Description
Este livro é dedicado à minha mãe, por me mostrar a magia no mundo; a meu pai, por ter
revelado uma nova maneira de ver a vida. E também à minha irmã, Ângela, por me ajudar quando estou
triste
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este livro é dedicado à minha mãe por me mostrar a magia no mundo a meu pai por ter revelado uma nova maneira de ver a vida e também à minha irmã Ângela por me ajudar quando estou triste.
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prÓlogo espectro do medo o vento uivava na noite carregando um aroma que mudaria o mundo um espectro alto ergueu a cabeça e cheirou o ar ele parecia humano exceto pelo cabelo carmesim e olhos castanho-avermelhados surpreso piscou os olhos a mensagem estava correta eles estavam aqui ou seria uma armadilha ele ponderou e depois disse friamente espalhem-se escondam-se atrás das árvores e dos arbustos detenham qualquer criatura que se aproximar ou morrerão À sua volta doze urgals moviam-se desordenadamente empunhando espadas curtas e escudos de ferro redondos com símbolos pretos pareciam homens de pernas curvadas e de braços grossos e brutos feitos para destruir um par de chifres retorcidos brotava acima de suas pequenas orelhas os monstros foram correndo em direção aos arbustos grunhindo enquanto se escondiam logo o barulho de folhas sendo agitadas parou e a floresta ficou silenciosa de novo o espectro olhou em volta de uma grande árvore e depois para a trilha estava escuro demais para que qualquer humano pudesse enxergar mas para ele o fraco luar parecia a luz do sol descendo por entre as árvores cada detalhe mostrava-se nítido e exato para o seu olhar inquiridor permaneceu estranhamente em silêncio segurando uma longa espada fosca a arma era fina o bastante para penetrar entre duas costelas porém era suficientemente forte para atravessar a armadura mais resistente os urgals não podiam enxergar tão bem quanto o espectro tateavam como mendigos cegos manuseando suas armas atabalhoadamente uma coruja piou rasgando o silêncio ninguém relaxou até o pássaro voar dali os monstros tremiam na noite fria um deles quebrou um graveto com a sua bota pesada o espectro sibilou furioso e os urgals se encolheram imóveis o espectro conteve sua repulsa os monstros fediam à carne podre e se virou eles eram meros instrumentos nada mais o espectro pôs sua paciência à prova quando os minutos se tornaram horas o aroma se propagava muito à frente dos que o exalavam ele não deixou que os urgals se levantassem ou se esquentassem também negava esses luxos a si mesmo permanecendo atrás de uma árvore observando a trilha outra rajada de vento cortou a floresta o cheiro estava mais forte dessa vez excitado ergueu o lábio fino mostrando os dentes preparem-se sussurrou seu corpo todo tremia a ponta de sua espada se movia em pequenos círculos foram necessários muitos planos e muito sacrifício para colocá-lo ali naquele momento não podia perder o controle agora os olhos dos urgals brilhavam abaixo das grossas sobrancelhas e as criaturas seguravam suas armas com mais força À sua frente o espectro ouviu um tinido como se algo tivesse batido com força em uma pedra solta vultos indistintos emergiram da escuridão e avançaram pela trilha três cavalos brancos e seus cavaleiros galopavam em direção à emboscada eles estavam de cabeça erguida orgulhosos suas mantas ondulavam sob o luar parecendo prata líquida no primeiro cavalo ia um elfo de orelhas pontudas e de sobrancelhas elegantes e oblíquas tinha o corpo esguio porém forte como um florete um poderoso arco pendia em suas costas uma espada pressionava a lateral de seu corpo e estava oposta a uma aljava cheia de flechas guarnecidas com penas de cisnes o último cavaleiro tinha o rosto igualmente belo e feições angulosas parecidas com as do outro transportava uma longa lança na mão direita e um punhal branco na cinta um elmo extraordinariamente trabalhado forjado com âmbar e ouro repousava em sua cabeça entre eles dois cavalgava uma elfa que com perfeito equilíbrio observava o entorno enquadrados por tranças longas e negras seus olhos profundos brilhavam com uma força instigante suas roupas não tinham adornos entretanto isso não diminuía sua beleza na sua lateral pendia uma espada e nas costas um arco e uma aljava levava no colo uma bolsa para a qual olhava freqüentemente como se precisasse se certificar de que ainda estava lá um dos elfos sussurrou algo mas o espectro não conseguiu ouvir a dama respondeu com uma autoridade óbvia e os guardas trocaram de lugar o que estava com o capacete tomou a frente passando a empunhar a lança em prontidão passaram pelo esconderijo do espectro e pelos primeiros urgals sem suspeitarem de nada.
