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Ano XII - Edição 140 - Julho de 2019 Distribuição Gratuita Na fila desde o berço Nossas crianças sem infância Na cidade de São Paulo, há u- Pelo artigo 403 da lei 10.097, de 19 de dezembro de 2000, é proi- ma fila mais de imensa de crianças, cem mil, à espera de bido qualquer trabalho aos menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos até os 16. Até vaga numa sua casa. creche próxima de os 12 anos é totalmente proibido, e entre 16 e 17 anos é permitido o trabalho com restrições, são proibidas atividades noturnas, perigosas, penosas e insalubres. Matéria completa: Matéria completa: As Sociedades do Cansaço PORQUE VOTAMOS EM HITLER? A expressão “A Sociedade do Cansaço” é o título de um livro escrito pelo filósofo Byung-Chul Han, sul-coreano mas fez a sua carreira na Alemanha.Mas a humanidade não é uma só sociedade, é um conjunto de sociedades, que vivem em territórios demarcados (países), e têm diferenças de idiomas e de Por que a Alemanha, o país com um dos melhores sistemas de educação pública e a maior concentração de doutores do mundo na época, sucumbiu a um charlatão fascista? costumes entre si. Mas várias sociedades realmente estão re- Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler pletas de problemas que estão causando infelicidade à muitos era pouco mais do que um ex-militar bi- indivíduos. zarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. O modo de produção no qual estamos inseridos tem como objetivo principal o lucro e estimula o consumo exagerado. E há Matéria completa: também o fenômeno de divisão da sociedade em classes conforme o poder aquisitivo. Matéria completa: O encobrimento do Brasil Em 1992, por ocasião dos Como as democracias se suicidam 500 anos da viagem de Co- Um tema que fica para os psicanalistas da alma social: expli- lombo, houve intenso e ex- car a transição do amor ao ódio político tenso debate nas Américas e Sobre ser um belo e bem realizado documentário, na Europa sobre o vocabulá- “Democracia em Vertigem” é instigante ensaio sobre o proces- rio adequado para descrever a chegada dos europeus ao continente. so político contemporâneo e nos sugere algumas reflexões a Uma crítica devastadora foi então feita ao uso da palavra propósito dos caminhos e descaminhos da democracia brasi- "descobrimento", ou "descoberta", por representar um insuportável et- leira, sempre forcejando por conquistar espaço e pouso em nocentrismo europeu. De fato, só foi descobrimento para os europeus. nossa história de país, nação e Estado (assim nessa ordem) Aqui viviam, em 1492, cerca de 50 milhões de habitantes, não muito autoritários. menos que a população da Europa. Matéria completa: Matéria completa: COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS: CONSTRUINDO A EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI. Você certamente já deve ter ouvido falar sobre a neurociência, ou seja, o estudo sobre as conexões e codificações do Sistema Nervoso Central e as suas implicações. Nas últimas décadas, as pesquisas e os campos de atuação da neurociência foram também integrados à educação, nos levando a perceber que existem diferentes maneiras do Sistema Nervoso Central reagir aos estímulos recebidos pelo ambiente, processando-os e transformando-os em aprendizagem. Matéria completa: CULTURAonline BRASIL Palestras e boa música Palestras: - Cultura - Educação - Meio Ambiente - Cidadania Baixe o aplicativo Google Play no site www.culturaonlinebr.org A psicologia de massas do fascismo on- Por que a Amazônia é importante? tem e hoje: por que as massas caminham sob a direção de seus algozes? Matéria completa: O que liga a floresta Amazônica, o aquecimento mundial e você? Há muito tempo a floresta Amazônica é reconhe- cida como um repositório de serviços ecológicos, não só para os povos indígenas e as comunida- des locais, mas também para o restante do mun- do. Matéria completa: Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 2 Escolhas Na fila desde o berço Na cidade de São Paulo, há uma fila imensa de crianças, mais de cem mil, à espera de vaga numa creche próxima de sua casa. E a fila do cadastro que não anda, é cortada, aqui e ali, por ordem judicial. Há, em São Paulo, hoje, centenas de mulheres mães angustiadas, pressionadas, sem poder trabalhar, pois não têm onde deixar seus filhos pequenos, ou são mulheres indo trabalhar com o coração apertado, por deixar seus pequenos com irmãos mais velhos, mas ainda crianças, ou com a vizinha, que promete dar uma força. Crianças em casa, sozinhas. Tudo incerto, tudo cheio de medo e perigo. Milhares de Marias cansadas de bater na porta do estado/município para buscar o direito de seus filhos, um direito que está escrito na Constituição Federal, faz tempo: o Município tem que garantir à criança, até cinco anos, educação infantil, na creche e na préescola. Na cidade de São Paulo, há uma fila imensa de crianças, mais de cem mil, à espera de vaga numa creche próxima de sua casa. Cadastrar o filho para uma vaga em creche na capital, hoje, é apenas certeza de fila longa e de espera incerta. O governo municipal, até agora, prometeu e não cumpriu e a fila só aumenta. O Judiciário se atola em centenas de pedidos para que se obrigue o Município a cumprir sua obrigação. E a fila do cadastro que não anda, é cortada, aqui e ali, por ordem judicial, que dá a quem pleiteia o que lhe é de direito e faz justiça. Mas que, ao final, é uma justiça pela metade, pois não consegue atender a todos, meninas e meninas, que brincam na rua, ficam em casa, e não podem usufruir de seu direito de ter educação. A Prefeitura de São Paulo precisa investir fundo e forte na construção de creches, em caráter pra lá de emergencial, sob pena de estar violando, diária e ininterruptamente, o direito de milhares de crianças paulistanas, que por certo, contam mais de 120 mil, pois há muitas Marias que já desistiram de pedir e receber um não. E tudo, em São Paulo, a cidade mais rica do pais, ou não é?! Autora: Dora Martins é membro da Associação Juízes para a Democracia e da Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo. Acordei bem cedinho E vi com olhos tristes Que colocaram passarinhos Para cuidar do alpiste E puseram madeireiros Egoístas e carniceiros Para proteger os índios E convidaram carunchos Para como jagunços Escoltarem o trigo. E às galinhas esfomeadas Deram a missão oficial De integrar a guarda De proteção do milharal E comprovei estupefato Que centenas de ratos Foram escolhidos a dedo Para integrar os pelotões Dos roedores guardiões Das fábricas de queijos. Vi contratarem pedófilos Como gentis seguranças Para levarem ao zoológico Inocentes crianças E sem poder acreditar Vi que puseram um tamanduá Como protetor do cupinzeiro Então me cobri com a fronha Morrendo de vergonha Das escolhas dos brasileiros. O papel da educação no voluntariado A educação é a principal “arma” para a solução dos problemas no mundo, quanto mais pessoas devidamente e corretamente educadas e aqui estou me referindo ao papel que a educação deveria cumprir e não o que hoje tentam infringir a ela, ou seja ensinar as questões técnicas e não valores que na minha opinião são de responsabilidade da família. O papel fundamental da educação na sociedade traz a ela grande responsabilidade e capacidade de mudar o rumo de países. A educação pode e deve ser um grande aliado do trabalho voluntário e engajamento social, não como uma atividade extra curricular e eventual, mas sim uma atividade que pode permear todas as matérias curriculares e ser tema rotineiro, mas não da forma que muitas instituições vem fazendo, colocando os alunos em ações, sem uma explicação ou contextualização sobre o que é e porque se pratica o trabalho voluntário, é preciso um refletir e fazer o aluno se tornar protagonista das ações, não só no fazer mas no planejar, no entender o contexto, pensar em soluções e ações que efetivamente farão a diferença para o publico escolhido para ser atendido. Criar e fazer acontecer uma ação de trabalho voluntário é relativamente simples, mas fazer o aluno participar efetivamente de sua concepção e realização da muito mais trabalho e leva tempo e planejamento e precisa ser feito com conhecimento e por pessoas com experiência, pois caso contrario todos serão cobaias, alunos, instituição e quem receberá o trabalho. Como muita coisa que acontece desta forma, qualquer profissional faz o que o capacitado e especializado demorou e investiu para construir sua bagagem. A educação deveria dar exemplo nesse ponto também, não colocar qualquer um para realizar atividades para as quais existem profissionais habilitados e capacitados para exercer. Autor: Roberto Ravagnani Autor: Eduardo de Paula Barreto Colaboraram nesta edição Colunistas Fixos: Mariene Hildebrando Genha Auga Filipe de Sousa Fábio Luiz de Souza João Paulo E. Barros Colaboradores esporádicos nesta edição: Dora Martins Oliver Stuenkel Roberta Sperandio Traspadini Frederico Kukso Roberto Ravagnani Aberio Christe Paula Eicke Eduardo de Paula Barreto José Murilo de Carvalho Mauro Iasi Suria Barbosa Portais: Callendar, WWF e BBC Brasil IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Diretor, Editor e Jornalista responsável Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 3 Nossas crianças sem infância Pelo artigo 403 da lei 10.097, de 19 de dezembro de 2000, é proibido qualquer trabalho aos menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos até os 16. Até os 12 anos é totalmente proibido, e entre 16 e 17 anos é permitido o trabalho com restrições, são proibidas atividades noturnas, perigosas, penosas e insalubres. No Brasil, mais de 700.000 mil crianças e adolescentes estão em situação extrema de trabalho infantil, indica relatório da UNICEF. “Hoje, as Américas têm o menor número de crianças em situação de trabalho infantil, mas o peso do Brasil nesse quadro é ainda muito grande”, lamenta a coordenadora do Programa de Combate ao Trabalho Infantil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Maria Cláudia Falcão. Tivemos uma queda no número de crianças e adolescentes que trabalham, mas estamos longe da erradicação desse problema. A proteção a infância é um direito social garantido constitucionalmente ( artº 6º, CF). A Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, com certeza contribuíram para que essa realidade começasse a mudar. O Trabalho infantil viola os direitos humanos e os direitos trabalhistas. Viola a infância, a oportunidade da criança crescer de forma saudável, lúdica e se desenvolver plenamente. A criança não consegue ampliar suas aptidões e desenvolver seus talentos. Crianças e adolescente que deveriam estar frequentando uma escola, e não estão, o que compromete sua educação. Não há dúvida que o trabalho infantil está relacionado à situação sócio econômica da família. A pobreza é um dos fatores que levam a essa condição. O combate a pobreza com certeza diminuiria a percentagem de crianças e adolescentes que trabalham. A maioria dessas crianças está trabalhando na agricultura de subsistência, para o consumo da própria família, e outras trabalham como auxiliar familiar, não são remuneradas, mas auxiliam em casa enquanto a mãe trabalha fora. Temos ainda o trabalho informal urbano (venda de balas nas sinaleiras), por exemplo, crianças e adolescentes que sofrem exploração sexual e as que estão ligadas ao mundo do crime. A maior parte dessas crianças e adolescentes são meninos. E mais da metade dessas crianças trabalham em ambientes perigosos e insalubres, o que compromete a sua saúde física e mental, estão sujeitas também a vários tipos de abusos. É uma luta que não é fácil, é complicada, deve ser constante e requer atenção de todos. Um fator predominante que agrava essa situação é a desigualdade social e a pobreza. O combate a miséria está fortemente ligado ao fim do trabalho infantil. O Estado democrático de Direito deve salvaguardar e garantir a todo ser humano igualdade de condições, uma existência digna, e respeito as diferenças. “[...] Toda criança nasce com o direito de ser. É um erro muito grave, que ofende o direito de ser, conceber a criança como apenas um projeto de pessoa, como alguma coisa que no futuro poderá adquirir a dignidade de um ser humano. É preciso reconhecer e não esquecer em momento algum, que, pelo simples fato de existir, a criança já é uma pessoa e por essa razão merecedora do respeito que é devido exatamente na mesma medida a todas as pessoas.” (DALLARI; KORCZACK, 1986, p. 21). . É necessário entender que se