guerrilheiros quando atacados este espírito esteve na base do desenvolvimento do processo de miscigenação rácica e cultural concretizado no milagre brasileiro da miscigenação esta componente civilizacional é hoje continuada especialmente por portugueses e brasileiros espalhados pelo mundo onde chegam integram-se como outrora os nossos antepassados integraram o que lhe parecia estranho daí a sua experiência À terra onde fores ter faz como vires fazer assim sem se imporem levaram ao mundo com espírito templário simbolizado nas velas das suas caravelas cruz de goles a missionação que foi o seu contributo civilizacional europeu para o mundo portugal foi precoce ao assumir outrora a pesquisa científica e tecnológico como política de estado soube reunir o espírito cristão convergência da fé de israel filosofia grega e jurisprudência romana ao saber tecnológico colocado como tarefa e missão de estado já no início da lusitanidade a corte atraia a si os sábios e técnicos do mundo dando-lhes trabalho esta tradição tem exemplo já no próprio d dinis que se rodeava de literatos doutras regiões por outro lado a tolerância portuguesa atraia também cientistas judeus perseguidos na espanha numa estratégia de afirmação complementar soube integrar o espírito tribal lusitano godo judaico latino e árabe tornando-o património do português e da nação não se afirmando pela diferença mas pela integração esta via constituiu a diferença lusa na sua maneira de estar no mundo quem hoje teria melhores condições para liderar um tal projecto de lusofonia seria certamente o brasil universidade da lusofonia para a integração do espaço lusófono uma universidade da lusofonia para a integração lusófona tornar-se-ia na interface das diferentes culturas dos países da cplp nesta universidade deveriam privilegiar-se cursos de mais-valia na promoção duma identidade do espaço lusófono promoção do estudo da história e da sociologia/antropologia dos diferentes biótopos culturais sob um ponto de vista hermenêutico e fenomenológico sinopses comparativas e sinergéticas os cursos a ministrar deveriam abranger áreas de interesse mútuo e direccionados para o fomento duma consciência comum gestão administração formação de quadros economia história literatura arte teologia educação cultura relações exteriores e espaço lusófono fenomenologia das suas mitologias arqueologia etc um curso de hermenêutica das diferentes culturas e subculturas seria muito importante para se cristalizarem constantes de identificação curso sobre os mitos base das nossas culturas e estudo comparativo entre elas sobre modelos atitudes e níveis de valores morais isto promoveria no espaço lusófono o espírito positivo e o sentido de pertença e de vida como povo sem sentido de vida não se pode ter auto-estima nem verdadeira autonomia nem rumo o sentimento de inferioridade e o medo são a doença que leva a construir muros fortes mas que extinguem a liberdade da qual surge o espírito criativo como exemplo de consistência não de vida podemos ter o mundo islâmico que se define não pelo específico das nações mas pelo código religioso e moral naturalmente que este é um exemplo de ficha tÉcnica director victor jerónimo portugal/brasil directora cultural carmo vasconcelos portugal responsável pela redacção mercêdes pordeus brasil design gráfico e composição victor jerónimo nosso sítio http www.eisfluencias.ecosdapoesia.org conselho de redacção abilio pacheco brasil carlos lúcio gontijo brasil humberto rodrigues neto brasil luiz gilberto de barros brasil marco bastos brasil petrônio de souza gonçalves brasil rosa pena brasil correspondentes alemanha antónio da cunha duarte justo argentina maría cristina garay andrade bielorussia oleg almeida brasil elizabeth misciasci cabo verde nuno rebocho espanha maría sánchez fernández revista de eventos actualidades notícias culturais político/sociais e outras mas sempre virada à directriz cultural nas suas várias facetas propriedade de mercêdes batista pordeus barroqueiro recife/pe/brasil tiragem 100 ex distribuição gratuíta divulgação via internet depósito legal lei do depÓsito legal lei n° 10.994 de 14 de dezembro de 2004 biblioteca nacional brasil isnn 2177-5761 contacto eisfluencias@gmail.com dois anos 2009-2011

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eisfluências fevereiro 2012 03 prática antagónico ao espírito luso que se define a partir da base e da terra e não a partir de cima como são exemplo extremo o sistema muçulmano e o sistema comunista da coreia do norte e da china deles só podemos aprender que a união faz a força uma universidade virtual da lusofonia uma outra via passaria pela criação duma universidade virtual da lusofonia em parceria da cplp onde professores das diferentes universidades do mundo lusófono através da internet poderiam começar por ministrar disciplinas gratuitamente por amor à camisola como se diz no mundo do futebol ou orientassem cursos criar-se-ia uma espécie de universidade popular de alto nível onde professores e estudantes online frequentassem intercomunicassem e se pudesse credenciar os estudos feitos isto seria tecnicamente possível e concorreria para a democratização dum ensino de alto nível um tipo de ensino mais maternal e menos masculino como exemplo de funcionamento a nível de professores e de alunos a universidade virtual da lusofonia poderia orientar-se pela iniciativa do professor dr sebastian thrun um projecto fantástico que se serve de vídeo-conferências foros chat etc o nosso caminho faz-se a caminhar no espírito da ortopraxia da velha escola de sagres o caminho feito pode tornar-se num impulso para melhor se descobrir a própria singularidade e para no sentido da lusitanidade cheguemos onde chegarmos realizarmos a missão individual e comum de transformar o cabo das tormentas em cabo da boa esperança antónio da cunha duarte justo www.antonio-justo.eu ps este artigo foi feito na continuação de artigos concebidos sob o tema repensar portugal recriar o ocidente activar a lusofonia tenciono elaborar outros e publicá-los todos numa monografia em livro qualidade do ensino ministrado inscrevem seus filhos em escolas de qualidade longe das favelas ou no ensino privado vocacionado para a qualidade uma ideologia da igualdade momentânea exige todo o aluno tem de passar de ano automaticamente num sistema de ensino indiferenciado isto é fraude às classes sociais precárias e menos atentas estas só descobrem o dolo e o tempo perdido ao chegarem ao mercado de trabalho a divisão do país começa com a divisão da língua o mec ministério da educação e cultura do brasil distribuiu um livro por 4.236 escolas para quase meio milhão de alunos que estabiliza barbaridades do discurso popular falado como estas os livro ilustrado mais interessante estão emprestado você pode estar se perguntando mas eu posso falar os livro nós vai naturalmente que é dever da escola pegar no aluno com respeito por ele no estádio onde se encontra independentemente do nível da linguagem mais ou menos adequada por ele usada É natural que na perspectiva do meio popular a criança ao dizer nós vai não comete erro porque seguia o padrão social ambiental onde não há ciência não se pode culpar a consciência apesar dos reparos ao livro distribuído por cientistas da língua para o mec ele corresponde aos pcns parâmetros curriculares nacionais normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didácticos o mec argumenta a escola precisa livrar-se de alguns mitos o de que existe uma única forma certa de falar a que parece com a escrita e o de que a escrita é o espelho da fala afirma o texto dos pcns o mec parece considerar o ensino um acto colonizador sentindo-se mais propenso a incrementar um analfabetismo funcional a eterna questão entre educar e instruir a escola não pode querer a bagunça da língua nem pode esgotarse no combate ao preconceito linguístico a vida social com as injustiças sociais a ela inerentes só se melhora ajudando os alunos a estarem preparados para enfrentarem a vida social e profissional com dignidade a fonte do preconceito está na injustiça da desigualdade de oportunidades e esta começa pela língua quem vai para a escola acredita na ascensão social também é natural que qualquer variedade da língua se adequa a uma situação o aluno deve ser especialmente preparado para se desembaraçar nas situações mais exigentes a má consciência duma sociedade que discrimina à nascença não remedia a situação recorrendo apenas a eufemismos de linguagem apenas se desobriga sociológica e psicologicamente facto é que o emprego duma linguagem inadequada pode constituir um erro para a vida pretendida sem esforço não se avança a água não sobe pelos rios para subir tem de se espiritualizar em vapor o mesmo se diga duma pessoa dum povo ou duma cultura criar a impressão que o progresso se alcança sem disciplina regras gerais sem vontade de subir sem liberdade criativa é discriminar pela negativa para baixo anda a chuva pensar faz doer o ensino pressupõe uma pedagogia desadaptada da sociedade dominante doutro modo como aprenderão os alunos em tempo útil a levar a água ao seu moinho para andarmos na estrada precisamos de regras código ou regras de trânsito para circularmos na sociedade precisamos de conhecer as regras da língua a gramática doutro modo passaremos a vida a andar por carreiros ou por estradas camarárias sem termos a possibilidade de entrar nas auto-estradas da vida social as elites hodiernas sem conteúdos nem ideias humanos optam pelo simplismo para oferecerem aos distraídos da vida têm sexo diversão e opinião isto é de graça para todos o poder e o melhor pão esses são para os que se empenharam na sua formação no mundo da opinião toda a gente tem razão só que a língua é anterior à filosofia e para se ter razão não chega a opinião é precisa a razão que advém da sua fundamentação no mundo do dogma da verdade da opinião preparam-se as pessoas a ter brasil país em ascensão assume modelos decadentes facilitismo ocidental é mau exemplo para países no vigor da sua juventude por antónio justo É proibido proibir tudo é relativo quem manda nos substratos inferiores é a opinião defendem os novos profetas da política da psicologia e da sociologia oriundos de povos desenvolvidos mas já virados para o pôr-do-sol da civilização nações jovens deixam-se combalir por ideias e práticas de declínio válidas talvez para civilizações decadentes mas não para nações ou culturas ascendentes à tribuna do desenvolvimento uma rede de elites a nível internacional une-se para do alto do seu mirante ditar as suas sentenças e impedir o desenvolvimento dos biótopos culturais tal como fez na paisagem uma economia que devastou as florestas naturais ao colonialismo económico parece seguir-se o colonialismo cultural este parte de areais cerebrais aparentemente anónimos e ávidos de poder as nações abdicam de si mesmas para estarem atentas aos deuses do olimpo no seu arrastar das cadeiras aqui troveja o deus da sociologia acolá pontifica o deus da moda mais além ribomba um deus da universidade com outros deuses da jerarquia e ao povo mesmo culto resta-lhes levantar a cabeça e cacarejar como habitantes dum galinheiro enquanto nações culturalmente conscientes se preocupam em fomentar a qualidade do ensino observa-se em certas nações a tentação de educar para o facilitismo em nome duma socialização do ensino baixam-se os critérios de qualidade e as exigências na maioria dos estabelecimentos de ensino estatal por outro lado as classes dominantes,conscientes da importância da

