Psicologia resumo

 

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Resumo da matéria de Paicologia 12ºAno

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psicologia 12.° ano o essencial para os exames todas as questões de escolha múltipla resolvidas resposta a questões de desenvolvimento Índice 1­ 2­ 3­ 4­ exposição dos conteúdos do programa questões de escolha múltipla agrupadas por unidade temática questões de desenvolvimento os exames nacionais 4.1 as provas de exame de 2003 4.2 as provas de exame de 2004 1 exposição dos conteúdos do programa o objecto da psicologia a definição do objecto da psicologia como sendo o comportamento e os processos mentais foi o resultado de uma evolução nos finais do século xix os processos mentais eram considerados o objecto apropriado da psicologia durante as primeiras décadas do século xx tentou reduzir-se o objecto de estudo da psicologia ao que era observável ao comportamento em sentido escrito hoje em dia foram ultrapassadas estas perspectivas simplistas e redutoras a psicologia é por definição o estudo do comportamento e dos processos mentais nos seres humanos e nos outros animais estes dois elementos não podem ser estudados isoladamente estão intimamente ligados pelo que os psicólogos na

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actualidade entendem por comportamento aquilo que um ser vivo essencialmente o ser humano faz diz pensa e sente o objecto da psicologia o que a psicologia estuda o comportamento em sentido estrito significa toda a actividade que pode ser observada que é acessível aos nossos sentidos ex movimentos e mudanças no espaço e no tempo o que dizemos e escrevemos dormir chorar abraçar beijar agredir ferir etc processos mentais toda e qualquer actividade que não pode ser directamente observada ex pensamentos motivações sonhos percepções emoções a memorização a compreensão etc os comportamentos e os processos mentais não formam compartimentos estanques porque se influenciam mutuamente vários psicólogos contemporâneos afirmam que os processos mentais podem ser estudados mediante a observação de alterações no comportamento em situações específicas a partir de alterações comportamentais inferem que também ocorreram mudanças nos processos mentais nota a psicologia estuda todo o tipo de processos mentais e de comportamentos adaptados e desadaptados quer nos seres humanos quer nos outros animais a psicologia ciência com um longo passado e uma curta história longo passado os mistérios da mente e os enigmas do comportamento humano desde bem cedo despertaram interrogações o que são os sonhos fantasias sem sentido forma de comunicação com potências sobrenaturais qual a relação entre sono e sonhos já nascemos com determinadas capacidades ou é tudo resultado de experiência e aprendizagem seremos por natureza conformistas e obedientes curta história só a partir de 1879 a psicologia assume características científicas a investigação basear-se-á na observação no registo sistemático de dados e na experimentação inicialmente em laboratório e depois também em ambiente ecológico até então limitada às especulações dos filósofos a psicologia emancipa-se e adoptando um método científico torna-se uma ciência.

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há em suma um longo passado de questões sobre o comportamento humano e os processos mentais mas uma curta história de respostas científicas a essas questões os dois grandes momentos da história da psicologia psicologia pré-científica conjunto de teorias resultantes de especulações não submetidas a testes empíricos antes de 1879 psicologia como ciência conjunto de teorias submetidas a testes empíricos e formadas mediante métodos que valorizam a experimentação e a observação depois de 1879 perspectivas sobre o objecto da psicologia o estruturalismo de wundt o primeiro psicólogo a tornar a psicologia autónoma em relação à filosofia foi o alemão wilhelm wundt defendeu a ideia de que a psicologia era o estudo científico da consciência da experiência consciente e o seu objectivo descobrir a estrutura da experiência consciente por isso a sua doutrina recebeu o nome de estruturalismo por defender que os processos mentais complexos são o resultado de associação de elementos simples a doutrina estruturalista de wundt também tem o nome de associacionismo em condições laboratorialmente controladas utilizou um método chamado introspecção o behaviorismo de john watson o psicólogo americano john watson defendeu a ideia de que a psicologia só seria um conhecimento objectivo ou científico se o que estudasse fosse observável do exterior por parte do psicólogo rejeitou assim o método introspectivo e o estruturalismo para o psicólogo americano só o comportamento actividade observável e verificável pode ser objecto de estudo da psicologia a sua doutrina tem o nome de behaviorismo ou comportamentalismo o comportamento é a resposta observável a estímulos igualmente observáveis dependendo destes isto é varia em função da situação ou do meio somos produtos do meio somos o que a socialização e a educação fazem de nós o factor hereditário é irrelevelante se a psicologia quer ser objectiva ter crédito como ciência deve utilizar o método experimental e qual o objectivo da psicologia estudar como se processa a aprendizagem dos comportamentos e estabelecer as leis que permitam explicá-los e prevê-los a