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o espectro já estava saboreando a vitória quando o vento mudou de direção soprando para cima dos elfos o ar pesado do fedor dos urgals os cavalos bufaram alarmados e sacudiram suas cabeças os cavaleiros ficaram alertas seus olhos perscrutando a área de um lado a outro então repentinamente mudaram de direção e saíram galopando o cavalo da dama disparou na frente deixando os guardas bem atrás abandonando seus esconderijos os urgals levantaram-se e dispararam uma chuva de flechas negras o espectro saltou de trás de uma árvore ergueu a mão direita e gritou garjzla um raio vermelho saiu da palma de sua mão rumo à dama iluminando as árvores com uma luz sangrenta o raio atingiu o corcel da elfa o cavalo tombou com um guincho estridente caindo de peito no chão ela pulou de cima do animal com uma velocidade sobre-humana aterrissou suavemente e olhou para trás para os guardas as flechas mortíferas dos urgals abateram rapidamente os dois elfos eles caíram dos seus cavalos nobres e poças de sangue se formaram na terra como os urgals corriam para trucidar os elfos o espectro gritou atrás dela É ela que eu quero os monstros grunhiram e saíram correndo pela trilha um grito escapou dos lábios da elfa quando viu os companheiros mortos deu um passo em direção a eles amaldiçoou os inimigos e se embrenhou na floresta enquanto os urgals abriam caminho em meio às árvores o espectro subiu em uma pedra de granito que se projetava acima deles de seu poleiro podia ver toda a floresta circundante ele ergueu a mão e gritou böetq istalri e uma área de quatrocentos metros da floresta explodiu ardendo em chamas de modo assustador incendiou trechos após trechos de mata até formar um anel de fogo em um raio de mais de dois quilômetros em volta do local da emboscada as chamas pareciam uma coroa derretida repousando sobre a floresta satisfeito examinou o anel de fogo com cautela para evitar falhas o círculo de fogo aumentou diminuindo a área que os urgals tinham de vasculhar de repente o espectro ouviu berros e um grito de guerra pelas árvores viu três dos seus soldados caírem em fila feridos mortalmente ainda conseguiu ver de relance a elfa correndo para longe dos urgals remanescentes ela fugiu rumo à grande pedra de granito a uma velocidade tremenda o espectro examinou o solo seis metros abaixo e pulou aterrissando agilmente na frente da elfa que mudou de direção rapidamente e voltou correndo para a trilha o sangue preto dos urgals pingava de sua espada manchando a bolsa que levava na mão os monstros chifrudos saíram da floresta e circundaram-na bloqueando todas as passagens existentes ela virou a cabeça rapidamente tentando achar um modo de fugir dali como não viu nenhuma saída levantou-se com um desdém régio o espectro aproximou-se de mão erguida deliciando-se com a impotência dela peguem-na quando os urgals correram em sua direção a elfa abriu a bolsa pôs a mão lá dentro e depois a deixou cair no chão nas mãos ela segurava uma grande pedra de safira que refletia a luz furiosa do fogo suspendeu-a acima da cabeça e seus lábios pronunciaram palavras em um ritmo frenético desesperado o espectro berrou garjzla uma bola vermelha de fogo veloz como uma flecha saiu da mão do espectro e voou em direção à elfa mas não foi rápida o bastante o brilho de uma luz esmeralda iluminou a floresta de repente e a pedra desapareceu depois o fogo vermelho atingiu a elfa e ela desmaiou o espectro urrou de raiva e andou para a frente lançando sua espada contra uma árvore a arma penetrou até a metade do caule onde parou vibrando disparou nove raios de energia da palma da mão matando os urgals instantaneamente arrancou a espada com violência e caminhou com passadas largas até a elfa profecias de vingança faladas em um idioma maldito apenas conhecido pelo espectro saíram de sua boca fechou com força suas mãos finas e olhou para o céu as estrelas frias olhavam-no sem piscar,
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como observadoras de um outro mundo o desgosto contorceu-lhe os lábios enquanto se voltava para a elfa inconsciente a beleza dela que teria encantado qualquer homem mortal não tinha nenhuma graça para o espectro confirmou o sumiço da pedra e pegou seu cavalo escondido entre as árvores depois de amarrar a elfa à sela montou no animal e seguiu em direção à saída da floresta extinguiu o fogo em seu caminho mas deixou todo o resto ardendo a descoberta eragon ajoelhou-se no tapete de grama pisado e examinou atentamente as pegadas com seu olhar experiente as marcas disseram-lhe que o cervo esteve naquela campina há apenas meia hora logo todos iriam dormir seu alvo uma pequena corça que mancava da pata esquerda dianteira ainda estava com o rebanho ele estava surpreso por ela ter conseguido ir tão longe sem que um lobo ou urso a tivesse capturado o céu estava limpo e escuro e uma brisa suave agitava o ar uma nuvem prateada pairava sobre as montanhas que o cercavam cujos cumes resplandeciam com a luz avermelhada da lua da época da colheita aninhada entre dois picos riachos corriam montanha abaixo brotando das frias geleiras e das brilhantes camadas de neve uma névoa pesada arrastava-se acima do solo do vale quase espessa o bastante para ocultar os seus pés eragon tinha quinze anos faltava menos de um ano para a idade adulta sobrancelhas escuras repousavam acima dos seus vivos olhos castanhos suas roupas eram surradas por causa do trabalho uma faca de caça com o cabo feito de osso estava presa à cinta e um tubo de pele de veado protegia da neblina o arco feito de teixo carregava também uma saca com estrutura de madeira a corça levou-o até os recônditos da espinha uma cadeia de montanhas indomadas que se estendia do começo ao fim das terras da alagaésia freqüentemente histórias estranhas e homens surgiam dessas montanhas trazendo maus agouros e doenças apesar disso eragon não temia a espinha ele era o único caçador perto de carvahall que ousava caçar em seus recantos mais íngremes era a terceira noite da caçada e metade de sua ração já havia sido consumida se não abatesse a corça seria forçado a voltar para casa de mãos vazias sua família precisava da carne para o inverno que se aproximava rapidamente eles não tinham condições financeiras para comprá-la no carvahall eragon estava em pé confiante sob o luar enevoado logo entrou na floresta em direção a um vale estreito e profundo onde tinha certeza de que o animal estaria as árvores bloqueavam a visão do céu e produziam sombras diáfanas no chão só olhava para as pegadas ocasionalmente pois conhecia o caminho no vale estreito esticou o arco com segurança sacou três flechas pondo uma na arma e segurando as outras com a mão esquerda o luar revelou uns vinte pequenos montes imóveis eram os cervos deitados na grama a corça que ele queria estava na ponta do rebanho com a pata dianteira esquerda esticada de uma maneira peculiar eragon aproximou-se sorrateiramente mantendo o arco em prontidão todo o trabalho que teve nos últimos três dias levou-o a este momento respirou fundo pela última vez e uma explosão quebrou o silêncio da noite o rebanho disparou eragon pulou para a frente saiu correndo pela grama enquanto o vento queimava seu rosto parou de repente e lançou uma flecha em direção ao animal que saltava errou por um triz e a flecha se perdeu na escuridão praguejou e virou-se preparando instintivamente outra flecha atrás dele onde os cervos haviam estado ardia sem chama um grande círculo de árvores e grama muitos dos pinheiros estavam desprovidos de seus galhos a grama do lado de fora do círculo estava amassada uma coluna de fumaça subia enroscando-se pelo ar e propagando um cheiro de queimado no centro do lugar onde aconteceu a explosão repousava uma pedra azul polida a névoa serpenteava pela área incendiada e envolvia a pedra eragon esperou para ver se não havia perigo durante longos minutos mas a única coisa que se movia era a névoa cautelosamente afrouxou a tensão do arco e avançou o luar produziu uma pálida sombra sobre ele quando parou em frente à pedra tocou-lhe com uma flecha e saltou para trás como nada aconteceu pegou a pedra com muito cuidado.
