O Ladrão de Raios

 

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E se os deuses do Olimpo estivessem vivos em pleno século XXI? E se eles ainda se apaixonassem por mortais e tivessem filhos que pudessem se tornar heróis? Segundo a lenda da Antigüidade, a maior parte deles, marcados pelo destino, dificilmente passa

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marcador 1 e se os deuses do olimpo estivessem vivos em pleno século xxi e se eles ainda se apaixonassem por mortais e tivessem filhos que pudessem se tornar heróis segundo a lenda da antigüidade a maior parte deles marcados pelo destino dificilmente passa da adolescência poucos conseguem descobrir sua identidade percy jackson está para ser expulso do colégio interno de novo É a sexta vez que isso acontece aos 12 anos está é apenas uma das ameaças que pairam sobre esse garoto além dos efeitos da síndrome do déficit de atenção da dislexia e das criaturas fantásticas e deuses do monte olimpo que últimamente parecem estar saindo dos livros de mitologia grega do colégio para a realidade e ao que tudo indica estão aborrecidos com ele vários acidentes e revelações inexplicáveis afastam percy jackson de nova york sua cidade e o lançam em um campo de treinamento muito especial onde é orientado para enfrentar uma missão que envolve humanos diferentes ­ metade deuses metade homens além de seres mitológicos o raio-mestre de zeus fora roubado e é percy quem deve resgatá-lo com a ajuda de novos amigos ­ um sátiro e a filha de uma deusa ­ percy tem dez dias para reaver o instrumento de zeus que representa a destruição original e restabelecer a paz no olimpo para conseguir isso precisará fazer mais do que capturar um ladrão terá de encarar o pai que o abandonou resolver um enigma proposto pelo oráculo e desvendar uma traição mais ameaçadora que a fúria dos deuses marcador 2 rick riordan nasceu em 1964 em san antonio texas estados unidos onde mora com a mulher e dois filhos durante quinze anos ensinou inglês e história em escolas públicas e particulares do são francisco além da série percy jackson e os olimpianos publicou a premiada série de mistério para adultos tres navarre para haley que ouviu a história primeiro sumÁrio um ­ sem querer transformo em pó minha professora de iniciação à Álgebra dois ­ três velhas senhoras tricotam as meias da morte trÊs ­ grover de repente perde as calças quatro ­ minha mãe me ensina a tourear cinco ­ eu jogo pinochle com um cavalo seis ­ minha transformação em senhor supremo do banheiro sete ­ meu jantar se esvai em fumaça oito ­ nós capturamos uma bandeira nove ­ oferecem-me uma missão dez ­ eu destruo um ônibus onze ­ nossa visita ao empório de anões de jardim doze ­ um poodle é o nosso conselheiro treze ­ meu mergulho para a morte quatorze ­ eu me torno um fugitivo conhecido quinze ­ um deus compra cheesburgers para nós dezesseis ­ a ida de uma zebra para las vegas dezessete ­ vamos comprar camas d água dezoito ­ annabeth usa a aula de adestramento dezenove ­ de certa forma descobrimos a verdade vinte ­ a luta contra meu parente imbecil vinte e um ­ meu acerto de contas vinte e dois ­ a profecia se cumpre.

