eisFluências - Revista Literária e Informação

 

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eisFluências - Revista Literária e Informação eisFluências - Literary Magazine and Information Revista de Natal de 2011 Christmas Supplement Revista literária e informação em lingua portuguesa e eventualmente com artigos em espanhol Literary m

Popular Pages


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issn 2177-5761 issn 2177-5761 9 772177 576008 revista bimestral dezembro/2011 o presÉpio ­ arte e histÓria por carmo vasconcelos suplemento do natal a palavra presépio deriva do latim praesepium que quer dizer curral estábulo ou lugar de recolha de gado a cena da natividade é a junção das descrições do nascimento no evangelho de são lucas 2 7 e 12 e são mateus 2 11 enriquecida com o burro e a vaca isaias 1:3 com a representação dos reis magos e claro com os pastores que avisados pelos anjos têm conhecimento do nascimento do salvador além de uma multiplicidade de figurantes que pontuam o presépio reza a história que a tradição desta tipologia de representação nasceu a partir de um presépio realizado por s francisco de assis em greccio itália no natal de 1223 nesse ano em vez de festejar a noite de natal na igreja como era seu hábito o santo fê-lo na floresta de greccio para onde mandou transportar uma manjedoura um boi e um burro para melhor explicar o natal às pessoas comuns camponeses que não conseguiam entender a história do nascimento de jesus o costume espalhou-se por entre as principais catedrais igrejas e mosteiros da europa durante a idade média começando a ser montado também nas casas de reis e nobres já durante o renascimento em 1567 a duquesa de amalfi mandou montar um presépio que tinha 116 figuras para representar o nascimento de jesus a adoração dos reis magos e dos pastores e o cantar dos anjos foi já no século xviii que o costume de montar o presépio nas casas comuns se disseminou pela europa e depois pelo mundo o presépio em portugal em portugal o presépio tem tradições muito antigas e enraizadas nos costumes populares este é montado no início do advento sem a figura do menino jesus que só é colocada na noite de natal depois da missa do galo tradicionalmente é perto do presépio que são colocados os presentes que são distribuídos depois de se colocar a imagem do menino jesus o presépio é desmontado a seguir ao dia de reis na maioria das cidades o presépio é montado pelas autarquias e em algumas tenta-se ter o maior presépio no entanto foi alenquer que ganhou o epíteto de vila presépio depois de em 1968 ter iniciado a tradição de montar um gigantesco presépio elaborado pelo pintor Álvaro duarte de almeida numa das colinas da cidade por sua vez no alentejo o presépio mais característico é o de estremoz as cenas da natividade modeladas ao modo de estremoz resultam do trabalho das barristas de adaptação ao gosto e tradição local dos grandes presépios realizados em barro por artistas como joaquim machado de castro a primeira cena da natividade portuguesa está representada num capitel do mosteiro de celas coimbra e é do séc xiii/xiv no séc xvi surgem como hoje os conhecemos sendo de influência flamenga e napolitana em seiscentos diminuem de tamanho e são colocados dentro de uma maquineta no séc xviii atingem um elevado grau de aparato devido a d joão v que chamou ao país a elite dos artistas europeus que trabalhando com artistas portugueses lhes terão renovado o gosto alguns dos artistas tornaram-se presepistas referimo-nos a joão policarpo da silva joaquim machado de castro antónio ferreira faustino rodrigues e joaquim laborão os quais não temeram embarcar pelo barro dando ao presépio um gosto popular tão bem aproveitado pelos centros cerâmicos nacionais como estremoz na centúria seguinte a tradição decaiu apontam-se como principais causas o fim das ordens religiosas 1834 e a nova moda introduzida pelo rei de origem alemã d fernando ii que traz para portugal a Árvore de natal no princípio do séc xx o presépio estava em desuso durante o estado novo 1933 a 1974 procurou-se incentivar a utilização do presépio em detrimento da estrangeira Árvore de natal a tradição conhece um novo alento quanto ao presépio em estremoz destaca-se o da tradição cerâmica tendo em conta a tradição presepista franciscana acreditamos que foram estes que o introduziram em estremoz não se conhecem exemplares anteriores ao séc xviii as cenas da natividade de setecentos feitos ao modo de estremoz resultam do trabalho das barristas de adaptação ao gosto e tradição local dos grandes presépios realizados em barro pela chamada escola de mafra a cena era composta pela sagrada família o menino não estava uma manjedoura e o s josé a virgem estavam ajoelhados por três reis magos a pé surgem a cavalo por inovação de mariano na cena observavam-se vários ofertantes múltiplas figurinhas que representavam cenas da vida real como o pastor a dormir

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02 eisfluências suplemento de natal 2011 a mulher a fiar a mulher a fazer chouriços mulher a assar castanhas mulher com galinhas mulher com perus pastor com carneiro às costas pastor a fazer as migas entre outras que eram colocadas sobre a enorme mesa onde se explanava o vasto presépio que podia ser anualmente completado com mais uma série de peças pedidas por encomenda às barristas em novecentos assiste-se à estilização e popularização na modelação dos presépios locais no século seguinte estavam praticamente em desuso eram raras as encomendas entretanto durante o estado novo a barrística conhece um novo alento e conhece também uma inovação nos presépios que substituiu a antiga tradição o presépio de estremoz é actualmente muito solicitado aos barristas sendo uma peça realizada por todos eles também os artesãos que trabalham outras matérias-primas como cortiça madeira ou metal têm nos últimos anos iniciado um trabalho de grande interesse na representação da natividade no ano de 2007 o museu municipal de estremoz organizou a representação portuguesa na cidade italiana de grottaglie em 2008 e 2009 este mesmo museu municipal realizou exposições colectivas de artesanato sobre a temática tendo a primeira sido no centro cultural e a seguinte no salão nobre da câmara municipal actualmente a tradição mantém-se mais viva do que nunca e muitas autarquias por todo o país concorrem anualmente entre elas pela apresentação do maior e mais bonito presépio de natal veja-se o presépio gigante de vila real de santo antónio algarve neste ano de 2011 que comporta mais de 16 toneladas de areia cerca de dois mil quilos de pó de pedra e 1500 quilos de cortiça uma estrutura de madeira de 170 metros quadrados em parte coberta por 100 metros quadrados de musgo e mais de quatro mil figuras que lhe dão vida http www.lux.iol.pt/nacionais/conheca-o-presepio-gigante-do-algarve-presepio-algarve/1307237-4996.html subsídios wikipédia pesquisa e composição de carmo vasconcelos lisboa/portugal/natal 2011 os natais da minha infÂncia por carmo vasconcelos ah e os natais esses não esqueci havia o presépio que nós próprios armávamos uma montanha feita de cartão amolgado e forrado de papel de seda onde colávamos erva e areia e onde não faltava o rio onde bebiam as ovelhinhas imitado toscamente por um velho caco de espelho e na gruta uma caixa de sapatos bem disfarçada o burro a vaquinha e os três reis magos majestosos nos seus camelos de barro tudo se nos afigurava tão real que até o menino jesus nas palhinhas entre o s josé e a virgem maria parecia sorrir para nós depois o grande pinheiro natural colocado a um canto da sala que enfeitávamos de bolas e fitas multicores e pequeninas lâmpadas que ora acendiam ora apagavam num piscar ininterrupto e na hora das prendas as bonecas umas de celulóide outras de pano com cabecinhas de porcelana os miniaturais serviços de chá os pianos os xilofones ­ brinquedos que o padrinho escolhia pessoalmente na quermesse de paris junto à praça dos restauradores hoje desaparecida trucidada pelos grandes centros comerciais ainda me recordo do meu primeiro desgosto quando o meu irmão eduardo arrancou as pernas e os braços à minha boneca preferida sabe que ainda a tenho mandei consertá-la no hospital das bonecas mais tarde vieram os livros de histórias de fadas e princesas os puzzles as ardósias com giz de cores era uma festa ainda retenho no nariz o cheiro que vinha da cozinha uma mistura de bacalhau cozido com grelos peru assado filhoses e rabanadas e que dizer da ingenuidade com que colocávamos o sapatinho na chaminé duvidando infantilmente se o menino jesus se lembraria de nós só o saberíamos depois da ceia que se iniciava impreterivelmente à meia-noite entretanto preparávamos pequenas trouxas de roupas usadas embrulhos com doces acabados de fazer e alguns brinquedos já postos de lado e descíamos à rua onde fazendo nós próprios de meninos-jesus os ofertávamos às crianças menos afortunadas mas mais do que a ceia e todas as guloseimas que ela implicava mais do que os brinquedos o pinheiro e o presépio o que ficou gravado em mim até hoje foi a alegria o calor humano o espírito de família e de solidariedade a campainha da porta que não parava de tocar trazendo sempre mais um e para que ninguém ficasse sem a sua prenda alguns chegavam de surpresa nós que não tínhamos mesada como as crianças de hoje recolhíamos os tostões dos nossos mealheiros e corríamos à rua para comprar à pressa mais um cartão de natal uma caixinha uma caneta uma bugiganga qualquer que embrulhávamos e atávamos com papéis e laços coloridos como se fosse a prenda mais valiosa do mundo não era o valor do conteúdo que contava mas a alegria de dar distribuir isso nos fora ensinado pelo exemplo excerto do romance o vértice luminoso da pirâmide in http www.delnerobookstore.com/bibliotecas_virtuais/carmo_vasconcelos carmo vasconcelos lisboa/portugal ficha tÉcnica director victor jerónimo portugal/brasil directora cultural carmo vasconcelos portugal responsável pela redacção mercêdes pordeus brasil design gráfico e composição victor jerónimo nosso sítio http www.eisfluencias.ecosdapoesia.org conselho de redacção abilio pacheco brasil carlos lúcio gontijo brasil humberto rodrigues neto brasil luiz gilberto de barros brasil marco bastos brasil petrônio de souza gonçalves brasil rosa pena brasil correspondentes alemanha antónio da cunha duarte justo argentina maría cristina garay andrade bielorussia oleg almeida brasil elizabeth misciasci cabo verde nuno rebocho espanha maría sánchez fernández revista de eventos actualidades notícias culturais político/sociais e outras mas sempre virada à directriz cultural nas suas várias facetas propriedade de mercêdes batista pordeus barroqueiro recife/pe/brasil tiragem 100 ex distribuição gratuíta divulgação via internet depósito legal lei do depÓsito legal lei n° 10.994 de 14 de dezembro de 2004 biblioteca nacional brasil isnn 2177-5761 contacto eisfluencias@gmail.com dois anos 2009-2011

