A torre negra- II A Esdolha dos três (Stephen King)

 

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centenas de obras grátis a um clique a torre negra v o l · ii

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stephen ing a escolha dos t rÊs tradução de mário molina objet iv a copyright © stephen king 1987 publicado mediante acordo com o autor através de ralph m vícinanza inc proibida a venda em portugal título original the dark tow er ii the draw ing of the three todos os direitos desta edição reservados à editora objetiva ltda rua cosme velho 103 rio de janeiro rj cep 22241-090 tel 21 2556-7824 fax 21 2556-3322 www.objetiva.com.br capa pós imagem desígn revisão taís monteiro umberto figueiredo pinto

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editoração eletrônica abreus system ltda k52e king stephen a escolha dos três stephen king tradução de mário molina rio de janeiro objetiva 2004 415 p a torre negra v.2 isbn 85-7302-648-0 tradução de the drawing of the three 1 literatura americana romance i série ii título cdd 8 1 3

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contra-capa com incansável imaginação stephen king dá continuidade à magistral saga épica a torre negra iniciada com 0 pistoleiro a escolha dos três segundo volume da série lança roland de gilead em pleno século xx à medida que ele se aproxima cada vez um pouco mais de sua preciosa torre negra sede de todo o tempo e de todo o espaço um derradeiro confronto com o homem de preto revela a roland nas cartas de um baralho de tarô aqueles que deverão ajudá-lo em sua busca pela torre negra o prisioneiro a dama das sombras a morte para encontrá-los o último pistoleiro precisará atravessar três intrigantes portas que se erguem na deserta e interminável praia do mar ocidental são portas que o levam a um mundo diferente do seu em outro tempo de onde ele deverá trazer seus escolhidos eddie dean um viciado em heroína da nova york dos anos 1980 odetta holmes uma ativista pelos direitos dos negros da década de 196o e o terceiro escolhido a morte que vai embaralhar mais uma vez o destino de todos inspirada no universo imaginário de j.r.r tolkien no poema épico do século xix childe roland à torre negra chegou e repleta de referências à cultura pop às lendas arturianas e ao faroeste a torre negra mistura ficção científica fantasia e terror numa narrativa que forma um verdadeiro mosaico da cultura popular contemporânea orelha a perseguição de roland o último pistoleiro ao homem de preto chegou ao fim antes de sucumbir porém o sombrio personagem leu o futuro de roland num baralho de tarô sua profecia primeiro passo do pistoleiro na jornada rumo à torre negra forma a espinha dorsal de a escolha dos três no destino de roland em seu ka aparecem três figuras distintas o prisioneiro a dama das sombras e a morte deles depende a continuidade de sua procura pela torre e roland deverá ir buscá-los através de três portas que lhe permitem cruzar o espaço e o tempo mortalmente ferido por uma criatura marinha monstruosa na praia do mar ocidental é um roland fraco e desesperado que atravessa a primeira porta para buscar o prisioneiro a porta o leva à nova york dos anos 1980 e a eddie dean um viciado em heroína que está nesse exato momento tentando entrar nos estados unidos de avião com um quilo de cocaína pura a mando de um chefão do tráfico nova-iorquino a segunda porta leva o pistoleiro à mesma cidade de nova york mas dessa vez na década de 1960 no

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auge do movimento pelos direitos civis dos negros nos estados unidos e a dama das sombras que roland encontra atrás dessa segunda porta é odetta holmes uma bela jovem negra que perdeu as pernas em um medonho acidente e sofre de misteriosos lapsos de memória roland e eddie não demoram a descobrir que a mente de odetta abriga também a malévola detta walker num evidente distúrbio de personalidade com a terceira escolhida a morte as cartas tornam a se embaralhar e a busca de roland pela torre negra sofre uma nova e impossível reviravolta para don grant que apostou nesses livros um por um.

