CHICOS 33

 

Embed or link this publication

Description

A e-zine literária de Cataguases MG Brasil

Popular Pages


p. 1



[close]

p. 2

chicos n 33 dezembro 2011 e-zine de literatura e idéias de cataguases ­ mg capa dedim de prosa esta é nossa última edição de 2011 publicada no último dia do ano portanto desejamos a todos um ótimo 2012 nosso maior poeta chico cabral nos presenteia com uma fornada de magnifico poemas saboreiem com prazer são como os finos pães de um divino boulanger stephen crane surgiu numa conversa de bar e resolvemos compartilhar com vocês um pouco sua poesia de gabriel franco sobre foto de vicente costa apresentamos pallottini dois poemas da paulistana renata marcelo benini reaparece por aqui com seus belíssimos editores emerson teixeira cardoso josé antonio pereira passarinhos um poema do último livro de ronaldo cagiano vertido para o espanhol por mariano shifman colaboradores desta edição Álvaro alves de faria antônio perin césar cantoni eloah f giacomelli flausina márcia da silva francisco marcelo cabral marcelo benini mariano shifman renata pallottini ronaldo cagiano apresentamos a vocês mais um poeta argentino desta vez é césar cantoni de la plata o baiano de itaobim antônio perin nos fala de um catador de latinhas em havana josé antonio pereira viaja no tempo em uma crônica sobre cataguases publicamos aqui o fantástico discurso de saint ­john perse quando de sua premiação com o prêmio nobel flausina márcia da silva nos fala de sua recente leitura de fale conosco em o livro de joão de rosário fusco emerson teixeira cardoso faz um breve relato das atividades do cac grupo que sacudiu cataguases nos anos 60 o poeta Álvaro alves de faria revela sua indignação com ube ­ união brasileira de escritores chicos.cataletras@hotmail.com visite-nos em http chicoscataletras.blogspot.com 1

[close]

p. 3

sumário chico cabral poema e outros inéditos stephen crane quatro poemas renata pallottini alguma coisa e outro poema marcelo benini três estudos para passarinho ronaldo cagiano de las cosas y su ritmo cÉsar cantoni dizia minha avó espanhola e outros poemas antÔnio perin os relógios do cubano mariano shifman a entrega josÉ antonio pereira a pracinha da fábrica velha saint ­ john perse poesia ­ discurso de estocolmo ­ 1960 flausina mÁrcia da silva deu vontade de resenhar emerson teixeira cardoso teatro versos teatro a epopeia do cac Álvaro alves de faria ube a entidade dos escritores ignora a poesia 03 07 12 14 16 18 20 23 28 30 34 37 39 2

[close]

p. 4

escrevo para a voz e para o ouvido palavras que destecem suas redes e nós na trilha elástica dos versos do ritmo português do decassílabo escrevo para dar carne à palavra para que brilhe nos sinos da fala abra sua corola de ouro rubro e atinja seu fulgor de jóia cara escrevo para o brilho e a beleza da fala em seus concertos e conflitos a palavra centelha impermanente escrevo-a para vós e para o olvido 3

[close]

p. 5

que marcas do teu rosto no meu rosto se acentuam com o tempo construindo uma cópia imperfeita de ti saturado de poemas alheios busquei os meus no côncavo de minhas pegadas tão longe não fui nem tão fundo mas de qualquer forma toquei o mundo e me deixei tocar por seu milagre inconcluso insisto em bater à porta das palavras e que o poema me encontre preparado para o seu mistério 4

[close]

p. 6

deitada de costas de seu corpo se desprende o odor de um cardume de prata enquanto a maré lava as dunas nas ressacas do outono seus braços em arco sob a nuca tecem uma grinalda de boninas e madressilvas em sua boca se abandonam entre suas coxas um tufo de capim dourado ilumina as pétalas de sua rosa profunda espreguiça à música dos pássaros daqui a pouco abrirá os olhos e o mundo será como uma laranja perfumado 5

[close]

p. 7

para marcus vinicius quiroga na sala da rua duvivier o cheiro de jasmins colhidos em jardim público e a presença do gato sucumbem ao odor das bananas e peras que perecem à espera do poema num canto da mesa de ferreira gullar 6