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eisfluências suplemento de natal 2011 03 natais e anos realmente novos por carlos lúcio gontijo não é fácil introduzir nos poucos jornais que ainda mantêm página destinada à publicação de opiniões qualquer assunto relativo à promoção da cultura defensora de valores que é tratada como se não fosse assunto inerente à política uma atividade tomada apenas como sinônimo de exposição radical de crítica ferrenha a favor ou contra o governo a grande realidade é que se nossos representantes congressuais são ruins relapsos descompromissados e corruptos com os que se dizem bons e honestos se nos apresentando incapazes de quebrar o corporativismo e expurgar a parte podre com que se misturam promiscuamente a responsabilidade e ônus recaem exatamente sobre a inexistência de apoio mais efetivo à educação e à cultura que são as ferramentas capazes de ampliar o nível educacional o grau de conhecimento e ao mesmo tempo através da arte da poesia e da literatura sensibilizar o cidadão no tocante à ética e à necessidade de praticar a gentileza e o amor ao próximo na convivência social escrevemos artigos há mais de trinta anos fomos editorialistas de jornal durante muito tempo e editamos livros desde 1977 levando sempre em conta que o mal o bem a violência e o descompromisso social são fenômenos que não se dão por geração espontânea ou seja eles são o fruto de sementes cultivadas pela própria sociedade que anda descuidando até da educação de suas crianças hoje presas em seus apartamentos e estimuladas a crescerem antes da hora queimando etapas e alcançando a sexualidade antes do momento marcado pelo relógio biológico vivemos a era da competitividade desmedida e da pressa na qual a vida é levada como se fosse uma espécie de fast-food que deve ser comido numa só bocada sem a paciência de saborear nem degustar até mesmo a literatura experimenta o afogadilho do imediatismo com os seus agentes e autores pretendendo sucesso retumbante mesmo antes de construir obra consistente que muitas vezes se reveste de restrito e pequeno reconhecimento a sofreguidão e o açodamento com que buscamos nossa realização como pessoa e seres humanos estão nos extirpando a capacidade de ver a vida como uma bênção divina e assim mesmo com a ciência nos propiciando o esperado alongamento da longevidade a sensação que temos é de que jamais nos daremos por satisfeitos jamais nos veremos como pessoas realizadas uma vez que além de não estabelecermos metas e nem nos contentarmos com coisa alguma ainda nos especializamos em caminhar de olho no quintal do vizinho onde a grama sempre nos parece mais verde somente por intermédio da democratização do acesso ao ensino de qualidade e a ampla oferta de boa cultura para todos é que poderemos assistir à construção de uma sociedade em que o sucesso individual seja entendido como materialização da possibilidade de conhecermos o nosso propósito na vida crescermos para atingir o nosso potencial máximo e lançarmos sementes que beneficiem outras pessoas aí sim caro leitor e cara leitora cristo renascerá para sempre no natal e todos os anos serão definitivamente novos carlos lúcio gontijo poeta escritor e jornalista www.carlosluciogontijo.jor.br faces natalinas carlos lúcio gontijo no natal a humanidade se vê a salvo alvo de mais um milagre do criador que oferece o filho ao vinagre do sacrifício transformado em seu eterno ofício de morrer crucificado pelo ser humano envolvido nos panos frios do desamor para tristeza dos rios de dor do cristo rei que num misto de entrega e consternação não se nega a ter duas faces natalinas um cristo que renasce em boa-nova de criança outro que prova a sina da cruz mortal ao lado do jesus-menino os da primeira hora o pai são josé a mãe nossa senhora enquanto no cortejo do enterro penitente um punhado de gente em erro e desvelos agradece a cristo pela remissão dos pecados sob a certeza de que irá recometê-los conforme lhe aponta a cultura da ceia pagã gestora de um cristo pagador de conta alheia jesus salvador carlos lúcio gontijo do menino-jesus todos se sentem donos assentados no trono frio do egoísmo humano fazem-no patrono da eterna crucificação depositário fiel de repetida salvação relicário dos céus à disposição do pecador pincel miraculoso a nos renovar a cor apontando-nos o amor como iluminada prece oração da qual jamais se esquece o criador www.carlosluciogontijo.jor.br

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04 eisfluências suplemento de natal 2011 da nossa correspondente maría sánchez fernández Úbeda espanha los gozos de la virgen niña maría sánchez fernández ¿qué le ocurre a mi ser que se estremece ¿por qué mi corazón se ha enternecido me siento tan feliz que ya he sentido una aurora de amores que se mece en mi alma y de gozo la adormece con los trinos de un canto enaltecido que se inflama y se inflama enardecido y en dulzores de mieles crece y crece ¡rosada primavera de mi vida ¿qué divinos amores te enajenan que iluminan tus risas de templanza ¡dulcísimos anhelos que me llenan de tiernas inquietudes y esperanza y colman mi existencia nunca herida un lucerillo que sueña maría sánchez fernández una estrella se ha vestido con blanco traje de cola y está cantando una nana a un lucerillo que llora duerme lucero chiquito duerme en brazos de la aurora la noche te ha regalado susurros de plata y sombra y el lucero se ha dormido y sueña con caracolas con risas blancas de nieve con susurros de palomas y sueña que en un pesebre un pastorcillo le adora maría sánchez fernández del libro infantil retablo de navidad dibujos emilio sánchez fernández un lucero se ha caído maría sánchez fernández un lucero se ha caído de los jardines del cielo y cansado de su vuelo sobre paja se ha dormido el lucero ha despertado en los brazos de una estrella envuelto en canción tan bella que a su sueño se ha tornado el lucero ha sonreído al ver un rayo de luna y la estrella que lo acuna con sus rayos lo ha dormido os mando un montaje de fotos muy bonito de Úbeda en la noche de esta navidad http photopeach.com/album/ibnd87

