Diabetes Mellitus

 

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cadernos de atenÇÃo bÁsica ministÉrio da saÚde diabetes mellitus cadernos de atenção básica n.º 16 brasília df 2006

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cadernos de atenÇÃo bÁsica ministÉrio da saÚde secretaria de atenção à saúde departamento de atenção básica diabetes mellitus cadernos de atenção básica n.º 16 série a normas e manuais técnicos brasília df 2006

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© 2006 ministério da saúde t odos os direitos reservados É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial a responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é de responsabilidade da área técnica a coleção institucional do ministério da saúde pode ser acessada na íntegra na biblioteca virtual do ministério da saúde http www.saude.gov.br/bvs cadernos de atenção básica n 16 série a normas e manuais técnicos tiragem 1.ª edição 2006 20.000 exemplares elaboração distribuição e informações ministÉrio da saÚde secretaria de atenção à saúde departamento de atenção básica sepn 511 bloco c edifício bittar iv 4.º andar cep 70058-900 brasília df tels 61 3315-3302 3225-6388 fax 61 3325-6388 homepage www.saude.gov.br/dab supervisão geral luis fernando rolim sampaio equipe de elaboração antônio luiz pinho ribeiro carisi anne polanczyk carlos armando lopes do nascimento josé luiz dos santos nogueira rosa sampaio vila nova de carvalho equipe técnica adelaide borges costa de oliveira dab/ms ana cristina santana de araújo dab/ms antônio luiz pinho ribeiro dae/ms carisi anne polanczyk dae/ms carlos armando lopes do nascimento dae/ms josé luiz dos santos nogueira dae/ms maria das mercês aquino araújo dab/ms micheline marie milward de azevedo meiners dab/ms rosa maria sampaio vila nova de carvalho coordenação sônia maria dantas de souza dab/ms revisão técnica bruce bartholow duncan ufrgs carisi anne polanczyk dae/ms erno harzheim ufrgs maria inês schmidt ufrgs equipe de apoio administrativo alexandre hauser gonçalves dab/ms isabel constança p m de andrade dab/ms maércio carapeba júnior dab/ms colaboradores alexandre josé mont alverne silva conasems amâncio paulino de carvalho dae/ms ana márcia messeder s fernandes daf/ms antônio luiz brasileiro incl/ms augusto pimazoni netto consultor médico/sp carmem de simone dab/ms débora malta cgdant/ms denizar vianna araújo incl/ms dillian adelaine da silva goulart dab/ms dirceu brás aparecido barbano daf/ms edson aguilar perez sms/são bernardo do campo-sp flávio danni fuchs ufrgs lenildo de moura cgdant/ms mário maia bracco celafisc newton sérgio lopes lemos dab/ms regina maria aquino xavier incl/ms renata f cachapuz ans/ms rubens wagner bressanim dab/ms victor matsudo celafiscs sociedades científicas josé péricles steves sbc augusto dê marco martins sbc/df Álvaro avezum funcor/sbc hélio pena guimarães funcor/sbc marcos antônio tambasci sbd adriana costa forti sbd robson augusto souza dos santos sbh pedro alejandro gordan sbn patrícia ferreira abreu sbn josé nery praxedes sbn mariza helena césar coral sbem sérgio alberto cunha vêncio sbem maria inês padula anderson sbmfc hamilton lima wagner sbmfc fadlo fraige filho fenad impresso no brasil printed in brazil ficha catalográfica brasil ministério da saúde secretaria de atenção à saúde departamento de atenção básica diabetes mellitus ministério da saúde secretaria de atenção à saúde departamento de atenção básica ­ brasília ministério da saúde 2006 64 p il ­ cadernos de atenção básica n 16 série a normas e manuais técnicos isbn 85-334-1183-9 1 diabetes mellitus 2 dieta para diabéticos 3 glicemia i título ii série wk 810 catalogação na fonte ­ coordenação-geral de documentação e informação ­ editora ms ­ os 2006/0635 títulos para indexação em inglês diabetes mellitus em espanhol diabetes mellitus