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um ­ sem querer transformo em pó minha professora de iniciação à Álgebra olhe eu não queria ser um meio-sangue se você está lendo isto porque acha que pode ser um meu conselho é o seguinte feche este livro agora mesmo acredite em qualquer mentira que sua mãe ou seu pai lhe contou sobre seu nascimento e tente levar uma vida normal ser meio-sangue é perigoso É assustador na maioria das vezes acaba com a gente de um jeito penoso e detestável se você é uma criança normal que está lendo isto porque acha que é ficção ótimo continue lendo eu o invejo por ser capaz de acreditar que nada disso aconteceu mas se você se reconhecer nestas páginas ­ se sentir alguma coisa emocionante lá dentro pare de ler imediatamente você pode ser um de nós e uma vez que fica sabendo disso é apenas uma questão de tempo antes que eles também sintam isso e venham atrás de você não diga que eu não avisei meu nome é percy jackson tenho doze anos de idade até alguns meses atrás era aluno de um internato na academia yancy uma escola particular para crianças problemáticas no norte do estado de nova york se eu sou uma criança problemática sim pode-se dizer isso eu poderia partir de qualquer ponto da minha vida curta e infeliz para prová-lo mas as coisas começaram a ir realmente mal no último mês de maio quando nossa turma do sexto ano fez uma excursão a manhattan ­ vinte e oito crianças alucinadas e dois professores em um ônibus escolar amarelo indo para o metropolitan museum of art a fim de observar velharias gregas e romanas eu sei parece tortura a maior parte das excursões da yancy era mesmo mas o sr brunner nosso professor de latim estava guiando essa excursão assim eu tinha esperanças o sr brunner era um sujeito de meia-idade em uma cadeira de rodas motorizada tinha o cabelo ralo uma barba desalinhada e usava um casaco surrado de tweed que sempre cheirava a café talvez você não o achasse legal mas ele contava histórias e piadas e nos deixava fazer brincadeiras em sala também tinha uma impressionante coleção de armaduras e armas romanas portanto era o único professor cuja aula não me fazia dormir eu esperava que desse tudo certo na excursão pelo menos tinha esperança de não me meter em encrenca dessa vez cara como eu estava errado entenda coisas ruins me acontecem em excursões escolares como na minha escola da quinta série quando fomos para o campo de batalha de saratoga e eu tive aquele acidente com um canhão da revolução americana eu não estava apontando para o ônibus da escola mas é claro que fui expulso do mesmo jeito e antes disso na escola da quarta série quando fizemos um passeio pelos bastidores do tanque dos tubarões do mundo marinho e eu de alguma forma acionei a alavanca errada no passadiço e nossa turma tomou um banho inesperado e antes disso bem já dá para você ter uma idéia nessa viagem eu estava determinado a ser bonzinho.

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ao longo de todo o caminho para a cidade agüentei nancy bobofit aquela cleptomaníaca ruiva e sardenta acertando a nuca do meu melhor amigo grover com pedaços de sanduíche de manteiga de amendoim com ketchup grover era um alvo fácil ele era magrelo chorava quando ficava frustrado devia ter repetido de ano muitas vezes porque era o único na sexta série que tinha espinhas e uma barba rala começando a nascer no queixo e ainda por cima era aleijado tinha um atestado que o dispensava da educação física pelo resto da vida porque tinha algum tipo de doença muscular nas pernas andava de um jeito engraçado como se cada passo doesse mas não se deixe enganar por isso você precisa vê-lo correr quando era dia de enchilada na cantina de qualquer modo nancy bobofit estava jogando bolinhas de sanduíche que grudavam no cabelo castanho cacheado dele e ela sabia que eu não podia revidar porque já estava sendo observado sob o risco de ser expulso o diretor me ameaçara de morte com uma suspensão na escola ou seja sem poder assistir às aulas mas tendo de comparecer à escola e ficar trancado numa sala fazendo tarefas de casa caso alguma coisa ruim embaraçosa ou até moderadamente divertida acontecesse durante a excursão eu vou matá-la ­ murmurei grover tentou me acalmar está tudo bem gosto de manteiga de amendoim ele se esquivou de outro pedaço do lanche de nancy agora chega comecei a levantar mas grover me puxou de volta para o assento você já está sendo observado ele me lembrou sabe que será culpado se acontecer alguma coisa quando me lembro daquilo preferia ter acertado nancy bobofit no ato a suspensão na escola não teria sido nada em comparação com a encrenca que eu estava prestes a me meter o sr brunner guiou o passeio pelo museu ele foi na frente em sua cadeira de rodas conduzindo-nos pelas grandes galerias cheias de ecos passando por estátuas de mármore e caixas de vidro repletas de cerâmica preta e laranja muito velha eu ficava alucinado só de pensar que aquelas coisas tinham sobrevividos por dois mil três mil anos ele nos reuniu em volta de uma coluna de pedra com quatro metros de altura e uma grande esfinge no topo e começou a explicar que aquilo era um marco tumular uma estela feita para uma menina mais ou menos da nossa idade contou-nos sobre as inscrições laterais estava tentando ouvir o que ele tinha a dizer porque era um pouco interessante mas todos ao meu redor estavam falando e cada vez que eu dizia para calarem a boca a outra professora que nos acompanhava a sra dodds me olhava de cara feia a sra dudds era aquela professorinha de matemática da geórgia que sempre usava um casaco de couro preto apesar de ter cinqüenta anos de idade parecia má o bastante para entrar com uma moto harley bem dentro do seu armário tinha chegado em yancy no meio do ano quando nossa última professora de matemática teve um colapso nervoso desde o primeiro dia a sra dodds adorou nancy bobofit e concluiu que eu tinha sido gerado pelo diabo ela me apontava o dedo torto e dizia agora meu bem com a maior doçura e eu sabia que ia ficar detido depois da aula por um mês certa vez depois que ela me fez apagar as respostas em antigos livros de exercícios de matemática até meia-noite disse a grover que achava que a sra dodds não era gente ele olhou para mim muito sério e disse:

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você está certíssimo o sr brunner continuou falando sobre arte funerária grega finalmente nancy bobofit abafando o riso falou algo sobre o sujeito pelado na estela e eu me virei e disse quer calar a boca saiu mais alto do que eu pretendia o grupo inteiro deu risada o sr brunner interrompeu seu história sr jackson disse ele fez algum comentário meu rosto estava completamente vermelho eu disse não senhor o sr brunner apontou para uma das figuras na estela talvez possa nos dizer o que esta figura representa olhei para a imagem entalhada e senti uma onda de alívio porque de fato a reconhecera É cronos comendo os filhos certo sim ­ disse o sr brunner e obviamente não estava satisfeito ­ e ele fez isso porque bem eu quebrei a cabeça para me lembrar cronos era o deus-rei e rei perguntou o sr brunner titã eu me corrigi e ele não confiava nos filhos que eram os deuses então hum cronos os comeu certo mas sua esposa escondeu o bebê zeus e deu a cronos uma pedra para comer no lugar dele e depois quando zeus cresceu ele enganou o pai cronos e o fez vomitar seus irmãos e irmãs eca disse uma das meninas atrás de mim e então houve aquela grande briga entre os deuses e os titãs continuei e os deuses venceram algumas risadinhas do grupo atrás de mim nancy bobofit murmurou para uma amiga como se fôssemos usar isso na vida real como se fossem falar nas nossas entrevistas de emprego por favor explique por que cronos comeu seus filhos e por que sr jackson disse o sr brunner parafraseando a excelente pergunta da srta bobofit isso importa na vida real se ferrou ­ murmurou grover cala a boca chiou nancy a cara ainda mais vermelha que seu cabelo pelo menos nancy também foi enquadrada o sr brunner era o único que a pegava dizendo algo errado tinha ouvidos de radar pensei na pergunta dele e encolhi os ombros.

