FeiosIII - Especiais - Scott Westerfeld

 

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sinopse tally sempre esteve à frente do seu tempo e pronta para fazer truques super borbulhantes antes mesmo de ir para nova perfeição seja enquanto feia ou perfeita ela nunca foi uma menina comum mas nem mesmo tally podia imaginar que não somente seria escolhida para se tornar uma especial como também acabaria sendo um dos membros mais importantes da circunstâncias especiais uma cortadora tally agora é praticamente uma arma letal com reflexos ultrarrápidos dentes e unhas afiadas e uma beleza cruel mas o mais importante de tudo é que tally passa a ver e sentir o mundo de uma maneira diferente uma maneira sagaz agora tudo é muito claro na sua cabeça e nenhuma emoção de avoado atrapalha sua mente concentrada ou pelo menos não deveria quando finalmente a nova fumaça é descoberta e tally tem a oportunidade de acabar com todos os rebeldes de uma vez por todas zane ressurge em sua vida e fragmentos de sua memória começam a renascer e a criar uma verdadeira revolução na cabeça de tally tudo agora passa a depender de uma decisão escutar esse último suspiro fraco do seu coração ou seguir seus instintos de especial e dar continuidade à missão para qual foi treinada de uma maneira ou de outra tally vai mudar para sempre seu destino e como de costume vai provar que não é como os outros.

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nascido no texas scott westerfeld é autor de diversos romances aclamados para adultos e jovens entre eles tão ontem os primeiros dias e a série feios best seller do new york times É também designer e atualmente vive entre sydney na austrália e nova york scott westerfeld especiais tradução de andrÉ gordirro

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para todos os fãs que me escreveram sobre essa série obrigado por dizer o que estava certo o que estava errado e em quais trechos vocês jogaram o livro longe vocês sabem quem são

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parte i ser especial ao arrancar as pétalas você não nota a beleza da flor ­ rabindranath tagore pássaros perdidos penetras as seis pranchas voadoras passaram entre as árvores com a rapidez e a delicadeza de cartas sendo jogadas no ar os pilotos se abaixavam e costuravam entre os galhos cheios de gelo rindo com os joelhos dobrados e os braços abertos eles deixavam um rastro reluzente de chuva de cristais pedacinhos de gelo arrancados das folhas de pinheiro que caíam e brilhavam sob a luz do luar tally percebia com uma lucidez sagaz o vento frio nas mãos nuas e a alteração de gravidade que mantinha os pés presos à prancha voadora ela respirou o ar da floresta e sentiu o cheiro de pinho cobrir a garganta e a língua como se fosse uma camada de xarope o ar frio parecia deixar os sons mais claros a barra do casaco do dormitório aberto estalava como uma bandeira ao vento os tênis de solado aderente rangiam contra a superfície da prancha a cada curva fausto transmitia música dance pela dermantena de tally mas ninguém ouvia lá fora sobre a batida frenética ela ouvia cada movimento de seus novos músculos recobertos por monofilamentos tally piscava por causa do frio os olhos lacrimejando mas as lágrimas deixavam a visão ainda mais aguçada pedacinhos de gelo passavam voando e reluzindo e a luz do luar tornava o mundo prateado como um velho filme preto e branco sendo exibido.