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sumÁrio apresentaÇÃo 7 1 2 3 4 conceito do diabetes mellitus 9 epidemiologia do diabetes 9 cuidado integral ao paciente com diabetes e sua famÍlia 10 classificaÇÃo do diabetes 11 4.1 tipos de diabetes 12 4.2 estágios de desenvolvimento do diabetes 13 5 rastreamento e prevenÇÃo do diabetes 14 5.1 rastreamento do diabetes tipo 2 14 5.2 prevenção 15 6 diagnÓstico de diabetes e de regulaÇÃo glicÊmica alterada 15 6.1 principais sintomas 15 6.2 confirmação laboratorial 15 6.3 critérios diagnósticos 16 7 8 9 avaliaÇÃo inicial 17 plano terapÊutico 20 mudanÇas no estilo de vida no diabetes tipo 2 22 9.1 alimentação 22 9.2 atividade física 23 10 tratamento farmacolÓgico do diabetes tipo 2 25 10.1 metformina 27 10.2 sulfuniluréias 28 10.3 insulinoterapia 28

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6 11 prevenÇÃo e manejo das complicaÇÕes agudas do diabetes tipo 2 29 11.1 descompensação hiperglicêmica aguda 29 11.1.1 prevenção da cetose e cetoacidose 29 11.1.2 prevenção da síndrome hiperosmolar não-cetótica 32 11.2 hipoglicemia 32 atenÇÃo bÁsica cadernos de 12 prevenÇÃo e manejo das complicaÇÕes do diabetes tipo 2 34 12.1 doença cardiovascular 35 12.1.1 controle da hipertensão arterial 35 12.1.2 controle da dislipidemia 36 12.1.3 uso de agentes antiplaquetários 36 12.1.4 controle do tabagismo 36 12.2 retinopatia diabética 37 12.3 nefropatia diabética 38 12.4 neuropatia diabética 39 12.5 pé diabético 41 12.6 saúde bucal 43 12.7 vacinas recomendadas para portadores do diabetes tipo 2 43 13 atribuiÇÕes e competÊncias da equipe de saÚde 44 13.1 recursos necessários 54 13.2 estimativa do número de pessoas com diabetes na comunidade 45 13.3 atribuições dos diversos membros da equipe da estratégia sáude da família 45 14 critÉrios de encaminhamentos para referÊncia e contra-referÊncia 50 15 anexos 50 anexo 1 conservaÇÃo e transporte de insulinas 50 anexo 2 tÉcnica de aplicaÇÃo de insulina 51 16 bibliografia 56

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apresentaÇÃo o diabetes mellitus configura-se hoje como uma epidemia mundial traduzindose em grande desafio para os sistemas de saúde de todo o mundo o envelhecimento da população a urbanização crescente e a adoção de estilos de vida pouco saudáveis como sedentarismo dieta inadequada e obesidade são os grandes responsáveis pelo aumento da incidência e prevalência do diabetes em todo o mundo 7 as conseqüências humanas sociais e econômicas são devastadoras são 4 milhões de mortes por ano relativas ao diabetes e suas complicações com muitas ocorrências prematuras o que representa 9 da mortalidade mundial total o grande impacto econômico ocorre notadamente nos serviços de saúde como conseqüência dos crescentes custos do tratamento da doença e sobretudo das complicações como a doença cardiovascular a diálise por insuficiência renal crônica e as cirurgias para amputações de membros inferiores o maior custo entretanto recai sobre os portadores suas famílias seus amigos e comunidade o impacto na redução de expectativa e qualidade de vida é considerável a expectativa de vida é reduzida em média em 15 anos para o diabetes tipo 1 e em 5 a 7 anos na do tipo 2 os adultos com diabetes têm risco 2 a 4 vezes maior de doença cardiovascular e acidente vascular cerebral é a causa mais comum de amputações de membros inferiores não traumática cegueira irreversível e doença renal crônica terminal em mulheres é responsável por maior número de partos prematuros e mortalidade materna no brasil o diabetes junto com a hipertensão arterial é responsável pela primeira causa de mortalidade e de hospitalizações de amputações de membros inferiores e representa ainda 62,1 dos diagnósticos primários em pacientes com insuficiência renal crônica submetidos à diálise.É importante observar que já existem informações e evidências científicas suficientes para prevenir e/ou retardar o aparecimento do diabetes e de suas complicações e que pessoas e comunidades progressivamente têm acesso a esses cuidados neste contexto é imperativo que os governos orientem seus sistemas de saude para lidar com os problemas educativos de comportamento nutricionais e de assistência atenÇÃo bÁsica cadernos de segundo estimativas da organização mundial de saúde o número de portadores da doença em todo o mundo era de 177 milhões em 2000 com expectativa de alcançar 350 milhões de pessoas em 2025 no brasil são cerca de seis milhões de portadores a números de hoje e deve alcançar 10 milhões de pessoas em 2010 um indicador macroeconômico a ser considerado é que o diabetes cresce mais rapidamente em países pobres e em desenvolvimento e isso impacta de forma muito negativa devido à morbimortalidade precoce que atinge pessoas ainda em plena vida produtiva onera a previdência social e contribui para a continuidade do ciclo vicioso da pobreza e da exclusão social.