queremos uma sociedade mais justa com menos desigualdades sociais, devemos ser atuantes e fazer as mudanças que queremos ver. Cada atitude é fundamental nessa luta que é de todos. Implementar políticas públicas, mudança de mentalidade dos que acham que é melhor a criança estar trabalhando do que na rua aprendendo a ser criminoso,é um paradigma que tem que ser mudado. É necessário um compromisso da sociedade para que seja fortalecido o exercício da cidadania. As nossas crianças são responsabilidade de todos nós. É preciso fortalecer o empenho para que a exclusão, a pobreza, a falta de oportunidades não continuem aumentando e levando nossas crianças para o mundo do trabalho precocemente. Trabalho que retira delas o direito de ser simplesmente criança. Autora: Mariene Hildebrando Professora e especialista em Direitos Humanos ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS (Todas as Datas? Visite nossa biblioteca no site) 02 - Dia do Hospital 02 - Dia do Bombeiro Brasileiro 06 - Dia da criação do IBGE 09 - Dia da Revolução Constitucionalista 10 - Dia da Pizza 13 - Dia Mundial do Rock 14 - Dia da Liberdade de Pensamento 15 - Dia do Homem 17 - Dia de Proteção às Florestas 18 - Dia Internacional de Nelson Mandela 19 - Dia Nacional do Futebol 20 - Dia da 1ª Viagem à Lua 25 - Dia do Escritor 30 - Dia Internacional da Amizade Bem vindo Julho! Que todo esse frio delicioso possa fazer com que possamos aquecer o coração, a mão e o amor um dos outros! Muito amor por favor! Autora: Paula Eicke Melhor Melhor que a refeição é a companhia de que partilha o alimento; Melhor que a anedota é rir junto com um amigo; Melhor que as palavras é o olhar que demonstra admiração e amor; Melhor que uma doação é o coração aberto à necessidade do outro; Melhor que a recompensa é a satisfação de ter feito algo bom; Melhor que realizar um sonho é a capacidade de sonhar; Melhor que ter um milhão de amigos é ter um amigo que vale muito mais que qualquer milhão; Melhor que ser bem sucedido é proceder bem em tudo que faz nesta vida; Melhor que vencer o concorrente é celebrar vitória com uma pessoa especial; Melhor que viver muitos relacionamentos é se relacionar bem com alguém; Melhor que ganhar muito dinheiro é não perder sua vida para o dinheiro; Melhor que ter uma certa religião é fazer o que é certo independente da religião; Melhor que ter conhecimento é saber o que fazer em qualquer momento; Melhor que se vangloriar do passado é buscar a glória em qualquer tempo; Melhor que ter muitos seguidores é ajudar muitos a traçar o seu próprio caminho; Autor: Aberio Christe Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 4 COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS: ganhando a pauta da agenda internacional para educação desde a década de 1990. O Relatório Jacques Delors (UNESCO) e o Para- CONSTRUINDO A EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI. digma do Desenvolvimento Humano (PNUD) colocaram as pessoas Você certamente já deve ter ouvido falar sobre a neurociência, ou no centro dos processos de desenvolvimento e apontaram para a seja, o estudo sobre as conexões e codificações do Sistema Nervo- educação como a oportunidade para transformar o potencial delas so Central e as suas implicações. Nas últimas décadas, as pesqui- em desenvolvimento. sas e os campos de atuação da neurociência foram também inte- A partir do momento em que a UNESCO estabeleceu os quatro pi- grados à educação, nos levando a perceber que existem diferentes lares da educação (I) Aprender a conhecer, (II) Aprender a fazer, maneiras do Sistema Nervoso Central reagir aos estímulos recebi- (III) Aprender a ser, (IV) Aprender a conviver; especialistas de di- dos pelo ambiente, processando-os e transformando-os em apren- versas áreas discutiram e definiram as melhores competências a dizagem. serem desenvolvidas, necessárias para alcançarem estes pilares, As novas pesquisas em educação ganharam novos contornos garantindo assim o aprendizado. Neste contexto, analisaram o de- quando compreendeu-se que o processo ensino-aprendizagem não senvolvimento socioemocional atrelado ao cognitivo em todos os se desenvolve em todos os indivíduos da mesma forma e ao mes- contextos (escola, família, comunidade, ambiente de trabalho, etc). mo tempo. Cada pessoa possui sua própria maneira e seu próprio Especialistas como Lee Wing On, conectaram as competências es- ritmo de aprendizagem, não sendo possível criar um padrão. tudadas aos soft skills (habilidades maleáveis), ou seja, a um con- junto de características sociais e comportamentais. Imagine uma escola em meio a floresta. Imagine os alunos: um ma- caco, um esquilo, uma onça-pintada e um peixe. O programa de Mediante a estas pesquisas e os resultados que elas revelaram, curso é claro: para obter a aprovação é necessário subir até a copa concluiu-se que um efetivo trabalho com competências socioemo- da árvore. Poder-se dizer que o peixe é incompetente por não con- cionais no ambiente escolar propicia uma aprendizagem mais com- seguir subir? Parece estarrecedor? Pois é, este é o sistema de en- pleta e significativa. sino e avaliação que muitas instituições ainda adotam: classificar O maior questionamento que ouço de educadores em minhas for- pessoas com o critério de resolução de tarefas-padrão, promoven- mações é a queixa do excesso de conteúdos e o extenso Currículo do os que obtêm êxito e excluindo os que não. que a maioria deles precisam dar conta. E a conclusão que eu che- O objetivo primeiro e mais importante da educação é promover a go é que trabalhar com competências socioemocionais não implica formação integral dos indivíduos. Ou seja, não se espera apenas em abandonar o Currículo ou o conteúdo, mas sim inspirar os aluensiná-los a tabuada, as regras gramaticais e as causas que leva- nos enquanto eles aprendem, de forma a interagir com estes adoram à eclosão segunda guerra mundial. Espera-se formar indiví- lescentes e jovens, estimulando-os a descobrirem suas potencialiduos críticos, criativos, dotados de inteligências múltiplas e com a dades. capacidade de controlar suas emoções. Trabalhar com competências socioemocionais também implica em Não obstante, conforme refletimos nos textos anteriores, percebe- um novo olhar sobre a forma como avaliamos os nossos alunos, e mos facilmente quais são as demandas do século XXI. Quando ob- não vou me ater a esta temática, pois em futuros textos abordareservamos as pessoas a nossa volta, percebemos o quanto os seres mos só a questão da avaliação. Entretanto, é impossível desvencihumanos do século XXI se tornaram, em sua maioria, frios em suas lharmos uma coisa da outra. Lembra-se do peixe e a copa da árvorelações, egocêntricos e individualistas. Quando outrora se pensa- re?! va em trabalhar em equipe como um requisito indispensável para o Implementar uma educação pautada em competências socioemo- mercado de trabalho, hoje, com pessoas cada vez mais egocêntri- cionais requer buscar novas ferramentas que nos ajudem a com- cas e individualistas, esta competência tornou-se necessária e in- preender este aprendizado do nosso aluno de forma individual, dispensável não apenas ao mercado, mas à vida. considerando suas habilidades, suas bagagens culturais, ssus múl- Estudos apontam que a depressão é o mal do século XXI. A enfer- tiplas visões de mundo e as limitações de cada um deles. Desta midade da alma, em um horizonte próximo, incapacitará milhares forma, encontraremos meios mais equitativos de avaliação, redude pessoas para o mercado de trabalho. Você já parou para refletir zindo a exclusão e as desigualdades dentro do sistema educaciosobre os altos índices de suicídio entre os adolescentes? Essa fra- nal que trabalhamos. gilidade impõe a necessidade de trabalharmos também o psiquê, o Trabalhar com competências socioemocionais implica em formar emocional! E estes aspectos podem ser trabalhados no currículo um individuo pleno dentro de suas potencialidades. Implica formar escolar? Devem! Isto é o que chamamos de formar integralmente um indivíduo preparado para o Mercado de trabalho. Implica formar os indivídalt, ou seja, formar pessoas capacitadas para lidar com um indivíduo preparado para a cidadania. Implica formar um indiví- estes e outros desafios desta era. Isto é o que chamamos de COM- duo preparado para ser humano. PETÊNCIAS SOCIOEMOCIAIS, mais da neurociência na aprendizagem. um campo de estudos fruto Ainda é um tabu no meio docente abordar sobre competências so- cioemocionais. Ainda é um tabu falar sobre novas métodos de ensi- O Instituo Porvir conceitua Competências Socioemocionais como no-aprendizagem. Ainda é um tabu dizer que necessitamos rever um processo em que o indivíduo aprende a colocar em prática ati- nossas práticas, nossos métodos e nosso modo de avaliar. Muitos tudes e habilidades que levam em conta o controle das emoções, o educadores ainda não compreendem a necessidade de repensar- foco em metas e objetivos, a demonstração de empatia e as rela- mos a educação para o século XXI e muito menos a necessidade ções interpessoais saudáveis. Neste sentido, a nossa única tarefa de se criar mecanismos para uma educação de fato significativa enquanto educador é articular o currículo e o nosso conteúdo a es- para o nosso aluno. tas habilidades. A tarefa é árdua, é longa e estamos apenas no começo. Entretanto, Portanto, a formação integral do indivíduo não se restringe apenas precisamos compreender que novos resultados exigem novos posi- à exposição de conteúdo. Até mesmo porque pesquisas compro- cionamentos. Faça parte da mudança. vam que os indivíduos que desenvolvem satisfatoriamente compe- tências socioemocionais estão mais propensos a melhorar a assi- milação dos conteúdos acadêmicos, conforme aponta Paul Tough Autor: Prof. Fábio Luiz de Souza na obra “Uma questão de caráter”. Diretor Pedagógico da Via Educa As discussões acerca das Competências Socioemocionais já vêm (86) 9-9911-1320 Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 5 As Sociedades do Cansaço A expressão “A Sociedade do Cansaço” é o título de um livro escrito pelo filósofo Byung-Chul Han, sul-coreano mas fez a sua carreira na Alemanha. Mas a humanidade não é uma só sociedade, é um conjunto de sociedades, que vivem em territórios demarcados (países), e têm diferenças de idiomas e de costumes entre si. Mas várias sociedades realmente estão repletas de problemas que estão causando infelicidade à muitos indivíduos. O modo de produção no qual estamos inseridos tem como objetivo principal o lucro e estimula o consumo exagerado. E há também o fenômeno de divisão da sociedade em classes conforme o poder aquisitivo. A tendência das pessoas conservadoras e liberais é não aprovar críticas ao capitalismo. O capitalismo, apesar de ser amoral, tem o seu lado bom, tem conseguido atender muitas demandas, tem estimulado a qualificação profissional, tem estimulado a inovação tecnológica, mas isso não significa que tudo está perfeitamente bem no mundo. Mas a verdade é que o modo de produção capitalista precisa de mudanças, para que não seja tão difícil para as pessoas não-ricas conseguirem prosperar, para que a maioria das pessoas não tenha tanta instabilidade financeira e para que não haja tantas crises que arruínam as vidas das pessoas, e para que não tenham que trabalhar demais a ponto de adoecerem. A exigência por bom desempenho e por sucesso evidentemente está provocando malestar no ser humano hodierno. Atualmente, estamos numa era de enfermidades neuronais, nisto Byung-Chul Han está coberto de razão! O ser humano tem os seus limites, e esse fenômeno comportamental de hiperatividade e multitarefas, de obsessão por ótimo desempenho e fobia a mau desempenho desrespeita os limites do ser humano, agride a sua natureza. Quem tem pensamento crítico e independente, não aceita “pacote fechado” de ideologia. Desmantelar totalmente o Estado do Bem-Estar Social e deixar o mercado absolutamente livre da interferência estatal seria uma atitude radical e faria a humanidade retroceder à barbárie. Adotar modelo de planificação econômica igual ao que foi feito na União Soviética levaria a um desastre pior ainda. Sobre o papel da entidade chamada Estado, não está sendo defendido aqui o Estado “inchado”, um Estado com altas cargas tributárias e gastos demasiados. O que está sendo defendido aqui é que os mercados tenham o papel deles e o Estado tenha o papel básico dele. As relações capitalistas naturalmente causam alguns desequilíbrios nas relações sociais, desequilíbrios nas relações de trabalho e prestação de