História de Guimarânia

 

Embed or link this publication

Description

O que o povo conta e os documentos registram.

Popular Pages


p. 1

A você que ama Guimarânia, oferecemos este livro, em comemoração ao Cinquentenário da sua Emancipação Política ocorrida em 30/12/1962. Com carinho, e ________________ _________________ ________ / ________ / ________

[close]

p. 2



[close]

p. 3

história DE GUIMARÂNIA O QUE o POVO CONTA e OS DOCUMENTOS REGISTRAM Anatildes Francisca Nunes e Colaboradores PREFEITURA MUNICIPAL DE GUIMARÂNIA GUIMARÂNIA - MG 2012

[close]

p. 4



[close]

p. 5

PREFEITURA MUNICIPAL DE GUIMARÂNIA Virmondes Machado PREFEITO MUNICIPAL Valci Aparecida Xavier Guimarães SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA história DE GUIMARÂNIA O QUE o POVO CONTA e OS DOCUMENTOS REGISTRAM AUTORA E ORGANIZADORA ANATILDES FRANCISCA NUNES COLABORADORES VÂNIA GUIMARÃES, VALCI APARECIDA XAVIER GUIMARÃES, CICINATO GUIMARÃES E OUTROS GUIMARÂNIA - MG 2012

[close]

p. 6

Design gráfico e diagramação: Allender da Luz Guilherme. Impressão: Editora Gráfica Silveira Ltda. Ficha catalográfica Organizadora NUNES, Anatildes Francisca Colaboradores: GUIMARÃES, Cincinato GUIMARÃES, Valci Aparecida Xavier GUIMARÃES, Vânia E OUTROS* História de Guimarânia: o que o povo conta e os documentos registram Guimarânia-MG. 2012. ISBN 978-85-66419-00-9 * Nomes creditados nos respectivos textos

[close]

p. 7

AGRADECIMENTOS A meus pais, irmãos, esposo, cunhados, netos, bisnetos, sobrinhos e amigos que já se foram, in memoriam. Aos mentores deste projeto: Sr. Virmondes Machado, prefeito de Guimarânia; Profª. Ms. Valci Aparecida Xavier Guimarães, Secretária de Educação e Cultura de Guimarânia. Agradeço também a todas as pessoas que participaram do trabalho de pesquisa, especialmente, a dois grandes colaboradores que levantaram a parte documental desde os primórdios de Guimarânia: Vânia Guimarães (professora), que se encarregou do trabalho virtual, assim como da digitação; Cincinato Guimarães (graduado em Ciências Econômicas), que forneceu uma gama expressiva de documentos. Meus agradecimentos também a Maria Augusta Rosa Nunes (diretora de Cultura), Sebastião Gonçalves da Cunha (ex-prefeito), Alaor Tadeu Ribeiro de Oliveira (secretário da Casa da Cultura), Rafael Gonçalves Machado (instrutor de informática), pela preciosa colaboração que prestaram na elaboração deste livro; e ainda, a todos aqueles que prazerosamente forneceram informações, emprestaram documentos e fotos para o enriquecimento deste trabalho. Agradeço de modo especial às minhas queridas irmãs, a escritora e membro da Academia Espírito-Santense de Letras e da Academia Feminina Mineira de Letras, Profª. Dra. Josina Nunes Drumond (Jô Drumond), e a socióloga Profª. Ms. Francisca Nunes Caixeta, pelo interesse, apoio e valiosas orientações, bem como ao professor Moacir Cordeiro pela paciente leitura e correção dos textos originais, pela amizade e força; e ao jornalista e amigo Francisco Brant, pelas sugestões e colaboração. Agradeço à minha família em geral e, em particular, aos meus filhos Sônia, Pedro e Simone, pela aceitação de minhas frequentes ausências durante o desenvolvimento da pesquisa e elaboração deste trabalho. Agradeço também a todos os amigos pelo apoio e, sobretudo, pelo fato de reconhecer a relevância deste resgate histórico de nossa terra e de nossa gente.

[close]

p. 8

Dedico este livro aos guimaranenses em geral, que fazem de sua terra uma cidade aprazível e progressista; àqueles que adotaram Guimarânia como sua segunda terra, assim como aos conterrâneos que já se foram, mas permanecem vivos em nossa memória e em nossa história.