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eisfluências suplemento de natal 2011 05 as galinhas por josé geraldo martinez eu não gostava muito do natal não podia ser diferente nessa data era comum encontrar mamãe chorando o motivo imagino que seriam vários a falta de dinheiro para a compra de presente para os sete filhos o trabalho braçal de papai na roça e a pobreza que nos acompanhava desde sempre uma fileira de filhos em escadinha não era fácil de cuidar e mamãe para controlar a algazarra e traquinagens decidiu doar a cada um deles uma galinha sim uma galinha apenas um detalhe cada um deveria cuidar da sua com muito zelo e cuidado buscar os ovos cuidar dos pintinhos enfim cada qual seria responsável pelo futuro do galináceo ou uma boa surra com varinha de marmelo ou um chicote rabo de tatu resolveria a questão facilmente o objetivo de mamãe era deixar os filhos ocupados com alguma coisa após o retorno escolar não precisava tanto com certeza caminhávamos mais ou menos oito quilômetros todos os dias antes mesmo do sol nascer para chegarmos à tímida escolinha na beira da estrada difícil seria imaginar que algum garotoa teria energia para brincadeiras tão pouco cuidar de galinhas porém o castigo nos esperava e não havia outra alternativa assim elas foram ganhando nomes carijó neguinha dourada curiosa cinzenta botava ovos azuis chitada e preguiçosa nunca botou um ovo ou pelo menos o seu ninho nunca foi encontrado É claro que uma criança sem brinquedo e pobre acabava se afeiçoando aos bichinhos e sua ninhada de pintinhos pois além de tratá-los era uma oportunidade para uma escapadinha à procura dos ovos pelo terreiro e até degustar algumas frutas perdidas no pomar cada filho teria que trazer o seu ovo todos os dias claro a tal preguiçosa não poupava meu irmão de muitas surras e eu chegava ao ponto de dividir a minha colheita com ele e as surras também não demorou para mamãe condená-la à panela e apesar dos gritos do meu irmão que ainda gostava da bichinha seu destino foi terrível morreu degolada no dia de natal como a gente podia gostar dessa data como seria o próximo natal quem morreria outra vez carijó dourada curiosa cinzenta chitada como se não bastasse morreu no natal passado o guloso um porquinho piau criado na mamadeira por papai e nós a gente o coçava e ele deitava fogoso em nossos pés enquanto as crianças exibiam seus brinquedos nos arredores da fazenda filhos dos grandes latifundiários restava-nos espiar e por algumas vezes até questionar papai noel por que ele nos esquecia seria tão difícil poupar os nossos bichinhos a cada natal uma ia embora e no outro ano foi a vez da dourada mamãe dizia que ela estava velha e daí não viu que maria chorava a morte da bichinha pediu até para morrer em seu lugar o fato é que naquela pobreza papai nos surpreendeu um dia chegado o natal fora condenada à morte a carijó Água fervendo no fogão à lenha e a galinha amarrada pelos pés zenaide já gritava ao redor da bichinha e pedia clemência foi quando apareceu um papai noel desarrumado com barbas visíveis de algodão mal colocadas um saco vermelho e remendado e com a voz cansada foi se aproximando de carijó soltou a galinha no terreiro para a alegria de zenaide e de todos nós sentou-se à mesa da cozinha e tirou do seu saco uma tubaína uma garrafa de vinho e uma lata de sardinha não demorou e o macarrão estava pronto aquelas mãos ásperas não conseguiam esconder os calos um porquinho fora tirado do saco e de mão em mão fora acariciado pelos pequeninos pitoco será o nome dele gritou aparecido palhaço É todo cheio de graça gritou lourdes rabicó não é legal sugeriu maria esse ninguém vai matar papai noel perguntou zenaide no rádio tocava noite feliz e nossa pequena árvore de natal feita com goiabinhas verdes e seriguelas vermelhas amarradas a uma folha de palmeira guardava um só pedido papai noel salve as nossas galinhas pena que papai perdeu tudo foi receber o pagamento na sede da fazenda depois de algum tempo ele retornou e ainda teve o cuidado de nos beijar no rosto escutar a nossa cantoria e risos mamãe parecia abraçá-lo aliviada josé geraldo martinez poeta escritor cronista contista www.josegeraldomartinez.blogspot.com noel abilio pacheco nunca entendera direito o porquê de seu nome na escola as brincadeiras e gozações duravam o ano todo mas pioravam em dezembro na idade adulta uniam nome e homem punham-lhe barba gorro e roupas vermelhas nos anos em que as finanças estavam complicadas para ganhar um extra a solução era incorporar o bom velhinho em lojas de brinquedo e de departamento nesses anos o ano novo mais lhe trazia melancolia que esperança renovada no último natal não era necessário faturar um extra mesmo assim vestiu-se de vermelho pôs gorro barba barriga gargalhada e voz rouca com um saco de pano nas costas partiu rumo à carruagem com renas e anões que o esperava em frente ao shopping sentou-se às rédeas disse os nomes das renas e uma por uma moveu orelhas e abriu olhos aí soltou a inconfundível gargalhada brandiu a brida e adejou pelos céus de dezembro www.abiliopacheco.com.br

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06 eisfluências suplemento de natal 2011 da nossa correspondente maria cristina garay andrade buenos aires argentina al niÑo jesÚs maría cristina garay andrade que ternura eres mi niño y renacerás eternamente sin espacio y sin tiempo inmortalmente futura formación de familias sujetas al pasado de tu paso por la tierra jamás será olvidado a venerarte con devoción me inclino ante tus ojos piadosos que irradian albor divino en mi pasaje efímero por la tierra continúo la tradición del mesías que contando perpetúo en la historia del mundo no hay otro niño por el cual linajes con insondable cariño festejemos en contemplación tu cumpleaños consagrando los hogares reunidos todos los años en la noche de suplicas cuando suenen las doce mi niño adorado te acunaremos con goce cadena de plegarias bienaventuranzas con serenidad anhela misericordia y bonanza toda la sociedad trovadoras campanas cortejan tu nombre anuncian de dios a su hijo hecho hombre cortando el silencio un coro de ángeles entonan seráficos el adestes fideles del reloj las agujas giran afanosas por saludar a un país hermano un mail con júbilo mandar al amigo querido vínculo del mundo virtual a pesar de la diferencia horaria prodigio a la net actual y el niñito jesusito de casa en casa renacerá y en su humilde pesebre como simiente nos legará para recordarlo siempre que dio su vida con benignidad por la misericordiosa salvación de toda la humanidad a mi niÑo maria cristina garay de andrade llevare en la noche mi mano extendida la creación en guerras ronda aturdida el niño busca afanoso el amor en la tierra en soledad muy triste a la esperanza entierra al escuchar su llanto en doliente letanía ¿despertará la conciencia que dormida vivía ¿vestirá sus galas la voluntad envuelta en sedas ¿acudirá la humildad para que tu amistad le concedas diademas de luces acicala la vida coqueta un pino frondoso adorna orgulloso el planeta regalos y dulces preparan sin cargo las fiestas y todo nos dice la navidad de los pobres esta cerca y mi niño olvidado nuevamente a ciegas deambulando por calles totalmente desiertas esperando las doce que anuncie la cometa bella y destellen lumbres iluminando estrellas montaré en un trineo de besos cargado Ángeles disfrazados de renos viajaran a mi lado el dios de los pobres acompañará mi trayecto a quien no le sobra en el alma un poco de afecto incansable la vuelta que daré por el mundo fantasear que a muchos la idea transfundo repartiendo a los humildes abrazos fecundos en constante lluvia de te quieros segundo a segundo monte grande ­ buenos aires argentina quem dera astircarr quem dera que do mundo acabassem todas as guerras a destruição quem dera que o mundo acordasse e encontrasse no outro o olhar de um irmão quem dera que a fome acabasse e todos tivessem ao menos um pão o mundo seria mais justo e humano mais forte e unido sem discriminação quem dera que todos soubessem que nada existe sem o amor e o perdão os fortes seriam amigos dos fracos auxiliando nas lutas pela paz e união quem dera que os povos soubessem que não existem fronteiras para um coração a paz então reinaria entre todos os seres pois somos irmãos quem dera que todos soubessem que nada se leva desse rincão estamos só de passagem entenda isso agora ainda há tempo meu irmão feliz natal araraquara/sp/br