serviços, ou nas relações de consumo, e o melhor ente possível para equilibrar essas relações é justamente o Estado. O capital privado não tem como objetivo a responsabilidade social e sim maximizar o seu lucro. Aí está a grande complicação do Estado sair totalmente de cena e deixar os mercados regularem tudo. Optar por extremos leva à queda, mais cedo ou mais tarde. Por exemplo, o fascismo português durou de 1926 a 1974. O socialismo soviético durou de 1917 a 1991. Dois exemplos de opções extremistas que não duraram nem cem anos. Enquanto os Estados Unidos têm a mesma constituição desde 1787 até hoje, a Suíça tem a mesma constituição desde 1848, americanos e suíços têm sistemas políticos mais flexíveis e que têm durado mais. É recomendável à humanidade optar por caminhos moderados, meia distância entre extremos. Excessos e exageros fazem mal ao ser humano. As relações de trabalho sempre foram discutidas acaloradamente, é um conflito de interesses e direitos, ao se tocar no assunto há riscos de se ferir sentimentos. O assunto é controverso. Mas não vamos poder fugir para sempre da necessidade de revisão do sistema trabalhista. Será melhor para ambos os lados mudar a forma de vínculo entre mão -de-obra e capital? Há uma forma de empregados passarem a ser prestadores autônomos de serviços e os patrões passarem a ser clientes, de forma que ambos os lados saiam mais beneficiados do que atualmente? Em qualquer caso, o Estado vai ter que impor limites a ambos os lados para manter o equilíbrio na sociedade. Será que o cliente sempre tem razão? Em qualquer circunstância? Será que isso é justo com o funcionário e com o prestador de serviços? Todo e qualquer consumidor dá lucro e nenhum deles dá prejuízo? Será que é correto nós ficarmos fingindo que estamos felizes em tempo integral e que tudo está sempre bem? É claro que é difícil de se chegar a um acordo sobre o conceito de felicidade! Mas, toda pessoa que sorri, realmente é feliz? Será que é certo deixarmos a moda nos ditar as regras de comportamento? Devemos nos sentir mal por tudo aquilo que não conseguimos controlar? Temos realmente a obrigação de nos responsabilizar por tudo? Será que é justo conosco sermos obrigados a competir o tempo todo? Já não passou a hora das pessoas pararem para pensar, para refletir? O status quo mundial nos beneficia? Será?! A expectativa de vida global em média é 79 anos. O período de vida do ser humano individual é curto comparado com o tempo de existência da espécie humana, é justo o ser humano dedicar a sua vida satisfazendo mais a outros do que a si mesmo e os seus? Até que ponto o ser humano tem que ser responsabilizado por outros? O certo não é o ser humano se responsabilizar por si mesmo? Como as pessoas devem proceder para prolongar os seus momentos de felicidade? Cesare Cantú: “A autoridade que não é equilibrada é tirania”. *** Julian Assange: “Se é impossível corrigir abusos, ao menos que saibamos o que está acontecendo”. *** Leonardo da Vinci: “Quem discute alegando autoridade não usa a inteligência, mas a me- mória”. *** Boris Pasternak: “Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade”. *** Edmund Burke: “Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso”. *** Gustave Le Bom: “A competência sem autoridade é tão importante como a autoridade sem competência”. *** Marquês de Maricá: “A autoridade impõe e obriga, mas não convence”. *** Maricá, de novo: “A autoridade humana é muito poderosa: a razão cede ordinariamente aos seus ditames e doutrinas”. *** Maricá, mais uma vez: “O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade”. *** E mais Maricá: “A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua deca- dência pelos abusos que a acompanham”. *** Krishnamurti: “Seguir uma política de autoridade é a negação da inteligência. Pode ajudar temporariamente a encobrir as nossas dificuldades e problemas; mas evitar um problema é intensificá-lo, e, no processo, o autoconheci- mento e a liberdade são abandonados”. *** Montesquieu: “É uma experiência eterna de que todos os homens com poder são tentados a abusar”. *** Chateaubriand: “Toda instituição passa por três estágios: utilidade, privilégio e abuso”. *** Oscar Wilde: “A forma de governo mais adequada ao artista é a ausência de governo. Autoridade sobre ele e a sua arte é algo de ridí- culo”. *** Raul Seixas: “Só há amor quando não existe nenhuma autoridade”. *** Sophie d’Houdetot: “No amor, a autoridade é por direito daquele que ama menos”. Autor: João Paulo E. Barros Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 6 Por que votamos em Hitler nham amigos gays ou judeus votaram em Hitler, confiantes de que ele nunca implementaria suas promessas. Simplista, inexperiente e Por que a Alemanha, o país com um dos melhores sistemas de educação pública e a maior concentra- muitas vezes tão esdrúxulo, que até mesmo seus concorrentes riam dele, Hitler poderia ser controlado por conselheiros mais experientes, ou ele logo deixaria a política. Afinal, ele precisava de parti- ção de doutores do mundo na época, sucumbiu a um charlatão fascis- dos tradicionais para governar. ta? Em quinto, Hitler ofereceu soluções simplistas que, à primeira vista, faziam sentido para todos. O problema do crime, argumentava, po- Ao longo da década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex- deria ser resolvido aplicando a pena de morte com mais frequência e aumentando as sentenças de prisão. Problemas econômicos, se- militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sé- gundo ele, eram causados por atores externos e conspiradores co- rio. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites munistas. Os judeus - que representavam menos de 1% da população total - eram o bode expiatório favorito. Os alemães progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, 37% dos eleitores alemães "verdadeiros" em slogans não deviam se culpar por nada. Tudo foi embalado fáceis de lembrar: "Alemanha acima de tudo", votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no pa- "Renascimento da Alemanha", "Um povo, uma nação, um líder.”. ís. Em janeiro de 1933, ele tornou-se chefe de governo. Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou Em sexto lugar, as elites logo aderiram a Hitler porque ele prome- o país ao abismo? teu -- e implementou -- um atraente regime clientelista, cleptocrata, que beneficiava grupos de interesses especiais. Os industriais ga- Em primeiro lugar, os alemães tinham perdido a fé no sistema político da época. A jovem democracia não trouxera os benefícios que nharam contratos suculentos, que os fascistas de Hitler. fizeram ignorar as tendências muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cu- jas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do Em sétimo, mesmo antes da eleição de 1932, falar contra Hitler tor- país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político promoveria mu- nou-se cada vez mais perigoso. Jovens agressivos, que apoiavam danças de verdade. Muitos dos eleitores de Hitler ficaram incomo- Hitler, ameaçavam os oponentes, limitando-se inicialmente ao abu- dados com seu radicalismo, mas os partidos estabelecidos não pa- so verbal, mas logo passando para a violência física. Muitos ale- reciam oferecer boas alternativas. mães que não apoiavam o regime preferiam ficar calados para evi- tar problemas com os nazistas. Em segundo lugar, Hitler sabia como usar a mídia para seus propó- sitos. Contrastando o discurso burocrático da maioria dos outros Doze anos depois, com seis milhões de judeus exterminados e políticos, Hitler usava um linguajar simples, espalhava fake news, e mais de 50 milhões de pessoas mortas na Segunda Guerra Mundi- os jornais adoravam sugerir que muito do que ele dizia era absur- al, muitos alemães que votaram em Hitler disseram a si mesmos do. Hitler era politicamente incorreto de propósito, o que o tornava que não tinham ideia de que ele traria tanta miséria ao mundo. “Se mais autêntico aos olhos dos eleitores. Cada discurso era um espe- soubesse que ele mataria pessoas ou invadiria outros países, eu táculo. Diferentemente dos outros políticos, ele foi recebido com nunca teria votado nele ”, contou-me um amigo da minha família. aplausos de pé onde quer que fosse, empolgando as multidões. “Mas como você pode dizer isso, considerando que Hitler falou pu- Como escreveu em seu livro "Minha Luta": blicamente de enforcar criminosos judeus durante a campanha?”, Toda propaganda deve ser apresentada em uma forma popular perguntei. “Eu achava que ele era pouco mais que um palhaço, um trapaceiro”, minha avó, cujo irmão morreu na guerra, responderia. (...), não estar acima das cabeças dos menos intelectuais daqueles a quem é dirigida. (...) A arte da propaganda consiste precisamente De fato, uma análise mais objetiva mostra que, justamente quando em poder despertar a imaginação do público através de um apelo era mais necessário defender a democracia, os alemães caíram na aos seus sentimentos. tentação fácil de um demagogo patético que fornecia uma falsa Em terceiro lugar, muitos alemães sentiram que seu país sofria com uma crise moral, e Hitler prometeu uma restauração. Pessoas sensação de segurança e muito poucas propostas concretas de como lidar com os problemas da Alemanha em 1932. Diferentemente do que se ouve hoje em dia, Hitler não era um gênio. Não passava religiosas, sobretudo, ficaram horrorizadas os costumes culturais progressistas que com a arte moderna e surgiram por volta de de um charlatão oportunista que identificou e da insegurança na sociedade alemã. explorou uma profun- 1920, época em que as mulheres se tornavam cada vez mais inde- pendentes, e a comunidade LGBT em Berlim começava a ganhar Hitler não chegou ao poder porque todos os alemães eram nazistas visibilidade. Os conservadores sonhavam com restabelecer a anti- ou antissemitas, mas porque muitas pessoas razoáveis fizeram vis- ga ordem. Os conselheiros de Hitler eram todos homens heterosse- ta grossa. O mal se estabeleceu na vida cotidiana porque as pesso- xuais brancos. As mulheres, ele argumentou, deveriam se limitar a as eram incapazes ou sem vontade de reconhecê-lo ou denunciá- administrar a casa e ter filhos. Homens inseguros podiam, de vez lo, disseminando-se entre os alemães porque o povo estava dis- em quando, quebrar vitrines de lojas, cujos donos eram judeus, pa- posto a minimizá-lo. Antes de muitos perceberem o que a maquina- ra reafirmarem sua masculinidade. ria fascista do partido governista estava fazendo, ele já não podia Em quarto lugar, apesar de Hitler fazer declarações ultrajantes – mais ser contido. Era tarde demais. como a de que judeus e gays deveriam ser mortos -, muitos pensa- Autor: Oliver Stuenkel vam que ele só queria chocar as pessoas. Muitos alemães que ti- Fonte: El País VOTO CONSCIENTE reito de cidadão através do voto consciente. Todos nós queremos um Brasil melhor. Um Brasil mais justo e igual Voto consciente é aquele pensado, refletido; tomado e decidido para todos. Como"todos" estou me referindo do mais pobre ao mais com responsabilidade. É aquele que o eleitor sabe por que está vo- rico, do analfabeto ao erudito, do operário ao magistrado. tando. Todo o poder emana do voto. Sem voto não há eleição e eleitos. Sem eleitos diretamente pelo voto não há democracia (governo do povo). O povo participa diretamente do governo quando escolhe seus dirigentes e representantes legítimos, quando exerce seu di- A responsabilidade recai a uma procuração que é outorgada a alguém que queremos que nos represente dignamente para exercer um papel que doravante seria nosso para dirigir e tomar decisões pela nação. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 7 O fascínio pela Idade Média A Idade Média é tema de filmes, séries de TV e Internet, desenhos animados, jogos, quem não já ouviu falar ou leu em algum lugar sobre "Game of Thrones", "Vikings", ou "O Senhor dos Anéis"? Quem já não assistiu alguma produção referente ao Rei Arthur de Camelot e ao Robin Hood? Sobre o Aladin, o Simbad, ou o Ali Babá? Quem, daqueles que eram criança ou adolescente nos anos 80 e 90, não assistiu desenhos animados como "Os Smurfs", "Caverna do Dragão" ou "He-Man"? Quem já não viu ou ouviu falar do jogo de video game/computador "The World of Warcraft"? Do jogo de RPG "Dungeons & Dragons"? Quem já não ouviu falar dos Cavaleiros Templários e das Cruzadas? A maioria dos contos de fada são inspirados na Idade Média, enfeitados com personagens folclóricos e mitológicos como elfos, duendes ou gnomos, anões, gigantes, dragões, unicórnios, gênios da lâmpada... uma vez que a Idade Média da vida real certamente foi terrível para se viver, pelo menos para quem não era nobre ou do alto clero. Muitos professores de História se referem à Idade Média como a "idade das trevas" no sentido de ser um tempo de obscurantismo intelectual e fanatismo religioso, pelo menos na Europa. Mas a Idade Média que realmente encanta, é a da ficção, que é mesclada com magia, mitologia e folclore, a fantasiosa. As pessoas com viés de direita costumam admirar os tempos medievais. Do século V ao século XV, a era dos castelos, reis e rainhas, príncipes e princesas, dos poderosos nobres, período em que a maioria das pessoas viviam no campo, uma época onde se usava espadas, escudos, lanças, bestas e arcos para lançar flechas, machados, manganelas... as pessoas daquela era tinham outros valores, eram muito mais religiosas. Naqueles tempos, cobrar juros de dinheiro emprestado era imoral por ser pecado, as sociedades eram teocêntricas e menos individualistas que atualmente, apesar de estamentais. Hoje em dia há crenças de como era a vida na Idade Média, que as pessoas não tomavam banho e nem tinham higiene, que os vikings usavam elmos com chifres, que os maridos colocavam cinto de castidade nas esposas, que a maioria das pessoas não passava dos trinta anos, que as mulheres simplesmente não tinham direito algum, que não se usava talheres nas refeições, que a Igreja Católica Romana queimava indiscriminadamente os cientistas na fogueira da inquisição de forma a impedir o desenvolvimento da ciência, que os cavaleiros sempre eram gentis e educados. Há exageros nas crenças sobre aquele período. É claro que a vida na Idade Média era muito mais difícil que atualmente, pois o nível de desenvolvimento tecnológico naquele período era muito inferior ao nível desta época nossa. Mas a Idade Média não deixa de encantar. Autor: João Paulo E. Barros Abelhas dormem abraçadas no centro de uma flor e o registro encanta o mundo A lente da câmera do fotógrafo de vida selvagem Joe Nelly foi responsável por registrar uma cena que atinge os mais altos níveis de fofura. A fotografia, que é capaz de fazer suspirar até o mais insensível dos seres humanos, retrata duas simpáticas abelhas dormindo abraçadinhas no centro de uma flor. Dá pra resistir? A história por trás do registro teve início quando Joe e sua noiva Niccole foram procurar flores de papoula em um campo florido. No caminho de volta para casa eles passaram por um aglomerado de flores rosa, perto da rodovia. E, no meio de todas as flores rosa, havia uma florzinha laranja, que chamou atenção de Niccole. Ela ouviu o barulho de abelhas voando por perto, e então notou que algumas flores tinham abelhas imóveis em seus centros. O Brasil que eu quero Sou pouco exigente Quero apenas ver O Brasil todo contente Como ele já pôde ser Sem desempregados Aos milhares enfileirados Buscando por subempregos E sem jovens soldados Temendo ser sacrificados Em nome do ouro negro. . Quero ver nos aeroportos Membros da classe operária Desfrutando do conforto Que não tem nas rodoviárias E tendo acesso aos benefícios Dos bens de consumo e serviços Que existem para poucos E quero ver nos restaurantes Quem nunca esteve lá antes Comendo sem esvaziar o bolso. . Também quero ver os jovens Ingressando nas universidades Se concentrando no que ouvem E não nas caras mensalidades Para que no abismo social Surjam infinitos degraus Fazendo do saber primazia Porque apenas a igualdade De oportunidades Dá sentido à meritocracia. . Quero ver a nossa gente Orgulhosa por ser brasileira Ostentando no corpo pingentes Ao invés de ostentar cartucheiras E podendo traçar novos planos Sem medo de governos tiranos Que cortam o bem pela raiz Tudo o que quero é aquele Brasil Da primeira década de dois mil Quando a gente era feliz. “Eu cheguei perto e observei por um tempo, e mais abelhas apareceram. Logo, todas as flores vazias estavam ocupadas, e uma abelha acabou sobrando. Ela se enfiou em uma flor aberta e ficou com outra abelha. Enquanto eu olhava, ela cambaleava quase como se estivesse bêbada, e se aconchegou”, conta Joe. Autor: Eduardo de Paula Barreto. De acordo com o serviço florestal do Departamento de Agricultura dos EUA, as abelhas da espécie Diadasia diminuta fazem ninhos em solo parcialmente compactado nas margens de estradas de terra na região noroeste dos Estados Unidos. Como as abelhas não têm pálpebras é difícil saber com certeza se elas estão dormindo, mas pesquisadores observaram que é possível saber que elas estão tirando uma soneca quando elas param de mover suas antenas. Em algumas situações elas também se deitam de lado. Bom, ao menos nesse aspecto, o sono das abelhas se parece com o nosso. Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 8 O encobrimento do Brasil 1653, ao longo das margens do rio Madeira, aldeia de 150 mil al- mas, maior do que o Rio de Janeiro de 1822. Apesar do menor nú- Em 1992, por ocasião mero, o genocídio não foi menor em termos relativos. Às vésperas dos 500 anos da viagem da Independência, o número de indígenas foi calculado por Veloso de Colombo, houve in- de Oliveira em 800 mil, numa população total de 4,4 milhões. Ao tenso e extenso debate final de três séculos, a população da colônia portuguesa era quase nas Américas e na Euro- a mesma de 1500, com a diferença de que tinham desaparecido 3 pa sobre o vocabulário milhões de nativos, média de 1 milhão por século. adequado para descre- ver a chegada dos euro- A documentação sobre a mortandade é abundante para os que não peus ao continente. Uma escolhem limitar-se à carta de Caminha. Como na parte espanhola, crítica devastadora foi então feita ao uso da palavra a devastação se deveu à violência e às doenças trazidas pelos in- "descobrimento", ou "descoberta", por representar um insuportável vasores: varíola, sarampo, gripe, peste. Não tivemos um Las Casas etnocentrismo europeu. De fato, só foi descobrimento para os euro- para denunciar o crime, mas os depoimentos de Anchieta, Nóbre- peus. Aqui viviam, em 1492, cerca de 50 milhões de habitantes, ga, Cardim, Vieira e outros não deixam margem a dúvida. não muito menos que a população da Europa. A Cidade do México, Alguns exemplos. Anchieta fala da morte por doença, em 1562, de capital do império asteca, tinha 200 mil habitantes, mais talvez do 30 mil índios em um período de dois ou três meses. A violência e a que qualquer cidade europeia. Paris tinha na época cerca de 150 escravidão, segundo o mesmo jesuíta, dizimaram em alguns anos mil. 80 mil índios das missões da Bahia. O padre espantava-se com a Falar em "descobrimento", argumentou-se, implicava dizer que es- rapidez com que "gastava gente", era coisa "em que não se pode sas gentes e civilizações só tinham passado a ter existência real crer". Simão da Silveira conta que 500 mil tupinambás foram diziapós a chegada dos europeus. Implicava ainda dar um tom falsa- mados no século 17 graças aos esforços do capitão Bento Maciel mente neutro a um processo que foi violento e genocida. Os 5 mi- Parente, que se aliara a tribos rivais, copiando a tática de Cortés no lhões de nativos da Hispaníola, aonde chegou Colombo, desapare- México. ceram em um século. Os 25 milhões do planalto mexicano foram A marca portuguesa talvez esteja no fato de que o próprio Anchieta reduzidos a 2 milhões no mesmo período. Nos Andes, 10 milhões tenha escrito um panegírico a Mem de Sá, o exterminador de ín- tinham virado 1,5 milhão ao final do século 16. Um inegável genocí- dios. A principal tarefa do terceiro governador-geral foi fazer guerra dio, já denunciado na época por Las Casas em seu famoso libelo aos donos da terra, estivessem ou não aliados aos franceses. Ex- "A Destruição das Índias Ocidentais". terminou os caetés como castigo por terem ousado moquear e co- Sete anos depois, o Brasil entra na febre dos seus 500 anos. No mer o bispo Sardinha. Vangloriava-se de ter destruído todas as alentanto, nas celebrações oficiais e oficiosas, nas reportagens da deias tupiniquins em Ilhéus e de ter enfileirado uma légua de cadámídia, nas exposições, nos seminários acadêmicos, a terminologia veres deles na praia. O extermínio dos tamoios, aliados dos franceempregada para descrever a chegada dos portugueses a nossas ses, foi cantado por Anchieta em "De Gestis Mendi de Saa", em praias é uma só. Com uma ou outra exceção, em geral vinda de versos que lembram a crueza, embora não a qualidade, dos de Hoalgum chato inconveniente, celebra-se o descobrimento do Brasil. mero. Segundo o "Apóstolo do Brasil", a melhor pregação para aOs (poucos) que leram a carta de Caminha exibem erudição usan- quela gente bárbara era "espada e vara de ferro". do o equivalente arcaico "achamento". A quase unanimidade voca- Foi este o Las Casas que nos coube. A ambiguidade diante da vio- bular deixa perplexos observadores de outros países. Perguntam- lência foi também presente em Vieira, que condenava a escravidão se se os brasileiros não tomaram conhecimento do debate de 1992. dos índios, mas aceitava a dos africanos. Nenhuma ambiguidade, Se tomamos, ou não lhe demos importância, ou achamos que ele agora já entre brasileiros, está presente na exaltação dos bandei- não nos dizia respeito, ou as duas coisas -a primeira por causa da rantes como símbolo do orgulho paulista. Durante ataque aos gua- segunda. Segundo a última hipótese, para os brasileiros os proble- ranis das missões jesuíticas, esses predadores e escravizadores mas relacionados à palavra descobrimento só existiriam no caso da de índios e exterminadores de quilombos "provavam o aço de seus América espanhola. A acusação de eurocentrismo é descartada, alfanjes em rachar os meninos em duas partes, abrir-lhes as cabe- talvez por desprezo pelo menor número e menor complexidade so- ças e despedaçar-lhes os membros", na descrição de Capistrano cial de nossos nativos. de Abreu. O genocídio que a palavra encobre seria também fenômeno exclu- O mesmo empreendimento colonizador que dizimou em três sécu- sivamente espanhol, fruto da truculência dos conquistadores. los 3 milhões de nativos foi também responsável pela importação, nos mesmos três séculos, de 3 milhões de escravos africanos, cuja Em nosso caso, as relações dos portugueses com os nativos teri- sorte não foi melhor. am sido amigáveis. Nada melhor para exprimir esta visão do que a consagração da carta de Caminha como certidão de nascimento do Se as palavras não são para encobrir as coisas, só há uma expres- país. A carta só foi publicada em 1817, mas tem a grande vanta- são para descrever o que se passou desde 1500: conquista com gem de apresentar imagem quase idílica do encontro entre portu- genocídio dos índios, seguida de colonização com escravidão afri- gueses e nativos. Ela permite generalizar essa imagem para toda a cana. Daí viemos, em cima disso foram construídos os alicerces de história das relações entre os dois povos. nossa sociedade. Descobrir o Brasil hoje é tirar o véu que o "descobrimento" lança sobre este lado inescapável de nossa heran- Imenso encobrimento. A população nativa da parte portuguesa era ça. Algum chato poderá mesmo perguntar por que não se aproveita sem dúvida muito menor do que a da parte espanhola. Mesmo as- o ímpeto celebratório para uma ação de impacto em benefício dos sim, ela foi calculada entre 3 e 5 milhões à época da chegada de que pagaram a conta desses 500 anos. Cabral. Digamos 4 milhões. Isso equivalia a quatro vezes a popula- ção de Portugal. O bandeirante Raposo Tavares diz ter visto em Autor: José Murilo de Carvalho O Brasil foi descoberto acidentalmente em 22 de abril de 1500, Supostamente, em 1498, o comandante Duarte Pacheco Pereira pela frota do navegador português Pedro Álvares Cabral. No entan- teria atingido o litoral brasileiro na atual região norte, explorando to, alguns historiadores defendem que Cabral não teria sido o pri- parte das terras que pertencem aos estados do Pará e do Mara- meiro navegador a pôr os pés nas futuras terras brasileiras. nhão. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 9 Como as democracias se suicidam zar e mobilizar os trabalhadores, e os partidos entraram em grave crise de representatividade. Um tema que fica para os psicanalistas da alma social: explicar a transição do amor ao ódio político Recolhendo plataformas e renunciando a princípios, os partidos perderam identidade e submergiram na geleia geral cuja caracterís- Sobre ser um belo e bem realizado documentário, “Democracia em tica é a desmoralização do espectro ideológico: de noite todos os Vertigem” é instigante ensaio sobre o processo político contempo- gatos são pardos. râneo e nos sugere algumas reflexões a propósito dos caminhos e descaminhos da democracia brasileira, sempre forcejando por con- O centro foi absorvido pela direita e a esquerda colhe hoje os frutos quistar espaço e pouso em nossa história de país, nação e Estado da descrença das massas na política e ainda está por avaliar sua (assim nessa ordem) autoritários. contribuição para esse processo. Pois democracia, entre nós, mesmo se nos ativermos aos valores Petra não entende porque ninguém (diz ela) percebeu as mudan- do Iluminismo, não passa de um sonho que os mais otimistas vão ças então em curso; ela mesmo reclama da surdez e da cegueira transmitindo geração por geração… que não lhe permitiram antever a emergência da direita. Planta rara e frágil em terreno hostil, ela medra por algum tempo Dilma, em depoimento, lamenta não haver o PT compreendido o para ser logo descartada sempre que assim o exijam os interesses significado da eleição de Eduardo Cunha e as mudanças políticas da casa grande. que, na sua opinião, se operaram mais profundamente a partir de 2014. Esse descarte se opera sob as mais diversas formas, desde os gol- pes de Estado clássicos que ilustram a vida republicana – sempre O fato objetivo é que as forças populares, antes da queda do go- com a caserna na primeira fila -, seja, como agora, mediante um verno, já haviam perdido a liderança do processo político. processo razoavelmente longo que, começando em 2013, culmina- Lula, num quarto de hotel em Brasília, é quase patético diante da ria com a eleição de Bolsonaro em 2018, caminho lavrado para a falta de apoio parlamentar ao não impeachment. Dilma é contun- instalação do atual regime, inominado, mas de irrecusável caráter dente quando declara: “Eu não governei em 2015”!, título, subtítulo autoritário e decisiva presença militar. e texto da crônica de um fracasso que, embora antevisto, não pôde Um estranho regime populista de extrema-direita e vinculação mili- ser evitado, como as tragédias gregas. tar que renega a até aqui saudada tradição nacionalista das Forças No presidencialismo de coalizão um presidente sem maioria perde Armadas, a defesa do Estado nacional (compreendendo suas ri- condições de governar. quezas) e do desenvolvimento, tradição, portanto, incompatível Acossado entre o desamparo das massas e a hostilidade do Con- com o governo a que emprestam solidariedade. gresso, o governo não tem futuro: a aliança conservadora – o trunfo Outra questão trazida pelo documentário é a análise ao que – con- da governabilidade de Lula – estava perdida e as forças populares cordemos ou não – identifica como fracasso político do lulismo e não tinham mais capacidade de mobilização em defesa de seu go- das estratégias das esquerdas de um modo geral, “surdas e cegas” verno. para identificar as modificações que, a um palmo abaixo do nível do Encerrava-se, com Dilma, um longo ciclo de 13 anos de governo de mar, se processavam no tecido social. centro-esquerda, sucedido por um outro, que o nega, porque pre- Petra Costa, a diretora de “Derrapada…”, procura explicações para tende ser o seu contrário. Inicia-se – repito: inicia-se, está em seus o fato de as popularidades de Lula e Dilma, o primeiro deixando o primeiros momentos – o primeiro ciclo populista de extrema direita governo com mais de 80% de aprovação e a ex-presidente contem- oriundo do processo eleitoral. plada, no governo, com mais de 70% de apoio popular, após uma Um ciclo que, mais do que suceder ao anterior, diz-se ser sua condura reeleição, se transformarem, com o PT, em focos do ódio das sequência. grandes massas que das ruas caminharam para as urnas elegendo um presidente cuja plataforma agredia tudo o que até então se co- Nas Forças Armadas o capitão, candidato dos militares, constrói nhecia como os valores centrais do povo e da sociedade brasileira. sua própria base e ela tende a autonomizar-se, articulada nos quar- téis como um ‘partido’. A essa base alia-se sua ainda alta capacida- Um tema que fica para os psicanalistas da alma social: explicar a de de mobilização popular, a que não falta o apoio do pentecosta- transição do amor ao ódio político. lismo fundamentalista, como se viu recentemente em São Paulo O tema é velho como a Sé de Braga, e persegue os partidos de es- com a Marcha para Jesus. No fundo, o ‘mercado’, à espera das pri- querda (e os sindicatos) no governo, quando sem linha clara sobre vatizações e da ‘reforma’ da Previdência. A uni-los a necessidade seu novo papel: a diferença entre partido no governo e partido do de afastar o petismo do poder. governo. Quase ao fim de seu belo documentário, Petra nos traz talvez o Gilberto Carvalho, um observador-ator lúcido – foi dos primeiros a mais didático dos depoimentos, com a fala de uma mulher do povo, não negligenciar as primeiras manifestações hostis das grandes uma trabalhadora anônima, uma das muitas encarregadas da difícil massas – lembra, ainda no documentário de Petra, que seu partido limpeza das entranhas dos Olimpos. (o PT) esqueceu a regra dos ‘dois pés’ que assim define: um pé na Ela começa lamentando que seu ofício nas escadarias e os mármo- sociedade (‘pois no capitalismo os avanços se dão na luta social’) e res do Palácio da Alvorada, já sem os seus inquilinos, não pudesse um pé na institucionalidade, para avançar por dentro, na medida do ser aplicado na política brasileira (‘pois tudo limparia’), e, depois de possível. admitir a responsabilidade de Dilma (“ela fez por merecer”), afirma E arremata: o PT tirou o pé da sociedade e fincou os dois na institu- que ‘uma nova eleição seria melhor’, que o impeachment não fôra cionalidade e aí aceitou o jogo que condenava e fez as alianças uma escolha do povo, que o processo (não usa essa palavra) não com as oligarquias conservadoras que abjurava como responsáveis foi democrático, e, falando numa sequência sem interrupções, ter- pelo nosso atraso. mina por admitir que não existe democracia no país. Fez mais, é preciso acrescentar, ensarilhou programas, conteve a Fica a questão vida sindical e o movimento social. Por erros próprios, os sindicatos perderam a capacidade de organi- Autor: Roberto Amaral Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 10 A psicologia de massas do fascismo ontem e hoje: por que as massas caminham sob a direção de seus algozes? “clivagem entre a base econômica, que pendeu para a esquerda, e a ideologia de largas camadas da sociedade que pendeu para a direita”. O autor conclui com a constatação de que a “situação econômica e a situação ideológica das massas não coincidem necessariamente”. (Wilhelm Reich, Psicologia de massas do fascismo, São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 7). Nesse ponto, Reich afirmará que – e a observação dele aqui me parece profundamente pertinente hoje – essa não correspondência não deveria surpreender aos marxistas, uma vez que o materialis- mo dialético de Marx não compreende a relação entre a situação econômica e a consciência de classe como sendo algo mecânico, ou seja, como se a situação material determinasse esquematica- “o fascismo, na sua forma mais pura, é o somatório de todas as reações irracionais do caráter do homem médio” W. Reich mente sua expressão ideal na consciência dos membros de uma classe social. Somente um “marxismo vulgar” concebe uma antítese na relação entre economia e ideologia, assim como entre a “estrutura” e a “superestrutura”, uma perspectiva precária que não “queriam que eu falasse do agora leva em conta o chamado “efeito de volta” da ideologia, isto é, as mas, o presente que procuro formas pelas quais a ideologia incide sobre a própria base material está preso em um passado que a determina. Presa a essa visão esquemática e pouco dialéti- que insiste em ser futuro” ca, resta a essa modalidade de marxismo vulgar apenas recorrer M. Iasi ao chamamento moral para que os trabalhadores correspondam em sua ação às condições objetivas em que se inserem, clamando O psicólogo marxista Wilhelm Reich (1897-1957) escreveu o livro pela “consciência revolucionária”, às “necessidades das massas” Psicologia de massas do fascismo em 1933 (o estudo se estendeu ou ao “impulso natural” para as greves e a luta (p. 14). Melancolica- de 1930 até 1933), no contexto da ascensão do nazismo na Alema- mente, Reich conclui então que essa versão esquemática do mar- nha. O autor se refugiou em Viena, depois Copenhagen e Oslo, on- xismo: de iniciou seus estudos sobre as couraças e depois do que denomi- nou de “energia vital”, levando-o a teoria do “orgon”. Desde 1926 “Tentará, por exemplo, explicar uma situação histórica com base na acumulava divergências com Freud, com o qual trabalhou como ‘psicose hitleriana’ ou tentará consolar as massas, persuadindo-as assistente clínico, e em 1934 seria expulso da Sociedade Freudia- a não perder a fé no marxismo, assegurando-lhes que, apesar de na e da Associação Psicanalítica Internacional, sairia da Noruega em direção aos EUA, onde seria também perseguido com a acusação de “subversão”. Acabou preso em 1957 e morreu no mesmo ano na prisão. Toda sua obra, incluindo livros e material de pesquisa, foram queimados por ordem judicial nos EUA em 1960. tudo, o processo avança, que a revolução não pode ser esmagada, etc. O marxista comum acaba por descer ao ponto de incutir no povo uma coragem ilusória, sem, no entanto, analisar objetivamente a situação em sem compreender sequer o que se passou. Jamais compreenderá que uma situação difícil nunca é desesperadora para a reação política ou que uma grave crise econômica tanto pode Ainda que possamos questionar as teorias reichianas fundadas na conduzir à barbárie como a liberdade social. Em vez de deixar seus teoria do “orgon” e a relação que esperava estabelecer entre “soma pensamentos e atos partirem da realidade, ele transporta essa rea- e psiquismo”, temos que ter muito cuidado ao tratar as considera- lidade para a sua fantasia de modo que ela corresponda aos seus ções que esse importante autor tece sobre o fascismo e o caráter desejos.” (pp. 14-5) das massas analisados na obra citada. Em vários aspectos, considero que as reflexões de Reich sobre o tema podem ser extremamente úteis em nossos tumultuados dias, principalmente pelas questões que levanta, mais do que pelas respostas que encontra. A miséria econômica causada pela crise atualiza a disjuntiva “socialismo ou barbárie”, mas o que faria com que os trabalhadores optem pela alternativa socialista? Reich está convencido de que em uma situação como essas os trabalhadores escolhem em primeiro O autor coloca da seguinte maneira o problema. Se assumirmos lugar a barbárie. O marxismo vulgar compreende a ideologia como que a compreensão da sociedade realizada por Marx esteja correta um conjunto de ideias que se impõe à sociedade e, portanto, aos – isto é, que o desenvolvimento da sociedade capitalista e suas trabalhadores. Dessa maneira, os partidários desse tipo de pers- contradições leva à possibilidade de sua superação revolucionária pectiva acreditam que as ideais marxistas ganham força na crise (o que implica a conformação do proletariado como um sujeito porque desmentem na prática as ideias conservadoras. O que foge consciente de sua tarefa histórica) –, a questão que se coloca é co- à compreensão dessa análise é exatamente o modo de operação mo compreender o comportamento político de amplos setores da da ideologia, muito mais do que a definição escolástica do “que é” classe trabalhadora que efetivamente estão servindo de base para ideologia. a reação política que emergia com o fascismo. Assim, o psicólogo comunista fará a pergunta decisiva: se uma ide- Chamar atenção aos efeitos da exploração capitalista, como a mi- ologia se transforma em força material quando se apodera das séria, a fome e o conjunto das injustiças próprias do sistema capita- massas, como afirmava Marx, a pergunta é “como é possível que lista para ativar o “ímpeto revolucionário”, dizia Reich, já não era um fator ideológico produza resultado material”, seja na direção de suficiente. Tampouco acusar o comportamento conservador das uma política revolucionária ou na direção de uma “psicologia de massas de “irracional”, de constituir uma “psicose de massas” ou massas reacionária”? (p. 17) uma “histeria coletiva” – algo que em nada contribui para jogar luz sobre a raiz do problema, a saber, compreender a razão pela qual a classe trabalhadora respaldava o discurso fascista que em última instância