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essa era a vantagem de ser um cortador tudo era sagaz agora como se a pele absorvesse o mundo shay chegou perto de tally seus dedos tocaram­se por um instante e ela sorriu tally tentou devolver o sorriso mas seu estômago se revirou ao ver o rosto de shay os cinco cortadores estavam disfarçados naquela noite as íris negras escondidas por lentes de contato sem graça os traços dos belos maxilares cruéis atenuados por máscaras de plástico adaptável eles haviam se transformado em feios porque iam entrar de penetra em uma festa no parque cleópatra na mente de tally era cedo demais para brincar de se fantasiar ela era uma especial há poucos meses apenas mas quando olhava para shay esperava ver a beleza cruel e maravilhosa da melhor amiga e não o disfarce de feio daquele momento tally desviou de lado com a prancha para evitar um galho coberto de gelo e se afastou de shay ela se concentrou no mundo reluzente ao redor e em equilibrar o corpo para manobrar a prancha entre as árvores o vento gelado a ajudou a voltar sua atenção para o ambiente e afastar da mente a saudade que sentia motivada pelo fato de zane não estar ali com eles um bando de feios festejando à vista as palavras de shay cortaram a música captadas pelo chip no maxilar e transmitidas pela rede de dermantenas como se fosse um sussurro ao pé do ouvido tem certeza de que está pronta tally­wa tally respirou fundo e absorveu o frio para clarear a mente os nervos ainda estavam à flor da pele mas recuar agora seria caótico não se preocupe chefe isso vai ser sagaz deve ser É uma festa afinal disse shay vamos bancar os feiozinhos felizes alguns dos cortadores riram ao olhar para as máscaras uns dos outros tally novamente teve consciência da própria máscara de milímetros de espessura com saliências e depressões que deixavam o rosto imperfeito e cheio de espinhas escondendo o belo conjunto de tatuagens dinâmicas.

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uma dentadura irregular cobria os dentes afiados e até as mãos tatuadas foram pintadas por um jato de pele falsa uma olhada no espelho mostrou para tally como estava parecida com uma feia tosca nariguda bochechuda e com uma expressão de impaciência pelo próximo aniversário pela cirurgia que a deixaria avoada e por atravessar o rio era mais uma medíocre de 15 anos em outras palavras aquele era o primeiro truque de tally desde que virara especial ela esperava estar pronta para qualquer coisa agora as operações a deixaram com músculos novos e sagazes e reflexos velozes como os de uma cobra depois passou dois meses de treinamento no acampamento dos cortadores vivendo na natureza sem provisões e dormindo pouco mas bastou uma olhada no espelho para abalar sua confiança para piorar eles entraram na cidade passando pelos subúrbios da vila dos coroas voando sobre uma série de casas apagadas todas iguais o tédio medíocre do lugar em que cresceu fez com que suas axilas transpirassem o que foi agravado pelo contato do uniforme reciclável de dormitório contra sua nova pele sensível as árvores bem­cuidadas do cinturão verde pareciam sufocar tally como se a cidade tentasse reduzi­ la à mediocridade outra vez ela gostava de ser livre de ser especial sagaz e superior e mal podia esperava para voltar para a natureza e arrancar aquela máscara de feia do rosto tally apertou os punhos e prestou atenção na rede de dermantenas foi invadida pela música de fausto e pelos barulhos dos demais os sons suaves de respiração o vento contra os rostos tally imaginou que podia ouvir seus batimentos cardíacos como se a empolgação dos cortadores ecoasse nos ossos dela vamos nos separar disse shay quando se aproximaram das luzes da festa não queremos parecer um grupinho os cortadores se afastaram tally ficou com fausto e shay enquanto tachs e ho foram para o topo do parque cleópatra fausto desligou a

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caixa de som e a música sumiu deixando apenas o vento cortante e o barulho distante da festa nervosa tally respirou fundo outra vez e sentiu o cheiro da multidão do suor de feios e de bebida alcoólica entornada o sistema de som da festa não usava dermantenas e transmitia a música de maneira tosca pelo ar espalhando ondas sonoras que refletiam entre as árvores feios sempre foram barulhentos por causa do treinamento tally sabia que podia fechar os olhos e usar qualquer eco por menor que ele fosse para navegar às cegas pela floresta como um morcego sendo guiado pelos próprios guinchos mas ela precisava de sua visão especial naquela noite shay tinha espiões na vila feia e eles tinham ouvido que forasteiros entrariam de penetra na festa novos enfumaçados que distribuiriam nanoestruturas e provocariam confusão era por isso que os cortadores estavam ali se tratava de uma circunstância especial os três pousaram fora do alcance das luzes pulsantes dos globos voadores e pularam no solo da floresta estalando as folhas de pinheiro congeladas shay enviou as pranchas para que esperassem no alto das árvores e olhou surpresa para tally você cheira a nervosismo tally deu de ombros sentindo­se desconfortável dentro do uniforme de dormitório dos feios shay sempre conseguia cheirar o que a pessoa sentia talvez sim chefe aqui tão perto da festa tally lembrou como sempre se sentia quando chegava a uma balada mesmo como uma perfeita avoada tally odiava o nervosismo de estar no meio de uma multidão sentindo o calor de tantos corpos e os olhares de todo mundo sobre ela agora a máscara parecia grudenta e estranha uma barreira que a separava do resto do mundo.