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a natureza jamais havia polido uma pedra como aquela na superfície não havia uma falha sequer era azul-escura exceto pelas finas veias brancas que se espalhavam sobre ela como uma teia de aranha a pedra era fria e não produzia atrito quando tocada como seda endurecida era oval e tinha uns trinta centímetros de comprimento pesava alguns quilos embora parecesse mais leve do que deveria eragon achou a pedra tão bela quanto assustadora de onde ela veio para que serviria pensou depois um pensamento mais perturbador surgiu em sua mente será que ela veio parar aqui por acidente ou estarei destinado a possuí-la se ele tinha aprendido algo com as antigas histórias era tratar com muito cuidado a magia e aqueles que a usavam mas o que farei com a pedra seria cansativo carregá-la e havia a chance de ser perigoso talvez fosse melhor deixá-la para trás um tremor de indecisão percorreu-o e ele quase a deixou cair mas algo acalmou sua mão pelo menos poderei comprar um pouco de comida com ela decidiu ele dando de ombros e enfiando a pedra em sua saca o vale estava muito exposto para servir como abrigo seguro então voltou para a floresta e estendeu sua manta de dormir embaixo das raízes de uma árvore caída depois de um jantar frio de pão e queijo se enrolou nos cobertores e adormeceu meditando no que havia acontecido vale palancar o sol nasceu na manhã seguinte com uma bela mistura de chamas rosadas e amarelas o ar estava fresco doce e muito frio havia gelo nas margens dos riachos e poças pequenas estavam completamente congeladas depois de comer um mingau no desjejum eragon voltou para o vale e examinou a área queimada a luz da manhã não revelou novos detalhes então ele seguiu em direção a sua casa a trilha tosca estava ligeiramente desgastada e em certos lugares não existia por ter sido feita pelos animais ela freqüentemente retrocedia e fazia longos desvios mesmo assim com todas as suas falhas ainda era o caminho mais rápido para sair das montanhas a espinha era um dos poucos lugares que o rei galbatorix não podia dizer que era dele ainda contavam histórias sobre como metade do exército dele desapareceu depois de marchar para dentro da antiga floresta uma nuvem de fatalidade e de má sorte parecia pairar sobre o lugar embora as árvores crescessem bem altas e o céu fosse brilhante poucas pessoas conseguiam ficar um bom tempo na espinha sem sofrer um acidente eragon era um dos poucos que conseguiam não por causa de um dom em particular ele achava mas por causa de sua constante vigilância e reflexos aguçados já caminhava naquelas montanhas há vários anos mesmo assim ainda procedia com muita cautela todas as vezes em que achava que tinha desvendado os segredos das montanhas algo acontecia para frustrar a compreensão que ele tinha delas como o aparecimento da pedra mantinha o passo acelerado e os quilômetros desapareciam rapidamente no final da tarde chegou à beira do precipício de uma ravina o rio anora corria lá embaixo na direção do vale palancar alimentado por centenas de pequenos riachos o rio era uma força bruta que lutava contra as rochas e pedras que barravam seu caminho um rugido baixo enchia o ar acampou em um pequeno bosque perto da ravina e viu a lua nascer antes de se deitar o tempo ficou ainda mais frio no dia seguinte e na primeira metade do outro eragon viajava rapidamente e viu pouco da vida selvagem logo depois do meio-dia ouviu as cataratas igualda cobrindo tudo com o som abafado de milhares de litros de água caindo a trilha levou-o até uma chapada de ardósia úmida por onde o rio havia passado que se lançava no vazio do ar e caía por encostas cheias de musgo perante ele estava o vale palancar exposto como um mapa aberto a base das cataratas igualda a mais de oitocentos metros abaixo era o ponto mais ao norte do vale perto das cataratas ficava carvahall um punhado de edificações de cor marrom a fumaça branca subia das chaminés desafiando a área selvagem em volta naquela altura as fazendas eram pequenos retalhos quadrados menores do que a ponta do dedo dele a terra em volta delas era ressecada ou arenosa onde o mato seco dançava ao vento o rio anora cortava a terra desde as cataratas até o lado sul de palancar refletindo grandes porções da luz do sol longe ele corria por fora do vilarejo de therinsford e pela solitária montanha utgard além daquilo ele sabia apenas que o rio virava para o norte e corria para o oceano depois de uma pausa eragon saiu da chapada e começou a descer a trilha contraindo o rosto durante o percurso quando chegou lá embaixo o suave crepúsculo banhava todas as coisas reduzindo
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cores e formas a massas cinzentas as luzes de carvahall brilhavam bem perto sob o sol que se punha as casas projetavam sombras compridas além de therinsford carvahall era o único vilarejo no vale palancar o povoado era isolado cercado por uma terra rude e bela poucos passavam por ali com exceção dos mercadores e caçadores o vilarejo era formado por edificações resistentes feitas de madeira com tetos baixos alguns eram feitos de sapê e outros de tábua a fumaça subia das chaminés dando ao ar um cheiro amadeirado as casas tinham varandas largas onde as pessoas se reuniam para conversar ou comerciar ocasionalmente uma janela brilhava quando uma vela ou lampião era aceso eragon ouviu homens falando alto sob o ar da noite enquanto as esposas vinham buscar seus maridos brigando por estarem atrasados eragon seguiu caminho por entre as casas até o açougue que era um casarão com grossas pilastras de madeira lá em cima a chaminé expelia fumaça preta ele abriu a porta o salão espaçoso estava quente e bem iluminado pelo fogo aceso na lareira de pedra um balcão se esticava até a outra extremidade do salão havia palha salpicada por todo o piso tudo estava extremamente limpo como se o dono passasse o tempo livre raspando todas as rachaduras do lugar para remover a sujeira atrás do balcão estava o açougueiro sloan era um homem pequeno usava camisa de algodão e um longo avental manchado de sangue uma variedade impressionante de facas pendia de seu cinto tinha um rosto pálido com marcas de espinhas e seus olhos negros eram suspeitos limpava o balcão com um trapo a boca de sloan retorceu-se quando eragon entrou ora o poderoso caçador veio se juntar ao resto dos mortais quantos você pegou desta vez nenhum foi a resposta curta de eragon ele nunca gostou de sloan o açougueiro sempre o tratou com desdém como se ele fosse sujo viúvo sloan parecia se importar com apenas uma pessoa a filha dele katrina a quem ele amava estou impressionado disse sloan surpreso ele deu as costas para eragon para raspar algo da parede e é por isso que você veio aqui É admitiu eragon constrangido então se esse é o caso pode ir mostrando o dinheiro sloan tamborilava os dedos enquanto eragon movia os pés e continuava em silêncio vamos você tem dinheiro ou não tem e então eu não tenho dinheiro mas tenho o quê não tem dinheiro interrompeu-o o açougueiro rispidamente e espera comprar carne os outros comerciantes estão dando mercadorias acha que devo dar carne a você sem cobrar nada além do mais está tarde volte amanhã com dinheiro o expediente encerrou por hoje eragon olhou fixamente para ele não posso esperar até amanhã sloan garanto que não vai perder seu tempo encontrei algo com o qual posso pagá-lo ele tirou a pedra da mochila e colocou-a gentilmente em cima do balcão todo cortado onde ela brilhou com as luzes das chamas dançantes deve ter roubado resmungou sloan inclinando-se para a frente com uma expressão interessada ignorando o comentário eragon perguntou isso basta sloan pegou a pedra e sentiu o peso dela tentando determinar seu valor passou as mãos em sua superfície suave e examinou as veias brancas com um olhar de quem calculava a pôs no balcão É bonita mas quanto vale não sei admitiu eragon mas ninguém se daria ao trabalho de poli-la se não tivesse algum valor obviamente concordou sloan demonstrando impaciência mas quanto vale como você não sabe sugiro que procure um mercador que saiba ou que aceite a minha oferta de três coroas isso é uma oferta desprezível deve valer pelo menos dez vezes mais rebelou-se eragon três coroas não seriam suficientes para comprar carne para uma semana sloan deu de ombros se não gostou da minha oferta espere os mercadores chegarem de qualquer forma estou farto desta conversa os mercadores formavam um grupo nômade de vendedores e artistas que visitavam o carvahall toda primavera e todo inverno compravam o excedente que os aldeões e os fazendeiros locais produziam e vendiam o que eles precisavam para enfrentar outro ano sementes animais tecidos e suprimentos como sal e açúcar.
