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Junho de 2019

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Ano XII - Edição 139 - Junho de 2019 Distribuição Gratuita O QUE FAZER? Que sociedade queremos ser? Que sorte dormir tranquilamente sabendo Há algum tempo a Finlândia anunciou uma revolu- que todas as crianças amanhã irão para escolas. ção: pretender acabar com as disciplinas nas escolas. O país é pro- Que serão recebidas por professores com formação adequada. tagonista em educação de qualidade e deseja uma educação am- Que conduzirão nossas crianças a um nível excelente de aprendi- plamente interdisciplinar, que agregue os conteúdos, ao invés de zado por serem muito bem valorizados. dividir o conhecimento em disciplinas. Que há garantia de emprego. Que há atendimento de alto escalão na área da saúde. O ousado exemplo mostra uma tendência adotada nas últimas décadas por todos países desenvolvidos: Matéria completa: Matéria completa: A dívida da escravidão Os Estados Unidos devem pagar reparações aos afro-americanos descendentes de escravos? O debate sobre o pecado fundacional americano revive Hoje está aposentado, tem 89 anos, mas em cada legislatura durante quase três décadas, o congressista de Michigan John Conyers propunha um projeto de lei para que os Estados Unidos reconhecessem “a crueldade, a brutalidade e a falta de humanidade” da escravidão, assim como “a resultante discriminação econômica e racial dos afroamericanos e o impacto em seus descendentes”. A proposta sequer chegou a ser debatida. Matéria completa: Na semana do Meio Ambiente precisamos refletir sobre o mundo que queremos para nossos filhos e netos e, não devemos nos esconder atrás do pano, certos que o ator dessa mudança são os outros. A humanidade já destruiu a metade de todas as árvores do planeta Existem 3 trilhões de árvores. No ritmo do desmatamento, desaparecerão em 300 anos. É o tipo de pergunta que pega qualquer pai de surpresa e que nem as melhores mentes puderam responder de forma satisfatória: Quantas árvores há no mundo? Matéria completa: Quando os filhos dos mais pobres chegaram à universidade, a Espanha mudou. Nos anos oitenta, jovens de todas as classes sociais encheram colégios e universidades. O colégio era público e novo e coube a nós estreá-lo. Também era frágil, construído a toque de caixa, sem muito planejamento, acredito que também sem muito orçamento. Por isso muitas coisas (quase todas as persianas, as barras do ginásio, o próprio ginásio, a máquina de slides que sempre enguiçava) não sobreviveram um ano letivo. Matéria completa: CULTURAonline BRASIL Palestras e boa música Palestras: - Cultura - Educação - Meio Ambiente - Cidadania Baixe o aplicativo Google Play no site www.culturaonlinebr.org Brasil lidera ranking de medo de tortura policial. Matéria completa: A educação deixou de “ser qualidade” no mundo dos dados estéticos, para ser “quantidade” Matéria completa: Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 3 O QUE FAZER? Alfanjes Que sorte dormir tranquilamente sabendo que todas as crianças amanhã irão para escolas. Que serão recebidas por professores com formação adequada. Que conduzirão nossas crianças a um nível excelente de aprendizado por serem muito bem valorizados. Que há garantia de emprego. Que os cidadãos que trabalham e tem garantido seu pão de cada dia. Que há atendimento de alto escalão na área da saúde. Que há sempre boa comida à mesa e na merenda escolar. Que cada um tem um teto para se abrigar. Que os governantes distribuem a renda justamente. Todos somos agricultores E colhemos o que plantamos Uns plantam professores Outros plantam milicianos E ao vermos as sementes Germinando em nossa frente Aguardamos aflitos Para ver quais serão Os frutos que surgirão Na árvore do nosso arbítrio. Que cada profissional recebe de acordo com seu empenho, estudo e competência. Na árvore que cresceu Que ninguém está subordinado à ousadia dos traficantes e ao infortúnio do mal. Vemos frutos de imundícia Que as crianças são respeitadas. Porque o povo escolheu Que o eleitor tem garantias na segurança, educação e saúde. Plantar sementes de milícia Que há confiança absoluta no juramento de cada um sem decepcionar. E tais frutos são amargos Que erros podem acontecer, mas, com a certeza de quem o cometer irá assumir e resolver. Que o povo tem direitos adquiridos, preservados e ninguém abusará do seu trabalho suado. Que tem voz, alma, méritos e reconhecimento. Que ninguém aceitará um bem-estar acima do sofrimento alheio. Insalubres e contaminados Com comportamentos torpes Que nos fazem reconhecer Que jamais poderíamos colher Bons frutos de uma árvore podre. Que não é preciso preocupar-se, porque todas as causas serão abraçadas. Que essa gente é tratada com compaixão. Que é um povo que se uniu, lutou e confiou naquele que o acordou com esperanças. Que aquele que o acordou, trouxe promessas, pediu forças e jurou cuidar das crianças e da nação. Que sinto muito em dizer que NÃO é do povo brasileiro que estou falando. Um povo “descontente contente”, de baixa autoestima, marionetes manipulados pelo governo, condicionados ao amor pelo futebol e carnaval mais do que pela nação, vive de qualquer jeito, em qualquer lugar e de qualquer forma e a cada ano, escolhe viver como se não houvesse escolha. Sempre acha que venceu, mesmo quando fracassou. Será mesmo que cada povo tem o governo que