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psicologia é um ramo das ciências da natureza e não há uma diferença específica entre o comportamento humano e o comportamento animal são reflexos condicionados john watson alargou o campo da psicologia ao estudo do comportamento animal se wundt ao criar o primeiro laboratório de psicologia em 1879 exigiu da psicologia uma atitude científica é com watson que ela definitivamente conquista a sua autonomia afastando-se claramente da psicologia tradicional o gestaltismo o gestaltismo opõe-se a qualquer tentativa de estudar quer o comportamento quer os processos mentais dividindo-os em elementos ou unidades considera que o estruturalismo é um atomismo porque procurava decompor a experiência consciente nos seus elementos básicos critica também a doutrina behaviorista porque decompunha o comportamento nos seus elementos ou unidades básicas estímulo -resposta o comportamento e sobretudo os processos mentais são demasiado complexos para serem estudados a partir da análise dos seus elementos concentraram a sua atenção no estudo de um processo mental a percepção não é possível reduzi-la aos seus elementos básicos com efeito segundo o princípio fundamental dos gestaltistas o todo é mais do que a simples soma das partes trata-se de uma concepção dinâmica da percepção e do funcionamento psíquico o objecto da nossa percepção é diferente da soma das suas partes antes das partes temos a percepção do todo ouvimos uma melodia e não as notas musicais uma a uma as partes sem a organização global que o todo lhes confere seriam elementos sem significado só a partir do todo da estrutura do conjunto se dá sentido aos elementos o objectivo do gestaltismo é compreender segundo que leis se organizam os elementos perceptivos os defensores desta corrente pensam que a nossa capacidade de organização perceptiva resulta do nosso modo de funcionamento cerebral É em larga medida de natureza inata não aprendida a psicanálise inicialmente com wundt o objecto da psicologia limitava-se ao estudo da experiência consciente dos processos mentais mais tarde devido à influência do behaviorismo considerou-se que só era cientificamente legítimo estudar o comportamento as actividades exteriormente observáveis centrando a sua atenção no tema da percepção o gestaltismo contestou a redução do objecto de estudo da psicologia ao comportamento revalorização dos processos mentais com a psicanálise evidencia-se o papel fundamental dos processos psíquicos inconscientes na determinação do nosso comportamento e da nossa personalidade devido ao contributo de freud quando actualmente definimos a psicologia como o estudo científico do comportamento e dos processos mentais por estes últimos entendemos não só os processos mentais conscientes como também os inconscientes segundo freud a consciência tem um papel muito menos influente na nossa vida psíquica do que o inconsciente a consciência é simplesmente a ponta do icebergue os sonhos os actos falhados e as neuroses são manifestações da realidade do inconsciente os sonhos são formas ilusórias de realização de desejos inconscientes constituem a via real de acesso ao inconsciente a teoria freudiana apresenta não só uma nova concepção do aparelho psíquico psíquico não é sinónimo de consciente mas também uma nova visão do ser humano em nós não é