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mas eragon não queria esperar os mercadores chegarem ia demorar e a sua família precisava de carne agora tudo bem eu aceito disse eragon de repente Ótimo pegarei a carne não que seja importante mas onde você achou isto há duas noites na espinha fora ordenou sloan empurrando a pedra para longe caminhou pesadamente furioso até o fim do balcão e começou a raspar manchas de sangue velhas com uma faca por quê indagou eragon ele puxou a pedra para perto como se a estivesse protegendo da fúria de sloan não quero ter nada a ver com qualquer coisa que você traga daquelas montanhas amaldiçoadas leve a sua pedra enfeitiçada para outro lugar a mão de sloan de repente escorregou e ele cortou um dedo na faca mas parecia que nem havia notado continuou a raspar manchando a lâmina com sangue novo você está se recusando a me vender estou a não ser que você pague com moedas resmungou sloan e levantou a faca apontando-a para a frente vá antes que eu espete você a porta atrás deles abriu-se com violência eragon virou-se rapidamente pronto para enfrentar mais problemas horst entrou dando passos fortes ele era um homem corpulento a filha de sloan katrina uma garota alta de dezesseis anos entrou atrás dele com uma expressão determinada no rosto eragon ficou surpreso ao vê-la pois ela geralmente não se metia em discussões que envolvessem o pai sloan olhou para eles com um ar preocupado e começou a acusar eragon ele não silêncio determinou horst com uma voz de trovão enquanto estalava os dedos ele era o ferreiro do carvahall como atestavam seu pescoço grosso e seu avental de couro todo cortado pelas ferramentas seus braços fortes não tinham pêlos até os cotovelos uma grande parte de seu peito peludo e musculoso era visível pela parte de cima da camisa uma barba preta desleixadamente aparada acompanhava os movimentos dos músculos da mandíbula sloan o que você fez desta vez nada ele olhou furiosamente para eragon e depois soltou este garoto entrou aqui e começou a me atormentar pedi para que fosse embora mas ele não saiu do lugar cheguei a ameaçá-lo mas ele continuou a me ignorar sloan parecia encolher enquanto olhava para horst É verdade perguntou o ferreiro não respondeu eragon ofereci esta pedra como pagamento por uma porção de carne e ele aceitou mas quando eu disse que a achei na espinha ele se recusou a tocá-la que diferença faz de onde a pedra veio horst olhou para a pedra com curiosidade e depois voltou sua atenção para o açougueiro por que você não quer negociar com ele sloan eu também não morro de amores pela espinha mas se for uma questão de quanto a pedra vale posso dar uma garantia com o meu próprio dinheiro a questão pairou no ar por um momento sloan passou a língua nos lábios e disse esta loja é minha posso fazer aqui o que bem quiser katrina saiu de trás de horst e jogou para trás seus cabelos castanho avermelhados como uma onda de cobre derretido pai eragon está querendo pagar dê a carne a ele e depois poderemos ir jantar os olhos de sloan estreitaram-se perigosamente volte para casa você não tem nada a ver com isso já mandei você ir a expressão do rosto de katrina se fechou e ela saiu do salão empertigada eragon observou tudo com um ar de reprovação mas não interferiu horst puxou a barba antes de falar com um tom de censura tudo bem você pode negociar comigo quanto você pedia por ela eragon a voz dele ecoou por todo o salão o máximo que eu pudesse receber horst pegou uma bolsa e contou uma pilha de moedas pode me dar suas melhores carnes para assados e bifes que seja o bastante para encher a saca de eragon.