merece? Alguns plantam, todos colhem E seguimos sempre famintos Mas é melhor morrer de fome Do que viver gordo e indigno Mas nos resta uma chance Basta unirmos nossos alfanjes Para cultivarmos um jardim feliz Removendo as pragas da grama E quanto à árvore miliciana Vamos cortá-la pela raiz. Genha Auga Jornalista MTB: 15.320 EDUCAÇÃO NO BRASIL: Porque será que um país como a Alemanha, mesmo com toda a crise financeira que o mundo vive, tem crescimento no PIB e está entre os mais desenvolvidos países do mundo? Eles investem em Educação. Até mesmo as universidades públicas estão entre as melhores do mundo. Quais as consequências? Melhores profissionais, maiores oportunidades de trabalho e maiores salários, e consequentemente, o país cresce como um todo. Um dos segredos do desenvolvimento dos alemães, bem como outros países como Japão, Coreia do Sul, é o investimento em educação. Professores e metodologia de qualidade fazem a grande diferença para um país. A situação do Brasil não é nada boa no quesito educação. Estamos nas últimas posições do ranking, segundo algumas pesquisas e estudos, a maioria dos nossos alunos não conseguem fazer simples contas de matemática e nem sabem escrever o nome quando estão na quinta série. E caminhamos para dias piores... Colaboraram nesta edição Colunistas Fixos: Mariene Hildebrando Genha Auga Filipe de Sousa Fábio Luiz de Souza João Paulo E. Barros Colaboradores desta edição: Eduardo de Paula Barreto. Yolanda Monge Deutsche Welle Fábio Donaire Luiz Ruffato Maria Fernanda Garcia Isabel Cristina Gonçalves Sara Beatriz Hansen Antonio Ozorio PRECISA-SE de voluntário revisor de textos - Contato: gazetavaleparaibana@gmail.com IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Diretor, Editor e Jornalista responsável Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 2 Que sociedade queremos ser? Há algum tempo a Finlândia anunciou uma revolução: pretender acabar com as disciplinas nas escolas. O país é protagonista em educação de qualidade e deseja uma educação amplamente interdisciplinar, que agregue os conteúdos, ao invés de dividir o conhecimento em disciplinas. O ousado exemplo mostra uma tendência adotada nas últimas décadas por todos países desenvolvidos: integrar o ensino das ciências humanas, exatas e da natureza. A integração das disciplinas tem levado séculos para ocorrer. O conhecimento tradicionalmente foi compartimentado e disciplinarizado em ramos da ciência; no interior de cada um deles, as disciplinas. Com isso, o saber sempre ficou fragmentado e isolado. Entretanto, a partir do século XX, a divisão dos assuntos em disciplinas rígidas, levou a dificuldades para construir explicações da realidade, na qual as coisas estão conectadas, interdependentes e interligadas, a exigir soluções compartilhadas para lidar com as crescentes incertezas e complexidades. Diante dos problemas fundamentais do planeta, a união dos saberes passou a ser essencial. Décadas de pesquisas comprovaram que a integração entre as diferentes áreas de conhecimento é mais fecunda e produtiva socialmente do que a separação entre elas ou a exclusão de algumas delas. Em qualquer nível de ensino, desde o básico até o superior, o caminho ideal do futuro será a inclusão e a integração das disciplinas, para construir solidamente o saber científico e gerar visões mais transdisciplinares. No Brasil do atraso o caminho é inverso dos países evoluídos. Ao invés de integração e harmonização das ciências, fala-se em exclusão. O objetivo é dar menos prestígio, enfraquecer, ou mesmo excluir dos currículos as áreas de humanas, como filosofia, sociologia e ciência política. Desde 1901 foram concedidos quase 600 Prêmios Nobel para dezenas de países. A Argentina tem 5 prêmios. Nós nunca ganhamos um e desse jeito nunca ganharemos. O nosso subdesenvolvimento é o resultado dos grandes e incessantes investimentos em ignorância e precariedade, que sempre marcaram nossa história. A pergunta é sempre atual: que sociedade queremos ser? Antonio Ozorio ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS (+ Datas? Visite nossa biblioteca no site) 01 - Semana Mundial do Meio Ambiente 01 - Dia da Imprensa 05 - Dia Mundial do Meio Ambiente e da ecologia 05 - Dia Nacional da Reciclagem 08 - Dia Mundial dos Oceanos e do Oceanógrafo. 09 - Dia Nacional de Anchieta 10 - Dia da Artilharia 11 - Dia da Marinha Brasileira 12 - Dia dos Namorados 17 - Dia Mundial de Combate à Desertificação 18 - Dia da Imigração Japonesa 19 - Dia do Cinema Brasileiro 20 - Dia do Refugiado 21 - Início do Inverno (Solstício de Inverno) 21 - Dia da Mídia e do Profissional de Mídia 21 - Dia do Aperto de Mão 25 - Dia do Imigrante 26 - Dia Internacional de Apoio Vítimas de Tortura 27 - Dia Nacional do Progresso 28 - Dia Internacional do Orgulho Gay 30 - Dia da Mídia Social Armas e Livros O dia em que levei uma bronca do presidente Lula Certa vez Lula foi à universidade em que eu estudava receber seu título ‘Honoris Causa’, um reconhecimento do mundo acadêmico àqueles que têm muito destaque em determinadas áreas, como arte, política ou literatura. Lula recebeu mais de 35 títulos iguais a esse nas maiores universidades do mundo. A UFABC, em que estudei, é uma universidade pública, federal, criada por ele e por Fernando Haddad. Eu fazia licenciatura em filosofia. Na ocasião eu usava uma camiseta escrito “Free Palestine” com uma enorme bandeira da Palestina