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não sei senhor entendo o sr brunner pareceu desapontado bem meio ponto sr jackson zeus na verdade deu a cronos uma mistura de mostarda e vinho o que o fez vomitar as outras cinco crianças que é claro sendo deuses imortais estavam vivendo e crescendo sem serem digeridas no estômago do titã os deuses derrotaram o pai deles cortando-no em pedaços com sua própria foice e espalharam os restos no tártaro a parte mais escura do mundo inferior e com esse alegre comentário é hora do almoço sra dodds quer nos levar de volta para fora a turma foi retirada as meninas segurando a barriga os garotos empurrando uns aos outros e agindo como bobões grover e eu estávamos prestes a segui-los quando o sr brunner disse sr jackson eu sabia o que vinha a seguir disse a grover para ir andando então me voltei para o professor senhor o sr brunner tinha aquele olhar que não deixa a gente ir embora olhos castanhos intensos que poderiam ter mil anos de idade e já ter visto de tudo você precisa aprender a responder à minha pergunta disse ele sobre os titãs sobre a vida real e como seus estudos se aplicam a ela ah o que você aprende comigo disse ele é de uma importância vital espero que trate o assunto como tal de você aceitarei apenas o melhor percy jackson eu queria ficar zangado aquele sujeito me pressionava demais quer dizer claro era legal em dias de torneio quando ele vestia uma armadura romana bradava olé e nos desafiava ponta de espada contra o giz a correr para o quadro-negro e citar pelo nome cada pessoa grega ou romana que já viveu o nome de sua mãe e que deuses cultuavam mas o sr brunner esperava que eu fosse tão bom quanto todos os outros a despeito do fato de que tenho dislexia e transtorno do déficit de atenção e de que nunca na vida tirei uma nota acima de c não ele não esperava que eu fosse tão bom quanto ele esperava que eu fosse melhor e eu simplesmente não podia aprender todos aqueles nomes e fatos e muito menos escrevê-los direito murmurei alguma coisa sobre me esforçar mais enquanto o sr brunner lançava um olhar longo e triste para a estela como se tivesse estado no funeral daquela menina ele me disse para sair e comer meu lanche a turma se reuniu nos degraus da frente do museu de onde podíamos assistir ao trânsito de pedestres pela quinta avenida acima de nós uma imensa tempestade estava se formando com as nuvens mais escuras que eu já tinha visto sobre a cidade imaginei que talvez fosse o aquecimento global ou qualquer coisa assim porque o tempo em todo o estado de nova york estava esquisito desde o natal tivemos nevascas pesadas inundações incêndios nas florestas causados por raios eu não teria ficado surpreso se fosse um furacão chegando.

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ninguém mais pareceu notar alguns dos garotos estavam jogando biscoitos para os pombos nancy bobofit tentava afanar alguma coisa da bolsa de uma senhora e é claro a sra dodds não via nada grover e eu nos sentamos na beirada do chafariz longe dos outros pensamos que se fizéssemos isso talvez ninguém descobrisse que éramos daquela escola a escola para esquisitões lesados que não davam certo em nenhum outro lugar detenção perguntou grover não disse eu não do brunner eu só gostaria que ele às vezes me desse um tempo quer dizer não sou um gênio grover não disse nada por algum tempo então quando achei que ele ia me brindar com algum comentário filosófico profundo para me fazer sentir melhor ele disse posso comer sua maçã eu não estava com muito apetite então a entreguei a ele observei os táxis que passavam descendo a quinta avenida e pensei no apartamento de minha mãe na área residencial próxima ao lugar onde estávamos sentados eu não a via desde o natal tive muita vontade de pular em um táxi e ir para casa ela me abraçaria e ficaria contente de me ver mas também ficaria desapontada imediatamente me mandaria de volta para yancy e me lembraria que preciso me esforçar mais ainda que aquela fosse minha sexta escola em seis anos e que provavelmente eu seria chutado para fora de novo não conseguiria suportar o olhar triste que ela me lançaria o sr brunner estacionou a cadeira de rodas na base da rampa para deficientes comia aipo enquanto lia um romance um guarda-chuva vermelho estava enfiado nas costas da cadeira fazendo-a parecer uma mesa de café motorizada eu estava prestes a desembrulhar meu sanduíche quando nancy bobofit apareceu diante de mim com as amigas feiosas imagino que tivesse se cansado de roubar dos turistas e deixou seu lanche já comido pela metade cair no colo de grover oops ela arreganhou um sorriso para mim com os dentes tortos as sardas eram alaranjadas como se alguém tivesse pintado o rosto dela com um spray de cheetos líquido tentei ficar calmo o orientador da escola me dissera um milhão de vezes conte até dez controle seu gênio mas estava tão furioso que me deu um branco uma onda rugia nos meus ouvidos não me lembro de ter tocado nela mas quando dei por mim nancy estava sentada com o traseiro no chafariz berrando percy me empurrou a sra dodds se materializou ao nosso lado algumas das crianças estavam sussurrando você viu a água parece que a agarrou eu não sabia do que elas estavam falando tudo o que sabia era que estava encrencado outra vez assim que se certificou de que a pobre nancy estava bem prometendo dar-lhe uma blusa nova na loja de presentes do museu etc e tal a sra dodds se voltou para mim havia um fogo triunfante em seus olhos como se eu tivesse feito algo pelo que ela esperara o semestre inteiro agora meu bem