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eisfluências suplemento de natal 2011 07 devaneios natalinos conto de ary franco durante a noite sou despertado por uma luz intensa que invadiu o quarto em que dormia o relógio digital sobre a mesinha de cabeceira marcava 2:34h assusto-me ao ver um homem estranhamente vestido envolto em um manto sentado ao pé da minha cama e um menino de uns quatorze anos em pé atrás dele sinto que aquela figura me é familiar muito embora nunca tenha sido bom fisionomista faço menção de sentarme mas não consigo e ao mesmo tempo quero indagar quem é você o que o senhor faz aqui no meu quarto mas minha voz não sai para surpresa minha a pessoa responde-me sem pronunciar uma única palavra ­ nada temas vim em paz para visitar-te chamo-me jesus sou teu irmão portanto não me trates por senhor atônito paralisado ouço ao lado minha esposa ressonando alheia ao que estava se passando ­ jesus cristo e quem é este menino atrás do senh de você ­ este é o teu protetor acompanha-te desde que nascestes e costumas chamá-lo de anjo da guarda em tuas orações ­ mas ele não tem asas ambos sorriem e continuamos falando-nos sem palavras proferidas apenas em pensamentos transmitidos telepaticamente ­ já que não voas para acompanhar-te ele não necessita de asas ­ a que devo sua sublime visita se és realmente quem dizes ser ­ como já expliquei vim visitar-te aproveito para pedir que intensifiques as ajudas que prestas ao próximo sei que podes fazer mais do que tens feito quando fores chamado pelo nosso pai é preciso que carregues em tua bagagem apenas coisas leves importantes e essenciais que facilitem tua subida até ele enche-a de amor benevolência perdão caridade carinho solidariedade humildade bondade auxilia teus irmãos mais carentes e necessitados não leves contigo rancor ambição ódio vingança revolta egoísmo desprezo ingratidão orgulho indiferença livra-te de todos esses sentimentos pesados negativos e pecaminosos que só servirão para dificultar tua última viagem em ascensão a deus nosso pai ­ prometo doravante proceder como você diz e quero aproveitar para dar-lhe parabéns pelo seu aniversário que será comemorado agora neste dia 25 de dezembro ­ que ele seja por ti comemorado mas dividindo tuas alegrias com os nossos irmãos enfermos e carentes agora terei que ir para fazer outras visitas contigo permanecerá teu anjo da guarda como costumas chamar a escuridão voltou ao quarto e eu corri para trancar-me no banheiro e chorar profusamente foi um pranto silencioso abafado pela emoção e afogado em lágrimas que adoçaram minha boca ao por ela passarem para não fazer barulho algum tempo depois recomposto voltei descalço para a cama deixando meus chinelos no banheiro virando a cabeça no travesseiro vi que o relógio digital mostrava-me as mesmas 2:34h que tinha visto quando da aparição de nosso senhor jesus cristo então entendi que nada daquilo havia acontecido a prova evidente era a hora indicada no relógio virei-me para o lado e consegui conciliar meu sono embalado pelo lindo sonho que acabara de ter e que havia me despertado mas que nem da cama havia eu me levantado só que um arrepio percorreu meu corpo ao acordar no raiar do dia meus chinelos estavam no banheiro prostrei-me de joelhos em fervorosa oração ary franco poeta e contista rj/br traz a paz ao nosso mundo maria da fonseca o menino vai nascer da virgem cheia de graça para o mundo proteger a todos ama e abraça debruça-te sobre nós Ó menino encantador roga a deus com tua voz que pra sempre afaste a dor pra salvar os irmãos teus nosso pai te enviou mandou-te descer dos céus teu viver sacrificou menino da salvação fortalece nossa prece que o amor no coração pra todos seja benesse traz a paz ao nosso mundo sem querelas sem rancor neste espírito profundo que é o de deus nosso senhor lisboa/portugal http poesiadanatureza.blogspot.com natal de luz zz couto no silêncio da manjedoura quando os anjos disserem amém e as estrelas iluminarem o planeta é jesus chegando com sua luz para salvar o mundo tudo fica tão calmo porque a sua serenidade nos ensina a cultivar a fé quando nos sentimos longe da luz e da paz jesus a luz do mundo penetra em nossa vida como a luz da manhã penetra a neblina da noite iluminando todas as coisas natal de luz iluminando nosso espírito para que possamos nascer e crescer em todos os corações feliz natal niterói/br http zezecoutoslides.com

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08 eisfluências suplemento de natal 2011 e o menino sorriu victor jerónimo era um natal de retalhos daqueles cheios de baralhos onde só havia atalhos enredados em escolhos o frio cortava a seiva que teimava em correr naquele corpo cheio de eiva que parecia querer morrer procurava uma côdea de pão que um dia o diabo amassou mas nem o pão da tentação ofereceram quando passou e o frio teimava em roer os ossos já retalhados do homem que queria morrer por nem ter pães ázimos e roía roía o estômago por uma côdea de pão e o homem caiu vágado no negro e duro alcatrão e quem passava comentava -noite de natal e está bêbado e ninguém o tocava ou chamava com repulsa pelo seu andrajo então a bendita morte o chamou terminando com suas dores o retirou dos baralhos e atalhos o levou entregando a alma a quem sempre o amou no céu brilhou uma estrela cadente a trombeta tocou e um anjo dormiu o céu abriu-se para mais um pobre no paraíso entrar e o menino sorriu http victorjeronimo.blogspot.com uma noite super feliz rosa pena a casa pode ficar suja a geladeira vazia a louça toda na pia que venham os palpites da titia a vizinha da coluna do meio a prima não muito querida o vovô que tem azia a menor desconhecida não quero a mesa vazia que ceiem sem rodeios podem comer tudo do peru até a torta dizer que faltou a ricota deixar os copos atrás da porta o papel de presente sobre o sofá que fique o tapete todo manchado eu e meu amado juntinhos lado a lado meu corpo fica cansado meu coração ah!renovado que seja uma noite super feliz exatamente como jesus sempre quis a divisão do pão a verdadeira união rj/br www.rosapena.com gotas do natal rodrigo poeta a chuva cai na janela os sonhos são gotas de esperança a cada natal um menino brinca na véspera da missa do galo aos olhos da imaginação faz um pedido simples papai do céu me proteja projeta meus pais e meus amigos não quero chorar mais de fome e imaginar que o homem do saco não seja o papai noel amém uma estrela suspira entre a chuva como um sinal que as preces do menino enfim serão atendidas aos olhos de deus uma gota se transforma numa árvore linda outra gota em presentes e comida outras gotas são a solidariedade de pessoas ainda bem distintas de coração e vida o menino agradece enfim terá um natal e não gotas feitas da dor das lágrimas mas sim gotas de amor estampada nas faces de pessoas que ainda acreditam num natal de verdade rodrigo octavio pereira de andrade arraial do cabo rj benÇÃo de natal efigênia coutinho nesta noite que se festeja o natal comemoramos com o menino jesus uma aliança muito especial sua chegada ao mundo de luz É a festa que traz muita esperança numa reverência que marca a união de deus filho feito criança e os homens com grande emoção É natal e com alegria os sinos dobram numa canção feita de amor que reluz onde os nossos votos se renovam diante da bênção do menino jesus a plantar nos corações a esperança o pai eterno o seu filho enviou para marcar da vida a bonança deixando seu amor nos abençoou natal 2011 http www.avspe.eti.br/