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muito pouco especial as bochechas ficaram vermelhas por um instante debaixo do plástico ela estava com vergonha shay apertou sua mão não se preocupe tally­wa são apenas feios o sussurro de fausto cortou o ar e estamos bem aqui ao seu lado ele colocou a mão no ombro de tally para apressá­la com delicadeza tally assentiu ouvindo a respiração calma e devagar dos demais via dermantena era exatamente como shay havia prometido os cortadores estavam ligados eram um grupo inseparável ela jamais ficaria sozinha outra vez mesmo quando sentisse falta de alguma coisa mesmo quando sentisse falta de zane de uma maneira desesperadora ela avançou pelos galhos seguindo shay em direção às luzes pulsantes as memórias de tally eram perfeitas agora ao contrário da época em que era uma avoada quando as lembranças eram confusas ela se recordava de como a festa da primavera era importante para os feios a chegada da estação significava dias mais longos para truques e andar de prancha além de mais festas ao ar livre mas conforme ela e fausto seguiam shay pelo meio da galera tally não sentia a mesma energia do ano anterior a festa parecia tão morna tão caída e medíocre os feios estavam apenas parados e tão envergonhados que qualquer um que dançasse daria a impressão de estar fazendo muito esforço todos pareciam tão sem graça e artificiais como os figurantes em um vídeo musical esperando os verdadeiros astros aparecerem ainda assim era verdade o que shay gostava de dizer os feios não eram tão sem noção quanto os perfeitos a galera abria espaço todos davam passagem para ela por mais que tivessem rostos imperfeitos e cheios de espinhas os olhos dos feios eram aguçados e atentos eles eram espertos o suficiente para perceber que os três cortadores eram

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diferentes ninguém encarou tally por muito tempo ou notou sua verdadeira aparência debaixo da máscara de plástico adaptável mas as pessoas se afastaram ao menor toque de tally sentindo um arrepio pelos ombros como se os feios tivessem noção de que havia algo perigoso no ar era fácil ver os pensamentos dos feios em seus rostos tally conseguia notar ciúmes e ódios rivalidades e atrações tudo exposto nas expressões e no jeito com que se mexiam agora que era uma especial tudo estava às claras como se observasse uma trilha na floresta do alto tally se viu sorrindo finalmente relaxando e pronta para a caçada descobrir os penetras seria simples ela vasculhou a galera procurando por qualquer pessoa que parecesse deslocada confiante ou musculosa demais bronzeada por viver na natureza tally sabia como era a aparência dos enfumaçados no outono anterior quando era feia shay fugiu para o mato a fim de escapar da operação dos avoados tally a seguiu para trazê­la de volta e as duas acabaram vivendo por algumas longas semanas na velha fumaça sobreviver como um animal tinha sido uma tortura mas aquelas memórias serviam para alguma coisa agora os enfumaçados eram arrogantes e se achavam superiores às pessoas da cidade tally levou apenas alguns segundos para notar ho e tachs do outro lado da festa eles se destacavam como um par de gatos passando em meio aos patos não acha que estamos sendo óbvios demais chefe sussurrou ela deixando que a dermantena transmitisse as palavras Óbvios como eles parecem tão sem noção nós parecemos especiais nós somos especiais shay olhou para trás na direção de tally e sorriu mas eu achei que devíamos estar disfarçados.