estampada e segurava uma faixa pedindo por moradia estudantil. Me posicionei timidamente no canto do auditório e fiquei conversando com velhos amigos que estavam trabalhando no governo federal. Logo que começou o evento, Lula pegou o microfone, olhou para mim e disse “Você, venha aqui”. Me chamou na frente do palco e disse: “Não faz o menor sentido reivindicar algo com uma faixa e ficar no canto, longe dos olhos das pessoas. Você está defendendo duas coisas importantes. Duas coisas que me orgulho de defender também e pelas quais precisamos brigar. Me orgulho que os alunos de uma universidade pública, alunos de humanidades, levantem sua voz contra as injustiças sociais. Fique aqui, na minha frente, e vamos dizer para o mundo que queremos uma Palestina livre e que queremos que nossos estudantes tenham condições de permanecer nas universidades”. Em seguida, ele me perguntou qual curso eu fazia. “Filosofia”, respondi. E ele disse que achava isso a coisa mais importante. Olhou com os olhos cheios de lágrima e agradeceu. Eu quase desmoronei. Quase chorei um oceano inteiro. No final, fui dar um abraço nele e ele olhou para os meus olhos e disse “Nunca esconda sua luta. Que é uma luta de todos nós!”. Obrigado, presidente Lula! Fábio Donaire Quem brinda à ignorância Conspira contra si mesmo Porque amplia a distância Entre o fim e o começo De todos os conflitos Que poderiam ser escritos Sem consumir toda a tinta Que precisamos ter Para podermos escrever Nas páginas da vida. . A falta de conhecimento Desperta os piores instintos Porque se não há argumentos Recorre-se aos primitivos Métodos de solução Dos problemas que são Presenças constantes Ao invés de dar espada Dê à criança as palavras Que brotam das estantes. . Arme a criança com livros E assim a livre das armas Porque o saber é antídoto Contra os venenos da alma Que ao longo da existência Podem ficar em latência Ou aflorar como intolerância Dependendo dos estímulos Que despertam os íntimos Instintos da criança. Eduardo de Paula Barreto Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 4 POR UMA EDUCAÇÃO HUMANIZADA ATRELADA AO as máquinas fatidicamente substituirão a mão-de-obra humana, li- PR OCESSO DE FORMAÇÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO. mitando o Mercado a pessoas com alta qualificação, por outro es- tas mesma inteligência artificial não será capaz de pensar, de pla- É bem verdade que estamos vivendo uma revolução tecnológica na nejar, de organizar, de sistematizar e de sentir, visto que estas nossa sociedade. A tecnologia nos conduz para um futuro incerto. competências são puramente resultados da atividade da psiquê e Michelle Schneider, publicitária e Head em educação no LinkedIn acredito que se levará um bom tempo até inferir no computador tais Brasil, afirmou em sua palestra para a TEDx Talk, intitulada “O Pro- habilidades (isto, se conseguirem algum dia). Afinal, já dizia Charlie fissional do Futuro”, que nos próximos anos, a inteligência artificial Chaplin em seu discurso final na obra ‘O grande ditador’: “Mais do irá excluir centenas de milhares de pessoas do mercado de traba- que máquinas, necessitamos de uma humanidade”. lho, resultando assim em uma crise econômica em escala global. Não obstante, estamos preocupados em preparar indivíduos para a Um dos grandes paradigmas da educação no século XXI não é a- utilizar-se da inteligência lógico-matemática. Preparamos indivíduos penas sobre o que ensinar, mas principalmente sobre como ensi- para preencher formulários. Preparamos indivíduos para passar nar. Estamos preparados para as mudanças que estão emolduran- nos melhores vestibulares. Preparamos indivíduos para serem do a nova sociedade? Nós, educadores, nos demos conta das pro- bons profissionais. Em suma, preparamos indivíduos para dominar jeções futura com relação à sociedade e o mercado de profissio- a técnica. E quando preparamos indivíduos para serem humanos? nal? A forma como ensinamos é suficiente para preparar indivíduos que atendam a estas e outros demandas? Quais são as nossas Formamos indivíduos que sabem dominar a técnica, mas que não projeções para a segunda metade do século XXI e para os próxi- sabem lidar com suas emoções. Formamos profissionais altamente mos? qualificados dentro de suas áreas de especialização, mas que cada vez menos demonstram empatia. Somos excelentes em preparar Nas últimas décadas, temos observado uma grande preocupação profissionais e cada vez mais péssimos em formar seres humanos. do Poder Público e atrelar o ensino a especialização da mão-de- obra. O Estado não preocupa, ou se preocupa muito pouco em for- Diante do novo cenário econômico-profissional, defendo que aque- mas cidadãos plenos e integrais. A maior preocupação é formar, le que terá condições de sobreviver e se sobressair será aquele in- com extrema rapidez, mão-de-obra qualificada para saciar as ne- dividuo versado nas competências socioemocionais, aqueles que cessidades do mercado. além das técnicas saiba se relacionar, socializar e lidar com senti- mentos e emoções. É por esta razão, que nós não temos visto nenhum outro período (ao menos, desde a década de 1970, quando prevalecia o ensino Defendo um modelo de educação que garanta ao indivíduo um de- tecnicista) a obsessão com o Ensino Técnico atrelado à educação senvolvimento global, e não apenas profissional. Minha meta, pela básica. Discursos como “Saia da