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8 que estão impulsionando a epidemia de diabetes sobretudo no sentido de reduzir a iniqüidade de acesso a serviços de qualidade por sua vez o ministério da saúde implementa diversas estratégias de saúde pública economicamente eficazes para prevenir o diabetes e suas complicações por meio do cuidado integral a esse agravo de forma resolutiva e com qualidade este caderno de atenção básica traz o protocolo atualizado baseado em evidências científicas mundiais dirigido aos profissionais de saúde da atenção básica sobretudo os das equipes saúde da família que poderão com ações comunitárias e individuais informar a comunidade sobre como prevenir a doença identificar grupos de risco fazer o diagnóstico precoce e a abordagem terapêutica inclusive a medicamentosa manter o cuidado continuado educar e preparar portadores e famílias a terem autonomia no auto-cuidado monitorar o controle prevenir complicações e gerenciar o cuidado nos diferentes níveis de complexidade buscando a melhoria de qualidade de vida da população joão gomes temporão secretário de atenção à saude atenÇÃo bÁsica cadernos de

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1 conceito de diabetes mellitus o diabetes é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia e associadas a complicações disfunções e insuficiência de vários órgãos especialmente olhos rins nervos cérebro coração e vasos sangüíneos pode resultar de defeitos de secreção e/ou ação da insulina envolvendo processos patogênicos específicos por exemplo destruição das células beta do pâncreas produtoras de insulina resistência à ação da insulina distúrbios da secreção da insulina entre outros 9 2 epidemiologia do diabetes o diabetes é comum e de incidência crescente estima-se que em 1995 atingia 4,0 da população adulta mundial e que em 2025 alcançará a cifra de 5,4 a maior parte desse aumento se dará em países em desenvolvimento acentuando-se nesses países o padrão atual de concentração de casos na faixa etária de 45-64 anos no brasil no final da década de 1980 estimou-se que o diabetes ocorria em cerca de 8 da população de 30 a 69 anos de idade residente em áreas metropolitanas brasileiras essa prevalência variava de 3 a 17 entre as faixas de 30-39 e de 60-69 anos a prevalência da tolerância à glicose diminuída era igualmente de 8 variando de 6 a 11 entre as mesmas faixas etárias hoje estima-se 11 da população igual ou superior a 40 anos,o que representa cerca de 5 milhões e meio de portadores população estimada ibge 2005 o diabetes apresenta alta morbi-mortalidade com perda importante na qualidade de vida É uma das principais causas de mortalidade insuficiência renal amputação de membros inferiores cegueira e doença cardiovascular a organização mundial da saúde oms estimou em 1997 que após 15 anos de doença 2 dos indivíduos acometidos estarão cegos e 10 terão deficiência visual grave além disso estimou que no mesmo período de doença 30 a 45 terão algum grau de retinopatia 10 a 20 de nefropatia 20 a 35 de neuropatia e 10 a 25 terão desenvolvido doença cardiovascular mundialmente os custos diretos para o atendimento ao diabetes variam de 2,5 a 15 dos gastos nacionais em saúde dependendo da prevalência local de diabetes e da complexidade do tratamento disponível além dos custos financeiros o diabetes acarreta também outros custos associados à dor ansiedade inconveniência e menor qualidade de vida que afeta doentes e suas famílias o diabetes representa também carga adicional à sociedade em decorrência da perda de produtividade no trabalho aposentadoria precoce e mortalidade prematura atenÇÃo bÁsica cadernos de