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eu sei resmunguei um mês apagando livros de exercícios não foi a coisa certa para dizer venha comigo disse a sra dodds espere guinchou grover fui eu eu a empurrei olhei para ele perplexo não podia acreditar que estivesse tentando me proteger ele morria de medo da sra dodds ela lançou um olhar tão furioso que fez o queixo penugento dele tremer acho que não sr underwood disse ela mas você vai ficar aqui grover me olhou desesperadamente tudo bem cara disse a ele obrigado por tentar meu bem latiu a sra dodds para mim agora nancy bobofit deu um sorriso falso lancei-lhe meu melhor olhar de vou acabar com a sua raça então me virei para enfrentar a sra dodds mas ela não estava lá estava postada à entrada do museu lá no alto dos degraus gesticulando impaciente para mim como ela chegou lá tão depressa tenho milhares de momentos desse tipo meu cérebro adormece ou algo assim e quando me dou conta vejo que perdi alguma coisa como se uma peça do quebra-cabeça desaparecesse e me deixasse olhando para o espaço vazio atrás dela o orientador da escola me disse que isso era parte do transtorno do déficit de atenção era meu cérebro que interpretava tudo errado eu não tinha tanta certeza fui atrás da sra dodds no meio da escadaria olhei para grover lá atrás ele parecia pálido movendo os olhos entre mim e o sr brunner como se quisesse que o sr brunner reparasse no que estava acontecendo mas o professor estava absorto em seu romance voltei a olhar para cima a sra dodds desaparecera de novo estava agora dentro do edifício no fim do hall de entrada certo pensei ela vai me fazer comprar uma blusa nova para nancy na loja de presentes mas aparentemente não era esse o plano eu a segui museu adentro quando finalmente a alcancei estávamos de volta à seção greco-romana a não ser por nós a galeria estava vazia a sra dodds estava postada de braços cruzados na frente de um grande friso de mármore com os deuses gregos ela fazia um mulo estranho com a garganta como um rosnado.

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mesmo sem o ruído eu teria ficado nervoso É esquisito estar sozinho com uma professora especialmente a sra dodds algo no modo como ela olhava para o friso como se quisesse pulverizá-lo você está nos criando problemas meu bem disse ela fiz o que era seguro disse sim senhora ela ajeitou os punhos de seu casaco de couro você achou mesmo que ia se safar desta a expressão em seus olhos era mais que furiosa era perversa ela é uma professora pensei nervoso não é provável que vá me machucar eu disse eu eu vou me esforçar mais senhora um trovão sacudiu o edifício nós não somos bobos percy jackson disse a sra dodds seria apenas uma questão de tempo até que o descobríssemos confesse e você sentirá menos dor eu não sabia do que ela estava falando tudo o que pude pensar foi que os professores haviam descoberto o estoque ilegal de doces que eu estava vendendo no meu dormitório ou talvez tivessem descoberto que eu pegara meu trabalho sobre tom sawyer na internet sem ter nem lido o livro e agora iam retirar minha nota ou pior iam me obrigar a ler o livro e então exigiu senhora eu não o seu tempo se esgotou sibilou ela então algo muito estranho aconteceu os olhos dela começaram a brilhar como carvão de churrasco os dedos se esticaram transformando-se em garras o casaco se fundiu em grandes asas de couro ela não era humana era uma bruxa má e enrugada com asas e garras de morcego e com uma boca repleta de presas amareladas e estava prestes a me fazer em pedaços então as coisas ficaram ainda mais esquisitas o sr brunner que estava na frente do museu um minuto antes foi com a cadeira de rodas até o vão da porta da galeria segurando uma caneta olá percy gritou ele e lançou a caneta pelo ar a sra dodds deu um bote para cima de mim com um gemido agudo eu me esquivei e senti as garras cortando o ar ao lado do meu ouvido agarrei a caneta esferográfica no alto mas quando ela atingiu minha mão já não era mais uma caneta era uma espada a espada de bronze do sr brunner que ele sempre usava em dias de torneio a sra dodds virou-se na minha direção com uma expressão assassina nos olhos meus joelhos ficaram bambos as mãos tremiam tanto que quase deixei a espada cair ela rosnou morra meu bem e voou para cima de mim.

