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q u er o s er fer nandayoung um romance de rômulo zanotto curitiba paraná brasil 2011
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q u er o ser fer nanda yo u n g ou fer nanda yo u n g eu te a m o uma tragédia pop
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momento solene em que minha vida vira livro por minhas próprias mãos e eu me sinto uma personagem completa porém secundária f.y as páginas seguintes são resultado de doloroso exercício de ficção nenhum episódio narrado se baseia em fatos reais f.y há mentiras e há verdades no mundo e a arte sempre conta a verdade até mesmo quando está mentindo charlie kauffman em quero ser john malkovich
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q u er o s er fer nandayoung ou fer nandayoung eu te a m o ou i r r ita n d o fer nandayoung ou d es co n str uindo fer nandayoung ou d es nudando fer nandayoung ou ahorada estr el a ou q u em m exeu n o m eu q u eij o ou m emÓr iaspÓst umasdegu sta voyoung
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este livro é dedicado primeira e obviamente claro à fernanda mas além dela gostaria de agradecer também uma outra young renata tenho certeza que por ser sua irmã e melhor amiga fernanda não se importará em dividi-lo com ela renata obrigado por toda a cordialidade atenção carinho e gentileza que você demonstrou do início ao fim deste processo editorial deixando-me sempre à vontade para não gaguejar ao telefone irmãs young este livro é de vocês minha homenagem e meu carinho.
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a ritmÉtica onde se expõe a matemática da coisa a coisa no caso o romance um dia leu em um livro que o acaso é como pássaros que pousam juntos nos ombros de são francisco de assis aquela imagem ficou marcada por causa da poesia e também pela raridade que são pássaros pousando ao mesmo tempo nos ombros de um santo ou seja impossível então não se deve esperar pelo acaso o acaso pode ser forçado ou ainda somente do acaso ocorrem coisas relevantes f.y
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i explicando então pela última primeira vez é possível que ele tenha cruzado várias vezes antes com aquela que deveria ser ou será o grande amor de sua vida É provável até que ela já estivesse escondida entre as prateleiras de bibliotecas e livrarias que ele visitou esperando que pássaros pousassem ao mesmo tempo nos ombros de são francisco de assis para que as mãos dele a tocassem mas o encontro este primeiro não aconteceu numa biblioteca ou numa livraria como poderia ter sido para ser perfeito se já não fosse foi sim entre prateleiras que ele a tocou pela primeira vez mas prateleiras bem menos glamourosas as prateleiras de um mercado 24 horas o dia 11 de janeiro de 2005 8
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ii a primeira coisa dela que viu foi sua vagina exposta à visitação pública nas prateleiras do carrefour desenhada descobriu depois pelo próprio marido mas não foi atraído por essa parte específica de sua anatomia que resolveu levá-la para casa o gesto que fez quando estendeu suas mãos em direção a ela foi antes um gesto de revolta contra a burrice nacional que um gesto de amor um desses meandros que o destino encontra para se desenredar e que fazem com que o ponto de chegada pareça em nada ter a ver com o ponto de partida porque tem algumas coisas que não têm explicação porque não existe acaso numa fecundação porque um milhão de fatores equacionam o resultado porque um milhão de obstáculos fazem a beleza da raridade e porque um milhão de motivos clamam por uma germinação fy mini flashback #1 não tem inflação não tem inflação É claro que não tem inflação as coisas não aumentam de preço mas diminuem de tamanho augusto está na prateleira de frios com uma mortadela da mônica nas mãos pensando na economia brasileira repara que a maioria dos produtos está vindo com uma estranha indicação na embalagem É o que nota agora na mortadela embaixo do pé esquerdo do cebolinha antes 500g agora 400g augusto vê aquilo como um néon dizendo ao consumidor estamos te enganando de uma forma politicamente correta e piscando pÉin pÉin pÉin seu idiota a forma politicamente correta de enganar no caso era avisar que estava enganando sim porque parece claro a augusto que quem teve a ideia de diminuir os produtos não queria avisar É provável até que tivessem vendido muitos lotes do produto sem aviso nenhum disso até que o ministério da justiça provavelmente por meio de uma denúncia do inmetro feita pelo fantástico determinou que isso fosse evidenciado no rótulo ai que ódio augusto enfiaria aquela mortadela no cu da presidenta se ela estivesse passando por ali agora para nossa sorte e principalmente da 9