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10 3 cuidado integral ao paciente com diabetes e sua famÍlia considerando a elevada carga de morbi-mortalidade associada a prevenção do diabetes e de suas complicações é hoje prioridade de saúde pública na atenção básica ela pode ser efetuada por meio da prevenção de fatores de risco para diabetes como sedentarismo obesidade e hábitos alimentares não saudavéis da identificação e tratamento de indivíduos de alto risco para diabetes prevenção primária da identificação de casos não diagnosticados de diabetes prevenção secundária para tratamento e intensificação do controle de pacientes já diagnosticados visando prevenir complicações agudas e crônicas prevenção terciária o cuidado integral ao paciente com diabetes e sua família é um desafio para a equipe de saúde especialmente para poder ajudar o paciente a mudar seu modo de viver o que estará diretamente ligado à vida de seus familiares e amigos aos poucos ele deverá aprender a gerenciar sua vida com diabetes em um processo que vise qualidade de vida e autonomia este manual apresenta recomendações específicas para o cuidado integral do paciente com diabetes para os vários profissionais da equipe de saúde no processo a equipe deve manter papel de coordenador do cuidado dentro do sistema assegurando o vínculo paciente-equipe de saúde e implementando atividades de educação em saúde para efetividade e adesão do paciente e efetividade das ações propostas às intervenções propostas além disso deve procurar reforçar ações governamentais e comunitárias que incentivam à uma cultura que promove estilos de vida saudáveis abaixo encontram-se algumas ações e condutas que devem fazer parte do trabalho de toda a equipe a fim de garantir o fortalecimento do vínculo a garantia da efetividade do cuidado a adesão aos protocolos e a autonomia do paciente · · oferecer cuidado a todos os pacientes com sensibilidade para aspectos culturais e desejos pessoais na visão de cuidado integral centrado na pessoa encorajar relação paciente-equipe colaborativa com participação ativa do paciente na consulta criar oportunidades para que o paciente expresse suas dúvidas e preocupações respeitar o papel central que o paciente tem no seu próprio cuidado reconhecendo os aspectos familiares econômicos sociais e culturais que podem prejudicar ou facilitar o cuidado assegurar-se de que conteúdos-chave para seu auto-cuidado tenham sido abordados avaliar periodicamente o estado psicológico dos pacientes e sua sensação de bem-estar levando em consideração a carga de portar uma doença crônica respeitando as crenças e atitudes dos pacientes explicitar os objetivos e abordar as implicações de um tratamento longo e continuado atenÇÃo bÁsica cadernos de · ·

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· negociar com o paciente um plano individualizado de cuidado revisando-o periodicamente e mudando-o de acordo com as circunstâncias condições de saúde e desejos do paciente discutir e explicar o plano de cuidado do paciente com os seus familiares com a concordância prévia do paciente incentivar e promover atividades multidisciplinares de educação em saúde para pacientes e seus familiares em grupos ou individualmente levando em consideração aspectos culturais e psicossociais com ênfase no empoderamento e na autonomia do paciente para seu auto-cuidado lembrar que educar não é só informar estimular que os pacientes se organizem em grupos de ajuda mútua como por exemplo grupos de caminhada trocas de receitas técnicas de auto-cuidado entre outros envolver os pacientes nas discussões sobre planejamento de ações dirigidas ao diabetes na unidade aumentando a autonomia e o poder dos pacientes sobre suas próprias condições não esquecer que o especialista em diabetes para cada paciente é o próprio paciente promover a educação profissional permanente sobre diabetes na equipe de saúde a fim de estimular e qualificar o cuidado definir dentro da equipe de saúde formas de assegurar a continuidade do cuidado e orientar os pacientes sobre a forma de prestação desse cuidado continuado agendar as revisões necessárias e fazer a busca ativa dos faltosos providenciar se possível contato telefônico ou visitas domiciliares por membros da equipe entre as consultas agendadas possibilitar pronto acesso ao serviço no caso de intercorrências cadastrar todos os pacientes a fim de favorecer ações de vigilância e busca de faltosos usar os dados dos cadastros e das consultas de revisão dos pacientes para avaliar a qualidade do cuidado prestado em sua unidade e para planejar ou reformular as ações em saúde p.ex proporção de pacientes diabéticos que realizam hemoglobina glicada a1c pelo menos 2 vezes/ano divulgar o conteúdo deste manual entre os outros membros da equipe e entre os pacientes com diabetes que manifestarem interesse 11 · · · · · · · · · · · 4 classificaÇÃo do diabetes há duas formas atuais para classificar o diabetes a classificação em tipos de diabetes etiológica definidos de acordo com defeitos ou processos específicos e a classificação atenÇÃo bÁsica cadernos de