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sumário argumento prÓlogo o marinheiro o prisioneiro 1 a porta 2 eddie dean 3 contato e aterrissagem 4 a torre 5 muniÇÃo e cartas na mesa embaralhada a dama das sombras 1 detta e odetta 2 checando as opÇÕes 3 odetta do outro lado 4 detta do outro lado embaralhar de novo

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le mort o empurrador 1 remÉdio amargo 2 o pote de mel 3 roland toma seu remÉdio 4 a escolha embaralhada final posfÁcio

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argumento a escolha dos três é o segundo volume de uma longa história chamada a torre negra uma história inspirada por e até certo ponto baseada no poema dramático de robert browning childe roland to the dark tower carne que por sua vez faz referência a rei lear o primeiro volume o pistoleiro conta como roland o último pistoleiro de um mundo que seguiu adiante finalmente se defronta com o homem de preto um feiticeiro que vinha caçando há muito muito tempo embora ainda não saibamos exatamente quanto tempo acabamos descobrindo que o homem de preto é um sujeito chamado walter que falsamente se dizia amigo do pai de roland naqueles dias antes de o mundo seguir adiante o objetivo de roland não é essa criatura semi-humana mas sim a torre negra o homem de preto e mais especificamente o que o homem de preto sabe é apenas o primeiro passo em sua jornada para aquele misterioso lugar quem exatamente é roland como era seu mundo antes de seguir adiante o que é a torre e por que ele a persegue só temos respostas fragmentárias roland é um pistoleiro uma espécie de cavaleiro um dos encarregados de preservar um mundo de que roland se lembra como cheio de amor e luz de impedir que ele siga adiante sabemos que roland se viu obrigado a provar prematuramente sua maturidade após descobrir que a mãe se tornara amante de marten um feiticeiro muito mais poderoso que walter que sem que o pai de roland soubesse era o duplo de marten sabemos que marten planejou a descoberta de roland esperando que ele fracassasse em sua prova de maturidade e fosse mandado para o oeste sabemos que roland triunfa em seu teste o que mais sabemos que o mundo do pistoleiro não é completamente diferente do nosso artefatos como bombas de gasolina e certas canções hey jude por exemplo ou alguns versos sobreviveram assim como costumes e rituais estranhamente parecidos com os da visão romântica que temos do oeste americano.

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e existe um umbigo que de alguma forma conecta nosso mundo ao mundo do pistoleiro num posto de parada de uma trilha de diligências há muito abandonada num vasto e estéril deserto roland encontra um garoto chamado jake que morreu em nosso mundo um garoto que na realidade foi empurrado numa esquina de rua pelo ubíquo e iníquo homem de preto a última coisa de que jake que estava indo para a escola com a mochila de livros numa das mãos e a merendeira na outra se lembra de seu mundo de nosso mundo é ter sido esmagado pelas rodas de um cadillac e morrer antes de alcançar o homem de preto jake torna a morrer desta vez porque o pistoleiro defrontado com o segundo mais angustiante impasse de sua vida prefere sacrificar esse filho simbólico dada a necessidade de escolher entre a torre e o menino possivelmente entre a danação e a salvação roland escolhe a torre vá então diz jake antes de mergulhar no abismo há outros mundos além deste o confronto final entre roland e walter ocorre num gólgota poeirento cheio de ossos decompostos o homem sombrio revela o futuro de roland com um baralho de cartas de tarô essas cartas mostrando um homem chamado o prisioneiro uma mulher chamada dama das sombras e uma forma ainda mais escura que é simplesmente a morte mas não para você pistoleiro diz o homem de preto são profecias que constituem o tema deste volume e o segundo passo na longa e difícil caminhada de roland rumo à torre negra o pistoleiro termina com roland sentado numa praia do mar ocidental contemplando o pôr-do-sol o homem de preto está morto o próprio futuro do pistoleiro parece incerto a escolha dos três começa nessa mesma praia menos de sete horas depois.