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o açougueiro hesitou ele lançava o olhar como uma flecha de horst para eragon não vender para mim será uma péssima idéia afirmou horst olhando com uma expressão de muita raiva sloan dirigiu-se para a sala dos fundos um barulho frenético de carnes sendo cortadas e o de um resmungar baixo chegou até eles depois de vários minutos constrangedores ele voltou com o braço carregado de carne embrulhada seu rosto estava inexpressivo quando aceitou o dinheiro de horst depois foi limpar a faca fingindo que não estavam ali horst pegou a carne e saiu andando da loja eragon saiu depressa atrás dele carregando a sua saca e a pedra o ar revigorante da noite batia em seus rostos refrescando-os depois do abafamento do açougue obrigado horst o tio garrow ficará feliz horst riu baixinho não me agradeça eu queria fazer aquilo há muito tempo sloan é um tremendo encrenqueiro um pouco de humilhação será bom para ele katrina ouviu o que estava acontecendo e foi correndo me chamar foi bom eu ter chegado pois vocês estavam prestes a brigar infelizmente duvido que ele venderá para você ou para alguém de sua família quando forem à loja dele mesmo tendo moedas na mão por que ele ficou com raiva daquela forma nós nunca fomos amigos mas sempre aceitou o nosso dinheiro e eu nunca vi sloan tratar katrina daquela maneira disse eragon abrindo a parte de cima da saca horst deu de ombros pergunte ao seu tio ele sabe mais sobre isso do que eu eragon enfiou a carne em sua saca bem agora tenho mais uma razão para ir depressa para casa resolver esse mistério tome por direito isto é seu ele ofereceu a pedra horst deu uma risada não fique com a sua pedra estranha albriech planeja ir para feinster na primavera ele quer se tornar um mestre-ferreiro e vou precisar de um ajudante você pode ir trabalhar comigo nos seus dias de folga para pagar a dívida eragon curvou-se levemente satisfeito horst tinha dois filhos albriech e baldor os dois trabalhavam na ferraria ficar no lugar de um deles era uma oferta generosa mais uma vez obrigado estou ansioso para trabalhar com o senhor ele estava feliz por haver uma maneira de pagar horst o tio nunca aceitaria caridade em seguida eragon lembrou o que seu primo disse antes de ele partir para a caçada roran queria que eu desse um recado a katrina mas como isso não será possível será que o senhor poderia dar o recado a ela claro ele quer que ela saiba que ele irá à cidade assim que os mercadores chegarem e que vai até lá encontrá-la só isso eragon estava levemente constrangido não ele também quer que ela saiba que é a garota mais linda que ele já viu e que não consegue tirá-la da cabeça horst abriu um sorriso largo e piscou para eragon ele está querendo um compromisso sério não é está sim senhor respondeu eragon com um sorriso rápido poderia também agradecer a ela por mim foi muita gentileza da parte dela enfrentar o pai por minha causa espero que não seja castigada por isso roran ficaria furioso se eu a colocasse em encrencas eu não me preocuparia com isso sloan não sabe que ela me chamou então duvido que ele seja duro com ela antes de ir não quer jantar conosco sinto muito mas não posso garrow está me esperando explicou eragon verificando se a saca estava fechada levantou-a colocando-a nas costas e começou a andar pela estrada acenando um adeus o peso da carne o fez ir mais devagar mas como estava ansioso para chegar em casa um vigor renovado deu força a seus passos o vilarejo terminou abruptamente e ele deixou as luzes quentes do lugar para trás a lua perolizada observava tudo por cima das montanhas banhando a terra com um reflexo fantasmagórico da luz do dia tudo parecia estar desbotado e plano perto do fim da jornada eragon saiu da estrada que continuava rumo ao sul uma trilha simples passava por um trecho de grama alta que batia na cintura e subia um pequeno monte quase escondido pelas sombras de olmeiros protetores subiu a colina e viu uma luz suave brilhando em sua casa.
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a casa tinha cobertura de telhas e uma chaminé de tijolos os beirais do telhado pendiam sobre as paredes de cor branca desbotada produzindo uma sombra no chão abaixo um lado da varanda cercada estava repleto de lenha cortada pronta para o fogo uma mistura de ferramentas para o trabalho na fazenda estava do outro lado a casa ficou abandonada durante meio século até eles se mudarem depois que a esposa de garrow marian morreu a casa ficava a dezesseis quilômetros do carvahall mais longe do que a de qualquer outra pessoa o povo achava que toda aquela distância era perigosa pois a família não podia contar com a ajuda do vilarejo quando tinha problemas mas o tio de eragon não dava ouvidos a ninguém a uns trinta metros da casa em um galpão de cor apagada viviam dois cavalos birka e brugh junto com algumas galinhas e uma vaca Às vezes também havia um porco mas eles não tiveram dinheiro para comprar um este ano uma carroça ficava espremida entre as baias no limite da propriedade uma grossa linha de árvores acompanhava o rio anora ele viu uma luz se mover atrás de uma janela enquanto cansado se aproximava da varanda tio sou eu eragon deixe-me entrar uma cortininha foi puxada para trás por um instante e depois a porta foi aberta para dentro garrow permaneceu com a mão na porta suas roupas muito usadas vestiam-no como andrajos numa carcaça um rosto magro faminto com olhos intensos observava tudo por baixo de cabelos que começavam a ficar grisalhos tinha a aparência de um homem que havia sido parcialmente mumificado antes de descobrirem que ainda estava vivo roran está dormindo foi a resposta dele para o olhar inquisidor de eragon a luz de um lampião tremeluzia em cima de uma mesa de madeira tão velha que os nós e veios da madeira sobressaíam em relevo como uma impressão digital gigantesca perto de um fogão à lenha ficavam carreiras de utensílios de cozinha pendurados na parede em pregos feitos em casa uma segunda porta dava acesso ao resto da casa o piso era feito de tábuas polidas pelos pés que as pisaram durante anos eragon tirou a saca das costas e pegou a carne o que é isso por que você comprou carne onde conseguiu o dinheiro perguntou com rispidez seu tio ao ver os embrulhos eragon respirou fundo antes de responder não horst comprou a carne para nós você deixou que ele pagasse eu já disse que não vou pedir comida a ninguém se não formos capazes de nos alimentarmos talvez seja melhor nos mudarmos para a cidade quando menos esperarmos estarão nos mandando roupas usadas e perguntando se conseguiremos sobreviver ao inverno o rosto de garrow estava empalidecido pela raiva eu não aceitei caridade de ninguém respondeu eragon horst concordou em me deixar pagar a dívida trabalhando para ele nesta primavera ele precisará de alguém para ajudá-lo pois albriech vai viajar e onde você vai arranjar tempo para trabalhar para ele vai ignorar todas as coisas que precisam ser feitas aqui perguntou garrow forçando o tom de sua voz para baixo eragon pendurou o arco e a aljava em uns ganchos ao lado da porta da frente não sei como farei respondeu ele irritado além disso encontrei algo que pode valer algum dinheiro ele pôs a pedra em cima da mesa garrow inclinou-se sobre ela o olhar faminto em seu rosto tornou-se voraz e os dedos dele contraíam-se de um modo estranho você achou isso na espinha achei respondeu eragon ele explicou o que aconteceu e para piorar as coisas perdi a minha melhor flecha terei de fazer mais flechas logo olharam para a pedra em meio à escuridão incipiente como estava o tempo perguntou o tio enquanto levantava a pedra suas mãos apertaram-na como se temessem que a pedra fosse desaparecer de repente frio foi a resposta de eragon não nevou mas as noites eram congelantes garrow ficou preocupado com essas notícias amanhã você deve ajudar roran a acabar de colher a cevada se conseguirmos colher as abóboras também o frio não nos incomodará ele passou a pedra para eragon tome fique com ela quando os mercadores chegarem descobriremos o valor disto vendê-la será a melhor coisa a fazer quanto menos nos envolvermos com magia melhor por que horst pagou pela carne eragon levou apenas um minuto para explicar sua briga com sloan.