escola, direto para o mercado de qual eu vivo e trabalho há mais de uma década, é proporcionar u- trabalho” são comuns nestes dias. A preocupação em atender às ma educação humanizada, pautada na ética, na cidadania, na res- demandas imediatas do Mercado exclui o olhar para futuro e im- ponsabilidade socioambiental, no respeito ao próximo. Estes valo- possibilita a inserção de uma nova mentalidade para a educação res são essenciais para a vida em sociedade e a Inteligência Artifi- do século XXI. cial não pode oferecê-los. E não me compreenda mal, não estou dizendo que a perspectiva Mais do que profissionalização, o que está em pauta é uma educaprofissionalizante atrelada a educação não seja importante, e que, ção que valorize o material humano para uso pleno de suas potenportanto, ela deva ser excluída do processo. Não é esta a questão cialidades e capacidades. A educação não pode tão somente incormais importante. O que eu quero levá-lo(a) à reflexão é a pergunta porar o papel de formar demanda para o Mercado, mas sim formar central: De que adiante tanta preocupação e um foco obsessivo na um indivíduo em sua totalidade. Formar indivíduos independentes, formação de mão-de-obra na educação básica, se não haverá em- autônomos, cujas experiências e sentimentos serão fundamentais pregos no futuro? Compreende como a ferida é muito mais profun- em seu crescimento como pessoa. da? A educação deve preparar o indivíduo para se relacionar em todas Afinal, estamos falando em um período da história em que as má- as esferas: política, econômica, social, educacional e cultural. Em quinas substituirão completamente o trabalho humano. E o que outras palavras, a educação humanizada é uma necessidade vital muitas pessoas se dão conta, que este acontecimento não se fará para a sociedade do século XXI. Nestes termos, educar de forma em um futuro distante. Muito pelo contrário, o futuro já está posto. humanizada é subsidiar o indivíduo de habilidades e competências Estamos falando de um horizonte muito mais próximo do que mui- de forma mais ampla e concreta. tas pessoas podem imaginar. Uma formação educacional pautada meramente no tecnicismo e E a grande problemática que se levanta diante deste cenário apo- com ausência de educação humanizada gerará, certamente, grancalíptico é: Como poderemos nos reinventar e sobreviver em meio des problemas para a sociedade, conduzindo-as a um retrocesso a tamanha catástrofe? Qual deverá ser o papel da educação diante sem precedentes como a marginalização, a violência e a insensibilideste contexto? Perceba como estamos falando em um processo dade. de educação que vai além da formação técnica. Esta será sim, um Portanto, o grande desafio da educação não deve ser formar profis- aspecto muito importante no ensino-aprendizagem, porém não o sionais de excelência, mas seres humanos íntegros, completos e essencial, visto que dominar apenas a técnica não será suficiente aptos para lidarem com os desafios contemporâneos. O grande de- para nos colocar em posição de vantagem na concorrência desleal safio deve ser formar indivíduos com aptidões emocionais, físicas e com as máquinas. Ou seja, o modelo tecnicista da educação não é sociais. mais suficiente para atender às demandas da nova sociedade. Concluímos relembrando que a educação é um processo contínuo Qual será o diferencial? Diante desta crise iminente, qual deve ser de construção e reconstrução. Neste processo é imprescindível a missão da escola? Que tipo de indivíduo deve ser formado? subsidiar um processo de ensino que consolide no indivíduo valo- Quais são as perspectivas da educação para as próximas déca- res necessários à sua participação social, à sua formação pessoal das? Escolarização ou Profissionalização? e à sua autorrealização. Em minha humilde opinião, o papel da educação deverá ser preservado tal qual sempre foi: garantir a inclusão, a igualdade e a qualidade de ensino; e, promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para TODOS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU Nº4). Prof. Fábio Luiz de Souza (Consultor Educacional) Whatsapp: (86) 99515-5554 Se por um lado compreendemos que vivemos em um mundo onde Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página Quando os filhos dos mais pobres chegaram à universidade, a Espanha mudou. Nos anos oitenta, jovens de todas as classes sociais encheram colégios e universidades. O colégio era público e novo e coube a nós estreá-lo. Também era frágil, construído a toque de caixa, sem muito planejamento, acredito que também sem muito orçamento. Por isso muitas coisas (quase todas as persianas, as barras do ginásio, o próprio ginásio, a máquina de slides que sempre enguiçava) não sobreviveram um ano letivo. A porta de um banheiro que se quebrou serviu de trenó aos mais velhos em uma semana de fevereiro que nevou. Terminou abandonada em um lixão próximo. Gianbatista Vico: “No início, a natureza dos povos é cruel, depois torna-se severa; em se- guida, benevolente; mais tarde, delicada, e finalmente, corrupta”. *** Eu: “O povo mau-mau conhecia bombom?”