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prÓlogo o marinheiro o pistoleiro despertou de um sonho confuso que parecia consistir de uma única imagem a do marinheiro no baralho de tarô do qual o homem de preto extraíra ou fingira extrair o deplorável futuro do pistoleiro ele se afoga pistoleiro o homem de preto estava dizendo e ninguém entra na água para salvá-lo o garoto jake mas aquilo não era um pesadelo era um sonho bom era bom porque era ele quem estava se afogando e isso significava que ele não era absolutamente roland mas jake o que era um alívio pois seria muito melhor se afogar como jake do que viver como roland um homem que pela frieza de um sonho traíra uma criança que havia confiado nele bom sem problema vou me afogar pensou ele ouvindo o rugido do mar que eu me afogue mas aquele som não era o da entrada nas profundezas era o barulho áspero de água num lugar cheio de pedras seria ele o marinheiro se assim fosse por que a terra estava tão perto e aliás será que ele não estava na terra era como se Água gelada encharcou suas botas e lhe subiu pelas pernas até a virilha seus olhos então se abriram e o que o tirou do sonho não foram os testículos congelando subitamente encolhidos reduzidos mais ou menos ao tamanho de nozes nem o horror à sua direita mas a lembrança de seus revólveres seus revólveres e ainda mais importante suas balas revólveres molhados podiam ser rapidamente desmontados enxugados lubrificados enxugados de novo lubrificados de novo e remontados balas molhadas assim como fósforos molhados podiam ficar inutilizadas para sempre o horror era uma coisa rastejante que devia ter sido trazida por uma onda arrastava penosamente um corpo molhado e brilhante pela areia tinha cerca de um metro e vinte de comprimento e estava uns quatro metros à sua direita olhava

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para roland com olhos vazios semicerrados o longo bico serrilhado que estava aberto começou a emitir um ruído estranhamente parecido com fala humana perguntas num tom de lamento quase de desespero numa língua estranha chic chum cham chec o pistoleiro já tinha visto lagostas aquilo não era uma delas embora dentre as coisas que já tinha visto as lagostas fossem as únicas com que a criatura pelo menos vagamente se parecia não parecia absolutamente estar com medo dele o pistoleiro não sabia se era perigosa ou não mas não se importava com sua própria confusão mental a temporária incapacidade de se lembrar de onde estava ou como havia chegado lá se tinha realmente alcançado o homem de preto ou se tudo não passava de um sonho só sabia que tinha de se afastar da água antes que ela molhasse sua munição ouviu o barulho áspero cada vez mais volumoso da água e desviou os olhos da criatura ela havia parado e levantando as garras com as quais viera se arrastando ficara absurdamente parecida com um boxeador assumindo a postura inicial de guarda que como cort lhes ensinara chamava-se posição de honra para a arrebentação que se aproximava com seus dejetos de espuma ela está ouvindo a onda pensou o pistoleiro seja lá o que for tem ouvidos tentou se levantar mas suas pernas dormentes demais para serem sentidas se curvaram sob ele ainda estou sonhando pensou mas apesar do estado confuso em que se encontrava aquilo pareceu uma idéia tentadora demais para ser digna de crédito tentou se levantar de novo quase conseguiu mas acabou caindo a onda estava quebrando não dava mais tempo a única solução era se mover quase da mesma maneira que a criatura à sua direita parecia estar se movendo enfiou as duas mãos na areia e arrastou o traseiro pela praia pedregosa para longe da onda não avançou o bastante para evitar de todo a onda mas chegou suficientemente longe para se dar por satisfeito a única coisa que a onda cobriu foram suas botas a água lhe chegou quase aos joelhos e depois recuou talvez a primeira não tenha chegado tão longe quanto pensei talvez havia uma meia-lua no céu uma auréola de névoa a cobria mas ela derramava luz suficiente para o pistoleiro ver que os coldres estavam bem escuros pelo menos os revólveres tinham tomado um banho era impossível avaliar o dano causado ou saber se as balas que estavam nos tambores e as que estavam nos cinturões cruzados também haviam sido molhadas antes de verificar ele teve de se esquivar da água teve de choc aquela chegou muito mais perto preocupado com a água se esquecera da criatura que a água havia trazido olhou ao redor e viu que agora ela estava a pouco mais de um metro de distância com as garras enterradas na areia coberta de pedrinhas e conchas da praia a coisa se arrastava de repente ergueu o