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isso não quer dizer que a gente não possa se divertir shay avançou de repente pela galera fausto se aproximou e tocou o ombro de tally observe e aprenda fausto era um especial há mais tempo que ela os cortadores eram um novíssimo grupo da divisão de circunstâncias especiais mas a operação de tally durara mais do que a dos outros ela tinha feito muitas coisas medíocres no passado e os médicos demoraram a retirar toda a culpa e vergonha acumuladas sobras de emoções medíocres podiam embaralhar o cérebro o que não era muito especial o poder vinha da lucidez sagaz de saber exatamente o que a pessoa era e de se cortar então tally ficou ao lado de fausto observando e aprendendo shay agarrou um rapaz aleatoriamente e o tirou da companhia da garota com quem conversava ele derramou a bebida no chão enquanto tentava se afastar reclamando mas então viu o olhar de shay tally notou que shay não era tão feia quanto os demais que os tons violetas dos olhos ainda eram visíveis apesar do disfarce eles brilhavam como os olhos de um predador sob as luzes pulsantes enquanto shay puxava o rapaz mais para perto encostando seu corpo no dele os músculos ondulando como uma corda sendo estalada depois disso ele não afastou mais o olhar mesmo quando passou a bebida para a garota medíocre que assistia boquiaberta o rapaz feio colocou as mãos nos ombros de shay e começou a acompanhar com o corpo os movimentos dela as pessoas passaram a observá­los eu não me lembro desta parte do plano disse tally baixinho fausto riu especiais não precisam de planos não de planos complexos pelo menos ele ficou atrás de tally com os braços em volta de sua cintura.

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ela sentiu a respiração dele na nuca e um formigamento percorreu seu corpo tally se afastou os cortadores se tocavam o tempo todo mas ela não estava acostumada com esse aspecto de ser uma especial tally se sentiu mais esquisita por zane não ter se juntado a eles ainda através da rede de dermantenas tally conseguiu ouvir shay sussurrando para o rapaz ela estava arfando embora pudesse correr um quilômetro em dois minutos sem suar um som agudo e áspero foi transmitido pela rede quando ela roçou seu rosto no do rapaz fausto riu quando tally recuou calma tally­wa disse ele massageando seus ombros ela sabe o que está fazendo aquilo era óbvio a dança de shay estava se espalhando atraindo as pessoas ao redor até então a festa era uma bolha flutuando tensa no ar até que shay a estourou liberando algo sagaz a galera começou a se dividir em pares braços envolvendo um ao outro e os movimentos acelerando o responsável pelo som deve ter notado porque o volume aumentou o baixo ficou mais grave os globos voadores pulsavam mais intensamente a galera começou a se agitar com a música tally sentiu o coração acelerar impressionada ao ver como foi fácil para shay envolver todo mundo a festa mudou de cara estava bombando e tudo por causa de shay isso não era como os truques estúpidos dos tempos de feias como atravessar o rio escondida ou roubar jaquetas de bungee jump isso era magia magia de especial e daí que ela estava com uma cara feia como shay sempre dizia no treinamento os avoados entendiam tudo errado não importava a aparência da pessoa e sim como ela se comportava como ela se via força e reflexos representam apenas um aspecto da questão shay simplesmente sabia que era especial e por isso mesmo ela era os demais representavam apenas papéis de parede um cenário fora de foco um zumbido sem sentido até que shay jogasse a própria luz sobre eles.