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04 eisfluências fevereiro 2012 sem razão e assim a aceitarem a opinião sem destrinça nisto está interessado um globalismo que pretende reservar para poucos a capacidade de pensar e vê na formação séria da maioria um impedimento às suas arbitrariedades manter um povo na incapacidade de se expressar é o melhor pressuposto para uma ditadura consistente e para impedir a concorrência de possíveis competidores treinados a defesa e empenhamento pelo proletariado não podem abdicar da qualidade não chega o para quem é bacalhau basta o homem define-se e desenvolve-se pela língua na capacidade de diferenciações dentro duma língua podemos observar a maior ou menor capacidade de expressão dum povo ela é como que a sua matriz e dá testemunho do seu maior ou menor grau de desenvolvimento intelectual a língua é ao mesmo tempo a minha casa e a minha Ágora ela é não só abrigo mas também expressão de relação para se abrigar tanto chega uma palhota uma favela como um palácio como vivemos num mundo do homo homini lupus temos porém que preparar o aluno/a com instrumentos adequados antigamente dizia-se pela aragem se vê quem vai na carruagem um espírito decadente e uma proletarização da cultura estão cada vez mais na moda quem defende a proletarização da língua ao orientar-se por um padrão minimalista e miserabilista atraiçoa o interesse do proletariado este tem de exercitar o seu intelecto e aprender formas mais complicadas de entender uma realidade complexa a cúpula da pirâmide não desce à base proletária esta é que tem de se preparar e consciencializar da subida para cima só os anjos ajudam para baixo todos os diabos empurram em geral reconhece-se que a matemática e o latim são grandes meios auxiliares de estruturação do cérebro e do pensamento o ensino sério duma gramática coerente é certamente o primeiro instrumento de organização e ordenação mental que não deve ser recusado ao povo seja ele o mais pobre e alheio à cultura oficial regras não inibem a criatividade são pelo contrário o seu pressuposto a criatividade ordena o caos pressupõe inteligência e esforço países que ainda não atingiram o apogeu do seu desenvolvimento não se devem deixar orientar pelo relativismo decadente vigente nos povos ocidentais interessados em não caírem sozinhos um país como o brasil para assumir a liderança do continente sul-americano tem que arrogar-se responsabilidade apostando sobretudo na formação do povo o relativismo decadente assumido em política de língua pode ser um sinal de que o brasil não se quer preparar para assumir tal posição o país não se pode perder em repetir experiências de povos decadentes deve ter a coragem de errar por si para aprender tem de crer para poder desenvolver a criatividade no sentido da lusofonia mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece nietzsche citado em jornal de oleiros boa noite brasil antónio da cunha duarte justo www.antonio-justo.eu direitos de autoria reservados encerramento da livraria camÕes no rio de janeiro por victor jerónimo a revista eisfluências une-se ao protesto dos milhares de portugueses e não só sobre o encerramento da livraria camões no rio de janeiro a livraria camões foi fundada no rio de janeiro há mais de 40 anos e considera-se que a manutenção da livraria é um contributo fundamental para a promoção do património cultural português no brasil vide http www.tsf.pt/paginainicial/vida/interior.aspx?content_i d=2226507&tag=artes a própria associação de reformados da incm cuja empresa é proprietária da livraria lamenta que a nossa empresa seja falada por tais motivos a todos os meus amigos e colegas peÇo desculpa deste mau exemplo de gestÃo https www.facebook.com/arincm existe um abaixo-assinado encabeçado com manuel alegre excandidato presidencial onde os escritores querem mostrar o descontentamento e impedir que a livraria encerre definitivamente desconsiderando uma casa cujos méritos nunca deixaram de ser reconhecidos designadamente na relação que promove entre os países dos dois lados do atlântico atinge-se o valor estratégico que é a difusão da língua e cultura portuguesas bem como as dimensões simbólicas projectadas pelo poeta celebrado no nosso dia nacional que sempre encontrou no brasil alguns dos seus estudiosos e cultores maiores diz o documento que já conta com assinaturas de nomes como fernando pinto do amaral comissário do plano nacional de leitura inês pedrosa escritora e directora da casa fernando pessoa isabel pires de lima ex ministra da cultura e josé jorge letria presidente da sociedade portuguesa de autores portugal não deve nem pode prescindir de uma das suas armas de afirmação fundamental a língua de camões e quanto nela s e exprime para além de juízos conjunturais e da muito duvidosa racionalidade que os incita continua o manifesto valter hugo mãe manuel antónio pina maria alzira seixo mário cláudio mário de carvalho isabel ponce de leão jacinto lucas pires lídia jorge nuno júdice pedro tamen e maria teresa hora e dezenas de outros escritores protestando contra o encerramento da dita livraria no dia 31 de janeiro de 2012 http www.publico.pt/cultura/escritores-unemse-emabaixoassinado-contra-o-fecho-da-livraria-camoes1528583 tw4srew5acb.facebook a livraria camÕes é patrimônio da cultura de língua portuguesa e mais do que isso é ambiente absolutamente necessário para que possamos continuar a dar vivas a nossa literatura e aos seus poetas e romancistas a bem dizer a toda arte de mares ainda a navegar por clavis prophetarum in http movimentolusofono.wordpress.com muitos mais protestos estão a ser publicados nas mídias mundiais assim como por toda a internet veja um vídeo na radio televisão portuguesa sobre a livraria camões http www.rtp.pt/noticias/index.php?t=livrariacamoes-vai-fechar-no-rio-dejaneiro.rtp&headline=20&visual=9&article=517943&tm=4 dói a alma ver que toda a cultura portuguesa está a desaparecer no mundo pois não é só a livraria camões a encerrar as portas como o ensino da língua portuguesa em vários países quo vadis portugal victor jerónimo é director da revista eisfluências http eisfluencias.ecosdapoesia.org 21.jan.2012

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eisfluências fevereiro 2012 05 entrevista com silas corrÊa leite por oleg almeida silas corrêa leite é sem sombra de dúvidas um dos mais originais escritores deste brasil pós-moderno autor de numerosas obras em verso e prosa ele possui sua própria peculiar e inconfundível visão de realidade que vem manifestando de maneira socrática com ironia coragem irreverência tais qualidades marcam a entrevista que esse paulista de itararé concedeu ao nosso correspondente oleg almeida oleg almeida para começar gostaria que o amigo nos contasse um pouco de sua história pessoal como foi seu caminho até a poesia longo e penoso uma espécie de via crucis criativa ou algo fulminante uma revelação un coup de foudre como dizem os franceses silas corrêa leite bem filho de protestante calvinista ortodoxo músico letrista apresentador de programa de rádio regente-fundador de corais e bandas um cigano peregrino e paradoxalmente comunista fã do brizola nascido em itararé mas com ancestrais oriundos das plagas sulistas e de muito antes cristãos novos da ilha da madeira portugal nasci depois de seis mulheres ­ um bruxo ou um mago ­ e já nasci marcado 19 de agosto de 1952 um dia fatídico um mês trágico e um ano místico será o impossível com duas notas musicais no nome ­ si lás ­ cedo fui treinado para ser músico e pastor da música fugi como o diabo da cruz e virei pastor de poemas lia muito feito um condenado a viver que fugia no letral gostava mais de ler do que de existir e como era um peralta hiperativo ­ minha sábia e santa genitora dizia espeloteado ­ só os castigos físicos não saravam ou purgavam então tinha outros ler jornais as brigas do escroto lacerda com o revolucionário brizola ler dicionários e ler a bíblia o maior livro que li em toda a minha vida fui politizado antes de ser alfabetizado e uma professoraanjo ­ um dos tantos que deus colocou em minha vida ­ com a pedagogia-do-afeto descobriu-me pequeno poeta com 8 anos já escrevia meus poemetos pueris com 16 anos escrevia para jornais de santa itararé das letras cidade poema trabalhava em emissora de rádio ­ descobri a mulher o rock o teatro o humor o mundo mágico da arte ­ e colaborava com crônicas para um suplemento jovem que o semanário jornal local o guarani trazia encartado de tanto ler e de tanto pensar o ver dei-me a escrever feito um liquidificador vazando ideais já me afinando e afiando portanto a minha metralhadora dialética cheia de lágrimas feito um ser marcado para viver num mondo cane pior muito pior sobreviver entre brucutus minha vulnerabilidade sensível fundando um caos-parede muro de proteção literal a poesia foi o meu revólver quente como diriam os beatles a poesia me salvou de mim meu reino da fantasia meu mundo mágico e itararé um ninhal a literatura meu mundo encantado mas como dói oa o que é a seu ver a poesia tão só uma atividade literária ­ regrada regulamentada e de preferência remunerada um modo de pensar de sentir e de viver fora de comum ou quem sabe uma arma quixotesca voltada contra as mazelas da humanidade scl a poesia é a mais simples pura e bela arte como libertação É enxergar no caos pelo olhar da poesia tirar leite de pedra mais que atividade uma sina uma culpa-dor uma causa-bandeira um exercício de depuração modo de pensar-sentir o próprio escreviver feito uma arma de autodefesa contra o pântano da condição humana a sociedade-câncer a civilização impune um grito rasgado no ar uma dança de arco-íris marrom nos divertindo no limite do horror da espécie com laços feito uma defesa íntima contra o tédio de existir sobreviver a poesia nos salva do limbo mesmo às vezes sendo o próprio limbo de nosso lado sentidor pensador avesso de haver-se oa a tirania não entende a poesia se assim não fosse logo a mataria ­ diz o famoso poeta russo andrei voznessênski a poesia não vende ­ alegam volta e meia os déspotas do mercado livreiro ­ não a queremos É fácil ser poeta nos dias atuais ou de modo mais universal a poesia se enquadra nos padrões do tecnogênico e transgênico século xxi scl ser poeta é uma sentença de culpa antecipada existir a que será que se destina diria caetano veloso sentimos antes choramos quando escrevemos dando testemunho corto os pulsos com poemas me morro a cada frase poema ou sentição poesia não é para ser vendida deveríamos semear livros de poemas em trincheiras e guetos em rotas de fugas e zonas de fronteiras humanamente sórdidas a poesia será sempre a válvula de escape nossa droga letral entre o tablet-consciência ou quando a rede range e escrevemos twitter-poemas ou no facebook depositamos nosso ver/sentir contraditório paradoxal portanto tudo anti-humanus que lixo é a terra aterro sanitário da escória de espaço sideral poesia meu chorume de existir existir oa É evidente que boa parte de seus poemas se inspira em fatos e impressões do dia a dia como é que um verdadeiro poeta deve trabalhar no silêncio e recolhimento de seu gabinete como longfellow ou à mesa de um barzinho como apollinaire scl o silencio é a minha oficina a solidão meu laboratório escrever meu solo de silencio e solidão eu faço poesia para ter companhia e deus deve amar os loucos criou tão poucos viver é antinatural morrer é orgânico meu poetar um link de arquivo de delação feito um rimbaud pós-moderno e neomaldito no reino da web as acontecências do dia a dia me orquestram o poetar salubre e faço de letras de rock a microcontos de baladas rueiras a sentimentos revisitados repudiados jogados no ventilador das impunidades historiais que vão do grão bicho bush ao esterco de uma mídia amoral parindo bestas-filhos do neoliberalismo câncer e suas privatizações-roubos privatarias como em sampa samparaguai até ao neoescravismo da terceirização em que se fala do fim do marxismo mas o capitalhordismo americanalhado e sórdido canibal leviano sujo se nutre do dinheiro público para legalizar lucros impunes propriedades-roubos lucros injustos escrever me faz ser antena da época berrar é humano oa a ironia não é o início da filosofia mas sim o fim dela É preciso passar pela tragédia de meditação e desespero para chegar ao riso um riso amargo ­ o escritor grego kostas varnalis atribui essas palavras ao grande sócrates seus textos são notavelmente irônicos a ironia apenas faz parte de seu arsenal poético ou tem a ver com a sua visão de mundo scl ao mesmo tempo que arsenal macerado do ver e sentir é também um riso tolo sobre as tolices das poses das causas dos podres poderes e ainda assim e por isso mesmo sobre todas as coisas um rir do mundo do homem de suas insanidades jecas de suas besteiras existenciais em que o moderno nos torna reféns de comodidades-doenças em que o consumo idiotiza em que vamos para o espaço e nos perdemos de nós mesmos o lobo do homem vai virar robô do lobo na improbidade de perdermos para nós mesmos de sermos vermes e nos acharmos santos não não somos uma sociedade de santos não podemos querer políticos santos imprensa santa literatura santa antes escrevemos nosso ridículo inferninho pessoal ai de nós!