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corpo carnudo serrilhado ficando parecida com um escorpião embora roland não visse nenhum ferrão na ponta daquele corpo outro barulho áspero agora muito mais alto a criatura imediatamente parou e tornou a levantar as garras em sua própria e peculiar versão da posição de honra aquela onda foi maior roland ia começar novamente a se arrastar pelo aclive da praia mas quando estendeu as mãos a criatura de garras moveu-se com uma rapidez que seus movimentos anteriores não faziam de modo algum prever o pistoleiro sentiu uma forte pontada de dor na mão direita só que naquele momento não teve tempo de pensar nisso deu impulso com os saltos das botas encharcadas agarrou-se com as mãos e conseguiu esquivar-se da onda chic indagava a monstruosidade em seu tom de lamento não vai me ajudar não vê que estou desesperada e roland viu as pontas de seu primeiro e segundo dedos da mão direita desaparecerem no bico denteado da criatura ela tornou a atacar e roland ergueu mão direita pingando sangue bem a tempo de salvar o que restava dos dois dedos chum cham o pistoleiro conseguiu ficar de pé a coisa rasgou o jeans gotejando água cortou uma bota cujo couro velho era macio mas resistente como ferro e tirou um naco de carne da barriga da perna de roland.

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ele sacou com a mão direita e só percebeu que os dois dedos necessários para executar a antiga operação de extermínio tinham sumido quando o revólver bateu na areia a monstruosidade investiu ansiosa em sua direção não desgraçada rosnou roland ao chutá-la foi como chutar um bloco de rocha que mordia ela acabou de despedaçar a bota direita de roland arrancou a maior parte de seu dedão do pé e acabou arrancando a própria bota o pistoleiro se curvou pegou o revólver deixou-o cair disse um palavrão mas finalmente conseguiu o que antes havia sido uma coisa tão fácil que ele fazia sem pensar de repente se transformara quase num movimento de malabarista a criatura estava agachada sobre a bota do pistoleiro rasgandoa sem parar de fazer perguntas naquela língua truncada uma onda rolou para a praia a espuma equilibrada na crista parecendo pálida e morta na fraca luminosidade da meia-lua a lagostrosidade parou de trabalhar na bota e levantou as garras naquela pose de boxeador roland sacou com a mão esquerda e puxou três vezes o gatilho clique clique clique pelo menos agora sabia do estado das balas no tambor pôs o revólver esquerdo no coldre para guardar o direito teria de virar o cano para baixo com a mão esquerda e deixá-lo escorregar para o lugar certo o sangue cobria a madeira gasta das coronhas o sangue manchava o coldre e o velho jeans ao qual o coldre estava preso por tiras de couro escorria dos cotos onde seus dedos costumavam ficar o mutilado pé direito continuava dormente demais para doer mas a mão direita ardia terrivelmente os fantasmas dos dedos talentosos e longamente treinados já se decompondo entre os sucos digestivos nas entranhas daquela coisa insistiam que ainda estavam ali e que estavam ardendo vejo sérios problemas à frente pensou o pistoleiro remotamente a onda recuou a monstruosidade baixou as garras abriu um novo buraco na bota do pistoleiro e concluiu que o dono devia ser bem mais saboroso que aquele pedaço de pele que acabara cuspindo chum a coisa perguntou e se lançou para cima dele com terrível velocidade o pistoleiro recuou sobre pernas que mal podia sentir percebendo que a criatura devia ter alguma inteligência havia se aproximado cautelosa talvez numa longa jornada pela praia sem saber o que ele era ou do que poderia ser capaz se o banho que a onda lhe deu não o tivesse acordado a coisa teria despedaçado seu rosto enquanto ainda estivesse mergulhado em sonhos agora a coisa concluía que ele era não apenas saboroso mas também vulnerável uma presa fácil ela estava quase em cima dele uma coisa de mais de um metro de comprimento e trinta centímetros de altura uma criatura