atacava exatamente seus próprios interesses. Se compreendermos a ideologia na chave de ideias dominantes em uma sociedade – isto é, as ideias das classes dominantes que expressam as relações sociais que fazem de uma classe a classe dominante (Marx e Engels, A ideologia alemã, Boitempo, p. 47) –, a Na base dessa incompreensão se encontrava um sentimento de pergunta se formula da seguinte maneira: como é que relações so- espanto. Os marxistas acreditavam que a crise econômica de 1923 ciais se convertem em expressões ideais, valores, juízos e repre- -1933 era de tal forma brutal que produziria “necessariamente uma sentações interiorizadas pelas pessoas que constituem uma deter- orientação ideológica de esquerda nas massas por ela atingidas”. minada sociedade? Entretanto o que se presenciou foi, nas palavras do autor, uma CONTINUA NA PÁGINA SEGUINTE Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 11 É aqui que as relações sociais dadas são apresentadas pela pesso- raízes na consciência imediata das massas e seus fundamentos a em formação como “realidade”, onde se desenvolve a transição afetivos, seja nos segmentos médios, seja na classe trabalhadora. do “princípio do prazer” para o “princípio da realidade” e se produz O fascismo é, na sua essência, uma expressão política da crise ca- um complexo processo de identificação com aquele que representa pitalismo em sua fase imperialista e na etapa do domínio dos mo- o limite, a ordem e a norma social a ser imposta, mas, o que é es- nopólios, como define Leandro Konder (Introdução ao fascismo, sencial ao nosso tema, que é incorporada pela pessoa como se São Paulo, Expressão Popular, 2009). Ele disfarça sob uma másca- fosse sua (autocontrole) e não uma imposição oriunda de uma or- ra modernizadora seu conteúdo conservador, sendo antiliberal, an- dem social. O fundamento desse processo de interiorização, na for- tissocialista, antioperário e, principalmente, antidemocrático. A difi- mação daquilo que Freud denominou de “superego”, está a repres- culdade do fascismo reside exatamente em juntar esses dois as- são à sexualidade infantil, o seu recalque e a volta como sintoma pectos contrários em sua síntese – isto é, uma intencionalidade à nos termos de Reich (Materialismo Dialético e Psicanálise. Lisboa: serviço do grande capital (imperialista, monopolista e financeiro) e Presença/São Paulo: Martins Fontes, 1977). uma base de massas que permita apresentar seu programa reacio- É mister lembrar neste momento que o resultado desse processo nário como alternativa para a “nação”. Creio que o estudo de Reich de interiorização das relações sociais na forma de valores e normas nos dá aqui uma pista valiosa. A ideologia fascista conclama à re- de comportamento implica na identidade com o agende da imposi- volta dos impulsos reprimidos (seja das necessidades materiais, ção das normas externas, no caso do complexo de Édipo descrito seja aqueles relativos à repressão da sexualidade) e depois oferece por Freud na formação de uma identidade com o pai. a ordem como alternativa, dialogando assim diretamente com o fun- Dessa maneira, Reich localizará a base de uma determinada ex- damental da estrutura do caráter universalizado pela sociabilidade pressão de uma psicologia de massas (a do fascismo) em dois pila- burguesa, principalmente das chamadas classes médias. É, portan- res: uma certa forma de família tendo no centro a repressão à sexu- to, uma política da pequena burguesia que mobiliza massas traba- alidade infantil; e o caráter da “classe média baixa”. Para ele, a re- lhadoras para defender os interesses do grande capital monopolis- pressão à satisfação das necessidades materiais difere da repres- ta. Acreditem, realizou-se esta façanha com eficiência e sucesso são aos impulsos sexuais pelo fato que a primeira leva à revolta en- naquilo que conhecemos por nazifascismo. quanto a segunda impede a rebelião, uma vez que o retira do domí- Na luta contra o fascismo, a burguesia democrática é sempre a pri- nio consciente “fixando-o como defesa moral”, fazendo com que o meira derrotada e junto a ela a pequena burguesia que acredita no próprio recalque do impulso seja inconsciente, seja visto pela pes- seu próprio mito de um Estado acima dos interesses de classe. A soa como uma característica de seu caráter. O resultado disso, se- única força social capaz de enfrentar o fascismo é a revolução pro- gundo Reich, “é o conservadorismo, o medo a liberdade, em resu- letária, por isso são os trabalhadores o alvo duplo do fascismo, seja mo, a mentalidade reacionária” (Psicologia de Massas do Fascis- no sentido da cooptação, seja na repressão brutal e direta. Quando mo, p. 29). a luta de classes se acirra e qualquer conciliação é impossível, a Os setores médios não são os únicos a viverem esse processo burguesia se inquieta, os segmentos médios entram em pânico e (que é de fato universal para nossa sociedade) mas o vivem de ma- os fascistas vendem seu remédio amargo para a doença que ajuda- neira singular. Trata-se de uma classe ou segmento de classe es- ram a criar. Se nesse momento os trabalhadores se movimentarem premido entre o antagonismo das classes fundamentais da sociabi- com autonomia em direção ao seu projeto societário – o socialismo lidade burguesa (a burguesia e o proletariado), desenvolvendo o –, impelidos inicialmente pelos impulsos mais elementares e ainda curioso senso de que estão acima das classes e representam a na- não conscientes, eles podem colocar toda a sociedade em torno de ção. Seus impulsos jogam os setores médios ora para a radicalida- sua luta e se constituir como alternativa à barbárie do capitalismo de proletária (a luta contra as barreiras da realidade que se levan- em crise. Se, por razões várias, esse segmento não se movimentar tam contra os impulsos), ora para o apelo à ordem da reação bur- com a força necessária, uma longa noite de terror se impõe com guesa (a defesa das barreiras sociais impostas como garantia da seus cadáveres e cortejos fúnebres. sobrevivência). Como o indivíduo teme seus impulsos e clama por Ainda que tenham particularidades em seu processo de consciên- controle, os segmentos médios temem a quebra da ordem na qual cia, os trabalhadores não podem escapar ao fato de que são socia- se equilibram precariamente e pedem controle e repressão. lizados nas instituições de uma ordem burguesa, portanto, que os Não é acidente ou casualidade que no campo dos valores reacioná- valores, princípios, representações ideais desta ordem constituam o rios vejamos alinhados à defesa abstrata da “nação” características fundamento de sua consciência imediata. Diante do caos que emer- como o “moralismo” quanto aos costumes (que vem inseparavel- ge da crise do capital vive uma contradição entre os impulsos mate- mente ligado a preconceitos, a homofobia, etc.) e a defesa da riais que os impulsionam à luta e à identidade com os opressores “família”, assim como o chamado “irracionalismo”, a “violência”, o que os mantêm presos às correntes da ideologia. Na ausência de mito da xenofobia e do racismo como constituintes da nação, e o uma política revolucionária se somam às “classes médias” concla- clamor pela “ordem”. A recente cena dantesca de “manifestantes” mando pela ordem e se prestam a ser a base de massas para as enrolados na bandeira do Brasil, de joelhos e mãos na cabeça, pe- aventuras fascistas. dindo uma intervenção militar é a imagem que condensa todos es- Toda a esperança da psicanálise é tornar possível que o inconsci- ses elementos. Por incrível que pareça, essa não é uma sociedade ente emerja, em parte, para que seja compreendido o sintoma. “doente”, mas a sociedade “normal” exposta sem os filtros que roti- Guardadas as mediações necessárias, a luta de classes torna pos- neiramente a oculta. sível que as determinações ocultas pelos mecanismos da ordem se Os argumentos de Reich estão longe de dar conta da totalidade do façam visíveis e que o sintoma se torne exposto. No primeiro assim fenômeno do fascismo. Ainda que justificada, sua crítica aos mar- como no segundo caso isto não significa a resolução do sintoma, xistas oficiais (em 1931 Reich criou a Sexpol Verlag que aglutina mas o início de uma longa luta para enfrentá-lo. O novo que pulsa mais de 40 mil membros discutindo uma política sexual e suas rela- vigoroso nas entranhas do cadáver moribundo do velho mundo, ções com a luta revolucionária, o que causou preocupações no Par- não pode ser detido a não ser pela violência. Não pode se libertar tido Comunista austríaco e redundou na sua expulsão do partido sem quebrar violentamente a ordem que o aprisiona. em 1933) não pode dar conta de todos os elementos históricos, políticos, sociais e culturais do tema que foram abordados em inúmeras obras de competentes marxistas (de Gramsci a Adorno e Benjamin, passando por Togliatti, Polantzas e tantos outros). Ele apenas aponta para um aspecto que normalmente é desconsiderado. O que nos parece pertinente é que o comportamento fascista não po- “Veintiuno veintiuno firmamento del dos mil en el cielo la paloma va en la mira del fusil” Silvio Rodriguez de ser reduzido a manipulação e engodo, mas encontra profunda Autor: Mauro Iasi Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 12 As crianças e adolescentes latino americanas capital. São inerentes ao cenário da condição desumana gerado pelo mesmo sistema. Meninas e meninos condicionados à ordem e o capital. da morte sobre a vida são sujeitados à situação mais severa da São quase 180 milhões de pessoas na faixa etária até 14 anos. 70 condição histórica da humanidade: escravos do capital, servos do milhões delas vivem na pobreza e quase 30 milhões na pobreza trabalho, mercadorias a serviço do dinheiro. E isto é uma imposiintensa. Esta é a concreta realidade do mundo do trabalho na pró- ção. Uma forma de ser condicionadora de outros universos possí- xima década. Expropriados, oprimidos e miseráveis de hoje, para veis. uma futura utilização ainda mais intensa na superexploração da for- A infância e o capital ça de trabalho. Portanto, há que se responder a outras perguntas: o que é a infân- A condição de pobreza e miséria é proporcional, no mundo do tra- cia? Qual o sentido de se ser criança? Quem educa, quem cria, balho, à intensificação da superexploração. E esta é uma das face- quem auxilia a criança nos seus processos de desenvolvimento na tas mais perversas do capitalismo, em particular na atual fase histó- bárbara era do capital? rica de suas crises estruturais. Para o capital, a infância foi, é e será o tempo histórico para o a- Pode haver escolha entre miséria, fome e um salário de sobrevi- destramento para o trabalho. Espaço de educação para a concor- vência indigno? Esta seleção entre um cenário ruim versus um me- rência, para o sucesso monetário, para o êxito individual, e, sobre- nos pior, tira a centralidade da necessidade de consolidação de um tudo, para a conformação ideológica incontestável deste processo outro cenário diferente para a classe trabalhadora. como único e inquestionável. Existem no mundo, segundo a OIT, 168 milhões de crianças traba- Algumas crianças sendo educadas para serem trabalhadoras su- lhando. Destas, 120 milhões trabalham em tempo integral e quase perexploradas no futuro, outras vivendo a superexploração na in- 70 milhões estão expostas a trabalhos considerados perigosos. Es- fância como processo natural e um grupo seleto de crianças bem tima-se que na América Latina aproximadamente 20 milhões de cri- aventuradas vivendo a orgia de serem dominantes na era do capi- anças estejam nesta situação. tal. Além disto, 132 milhões de crianças nascem no mundo, inseridas A infância, enquanto estágio ou manutenção do processo de de- no universo da desigualdade social e 53 milhões sequer são regis- senvolvimento capitalista é a fase da produção material e ideológi- tradas. ca da suposta oportunidade burguesa. Portanto, não é infância. É É central entender que enquanto lutamos para que nosso cotidiano venda de uma ideia de inclusão na infância. seja o da garantia de direitos numa sociedade que não os têm na Assim, a partir do que vivem as crianças e adolescentes na atualiprática como pilares uma vez que é estruturalmente desigual, o ca- dade de nossa América Latina, entendemos que a dependência e o pital investe na condição de intensificação da miséria na infância. desenvolvimento seguem como a principal tônica do debate sobre Enquanto nós lutamos contra a superexploração da força de traba- os projetos que temos em detrimento ao que precisamos