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06 eisfluências fevereiro 2012 oa o que o amigo poderia dizer a respeito da poesia brasileira de hoje os grandes nomes ainda existem ou ficaram ali no passado na época das escolas e vertentes clássicas scl os grandes nomes sobrevivem são referenciais não se faz um nome novo em menos do que 50 anos escrevemos para o devir o tempo será o melhor juiz de cada época geração a poesia está perdida por isso ela está procurando trilhas para se fazer de interessante vamos e voltamos o que era já passou ensinando erros e acertos o novo procura veios alguns egos são melhores e mais midiáticos do que de qualidade morrendo e aprendendo escrever é rolar pensagens visões desse infinito inferno particular de cada um por si e salve-se quem puder oa há muitos jovens aqui no brasil que pretendem ser poetas que conselhos é que o poeta silas corrêa leite daria a quem se enveredar para o lado da poesia scl a moda é ser pagodeiro cantor sertanejo ou jogador de futebol os que escapam querem ser poetas pobres coitados sobra pouca qualidade no contexto imediatista de cada um poesia não rima não vende mas sangra e deixa sangrar poesia nem é direito enveredar mas ser paradoxal e mexer com vespeiro de ideias ser poeta é quase uma cruz como ser professor trabalhando o bisturi da alma foi fugindo de mim de existir que me refugiei na poesia minha poesia-ilha-de-edição me salvou ­ ou me perdeu ­ de mim então não dou conselho dou venenos que cada um da palavra semeada faça o que quiser de seu canteiro ou aterro pessoal ao poetar pago alguma pena de existir oa muito obrigado caro amigo pelas suas respostas argutas e sábias em nome da revista eisfluências desejo-lhe novos sucessos no exercício do nobre ofício poético estatuto de poeta por silas corrêa leite artigo um todo poeta tem direito de ser feliz para sempre mesmo além do para sempre ou quando eventualmente o para sempre tenha algum fim artigo três nenhum poeta padecerá de fome de tristeza ou de solidão até porque a tristeza é a identidade do poeta a solidão a sua pátria sendo que a fome pode muito bem ser substituída por rifle ou cianureto e depois um poeta não precisa de solidão para ser sozinho É sozinho de si mesmo pela própria natureza com seus encantários mundo-sombra e baladas de incêndio artigo quinto nenhum poeta será maior que seu país mas nenhuma fronteira ou divisa haverá para o poeta pois sua bandeira será a justiça social pão vinho maná leite e mel além de pétalas e salmos aos que passaram em brancas nuvens pela vida e depois uns são uns não uns vão uns hão uns grão uns drão ­ e ainda existem outros artigo sexto a todo poeta será dado pão cerveja amante e paixão impossível o que naturalmente o sustentará mental e fisiologicamente em tempos tenebrosos ou de vacas magras de muito ouro e pouco pão artigo sétimo nenhum poeta será preso pois sempre existirá se defenderá e escreverá em legítima defesa da honra da legião estrangeira do abandono à qual sabe pertencer com seu butim de acontecências ou seu não-lugar de criando ser estar permanecer feito uma letargia um onirismo artigo décimo poeta não precisará mais do que o radar de seus olhos as suas mãos de artesão sensorial no traquejo do cinzel interior criativo sua aura abençoada e seu halo com tintas de luz para despojar polimentos íntimos em verso e prosa como pertencimentos questionários e renúncias artigo décimo segundo poeta pode ser professor torneiro-mecânico operário jardineiro fabricante de bonecas vigia-noturno engolidor de fogo entregador de raposas dono de bar ou encantador de freiras indecisas poeta só não poderá ser passional insensível frio ou interesseiro ao poeta cabe apenas o favo de criar o poeta escreve torto por linhas tortas um gauche poesilhas poesia rueira e descalça e ficção-angústia escreve despoja-se para não ficar louco para se livrar do que sente o poeta afinal é um sentidor artigo décimo sexto não existe poeta moderno clássico quadrado matemático como pelotão de isolamento ou só aleijado por dentro pois as flores e os rios não nascem nunca iguais aos outros sósias nem os poemas são tijolos formais nenhum poeta poderá produzir só por estética rima ou lucro fóssil poesia não é para ser vendida mas para ser dada de graça um troco um soneto uma gorjeta um haikai um fiado pago uns versos brancos um salário do pecado um mantra-banzo-blues e todo alumbramento é uma meia viagem pra pasárgada poeta é tudo a mesma coisa com maior ou menor grau de sofrimento e lições de sabedoria dessas sofrências portanto com carga maior ou menor de visão lucidez sensoriedade canalizada entre o emocional e o racional de acordo com a sua bagagem seu vivenciar seu prisma existencialista de bon vivant poeta há entre os que pensam e os que pensam que pensam entre os que são e os que pensam que são a todos é dada a estrada de tijolos amarelos para a empreita de uma caminhada que o madurará paulatinamente ou não todo poeta é aprendiz de si mesmo em busca de uma pegada íntima e escreve para oxigenar a alma afinal são todos sementes e sabem que precisam ser flores e frutos para recriarem para sempre a eterna primavera todo aquele que se disser poeta assim o será ou assim haverá de ser saiba mais sobre silas corrêa leite na respectiva página da minha antologia stéphanos http www.olegalmeida.com/page_25.html arquivo s oleg almeida brasília/df brasil www.olegalmeida.com.

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eisfluências fevereiro 2012 07 rubenio marcelo um expoente das letras brasileiras por marco bastos poesia brusca eu sou feliz graças a ti poesia brusca dormi engenheiro e acordei poeta na paz depois da paz eu corro e voo completo em mim se estou em ti marco bastos rubenio marcelo nasceu no município cearense de aracati cidade do rio jaguaribe e da belíssima praia de canoa quebrada e que fica a 150 km da capital fortaleza em aracati cursou o estudo primário em regime de internato no colégio marista com 10 anos de idade foi com seus pais para fortaleza onde estudou no colégio liceu cearense e aprovado posteriormente para a universidade federal do ceará cursou engenharia agronômica com vinte e poucos anos após passagem por brasília foi residir em campo grande/ms onde se formou em direito pela ucdb É casado e pai de dois filhos pela sua atuação literocultural em prol da capital e do estado em que reside já foi outorgado com os seguintes títulos honorários título de cidadão campograndense título de cidadão sul-mato-grossense e título de cidadão anastaciano também já residiu em campina grande/pb É membro e atual secretário-geral da academia sul-matogrossense de letras asl cadeira nº 35 membro da academia maçônica de letras de ms cadeira nº 13 membro titular do conselho estadual de cultura de ms membro titular do fórum estadual de cultura fesc/ms membro correspondente da academia lavrense de letras título outorgado em 29 de setembro de 2011 e membro da união brasileira dos escritores ube-ms É o atual coordenador da revista da academia sulmato-grossense de letras que já vai na 20ª edição indicou e apresentou para membro-correspondente da academia sul-mato-grossense de letras o eminente humanista e escritor japonês daisaku ikeda ícone mundial da paz que foi eleito por unanimidade e teve a sua recepção feita em discurso solene por rubenio marcelo na noite de 18/11/2010 em concorrido evento da asl poeta escritor e compositor além de revisor é autor de oito livros publicados e dois cd s sendo que suas obras mais recentes são os livros graal das metáforas poesia horizontes d versos poesia e uma saga do cotidiano este uma novela em versos em coautoria com odir milanez e fernando cunha lima e prefaciado por ronaldo cunha lima encontra-se com um novo livro autoral no prelo voo de polens ­ 100 sonetos e outros rebentos poéticos obra aprovada pelo fundo municipal de investimentos culturais ­ fmic ­ fundação municipal de cultura de campo grande/ms com lançamento programado para início de 2012 participou ­ como convidado ­ da i bienal internacional de poesia i bip que aconteceu em brasília e reuniu poetas do brasil e do exterior faz parte da antologia oficial da i bip intitulada poemário e organizada pela biblioteca nacional de brasília com poemas autorais e dados biobibliográficos respectivamente nas págs 210 211 212 e 268 obra lançada no dia 03/09/2008 na biblioteca nacional de brasília df escreve como colunista da revista destaque campo grandems para o suplemento cultural do jornal correio do estado e como colaborador do jornal o estadoms da inspiração e processo criativo rubenio marcelo define assim a sua inspiração e o seu processo criativo É um sopro emocional que se apossa de mim e me conduz aos páramos inefáveis onde as palavras e imagens me contemplam em fecundos colóquios festivos a linguagem inventa a minha realidade e deflagra o meu universo poético Às vezes no meio do trabalho ou de um silêncio comigo surge algo que desperta em mim uma emoção diferente algo que deveras transcende que com certeza é o que denominam de fonte de inspiração assim me vêm palavras e versos e ideias e também inclinações musicais vezes paro e anoto estes rebentos de criação contudo como não sou defensor da inflexível e completa inspiração esta coisa instantânea que já vem pronta cultivo outrossim a prática da transpiração isto é lapidar e trabalhar razoavelmente o produto final da obra reescrever o texto se for preciso balizando a sensibilidade emotiva e a razão até que ele atinja o ponto poeticamente desejado em releituras sempre mudo aspectos dos meus poemas geralmente vivencio aquilo que escrevo ou vivo o cio daquilo que escrevo ­ e vice-versa não me prendo a uma fisionomia única de escrita gosto do soneto do verso livre do haicai da décima do poema beat e até do concreto e o acróstico entanto geralmente embalo-me no ritmo do que escrevo enfim entendo que ­ quando escrevemos ­ devemos sempre com desvelo exercitar a arte real da linguagem buscando o prazer nas palavras ou no jogo delas para que consigamos assim aflorar as sensações originais da desejada arte poética ou seja agradar deveras o espírito e afagar a sensibilidade precisa o poeta saber exercitar nos seus textos a síntese estética da hermenêutica dos modos de ver sentir pensar e estar nesse mundo e é preciso que o poema exale significante poesia possua transbordante poeticidade e explore a alma das palavras certo também é que a poesia às vezes surge do nada e outras se insurge a tudo a propósito o cerne do que chamamos de inspiração rubenio marcelo expressou assim em soneto autoral intitulado fogo da poesia não é fogo de palha é fogo imenso o fogo que azuleja a poesia É qual fogo sagrado que anuncia o donaire em seu lume mais intenso É fogo perenal sempre propenso a labaredas de supremacia É o clarão mais perfeito da magia que com a flama da essência faz consenso É o fogo impetuoso das lareiras aquecendo as visões alvissareiras que nos tocam com jeito e sutileza É o mistério das messes ancestrais que revela o semblante dos graais das gemas borbulhantes da beleza