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eisfluências suplemento de natal 2011 09 sonhos de acordar o dia para oiliam josé meu amigo petrônio souza gonçalves os anos se passaram as histórias dos sonhos divinos da bisavó andina não continuavam na família nos diários das avós nos relatos das tias no eterno desejo de conhecer as coisas que se perderam no tempo e não existem mais sempre que a família se reunia ficava faltando um pedaço um cheiro de história um sabor de memória eram os sonhos da bisavó andina que muito se sabia e pouco se conhecia tia maria que virou estrela bem novinha brincava com as meninas dizendo que para fazer o sonho de vovó andina tem que ter um tempero muito especial que só a vida ensina as outras nem arriscavam temendo não alcançar a divindade das mãos de tia maria por anos a receita ela guardou para não perder a primazia de enfeitiçar a família até que um dia se encantou e com ela o segredo da família levou nas datas especiais nas festas de final de ano sempre a mesma história e o desejo de saborear os sonhos da bisavó andina pairava sobre toda a família naquele fim de ano depois do blog criado pela bisneta e chef de cozinha mariana com receitas resgatando a mais tradicional culinária mineira ficou decidido que enquanto não encontrassem a receita dos sonhos da vovó andina nada mais seria publicado no blog todas naqueles dias de chuva e ventania vasculharam cada canto da casa velha cada livro cada estante todas as anotações já era noite quando na caixa de sapato cheia de cartas no fundo do centenário baú a meninazinha encontrou uma endereçada à irmã da bisavó andina que não chegou lá dentro entre notícias que não se sabia o tesouro encontrado o segredo revelado ao lado de uma dica de chá festas choros e muita alegria elas se arrumando programando quem iria fazer os primeiros sonhos se iriam divulgar a receita ou se permaneceria como relíquia da família um tesouro herdado para o último dia das férias depois de guardarem a receita em local escondido ficou acordado que os sonhos seriam feitos na última noite depois do jantar e do sarau improvisado com casos histórias e músicas de outrora a receita seria lida como um soneto alimentando a imaginação de todos era uma noite mineira uma família novamente reunida ao redor das melhores tradições de um povo estavam felizes tendo a presença tranqüila da vovó andina viva em cada um bem dentro quando a cantoria parou mariana herdeira natural do avental da tia maria no fogão a lenha mantendo a velha chama acesa subiu com a carta nas mãos foi uma comoção uma súbita emoção tomou a todos quando ela ponderou que vovó andina guardou de uma forma muito especial sua melhor receita para nós mostrou a carta com sua letra bordada todos choraram sentindo a falta do que não viveram a saudade do que não existiu foi aí que ela começou a ler a receita que trazia o nome de sonhos de acordar o dia a voz tremia enquanto ela dizia irmã iva para fazer o sonho de acordar o dia é preciso três ingredientes principais muito carinho pitadinhas de amor de mãe e um pedacinho de uma tarde de chuva depois misture com 6 réis de trigo 2 réis de sal 3 réis de fermento natural 4 réis de canela 2 réis de cravo seis ovos frescos e uma colher de manteiga misture bem e frite em gordura bem quente assim todos ouviram e saborearam o gosto indecifrável inenarrável e irrevelável dos sonhos de acordar o dia a receita da bisavó andina que se tornou naquele dia o verdadeiro gosto da poesia um beijo do tempo um carinho da eternidade que alimenta a vida e os sonhos de uma família inteira até os dias de hoje petrônio souza gonçalves jornalista e escritor http petroniosouzagoncalves.blogspot.com neste natal eu quero ser socorro lima dantas a árvore que enfeitará a sua casa com bolas coloridas para pintar o seu dia o mensageiro para unir as famílias com os ensinamentos de deus os sinos para replicar pausadamente a sua melodia e anunciar o nascimento do menino jesus a paz para depositar no coração de cada um e falar sobre o verdadeiro significado do amor a luz para iluminar a sua noite de natal o sol para penetrar em sua face os raios do dia o anjo para cantar a melodia do amor em cristo e fazer com que você sinta a minha vontade de amar o abraço caloroso que você ainda não recebeu para fazer você sentir o calor da verdadeira amizade o papai noel para distribuir os presentes que você sonhou em receber em toda a sua vida a alegria para fazer você feliz e deixar o seu coração entusiasmado a fé a esperança a paz a harmonia a compreensão a luz a força e a união tudo isso neste natal eu quero ser recife/br www.fragmentosdosmeussonhos.com.br sonhos de natal malu mourão quisera eu dar presentes neste natal de meu senhor ver em rostinhos carentes um doce sorriso de amor mas de recursos sou pobre não posso fazer oferenda guardo minha vontade nobre só peço a deus que os defenda mas no natal cantarão anjos farão festa para as crianças e as trombetas dos arcanjos trarão novas esperanças que um dia eu possa ver todos as crianças contentes seria tão bom poder dizer todos ganharam presentes ceará/br

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10 eisfluências suplemento de natal 2011 berÇos humberto rodrigues neto os que nascem fadados a ser reis já têm por berço da fortuna os louros pois luiz quinze e também luiz dezesseis tinham por berço autênticos tesouros dormiu augusto sobre iguais abrigos de que alexandre já haurira o esplendor e assim foi com os monarcas mais antigos de ramsés a nabucodonosor talvez pensassem que a felicidade trouxesse ao infante aquela aura inata dos linhos dos dosséis e a alacridade das cambraias rendadas a ouro e prata no entanto o rei maior da humanidade alheio aos ouropéis que o orgulho doura foi nascer como exemplo de humildade no capim seco de uma manjedoura são paulo/br uma rena um carneirinho um natal luiz poeta luiz gilberto de barros ­ às 10 h e 33 min do dia 19 de novembro de 2011 do rio de janeiro ­ brasil uma rena desgarrada do trenó encontrou na solidão do seu caminho deprimido abandonado triste e só silencioso e pensativo um carneirinho por notá-lo ­ mais que ela ­ tão sozinho perguntou ao cabisbaixo animal aonde vais tão infeliz pobre bichinho e ele disse procurar o meu natal teu natal mas que natal que tu procuras ora aquele que celebra o nascimento de jesus levando amor às criaturas que perderam sua fé por um momento sabe amigo eu busco o papai noel ­ disse a rena ­ tu aceitas um presente e o carneiro nesse mundo tão cruel só o amor é que me faz ficar contente mas é isto que te dou o meu amor teu amor de que amor que tu me falas o que tem um envoltório sedutor ou aquele onde me amas quando calas como assim o meu presente é mais concreto mas se um dia o teu presente se quebrar lembrarás o teu amigo predileto uma rena preocupada em ajudar puxa rena eu já te guardo no meu peito vendo a tua mais fiel preocupação entretanto só te guardarei direito se instalar o teu amor no coração e o amor que eu conheço não tem forma É essência cristalina ele é composto da alegria que irmana e que transforma cada dor num riso solto em cada rosto quando estavam conversando eles notaram uma estrela que indicava um só caminho e a seguir mais dois bichinhos se juntaram ao passeio uma vaquinha e um burrinho luiz poeta www.luizpoeta.com.br verbo divino carmo vasconcelos eram de angústia os tempos tenebrosos quando os senhores da heresia opressora reinavam neste mundo poderosos semeando a morte injusta aterradora mas contra a treva vil dos portentosos emerge a luz por dentre a palha loura e erguem-se aos céus os hinos jubilosos a venerar jesus na manjedoura c o deus-menino nascem sóis radiosos e nova fé na ansiada paz vindoura que há-de brotar dos ramos amorosos da sua palavra santa imorredoura que o seu verbo divino contra o mal floresça vivo em nós cada natal lisboa/portugal natal 2011 soneto de natal josé antonio jacob essa mulher que sonha sofre e chora e o escasso seio estende e o acaricia ao filho magro que seu leite implora podia se chamar virgem maria o que lhe importa se essa noite é fria e além da porta é natal lá fora se jesus cristo nasce todo dia e está dormindo no seu colo agora ela é nossa senhora da pureza cuida da nossa vida de pobreza e ora por nós que somos filhos seus essa mulher que sonha sofre e chora só pode ser então nossa senhora a mãe de todos nós a mãe de deus josé antónio jacob/mg santa bÍblia de deus por renã leite pontes santa bíblia de deus oh livro de ouro levai neste natal por caridade a fé a consciência e a humildade a todo coração de orgulho mouro dizei o quanto amou a humanidade o deus omnipotente e imorredouro ao dar deus filho o seu maior tesouro a bem que o mundo fosse de igualdade lembrai que é natal entre os cristãos mas que além disto todos são irmãos porque nascemos deste amor profundo pedi ao mundo guerrilheiro a paz dizei que os céus já não suportam mais tanta injustiça neste aflito mundo rio branco/ac/br