construir. lho que parte expressiva do nosso povo vive, o capital intensifica É possível sonhar com algo que se deseja para o futuro, contemsua condição de morte da infância para ganhos abusivos no futuro. plando a realidade. Mas é imprescindível sonhar com os pés no Ainda sobre a realidade da infância na América Latina, 72,6% das chão, materializando a organização consciente da luta de classes. crianças em situação de pobreza e miséria vive um tipo de privação Resolver o problema da exploração e opressão dos trabalhadores no universo dos direitos, ou seja, não têm acesso à escola, à saúde na sociedade capitalista é sinônimo de superar a estrutura do de- ou aos demais direitos sociais. Privação que pode virar, no míni- senvolvimento desigual inerente à mesma, tanto no âmbito mundial mo,uma assistência social com baixos gastos públicos pelos gover- quanto no continental. Um problema que exige muitas contestações nos da ordem burguesa e, no máximo, a intensificação da superex- à ordem somadas à conformação de um projeto de classe que seja ploração no mercado de trabalho no presente-futuro. antagônico ao do capital e aglutinador da esquerda latina-mundial. A estrada do capital é a estrada do sangue do trabalho latino. Esta Um projeto de classe capaz de conduzir suas ações contra o verdaestrada se tem uma moral é a do lucro sobre a vida. A ordem neo- deiro inimigo, o capital em todas as suas facetas, em um sentido liberal trouxe para a América Latina histórica recondução da depen- real de produção do contrapoder à ordem dominante. dência, entendida como vínculos de subordinação entre nossas e- Somente um projeto de poder popular é capaz de libertar as crian- conomias e as economias centrais, seja no âmbito externo do mer- ças da classe trabalhadora da condição miserável do histórico sis- cado internacional, seja na situação interna das economias do con- tema de exploração e opressão que recai sobre ela e seus pares tinente. da classe. É nessa dinâmica geral que deve ser entendido mais do que o trabalho infantil, o sentido da vida na ordem imperante do capital. Diferenças de cor, de sexo, de idade são todas demarcadas no cená- Autora: Roberta Sperandio Traspadini rio dos planos superiores de maiores lucros, em detrimento à inferi- Doutoranda em Estudos Latino-americanos (UNAM) - Mestra em orização na condição de vida e do ser dos trabalhadores latinos. Economia (UFU). Professora Assistente I da Universidade Federal As explorações da infância não são um problema moral na era do dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) O que é o trabalho infantil A exploração do trabalho infantil é comum em países subdesenvol- vidos,e países emergentes como no Brasil, onde nas regiões mais Trabalho infantil é toda pobres este trabalho é bastante comum. Na maioria das vezes isto forma de trabalho exer- ocorre devido à necessidade de ajudar financeiramente a família. cido por crianças e a- Muitas destas famílias são geralmente de pessoas pobres que pos- dolescentes, abaixo da suem muitos filhos. Apesar de existir legislações que proíbam ofici- idade mínima legal per- almente este tipo de trabalho, é comum nas grandes cidades brasi- mitida para o trabalho, leiras a presença de menores em cruzamentos de vias de grande conforme a legislação tráfego, vendendo bens de pequeno valor monetário. de cada país. O traba- lho infantil, em geral, é Apesar de os pais serem oficialmente responsáveis pelos filhos, proibido por lei. Especi- não é hábito dos juízes puni-los. A ação da justiça aplica-se mais a ficamente, as formas quem contrata menores, mesmo assim as penas não chegam a ser mais nocivas ou cruéis de trabalho infantil não apenas são proibi- aplicadas. das, mas também constituem crime. Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 13 + ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS 13 - Dia Mundial do Rock 02 - Dia do Hospital Origem do Dia Mundial do Rock Em 13 de julho de 1985, houve um grande evento chamado Live Origem do Dia do Hospital Esta data é celebrada em 2 de julho em homenagem a data de fundaçãodo Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Santos, no estado de São Paulo, em 1945, considerado um dos maiores do Brasil. A inauguração foi feita no local onde já existira um hospital. Em 1543, aSanta Casa de Misericórdia de Santos foi fundada pela primeira vez por Brás Cubas (1507-1592), um fidalgo português. Ao longo dos séculos foram sendo reconstruídos e inaugurados vários conjuntos no Hospital, mas apenas aquele inaugurado por Getúlio Vargas em 1945 existe ainda hoje. Aid, um show simultâneo em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos Estados Unidos. O objetivo principal era conscientizar a população mundial sobre a drástica pobreza e a fome na Etiópia. O evento contou com a presença de renomados artistas e grupos de rock da época, como The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Rolling Stones, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou na Inglaterra e nos EUA), Eric Clapton, Black Sabbath, entre outros. O show foi transmitido ao vivo para diversos países. Na ocasião, o 02 - Da do Bombeiro Brasilero cantor e baterista Phil Collins propôs que o dia 13 de julho fosse lembrando como Dia Mundial do Rock. Origem do Dia do Bombeiro Brasileiro 15 - Dia Nacional do Homem A escolha desta data é uma homenagem a criação do Corpo Provi- sório de Bombeiros da Corte, inaugurado em 2 de julho de 1856, Esta data foi inspirada no Dia Internacional do Homem (19 de no- no Rio de Janeiro, e sob o comando do major João Batista de Mo- vembro), e tem o objetivo de conscientizar a população masculina rais Antas. sobre os cuidados que devem tomar com a sua saúde. Oficialmente, o Dia do Bombeiro Brasileiro foi instituído através do No Brasil, o Dia do Homem foi criado por iniciativa da Ordem Na- decreto-lei nº 35.309, de 2 de abril de 1954. A partir desta mesma cional dos Escritores e é celebrado no país desde 1992 lei, também foi definido a realização anual da Semana de Preven- O Dia Internacional do Homem é celebrado em vários outros países ção Contra Incêndios. no dia 19 de novembro, data conhecida por International Men's Antigamente, antes do Imperador D. Pedro II assinar o Decreto Im- Day. perial nº 1.775 que regulamentava o serviço de bombeiros, O Dia do Homem começou a ser comemorado em 1999, em Trini- o badalar dos sinos era sinal de que homens, mulheres e crianças dad e Tobago, pelo Dr. Jerome Teelucksingh, que com o apoio da tinham que formar uma fila no poço mais próximo e assim, passa- Organização das Nações Unidas (ONU), criou a data com o intuito rem baldes de mão em mão até chegarem ao local do incêndio. de conscientizar as pessoas sobre os cuidados da saúde e igualda- 06 - Dia da criação do IBGE de de gênero masculino. Durante todo o mês de novembro é celebrado a nível internacional o chamado "Novembro Azul" ou "Movember" (uma combinação de O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE é o respon- “moustache”, que significa “bigode”, e “november” que quer dizer sável por retratar a imagem do Brasil, ou seja, fazer levantamentos “novembro”), uma iniciativa que também busca reforçar a consciênsobre a demografia, pesquisas estatísticas sobre temas variados e cia da preservação da saúde do indivíduo do sexo masculino. garantir a recolha de informações sobre os indicadores geográficos do país. 19 - Dia Nacional do Futebol A data tem o objetivo de homenagear esta fundação pública de ex- trema importância para a organização e auxilio do desenvolvimento Origem do Dia Nacional do Futebol do Brasil. O dia 6 de julho faz referência ao lançamento do Decreto de lei nº 24.609, de 1934, que institui a criação do IBGE. Porém, oficialmente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística só surgiu em 29 de maio de 1936, com a regulamentação do Instituto Nacional de Estatística (INE). O grande incentivador para a criação do IBGE foi o estatístico Má- Esta data foi escolhida e criada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 1976. O objetivo era homenagear um time do Rio Grande do Sul, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 19 de julho de 1900. Esse foi o primeiro time registrado como clube de futebol no Brasil e é o clube há mais tempo em atividade no país. rio Augusto Teixeira de Freitas. O atual formato do IBGE só se configurou a partir do Decreto Lei nº 218, de 26 de janeiro de 1938, com a integração do INE ao Conselho Brasileiro de Geografia (CBG). Antes da criação do IBGE ou do INE, o levantamento estatístico no Brasil era feito através da Diretoria Geral de Estatística, criada em 1871. História do Futebol no Brasil Antes de o futebol ter sido introduzido oficialmente por Charles Miller no Brasil, em 1894, depois de regressar da Inglaterra onde tinha passado 20 anos, o Club Brasileiro de Cricket tinha incluído o esporte em 1880. A primeira partida de futebol no Brasil data de 1 de agosto de 1901 e foi realizada em Niterói. 10 - Dia da Pizza 30 - Dia Internacional da Amizade O Dia do Amigo e Internacional da Amizade é comemorado em 20 Origem do Dia da Pizza de julho. No entanto, no Brasil, existem várias datas que celebram O Dia da Pizza é comemorado em 10 de julho, quando a data foi a amizade, entre elas no dia 18 de Abril. instituída pelo então secretário de turismo Caio Luís de Carvalho, O Dia do Amigo é oficialmente comemorado em 20 de julho, e o em 1985. principal objetivo desta data é celebrar a amizade, um sentimento Foi feito um concurso estadual em São Paulo que elegeria as 10 de fraternidade mútua partilhado entre as pessoas. melhores receitas de mussarela e margherita. Empolgado com o Normalmente, durante o Dia do Amigo é comum a troca de presen- sucesso do evento, o secretário escolheu a data de seu encerra- tes e declarações de amizade. mento, 10 de julho, como data oficial de comemoração. VISITE NOSSO SITE - Lá verá todas as datas comemorativas Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 14 Grande eclipse sul-americano, o evento astronômico do ano. país e realizou várias observações na década de 1830. “Alto, ruivo e de olhos azuis, tinha um interesse especial: o céu”, descreve o historiador Daniel Balmaceda em seu livro Estrellas del Pasado. No próximo dia 2 Julho acontecerá o único eclipse “Registrou um eclipse de Sol em 20 de janeiro de 1833 e um da Lu- total do Sol observável no mundo em 2019 a em 15 de dezembro de 1834. Também relatou o trânsito de Mercúrio diante do Sol, em 5 de maio de 1832, para inveja de seus co- Em 31 de julho de 1543, por volta do meio-dia, o Sol morreu. O céu legas na Europa, que tiveram uma jornada de nuvens e o perde- do Tawantinsuyu — o império inca — vestiu-se de negro, e os habi- ram”. tantes da região andina ao norte do atual Chile interpretaram isso Os eclipses — do grego ékleipsi, que significa abandono — só co- como sinal de uma catástrofe iminente: em seu sistema de crenças, meçaram a perder seu mistério no século XX, quando levas de ci- esse fenômeno astronômico, ao qual chamavam de intimtutayan, entistas o livraram do seu halo de portador de maus augúrios e se era entendido como uma irritação de Inti, o deus do sol, por alguma propuseram a espremer cada dado resultante de sua observação. ofensa cometida contra ele. Em 12 de novembro de 1966, por exemplo, na província de Salta, O obscurecimento em pleno dia era temido: além de ser visto como no norte argentino, pesquisadores locais, franceses e norte- a expressão da tristeza de uma das deidades mais veneradas no americanos lançaram a chamada Operação Orion-Eclipse, com 17 panteão incaico, implicava a morte do astro e pressagiava grandes foguetes-sonda a fim de estudar erupções solares, radiações de calamidades. ondas e tormentas visíveis na coroa do sol. Tal espetáculo, registrou o cronista Pedro Pizarro em sua Relação Há várias circunstâncias que tornam o Grande Eclipse Sul- do Descobrimento e Conquista dos Reino do Peru (1571), teve uma Americano tão especial: para começar, completam-se cem anos do consequência direta: assim que a Lua se interpôs entre a Terra e o eclipse histórico de 1919, durante o qual foram verificadas as previ- Sol, um grupo de indígenas se negou rotundamente a revelar ao sões da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, em especi- conquistador espanhol Lucas Martínez Vegaso a localização exata al como a gravidade deforma o espaço e o tempo. Também se trata das ricas minas de prata da região. “Seus feiticeiros lhes diziam de uma nova oportunidade para todos aqueles que se