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08 eisfluências fevereiro 2012 e no seu soneto taça poética há um vaso dourado sobre o escrínio que decora um recinto azul-turquesa ofertando reflexos de fascínio aos que sondam o reino da pureza há magia e luz neste condomínio esparzindo os arcanos da beleza quem com o estro coabita em tirocínio fertiliza a existência com lhaneza assim como os antigos navegantes procuravam tecer rotas distantes seguindo fielmente a estrela-guia quando o tédio quer invadir meu ser eu procuro guiar meu proceder com faróis desta taça de estesia como também ainda em cálix da inspiração num cálix borbulha o meu pensamento energizado no metaforismo essências em clarões real portento que vem amenizar o meu mutismo porque tudo se esvai em desalento de quando em vez eu paro e sondo e cismo e nesta interação desacorrento meus braços ­ espirais do niilismo se o estro está longínquo então num ápice eu busco a primazia neste cálice que me conduz qual lépido alazão assim ante os mistérios infinitos contemplo as florações sutis dos mitos no dorso alado e azul da inspiração rm definição pessoal de literatura considerações do poeta rubenio marcelo sobre literatura É a sensação especial que envolve a experiência que o ser humano pode ter no sentido de vivenciar o elo transcendental entre o homem e o cosmos a literatura permite isto que façamos essa viagem metafísica sublimando o cotidiano recriando a realidade e descobrindo o êxtase do incognoscível que nos espera na manhã grávida de emoções e mistérios por meio da imaginação da intuição e também da tangível percepção conseguimos galgar espaços que sem a literatura não alcançaríamos outrossim a literatura no que concerne a expressão da palavra retransmitida através das gerações é uma luz perenal que revela toda a vida e história de uma nação pela literatura temos acesso também à historiografia à diversidade cultural às tradições e à memória de um povo sem a literatura não teríamos também o sublime prazer de flertar a palavra que alça voo pelos céus do imaginário a linguagem reinventada pela arte do fazer poético da poesia que é ­ como sempre tenho dito ­ o santo graal dos nossos corações exteriorizando à luz das metáforas algumas das emoções que vivencia quando escreve seus poemas rubenio marcelo tece em rebentos poéticos neles sou o viajante ressurgente no convés do tempo seguindo as gaivotas que partem em íntimas esperas e expedições rumo à solidão do infinito ante as searas guardadas no eterno ouço auroras e ouso desacorrentar nuvens e sonhos semeio cânticos em meio às sagas e fragas neles revisito o plenilúnio e os clarins dourados da antemanhã em plena beira mar renovo-me em pedras e pássaros passeio em símbolos decifrando as queixas da noite onipresente também sou o dia e o silêncio dos rochedos os flamboyants me ensinam a sorrir fico e estou embora longe voo vou-me em boa hora e toco o abstrato rm e exaltando a força arcana e os mistérios da arte fecunda da literatura em versos atesta o poeta no seu soneto fecundidarte a sensatez do verso em correnteza gestada pela força mais completa da inspiração altiva do poeta desabrocha os estames da beleza traz essências da paz mostra a proeza do sol imaginário que projeta o semblante da vida e traça a meta dos sonhos da palavra em sã nudeza desvenda a tessitura do intocável e ­ num impulso arcano assaz notável ­ penetra na aridez e quebra a algema há mil mistérios nas sendas dos versos que timbram horizontes abstersos na tez fecunda e casta do poema rm da poesia nas bases da educação e como vetor de resgate da prática da leitura acerca deste importante tópico o poeta rubenio marcelo assegura alguns equivocados chegam até a dizer que as crianças e os jovens de hoje não gostam de poesia gostam sim quem não gosta da beleza e temos a prova disto em atividades que ministramos como oficinas poéticas e palestras do gênero eles não gostam ­ ou não gostarão ­ se não tiverem acesso à boa poesia não podemos gostar daquilo que não conhecemos ou não praticamos a desinformação é que gera o caos o movimento sistemático das oficinas culturais a presença do escritor nas escolas o contato direto da poesia com os jovens estudantes a introdução dos livros regionais nas disciplinas afins dos estabelecimentos de ensino a divulgação da literatura em eventos privados ou públicos são atividades que devemos incentivar sempre isto é fundamental para o florescimento do gosto literário e a prática da escrita e da leitura temos por isso que apoiar os lançamentos de bons novos livros os recitais as feiras e exposições literárias a otimização das bibliotecas tanto públicas como particulares bem como a divulgação efetiva dos nossos autores e suas obras.

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eisfluências fevereiro 2012 09 a recente pesquisa patrocinada pelo instituto pró-livro intitulada retratos da leitura no brasil mostrou a poesia como o quinto gênero literário mais lido no nosso país a pesquisa também revelou que o índice de leitura entre crianças aumentou e isto é muito importante e deve-se muito à inserção natural da arte poética nos currículos escolares e nas bases da educação o interesse pela leitura e o livro deve começar bem cedo na infância dentro da família em casa e especialmente na escola a família e o universo escolar são a meu ver os principais vetores para o efetivo hábito da leitura poetizando a poesia tece rubenio marcelo a poesia codifica os coágulos das reminiscências e desvenda as flâmulas das noites que se escondem no dorso do tempo descobre traços nas luvas brancas da distância num só espaço dialoga com nuvens e estrelas-do-mar recria adeuses e saudades partida a poesia vem da ríspida concretude do cotidiano e alcança as plataformas lúdicas do intocável viagem a poesia reverte a espera carrega o pranto e o sonho escande o verde dos coqueirais e as franjas dos abetos-brancos da ilha misteriosa que contemplamos na manhã da eternidade chegada a poesia materializa o sorriso do plenilúnio que desfila no céu da canção busca a visão da entrega enxerga as tangentes da alma com jeito com calma partilha acordes de um realejo beijos encantos desejo a poesia predestina e consolida a transcendência infinita da absurda lucidez dos sonhadores que se aquecem ante a lareira da beleza conquista rm rmescritores e poetas que admira quanto aos escritores e poetas que admira rubenio marcelo afirma há uma consistente lista de notáveis escritores dos quais eu gosto muito no nosso atual universo regional cito por exemplo manoel de barros geraldo ramon josé pedro frazão maria da glória sá rosa raquel naveira josé couto vieira pontes e abílio de barros outrossim não posso deixar aqui de enfatizar aqueles autores universais que nos acompanham pela vida marcando influências no semblante da nossa criação tais como augusto dos anjos castro alves drummond cora coralina gerardo mello mourão patativa do assaré dentre outros também gosto muito de neruda camões cuja obra eu tive acesso ainda muito jovem na casa dos meus pais e fernando pessoa quando eu tento tecer um soneto na busca de timbrar algo poético ou quando escrevo temas harmonizados com o metro do verso ou a forma do texto claro que me adorna a mente aquela essência natural que apreendi lendo poetas como bilac cruz e souza e até outros mais modernos como vinícius destaco também ­ e cada um em seus estilos ­ os meus amigos poetas ronaldo cunha lima pb e antonio miranda df como sou um admirador da arte do soneto eu tenho lido grandes sonetistas aliás um detalhe importante é que quase todos os grandes poetas das mais diversas escolas literárias escreveram sonetos o que demonstra a fértil permanência dessa composição poética que teve universalmente grandes representantes como por exemplo bocage shakespeare e florbela espanca todos estes eu admiro muito também não posso deixar de citar aqui os grandes manuel bandeira e joão cabral de melo neto leituras obrigatórias além do eclético ferreira gullar do qual estou a devorar atualmente poesia completa teatro e prosa um volume único maravilhoso com mais de mil páginas da editora nova aguilar admiro muito também a prosa poética de guimarães rosa e josé de alencar tão logo aconteça o lançamento do seu mais novo livro voo de polens traremos para nossos leitores abordagens do poeta sobre impressões acerca do soneto produção literária no ms do livro impresso posse na asl prefácio do livro voo de polens da academia sul-mato-grossense de letras asl e dois sonetos e dois poemas inéditos do livro voo de polens divulgaÇÃo mil entrega estatueta a adriano moreira o professor adriano moreira considerado a personalidade lusófona do ano de 2011 receberá a estatueta em sessão solene no dia 24 de fevereiro na sociedade de geografia de lisboa ­ sessão a decorrer no dia 24 de fevereiro na sociedade de geografia de lisboa às 17h entrada livre o movimento internacional lusófono ou mil é um movimento cultural e cívico internacional que visa a promoção da cultura lusófona no mundo o estreitamento dos laços entre os países da cplp e ainda os laços destes com os povos falantes de português espalhados por toda a terra.