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eisfluências suplemento de natal 2011 11 frutas e frutos do natal por faustino vicente final de ano é a época em que as empresas se preparam para fechar a contabilidade e apurar o saldo numérico de todas as transações comerciais realizadas analisando se as estratégias planejadas atingiram as metas pré-estabelecidas as causas dos efeitos não desejados serão rastreadas com a devida abrangência para que não voltem a desagradar acionistas clientes e funcionários a imprensa mostrará na retrospectiva anual os acontecimentos políticos sociais esportivos econômicos e religiosos que abalaram o mundo e transformaram as novas vidas merecerão destaque especial as descobertas científicas e as inovações tecnológicas que tornaram o homem capaz de destruir o planeta mas o mantiveram incompetente para assegurar qualidade de vida mínima e digna à população mundial esta constatação nos faz crer que apesar de todos viverem sob o mesmo céu nem todos desfrutem do mesmo horizonte a classe política divulgará suas realizações e justificará as promessas de campanha não cumpridas o restrito acesso aos serviços de educação e saúde de excelente qualidade é o fator inibidor mais significativo para que as condições de igualdade do desenvolvimento humano sejam ainda apenas retóricas também as organizações do chamado terceiro setor ou voluntariado de responsabilidade social cujo movimento tem apresentado impressionante expansão prestarão contas aos seus parceiros e colaboradores o voluntário tem a nobreza de partilhar o mais precioso tesouro da nossa era o conhecimento ­ certidão de nascimento de cidadania de forma idêntica cada um de nós deve fazer a sua reflexão analisando o seu desempenho pessoal na abrangência dos seis fatores motivacionais que são saúde física espiritualidade família saúde mental relacionamento social carreira profissional e condição financeira a harmonia entre esses indicadores evidenciará se as metas que planejamos os sonhos que acalentamos e as ações que empreendemos foram desenvolvidas rumo à meta maior de todo ser humano a felicidade interiormente devemos verificar se nos tornamos menos arrogantes e mais tolerantes menos professor e mais aprendiz menos teólogo e mais apóstolo enfim se estamos conscientizados de que os votos de ­ feliz natal ­ não deva ser apenas uma manifestação episódica de amor ao próximo mas contínuas práticas de fraternidade a própria transformação da paisagem nos contagia pois as ruas as fachadas das casas as vitrines das lojas e até árvores ganham decorações especiais luzes multicoloridas e enfeites criativos as ornamentações dos interiores das residências e dos templos religiosos simbolizam o nascimento do homem que dividiu a história da humanidade em antes e depois dele ­ jesus cristo os especialistas em marketing disputam cada centímetro e cada segundo da mídia principalmente da irresistível telinha da tv o simpático velhinho com suas tradicionais barbas brancas e roupagem vermelha continua sendo a grande esperança da criançada para os trabalhadores a chance de conseguir emprego mesmo que temporário para os empresários a oportunidade de maior faturamento e para o país o crescimento do pib ­ o qual deve ter como missão a melhoria da distribuição de renda até as frutas que serão consumidas no natal fazem parte das estimativas dos especialistas em gestão porém se não colhermos os frutos da espiritualidade a morte na cruz terá sido em vão com a esperança de que o espírito natalino sensibilize os nossos corações erradicando a discriminação o preconceito e todas as formas de exclusão social ­ chagas ainda vivas na sociedade ­ entendemos que a arquitetura de um mundo mais justo economicamente e mais igualitário socialmente é condição essencial á conquista da tão sonhada paz nesta maravilhoso planeta azul faustino vicente advogado professor e consultor de empresas e de Órgãos públicos jundiaí terra da uva ­ são paulo brasil o cordeiro e o punhal por ariovaldo cavarzan dava para ouvir ao longe um triste canto de ave noturna no quase escuro da noite que começava a chegar a biquinha ficava na parte mais baixa da gleba chamada pastinho e seu olho d água escorria de um cano fincado em pequena parede fazendo transbordar um tanque e seguindo serpenteando em gravidade na direção da rua de terra batida uma pequena horta circundava a nascente e era toda cercada para impedir eventuais incursões das poedeiras carijós e vermelhas e de outros bichos criados soltos entre arvoredos terreiros e primitivas construções sobre um tapete de folhas caídas entre o pastinho e o chiqueiro quase tocava o céu um enorme jaracatiá de tronco grosso e recoberto de espinhos enfeitado lá em cima por cachos desabrochados de uma espécie de paina cuja alvura lhe outorgava ares encanecidos de espécime anciã para a manhã seguinte daquele meio de semana o patriarca havia programado sacrificar um cordeiro seguindo à risca antigo ritual semelhante a execução consumada em requintes de crueldade o brilho intenso das estrelas espalhava manchas brancas no céu contrastando com o negrume da noite postada convocando vagalumes e grilos para um balé coreografado entre árvores ao embalo de coaxares e cricrilares que compunham o cenário e a trilha sonora do sono que já se impunha aos corpos cansados logo ao amanhecer o cordeiro escolhido foi emboscado tendo as patas traseiras firmemente amarradas para facilitar que fosse dependurado num galho de ponta cabeça até a hora do martírio final após a caneca de café com leite o pedaço de pão amanhecido e a fatia de polenta assada em chapa de fogão a lenha o patriarca afiou a fina lâmina de um punhal numa pedra guardada arregaçou as mangas da camisa ajeitou o chapéu cuspiu para o lado o toco de cigarro de palha que fazia rolar de um canto ao outro da boca e se aproximou decisivo da presa que se agitava em esgares de estertor e pavor pressentindo o instante fatal pequena e curiosa platéia aguardava o esguicho do sangue pela fenda a ser aberta na jugular foi quando dos olhos do pobre cordeiro escorreram lágrimas de desespero fazendo frustrar a consumação da degola por um átimo o patriarca estancou afagou com a mão a cabeça do condenado olhou para o céu de um sol recém apontado e ordenou a soltura da presa ensejando a que desabasse no chão e aos pulos desaparecesse por entre a vegetação bem próximo dali ouviam-se grunhidos entrecortando a respiração escandalosa dos porcos segregados no chiqueiro da pequena propriedade ex-sentenciados ao mesmo fim a partir desse dia nunca mais se viu função alguma ser outorgada à lâmina fina e afiada daquele punhal estava chegando mais um dia de natal ariovaldo cavarzan 18/11/2009