[close]

p. 9

Prefácio Anatildes Francisca Nunes nos apresenta neste magnífico trabalho, uma obra que entrecruza narrativas orais e registro histórico comprovado por fotos e documentos resultando, portanto, em um misto de literatura e memória. Trata-se de uma história tecida com fios coloridos de boa vontade, respeito, paciência, persistência e muito carinho. De um lado estão as histórias que o povo conta e de outro, fatos e pessoas que se destacaram na construção da história de um pequeno município incrustado nas Minas Gerais. O que se nota, é que as lembranças e a saudade reconstroem aquilo que ficou registrado na memória e que foi preciso agora, depois de esquecido, ser lembrado e traduzido, de forma particular, pelas palavras. Se estas não são capazes de serem retratos fiéis do que foi resgatado, pode-se dizer que as mesmas foram acrescidas com o sabor de um passado que se tenta atualizar e recuperar. Mas o resultado são impressões do que foi visto, vivido e sentido pelas pessoas que se tornam personagens de uma história que se resgata com o colorido e o gosto do hoje, diferentes daqueles do passado. Isso não impede que o que se lê seja uma verdade; apenas é uma outra verdade criada pela emoção de quem conta e resgata. História de Guimarânia: o que o povo conta e os documentos registram, nos proporciona uma leitura agradável, envolvente, onde deslizam pessoas e fatos, folclore e imaginação, bem ao gosto do homem contemporâneo que busca imortalizar sua história. Dessa forma, Anatildes, uma grande mulher e escritora, introduziu Guimarânia no sertão roseano, porque se Guimarães Rosa afirmou que “O sertão é o mundo”, essa mulher, verdadeira tecelã, teve a ousadia e a coragem de tecer e registrar um mundo de histórias vividas e contadas por pessoas que se tornam iguais em sentimentos e lutas em suas travessias de vida. Valci Aparecida Xavier Guimarães

[close]

p. 10



[close]

p. 11

SUMÁRIO CAPÍTULO I - PRIMEIRAS HISTÓRIAS ....................................................................................... 15 O arraial. A ocupação da terra. A derrubada. As serrarias. Carpintarias e Marcenarias. Oque o povo conta. Começo com fé. Carta de José Graciano. D. Palmira Alves Cordeiro. A história em versos. Totonho Luciano: Primeiro comerciante. Cemitério. Energia elétrica. CAPÍTULO II - DE DISTRITO A MUNICÍPIO .............................................................................. 31 Alteração toponímica. Municípios vizinhos. Aspectos físicos. Primeiras estradas. O que os documentos registram. De Vargas ao pós-guerra. Criação da vila. Instalação do cartório. Início da Vila Guimarães. Período do pós-guerra. Companhia Força e Luz de Gumarânia. Correios e água. A Emancipação. Eleição de 1958 em Patos. Discurso do Dr. José Daniel Belluco. CAPÍTULO III - ARMAS E SÍMBOLOS ........................................................................................ 61 Hino a Guimarânia. A partitura. A bandeira. O escudo. CAPÍTULO IV - DO INTENDENTE AOS PREFEITOS ................................................................... 65 O Intendente. Os primeiros 182 dias. Primeiro prefeito eleito e primeira câmara. Prefeitos, legisladores e gestões. CAPÍTULO V - EMANCIPAÇÃO, DESENVOLVIMENTO, LEIS E SERVIÇOS .................................. 91 Abastecimento de água. SOREMA Clube. Início da pavimentação asfáltica. Mobral. Telecomunicações. Resfriamento de leite. Banco Itaú. Polícia Militar. TV Triângulo. Banco do Brasil. Leis diversas. Terminal Rodoviário e Instituições. Confecções. CAPÍTULO VI - PROGRESSO E CURIOSIDADES ........................................................................ 107 PROGRESSO: O Moinho de Trigo. Casas Comerciais. Posto de Combustível. As Padarias. Fabricação de farinha. Os primeiros carros. O caminhão GMC 1951. Primeiro ônibus. Escola de datilografia. Ferreiros. Cantina Menino Jesus. Curso Madureza. CURIOSIDADES: O sineiro. O Alto falante e vai-e-vem. O cinema. A danceteria. O voto feminino. Confecção dos primeiros caixões. Ecologia. Construção do Grupo Escolar. Dona Maria e o panelão de sopa. Preimeira pensão – Palhaço. O retratista. Massilon Machado – farmacêutico, parteiro e poeta. O sapateiro. A emboscada. Compositores. Conselheiro Rufino e Dona Jovita. Primeira casa encerada. Primeiro telefone. Pedra fundamental do Ginásio Francisco Guimarães. O carteiro Dudu. O Papai Noel Lazinho. Maiores de 100 anos. CAPÍTULO VII - COMUNIDADES RURAIS ................................................................................. 129 Caixetas. Capoeirinhas. Borges. Marques e Cerradão. CAPÍTULO VIII - EDUCAÇÃO .................................................................................................... 137 Escola Municipal Monsenhor Sebastião Fernandes. Escola Municipal Vicente Mandu. Centro de Educação Infantil Pequeno Príncipe. Primeiras Escolas Rurais. APAE. Escola Estadual Irmãos Guimarães. Escolas Particulares: All e Sistema Polis de Ensino. CAPÍTULO IX - DESENVOLVIMENTO SOCIOCULTURAL .......................................................... 159 Centro Educativo Cultural. Centro de Referência e Assistência Social – CRAS. CAPÍTULO X – MÚSICA, ALEGRIA E PARTICIPAÇÃO ................................................................ 177 Corporação Musical Santa Cecília e Corporação Musical Municipal Santa Cecília. Orquestra de violeiros. CAPÍTULO XI - SAÚDE ............................................................................................................. 185 Serviços de saúde. Parteiras. Dentistas. Raizeiro. Farmacêuticos. Saúde pública: primeiros passos. Unidade Mista Dona Inês. Clínica Odontológica. Parceiros da Saúde. Amigos da Saúde. Farmácia de Minas. Plano Municipal de Saúde. Terceira e melhor idade. Projeto “Agita Guimarânia”.