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a razão que domina gostaríamos de pensar que esta controla os impulsos irracionais contudo freud diz-nos que a nossa vida é dirigida por impulsos desejos e pulsões de natureza inconsciente sobretudo de natureza sexual e agressiva o construtivismo de piaget o construtivismo defende a ideia de que o comportamento e o desenvolvimento da inteligência resultam de uma construção progressiva do sujeito em interacção com o meio físico e social por isso esta doutrina também tem o nome de interaccionismo para piaget o nosso desenvolvimento intelectual não depende exclusivamente do meio nega-se assim a concepção behaviorista nega-se também a concepção gestaltista porque esta dá muita pouca importância ao papel do meio o gestaltismo defende que a nossa relação com o meio é determinada por estruturas inatas ou potencialidades genéticas e não pela interacção entre essas estruturas e o meio este psicólogo suíço não é nem partidário do empirismo nem do inatismo É construtivista porque afirma que o indivíduo mediante as suas acções sobre o meio tem um papel na construção do conhecimento e da sua personalidade É interaccionista porque defende que o desenvolvimento intelectual e moral é obra do sujeito nas suas interacções com o meio físico e social um dos grandes contributos de piaget é precisamente o de ter chamado a atenção para a interacção para a acção recíproca entre factores endógenos do sujeito e exógenos do meio devemos-lhe também um novo conceito de comportamento que actualmente é amplamente partilhado a formula r fs que watson utilizava para definir o comportamento é em piaget substituída pela fórmula r fs ¤ p o comportamento é uma resposta que varia em função da interacção entre a personalidade do sujeito e a situação o meio a relação sujeito-meio tem um carácter dinâmico o sujeito não é passivo não é simples produto do meio a situação não pode ser encarada independentemente da personalidade nem a personalidade independentemente da situação somos com o património genético herdado e a maturação orgânica como pano de fundo o produto da interacção entre a nossa personalidade e o meio nem a personalidade é um dado somos o resultado das nossas experiências nem a situação é puramente objectiva é o que o representa para nós o significado que lhe atribuímos em virtude das experiências que vivemos o construtivismo de piaget é uma superação do empirismo dos behavioristas e do inatismo dos gestaltistas considera que as estruturas perceptivas que organizam a experiência do meio já estão pré-formadas considera que as estruturas que nos permitem conhecer e interpretar o mundo são retiradas da experiência.

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wundt estruturalismo objecto da psicologia o estudo da experiência consciente dos estados de consciência o objectivo do estruturalismo ou associacionismo é o de descobrir a estrutura das experiências conscientes a forma de atingir tal objectivo é decompor a consciência nos seus elementos básicos método utilizado ­ a introspecção laboratorial controlada watson behaviorismo objecto da psicologia o estudo do comportamento é somente do comportamento para watson só pode ser objecto de estudo científico o que é directamente observável por isso a psicologia não pode se quiser ser um conhecimento objectivo estudar os processos mentais o comportamento define-se única e exclusivamente como o conjunto de respostas dadas a estímulos também observáveis o comportamento é um conjunto de respostas que variam em função da situação [r fs o comportamento depende apenas de um factor ­ o conjunto de estímulos É o efeito puro e simples de um dado estímulo ou conjunto de estímulos concepção causalista do comportamento somos o resultado da influência do meio e não da nossa interacção com o meio o poder do meio educativo e sociocultural é praticamente absoluto método utilizado ­ o método experimental gestaltismo objecto da psicologia consideram que não se deve reduzir a psicologia ao estudo do comportamento revalorizam portanto os processos mentais sobretudo o fenómeno da percepção cujas leis fundamentais estabelecem o princípio fundamental da sua teoria sobre a percepção é este o todo é mais do que a simples soma das partes isto quer dizer que o objecto da nossa percepção é diferente da soma das suas partes na percepção de um objecto damos antes de mais atenção à sua forma global contra os behavioristas consideram que os dados da consciência podem ser estudados cientificamente e contra o estruturalismo de wundt afirmam que a consciência não deve ser estudada de forma analítica decompor nos seus elementos básicos porque nenhum fenómeno psicológico é uma mera soma de elementos freud psicanálise

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objecto da psicologia o estudo da influência que os processos psíquicos ­ sobretudo os inconscientes ­ exercem sobre o comportamento e a personalidade a mente o psiquismo humano não se reduz à consciência bem pelo contrário a consciência é apenas uma pequena dimensão do nosso aparelho psíquico pouca influência exerce sobre o nosso comportamento se quisermos compreender os comportamentos humanos temos de dar atenção especial ao inconsciente ele é a realidade psíquica fundamental isto é desempenha um papel muito mais importante do que a consciência na nossa vida psíquica esta afirmação é essencial e a grande novidade da psicanálise método utilizado ­ o método psicanalítico a cura pela palavra a palavra como forma de acesso ao inconsciente piaget construtivismo objecto da psicologia o estudo da interacção entre a nossa actividade sobre o meio e os processos mentais sobretudo a inteligência a investigação de piaget centrou-se no tema do desenvolvimento cognitivo ou intelectual através da nossa acção sobre o meio transformamo-lo e transformamos as nossas estruturas intelectuais o construtivismo de piaget também tem o nome de interaccionismo porque reconhecendo o papel da hereditariedade da maturação orgânica e dos factores socioculturais acentua a importância da interacção sujeito-meio não há evolução intelectual sem curiosidade e acção sobre o meio esta pespectiva interaccionista revela-se na noção de comportamento proposta o comportamento é uma resposta que varia não simplesmente em função da situação mas sim em função da interacção entre personalidade conjunto de experiência aprendizagem e de influência genética e situação conjunto de estímulos opõe-se ao inatismo dos gestaltistas e ao empirismo aspecto radical dos behavioristas método utilizado ­ o método clínico e a observação naturalista os métodos em psicologia há vários métodos em psicologia para cada situação ou problema pode haver várias teorias e podem ser utilizados diversos métodos de investigação há métodos associados intimamente a uma teoria o método psicanalítico está associado à teoria psicanalítica mas uma teoria pode constituir-se recorrendo a diversos métodos a teoria construtivista do desenvolvimento cognitivo foi elaborada por piaget recorrendo ao método clínico e à observação naturalista