. *** Esse colégio recebeu um batalhão de adolescentes de La Elipa, Simancas e San Blas, três bairros da periferia de Madri que no começo dos anos oitenta, logo após a transição da ditadura franquista para a democracia, estavam povoados por famílias operárias com o pai muitas vezes desempregado ou prestes a perder o emprego e a mãe aflita perseguindo como um detetive ofertas de supermercado. Em algumas casas o filho mais velho tinha acabado de se viciar em heroína e então tudo era horrivelmente pior. John Milton: “O povo não existe por causa do rei, mas o rei existe por causa do povo”. *** Ditado taoísta: “Apto para governar está quem ama tanto o seu povo como se ama a si próprio”. Na hora do recreio, no pátio, parecíamos delinquentes juvenis. No fundo, também éramos frágeis e corríamos o risco de reprovação na metade do ano letivo: tão quebrados como as persianas da sala de aula, tão abandonados como a porta-trenó. Mas, sem nos darmos muita conta, graças a um punhado de professores convencidos de sua tarefa fomos passando de ano até chegarmos ao vestibular. O pobre colégio parecia ter sido sacudido por um terremoto. Mas, apesar dos materiais aparentemente de segunda mão, aguentou. E serviu para o que serve um colégio: de trampolim, de porta de saída. Muitos de nós que fomos buscar as notas do vestibular naquela quente manhã de junho tantos anos atrás éramos os primeiros de nossas famílias a entrar em uma universidade. A universidade. A primeira coisa que fiz ao chegar foi verificar a consistência das persianas. A segunda, perceber que lá existia muita gente. Ao longo dos anos sessenta, de acordo com dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), somente 6% dos espanhóis terminava o segundo grau e só outro 6% conseguia um título universitário. Nos setenta, essa porcentagem subiu a 9% e 10%, respectivamente. Mas nos oitenta, já 24% da população terminava o COU (Curso de Orientação Universitária) e 16% ia além e se formava na universidade. Algo estava acontecendo. A universidade ficou lotada de jovens da geração do baby boom, provenientes – pela primeira vez em grande quantidade – dos dois lados da trincheira econômica. *** Adam Smith: “A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes. *** Cézar Zama: “Os povos livres e felizes não se revoltam”. *** Marquês de Maricá: “Os povos desencantados tornam-se insubordinados”. *** Lao-Tsé: “Quando o governante é indulgente, o povo é virtuoso. Quando o governante é ri- goroso, o povo prevarica”. *** Lao-Tsé, de novo: “Quando a obra dos melhores chefes fica concluída, o povo diz: fo- mos nós que a fizemos”. Abarrotamos as faculdades por razões demográficas: nunca fomos tantos e já havíamos lotado os colégios, deformaríamos depois o mercado de trabalho e arrasaremos o sistema previdenciário quando chegar a hora. Mas também as abarrotamos por razões políticas: os Governos da época fomentaram um sistema de bolsas que fizeram com que os cursos fossem muito mais acessíveis. Os especialistas denunciavam que essa enxurrada de alunos baixaria o nível da universidade. E eu pensava que sim, que era verdade, mas que o nível do meu bairro também subiria. Além disso, passou a funcionar com regularidade – e já sem retorno – o elevador social. Meu primeiro amigo universitário foi um rapaz de uma família burguesa do rico bairro de Moncloa, em Madri, que havia estudado no exclusivo colégio Base. Ainda é um dos meus melhores amigos. Paralelamente, chegou a modernidade, abandonamos as jaquetas puídas e as calças justas e de noite íamos às festas da Movida (movimento de contracultura madrilenho dos anos setenta e oitenta) e de manhã às manifestações anti-OTAN (e anti-PSO, e que governava a Espanha e promovia a entrada do país na aliança militar). Mas a cada setembro preenchíamos, sem culpa na consciência e sem que nenhuma contradição nos atormentasse, o formulário da bolsa universitária anual do Governo de Felipe González. Naqueles anos erros foram cometidos, coisas deram errado, outras não foram alcançadas, muito ficou por ser feito e abordado superficialmente. Após a embriaguez da liberdade retomada, espalhou-se certo desânimo e uma ressaca de decepção e suponho que inevitável como aquele que comprova no dia seguinte que a festa não foi tudo isso. As festas nunca são tudo isso. *** Victor Hugo: “A plebe apenas pode fazer tumultos. Para fazer uma revolução, é preciso povo” *** Nietzsche: “Um povo é o rodeio da natureza para chegar a seis ou sete grandes homens. Sim: e para depois se desviar deles”. *** Barão de Montesquieu: “Qualquer povo defende sempre mais os costumes do que as leis”. *** Nelson Rodrigues: “Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro. *** Guimarães Rosa: “Povo quando fala, fantaseia”. Convém lembrar que, apesar de tudo, nessas décadas ocorreram pequenos milagres – produto de inúmeras causalidades, mas também de decisões políticas e de medidas orçamentárias – como o fato de meu amigo do colégio Base e eu nos sentarmos lado a lado em uma sala de aula da universidade, possuindo os dois (quase) as mesmas oportunidades para depois sair por aí, pela vida, que essa sim era tudo isso. Em tempo: o velho colégio continua lá, no mesmo lugar, com a mesma forma de trampolim, de porta de saída. Luiz Ruffato Antes a luta era pela "universidade para todos", agora o governo parece que está lutan- do pela "universidade para ninguém". Valter Bitencourt Júnior Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 6 A dívida da escravidão entender as razões pelas quais alguns dos mais destacados candidatos democratas lutam por esses desagravos. Coates define os anos das conhecidas como leis Jim Crow (legislação de segregação racial) como uma etapa de cleptocracia em