[close]

p. 12

CAPÍTULO XII - RELIGIOSIDADE .............................................................................................. 195 Igrejas Antigas: Capela de Nossa Senhora do Rosário. Devoção a São Sebastião. Igreja Matriz. Igreja Presbiteriana. Igrejas Recentes: Centro Espírita Divina Luz. Demais igrejas. CAPÍTULO XIII - USOS E COSTUMES ....................................................................................... 201 Vida da família rural. Como eram os casamentos. Carros de boi. Devoção à Nossa Senhora do Rosário. Engenhos de cana. Fumo capoeirinha. Cachaça. Tintura. CAPÍTULO XIV – O FUTEBOL EM GUIMARÂNIA ...................................................................... 221 O início. Os campos de futebol. Fato cômico. Os primeiros jogadores. Treinador. O primeiro presidente. Galeria de times. Esporte atual. CAPÍTULO XV - FATOS INÉDITOS ............................................................................................ 231 Esquadrilha da Fumaça. Visita do Governador. Papai Noel de helicóptero. Exames do Detran. XIII Congresso Diocesano. Mini Miss Rainha das Nações. Congresso Vicentino. CAPÍTULO XVI - PESSOAS QUE NÃ O PODEMOS ESQUECER ................................................... 243 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................... 249

[close]

p. 13

INTRODUÇÃO “A vida passa, mas as histórias ficam” Jô Drumond Com o objetivo de preservar a memória daqueles que fizeram ou ainda fazem a história de Guimarânia, o atual prefeito, Senhor Virmondes Machado, juntamente com a Secretária Municipal de Educação e Cultura, Profª Ms. Valci Aparecida Xavier Guimarães, tiveram a feliz ideia de publicar em formato de livro, um levantamento de dados históricos e estatísticos, a partir de documentos, atas e relatórios existentes em arquivos, assim como do relato de pessoas que viram Guimarânia nascer e crescer, e que, de certa forma, participaram desse crescimento. Os mentores do projeto solicitaram que eu assumisse a responsabilidade por esta pesquisa. Interessei-me sobremaneira pela tarefa, devido à relevância do trabalho a ser desenvolvido. Mergulhei prazerosamente na pesquisa como viandante, buscando aqui, ali e acolá, retalhos para compor um painel sobre nossa cidade. Percebi que as pessoas entrevistadas se sentiam valorizadas ao relatar com entusiasmo sua história, bem como a história de nosso povo e de nossa terra. Graças ao interesse de tantas pessoas envolvidas, surgiu, como uma bênção, a ideia de criar no Departamento de Educação e Cultura, um espaço para arquivar relatos das famílias tradicionais guimaranenses e também daqueles que a adotaram como sua segunda terra. Esta é, sem dúvida, uma iniciativa da maior relevância porque representa o alicerce dessa promissora cidade. Tais relatos serão uma importante fonte de pesquisa para o enriquecimento do acervo cultural da cidade. Os tópicos que se seguem têm como objetivo a padronização dos dados que servirão de apoio às famílias e entidades ao relatar as suas histórias: Origens da família • Nome e dados dos entrevistados • Nomes e fotos de seus antepassados. • Origem de seus antepassados (de onde vieram, quando vieram e por que vieram). Atuação junto à comunidade • Atividades exercidas. • Descendentes e suas profissões. • Serviços que prestaram à comunidade. • Fatos e acontecimentos marcantes dos quais tenham conhecimento e/ou participação. Opinião dos entrevistados • Paralelos entre Guimarânia de 50 anos atrás e de hoje. • A visão de Guimarânia, hoje. Os dados coletados representam um importante registro para as futuras gerações e ficarão arquivados à disposição de todos, no Departamento de Educação e Cultura de Guimarânia. Para escrever sobre a história de Guimarânia, procurei a veracidade dos fatos da maneira que me foi possível. Entrevistei pessoas bastante lúcidas, embora algumas delas bem idosas, que foram participantes e/ou testemunhas oculares da formação do “Arraial da Boca da Mata”, do Distrito, da Vila e da cidade de Guimarânia. Os nomes dos entrevistados estão abaixo relacionados: • Adailton Bernardes Dias – (1940) – ex-jogador de futebol e comerciante. • Adailton Pereira Nunes – ex-jogador e fazendeiro. • Antônio Camargos Braga (1928) e esposa. Ele, eletricista. • Baltazar Guimarães (1925) – técnico em contabilidade.