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10 eisfluências fevereiro 2012 o mundo maravilhoso da rÁdio por carlos leite ribeiro desde que nos servimos da palavra isto é verdade em todos os casos a do locutor a do conferencista a do conversador ­ pretendemos persuadir persuadir alguém é ser capaz de lhe comunicar o nosso pensamento ­ é tentar mostrar que se possui uma verdade e que essa verdade é susceptível de ser compartilhada e nos tempos que vão correndo a arte de persuadir é uma verdade com as regras e os seus costumes as regras são necessárias e o saber aplicá-las depende muitas vezes de certa espontaneidade ou de um certo dom pessoal a rádio iniciou uma nova arte de persuadir há ou não há uma diferença entre a palavra dita ao público quando este está na presença de quem a diz ou aquela que se dirige a um auditório distante e é enviada por meios técnicos para quem fala simultaneamente a um público presente e vivo e a outro distante ­ tratar-se-á de se associarem dois pontos diferentes e possivelmente antagónicos À primeira vista se quem fala consegue comunicar directamente com aqueles que o conhecem pode ter fortes razões para comunicar com os que não conhece e que nem sabem quem é que lhes está a falar mas os meios que nos servimos diferem segundo o público radiouvinte que nos escuta ­ o que se diz para os ouvintes que nos conhecem pode deixar indiferente os ouvintes que não nos conhecem É a tal grande diferença entre o auditivo e o visual este estado de coisas põe-nos um problema de múltiplos aspectos difíceis de resolver relacionados com a missão da palavra ­ esse precioso instrumento de comunicação entre os homens há na palavra uma espécie de milagre perpétuo ­ basta abrir-se uma boca para se pronunciar um som este som apesar do seu carácter material é destinado a transmitir uma realidade de carácter espiritual de todas as formas da matéria o som parece ser a mais fluida e impalpável ­ é na realidade evasante o pronunciar desaparece sem deixar vestígios ­ mas se um gravador o reanima ­ o pensamento que exprime ressuscita com ele mas a palavra não é somente uma intermediária entre o pensamento e a expressão ­ entre o espiritual e o material goza ainda do poder excepcional de pôr necessariamente em relação dois órgãos diferentes ­ com efeito a palavra inseparável da voz é ouvida estes dois aspectos da palavra proferida e ouvida coincidem no mesmo homem ­ quem se fala ouve-se esta relação entre a voz e o ouvido é sem dúvida inseparável da consciência humana a voz exprime actividade enquanto que a audição exprime uma passividade e porque o homem pode ouvir o que se diz que ele se pode rectificar no caso de não ser correspondido à intenção pretendida à significação que pretendia alcançar por consequência graças a esta actividade da palavra e a esta passividade de audição numa modalidade autocrítica perpétua é um controlo pelo qual o homem tenta comunicar precisamente o que ele quer dizer a quem o ouve a consciência realiza por este meio um diálogo consigo própria em contrapartida na comunicação entre dois seres produz-se uma espécie de divórcio entre a palavra e a audição É precisamente sobre este divórcio entre a actividade da voz e a passividade da audição que repousa toda a possibilidade de comunicação entre consciências esta actividade e esta passividade aparecem profundamente ligadas uma com a outra ­ um ouvinte ouvindo o que lhe dizem em silêncio não pode compreender o que dizem sem reconstruir para si ­ embora de determinada maneira a palavra interior que cada ouvinte pronuncia para si mesmo logo que ouve a palavra de outrem é a base de toda a compreensão quais são as transformações que a rádio pode introduzir neste quadro de compreensão que implique um estreito entendimento entre a voz e o ouvido antes de mais nada a rádio aparece-nos como um instrumento de análise quando um público ouve quem lhes fala vê um corpo humano um homem ou uma mulher cuja intervenção é a de comunicar a outro o seu pensamento assim o ouvinte vê a sua fisionomia observa os seus gestos de certa maneira todo o homem que fala o faz com todo o seu corpo ­ a palavra é sempre uma forma parcial de expressão porque essa expressão põe em jogo o corpo inteiro perante um público presente é possível separar e mímica da palavra em todos os tempos a pantomima conseguiu isolando os gestos daqueles que tentavam comunicar juntando o gesto à palavra para mais se parecer com a realidade a televisão criou uma ilusão mais complexa a essência da rádio consiste em separar os ecos e os sons o princípio da radiodifusão suprimir o aspecto visível da expressão fica no desconhecido uma multiplicação de movimentos sem a qual a palavra parece perder a sua condição essencialmente viva a rádio põe-nos o seguinte problema em que consiste a significação do som examinando só a sua pureza o som é um modo de expressão absolutamente separado o importante é que uma comunicação que se estabelece pela palavra pressupõe dois participantes um que fala e outro que ouve a palavra é a cadeia ou seja a ponte que os liga considerada na sua essência isola este modo de comunicação e a cadeia deixa de ter as suas extremidades visíveis ­ isto é o que fala e o que ouve em rádio verifica-se o isolamento do som que liga os dois interlocutores É por isso que ela é o melhor sistema de estudo do som em si próprio como puro meio de comunicação entre as consciências quaisquer que elas sejam a diferença essencial entre a comunicação real imediata que se pode estabelecer entre os homens e a comunicação estabelecida entre eles através da rádio põe em jogo o contraste entre a presença e a ausência na palavra há como uma dupla presença em rádio uma dupla ausência ­ aquele que fala não vê o que escuta ­ o que escuta não vê quem fala e para mais enquanto a conversa o discurso etc são sempre inseparáveis de acontecimentos vivos nesse momento a rádio capta o relato do acontecimento indiferente ao tempo e ao lugar onde se verifica basta que o ouvinte queira ouvir um som gravado anteriormente para que dando uma volta a um botão do seu aparelho de escuta e gravação esse som se torne presente esta possibilidade dá ao ouvinte uma espécie de soberania sobre o som tornando-o o seu amo talvez como compensação da ausência de vida real parece inseparável de toda a conversação a palavra gravada fica indiscutivelmente à disposição de quem a possui independentemente da vontade de quem a produziu e com o qual crê comunicar sempre que o queira fazer aqui chamamos a atenção de todos aqueles que pretendem ser profissionais da rádio pensei sempre que nunca estão sozinhos e a palavra pode não ser tão fugidia como muitos pensam quais são pois perante a rádio as atitudes do ouvinte e do apresentador nem uma nem outra coincidem com as que têm na vida de todos os dias no nosso dia a dia quando nenhum aparelho de emissão ou de recepção está em jogo com efeito o ouvinte ao desejar pelo som neste caso pela rádio e só pelo som adquirir uma informação ou receber uma mensagem não interessa de que género interessa-se pelo que lhe comunica o seu interlocutor invisível pedindo-lhe apenas uma certa verdade objectiva tornando-se pois necessário que aquele que pretende comunicar por intermédio do microfone o faça com um tom de objectividade susceptível de criar adesão e confiança em muitos casos a rádio não se contentando em emitir apenas um som estabelece uma espécie de comunicação ideal e imaginária entre diferentes sentidos porque o ouvinte tenta perceber além do que é audível para tanto até inconscientemente ele trata de reconstruir na sua imaginação o espectáculo que mais lhe convém para melhor compreender o que lhe explicaram pelo som podemos assim dizer que a rádio utiliza o meio sonoro mas evoca o meio da visão tudo isto é apenas um aspecto da atitude do ouvinte que não pode deixar de se influenciar pelo timbre da voz que ouve.

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eisfluências fevereiro 2012 11 certas vozes deixam-no insensível outras provocam emoções há nas vozes um elemento comparável à fisionomia não se vê aquele que fala ao microfone ­ dá-se uma espécie de abolição da sua imagem visual ­ mas ouve-se e a tonalidade dessa voz é inseparável da tentativa de um conhecimento do homem chega-se a supor reconhecer o que há de mais profundamente essencial num ser pela tonalidade da sua voz muitas vezes mais expressiva do que a sua fisionomia que pode ser imóvel falar é um acto no qual aquele que fala põe todo o seu ser É por isso que a voz é em muitos casos tão reveladora e que mais do que o rosto descobre quase sempre a individualidade de um carácter assim uma nova revelação é feita ao ouvinte atento apresentando-lhe um pormenor importante e sugestivo pode ser que a rádio apague tudo quanto uma voz tenha de particular e de original ­ ou aquele que fala a deturpe ou a modifique voluntariamente ou involuntariamente o ideal será sempre que aquele que fala embora sentindo a presença do microfone se deixe em presença de si mesmo e do seu pensamento eis sem dúvida o último ponto ao qual a rádio é capaz de chegar depois de termos enumerado os aspectos diferentes que se podem distinguir na maneira de escutar a rádio façamos uma distinção análoga das diferentes maneiras de se exprimir perante o microfone se não há público que assista a quem se deve dirigir aquele que fala indiscutivelmente ao aparelho que tem na sua frente que personifica esse público a maioria dos que falam ao microfone dizem que este é singularmente enervante impedindo muitas vezes o curso normal do pensamento dificultando a expressão estabelecendo como uma barreira entre a palavra e o espírito o microfone impõe a sua presença aos que falam na rádio apesar de não ser mais do que um aparelho mas que se sente um certo embaraço perante este aparelho é por uma razão grave o microfone não personifica uma personagem ideal um radiouvinte imaginário embora possua um carácter quase divino ou mesmo diabólico no sentido em que é um intermediário entre aquele que fala e um número considerável de ouvintes invisíveis ele tem um poder extraordinário que a voz não possui ­ mostra a responsabilidade e o peso da mais insignificante palavra nada lhe escapa e o seu papel de intermediário é cumprido rigorosamente levando ao auditório tudo quanto se diga ou faça por meio do som em que tipo de ouvintes pensa um locutor quando fala ao microfone quem são eles primeiramente esses ouvintes são numerosos e ausentes ­ têm um carácter anónimo com efeito um locutor ou apresentador fala a uma multiplicidade infinita de ouvintes possíveis a voz dirige-se a todos quanto a ouçam ou venham a ouvir através de uma gravação consequentemente a palavra destina-se não a um ser isolado não a público mais ou menos numeroso mas a todos os ouvintes que têm ou poderão vir a ter a possibilidade de ouvir ­ a palavra tem um carácter de universalidade potencial parece pois que a rádio pretende cortar todas as relações entre aquele que fala e quem o escuta particularmente vivo situado num ponto determinado do espaço e do tempo em todo o caso este facto não passa de uma ilusão pois ou ouvintes são elementos de um público embora de características muito diferentes cada ouvinte encontra-se quase sempre só perante o seu receptor portanto no momento em que um locutor fala dirigindo-se a este público que normalmente ultrapassa em número qualquer assembleia normal apenas o faz na realidade e um único ouvinte É por esta