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magali cascão cebolinha e companhia limitada que foram poupados dos anais da presidência ela não estava assim nos poupamos também do degradante mas merecido espetáculo que seria ver a presidenta sendo enrabada pela turma da mônica augusto coloca a mortadela no carrinho e segue adiante está agora na seção de cosméticos no caminho passou pelo café da malu mader ficou imaginando se as pessoas deixariam de comprálo agora que a anunciante estava com câncer tá não era câncer era tumor mas podia virar câncer e as pessoas podiam achar que era por causa do café muda de parágrafo interno olha para um lado olha para outro e percebe que todos os produtos de beleza estão envolvidos em estojos ultramodernos com alarme antirroubo nunca tinha visto aquilo no começo achou até bonito lembra de ter pensado no melhor estilo tabajara puxa que legal você compra um creme hidratante e ganha um moderno estojo de brinde com reticências quando percebeu que aquilo era um estojo antirroubo uma parafernália capitalista que nada tinha a ver com o produto como quando ele saía da fábrica achou absurdo com exclamação não concebia a ideia de um produto sair da fábrica e para não ser roubado ser envolvido numa parafernália de acrílico transparente com um pedacinho de metal um dispositivo que em combinação com alguma outra coisinha dentro daquelas colunas de metal da entrada do mercado outro dispositivo faria pÃ!pÃ!pà pi!pi!pi ou qualquer outra dessas onomatopeias de alarmes barulhentos mas ate aí a revolta era só meia-revolta só foi revolta-inteira quando augusto verificou alguns minutos depois em frente à seção dos livros que estes não possuíam dispositivo nenhum de metal de alumínio de estanho um mísero dispositivo de plástico os livrinhos não tinham aff primeiro a revolta veio contra a burrice nacional sim porque se os cosméticos têm alarme antirroubo e os livros não é porque as pessoas roubam muito mais cosméticos do que livros mas logo depois a revolta veio contra o gerente afinal esse pensamento de que as pessoas roubam mais cosméticos do que livros podia ser um pensamento do gerente e não estatísticas cientificamente comprovadas pois ele pensa que os clientes dele são burros que não frequenta seu estabelecimento alguém capaz de qualquer coisa para ter um livro vou roubar pensou e roubou simples assim pegou o livro colocou-o dentro do carrinho posicionou o carrinho perto de uma prateleira e zupt pronto instantes depois lá estava o livro dentro da mochila quem diria agora que o livro não era dele desde sempre só faltou ter tido tempo e oportunidade para escrever o próprio nome na primeira página o nome e a data de aquisição como costumava fazer se isso acontecesse ele mesmo seria capaz de jurar que era dono daquele livro há séculos há milênios nenhuma câmera 10
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o havia pego sabia disso antes de estacionar o carro e cometer o ato ilícito estudou a área sabia que a única câmera capaz de flagrá-lo ali estava obstruída por um cartaz anunciando o café cancerígeno da malu mader a r 2,99 repare que até já baixaram de preço quanto aos seguranças nem precisava se preocupar deviam estar ocupados demais vigiando a seção de cosméticos 11