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a que se deve a diversidade de métodos À diversidade de perspectivas teóricas sobre o objecto da psicologia e o seu estatuto mas de forma mais fundamental à complexidade e variedade do comportamento humano e animal assim alguns métodos são adequados para o estudo de determinados aspectos do comportamento mas inadequados para o estudo de outros É bom nunca esquecer que a psicologia estuda indivíduos que são diferentes entre si e agem em situações circunstâncias e contextos diferentes a diversidade de métodos corresponde à necessidade de apreender o comportamento de uma forma global o primeiro método utilizado pela psicologia científica foi o método introspectivo o seu criador foi o psicologo alemão w wundt É um método analítico podemos dividi-lo em 3 momentos 1 o sujeito que vive um certo estado de consciência auto-observa-se 2 descreve ou relata ao psicólogo o que se passa na sua mente 3 o psicólogo regista e interpreta o que é descrito como se vê uma mesma pessoa é observador e observado no entanto quem analisa e interpreta é o psicólogo apesar deste cuidado de wundt o método introspectivo apresenta muitas limitações essas limitações são de dois tipos limitações quanto à objectividade e limitações quanto à amplitude da sua aplicação quanto à objectividade podemos indicar as seguintes limitações a não há distinção real entre o observador e o observado como dizia watson a observação não é pública ou seja a observação interna não pode ser objectivamente controlada b um estado de consciência não pode ser ao mesmo tempo vivido e descrito a introspecção é no fundo retrospecção c a introspecção valoriza excessivamente e de forma irrealista as capacidades da memória e da linguagem nem todos os estados de consciência podem ser fielmente verbalizados e a descrição de um estado consciente pode alterá-los d há estados de consciência que pela sua intensidade emocional não permitem uma descrição distanciada fria e rigorosa necessária à introspecção e diferentes pessoas podem descrever de modo diferente o mesmo fenómeno psicológico quanto à amplitude podemos apontar as seguintes limitações a tem apenas como objecto os processos mentais conscientes b não é aplicável a fenómenos de natureza fisiológica c não é aplicável no campo da psicologia infantil nem no da psicologia animal actualmente a introspecção é utilizada unicamente como complemento de outros métodos método experimental ­ conjunto de procedimentos rigorosos que desenvolvendo-se habitualmente em contexto laboratorial procura controlar variáveis estranhas ou parasitas de modo a que os resultados se devam única e simplesmente à manipulação da variável independente isto é que só a esta se devam as alterações na variável dependente etapas