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que talvez pesasse trinta quilos e que parecia tão estritamente carnívora quanto david o falcão que roland tinha quando garoto mas sem o obscuro vestígio de lealdade que havia em david o salto da bota esquerda tropeçou num pedregulho que brotava da areia e ele cambaleou quase caindo choc perguntou a coisa aparentemente num tom ansioso espreitando o pistoleiro com olhos furtivos ondulantes enquanto as garras se estendiam e então veio uma onda e as garras assumiram de novo a posição de honra as garras no entanto agora oscilavam um pouco o pistoleiro percebeu que a coisa reagia ao barulho da onda e achou que agora pelo menos para ela o barulho estava diminuindo um pouco ele recuou pulando a pedra e se curvou quando a onda quebrou na praia com seu barulho áspero sua cabeça ficou a centímetros da cara de inseto da criatura uma de suas garras poderia facilmente lhe arrancar os olhos mas aquelas garras trêmulas tão parecidas com punhos cerrados permaneceram erguidas de ambos os lados do bico semelhante ao de um papagaio o pistoleiro estendeu a mão para o pedregulho onde quase tropeçara era realmente grande estava semi-enterrado na areia e sua mutilada mão direita protestou bastante quando os grãos de areia e as pontas afiadas do chão pedregoso atingiram a carne aberta sangrando mas ele conseguiu puxar o pedregulho e levantá-lo com os lábios se repuxando contra os dentes chh começou a monstruosidade com as garras se abaixando e se abrindo enquanto a onda quebrava e o som recuava então o pistoleiro com toda a sua força atirou a pedra em cima dela houve um ruído de algo se esmigalhando quando as costas articuladas da criatura se quebraram ela se debateu freneticamente embaixo da pedra com o traseiro se erguendo ligeiramente e batendo no chão se erguendo e batendo as interrogações viraram um zumbido de exclamações de dor as garras se abriam e fechavam em torno de nada o bico-goela agarrava torrões de areia e pedras e no entanto quando outra onda quebrou a criatura tentou de novo levantar as garras e quando conseguiu o pistoleiro pisou em sua cabeça com a bota que havia sobrado o barulho lembrou um monte de galhinhos secos sendo quebrados um líquido grosso jorrou sob o salto da bota de roland esparramando-se em duas direções parecia preto a coisa arqueou o corpo e se contorceu furiosamente o pistoleiro chapou a bota com mais força uma onda veio as garras da monstruosidade subiram um centímetro dois estremeceram e depois caíram agora se crispando num abrir e fechar o pistoleiro levantou a bota o bico serrilhado da coisa que tinha removido dois dedos da mão e um do pé de seu corpo vivo abria e fechava devagar uma antena jazia quebrada na

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areia a outra tremia descontroladamente o pistoleiro pisou de novo e de novo removeu o pedregulho com dificuldade deixando escapar um gemido e marchou pelo lado direito do corpo da monstruosidade pisando-a metodicamente com a bota esquerda esmagando sua carapaça espremendo as tripas esbranquiçadas sobre a areia cinzaescura estava morta mas mesmo assim ele quis levar até o fim aquela tarefa nunca em todo o seu longo e estranho tempo de vida tinha sido tão drasticamente ferido e tudo fora tão inesperado continuou até ver a ponta de um de seus dedos na gosma suja da coisa morta um dedo que tinha debaixo da unha a poeira branca do gólgota onde ele e o homem de preto haviam travado sua longa confabulação então se virou para o lado e vomitou o pistoleiro recuou para a água como um embriagado apertando a mão ferida contra a camisa às vezes olhando para trás para certificar-se de que a coisa não estava mais viva que não era como uma vespa obstinada em que você bate e bate mas ela continua se mexendo atordoada mas não morta para certificar-se que a coisa não estava vindo atrás dele fazendo suas estranhas perguntas naquele tom de desespero mortal.

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