[close]

p. 14

• Cincinato Guimarães – pesquisador da história da família Guimarães e empresário. • Conceição Santa Rosa (1937) – professora aposentada. • D. Almerinda – (viúva de Manoel mecânico). • Edson Caixeta (1934) – advogado, primeiro diretor da E. E. “Irmãos Guimarães”. Atuou nesse cargo durante 22 anos. • Eli Ferreira Caixeta (1932) – agropecuarista e vice-prefeito de vicente Guimarães. • João José Ferreira – (1914–2007) – vereador e comerciante, seleiro, sócio fundador da C.F.L.G., • Geraldo Barbosa (1941) – bancário. • Irami Guimarães (1929) – professora, ex-diretora da E. E. “Irmãos Guimarães • João Ferreira Silva (1923) – ferreiro. • João Graciano de Brito (1919) – ferreiro. • João Santana (1950) – vereador, fazendeiro. • Luzia dos Reis (Luzia Baú) (1932) – cantora, do lar. • Maria Abadia Guimarães – primeira 1ª Dama de Guimarânia. • Maria Conceição Cardoso (1949) – rainha perpétua de N. S. do Rosário, do lar. • Maria Dias Machado (Natália) (1944) – professora, atual primeira dama. • Massilon Silva (1944) – carpinteiro, juiz de paz. • Miguel Marins (1926) – barbeiro. • Moacir Cordeiro, (1941) – professor, vice-prefeito de Onésio P. Nunes e pecuarista. • Osmário Gonçalves dos Reis (1924 - 2012) – ex-prefeito, fazendeiro. • Palmira Alves Cordeiro (1918 – 2012) do lar. • Paulo Gonçalves Dias (1933) – rei perpétuo de N. S. do Rosário, aposentado. • Rubes dos Reis Nunes (1936) – ex-jogador de futebol e pecuarista. • Sebastião Gonçalves da Cunha (1944) – administrador de empresa, ex-prefeito. • Sergio Cunha (1972) – músico responsável pela transcrição da partitura do Hino à Guimarânia. • Virmondes Machado (1941) – administrador de empresa, atual prefeito. Entre outros. Pesquisei também textos escritos por: José Graciano (1909–2006), Oscar Pereira Nunes (1915–2007), D. Palmira Alves Cordeiro ( texto ditado por ela e redigido por suas filhas) e poema histórico de Samuel da Silva Pinheiro. Foram ainda pesquisados textos oriundos dos arquivos da Câmara Municipal, da Prefeitura, do Cartório, Escritório Paroquial, da Casa da Cultura de Guimarânia, do Museu e do Cartório da cidade de Patos de Minas, assim como textos de Santana de Patos. Busquei também na minha memória, histórias que me foram passadas por meu pai, Francisco Nunes Valadão (1883–1985), que residiu em Caixetas até 1927; por meu sogro Pedro Ricardo Caixeta (1890–1975) vereador e que representou Vila Guimarânia na Câmara de Patos de Minas em quatro pleitos. Este trabalho representa uma louvável iniciativa do poder público, pela importância de deixar às futuras gerações um registro histórico da tradição de nossa gente e nossos costumes. Publicado sob os auspícios da Prefeitura de Guimarânia, poderá ser expandido e atualizado por novos pesquisadores e pelas novas gerações que, certamente, enriquecerão os dados aqui contidos com outras luzes e outros matizes. Para mim representa uma experiência prazerosa e rica no sentido de ter podido adquirir novos conhecimentos a respeito dos usos e costumes de antigamente e de resgatar a memória do nosso povo. Na expectativa de que os órgãos públicos possibilitem a continuação desse trabalho, e de que novos materiais de pesquisa sejam encontrados ou resgatados pelos futuros pesquisadores, dou aqui o modesto “pontapé inicial”, na esperança de que eventuais controvérsias sejam esclarecidas e que tenhamos uma brilhante “partida” pela frente. Anatildes Francisca Nunes (Organizadora)