[close]

p. 8

stephen crane 1871-1900 embora figura menor no cenário da literatura norte-americana foi contudo um precursor da revolução literária americana tradições que do rompeu passado com até as então poesia recentemente publicada e então considerada dickinson crane reagiu com enorme empatia à poesia de caráter radical de emily hoje universalmente reconhecida como um dos gêneros poéticos como da literatura dêsse americana resultado excêntrica de emily predominantes nos eua na ficção maggie a girl of the streets 1893 é o primeiro romance norteamericano experimentalista e verdadeiramente assim no seu naturalista crane contudo era um segundo romance the red badge of courage 1895 e nos seus primeiros contos produziu os primeiros exemplos do moderno impressionismo americano foi william dean howells um dos seus pais literários que o introduziu à contato crane passou a compor poesias de um impressionismo imagístico vinte anos antes do aparecimento do movimento que se tornaria conhecido como imagismo durante sua vida crane publicou dois volumes de poesia the black riders and others lines 1895 e war is kind 1899 a tuberculose ceifou o poeta na alemanha para onde fôra esperançoso de recuperar a saúde 7

[close]

p. 9

i um deus irado estava surrando um homem esbofeteava-o ruidosamente com pancadas trovejantes que reboavam e retumbavam sôbre a terra o povo todo veio correndo o homem gritava e lutava e mordia furiosamente os pés do deus o povo exclamou ah que homem maldoso e ah que deus formidável 8

[close]

p. 10

ii no deserto vi uma criatura nua bestial que agachada ao chão segurava nas mãos o seu coração e dêle comia perguntei É gostoso amigo É amargo amargo êle respondeu mas gosto dêle por ser amargo e por ser meu coração 9

[close]

p. 11

iii vi um homem perseguindo o horizonte em círculos iam disparando um atrás do outro perturbei-me com isso abordei o homem É em vão eu disse você nunca poderá mentiroso êle exclamou e continuou a correr 10

[close]

p. 12

iv deus jazia morto no céu anjos cantavam o hino do fim os ventospúrpuros repetiam gemidos suas asas gôta a gôta sangue derramavam sôbre a terra esta padecente coisa tornou-se negra e definhou-se então negra e definhou-se então das cavernas distantes de pecados mortos saíram monstros lívidos de desejo lutaram brigaram por causa do mundo um naco mas da total tristeza isso foi triste os braços de uma mulher tentando proteger a cabeça de um homem adormecido contra as maxilas da última fera traduzidos por eloah f giacomelli 11

[close]

p. 13

renata pallottini nasceu na cidade de são paulo em 20 de janeiro de 1931 cursou direito filosofia e dramaturgia escreveu e produziu trabalhos para teatro e televisão entre os quais vila sésamo malu mulher e joana publicou vários livros de poesia prosa teatro e ensaios desde 1957 tendo recebido diversos prêmios por seus trabalhos foi professora da escola de comunicações e artes eca e da escola de arte dramática ead da universidade de são paulo além de ministrar cursos de dramaturgia no brasil e no exterior desde 1988 faz parte do corpo docente da escuela internacional de cine y television de san antonio de los baños em cuba coordenou e participou daanthologie de la poésie brésilienne publicada em paris em 1998 e que reuniu quatro séculos de literatura brasileira no mesmo ano integrou o júri do prêmio casa de las américas em cuba vive em são paulo e às vezes em atibaia alguma coisa fica do caminhar contínuo e deste sono alguma folha fica da primavera no outono algum fruto algum gesto alguma voz alguma coisa frutifica e fica em nós 12

[close]

p. 14

corta-se o vinho o sal corta-se o pão corta-se toda preocupação deita-se o corpo à noite no edredon e se tenta dormir como se nada fosse no meio de tudo isso a divisão na face dos amantes o amargor quando se corta o doce o sexo o amor quando se corta a vida as formas de carinho quando se corta a vida não o sal não o vinho 13

[close]

p. 15

três estudos para passarinho i problema oblíquo tenho um pássaro nas mãos o que fazer soltá-lo e perdê-lo ou guardá-lo e perdê-lo 14

[close]

Comments

no comments yet