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1.formulação de um problema ­ os programas televisivos violentos afectam o comportamento das crianças 2.apresentação de uma hipótese ­ os programas televisivos violentos provocam um aumento do nível de agressividade do comportamento das crianças a hipótese é a explicação que supomos boa para um problema e que vai ser testada ou experimentada 3.controlo e manipulação das variáveis ­ esta etapa tem várias fases 3.1 identificação das variáveis relevantes as variáveis relevantes são as variáveis entre as quais se procura estabelecer uma relação causa-efeito analisando a hipótese surge em primeiro lugar a variável independente grau de violência dos programas televisivos em segundo lugar surge a variável dependente o nível de agressividade do comportamento das crianças a variável independente é o factor ou comportamento que é manipulado pelo experimentador com o objectivo de observar o efeito dessa manipulação noutro factor ou comportamento que é a variável dependente À v.i dá-se também o nome de variável experimental ou activa diz-se independente porque pode ser manipulada independentemente de outros factores a variável dependente é o factor ou comportamento que depende da manipulação da variável independente isto é do grau de violência dos programas televisivos diz-se dependente porque depende da manipulação da v.i e do que acontece aos sujeitos na experimentação assim a variável independente é manipulada e a variável dependente é medida mede-se o nível de agressividade que variáveis se pretende controlar as variáveis ditas estranhas externas ou parasitas que não estão presentes na hipótese só a variável independente deve condicionar a variável dependente por isso qualquer interferência de outras variáveis ­ ditas externas ­ é indesejável e põe em causa a validade dos resultados finais que variáveis são essas as condições socioeconómicas das crianças participantes o sexo a que pertencem a temperatura ambiente no laboratório não deve ser nem alta nem baixa as condições de luminosidade e também o facto de as crianças terem já visto os programas não os devem ter visto todas estas variáveis devem ser neutralizadas postas fora de circuito 3.2 definição operacional das variáveis relevantes definir operacionalmente uma variável é quantificá la indicar em termos numéricos como operar com ela definir operacionalmente a variável independente significa dizer qual a duração dos programas televisivos [violentos dragonball e não violentos teletubbies a que os diferentes grupos de crianças vão assistir isto é o número de minutos da sua exibição definir operacionalmente a variável dependente o nível de agressividade significa indicar depois de vistos os programas e durante um determinado tempo 30 minutos por exemplo o número de comportamentos agressivos agressões verbais e físicas a pessoas ou objectos que ocorrem quando as crianças interagem umas com as outras estes procedimentos que programas são vistos a sua duração e o modo como se mede a agressividade das crianças são indispensáveis para o rigor e a eventual replicabilidade do experimento repetição por outrem 3.3 selecção dos sujeitos participantes o comportamento das crianças ­ a sua agressividade ­ é o objecto de estudo.

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mas que crianças vamos estudar suponhamos que são crianças portuguesas nas faixas etárias dos 4 aos 6 anos É esta a população-alvo do nosso estudo como não cabem todas no laboratório melhor dizendo como é impossível estudá-las todas temos de constituir uma amostra representativa ou significativa dessa totalidade que são as crianças dos 4 aos 6 anos para a amostra ser representativa tem de haver um equilíbrio entre os representantes de cada sexo por exemplo um excessivo número de rapazes na amostra iria adulterar os resultados porque a investigação psicológica revelou que os rapazes são por natureza mais agressivos do que as raparigas por outro lado não é só a biologia que predispõe para a agressividade condições socioeconómicas relativamente precárias também a podem condicionar por isso é importante não haver na amostra só crianças economicamente favorecidas nem só crianças economicamente desfavorecidas além disso deve evitar-se um excesso de crianças de um determinado estrato económico em relação a outro É conveniente que o experimentador interrogue as crianças seleccionadas sobre se já viram os programas que vão ser exibidos 3.4 constituição dos grupos experimental e de controlo formada a amostra representativa trata-se de distribuir as crianças seleccionadas por dois grupos é o que frequentemente acontece respeitando critérios já seguidos na constituição da amostra significativa as crianças são distribuídas pelos grupos mediante uma técnica denominada amostragem aleatória um pouco como tirar à sorte o grupo experimental é segundo a definição dos psicólogos experimentais aquele que recebe o tratamento que é submetido à manipulação da variável independente mais precisamente vai assistir a programas de televisão violentos o grupo de controlo não é submetido à manipulação da variável independente ou experimental o que não quer dizer que não participa na experimentação É o grupo de controlo porque comparando o nível de agressividade revelado pelos seus membros depois de verem programas não violentos podemos verificar se a diferença em relação ao grupo experimental é significativa ou não para a comprovação da hipótese 4.observação e registo de dados observa-se o comportamento das crianças de ambos os grupos e regista-se mediante tecnologia sofisticada a frequência com que acontecem durante determinado espaço de tempo estados agressivos verbais ou físicos e tendo como objecto pessoas ou coisas 5.conclusão e generalização dos resultados suponhamos que numa escala de 0 a 10 o grupo experimental revelou um nível de agressividade de 9,8 e que o grupo de controlo que viu programas não violentos revelou um nível de agressividade de 4,3 a diferença é bastante significativa pelo que a hipótese ­ os programas violentos provocam um aumento da agressividade das crianças dos 2 aos 6 anos ­ se afigura boa se as variáveis estranhas ou parasitas foram devidamente controladas isto é se somente a variável independente exerceu influência sobre a variável dependente então o experimento tem validade interna deste modo é legítima embora relativa a generalização dos resultados são válidos não só para as crianças de 4 aos 6 anos que estiveram no laboratório como para todas as crianças de 4 a 6 anos é a chamada validade externa sempre discutível.