razão que se diz e justamente que há nas comunicações estabelecidas pela rádio um certo carácter confidencial o bom ouvinte deve sentir-se o único ouvinte a rádio realiza portanto um facto extraordinário dirige-se deve a todos os ouvintes uma voz para todos e para cada um É ainda por esta razão que a rádio pode ter um carácter impessoal e indeterminado ­ mas também e ao mesmo tempo um carácter mais íntimo mais confidencial e mais secreto eis duas possíveis atitudes daquele que fala ao microfone falar para todos e falar para um e também falar a si mesmo falar para todos e falar para um no entanto a atitude melhor e que atinge o cúmulo das possibilidades de comunicação entre as consciências é bem outra falar a si mesmo o locutor pretendendo comunicar o seu pensamento como que esquecido do microfone indiferente aos radiouvintes consegue estabelecer uma perfeita ligação com quem o ouve aquele que fala na rádio antes de falar com outrem deve falar consigo próprio incapaz de comunicar o seu pensamento se o pretende comunicar antes de mais nada que esse pensamento nasça no fundo de si mesmo para comunicar a outrem o seu pensamento é necessário que este pensamento apareça com a expressão mais profunda do que o homem tem de mais pessoal e que no momento em que se procura precisamente atingir o maior auditório possível ele fala sempre como se falasse a si próprio aquele que ouve no fim de contas tem também a impressão de que os pensamentos que lhe comunicam são os seus isto só se consegue se o que se comunicou se tornar para quem ouve o seu pensamento daqui se infere que apenas se pode estabelecer uma comunicação actual viva e espiritual entre duas consciências É este o ponto mais alto que a rádio pode atingir para se persuadir realmente não se deve procurar a persuasão É preciso que o pensamento tenha um carácter espontâneo que apresente só por si e fazendo parte integrante uma forma da sua sinceridade e que se expressou seja o testemunho dessa sinceridade se esta condição se realizar os homens apercebemse de que há entre eles uma espécie de fundo comum ­ o que é verdade para um também o é para outro logo que nós descemos até às raízes da nossa intimidade em vez de sermos separados por diferenças intransponíveis comunicamos mesmo sem o queremos e sem o sabermos o ponto extremo que nos é dado pela rádio parece ser sem dúvida nenhuma o mesmo que se verifica naquele que fala e naquele que ouve este ponto extremo não se saberá atingir sem se consentir numa outra mediação que se resume numa contínua atenção sobre nós próprios se alguém lhe pedisse para colaborar num programa de rádio qual seria a sua reacção se você for como a maioria das pessoas entrará simplesmente em pânico pensará logo será que possamos melhorar os nossos dotes oratórios claro que sim qualquer pessoa o pode para que seja possível basta aprender deve ter em conta dois pontos fundamentais a preparação e a apresentação ambas são muito importantes senão vejamos deve escolher bem o assunto o qual deve ser um tópico sobre o qual você tenha opiniões bem firmes a única maneira de nos sentirmos à vontade diante dum microfone é entender da matéria que vamos apresentar e sobretudo acreditar naquilo que tentamos transmitir seja em que situação for escolha um assunto que interesse directamente os ouvintes e adapte a eles a sua mensagem organize com lógica os seus argumentos mas você precisa de engendrar um ponto de partida geralmente uma descrição sumária do assunto que vai falar e depois um corpo de texto que enumere os pontos principais e por fim precisa de um final que resuma toda a sua exposição atenÇÃo a palavra em rádio é muito fugidia razão que deve repetir sempre e por outras palavras o que se disse anteriormente ouvir é muito diferente de ler e até de ver depois de tudo bem planeado você vai precisar de ensaiar a melhor maneira de transmitir os assuntos aos seus ouvintes se lhe for possível ensaia em casa sozinho e depois peça a opinião de quem saiba nunca tenha receio de uma crítica seja natural e faça desde logo amizade com os seus ouvintes um bem muito precioso para que fala aos microfones lembre-se sempre que o ouvinte é que faz o favor de o escutar dê preferência a termos simples e a frases curtas mais fáceis de ficar no ouvido do ouvinte haja sempre com naturalidade e segurança nada de falsas personalidades e pense que o ouvinte já há muitos anos aprendeu a ouvir rádio se por acaso se apercebeu que cometeu algum deslize não tente emendar se por acaso se esqueceu do que ia a dizer a seguir guarde consigo esse segredo pois os outros não o

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12 eisfluências fevereiro 2012 vão saber a menos que você lhes diga nestes casos meta um pouco de música instrumental que poderá interromper a qual altura ao contrário da música cantada que nunca deverá ser interrompida depois siga com outro tópico não fale muito e tenha sempre a preocupação de não saturar o ouvinte nunca se esqueça que a grande e imprescindível decoração da rádio é a música regra de ouro não existe nenhuma lei que diga que se devam empregar palavras compridas quando se fala existem palavras pequenas que se podem aplicar para exprimir o que se quer dizer pode ser que a gente leve um pouco mais de tempo para as encontrar mas às vezes vale a pena as palavras curtas são concisas eficazes e vão directas ao assunto como uma faca e têm um encanto muito próprio pois dançam ondulam e cantam palavras curtas podem encerrar grandes pensamentos e exibi-los para que todos as entendam essas palavrinhas movem-se facilmente enquanto as grandonas ficam isoladas ou pior ainda atrapalham aquilo que queremos dizer não existe muita coisa que as palavras curtas não consigam exprimir ­ e bem atenÇÃo a mÚsica É a decoraÇÃo radiofÓnica nunca grite para o microfone pois ele não é surdo fale para ele como se fosse um amigo que estivesse àquela distância a rádio foi o primeiro meio de comunicação ao dispor do homem moderno que assumiu este aspecto fascinante falar ao mesmo tempo a um indivíduo e a uma massa colectiva saliente-se no entanto mais uma vez o facto essencial de a rádio se dirigir especialmente a um só ouvinte isolado embora atingindo simultaneamente uma soma considerável de outros ouvintes também isolados que no seu conjunto formam uma autêntica multidão onde cada elemento se encontra separado dos outros por compartimentos estanques no entanto este isolamento pode não ser físico e muitas vezes não o é ­ mas sim um isolamento interior este carácter íntimo da comunicação radiofónica é de tal forma imperioso que ele determina o estilo dos trabalhos radiofónicos a rádio veio impor modificações profundas nos hábitos e na maneira de viver dos homens modernos É talvez difícil ter-se a medida exacta desta interferência tal como não é fácil atinar com a sua razão fundamental parece que a rádio pôs fim a uma espécie de isolamento no qual vivia o homem muitos seres humanos que antes do aparecimento da rádio se sentiam e realmente se encontravam isolados têm agora o sentimento de fazer parte de uma comunidade a mensagem fraternal da rádio é permanente regular insistente uma nova forma de comunicação foi estabelecida os ouvintes sentem-se menos sós e participam na vida social atinge-se assim um ponto extremamente importante a reacção instintiva contra um sentimento de solidão por um lado e a tomada de consciência colectiva que muitos consideram uma autêntica revolução por um lado são como uma réplica interior ao carácter bivalente da rádio pelo que se sabe do ouvinte verificamos claramente que a luz não vira do seu lado limitando-se este a exigir que a rádio o informe a desejar que a rádio o divirta e a aceitar que a rádio o eduque informar divertir e educar eis o que pedem à rádio os ouvintes cada um colocado no seu campo vedado caracteriza-se assim a massa ouvinte conjunto de elementos individuais conjuntos de compartimentos habitados ­ enorme colmeia onde em cada alvéolo existe um receptor e um ou mais ouvintes isolados entre si a profissão de um profissional de rádio cada vez é mais exigente exige-se dele que tenha sempre presente o desejo de trabalhar para todo o auditório e só depois para o seu gosto pessoal assim como o gosto dos amigos estes muitas vezes responsáveis morais de uma fraca qualidade que alguns programas radiofónicos apresentam a produção radiofónica tem um papel muito importante a cumprir divulgar ensinar entreter como também não estão a cumprir aqueles que não vêem na rádio um meio excelente de educar o povo e que partindo à prior deste princípio errado desprezam um valor social inestimável e uma arma contra a ignorância não se pode escrever para a rádio como se escreve por exemplo para um jornal ou revista não é unicamente porque os meios são diferentes que suportam mal os efeitos literários e o tom enfático que a imprensa permite é principalmente porque o fim é outro porque a escuta difere da leitura porque essa escuta tem condições que levam o ouvinte ao uso do esforço mínimo e porque ouvir não é o mesmo que ler o ouvinte encontra-se quase sempre sem compromisso de entrega sem conceder ao locutor ou apresentador uma atenção muito especial e recusando-se muitas vezes à boa-vontade que daria a compreensão de um texto qualquer que lesse o ouvinte pensa que o locutor ou apresentador deve ­ e pode ­ imputar-se-lhe uma adesão um esforço de compreensão uma disposição para receber o espectáculo radiofónico que provocou ou procurou voluntariamente a um ouvinte embora se lhe pudesse pedir outro tanto retira-selhe esse compromisso atendendo ao carácter quase imperativo da rádio e não à determinação dos seus programas perante seu público é por assim dizer um espectáculo que se impõe e que não tem em conta o direito do espectador além disso o ouvinte é vítima do carácter fugidio da impressão auditiva se durante uma leitura se encontram passagens de compreensão mais difícil o leitor pára e reflecte relê e pensa na rádio esta suspensão é impossível aquele que escreve lê ou fala tem de saber que se o ouvinte perder o fio à meada dificilmente o torna a apanhar por isso quem escreve para a rádio deverá recorrer às repetições necessárias à compreensão auditiva sem entrar em exageros o escritor evita as repetições tanto de palavras como de ideias ­ concentra apura sintetiza esta preocupação deve desaparecer quando se escreve para a rádio mas tendo sempre em atenção que de uma maneira geral o ouvinte prefere um texto curto e simples o laconismo e a simplicidade constituem o melhor meio de elaboração de um texto radiofónico capaz de servir e maioria pois é difícil achar meio-termo que permita o tom suficiente oral um e para todos a tolerância do ouvinte é também um pormenor a ter em conta pois o seu sentido crítico apura-se requinta-se não é necessário um estudo longo do assunto para se reconhecer que dadas as particularidades do meio que serve a heterogeneidade do público etc a redacção radiofónica é condicionada a valores diferentes dos da simples leitura no entanto ponhamos desde já de sobreaviso todos quantos se dedicam ao assunto ou se interessam por eles contra os maus resultados de certa cultura popular arremedo da verdadeira cultura utilizada pelos mais divulgadores ou por aqueles que sem altura para tanto pretendem tratar assuntos de nível elevado e aqui é como o povo diz a ignorância é muito atrevida nada custa fazer É preciso É saber fazer a rádio neste aspecto necessita de especialistas pois é muito mais difícil divulgar pela palavra falada do que pela palavra escrita quando são abordadas ideias totalmente novas que requerem segunda leitura o auditório fatiga-se satura-se perde-se e não acompanha para se fazer compreender pela rádio há regras estabelecidas e pequenas subtilezas na elaboração dos textos para serem lidos ao microfone que são imprescindíveis uma rádio que nuca ou quase nunca se destina à reflexão pessoal à ânsia de aprender que não estimula no auditório a vontade do estudo ou de investigação ­ não cumpre um dos seus principais pressupostos os outros e também muito importantes são a informação a divulgação e a música esta adequada ao auditório que a rádio tenha e conforme os horários que é mais ouvida