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um terror absoluto percorreu meu corpo fiz a única coisa que me ocorreu naturalmente desferi um golpe com a espada a lâmina de metal atingiu o ombro dela e passou direto por seu corpo como se ela fosse feita de água zaz a sra dodds era um castelo de areia debaixo de um ventilador ela explodiu em areia amarela reduziu-se a pó sem deixar nada do cheiro de enxofre um grito estridente que foi sumindo e um calafrio de maldade no ar como se aqueles olhos vermelhos incandescentes ainda estivessem me olhando eu estava sozinho havia uma caneta esferográfica na minha mão o sr brunner não estava lá não havia ninguém lá além de mim minhas mãos ainda estavam tremendo meu lanche devia estar contaminado com cogumelos mágicos ou coisa assim será que eu havia imaginado tudo aquilo voltei para o lado de fora tinha começado a chover grover estava sentado junto ao chafariz com um mapa do museu formando uma tenda em cima de sua cabeça nancy bobofit ainda estava lá encharcada do banho no chafariz resmungando para as amigas feiosas quando me viu disse espero que a sra kerr tenha chicoteado seu traseiro quem respondi nossa professora dãã eu pisquei não tínhamos nenhuma professora chamada sra kerr perguntei a nancy de quem ela estava falando ela simplesmente revirou os olhos e me deu as costas perguntei a grover onde estava a sra dodds quem respondeu ele mas grover primeiro fez uma pausa e não olhou para mim portanto pensei que estivesse me gozando não tem graça cara disse a ele isso é sério um trovão estourou no alto vi o sr brunner sentado embaixo do guarda-chuva vermelho lendo seu livro como se nunca tivesse se mexido fui até ele ele ergueu os olhos um pouco distraído ah é a minha caneta por favor traga seu próprio instrumento de escrita no futuro sr jackson entreguei a caneta ao sr brunner não tinha notado que ainda a estava segurando senhor disse eu onde está a sra dodds ele olhou para mim com a expressão vazia quem a outra professora que nos acompanhava a sra dodds professora de iniciação à álgebra.

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ele franziu a testa e se inclinou para a frente parecendo ligeiramente preocupado percy não há nenhuma sra dodds nesta excursão até onde sei nunca houve uma sra dodds na academia yancy está se sentindo bem?

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dois ­ três velhas senhoras tricotam as meias da morte eu estava acostumado a uma ou outra experiência esquisita mas normalmente elas passavam depressa aquela alucinação 24 horas por dia e sete dias por semana era mais do que podia encarar durante o resto do ano escolar o campus inteiro parecia me pregando algum tipo de peça os alunos agiam como se estivessem completa e totalmente convencidos de que a sra kerr uma loira alegre que eu nunca tinha visto na vida até o momento em que ela entrou no nosso ônibus no fim da excursão era nossa professora de iniciação à álgebra desde o natal de vez em quando eu soltava uma referência à sra dodds para cima de alguém só para ver se conseguia fazê-los titubear mas eles me olhavam como se eu fosse louco acabei quase acreditando neles a sra dodds nunca tinha existido quase mas grover não conseguiu me enganar quando eu mencionava o nome dodds ele hesitava depois alegava que ela não existia mas eu sabia que ele estava mentindo alguma coisa estava acontecendo alguma coisa havia acontecido no museu eu não tinha muito tempo para pensar no assunto durante o dia mas à noite visões da sra dodds com garras e asas de couro me faziam acordar suando frio o tempo maluco continuou o que não ajudava meu humor certa noite uma tempestade de raios arrebentou a janela do meu dormitório alguns dias depois o maior tornado jamais visto no vale do hudson tocou o chão a apenas trinta quilômetros da academia yancy um dos eventos correntes que aprendemos na aula de estudos sociais era o número inusitado de pequenos aviões que caíram em súbitos vendavais no atlântico naquele ano comecei a me sentir mal-humorado e irritado a maior parte do tempo minhas notas caíram de d para f entrei em mais atritos com nancy bobofit e suas amigas era posto para fora da sala e tinha de ficar no corredor em quase todas as aulas finalmente quando nosso professor de inglês o sr nicoll me perguntou pela milionésima vez por que eu tinha tanta preguiça de estudar para as provas de ortografia eu explodi chamei-o de velho dipsomaníaco não sabia direito o que aquilo queria dizer mas soou bem o diretor mandou uma carta para minha mãe na semana seguinte tornando oficial eu não seria convidado a voltar para a academia yancy no ano seguinte Ótimo disse a mim mesmo simplesmente ótimo eu estava com saudades de casa queria ficar com minha mãe no nosso pequeno apartamento no upper east side mesmo que tivesse de freqüentar uma escola pública e aturar meu padrasto detestável e seus jogos de pôquer estúpidos e no entanto havia coisas em yancy de que eu sentiria falta a vista da minha janela para os bosques o rio hudson a distância o cheiro dos pinheiros sentiria falta de grover que tinha sido bom amigo mesmo com seu jeito meio estranho fiquei pensando como ele iria sobreviver ao próximo ano sem mim também sentiria falta da aula de latim os dias malucos de torneio do sr brunner e sua confiança em que eu poderia me sair bem quando a semana de exames foi se aproximando latim era a única prova para a qual eu estudava não tinha me esquecido que o sr brunner falara sobre essa matéria ser questão de vida ou morte para mim não sabia muito bem por quê mas acreditar nele.