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definição conjunto de técnicas e de estratégias que numa dupla vertende terapêutica e investigativa visam compreender de forma global qualitativa e aprofundada casos individuais um indivíduo ou um pequeno conjunto de indivíduos a atenção do método incide na psicobiografia do indivíduo na sua história pessoal a compreensão de cada comportamento parte da ideia de que este é o resultado de uma evolução de um processo por isso compreender um determinado comportamento de forma global e aprofundada exige que se dê atenção ao resultado final ao comportamento actual e também à sua génese e ao modo como se desenvolveu a vertente terapêutica o método clínico é na maior parte dos casos utilizado no diagnóstico e tratamento de pessoas com problemas psicológicos e pertubações comportamentais É o caso de pessoas com problemas e dificuldades de integração no meio em que trabalham ou na adaptação a um novo papel social a vertente investigativa o método clínico é também utilizado em investigação É uma forma de obtermos e de aprofundarmos conhecimentos sobre diversos fenómenos psicológicos podemos através da sua utilização encontrar respostas para questões como «de que modo se desenvolve a inteligência humana?» «qual o papel da hereditariedade e do o meio no nosso comportamento na nossa personalidade e no desenvolvimento intelectual » «o que é a memória?» «de que forma aprendemos?» como se vê o método clínico não é simplesmente utilizado para tratar pessoas com problemas psicológicos mas também para conhecer fenómenos psicológicos por isso nem só os psicólogos clínicos o utilizam piaget psicólogo do desenvolvimento utilizou-o para compreender a evolução da inteligência as técnicas do método clínico a compreensão de um comportamento exige da parte de quem usa o método clínico uma relação pessoal intersubjectividade alguma capacidade de intuição a percepção de algo que não é acessível à simples razão e de compreender os outros o seu ponto de vista e os significados que atribui às situações várias técnicas acompanham o método clínico 1 observação clínica 2 entrevista clínica ­ trata-se de uma conversa que mais ou menos estruturada é orientada pelo psicólogo baseado numa atitude compreensiva procurar compreender o interlocutor e também interventiva procurar ajudar o entrevistado a compreender-se pode ser também não-directiva 3 anamnese ­ registo de dados biográficos trata-se de recolha e organização de dados e informações que permitem reconstituir a história pessoal de um indivíduo 4 técnicas psicométricas ­ designam testes que avaliam comportamentos e atitudes há testes de inteligência stanford-binet e escalas de wechsler de personalidade t.a.t e teste de rorschach e de aptidão permitem a recolha eficaz e rigorosa de informação sobre o sujeito que os realiza comparando os seus resultados com os de outros indivíduos os testes devem apresentar as seguintes características a padronização condições iguais para

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todos b validade clareza na definição do que se quer avaliar c fidelidade resultados semelhantes em circunstâncias idênticas d sensibilidade permitir diferenciar os indivíduos comparação entre o método clínico e o método experimental 1 o método experimental é quantitativo o método clínico é qualitativo o método experimental procura mediante processos rigorosamente controlados estabelecer relações causais entre um comportamento e outro estudando para tal efeito grupos mais ou menos vastos de indivíduos a relação causal eventualmente descoberta transforma-se em lei aplicável à generalidade dos indivíduos o método clínico dá relevo ao indivíduo mais do que explicações gerais procura a compreensão aprofundada de casos individuais 2 o método experimental tem como objecto de estudo um aspecto particular do comportamento humano ou animal o método clínico tem como objecto de estudo a personalidade global múltiplas facetas de um indivíduo humano o psicólogo que utiliza o método experimental visa explicar um determinado aspecto do comportamento a violência a capacidade de memorização a rapidez com que ajudamos os outros em situações difíceis etc o método clínico estuda de modo aprofundado um caso particular e concreto encarando cada indivíduo como personalidade global não se limita a dar atenção a um aspecto do comportamento do indivíduo por exemplo se é violento ou não o método experimental procede por eliminação ou neutralização de variáveis não relevantes o método clínico considera que os aspectos do comportamento de um indivíduo são importantes para a compreensão da sua personalidade todas as «variáveis» são relevantes 3 procurando descobrir leis susceptíveis de aplicação à generalidade dos indivíduos o método experimental dá-nos uma compreensão abstracta e muito genérica do comportamento de um indivíduo o método clínico procura descobrir as características concretas e individuais de cada ser humano que estude cada pessoa é um ser único 4 o método clínico tem uma dupla vertente investigação e terapêutica o método experimental é um método de investigação é teórico embora possa indirectamente ter efeitos práticos definição ­ observação sistemática do comportamento humano e animal conforme ocorre natural e espontaneamente no seu meio habitual pode também definir-se como a observação e descrição sistemática do comportamento no contexto em que ocorre