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eisfluências fevereiro 2012 13 escrever para a rádio sem ter presente que o fim é totalmente diferente daqueles que se visa ao escrever para um jornal ou livro é arriscar-se a não ser percebido e não atingir o que se pretende independentemente do grau literário e gramatical que se escreve informaÇÃo rÁdiofÓnica o jornalismo falado pode talvez ser considerado como uma regressão pois a comunicação verbal das notícias procedeu à invenção da imprensa infelizmente a rádio obriga a uma compreensão imediata pois a leitura das notícias faz-se de uma só vez e não se repete no mesmo noticiário o jornal permite segunda leitura imediata a rádio não proporciona segunda audição se o ouvinte não percebeu totalmente os detalhes serão esquecidos os nomes modificados as cifras alteradas e as ideias pelo menos adulteradas e para terminar este quadro também pode estar em jogo um mau ouvinte que não preste à leitura do noticiário toda a atenção necessária pelo que se disse nota-se perfeitamente uma certa semelhança da imprensa com a rádio mas atenção aquela tem a forma global e esta tem a forma analítica o que quer dizer que qualquer texto de jornal em radiodifusão terá que ser apresentado m forma de comentário e não deverá exceder a terça parte o máximo do corpo escrito e aqui abrindo um parêntesis aconselhamos que façam sempre um comentário às notícias dadas que poderá ser de forma global também sabemos que como qualquer indústria a rádio como organização é susceptível de enfeudamentos directrizes patronais regulamentos limitadores que determinam irrevogáveis de trabalho nem sempre ao gosto do ouvinte médio para quem a rádio deve trabalhar a experiência de outras profissões ensinou-nos que a incompetência pode ser tão noviça como a má intenção houve um período quando apareceram simultaneamente muitas rádios nem dando tempo a um auto didactismo eficaz e o método de aprender pelo trabalho foi o único possível mas esta desordenada aprendizagem provou pelos seus resultados que é possível ao prático não saber tudo o que poderia saber ou tê-lo aprendido com prejudicial lentidão e dá-se muitas vezes o caso de se aprender a fazer várias coisas de um só modo quando existem soluções diferentes mais aconselháveis tradicionalmente é também a teimosia do profissional capaz de continuar a usar um método já ultrapassado ou ineficaz só porque aquele foi o seu método sabem que o êxito de uma frase passa pela respiração oportuna transições de tom e inflexões apropriadas a fala as crianças normais atravessam todas as mesmas fases para aprender a sua língua materna e conseguem mais ou menos ao mesmo tempo quer estejam privadas do contacto com ela ou ainda que sejam estimuladas pelos pais a praticar exercícios para o seu desenvolvimento com apenas alguns anos de idade as crianças ficam de posse integral do sistema linguístico que lhes permite pronunciar e compreender frases que nunca tinham ouvido antes ao contrário do que acontece com esse ordenado amadurecimento facto extraordinário que se processa espontaneamente muitas crianças têm dificuldade de aprender a ler ou a fazer operações aritméticas mesmo que recebam um bom número de horas de instrução a criança vai aprendendo a sua língua ao ouvi-la falar às pessoas que a rodeiam ­ embora essa linguagem seja tão complexa que são necessárias páginas e mais páginas de diagramas fórmulas e notas explicativas para avaliar qualquer pronunciamento feito através dela ainda que breve durante o resto da sua vida a criança irá dizer frases que nunca ouviu e quando está a pensar ou a ler mesmo assim estará na realidade a falar consigo própria a rádio poderá dar uma forte contribuição para a aprendizagem da língua materna às crianças sem dúvida a voz e o seu completo domínio constituem a base do trabalho da maioria de determinados profissionais da rádio embora frequentemente seja notório que alguns locutores têm na voz o ponto mais débil da sua actuação a base fundamental para se adquirir uma boa voz consiste numa eficaz respiração que facilite a obtenção da maior quantidade de ar com o menor esforço possível numa inspiração rápida e silenciosa ­ e uma expiração regular e controlada também num mínimo de interferências com o mecanismo que produz os tons na garganta falar bem com a voz sonora ou é um hábito sem mérito ou um produto de exercícios são raras as gargantas privilegiadas melhorar a qualidade da voz requer prolongados estudos e há um sintoma que pode orientar aquele que pretende essa melhoria de voz esse sintoma é o esforço quem fala com esforço quem atinge este ou aquele efeito vocal este ou aquele tom por intermédio de um esforço considerável terá de corrigir a sua maneira de falar a maioria das vozes desagradáveis ou cansadas é consequência da falta de simplicidade na emissão vocal um timbre demasiadamente agudo ou metálico uma voz mal colocada provocam fadigas inflamações com o seu infindável cortejo de anginas rouquidão etc e muitas vezes causa a perda definitiva da voz nunca se deve empregar a voz até ao limite do seu volume qualquer exercício que canse ou cause irritação é um mau exercício ou mal praticado a voz profissional e só a esta nos referimos deverá sempre ter como apoio uma respiração que arranque do diafragma deixando todos os músculos em distensão para obter maior volume deve alimentar-se a pressão da respiração ao expirar mas sem elevar a altura do som numa consideração muito breve e mais simples diremos que o trabalho ao microfone exige quase sempre um prolongamento das vogais e uma livre vibração das cordas vocais num total uso de todas as ressonâncias algumas considerações ausência de ímpetos súbitos ­ relâmpagos de voz ­ quando não intencionais altura exacta entre o tom íntimo e o falar alto deve preferir-se o tom íntimo sem prejuízo de um timbre suficientemente sonoro descontracção a voz oprimida é desagradável devendo falarse com a voz livre e fácil tom de nível médio a voz situada como instrumento vocal na gama própria continuando a tentativa de resumir terminaremos por afirmar que a voz falada ao microfone exige a aplicação de uma técnica especial que não se pode inventar nem mesmo quando se possuam verdadeiros dotes vocais esse técnica tem de se aprender e pode-se resumir-se assim boa respiração suave e silenciosa emissão fácil com a voz bem situada para a frente para facilitar o diafragma tente falar sempre com a ponta do nariz um pouco empinada articulação dos maxilares clara e por vezes exagerada pronúncia impecável tom na gama média variável de indivíduo para indivíduo dicção lenta bem matizada devemos fazer uma bem estudada simbiose entre os tons graves e os tons agudos expulsão regulada e vagarosa do ar pulmonar pronúncia até ao fim da última sílaba de cada palavra recalcando os finais das frases ­ nunca comer as últimas sílabas de cada palavra estas exigências implicam uma diminuição da rapidez de dicção por isso o profissional de rádio que usa a voz ao microfone deverá falar com mais lentidão e com mais força do que na vida corrente na rádio a interpretação vocal falada constitui sempre não só base do trabalho como também a única ao alcance de muitos dos seus profissionais o trabalho de quase todos os locutores ou apresentadores baseia-se no trabalho dos autores realizadores e redactores ­ sem esquecer os sonoplastas também chamados assistentes

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14 eisfluências fevereiro 2012 a actuação radiofónica do locutor do apresentador do conferencista do cronista etc exige que essa interpretação vocal se baseie numa dicção clara e num frasear correcto deve ler com o sentido da frase sem perder qualquer som emitido cada frase encerra uma imagem que lhe dá o seu verdadeiro sentido esta imagem pode ser representada por uma só palavra ou por um conjunto de palavras que chamaremos palavra ou palavras de valor ao dizer a frase fixar-se-á o destaque principal acento mais ênfase mais força etc nestas palavras de valor concentrando nelas toda a atenção embora sem aumentar o volume da voz as frases possuem muitas vezes vários acentos e neste caso terá que dar-se a preferência a um que será o dominante sendo os restantes secundários até o locutor interpreta quando lê um noticiário pois procurará dar a sensação de uma total ausência de adesão precisamente através de uma interpretação ao interpretar ou ler se preferimos um texto apenas e exclusivamente de acordo com o sentido da frase este notará imediatamente que a pontuação gramatical não corresponde quase sempre ao modo natural de dizer a frase nem origina inflexões necessárias ­ isso obrigá-lo-á a estabelecer certas regras de frasei que se tornam inseparáveis da locução ou da interpretação radiofónica estas regras determinam-se por meio de pausas da mais variada duração assim a pausa pode ser um breve instante tempo de respiração ou alcançar uma duração considerável ponte de transição do valor artístico e estético destas pausas e o seu aproveitamento depende o êxito pela ordenação da frase ­ respiração oportuna transições de tom e inflexões apropriadas eis as principais regras de fraseio aplicáveis à rádio a vírgula não significa forçosamente uma pausa breve ­ em muitos casos deve ignorar-se faltam num texto para ser lido ao microfone com muita frequência os sinais gramaticais respectivos ­ neste caso deverá fazer-se uma pequena pausa o ponto e vírgula pode significar tanto uma pausa breve como uma pausa prolongada ­ terá que definir-se de acordo com o sentido do texto o ponto final não significa sempre um abaixamento de voz embora signifique sempre uma pausa grande as reticências no final de uma frase significam uma ideia inacabada devendo provocar uma pausa muito lenta isto é o locutor ou intérprete deve completar a frase mentalmente tratando de não fazer um corte súbito onde começam as reticências ­ se por falta de concentração do contracenante nos programas feitos por mais de uma pessoa se este não entrar a tempo o primeiro ao ler as reticências deve automaticamente completar a frase que devia ter deixado incompleta ou em suspenso o final das frases independentemente da pausa que provocam não deve precipitar-se ou perder-se em teatro diz-se muitas vezes não deixar cair os finais o que não se aplica em rádio visto que a voz baixa quase sempre onde definitivamente se conclui uma ideia É preferível abrir uma pausa sem justificação estética a não ter ar para emitir claramente um som vocal confundir o som das vogais ou pronunciar defeituosamente o ponto de interrogação determina uma grande pausa antes do começo da pergunta ­ quando a frase começa com um elemento interrogativo ­ tal como porquê ­ onde ­ quem é ­ etc também existem perguntas