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na noite anterior ao meu exame final fiquei tão frustrado que joguei o guia cambridge de mitologia grega do outro lado do dormitório as palavras tinham começado a flutuar para fora da página dando voltas na minha cabeça as letras fazendo manobras radicais como se estivessem andando de skate não havia jeito de eu me lembrar da diferença entre quíron e caronte ou polidectes e polideuces e conjugar aqueles verbos latinos nem pensar fiquei indo de um lado para outro no quarto com a sensação de que havia formigas andando por dentro da minha camisa lembrei a expressão séria do sr brunner de seus olhos de mil anos de você aceitarei apenas o melhor percy jackson respirei fundo peguei o livro de mitologia eu nunca havia pedido ajuda a um professor antes se falasse com o sr brunner quem sabe ele me daria algumas dicas poderia pelo menos pedir desculpas pelo grande f que ia tirar na prova não queria sair da academia yancy deixando-o pensar que eu não tinha me esforçado desci a escada para os gabinetes dos professores a maioria estava vazia e escura mas a porta do sr brunner estava entreaberta e a luz que vinha da sua janela se estendia ao longo do piso do corredor eu estava a três passos da maçaneta da porta quando ouvi vozes dentro da sala o sr brunner tinha feito uma pergunta uma voz que sem sombra de dúvida era a de grover disse preocupado senhor eu gelei normalmente não sou bisbilhoteiro mas desafio alguém a não tentar ouvir quando seu melhor amigo está falando sobre você com um adulto cheguei um pouquinho mais perto sozinho nesse verão grover estava dizendo quer dizer uma benevolente na escola agora que sabemos com certeza e eles também sabem só vamos piorar as coisas se o apressarmos disse o sr brunner precisamos que o menino amadureça mais mas ele pode não ter tempo o prazo final do solstício de verão terá de ser resolvido sem ele grover deixe-o desfrutar sua ignorância enquanto ainda pode senhor ele a viu imaginação dele insistiu o sr brunner a névoa sobre os alunos e a equipe será suficiente para convencê-lo disso senhor eu eu não posso fracassar nas minhas tarefas de novo a voz de grover estava embargada de emoção ­ sabe o que isso significaria você não fracassou grover disse o sr brunner gentilmente eu deveria tê-la visto como ela era agora vamos apenas nos preocupar em manter percy vivo até o próximo outono o livro de mitologia caiu da minha mão e bateu no chão com um ruído surdo o sr brunner silenciou com o coração disparado peguei o livro e voltei pelo corredor.