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12 eisfluências suplemento de natal 2011 natal antónio barroso tiago É natal altura para recomeçar uma união perdida para juntar os elos duma corrente quebrada para olhar para trás e reconhecer que a vida é bem diferente da risonha e florida estrada que povoava os nossos sonhos de criança É natal dia em que o pensamento cria a esperança de que em cada coração floresça uma flor e que se erga um sublime hino de louvor que num frémito se espalhe por toda a terra para fazer acreditar na tão desejada paz É natal para anunciar ao mundo o fim da guerra e que a última batalha já ficou para trás os homens se envolvem num abraço fraternal e paira em todo o lado uma alegria sem igual para louvar nas palhas o menino sorridente É natal na larga cozinha a azáfama está bem presente é o preparar do gordo peru depois recheá-lo as filhós arroz doce leite creme e rabanada para em farta mesa compor a consoada apenas interrompida para a missa do galo É natal tempo para meditar por alguns momentos olhar aquelas estrelas a brilhar nos céus que parecem traduzir os nossos sentimentos tempo para lançar nossa palavra aos vento e por tudo isso agradecer e louvar a deus parede portugal 02/12/2011 dezembro mÁgico alfredo mendes dezembro é um mês fenomenal em que na noite fria há mais calor há troca de sorrisos mais amor pois vem chegando a noite de natal esquecemos agruras todo o mal tudo ganha mais vida mais alor damos a um pinheiro muita cor e luzes cintilantes por final o lume é atiçado na lareira baixinho faz-se ouvir a chiadeira do crepitar da lenha feita brasa o calor emanado nos conforta a magia de um sonho nos transporta e traz o deus menino a nossa casa lagos/portugal 01/12/2011 natal feliz maria tomasia quando vai se aproximando o natal a tristeza invade todo meu ser de tanto que ouço o povo dizer que é uma época muito especial natal é um dia de muita alegria por ser o aniversário de jesus porém muitos o veem com nostalgia porque diariamente carregam sua cruz gente triste e sem nenhuma esperança de possuir um emprego e dignidade e sonhar um dia conseguir a bonança de ser respeitado pela ingrata sociedade isso sim seria um natal de verdade ter uma família bem alimentada enxergar novamente a claridade e possuir uma vida reestruturada se assim fosse seria um feliz natal a alegria atingiria a todos em geral reinaria muita paz nos corações e não haveria tantas discriminações rj/br trovas natalÍcias ademar macedo natal é festa emoção natal é tempo de luz tempo de paz e oração para o menino jesus tal qual num conto de fadas quem sabe eu possa ver isto todas nações de mãos dadas no aniversário de cristo neste natal que o senhor num ritual de orações plante uma árvore de amor em todos os corações peço a noel que ele faça com toda bondade sua um grande natal na praça para as crianças de rua ademar macedo/rj/br in mensagens poéticas advento amilton m.monteiro bem mais que de repente a vida se transforma parece que ficamos todos mais felizes meu proceder tacanho muda sua norma e a própria natureza altera seus matizes as aves cantam mais e há até bela reforma em todos os jardins perto dos quais tu pises a caridade aumenta e ninguém se conforma com pobres e os socorrem embaixo das marquises o que anda acontecendo quer saber alguém que nunca ouviu dizer que existe vida além ou que sequer existe a verdadeira luz então cabe aos cristãos dizer-lhe em segurança o mundo se prepara amigo uma criança vem para nos salvar e o seu nome é jesus amilton-sjc/br

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eisfluências suplemento de natal 2011 13 natal 2000 anos de histÓria por alma lusa estava serena a noite nos campos o gado estava quieto e junto silencioso nem um balido como que à espera de algo diante do tremular das labaredas da fogueira os pastores reuniam-se em amena conversa diferente das outras mais alegres e despreocupadas esta era mais calma e expetante algo se passava e eles pressentiam-no com a sensibilidade de quem está ligado à natureza e da natureza colhe os seus ensinamentos e sinais o céu estrelado não denunciava o evento que estava a acontecer no entanto os pastores estavam calmos e o seu olhar fixava-se na estrela que se distinguia de entre as muitas pelo seu brilho intenso azul e aspeto diferente os seus sentidos sensíveis e simples como os das crianças captavam a mensagem que lhes era transmitida o messias salvador do mundo nasceu natal jubiloso cantar em radiante agradecimento perfluiu outrora todos os planos da criação quando o filho de deus jesus nasceu num estábulo em belém e os pastores dos campos aos quais foi tirada a venda dos olhos espirituais durante aquele estremeção alegre do universo para que pudessem testemunhar o grande acontecimento imensurável e chamar a atenção dos homens ­ caíram de joelhos cheios de temor pois estavam dominados por aquilo que para eles era novo e incompreensível houve medo nos pastores que por momentos foram tornados clarividentes e também ouviram coisas extra terrenas para esse fim medo ante a grandeza do acontecimento ante a omnipotência de deus que naquilo se mostrava por isso lhes falou das alturas luminosas o mensageiro a fim de acalmá-los nada temais lentamente levantaram-se e dirigiram-se para onde as irradiações da estrela indicavam um estábulo simples no seu interior e iluminado por essa luz aos poucos juntaram-se aos pastores crianças e mulheres que atraídos pela luz fixavam em silêncio o recémnascido nasceu o messias impelidos por um sentimento estranho passou de boca em boca a mensagem o messias aquele que haveria de trazer a paz e o amor ao mundo tinha nascido no seu meio eles que nada possuíam tinham-no a ele amai-vos uns aos outros como eu vos amei a vós jesus disse-nos muito claramente entendei-vos não vos hostilizeis não façam mal ao vosso próximo deliberadamente procurai caminhos de convergência e respeito nas vossas relações entendei que a evolução espiritual de cada ser humano está conforme a sua maturidade a palavra de jesus é uma mensagem de amor e concórdia de convergência de vontades e respeito quem tiver ouvidos que oiça do entulho dogmático da história ressuscita a palavra viva de jesus na mensagem do graal na luz da verdade repleta de sabedoria e conhecimento das leis da criação expandida para o tempo presente e para esta humanidade mais conhecedora e formada e assim se revela a palavra de jesus em toda a sua beleza e força revelando a magnificência da criação e o amor de deus que ele jesus é ouvi de espírito aberto e livre de constrangimentos sede livres nesta criação maravilhosa de nosso deus dissertação natal da obra na luz da verdade mensagem do graal alma lusa olhão/portugal http www.circulodograal.com http www.graalrik.blogspot.com jesus de nazarÉ por jorge cortás sader filho uma figura que confunde a humanidade jesus de nazaré não pretendo explicar nada mas muitas ideias minhas e adquiridas tenho sim jesus existiu realmente não se pode duvidar da sua existência nos anais romanos o historiador tácito fala que em israel foi crucificado um certo jesus oriundo da cidade de nazaré quando era governador pôncio pilatos ou seja não podemos negar a sua existência além de estar registrada a causa da crucificação teria sido política era contra os judeus ortodoxos e os romanos dominadores que adaptaram os antigos deuses gregos à religião de roma imperialista afinal quem teria sido este homem ninguém sabe dizer com segurança mas muitos o consideram o maior dos profetas o único que sabia ser filho de deus por sua vez aqui o problema aumenta não existe deus fora de nós dos nossos corações e mentes aquele que encontrou deus dentro de si mesmo faz parte da comunidade divina se este fato está de lado ou seja você não conhece o deus que no seu ser habita não creia ele não existe na verdade jesus entendeu bem toda a vida e pelo que narram os evangelhos deu seguidas aulas de bondade fraternidade e caridade nenhum profeta percebeu isto tão claramente pregou sua doutrina e nada escreveu esta doutrina foi considerada tão perigosa pelo judaísmo que pediram sua cabeça foi dada estamos na época que se comemora o seu nascimento pelo calendário gregoriano vinte e cinco de dezembro o calendário juliano que não tem data difere poucos dias comemoremos a vinda do profeta maior com respeito e união caso você não o tenha dentro do coração junto com deus esqueça coma e beba à vontade feliz natal jorge cortás sader filho http aduraregradojogo24x7.blogspot.com/

