O Penitenciarista

 

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Informativo bimestral do Museu Penitenciário Paulista - MPP edição novembro/dezembro

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ano 1 n° 04 distribuição interna tiragem bimestral novembro dezembro 2011 2002 2012 -10 anos sem casa de detenÇÃo depois de 46 anos de existência no dia 08 de dezembro de 2002 às 11h com o uso de 250 quilos de explosivos foi transformada em entulho boa parte da casa de detenção profº flamínio fávero de são paulo construída em 1956 pelo então governador jânio quadros a casa de detenção de são paulo foi entregue à população em 11 de setembro daquele ano para abrigar todos os presos provisórios do estado a denominação de casa de detenção foi dada pelo interventor federal ademar pereira de barros que em 5 de dezembro de 1938 pelo decreto estadual n° 9.789 extinguiu a cadeia pública e o presídio político da capital este decreto previa a separação de réus primários de presos reincidentes e a separação de presos pela natureza do delito a sendo casa de detenção chegou considerada à época o a abrigar mais de oito mil presos maior presídio da américa latina museu penitenciário paulista em ação visita de edda mussolini ao museu em 1939 72 anos de museu penitenciário de olho no acervo o museu penitenciário paulista completa 72 anos de existência no próximo dia 11 de dezembro sabe-se que ele já passou por diversas aberturas e fechamentos mas que a partir de 2009 com a constituição de um grupo de trabalho destinado a estudar sua reabertura vem retomando as atividades o acervo do museu penitenciário paulista é composto de objetos resultantes dos procedimentos para ressocialização dos presos além de outros relacionados à cultura material palpável ­ objetos e imaterial não palpável ­ vocabulário utilizado nas penitenciárias já foi iniciado o processo de gestão do acervo museólogico um dos trabalhos desenvolvidos nesta fase desde sua transferência em 2010 foi a documentação museológica processo que abrange toda a coleta de informação sobre o acervo do museu por meio de técnicas como aquisição numeração e levantamento de dados para organizar informar e apresentar os conhecimentos tornando-os acessíveis e úteis este trabalho continua sendo desenvolvido já que todos os bens culturais incorporados pelo museu devem ser documentados de maneira adequada conservados protegidos e mantidos de forma apropriada título da obra beija-flor artista luis alves carreto data 25/08/1937 com a transferência da sede do museu que se encontrava na cidade de araraquara para a secretaria da administração penitenciária iniciou-se uma nova fase pela primeira vez em seus 72 anos de existência torna-se público aberto à sociedade o penitenciarista · 1

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histórias dos estabelecimentos penais atendendo ao nosso pedido para que relatasse histórias de estabelecimentos penais o diretor técnico ordirlei arruda de lima nos conta a história da penitenciária de parelheiros asp joaquim fonseca lopes km de diâmetro e aproximadamente 450 m de profundidade e foi formada pela queda de um meteorito ou de um cometa há cerca de 36 milhões de anos esta unidade foi inicialmente no ano de 2009 mais uma vez foi reorganizado institucionalmente como penitenciária recebendo a denominação atual curiosidade em 1997 foi localizada uma bomba do lado de fora da unidade bem próxima à muralha na lateral ao lado do pavilhão habitacional a bomba era do tipo c4 e seria acionada por meio de telefonia celular o poder da explosão seria enorme e se porventura o mecanismo tivesse sido acionado não apenas derrubaria a muralha mas também o pavilhão habitacional este estabelecimento penal foi construido sobre uma formação geológica conhecida por cratera de parelheiros ou cratera da colônia a cratera da colônia possui 3,34 criada e organizada como casa de detenção em 06 de maio de 1988 e em 1998 transformada em penitenciária em 25 de abril de 2000 foi extinta e suas instalações cedidas à então fundação estadual do bem estar do menor febem no dia 04 de julho de 2002 o imóvel foi devolvido à sap para a instalação de um centro de detenção provisória por guilherme silveira rodrigues vivo em condomínio cercado de muralhas por todos os lados além de forte esquema de segurança para cuidar de mim na região central da cidade tenho o privilégio de habitar um dos 1.240 apartamentos sozinho onde a privacidade é total recebo minhas refeições incluindo café da manhã almoço café da tarde e jantar em meu aposento e a dieta é variada feita por especialista possuo em minha segurança pessoal 500 pessoas que se revezam em cuidados nada me deixando faltar e inclusive acompanhamento particular para onde quer que vá vários médicos e dentistas substituem-se alternadamente para zelar pela minha saúde constantemente saio a passeio até mesmo por várias cidades do interior sempre acompanhado excedendo-se às vezes o pessoal em atenção a mim para que nada de anormal ocorra ou seja que eu seja vítima de algum sequestro tão excessivos são os cuidados que quando alguém vem me visitar passa antes por uma minuciosa revista a visitação é permitida aos domingos e em dias especiais desfruto de enorme campo de futebol e quadras de esporte onde pratico meus exercícios físicos nos períodos da manhã e da tarde por algumas vezes já tentei sair sozinho burlando meus seguranças porém o cuidado é exagerado não me deixaram sair de maneira alguma e chamaram minha atenção com alguma rudeza e como reprimenda trancaramme em meu apartamento privando-me mesmo contra a minha vontade das minhas regalias tudo para me proteger isto é enfadonho trocaria tudo por um pouco de poder ir e vir sem alguém em meus calcanhares quem sou eu quem sou eu texto rodrigues g s quem sou eu in código de cela são paulo wvc editora 2001 p 86-88 2 · o penitenciarista