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12 em estágios de desenvolvimento incluindo estágios pré-clínicos e clínicos este último incluindo estágios avançados em que a insulina é necessária para controle ou sobrevivência 4.1 tipos de diabetes classificação etiológica atenÇÃo bÁsica cadernos de os tipos de diabetes mais freqüentes são o diabetes tipo 1 anteriormente conhecido como diabetes juvenil que compreende cerca de 10 do total de casos e o diabetes tipo 2 anteriormente conhecido como diabetes do adulto que compreende cerca de 90 do total de casos outro tipo de diabetes encontrado com maior freqüência e cuja etiologia ainda não está esclarecida é o diabetes gestacional que em geral é um estágio pré-clínico de diabetes detectado no rastreamento pré-natal outros tipos específicos de diabetes menos freqüentes podem resultar de defeitos genéticos da função das células beta defeitos genéticos da ação da insulina doenças do pâncreas exócrino endocrinopatias efeito colateral de medicamentos infecções e outras síndromes genéticas associadas ao diabetes diabetes tipo 1 o termo tipo 1 indica destruição da célula beta que eventualmente leva ao estágio de deficiência absoluta de insulina quando a administração de insulina é necessária para prevenir cetoacidose coma e morte a destruição das células beta é geralmente causada por processo auto-imune que pode se detectado por auto-anticorpos circulantes como anti-descarboxilase do ácido glutâmico anti-gad anti-ilhotas e anti-insulina e algumas vezes está associado a outras doenças auto-imunes como a tireoidite de hashimoto a doença de addison e a miastenia gravis em menor proporção a causa da destruição das células beta é desconhecida tipo 1 idiopático o desenvolvimento do diabetes tipo 1 pode ocorrer de forma rapidamente progressiva principalmente em crianças e adolescentes pico de incidência entre 10 e 14 anos ou de forma lentamente progressiva geralmente em adultos lada latent autoimmune diabetes in adults doença auto-imune latente em adultos esse último tipo de diabetes embora assemelhando-se clinicamente ao diabetes tipo 1 auto-imune muitas vezes é erroneamente classificado como tipo 2 pelo seu aparecimento tardio estima-se que 5-10 dos pacientes inicialmente considerados como tendo diabetes tipo 2 podem de fato ter lada diabetes tipo 2 o termo tipo 2 é usado para designar uma deficiência relativa de insulina a administração de insulina nesses casos quando efetuada não visa evitar cetoacidose mas alcançar controle do quadro hiperglicêmico a cetoacidose é rara e quando presente é acompanhada de infecção ou estresse muito grave.

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a maioria dos casos apresenta excesso de peso ou deposição central de gordura em geral mostram evidências de resistência à ação da insulina e o defeito na secreção de insulina manifesta-se pela incapacidade de compensar essa resistência em alguns indivíduos no entanto a ação da insulina é normal e o defeito secretor mais intenso diabetes gestacional É a hiperglicemia diagnosticada na gravidez de intensidade variada geralmente se resolvendo no período pós-parto mas retornando anos depois em grande parte dos casos seu diagnóstico é controverso a oms recomenda detectá-lo com os mesmos procedimentos diagnósticos empregados fora da gravidez considerando como diabetes gestacional valores referidos fora da gravidez como indicativos de diabetes ou de tolerância à glicose diminuída cerca de 80 dos casos de diabetes tipo 2 podem ser atendidos predominantemente na atenção básica enquanto que os casos de diabetes tipo 1 requerem maior colaboração com especialistas em função da complexidade de seu acompanhamento em ambos os casos a coordenação do cuidado dentro e fora do sistema de saúde é responsabilidade da equipe de atenção básica 13 4.2 estágios de desenvolvimento do diabetes É reconhecido que o diabetes passa por estágios em seu desenvolvimento como ilustrado na figura 1 É importante ao clínico perceber que os vários tipos de diabetes podem progredir para estágios avançados de doença em que é necessário o uso de insulina para o controle glicêmico além disso antes do diabetes ser diagnosticado já é possível observar alterações na regulação glicêmica tolerância à glicose diminuída e glicemia de jejum aterada e o seu reconhecimento pelo clínico permite a orientação de intervenções preventivas estágio normoglicemia regulação glicêmica normal tipo tipo 1 tipo 2 outros tipos diabetes gestacional hiperglicemia regulação glicêmica alterada tolerância à glicose diminuída e/ou glicemia de jejum alterada diabetes mellitus não requer insulina requer insulina requer insulina para controle para sobreviver figura 1 estágios do desenvolvimento do diabetes atenÇÃo bÁsica cadernos de