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14 eisfluências suplemento de natal 2011 natal É joaquim marques natividade de jesus o messias que veio ao mundo semear alegrias mas os homens de maneira egoísta jamais essas benesses tiveram em vista ele fomentou o bem combateu o mal desejou que todos os dias fosse natal mas os homens sempre foram os algozes de si próprios em lutas vãs e ferozes por isso o mundo tomou outro rumo o natal de hoje já não é o de jesus É simplesmente um dia de consumo vamos todos dar as mãos porque afinal todos irmanados no bem seremos unos com paz pão amor todos os dias é natal porto/portugal http jepmarques.blogspot.com pedido extremo raimundo salles brasil eu vou pedir a deus neste natal que sobre os homens maus estenda a mão opere a sua graça divinal derrame a benção da transformação que de jesus aquela dor crucial abra-lhes n alma o dom da compaixão e que eles possam ver um mundo ideal olhando o semelhante como irmão transforma em barro o deus corações duros o mundo todo o pai anda em apuros querendo se salvar buscando atalho peço-te o pai se não bastar a cruz e a bondade infinita de jesus coloca-os na bigorna e usa o malho 2/12/2011 salvador-ba/br quadrinhas regina coeli ao ouvir o garnizé senti chegado o natal com o cristo bem de pé no meio do meu quintal ao redor a natureza entoava sem igual hinos de pura beleza que chegado era o natal acordavam os passarinhos por entre as folhas cantavam e os rebentos nos seus ninhos sentindo o natal piavam a brisa levava ao ar notas pintadas de flores em um cântico a espalhar o natal em mil olores no alto a lua a se encantar fez do luar passarela onde o natal a raiar raiava no brilho dela e todos deram-se as mãos na emoção celestial de que a vida é mãe de irmãos renascidos no natal rio de janeiro/br manjedoura sá de freitas nasceu o rei dos reis nas palhas que humildade maria a mãe das mães contempla-o embevecida pois sabe que está ali à humanidade o caminho a verdade a salvação e a vida trouxeram-lhe presentes magos do oriente os anjos entoaram cantos de louvor a estrela-guia fez-se bem mais reluzente e o mundo recebeu o hálito do amor neste natal depois de dois milênios idos vibram-se os corações em preces comovidos e o amor em cada alma vigoroso cresce pois se não temos mais incenso mirra e ouro podemos lhe ofertar outro maior tesouro que é o nosso auxílio aquele que perece avaré/sp/br quadrinhas humberto rodrigues neto pra que as tuas mágoas esqueças desejo falar contigo convidar-te a que conheças o meu mais dileto amigo e digo o que estou dizendo mesmo àquele que se omite pois a todos eu estendo a oferta deste convite esse amigo tem valor e é de ti uma alma irmã se lhe pedes um favor nunca deixa pra amanhã mesmo aos que têm muita luz estendo a convocação pra que mantenham jesus na alma e no coração sãopaulo/br

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eisfluências suplemento de natal 2011 15 a noite de natal 1 guy de maupassant o réveillon o réveillon ah não não quero fazer um réveillon 2 o gordo henri templier disse isto num tom furioso como se lhe tivessem proposto uma infâmia os outros rindo exclamaram porque estás tão zangado ele respondeu porque o réveillon pregou-me a mais suja partida do mundo e passei a ter horror a essa noite estúpida de alegria imbecil o quê afinal o quê querem mesmo saber pois bem escutem recordam-se como estava frio há dois anos atrás nessa época do ano um frio de matar os pobres na rua o sena estava congelado os passeios gelavam os pés através das solas das botinas o mundo parecia estar prestes a perecer na altura tinha entre mãos um grande trabalho e recusei todos os convites para o réveillon preferindo passar a noite à frente da minha mesa jantei sozinho e depois pus-me ao trabalho mais eis que cerca das dez horas o sentimento de alegria que inundava paris o frenesim que me chegava das ruas os preparativos da ceia dos meus vizinhos que atravessavam as paredes acabaram por inquietar-me já não sabia o que estava a fazer escrevia disparates e compreendi que tinha de renunciar à esperança de produzir algo de bom naquela noite andava pelo quarto de um lado para o outro sentei-me levantei-me sentia certamente a misteriosa influência da alegria da rua e resignei-me chamei a minha empregada e disse-lhe angèle vá comprar algo para uma ceia a dois ostras uma perdiz fria lagostins fiambre bolos traga duas garrafas de champanhe ponha a mesa e vá deitar-se ela obedeceu um pouco surpresa quando tudo estava pronto vesti o casaco e saí uma grande questão ficara por resolver com quem iria fazer o réveillon as minhas amigas tinham todas compromissos deveria ter-me antecipado a convidá-las então pensei aproveitar para fazer uma boa acção disse para comigo paris está cheia de pobres e belas raparigas que não têm uma ceia na mesa e que vagueiam em busca de um rapaz generoso quero ser a providência de natal de uma dessas raparigas sem abrigo vou dar uma volta pelas casas de prazer questionar caçar escolher ao meu gosto e pus-me a percorrer a cidade na verdade encontrei muitas pobres raparigas que procuravam aventura mas eram tão feias que poderiam provocar uma indigestão ou tão magras que poderiam congelar se ficassem muito tempo paradas como sabem tenho um fraquinho pelas mulheres bem nutridas quanto mais carne tiverem mais gosto delas um colosso faz-me perder a razão subitamente defronte ao teatro de variedades vislumbrei um perfil ao meu gosto uma cabeça em seguida dois altos o do peito belíssimo o de baixo surpreendente uma barriga de ganso gordo estremeci murmurando santo cristo que bela rapariga faltava esclarecer um pormenor o rosto o rosto é a sobremesa o resto é o assado apressei o passo aproximei-me dessa mulher errante e debaixo de um candeeiro a gás voltei-me bruscamente era adorável muito jovem morena com grandes olhos negros fiz-lhe a minha proposta e ela aceitou sem hesitar um quarto de hora mais tarde estávamos no meu apartamento ao entrar exclamou ah está-se bem aqui e olhou ao redor com a satisfação visível de ter descoberto uma mesa e uma cama naquela noite glacial estava soberba tão bonita que me comovia e tão gorda que poderia enfeitiçar o meu coração para todo o sempre tirou o casaco e o chapéu sentou-se e começou a comer mas não parecia estar bem e por vezes a sua figura um pouco pálida estremecia como se tentasse esconder alguma amargura perguntei-lhe tens algum problema ela respondeu oh esqueçamos tudo e pôs-se a beber esvaziava de um trago o copo de champanhe enchia-o e voltava a esvaziá-lo uma vez mais ininterruptamente em breve começou a ficar com as maçãs do rosto rosadas e desatou a rir eu que já a adorava beijando-a na boca descobri que não era nem parva nem vulgar nem grosseira como as raparigas da rua pedi-lhe pormenores sobre a sua vida respondeu meu pequeno não tens nada a ver com isso infelizmente uma hora mais tarde chegada enfim a hora de ir para a cama e enquanto eu retirava a mesa posta à frente do lume ela despiu-se num ápice e esgueirou-se para debaixo dos lençóis os meus vizinhos estavam a fazer um barulho infernal rindo e cantando como loucos e disse para mim mesmo fiz bem em ir buscar esta bela rapariga nunca teria conseguido trabalhar um gemido profundo fez-me virar perguntei o que tens gatinha ela não respondeu mas continuou a soltar suspiros dolorosos como se estivesse a sofrer horrivelmente retomei estás maldisposta e subitamente soltou um grito um grito lancinante precipitei-me para ela com uma vela na mão o seu rosto estava transfigurado pela dor e torcia as mãos arquejante lançando do fundo da garganta umas espécies de gemidos surdos que mais pareciam um estertor e que faziam estremecer o coração perguntei aturdido mas o que tens diz-me ela não me respondeu e desatou aos berros de repente os vizinhos calaram-se escutando o que se passava em minha casa repeti o que te dói diz-me o que te dói ela balbuciou oh a minha barriga a minha barriga dum só golpe levantei o cobertor e vislumbrei ela estava a dar à luz meus amigos então perdi a cabeça precipitei-me para a parede e desatei aos murros com toda a força vociferando socorro socorro a minha porta abriu-se uma multidão precipitou-se em direcção a mim homens de fato mulheres de decote pierrots turcos mosqueteiros esta invasão deixou-se tão transtornado que não consegui sequer explicar-me pensavam que tinha havido um acidente um crime talvez e não percebiam nada disse por fim É é esta esta mulher está a dar à luz

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