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iii o nome dela é amanda talvez você já tenha ouvido falar amanda ayd uma moça bonita por isso tantos desconfiam dela o primeiro livro foi uma surpresa para todos começando pela editora que não entendeu como recebeu pelo correio um manuscrito tão improvável é por demais romântica a ideia de receber em sua mesa uma boa obra empacotada para ser descoberta É como achar um gênio da comédia fazendo mímica na rua como reconhecer um virtuoso do pincel na feirinha da praia de copacabana o romance foi editado em menos de dois meses e teve boa vendagem não chegou a cobrir os custos os anúncios nos cadernos literários os exemplares grátis para críticos e jornalistas os coquetéis das noites de autógrafos as fotos para divulgação mas a moça prometia aí veio outro romance amanda fez questão de entregá-lo pessoalmente à editora isa pessoa mulher das letras que previu o impacto que seria lançar em tão curto espaço de tempo mais um título dessa garota surgida do nada ela sabia das coisas agora a autora já está em seu nono livro caso morra já deixa o que se pode chamar de obra além é claro de gavetas e gavetas de rascunhos anotações picantes diários cartas tudo que é necessário para uma boa biografia afinal quem é que não gosta de ler sobre a vida real dos seus personagens prediletos 12
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iv superlativo absoluto eu só me referia a ela assim num grau proparoxítono É talentosíssima engraçadíssima inspiradíssima embrenhei-me por dentro dela já no sofá da sala abrindo-lhes as capas não as pernas muitos já tinham percorrido aquele mesmo caminho antes de mim ninguém teria os mesmos resultados abri só para ver como começava e quando parei já havia terminado não saberia dizer ao certo quando tudo a paixão começou quando embrenhar-me pela boceta dela deixou de ser curiosidade e virou paixão quando saber o que havia dentro dela deixou de ser desejo e virou necessidade mas as duas coisas não eram a mesma necessidade de saber quem era aquela mulher que me contava sua vida disfarçada de joão dias que me contava sua história com a urgência dos que um dia morrem que na contracapa se mostrava de um jeito mas no miolo se revelava de outro talvez tenha sido em abre aspas ninguém no mundo brincou de jogar dardos no próprio peito feito eu como fiz minha vida inteira desde o princípio fecha aspas talvez tenha sido em quando entrei naquele carro já estava amando amando mesmo com amor de verdade não apenas paixão que masculina cresce junto com o pau e também murcha com ele sim tentando remontar agora ao início de tudo tentando descobrir onde meu coração pulou mais forte pela primeira vez descobri foi aí precisamente aí quando entrei naquele carro já estava amando na página quinze portanto eu a estava amando não um amor de carne de querer tocá-la e possuí-la e inserir-me no interior de seu corpo nela não queria tocar noutra parte que não fosse o coração o amor que sentia era um amor diferente de querer sabê-la entendê-la talvez sê-la fy sentia sim amor de verdade e isso era perfeito merda perfeito não era pau querendo boceta o mais fácil dos sentimentos era eu querendo ela e imediatamente e intensamente e para ficar com ela dizendo pra todo mundo vocês estão vendo essa mulher hein estão vendo ela pode enlouquecer engordar emburrecer pode me desprezar cuspir em mim e chamar meus livros de porcaria ela pode a puta que o pariu que eu vou continuar sentindo a mesma coisa por ela amor para 13
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todo o sempre estaria louco por ela e morreria por ela mesmo sabendo que dizer todo o sempre é errado e dizer por ela é feio por ela escreveria mil livros inteiramente errados e feios só por ela porque ela sempre seria inteira linda e nem isso importava ela já possuía meu infinito amor fy naquela mesma noite corroborando a máxima de que não se descobre o amor pelo sexo mas pela vontade do sono compartilhado levei-a para a cama nunca me masturbei esfregando o pau na lombada de um livro dela nem nunca toquei punheta pensando nela sexo imaginário com a musa literária é clichê de livro ruim filme ruim vida ruim reader digest com ela imaginava assistir ao vídeo com as instruções do vaporetto reler juntos o grande gatsby cada um um parágrafo e cada um um personagem comer misto-quente de cantina de colégio ver a bela e a fera com as filhas e a tia renata assistir plantão médico comentando a atuação dos figurantes fumar salvia divinorium num final de tarde e sobretudo ter longas conversas sobre o nada com a sofisticação daqueles que devoram livros 14
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