que são na verdade exclamações e é como tal que se devem ser inflacionadas saber dizer uma frase com o seu acento lógico aplicando as pausas de modo inteligente é indispensável para o locutor e também a todos que falam pelo microfone uma vez vencido o respeito da pontuação gramatical só a que se deve ignorar deve ler-se para a locução quer para a interpretação propriamente dita de acordo com o verdadeiro sentido da frase se se lhe juntar uma dicção clara e o conhecimento das regras de fraseio a palavra falada atinge pela rádio o valor único que este meio lhe concede e que simultaneamente lhe exige falar nÃo É declamar carlos leite ribeiro marinha grande/portugal http www.caestamosnos.org carlos leite ribeiro prof mestre nasceu em lisboa na freguesia de são jorge de arroios no dia 05 de março de 1937 mora desde setembro de 1967 na marinha grande /portugal jornalista locutor historiador pesquisador cultural prosador tem uma vasta obra literária em contos crónicas artigos de pesquisa cultural peças de teatro romance e e-books possui no seu currículo 8 cursos de radiodifusão 1986 a 1992 para além do curso de educação física 1962 curso geral de história politécnico 1964 com mestrado em 1976 curso geral de geografia politécnico 1967 com mestrado em 1984 fundador do portal cen cá estamos nós fundado em 15 de julho de 1998 invejável portal de difusão cultural sem fins lucrativos e divulgador de poetas e prosadores por todos os países lusófonos e núcleos espalhados pelo mundo É membro honorário e de honra da almece academia de letras municipais do estado do ceará brasil feminismo de la negaciÓn de ser a la afirmaciÓn de ser por maria crístina garay andrade en este viaje apasionado en el que estoy inmersa desde hace tantos años constantemente encuentro algo nuevo para exponer en la segunda parte de mi libro y no resulta nuevo por reciente sino por incorporar un tema más que considero de interés general y de arrastre histórico que deben tomar conocimiento quienes lo desconocen y tomarlo como que fue la apertura de una gran transformación en la mujer el emprender esta travesía hace que resulte interminable su evolución solo intento realizar un aporte más al propósito de cambiar esquemas que venimos forjando las mujeres que deseamos otro mundo que el establecido una de las cosas más importantes que aprendí de mi vida política es que resulta imposible demostrar aquello que no somos puedo sin duda alguna probar con un sinnúmero de ejemplos la afirmación de ser en contraposición de la negación de ser la negación de ser se anula justamente cuando con diáfana verdad emerge la afirmación de ser de una manera muy categórica porque podría tranquilamente entrar en una infernal arenga si pretendo demostrar lo negativo de una explícita o implícita personalidad la definición de una ideología política o religiosa como así también la orientación sexual escogida libremente seria inútil entonces intentar decir por ejemplo no soy atea ¿pues como demostrarlo en este momento sin tantos ambages con la simple sinceridad de confirmar

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eisfluências fevereiro 2012 15 que soy cristiana cuando para reafirmarlo muestro que pende de mi cuello la imagen de la medalla milagrosa que es lo que da por definida mi posición de creyente y adoradora mariana dejando de lado los convencionalismos dogmáticos impuestos por hábitos del pasado rancio debemos reafirmar categóricamente nuestra identidad es fundamental revalidar valores nuevos y genuinos elevar nuestra autoestima y dejar definitivamente de oír un ego cultural segregacionista que nos han aplicado de inferioridad para que de esta forma se pueda permitir que surja una conciencia con autoestima elaborada por su condición genuina de género sin instrucciones que la circunscriban a una determinada forma de ser concebida para ser mujer estereotipada masculina todavía se oyen voces influenciadas por el temeroso machismo ortodoxo podemos arrancar en la aplicación corriente y muy conocida frase yo no soy feminista exclamada como salvaguarda para cubrir alguna duda de un mal entendido pues entonces mujer dime ¿que eres porque siquiera puedes responderme con claridad que es el feminismo para que lo niegues tan rotundamente resulta habitual temer a lo desconocido negar por ilustración adquirida es asumir el erróneo concepto del significado de feminismo se tiene bajo el criterio de ser el antónimo de machismo cuando lo correcto de su antónimo sería el hembrismo como expuse en otra de mis conclusiones es esta solapada e injusta interpretación de la palabra feminismo que ha adquirido su mala reputación señalando a una persona ser anti hombre fue tradicional el valor sarcástico adjudicado a este movimiento político centenario para que sea observado con recelo distorsionándolo e enfundándolo como teorías de bases androfóbicas para connotarlo de negatividad hacia el varón y compadecer a esas feministas pasadas de moda que lucharon por el derecho de la mujer a la educación superior a seguir una carrera universitaria o a adquirir el derecho al sufragio de elegir y ser elegidas aun se rumorea en muchas sociedades del mundo actual la nefasta opinión de que esas mujeres feministas eran víctimas neuróticas de la ansiedad fálica que deseaban ser hombres y de su gran frustración por haber nacido mujer en el orden de inferioridad de condición de personas sobre la supremacía masculina su heroica lucha por el derecho de la mujer a participar en los asuntos principales y en las decisiones de la sociedad como iguales a los hombres se le condicionaba a creer que renegaban de su propia naturaleza de mujer que solo debía realizarse en la pasividad sexual en la aceptación dominante del varón y en la concepción descalificando la posición de vivir al servicio del mundo proyectista y lograr favorecer un diseño compartido de este en realidad fue la necesidad de forjar una nueva personalidad las que impulsó a estas apasionadas feministas a trazar nuevas rutas para la mujer algunos de estos caminos eran inesperadamente escabrosos otros callejones sin salida pero era real la necesidad de las mujeres de descubrir nuevas travesías porque ya les resultaba insuficiente el establecer un hogar como única meta sino que no podían postergar la negación de la existencia de su inteligencia deseando formar parte del esquema social del cual integraban como seres independientes las primeras feministas fueron las pioneras en la línea de fuego de la batalla para que la evolución de la mujer gane la guerra y aun sigue pendiente esta situación porque si bien podemos decir que mucho hemos avanzado no obstante debemos continuar con la cruzada de peregrinar por un denso camino de superación personal ellas sin lugar a duda tenían que demostrar que eran humanas mientras que el hombre controlaba enérgicamente su destino con esa parte de la anatomía que no tiene otro animal la mente y una mente lamentablemente con convencimiento de superioridad la leyenda de la historia sobre el origen del feminismo indiscutiblemente es una deformación de la realidad sobre la que nadie se ha preguntado curiosamente el ¿por qué de la pasión y el ímpetu del movimiento feminista se lo hacía proceder exclusivamente de solteronas fracasadas necesitadas sexuales apesadumbrada s llenas de odio hacia los varones de mujeres estériles o consumidas sexuales por tal ansia del miembro viril que se lo querían arrancar a todos los hombres o destruirlos definitivamente para reclamar sus derechos porque en apariencia carecían de la capacidad de amar libremente es menester recordar que por aquellos años de siglos no muy lejanos el apasionamiento erótico en la mujer como la inteligencia estaban totalmente reprimidos las palabras feminista y mujer de estudio se convirtieron en agravios alevosos para quienes la recibían las feministas habían logrado destruir el antiguo tipo de mujer vigente de la época pero no podían borrar la hostilidad el prejuicio la discriminación que seguía existiendo y tampoco podían perfilar el nuevo tipo femenino de lo que llegaría a ser la mujer cuando creciera en condiciones que no la hicieran inferior al hombre dependiente pasiva e incapaz de pensar o decidir por si misma agotaron todos los recursos más inverosímiles no midieron en aplicar terrorismo psicológico involucrando a un dios réprobo casi satánico y aun así no pudieron con ellas tenían que luchar contra la idea de que estaban violando la propia y única naturaleza que dios les había proporcionado la concepción los predicadores exaltados interrumpían las reuniones sobre los derechos de la mujer enarbolando biblias y citando párrafos de las escrituras sagradas san pablo dijo y la cabeza de cada mujer es el hombre que vuestras mujeres guarden silencio en la iglesia pues a ellas no les está permitido hablar y si quieren aprender algo que se lo pregunten en casa a su marido porque es vergonzoso que las mujeres hablen en el templo pero yo no aguanto que una mujer enseñe ni usurpe autoridad al hombre sino que este en total silencio pues adán fue creado primero y luego eva san pedro dijo por lo tanto vosotras esposas estaréis sujetas a vuestros maridos y así podemos seguir citando infinidad de mensajes bíblicos apocalípticos y prejuiciosos prohibiciones y tabúes que se encuentran en todos los niveles de la cultura de los pueblos por mas de tres mil años efectivos desde refranes de descrédito al código civil desde los libros sagrados y absolutos a las resoluciones exclusivas de los conductores espirituales desde las teorizaciones filosóficas hasta la psicología freudiana regían y rigen severamente el estado dentro de un marco de referencia dado a la mujer pero no pudieron desde aquel entonces entorpecer nuestra evolución y seguimos insistiendo en la escaramuza titánica de autonomía inclusive ojeamos la barbarie de antaño el no estar permitido en los coros de las iglesias la presencia de mujeres para reemplazar la voz aguda no vieron nada mejor que incluir a eunucos que se los ordenaba en tal condición desde niños a partir de los ocho años argumentando creencias angelicales era evidente que ya no se podía volver a meter el genio dentro de la botella cuando una mística tiene suficientemente fuerza ésta crea su apropiada vida basada en hechos reales y se alimenta de su racional soberanía filtrándose paulatinamente en todos los escondrijos de la cultura en el ámbito actual la mujer ya no está más divorciada del mundo de las ideas ni de este mundo tan vertiginosamente cambiante que venimos alcanzando a pujanza de adquirir identidad y espacios de poder porque al franquear todas las barreras legales políticas económicas y educativas que en otros tiempos impedían a la mujer ponerse a nivel del hombre siendo personas por derecho propio se convertía en un ser con total libertad para desarrollar su potencialidad insistiendo en afirmar que tiene derechos a levantar su voz en el presente y futuro destino de la humanidad la consistencia interna en cada mujer transgresora de normas que la condicionaban a ser objeto da categóricamente como resultado final encontrarse consigo misma y transmutarse en sujeto equivalente al maravilloso nacimiento en cada una de nosotras del sentido de pertenecía del ser autónomo y soberano maría cristina garay andrade derechos reservados de autora monte grande ­ buenos aires ­ argentina http mariacristinadesdemissilencios.blogspot.com/

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