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não entendo o que o deixou tão zangado garrow deu de ombros a esposa de sloan ismira caiu das cataratas igualda um ano antes de você ser trazido para cá ele não passa perto da espinha desde então não passa perto de lá e não quer ter nada a ver com aquele lugar mas isso não era motivo para recusar o seu pagamento acho que ele queria arranjar um problema com você eragon inclinou-se para frente e disse É bom estar de volta o olhar de garrow suavizou-se e ele concordou com a cabeça eragon entrou tropeçando em seu quarto colocou a pedra embaixo da cama e jogou-se em cima do colchão casa pela primeira vez desde o começo da caçada relaxou completamente quando o sono tomou conta dele histÓrias de dragÕes ao amanhecer os raios do sol entraram pela janela aquecendo o rosto de eragon esfregando os olhos sentou na beira da cama o piso de pinho estava frio sob seus pés esticou as pernas doloridas e coçou as costas enquanto bocejava ao lado da cama havia uma carreira de prateleiras cobertas com os objetos que ele colecionava havia pedaços retortos de madeira fragmentos estranhos de conchas pedras quebradas que revelavam um interior brilhante e pedaços de grama seca amarrados em nós seu item favorito era uma raiz tão retorcida que ele nunca se cansava de olhar para ela o resto do quarto estava vazio exceto pela pequena cômoda e pela mesa-de-cabeceira colocou as botas e olhou para o chão pensando este era um dia especial foi mais ou menos a esta hora há dezesseis anos que sua mãe selena voltou para casa no carvahall sozinha e grávida ela ficou longe durante seis anos vivendo nas cidades quando retornou usava roupas caras e tinha o cabelo preso por uma rede de pérolas foi procurar o irmão garrow e pediu para ficar com ele até o bebê nascer depois de cinco meses o menino nasceu todos ficaram chocados quando selena chorosa implorou para que garrow e marian o criassem quando eles perguntaram por que ela apenas chorou e disse eu preciso os apelos dela aumentaram desesperadamente até que eles finalmente concordaram deu a ele o nome de eragon partiu cedo na manhã seguinte e nunca mais voltou eragon ainda se lembrava de como se sentiu quando marian contou-lhe a história antes de morrer saber que garrow e marian não eram seus pais verdadeiros perturbava-o muito coisas que eram inalteráveis e indiscutíveis de repente foram colocadas em questão finalmente acabou aprendendo a viver com aquilo mas sempre desconfiava que não tinha sido bom o bastante para a mãe sei que havia um bom motivo para ela ter feito o que fez eu só queria saber qual outra coisa o incomodava quem era seu pai selena não tinha contado a ninguém e seja lá quem fosse nunca foi procurar eragon queria saber quem era nem que fosse apenas o nome seria bom conhecer a linhagem dele suspirou e foi até a mesa-de-cabeceira onde lavou o rosto tremendo enquanto a água escorria pelo pescoço refrescado pegou a pedra que estava embaixo da cama e colocou-a em uma prateleira a luz da manhã a acariciava projetando uma sombra na parede tocou-a mais uma vez depois foi depressa para a cozinha ansioso para rever sua família garrow e roran já estavam lá comendo frango enquanto eragon os cumprimentava roran ficou em pé sorrindo roran era dois anos mais velho do que eragon musculoso forte e meticuloso em seus movimentos não poderiam ser mais próximos mesmo se fossem irmãos de verdade roran sorriu estou feliz porque você voltou como foi a viagem difícil respondeu eragon o tio contou a você o que aconteceu eragon pegou um pedaço de frango que devorou avidamente.
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não informou roran e a história rapidamente foi contada devido à insistência de roran eragon largou a comida para mostrar-lhe a pedra esta provocou uma admiração considerável em roran mas ele logo perguntou nervosamente você conseguiu falar com katrina não não surgiu uma oportunidade depois da discussão com sloan mas ela vai esperá-lo quando os mercadores chegarem dei o recado a horst e ele o passará a ela você contou a horst indagou roran incrédulo isso era segredo se eu quisesse que todos soubessem poderia ter acendido uma fogueira e ter feito sinais de fumaça se sloan descobrir não me deixará vê-la horst será discreto garantiu eragon ele não deixará que ninguém fique à mercê de sloan muito menos você roran não parecia estar muito convencido porém não discutiu mais voltaram para as suas refeições ante a presença taciturna de garrow quando as últimas mordidas foram dadas os três foram trabalhar no campo o sol estava frio e pálido provendo pouco conforto sob seus olhos atentos os últimos grãos de cevada foram armazenados no galpão juntaram abóboras repolhos beterrabas ervilhas nabos feijões e guardaram tudo no porão dos legumes depois de horas de trabalho esticaram seus músculos doloridos sentindo a satisfação de terem terminado a colheita os dias que se seguiram foram ocupados preparando a comida para o inverno fazendo conservas salgando e descascando alimentos nove dias depois da volta de eragon uma nevasca cruel veio das montanhas e pairou em cima do vale a neve caía como um lençol cobrindo todo o campo de branco só ousavam sair de casa para pegar lenha para o fogo e para alimentar os animais pois temiam perder-se no meio dos ventos uivantes e da paisagem descaracterizada passavam o tempo aconchegados perto do fogão enquanto golpes de vento faziam tremer as pesadas cortinas nas janelas dias depois finalmente a tempestade passou revelando um mundo exótico de suaves montes brancos temo que os mercadores não venham este ano por causa deste tempo tão ruim disse garrow eles já estão atrasados vamos dar-lhes uma chance esperando mais um pouco antes de irmos ao carvahall mas se não aparecerem logo teremos de comprar as provisões que sobrarem do povo da cidade seu semblante era resignado ficavam mais ansiosos conforme os dias se arrastavam sem dar nenhum sinal dos mercadores a conversa era pouca e a depressão estendia-se sobre a casa na oitava manhã roran foi andando até a estrada e confirmou que os mercadores ainda não haviam chegado levaram o dia preparando a viagem para o carvahall juntando com sorrisos amargos itens que podiam ser vendidos naquela tarde sem esperança eragon foi verificar a estrada de novo viu cortes profundos na neve e numerosas pegadas entre eles exultante voltou correndo para casa gritando dando novo vigor a seus preparativos carregaram a carroça com o excedente dos produtos agrícolas antes do amanhecer garrow colocou o dinheiro ganho naquele ano em uma sacola de couro e amarrou-a cuidadosamente no cinto eragon pôs a pedra embrulhada entre os sacos de grãos para que ela não rolasse com o sacolejo da carroça depois de um café da manhã apressado arrearam os cavalos e limparam a trilha que desembocava na estrada as carroças dos mercadores já haviam aberto sulcos na neve fazendo-os avançarem mais depressa ao meio-dia já podiam ver o carvahall sob a luz do dia aquele era um vilarejo tosco repleto de gritos e risos os mercadores instalaram-se em um campo baldio nas cercanias da cidade grupos de carroças barracas e fogueiras estavam espalhados pelo lugar eram pontos coloridos na neve as quatro tendas dos trovadores eram decoradas com muitas cores um fluxo constante de pessoas ligava o acampamento ao vilarejo multidões agitavam-se em volta de uma fila de barracas e tendas iluminadas enchendo a rua principal cavalos relinchavam por causa do barulho a neve foi amassada dando à rua uma superfície escorregadia em outros lugares as fogueiras derreteram a neve castanhas assadas acrescentavam um rico aroma aos cheiros que os envolviam garrow estacionou a carroça e prendeu os cavalos em seguida tirou moedas da sacola vão comer alguma coisa roran faça o que quiser só não deixe de estar na casa de horst na hora do jantar eragon pegue aquela pedra e venha comigo eragon sorriu para roran e guardou o dinheiro já planejando como gastá-lo.