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venha sussurrou fausto puxando tally para longe da galera cada vez maior eles recuaram para o limite da área da festa e passaram despercebidos pelos olhos que prestavam atenção em shay e no rapaz medíocre vá por ali fique atenta tally concordou com a cabeça e ouviu os outros cortadores sussurrarem enquanto se espalhavam pela festa de repente tudo fez sentido a festa estava caída demais desanimada demais para acobertar os especiais e seus alvos mas agora a galera pulava de braços para o alto sacudindo ao ritmo da música copos de plástico voavam pelo ar tudo era uma tempestade de movimento se os enfumaçados planejavam entrar de penetra aquele era o momento pelo qual estavam esperando ficara difícil andar tally passou por um grupo de meninas praticamente crianças todas dançando juntas de olhos fechados o glitter espalhado pela pele irregular delas reluzia sob a luz pulsante dos globos voadores elas não se arrepiaram quanto tally forçou a passagem sua aura especial tinha sido atenuada pela nova energia da festa pela dança mágica de shay os esbarrões com os corpos feios lembraram tally do quanto ela havia mudado por dentro os novos ossos eram feitos de cerâmica aeroespacial leves como bambus e duros como diamantes os músculos eram feixes de monofilamentos autorreparadores os feios pareciam frouxos e fracos contra ela como brinquedos de pelúcia que ganharam vida barulhentos porém inofensivos um ping soou dentro da cabeça de tally quando fausto aumentou o alcance da rede de dermantenas ela ouviu trechos de barulhos os gritos de uma garota que dançava ao lado de tachs a batida retumbante ao local de ho próximo aos alto­falantes e por baixo de tudo isso as palavras de distração que shay sussurrava no ouvido do rapaz medíocre era como ouvir cinco pessoas ao mesmo tempo como se a consciência de tally estivesse espalhada pela festa inteira absorvendo a energia em uma mistura de ruídos e luzes.

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ela respirou fundo e se encaminhou ao limite da clareira procurando a escuridão fora do alcance da claridade dos globos voadores tally poderia observar melhor a situação daquele ponto controlar melhor a lucidez ao andar tally descobriu que era mais fácil dançar seguir o ritmo da galera em vez de forçar passagem por meio das pessoas ela se permitiu ser empurrada aleatoriamente pela multidão como quando deixava as correntes de vento guiarem a prancha imaginando que era uma ave de rapina fechando os olhos tally absorveu a festa com os outros sentidos talvez isso fosse o significado de ser um especial de verdade dançar com os demais enquanto tinha a sensação de ser a única pessoa real na multidão de repente ela sentiu um arrepio na nuca e abriu as narinas percebeu um cheiro distinto ao de suor humano e de cerveja entornada que trouxe a lembrança dos dias de feia a fuga e a primeira vez em que ficou sozinha no mato ela sentiu o cheiro de fumaça o odor persistente de uma fogueira tally abriu os olhos não era permitido que os feios das cidades queimassem árvores nem mesmo tochas a única luz da festa vinha de globos voadores e da lua minguante o cheiro devia ter vindo de algum lugar do lado de fora tally começou dar voltas pela festa lançando olhares para além da multidão tentando descobrir a fonte do odor ninguém se destacava era apenas um bando de feios sem noção dançando sem parar balançando os braços derramando cerveja não havia ninguém gracioso ou confiante ou forte e então tally viu a garota ela estava dançando música lenta com algum rapaz sussurrando em seu ouvido enquanto os dedos dele tremiam de nervoso nas costas dela fora de ritmo com a batida os dois pareciam crianças tentando brincar

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juntas pela primeira vez o casaco da garota estava amarrado na cintura como se não se importasse com o frio e do lado de dentro do braço havia algumas áreas pálidas onde estiveram adesivos de protetor solar essa garota passava muito tempo fora da cidade ao se aproximar tally sentiu o cheiro de madeira queimada outra vez os olhos novos e perfeitos notaram como o tecido da blusa da garota era rústico feito de fibras naturais e costurado à mão e apresentava outro cheiro estranho de sabão em pó a roupa não fora feita para ser vestida e jogada em um reciclador e sim lavada com sabão e esfregada contra as pedras de um córrego tally viu o corte irregular do cabelo da garota feito à mão com tesouras de metal chefe sussurrou ela a voz de shay soou desanimada já tally­wa eu estou me divertindo acho que encontrei uma enfumaçada tem certeza absoluta ela cheira a roupa lavada acabo de ver a garota falou fausto sobre a música de blusa marrom dançando com aquele cara sim e ela está bronzeada houve um suspiro de irritação e desculpas murmuradas enquanto shay se afastava do rapaz feio mais algum enfumaçado tally vasculhou a galera outra vez dando uma volta ao redor da garota tentando identificar outro cheiro de fumaça não até onde sei.

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