que os negros eram roubados em seus pertences, no direito a votar, no direito a uma casa e até mesmo no direito à Justiça. Na opinião do ensaísta, o New Deal de Roosevelt foi projetado para proteger o estilo de vida sulista. Como diz em seu texto de mais de 16.000 palavras, foi tamanho o espólio de terras dos afro-americanos que esses terrenos hoje em dia são um clube de campo na Virginia e campos de petróleo no Mississipi, para citar alguns exemplos. Entre 1930 e 1960, ocorreram em Chicago linchamentos de negros e incêndios para manter vizinhanças livres da presença dessa raça. Os mais de seis milhões de descendentes de escravos que prota- gonizaram a Grande Migração ao Norte fugindo da segregação e da violência do Sul encontraram na Filadélfia, Washington e Chica- go leis que os impediam de alugar casas em igualdade de condi- ções em relação aos seus compatriotas brancos, de modo que mui- Os Estados Unidos devem pagar reparações aos afro-americanos tas vezes acabavam nas ruas, despejados, ao não conseguir pagar descendentes de escravos? O debate sobre o pecado fundacional empréstimos abusivos, e fechados em guetos. É o que o autor americano revive Douglas Blackmon definiu como “escravidão com outro nome”. No Hoje está aposentado, tem 89 anos, mas em cada legislatura du- livro que possui esse mesmo título (Slavery by Another Name, no rante quase três décadas, o congressista de Michigan John Con- original em inglês), o escritor coloca como, enquanto a Alemanha yers propunha um projeto de lei para que os Estados Unidos reco- paga há 60 anos indenizações a vítimas do Holocausto, ‘Quando nhecessem “a crueldade, a brutalidade e a falta de humanidade” da se menciona o assunto das reparações, são muitos os obstáculos escravidão, assim como “a resultante discriminação econômica e encontrados para avançar em uma direção proveitosa. Quanto seri- racial dos afro-americanos e o impacto em seus descendentes”. A a pago? (Os especialistas colocam o valor em trilhões). Para quem proposta sequer chegou a ser debatida. seria pago? (David Brooks, colunista do jornal The New York Ti- A dívida da escravidão Francis Fukuyama: “Nem todos os eleito- mes, se pergunta em relação a isso: Os milionários Oprah Winfrey res de partidos populistas são racistas ou xenófobos” e Lebron James seriam indenizados?). Mas por fim, o principal ar- A dívida da escravidão: O que está por trás da cultura do ódio gumento dos que se opõem às reparações é que são violações ocorridas em um passado muito remoto, sobre as quais não existe A ideia de realizar “reparações pela escravidão” esteve mais ou um senso de responsabilidade coletiva. menos presente na sociedade norte-americana desde a Guerra Civil. Já em janeiro de 1865, meses antes do final da contenda, o ge- Os democratas Elizabeth Warren, Kamala Harris, Julián Castro e neral William Tecumseh Sherman ditou a famosa ordem de campa- Beto O’Rourke consideram que chegou o momento de começar u- nha conhecida como a lei “dos quarenta acres e uma mula”, em re- ma conversa profunda em escala nacional. “Precisamos estudar os ferência ao que prometia aos negros recém-libertos (o diretor de efeitos que tiveram décadas e décadas de discriminação e racismo cinema Spike Lee batizou sua produtora em 40 Acres & Mule como institucional sobre muitas gerações, e determinar quais são as con- homenagem). Desde então, as iniciativas de reparação se sucede- sequências e o que se pode fazer para intervir e corrigir o que a- ram. Durante certas épocas hibernam, mas, sendo a escravidão o conteceu”, diz Harris. Na opinião de Beto, os Estados Unidos grande pecado fundacional dos Estados Unidos, o debate está aí e “nunca irão curar sua ferida” a menos que resolvam o pecado origi- sempre volta a aparecer. nal da escravidão. Agora, em 2019, enquanto cresce o número de democratas que se Os que se opõem às reparações afirmam que são violações ocorripostulam a tirar o poder de Donald Trump em 2020, foram vários os das em um passado muito remoto candidatos que voltaram a mencionar o assunto. Da senadora cali- Há, entretanto, uma voz dissonante nas fileiras democratas. Bernie forniana Kamala Harris à veterana Elizabeth Warren, passando pe- Sanders, senador de Vermont e um dos candidatos mais bem colo- lo antigo prefeito de San Antonio, Julián Castro, todos – na atual cados nas pesquisas em relação à indicação de seu partido, não campanha para obter a indicação do Partido Democrata nas elei- apoia as reparações porque considera que é praticamente impossí- ções presidenciais do próximo ano – manifestaram seu apoio a al- vel transformá-las em algo concreto. “Existem maneiras melhores guma forma de reparação que alivie a indelével mancha americana. de lidar com as crises do que entregar um cheque”, diz. Prefere a- Em sua opinião, a escravidão não só causou danos e sofrimento postar em políticas sociais, como a criação de emprego e dar facili- aos escravos, como instaurou todo um sistema de corrupção que dades para estudar. Barack Obama também se opôs às compensa- infectou, como uma gangrena, a sociedade inteira. É, defendem, ções em sua campanha à presidência porque poderiam se transfor- uma dívida coletiva que sem dúvida deve ser paga. mar, disse, em uma desculpa para dizer que a “dívida” com os ne- O antigo sistema de exploração e abuso foi sucedido por um século gros está paga em vez de acabar com as discriminações atuais. de