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roran partiu imediatamente com uma expressão de determinação no rosto garrow guiou eragon no meio do povo abrindo caminho naquela agitação as mulheres compravam tecidos enquanto bem perto os maridos examinavam fechaduras novas anzóis ou alguma ferramenta crianças corriam para cima e para baixo na rua gritando de alegria facas eram expostas aqui temperos acolá e panelas foram colocadas em fileiras brilhantes perto dos arreios de couro eragon curioso olhava para os mercadores pareciam menos prósperos do que no ano passado seus filhos exibiam um olhar assustado no rosto e suas roupas estavam remendadas homens magros levavam espadas e punhais de uma nova maneira bem peculiar e até as mulheres tinham adagas presas na cintura o que será que aconteceu para deixá-los desse jeito e por que será que eles se atrasaram tanto pensou eragon ele se lembrava dos mercadores como pessoas cheias de alegria mas estavam muito diferentes agora garrow continuou abrindo caminho descendo a rua procurando merlock um mercador especializado em bugigangas diferentes e em jóias encontraram-no atrás de uma tenda mostrando broches para um grupo de mulheres a cada nova peça revelada ouviam-se exclamações de admiração eragon desconfiou que logo várias bolsas seriam esvaziadas merlock parecia ganhar novo vigor e crescer cada vez que suas mercadorias eram elogiadas usava um cavanhaque tinha modos tranqüilos e parecia encarar o resto do mundo com um leve toque de desprezo o animado grupo não deixou que garrow e eragon se aproximassem do mercador sentaram em um degrau e esperaram assim que merlock ficou desocupado correram até ele o que os senhores desejam ver perguntou merlock um amuleto ou uma bijuteria para uma dama girando a mão pegou uma rosa entalhada em prata de excelente qualidade artística o metal polido chamou a atenção de eragon ele ficou apreciando-o o mercador continuou não custa nem três coroas embora isto tenha vindo de longe dos famosos artesãos de belatona garrow esclareceu com um tom de voz baixo não queremos comprar queremos vender merlock imediatamente cobriu a rosa e olhou para eles com um novo interesse entendo talvez se esse item tiver algum valor vocês poderiam trocá-lo por uma ou duas dessas lindas peças ele fez uma pausa por um momento enquanto eragon e o seu tio ficaram parados de maneira desconfortável depois continuou vocês trouxeram o item a ser avaliado trouxemos mas acho melhor mostrá-lo em outro lugar disse garrow com uma voz firme merlock levantou uma sobrancelha mas falou de modo suave sendo assim permita-me convidá-los a entrar na minha tenda juntou suas jóias e gentilmente colocou-as em uma arca de ferro a qual trancou depois seguiu na frente pelo caminho até o acampamento temporário andaram entre as carroças até uma barraca afastada era avermelhada em cima e negra embaixo com pequenos triângulos coloridos que se entrelaçavam merlock desamarrou a corda que fechava a barraca e jogou o pano para o lado pequenas bijuterias e alguns móveis estranhos como uma cama redonda e três assentos entalhados em três pedaços de tronco enchiam a barraca uma adaga retorcida que tinha um rubi no punho estava em cima de uma almofada branca merlock fechou o pano que servia de porta da barraca e virou-se para eles por favor sentem-se depois de sentarem continuou agora mostrem-me o porquê de nos encontrarmos em particular eragon desembrulhou a pedra e colocou-a entre os dois homens merlock aproximou-se para observá-la com um brilho nos olhos então parou e perguntou posso quando garrow deu a permissão merlock pegou-a colocou a pedra no colo e inclinou-se para o lado tentando alcançar uma caixa fina depois de aberta ela revelou um grande conjunto de balanças de cobre que ele pousou no chão quando acabou de pesar a pedra examinou a superfície com uma lente de joalheiro bateu nela gentilmente com um martelinho de madeira e marcou um ponto com outra pedrinha em cima dela mediu o comprimento e o diâmetro depois escreveu os números em uma lousa vocês sabem quanto isto vale?