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naturalmente É igualmente designada observação ecológica uma vez que ocorre em meio ecológico mas atenção a observação naturalista não é necessariamente observação do que ocorre na natureza dizer que é observação do comportamento no seu ambiente natural significa que se observa o comportamento em ambientes e situações que não são criados artificialmente assim não é necessário ir para a serra de montejunto ou para o gerês para que possamos efectuar observações naturalistas do comportamento em cafés restaurantes escolas ou jardins-de-infância podem efectuar-se observações deste tipo portanto em contexto ecológico não significa simplesmente longe disso na natureza modos de observação naturalista há dois modos de observação naturalista a observação naturalista participante e a observação naturalista não participante 1 observação naturalista não participante é um modo de observação em que o observador não interfere no campo observado isto é nas actividades que observa É muito frequente o psicólogo observar sem ser visto observação oculta É o caso de quem utiliza um espelho de via única para por exemplo observar actividades de crianças de um infantário o psicólogo estuda assim as actividades das crianças sem que elas disso se apercebam pode também utilizar uma câmara de vídeo escondida 2 observação naturalista participante é um modo de observação em que o observador se integra nas actividades dos sujeitos cujo comportamento observa interferindo assim no campo observado mas esta participação não deve prejudicar a observação por isso apesar do psicólogo estar presente e se envolver nas actividades da população observada os sujeitos observados não devem saber que estão a ser objecto de estudo em suma há observação naturalista quando em contexto ecológico os sujeitos observados são objecto de estudo sem saberem disso e não são influenciados pelos objectivos do observador vantagens da observação naturalista 1 o comportamento dos sujeitos observados é em princípio mais natural espontâneo e genuíno mais variado do que em contexto laboratorial com efeito ocorrendo em contexto ecológico o seu comportamento não é afectado pela inibição e ansiedade dos contextos laboratoriais uma vez que se trata de observação de comportamentos espontâneos o ambiente e a situação não são determinados pelo psicólogo isto é não há manipulação de variáveis embora se pretenda controlar as variáveis não relevantes para o que se pretende estudar 2 É de grande utilidade no estudo do comportamento de espécies que não se adaptam a condições laboratoriais 3 pode ser utilizado em situações nas quais o método experimental ou outro não seria apropriado ex o estudo da relação entre o comportamento dos automobilistas e o grau de sinistralidade nas estradas limitações da observação naturalista 1 as observações naturalistas são de muito difícil replicação 2 o controlo sobre as variáveis estranhas é reduzido pelo que não se podem estabelecer relações causa -efeito as conclusões são suposições 3 se os participantes têm consciência de que estão a ser observados o seu comportamento será menos natural se não sabem que estão a ser observados e o seu comportamento não