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uma sombra deslizou pelo vidro iluminado da porta da porta de brunner a sombra de algo muito mais alto do que meu professor de cadeira de rodas segurando alguma coisa suspeitamente parecida com o arco de um arqueiro abri a porta mais próxima e me esgueirei para dentro alguns segundos depois ouvi um lento clop-clop-clop como blocos de madeira abafados depois um som como o de um animal farejando bem na frente da minha porta um grande vulto escuro parou diante do vidro e depois seguiu adiante uma gota de suor escorreu por meu pescoço em algum lugar no corredor o sr brunner falou nada murmurou ele meus nervos não andam to bons desde o solstício de inverno nem os meus disse grover mas eu podia ter jurado -volte para o dormitório disse-lhe o sr brunner tem um longo dia de provas amanhã nem me lembre as luzes se apagaram na sala do sr brunner aguardei no escuro pelo que pareceu uma eternidade por fim me esgueirei para o corredor e subi de volta para o dormitório grover estava deitado na cama estudando as anotações para a prova de latim como se tivesse estado lá a noite inteira ei disse ele com olhar de sono vai estar preparado para a prova não respondi está com uma cara horrível ele franziu a testa -tudo bem só estou cansado virei-me para que ele não pudesse perceber minha expressão e comecei a me preparar para dormir não entendi o que tinha ouvido lá embaixo queria acreditar que havia imaginado aquilo tudo mas uma coisa estava clara grover e o sr brunner estavam falando de mim pelas costas achavam que eu corria algum tipo de perigo na tarde seguinte quando estava saindo da prova de latim de três horas atordoado com todos os nomes gregos e romanos que tinha escrito errado o sr brunner me chamou de volta por um momento fiquei preocupado achando que ele descobrira minha bisbilhotice na noite anterior mas não parecia ser esse o problema percy disse ele não fique desanimado por deixar yancy É é para o seu bem seu tom era gentil mas ainda assim as palavras me deixaram sem graça embora ele estivesse falando baixo os que terminavam a prova podiam ouvir nancy bobofit me lançou um sorriso falso e fez pequenos movimentos de beijo com os lábios eu murmurei:

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está bem senhor quer dizer o sr brunner andou com a cadeira para trás e para frente como se não tivesse certeza do que falar este não é o lugar certo para você era apenas uma questão de tempo meus olhos ardiam ali estava meu professor favorito na frente da classe me dizendo que eu não era capaz depois de falar o ano todo que acreditava em mim agora me dizia que eu estava destinado a ser expulso certo disse eu tremendo não não disse o sr brunner ah que droga o que eu estava tentando dizer é que você não é normal percy não é nada ser obrigado soltei muito obrigado senhor por me lembrar percy mas eu já tinha ido no último dia de aulas enfiei minhas roupas na mala os outros garotos estavam fazendo piadas falando sobre os planos para as férias um deles ia fazer trilha na suíça outro faria um cruzeiro de um mês pelo caribe eram delinqüentes juvenis como eu mas delinqüentes juvenis ricos os papais eram executivos embaixadores ou celebridades eu era um joãoninguém de uma família de joões-ninguém eles me perguntaram o que ia fazer no verão e eu disse que voltaria para a cidade o que não lhes contei foi que ia arranjar um trabalho de verão passeando com cachorros ou vendendo assinaturas de revistas e passar o tempo livre pensando em onde iria estudar no outono ah disse um dos garotos legal eles voltaram à conversa como se eu não existisse a única pessoa de quem tinha medo de me despedir era grover mas do jeito como as coisas aconteceram eu nem precisei ele havia comprado uma passagem para manhattan no mesmo onibus greyhound que eu então lá estávamos nós juntos outra vez indo para a cidade durante toda a viagem de ônibus grover olhava nervoso para o corredor observando os outros passageiros ocorreu-me que ele sempre agia de modo nervoso e inquieto quando saíamos de yancy como se esperasse que algo ruim fosse acontecer antes eu achava que ele tinha medo de que o provocassem mas não havia ninguém para fazer isso no greyhound finalmente não pude mais agüentar procurando benevolentes grover quase pulou do assento o que o que você quer dizer confessei ter ouvido a conversa dele com o sr brunner na noite anterior ao dia da prova o olho de grover estremeceu quanto você ouviu?

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