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14 5 rastreamento e prevenÇÃo do diabetes 5.1 rastreamento do diabetes tipo 2 cerca de 50 da população com diabetes não sabe que são portadores da doença algumas vezes permanecendo não diagnosticados até que se manifestem sinais de complicações por isso testes de rastreamento são indicados em indivíduos assintomáticos que apresentem maior risco da doença apesar de não haver ensaios clínicos que documentem o benefício resultante e a relação custo-efetividade ser questionável fatores indicativos de maior risco são listados a seguir · · · · · · · · · idade >45 anos sobrepeso Índice de massa corporal imc >25 obesidade central cintura abdominal >102 cm para homens e >88 cm para mulheres medida na altura das cristas ilíacas antecedente familiar mãe ou pai de diabetes hipertensão arterial 140/90 mmhg colesterol hdl d 35 mg/dl e/ou triglicerídeos e 150 mg/dl história de macrossomia ou diabetes gestacional diagnóstico prévio de síndrome de ovários policísticos doença cardiovascular cerebrovascular ou vascular periférica definida atenÇÃo bÁsica cadernos de indivíduos de alto risco requerem investigação diagnóstica laboratorial com glicemia de jejum e/ou teste de tolerância à glicose como discutido na próxima seção alguns casos serão confirmados como portadores de diabetes outros apresentarão alteração na regulação glicêmica tolerância à glicose diminuída ou glicemia de jejum alterada o que confere maior risco de desenvolver diabetes a caracterização do grau de risco não está padronizada para merecer avaliação laboratorial e colocar um paciente assintomático sob suspeita alguns sugerem a presença de vários dos fatores de risco acima a tendência crescente é a de se usar um escore de fatores de risco semelhante aos empregados na avaliação do risco cardiovascular É bem provável que no próximo manual já esteja definido qual o escore a ser adotado casos em que a investigação laboratorial for normal deverão ser investigados a cada 3-7 anos dependendo do grau de suspeita clínica.

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5.2 prevenção está bem demonstrado hoje que indivíduos em alto risco com tolerância à glicose diminuída podem prevenir ou ao menos retardar o aparecimento do diabetes tipo 2 por exemplo mudanças de estilo de vida reduziram 58 da incidência de diabetes em 3 anos essas mudanças visavam discreta redução de peso 5-10 do peso manuntenção do peso perdido aumento da ingestão de fibras restrição energética moderada restrição de gorduras especialmente as saturadas e aumento de atividade física regular intervenções farmacológicas p.ex alguns medicamentos utilizados no tratamento do diabetes como a metformina também foram eficazes reduzindo em 31 a incidência de diabetes em 3 anos esse efeito foi mais acentuado em pacientes com imc 35 kg/m2 casos com alto risco de desenvolver diabetes incluindo mulheres que tiveram diabetes gestacional devem fazer investigação laboratorial periódica para avaliar sua regulação glicêmica a caracterização do risco é feita de modo semelhante àquela feita para suspeita de diabetes assintomático discutida acima 15 6 diagnÓstico de diabetes e da hiperglicemia intermediÁria 6.1 principais sintomas de diabetes os sintomas clássicos de diabetes são poliúria polidipsia polifagia e perda involuntária de peso os 4 ps outros sintomas que levantam a suspeita clínica são fadiga fraqueza letargia prurido cutâneo e vulvar balanopostite e infecções de repetição algumas vezes o diagnóstico é feito a partir de complicações crônicas como neuropatia retinopatia ou doença cardiovascular aterosclerótica entretanto como já mencionado o diabetes é assintomático em proporção significativa dos casos a suspeita clínica ocorrendo então a partir de fatores de risco para o diabetes 6.2 exames laboratoriais para o diagnóstico de diabetes e de regulação glicêmica alterada resumidamente os testes laboratoriais mais comumente utilizados para suspeita de diabetes ou regulação glicêmica alterada são · glicemia de jejum nível de glicose sangüínea após um jejum de 8 a 12 horas jejum atenÇÃo bÁsica cadernos de

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