perderam o que morreriam todos e lhes secariam suas terras se as descobris- chamado “Grande Eclipse Norte-Americano” de 21 de agosto de sem”, escreveu Pizarro. “Lucas Martínez os incentivou, dizendo- 2017, que mobilizou os Estados Unidos. lhes que temessem, que seus feiticeiros não diziam a verdade. Mas Em seu livro Eclipse: History, Science, Awe, o escritor Bryan Bre- os índios lhe disseram que o Sol se zangou e por isso havia parado wer menciona que parte da mística dos eclipses solares totais se daquela maneira.” deve à sua raridade geográfica. Um eclipse total do Sol é visto em Não se sabe o que ocorreu com esses indivíduos, mas o fato é que um mesmo lugar em média uma vez a cada 375 anos. “Embora os aquela mistura de assombro, temor e fascinação perante eventos eclipses tenham uma frequência média de dois por ano no mundo, desse tipo, tão incontroláveis quanto deslumbrantes, perdura desde nem sempre podem ser observados do lugar geográfico onde esta- então e voltará a se ativar na próxima terça-feira, 2 de julho, quan- mos”, diz a astrônoma Georgina Coldwell, que compila no site Tota- do se repetir este balé cósmico que já é conhecido como o “grande lidad.com.ar, da Associação Argentina de Astronomia, todas as ati- eclipse sul-americano”. vidades e palestras em torno da data. Será o evento astronômico do ano: o único eclipse total do Sol ob- As pequenas cidades no caminho do eclipse experimentarão uma servável no mundo em 2019. Durante a tarde, uma faixa de escuri- onda turística sem precedentes. Milhares de pessoas provenientes dão — ou umbra, momento de maior sombra em um eclipse — per- de todo o mundo — curiosos ocasionais e caçadores profissionais correrá diagonalmente a América do Sul, do oeste para leste: pas- de eclipses — procurarão se banhar de escuridão. “A capacidade sará às 16h38 (hora local) pelas regiões de Atacama e Coquimbo hoteleira desde julho do ano passado está quase esgotada”, afirma (Chile); e a partir das 17h40 (hora local) pelas províncias argentinas María Eugenia Varela, diretora do Instituto de Ciências Astronômi- de San Juan, La Rioja, San Luis, Córdoba, Santa Fe e norte de Bu- cas da Terra e do Espaço (Conicet/Universidade Nacional de San enos Aires e também pelo Uruguai até perder-se no Atlântico. Juan). “Observar um eclipse pode se transformar em um evento social e Dentro da estreita zona de onde se observará a totalidade do eclip- em uma vivência compartilhada, da qual todas as testemunhas se, o único local turístico com capacidade hoteleira na Argentina é conservarão uma lembrança que as acompanhará pelo resto de Villa de Merlo, na província de San Luis. “Um contingente de japo- suas vidas”, diz a astrônoma Mariela Corti, do Instituto Argentino de neses nos visitará para esse evento tão espetacular”, conta, entusi- Radioastronomia (Conicet). “Trata-se de um evento da natureza asmado, Gastón Mendoza Vieran, diretor do planetário local. ante o qual só podemos ser observadores. É completamente im- Durante a tarde uma faixa de escuridão -ou umbra, momento de possível para nós evitá-lo: o ser humano pode sentir uma impotên- maior sombra em um eclipse – percorrerá diagonalmente a Améri- cia absoluta diante do seu desenvolvimento. Os eclipses são com- ca do Sul, de oeste para leste pletamente independentes das decisões que tomamos e de nossas Outra avalanche de turistas, procedentes da Finlândia, se instalará ações”, acrescenta. em La Serena, Chile. “Para muitos será seu primeiro eclipse”, conta Em 1887 o astrônomo austríaco Theodor von Oppolzer realizou u- o jornalista científico Jari Makinen, organizador deste tour astronô- ma tarefa titânica: compilou, em seu Canon der Finsternisse mico. “Em geral, procuram uma experiência extraordinária. Aprovei- (“cânone dos eclipses”), mais de 13.000 eclipses (8.000 solares e taremos e visitaremos também o deserto do Atacama, e lá o Very 5.200 lunares) que aconteceram e acontecerão entre os anos 1207 Largue Telescope e o observatório astronômico ALMA.” a.C. e 2161. O eclipse coincide, além disso, com a celebração dos 50 anos do “Trata-se de um evento da natureza perante o qual só podemos Observatório Europeu Austral (ESO), no Chile, país considerado o ser observadores. É completamente impossível evitá-lo: o ser hu- epicentro da astronomia mundial: atualmente, por sua geografia e mano pode sentir uma impotência absoluta perante seu desenrolar” seus céus limpos — uma média anual de 280 a 300 noites sem nu- Entre eles figura aquele eclipse do Sol em 31 de julho de 1543. vens no norte — concentra 40% dos observatórios do planeta. Também o de 9 de junho de 1592, que foi visto na cidade chilena Como quem assiste a um concerto, os que planejam presenciar es- de La Serena, do qual, embora não haja registros escritos da épo- se impactante espetáculo natural vivem a expectativa desde meses ca, sabe-se que durou 3 minutos e 54 segundos. antes do momento em que a Lua engolirá o Sol. Quando esse mo- O eclipse solar de 16 de abril de 1893, por outro lado, foi observa- mento chegar, as flores se fecharão, os animais andarão desorien- do por três expedições científicas: uma chilena do Observatório As- tados, a temperatura baixará, os cães latirão, e o dia vai virar noite. tronômico Nacional da Universidade do Chile e dois dos Estados Absolutamente todos elevarão os olhos para o céu, e durante bre- Unidos (Observatório Lick e Harvard). ves segundos experimentarão a transcendência: uma magnífica Do outro lado da cordilheira dos Andes, no atual território argentino, demonstração do que acontece quando os objetos celestes se aliem 28 de setembro de 1810 se observou o primeiro eclipse de Sol nham. logo depois da Revolução de Maio. Como recorda o engenheiro e historiador da astronomia Santiago Paolantonio, o italiano Octavio Autor: Frederico Kukso Fabrizio Mossotti foi o primeiro astrônomo profissional a atuar no Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Julho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 15 cinal. Ao mesmo tempo em que o bioma Amazônia está encolhendo lentamente em tamanho, a riqueza da vida silvestre de suas florestas também se reduz, bem como uso potencial das plantas e animais que ainda não foram descobertos. Os impactos das mudanças climáticas no Brasil segundo o 4º relatório do IPCC No nordeste do Brasil as áreas semi-áridas e áridas vão sofrer uma redução dos recur- sos hídricos por causa das mudanças cli- máticas. A vegetação semi-árida provavel- Por que a Amazônia é importante? Floresta Amazônica e o gás carbônico mente será substituída por uma vegetação O que liga a floresta Amazônica, o aqueci- O que as florestas retiram do ar elas podem típica da região árida. Nas florestas tropi- mento mundial e você? devolver. Quando as florestas são queima- cais, é provável a ocorrência de extinção de Há muito tempo a floresta Amazônica é reconhecida como um repositório de serviços ecológicos, não só para os povos indígenas e as comunidades locais, mas também para das, a matéria de carbono da árvore é liberada no ar, na forma de CO2, um gás que polui o ar e que já está presente numa quantidade excessiva na atmosfera. espécies. A recarga estimada dos lençóis freáticos irá diminuir dramaticamente em mais de 70% no nordeste brasileiro (comparado aos índi- o restante do mundo. Além disso, de todas Onde antes havia floresta tropical úmida e ces de 1961-1990 e da década de 2050). as florestas tropicais do mundo, a Amazônia savanas, agora surgem pastagens para a As chuvas irão aumentar no sudeste com é a única que ainda está conservada, em criação de gado. Os pastos estão cheios de impacto direto na agricultura e no aumento termos de tamanho e diversidade. gado e também de cupins, e as atividades da freqüência e da intensidade das inunda- No entanto, à medida que as florestas são queimadas ou retiradas e o processo de a- metabólicas desses dois animais também liberam CO2, embora sua contribuição para a poluição atmosférica ainda gere muita po- ções nas grandes cidades neiro e São Paulo. como Rio de Ja- quecimento global é intensificado, o desmatamento da Amazônia gradualmente des- lêmica. No futuro, o nível do mar, a variabilidade climática e os desastres provocados pelas monta os frágeis processos ecológicos que As culturas agrícolas que substituem as flo- mudanças climáticas devem ter impactos levaram anos para serem construídos e refi- restas absorvem apenas uma pequena fra- nos mangues. nados. ção do CO2 consumido pela floresta tropical Ironicamente, enquanto as florestas tropi- úmida. Então, sem florestas, o CO2 deixa de ser transformado pela fotossíntese. Jun- De 38 a 45% das plantas cerrado correm risco de extinção se a temperatura aumen- cais úmidas diminuem continuamente, o trabalho científico realizado nas últimas duas décadas jogou um pouco de luz sobre os vínculos essenciais que existem entre a saúde das florestas tropicais e o resto do tamente com a poluição industrial, o desmatamento descontrolado na América do Sul e em outros lugares aumentou significativamente a quantidade de CO2 na atmosfera. tar em 1.7°C em relação aos níveis da era pré-industrial. Hoje, o planeta já está 0,7ºC mais quente que na época. mundo. Há uma ligação entre os remédios guarda- O Brasil e as criticas globais Filtragem e reprocessamento da produção mundial de gás carbônico As árvores desempenham um papel-chave na redução dos níveis de poluição. Para entendermos melhor como isso funciona, vamos tomar como exemplo o gás carbônico (CO2), cujas emissões provêm tanto de fontes naturais como da atividade humana. dos nos armários de sua casa e a vida silvestre da Amazônia: plantas e animais servem como base para a fabricação de medicamentos. Durante milênios, os seres humanos utilizaram insetos, plantas e outros organismos da região para várias finalidades, entre elas a agricultura, vestimentas e, claro, a cura para doenças. Mesmo antes de as reuniões no fórum do G20 começarem, a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro já gerava discussões e troca de acusações. A chanceler alemã, Angela Merkel, disse, na quarta-feira (26/6), considerar "dramática" a situação do Brasil em questões de meio ambiente e direitos humanos, Nos últimos 150 anos, os seres humanos ao que o presidente brasileiro respondeu têm lançado quantidades enormes de CO2 Povos indígenas e outros grupos que vivem que "a Alemanha tem muito a aprender com no ar por meio da queima de combustíveis na floresta amazônica aperfeiçoaram o uso o Brasil" nessa área. fósseis, carvão, petróleo e gás natural – e esta é uma das principais causas das mudanças climáticas no planeta. Entra o gás carbônico, sai o oxigênio Em condições naturais, as plantas retiram o CO2 da atmosfera e o absorvem para fazer de compostos químicos encontrados em plantas e animais. O conhecimento sobre o uso dessas plantas geralmente fica nas mãos de um curandeiro, que por sua vez repassa a tradição para um aprendiz. Esse processo se mantém ao longo de séculos e compõe uma parte integral da identidade Como a Floresta Amazônica recebe dinheiro internacional para sua preservação e é considerada a maior reserva de biodiversidade do mundo, não é incomum que seja alvo de discussões internacionais. A Alemanha é a segunda maior doadora - com R$ a fotossíntese, um processo de produção de energia. Com a fotossíntese, as plantas obtêm: desses povos. No entanto, com o rápido desaparecimento das florestas úmidas tropicais, a continuida- 192,6 milhões até agora, atrás só da Noruega - do Fundo da Amazônia, que promove iniciativas para conservar a floresta brasileira. - Oxigênio, que é liberado novamente no ar, e o Carbono, que é armazenado para permitir o crescimento das plantas. de desse conhecimento para o benefício das futuras gerações encontra-se ameaçada. Será possível, porém, dizer, qual país pode ensinar o outro em proteção ambiental? A comparação feita pelo presidente faz algum Assim, sem as florestas tropicais úmidas e O potencial inexplorado das plantas sentido? O Brasil tem algo a ensinar sobre todas as suas plantas fazendo fotossíntese amazônicas preservação do ambiente? durante o todo o dia, o efeito estufa provavelmente seria mais pronunciado, e as mudanças climáticas podem vir a ser ainda mais graves. Os cientistas acreditam que menos de 0,5% das espécies da flora foram detalhadamente estudadas quanto ao seu potencial medi- Fontes: WWF e BBC OPINIÃO: As respostas ficam discussão em sala de aula. no ar para Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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