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no intuito de estabelecer um ambiente amistoso nos estabelecimentos penais josé francisco dos santos seu chiquinho produziu diversos eventos cultura de bem estar leci brandão na casa de detenção foram feitos os maiores eventos roberto leal os shows começaram a ser realizados no iníco dos anos 80 raul gil apresentava os shows aguinaldo rayol os artistas nunca cobravam cachê mara maravilha os maiores eventos ocorriam na semana do dia das mães e na semana do natal christian e ralf seu chiquinho iniciou sua vida profissional em um clube em taubaté quando teve a oportunidade de conhecer muitos artistas agnaldo timóteo os eventos reuniam 10 mil pessoas 7mil presos mais as visitas altemar dutra os shows contavam com os artistas de maior sucesso da época ari toledo o evento era realizado no pátio do pavilhão 8 alcione uma das artistas que mais comparecia para fazer show na casa de detenção sérgio reis muitas vezes o equipamento de som foi disponibilizado por sérgio reis já o palco pelo anhembi rita cadillac a rainha dos detentos no ano de 2000 foi produzido o último evento centro de ressocialização cr por jorge carmo de souza · · · · unidade mista regimes fechado semiaberto e provisório algumas unidades são administradas em parceria com ongs participação efetiva da comunidade serviços assistenciais nas áreas da saúde odontológica psicológica jurídica social educativa religiosa laborterápica etc baixo índice de reincidência · centro de ressocialização de mococa cr o penitenciarista · 3

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os penitenciaristas coronel montesinos manuel montesinos e molina nasceu em são roque campo de gilbraltar província de cádiz espanha em 17.6.1796 e morreu em 1862 É uma figura indiscutível do penitenciarismo conheceu as desditas e as limitações que a vida na prisão impunha já que durante a guerra de independência 1809 ao capitular na praça de zaragoza foi submetido durante três anos a um severo encarceramento em um arsenal militar em 1835 o coronel manuel montesinos e molina foi nomeado governador do presídio de valência possuía qualidades pessoais adequadas para alcançar uma eficiente e humanitária direção de um centro penal entre suas qualidades mais marcantes encontra-se sua poderosa força de vontade e sua capacidade para influir eficazmente no espírito dos reclusos sua penetrante vontade e grandes dotes de liderança lograram disciplinar os reclusos não pela dureza do castigo mas pelo exercício de sua autoridade moral diminuiu o rigor dos castigos e preferiu orientar-se pelos princípios de um poder disciplinar racional seu êxito como diretor do presídio de valência pode ser constatado através dos seguintes dados sobre reincidência ao assumir a direção o número de reincidências ascendia a 30 ou 35 mas conseguiu diminuir esse porcentual a 1 e em alguns períodos a reincidência chegou a desaparecer um dos aspectos mais interessantes da obra prática de montesinos referese à importância que deu às relações com os reclusos fundadas em sentimento de confiança e estímulo procurando construir no recluso uma definida autoconsciência a ação penitenciária de montesinos planta suas raízes em um genuíno sentimento em relação ao outro demonstrando uma atitude aberta que permitisse estimular a reforma moral do recluso sem converter-se em uma prejudicial ingenuidade encontrando perfeito equilíbrio entre o exercício da autoridade e a atitude pedagógica que permitia a correção do recluso montesinos não foi um simples teórico executou suas ideias no presídio de valência por exemplo impôs uma prática penitenciária que refletia o respeito pela pessoa do preso não se aplicavam ao recluso medidas ou tratamentos que fizessem recair sobre ele uma nota de infâmia ou desonra texto a prisão e o sistema penitenciário uma visão histórica pedro rates gomes neto editora da ulbra preenchendo uma significativa lacuna em nossa brasileira produção científica sobre prisões e sociedades carcerárias na interface de saberes disciplinares a obra de fernando salla as prisões em são paulo 1822-1940 é além de um trabalho sócio-histórico sobre a punição no contexto paulista o relato de um minucioso esforço de pesquisa e detalhada exposição de dados e análises que demonstram a permanente ferida sócio-jurídico-punitiva em nossa realidade que se expressa na distância do discurso com a prática no desigual tratamento das camadas e categorias sociais no conflito entre os saberes jurídicos e médicos bem como entre estes e as práticas administrativas além do confronto entre as exigências do campo as prisões em são paulo político e as pretensões autor fernando salla do campo científico É o primeiro dia de juan oliver como funcionário de uma penitenciária e durante a visita ao local acaba acontecendo um acidente com ele ao invés de ser socorrido é apenas deixado na cela 211 ao mesmo tempo se dá inicio uma cela 211 rebelião de presos diretor daniel monzón da ala de segurança máxima ao se ver acoado pelos presos e pelo líder da rebelião malamadres o funcionário toma a decisão de se passar por um prisioneiro e com isso lidar com os mais peculiares e inesperados fatos e contornos que se apresentarão durante esse dia dicas livros e filmes história contada por quem viveu imaginada por quem ouve É sempre bom tomar conhecimento da luta que é e foi estar no sistema prisional paulista e é com uma satisfação enorme poder descobrir a origem das coisas fiquei sabendo nesta edição de número três quem foram algumas figuras que hoje emprestam seus nomes para as unidades e órgãos do sistema parabéns por reviver os fatos belas reportagens fiquem na paz claudio r f gervazoni surpevisor técnico iii penitenciária de tupi paulista participe envie-nos fotos histórias dos estabelecimentos penais do estado para a próxima edição do o penitenciarista mande sua opinião para o informativo museupenitenciario@sap.sp.gov.br com a palavra o servidor secretaria da administração penitenciária equipe sap/mpp sidney soares de oliveira joão carlos gomes da silva gisele ribeiro guimarães estagiários diego prieto carabolar aline eleutéro de castro jaqueline helena jager colaboradores jorge carmo de souza guilherme silveira rodrigues rosa alice taschetti ricci josé francisco dos santos ordirlei arruda de lima acompanhe-nos apoio gráfico 4 · o penitenciarista

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