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tem carácter público podem colocar-se problemas que invalidem a observação violação de privacidade 4 onde há só um observador ­ como muitas vezes acontece ­ é difícil verificar autenticidade e fidelidade dos dados comparação entre a observação naturalista e o método experimental 1 o método experimental é um método explicativo a observação naturalista é um método descritivo o método experimental é um conjunto de procedimentos que visa estabelecer uma relação causa-efeito entre dois comportamentos isto é procura explicar um comportamento através de outro o comportamento a explicar ex agressividade do comportamento das crianças de uma dada faixa etária será considerado efeito de outro comportamento a sua causa por exemplo o visionamento de programas televisivos violentos o factor a explicar tem o nome de variável dependente o factor explicativo tem o nome de variável independente trata-se na experimentação de manipular alterar a variável independente para verificar quais os efeitos dessa manipulação na variável dependente para que a hipótese explicativa uma determinada relação entre a variável independente e a variável dependente seja realmente experimentada ou testada mais nenhuma variável deve interferir as variáveis estranhas ou parasitas devem ser eficazmente controladas devem ser neutralizadas é o chamado controlo experimental ou seja a causa hipotética de um comportamento que queremos explicar é previamente definida e verificar se é uma causa real implica controlar não deixar que interfiram outros factores a observação naturalista tem como objectivo descrever comportamentos e não propriamente explicá-los trata-se de um método que consiste na observação de comportamentos em situações naturais habituais quotidanas isto é não controladas artificialmente É evidente que o psicólogo que adopta a observação naturalista formula hipóteses estabelece relações entre variáveis entre comportamentos contudo há duas diferenças significativas quanto à maneira de entender a relação entre variáveis a a relação entre variáveis nunca é interpretada segundo o esquema causa-efeito não há variáveis dependentes e independentes b as variáveis não são manipuladas porque ocorrendo os comportamentos em contexto natural-independente da determinação do observador ­ estas surgem espontânea e naturalmente em vez de uma relação causal a observação naturalista permite estabelecer a correlação entre um comportamento e outro ex quanto melhor for a relação do professor com os alunos tanto melhor serão os resultados destes não prova contudo que uma coisa seja a causa de outra 2 a artificialidade do método experimental opõe-se à naturalidade da observação naturalista na observação naturalista não há controlo de variáveis externas e manipulação de variáveis independentes porque ela é observação de comportamentos espontâneos em condições naturais o método experimental é principalmente usado em laboratório em situações não naturais ou seja situações em que as variáveis externas são rigorosamente controladas para que só as variáveis presentes na hipótese sejam relacionadas a v.i e a v.d

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3 embora qualquer método em psicologia enfrente problemas quando à generalização dos seus resultados o método experimental é considerado a esse respeito mais fiável do que a observação naturalista reconhece-se ao método experimental a virtude sempre relativa de formular leis gerais sobre o comportamento humano por isso para vários psicólogos é o único método verdadeiramente científico 4 as observações naturalistas são de muito difícil replicação a replicabilidade é uma característica típica da investigação experimental os procedimentos do experimentador podem ser repetidos ou replicados por outro experimentador para se verificar se obtém resultados semelhantes 5 o método experimental é mais eficaz no controlo e eventual neutralização das variáveis externas ou parasitas oferece para muitos psicólogos mais segurança quanto à validade interna e externa dos resultados o método psicanalítico encarado do ponto de vista simplesmente terapêutico é uma terapia que se baseia na ideia de que conhecer e compreender a origem dos problemas que nos afectam nos liberta em certa medida de tensões ansiedades e padecimentos a vida psíquica do ser humano desenrola-se sob o signo do conflito os conflitos e incidentes mais marcantes na nossa evolução psíquica remontam segundo freud à época da infância primeira infância sobretudo os conflitos característicos da primeira infância podem ser resolvidos seguindo-se um desenvolvimento psíquico saudável mas como acontece muitas vezes podem ser mal resolvidos ou mesmo não resolvidos isto significa que são recalcados e reprimidos afastados para longe da nossa consciência que esses conflitos se tornem inconscientes não implica de modo nenhum que sejam desactivados ou deixem de existir com efeito não se manifestando directamente ao nível da consciência tais conflitos e incidentes traumáticos continuam a afectar o nosso comportamento e a nossa personalidade sem disso termos consciência quer isto dizer que se manifestam de forma indirecta provocando perturbações psíquicas desordens no comportamento e sofrimentos físicos como esses conflitos e incidentes foram recalcados tornam-se inconscientes são sem que o saibamos a causa dos nossos actuais padecimentos físicos e psíquicos É esta falha que a terapia psicanalítica no sentido tradicional do termo pretende colmatar durante o tratamento psicanalítico o terapeuta tenta conduzir o paciente à origem até aí inconsciente dos seus males ou seja tenta trazer os conflitos e traumas inconscientes recalcados à consciência para conseguir o acesso ao inconsciente o método psicanalítico utiliza articulando-as duas técnicas a livre associação e a interpretação dos sonhos além destas duas técnicas há dois processos que acompanham a terapia psicanalítica a resistência e a transferência a livre associação é uma técnica que exige do sujeito a associação espontânea sem auto-censura de imagens ideias e recordações por mais embaraçosas que sejam ou por mais absurdas que possam parecer o seu objectivo é o de trazer à consciência o que foi recalcado mas se

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