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não admitiu garrow a bochecha dele pulava e ele se ajeitava desconfortavelmente em seu assento merlock fez uma careta infelizmente eu também não sei mas sei o seguinte essas veias brancas são feitas do mesmo material azul que as cercam só têm uma cor diferente e que material é este de fato não faço a menor idéia É mais duro do que qualquer outra pedra que eu já tenha visto mais duro do que um diamante seja lá quem for que a tenha lapidado usou ferramentas que eu nunca vi ou usou magia e mais uma coisa a pedra é oca o quê admirou-se garrow um tom irritado surgiu na voz de merlock você já ouviu uma pedra fazer este barulho ele pegou a adaga em cima da almofada e bateu na pedra com a parte chata da lâmina uma nota pura encheu o ar e foi desaparecendo suavemente eragon ficou assustado com medo de a pedra ser avariada merlock inclinou a pedra na direção deles vocês não verão nenhum arranhão ou marca no lugar onde a adaga bateu duvido que pudesse fazer qualquer coisa que avariasse esta pedra mesmo se eu desse uma martelada nela garrow cruzou os braços com uma expressão contida um muro de silêncio parecia rodeá-lo eragon estava intrigado eu sei que a pedra apareceu na espinha por meio de magia mas será que ela também foi feita pela magia para que e por quê ele disse de repente mas quanto ela vale não sei dizer respondeu merlock com uma voz triste sei que há pessoas que pagariam bem para tê-la mas nenhuma delas mora no carvahall você teria de ir até as cidades do sul para encontrar um comprador isto é apenas uma curiosidade para a maioria das pessoas e não um item com o qual devam gastar dinheiro já que há tantas outras coisas mais necessárias garrow olhava para o teto da barraca como um jogador calculando os riscos você vai comprá-la o mercador respondeu instantaneamente o risco não vale a pena eu poderia encontrar um comprador rico durante as minhas viagens na primavera mas não há como ter certeza e mesmo se eu achasse você não seria pago até eu voltar no ano que vem você terá de achar outra pessoa com quem negociar mas entretanto estou curioso por que insistiram em falar comigo em particular eragon guardou a pedra antes de responder porque ele olhou para o homem imaginando se o mercador explodiria de raiva como sloan encontrei isto na espinha e o pessoal daqui não gosta daquele lugar merlock olhou para ele espantado sabe por que meus amigos mercadores e eu nos atrasamos este ano eragon balançou a cabeça nossas viagens têm sido assoladas pelo infortúnio parece que o caos está reinando na alagaésia não conseguimos evitar doenças ataques e a mais amaldiçoada sorte negra como os ataques dos varden aumentaram galbatorix forçou as cidades a mandarem mais soldados para as fronteiras homens necessários para combater os urgals os brutos têm migrado para o sudeste em direção ao deserto hadarac ninguém sabe por que e isso não é da nossa conta exceto que eles estavam passando por áreas povoadas eles têm sido vistos em estradas e perto das cidades os piores relatos são sobre um espectro embora as histórias não sejam confirmadas poucas pessoas sobrevivem a tal enfrentamento por que não ouvimos nada disso inquiriu eragon porque respondeu merlock com raiva só começou há alguns meses vilarejos inteiros foram forçados a se mudar porque os urgals destruíram os campos e a fome se tornou ameaçadora quanta bobagem resmungou garrow não vimos nenhum urgal o único que passou por aqui deixou os chifres pendurados na taverna do morn merlock arqueou uma sobrancelha pode ser mas este é um vilarejo escondido pelas montanhas não é surpresa vocês terem passado despercebidos entretanto acho que isso não vai durar muito só falei nesses fatos porque coisas estranhas estão acontecendo aqui também já que você achou a pedra na espinha com um falar sóbrio despediu-se deles curvando-se e dando um leve sorriso.
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garrow tomou o caminho para o carvahall com eragon bem atrás dele o que você acha perguntou eragon vou obter mais informações antes de tirar conclusões leve a pedra de volta para a carroça e depois faça o que quiser encontrarei vocês no jantar na casa do horst eragon esquivou-se pelo meio da multidão e feliz correu para a carroça as vendas ocupariam seu tio durante horas tempo que ele planejava aproveitar totalmente escondeu a pedra embaixo das bolsas e partiu para a cidade com um passo presunçoso ele andava de uma barraquinha a outra avaliando as mercadorias com seu olhar de comprador apesar de seu humilde estoque de moedas quando falava com os mercadores eles confirmavam o que merlock havia dito sobre a instabilidade na alagaésia várias vezes a mensagem era repetida a segurança do ano passado nos abandonou novos perigos apareceram nada mais é seguro mais tarde naquele dia comprou três bastões de doce maltado e uma tortinha de cereja extremamente quente aquele calor foi bom depois de passar horas em pé na neve lambeu a calda grudenta dos dedos com pena querendo mais sentou-se à beira de uma varanda e mordiscou um pedaço do doce dois meninos do carvahall lutavam perto dele mas eragon não sentiu nenhuma vontade de se juntar a eles conforme o dia chegava ao final da tarde os mercadores iam negociar nas casas das pessoas eragon esperava impaciente pela noite quando os trovadores apareciam para contar histórias e fazer truques ele adorava ouvir contos sobre magia deuses e se tivesse muita sorte sobre os cavaleiros de dragões o carvahall tinha o seu próprio contador de histórias brom amigo de eragon mas os contos dele ficaram velhos ao passo que os trovadores sempre tinham histórias novas que ele ouvia avidamente eragon tinha acabado de quebrar uma ponta de gelo do beiral da varanda quando viu sloan ali perto o açougueiro não o viu então eragon abaixou a cabeça e saiu correndo virando uma esquina em direção à taverna do morn o interior estava quente e repleto da fumaça oleosa das velas feitas de gordura os chifres do urgal pretos e brilhantes cuja envergadura retorcida tinha a extensão dos braços dele esticados estavam pendurados acima da porta o bar era comprido e baixo com uma pilha de pedaços de madeira de um lado para os clientes cortarem morn atendia no bar com as mangas enroladas até os cotovelos a metade de baixo de seu rosto era curta e amassada como se tivesse encostado o queixo em uma roda de moagem as pessoas lotavam as sólidas mesas de carvalho e ouviam dois mercadores que tinham encerrado seus negócios mais cedo e foram beber cerveja morn olhou por cima de uma caneca que ele limpava eragon que bom ver você onde está o seu tio comprando disse eragon dando de ombros ele ainda vai demorar e roran ele está aqui perguntou moro enquanto passava o pano em outra caneca está não havia nenhum animal doente para evitar que ele viesse este ano que bom que bom eragon apontou para os dois mercadores quem são eles compradores de grãos compraram o estoque de todo mundo por preços ridiculamente baixos e agora estão contando histórias fantásticas esperando que acreditemos nelas eragon entendeu por que moro estava tão chateado as pessoas precisam daquele dinheiro não podemos viver sem ele que tipo de histórias morn bufou eles disseram que os varden fizeram um pacto com os urgals e que estão formando um exército para nos atacar supostamente foi apenas pela graça do nosso rei que fomos protegidos por tanto tempo como se galbatorix se importasse se nosso vilarejo fosse completamente destruído vá ouvi-los tenho muito mais a fazer do que ficar explicando as mentiras deles o primeiro mercador enchia a cadeira com a sua enorme cintura todos os seus movimentos faziam-na protestar bem alto não havia um sinal sequer de pêlos no rosto suas mãos gordas eram lisas como as de um bebê e ele tinha lábios projetados para fora que pendiam petulantemente quando bebia em um garrafão o segundo homem tinha um rosto avermelhado a pele em volta da mandíbula era ressecada e gorda recheada com caroços de banha dura como manteiga rançosa fria contrastando com o pescoço e com o papo o resto do corpo era magro e se unia forma não-natural.
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