[close]

p. 15

História de Guimarânia CAPÍTULO I primeiras hIstórias Guimarânia vive, Guimarânia cresce, Guimarânia é imortal. O arraial Como todo princípio de cidade resulta de um aglomerado de gente, Guimarânia era, em 1.925, um arraial em torno de um cruzeiro denominado “Povoado de Serra Negra da Boca da Mata”. Na segunda metade do século XVII, muitos bandeirantes passaram por essa região, atraídos pela descoberta das minas de ouro em Paracatu. No trajeto, prendiam e escravizavam índios para obter mão de obra. A primeira bandeira que passou por terras patenses foi chefiada por Lourenço Castanho Taques, em 1670. Uma bandeira que muito lutou com índios da região e, sempre vitoriosa, continuou a andar sertão a dentro, até atingir aos longes de Paracatu. Muitas bandeiras, entre elas a de Bartolomeu Bueno da Silva, o famoso Anhanguera, passaram por esta região. Enquanto umas vinham de São Paulo, outras do Nordeste, prin­ cipalmente de Pernambuco e da Bahia. Eles seguiam rumo a Goiás e Paracatu, atraídos pelas descobertas de ricas minas de ouro. Lá fundaram povoações. No trajeto dessa picada encontram-se atualmente as cidades de Rio Paranaíba, Carmo do Paranaíba, Lagoa Formosa e Patos de Minas (MELLO, OLIVEIRA e SILVA, 2006, p.81). Conforme consta em registros históricos, o bandeirante Lourenço Castanho Taques percorreu os sertões de Minas Gerais na sua ida de Araxá a Paracatu em busca de ouro. Consta também que o bandeirante Bartolomeu Bueno “O Anhanguera”, e vários outros passaram por essa região do Alto Paranaíba, dando origem aos municípios mais antigos, inclusive Patos de Minas que é o nosso município de origem. Inicialmente, o povoado era chamado de Serra Negra da Boca da Mata, referindo-se à paisagem local. O limite do horizonte eram serras cobertas de densa vegetação nativa de cor escura e a boca da mata indicava o início de extensas florestas onde abriam estradas e espaços para moradias. Atraídos pela beleza topográfica de serras, colinas, planícies, campos e matas, pelas terras férteis e clima ameno, assim como pela existência de rio e córrego, algumas famílias aqui se radicaram. Para tornar ainda mais bela essa paisagem bucólica, erigiram uma cruz bem alta de madeira (aroeira), símbolo da fé do povo, em torno da qual nasceu o povoado de “Serra Negra da Boca da Mata”, que mais tarde passou a denominar-se “Vila Guimarães”, logo depois “Vila Guimarânia” e por último, “Guimarânia”. O professor Alberto Barbosa da Silveira, autor e compositor do belo hino de nossa cidade, descreve-a com a seguinte frase: “Ó terra fecunda que a tudo germina”. É realmente uma terra profícua, não apenas na produção agropecuária, mas também na Educação e Cultura, em seus vários aspectos. Guimarânia é uma cidade ainda jovem, com apenas meio século de emancipação política, mas sua história começou há mais de oito décadas. Radicaram-se aqui pessoas idealistas, desprendidas, batalhadoras que apostaram no crescimento e no desenvolvimento desse povo, dando para isso o melhor de si. Nos primórdios de Guimarânia, o pulsar simultâneo de muitos corações, harmonizados na mesma cadência, formava um só coração. Cidadãos unidos buscavam novos caminhos, no afã de engrandecer cada vez mais seu torrão natal. Nos primeiros anos da emancipação, nossa prefeitura era como uma criança que queria caminhar, mas ainda não tinha forças nem equilíbrio suficientes para avançar com facilidade. Para os primeiros pleitos, a comunidade elegeu prefeitos e vereadores de situação econômica estável. Eram pessoas idealistas e desprendidas, que tinham como principal objetivo ver Guimarânia crescer, fulgurante, entre os jovens municípios daquela época. Guimarânia começou a erguer-se com firmeza, estabilidade, lisura e probidade. Foi assim que tudo começou. 15

[close]

Comments

no comments yet