leis que institucionalizaram a discriminação Hillary Clinton também prefere falar de investimentos em vez de reparações. O problema é que tal dívida cobre nada mais e nada menos do que 250 anos de história, porque o que ficou realmente provado é que a Desde 1865 ocorreram outras tentativas para conquistá-las, especiescravidão não acabou com Abraham Lincoln e a décima-terceira almente as lutas pelos direitos civis que desembocaram na extraoremenda da Constituição americana que abolia a escravidão. O anti- dinária legislação do presidente Johnson. Mas sempre toparam go sistema de exploração e abuso foi sucedido por um século de com as mesmas dificuldades: como determinar as responsabilidaleis que institucionalizaram a discriminação contra os negros, um des e os eventuais beneficiários. Hoje não é diferente. Quem paga modo de escravidão que sobreviveu até boa parte do século XX e o que a quem pela grande dívida de 250 anos de escravidão. que estava integrado no sistema econômico e amparado pelo Governo. Basta ler o revelador ensaio de Ta-Nehisi Coates ‘Um Argu- YOLANDA MONGE mento a Favor das Reparações’ (The Case for Reparations, no ori- ginal em inglês), publicado na revista The Atlantic em 2014, para Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Maio de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 7 Por lutar contra a fome no Cérebro de milho Brasil, ele foi punido pela Ditadura Militar. Josué de Castro escreveu obras clássicas sobre o quadro trágico da fome no Brasil e no mundo Josué Apolônio de Castro, mais conhecido como Josué de Castro, foi um influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome. Josué de Castro nasceu no dia 5 de setembro de 1908, no Recife (PE). Aos 20 anos, formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, atual UFRJ. Apesar do interesse inicial pela psiquiatria, resolveu fazer nutrição e abriu sua clínica no Recife. Na mesma época, foi contratado por uma fábrica para examinar trabalhadores com problemas de saúde indefinidos e diagnosticou: “sei o que meus clientes têm. Mas não posso curá-los porque sou médico e não diretor daqui. A doença desta gente é fome”. Logo foi demitido da fábrica. Vislumbrou então a dimensão social da doença, ocultada por preconceitos raciais e climáticos. A partir de 1940, participou de todos os projetos governamentais ligados à alimentação, coordenando a implantação dos primeiros restaurantes populares, dirigindo as pesquisas do Instituto de Tecnologia Alimentar e colaborando para a execução de várias políticas públicas, como a educação alimentar. Sob sua direção foi lançado o periódico ‘Arquivos Brasileiros de Nutrologia’. O ano de 1946 foi marcado pela publicação de ‘Geografia da fome‘. Obra clássica da ciência brasileira, o livro buscou tirar da obscuridade o quadro trágico da fome no país. Enfatizou as origens socioeconômicas da tragédia e denunciou as explicações deterministas que naturalizavam este quadro. Quem será, quem será Que deixa as bruxas pasmas Por ser hábil em se comunicar Com funcionários fantasmas? E quem será o militar Que plantou um pomar E demonstrou que manja Da arte de fazer da política Uma árvore infrutífera Repleta de laranjas? Quem será, quem será Que ostentando um rifle Foi capaz de ressuscitar O espírito de Hitler E que despertou nas pessoas Que pareciam ser boas O seu lado mais boçal Fazendo surgir conservadores Que lembram os inquisidores Do período medieval? Quem será, quem será Que achou bacana Abanar o rabinho ao prestar Continência à bandeira americana? E quem será o imbecil Que abriu as portas do Brasil No mesmo ano, foi o fundador e primeiro diretor do Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil. ‘Geopolítica da fome‘, livro publicado em 1951, concebido como uma extensão da ‘Geografia da fome’, tornou-se um marco histórico e político nas questões de alimentação e população. Os princípios ecológicos e geográficos foram desta vez utilizados na escala da fome mundial. Respeitado internacionalmente, José de Castro foi eleito por representantes de 70 países Presidente do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cargo que exerceu entre 1952 e 1956. Exerceu dois mandatos como deputado federal eleito pelo estado de Pernambuco. Entre diversos projetos ligados a questões agrárias, educacionais, culturais e econômicas, apresentou o de regulamentação da profissão de nutricionista, que dispõe sobre o ensino superior de Nutrição. Em 1963, tornou-se Para os gringos sem visto E que recebeu de Nova Iorque O carimbo no passaporte: Você não é benquisto? Quem será, quem será Que tem cérebro de milho E que se deixa dominar Pelos seus tolos filhos? E quem será o insano homem Que quer ver os nossos jovens Lutando na Venezuela embaixador brasileiro junto à sede europeia da Organização das Nações Uni- Como buchas de canhão das, em Genebra. Só para agradar a Nação Com o Golpe de Estado de 1964, foi destituído do cargo de embaixador-chefe em Genebra e seus direitos políticos foram suspensos pela Ditadura Militar no Brasil em seu primeiro Ato Institucional. No exílio, sentiu muita falta do Brasil. Impedido de voltar ao país, aceitou asilarse na cidade de Paris, onde procurou dar prosseguimento a suas atividades. Que enriquece com as guerras? Quem será, quem será Que passará para a história Como quem tentou governar Usando a pobre retórica Fundou e dirigiu o Centro Internacional para o Desenvolvimento, além de ter presidido a Associação Médica Internacional para o Estudo das Condições de Vida e Saúde. Foi designado professor estrangeiro associado ao Centro Universitário Experimental de Vincennes (Universidade de Paris VIII), onde trabalhou até sua morte. Que se resumiu em ‘talquei’ E em criar terra sem lei Cheia de caubóis urbanos? Esse é o capitão Bolsonaro O super-herói dos vassalos Faleceu em Paris, em 24 de setembro de 1974. Seu corpo foi enterrado no ce- E líder dos milicianos. mitério de São João Batista, no Rio de Janeiro. Josué de Castro mostrou ao mundo a dor da fome no Brasil, que infelizmente até hoje causa o sofrimento de milhões de brasileiros. O relatório ‘O Estado da Eduardo de Paula Barreto. Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018′, da FAO, mostrou que 5,2 milhões de pessoas passam fome no Brasil. Maria Fernanda Garcia Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros. Voltaire Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 8 O Dia do Orgulho LGBTI partes do mundo contra leis que são contrárias a homossexualida- (lésbicas, gays, bissexuais, tra- de, como por exemplo em Uganda, em que os ativistas conseguivestis, transexuais, intersex) ram a revogação da lei anti gay que punia com prisão perpétua qualquer demonstração de homossexualidade. A lei ainda existe, Em 28 de junho de 1969, num mas não mais obriga os ugandenses a delatar os integrantes da bairro de Nova Iorque, a polícia população LGBT, e a pena é de vários anos de prisão. invadiu o bar Stonewall Inn , o mo- No Brasil a violência contra a população LGBT é alarmante. Estativo seria a venda de bebidas alcoólicas que estava em descumpri- mos entre os países em que mais ocorrem atos violentos contra mento as leis locais. É claro que por trás do motivo alegado estava esses grupos. Os estados com maior número de denúncias pela um motivo maior que era o preconceito contra o público LGBT. O ordem são: São Paulo e Rio de Janeiro. Os assassinatos continulocal era frequentado por gays. O confronto durou duas noites, e foi am, as atrocidades cometidas pela ignorância levam a morte um uma reação as várias batidas e perseguições que ocorriam ali com LGBT a cada 26 horas. frequência. Esse dia então acabou se tornando o dia Internacional “Conforme dados do Grupo Gay da Bahia e da Associação Nacio- do Orgulho Gay. A 1ª parada do Orgulho LGBT ocorreu em 1º de nal de Travestis e Transexuais, 445 pessoas LGBT foram assassi- julho de 1970, uma forma de lembrar o ocorrido e de lutar contra a nadas em 2017 no Brasil, sendo que 179 eram travestis ou transe- discriminação e o preconceito. Ocorre em diversos países e cida- xuais.” des do mundo. Vivemos um período de mudanças, onde se faz necessário o reco- São vários os fatores discriminatórios perpetrados contra os ho- nhecimento dos direitos dessas minorias, e a aplicação de políticas mossexuais, o que acaba causando a marginalização e a segrega- públicas mais tolerantes inclusivas e de respeito à diversidade. ção social de pessoas que têm uma sexualidade distinta. Assim a- A diversidade existe. Saber lidar com isso é fundamental, assim co- contecem a cada hora atos de violência, atos de crueldade e humi- mo valorizar a diversidade sexual como um direito humano, que faz lhação contra a população homossexual, lésbicas, gays, transexu- parte de vários outros direitos que permeiam nossa existência e al. Nesse dia acontecem vários atos e atividades de promoção de que permitem uma vida mais digna, livre de preconceitos. direitos aos homossexuais e todos que fazem parte do mundo A homofobia deve ser combatida em todas as esferas: política, so- LGBTI. cial e cultural. Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Lamentavelmente a intolerância e a marginalização contra os ho- imaginava-se que as barbáries e a violência contra a pessoa huma- mossexuais, contra a identidade de gênero, continuam sendo moti- na desapareceriam (PEREIRA; CAMINO, 2003). No entanto, o des- vo para a violência e preconceito. Segundo a Anistia Internacional, respeito e a violação a esses direitos continuam existindo. Moore a homossexualidade é considerada crime em 38 países africanos. Junior (1987), em seu livro, diz que as normas básicas devem exis- Em alguns países a homossexualidade é punida com a pena de tir e a sociedade deve obedecê-las, inclusive aceitando as várias morte. Ao todo temos 73 países onde a homossexualidade é crimi- formas de punição, demonstrando, assim, maturidade e aceitação nalizada. Os assassinatos, a violência cometida contra os LGBTs dos valores que fazem parte dessa sociedade; ou seja, o desres- fere os direitos humanos. É inaceitável que em pleno século XXI peito e a discriminação ao outro devem ser punidos, pois, se existe tenhamos que conviver com a ignorância de alguns que conse- uma Declaração Universal dos Direitos Humanos protegendo nos- guem fazer da existência dessas pessoas um verdadeiro inferno. sos direitos básicos, ela deve ser cumprida. Crimes são cometidos em nome de uma falsa moral. Pessoas se Que essa data sirva para nos lembrar que devemos continuar na arvoram em defensores dos “bons costumes”, a pergunta que fica luta contra toda forma de discriminação e preconceito. Que se coné: Como fazer para acabar com a intolerância? Alguns países di- siga fazer com que as pessoas pensem a respeito, se conscientizem que embora a lei exista, ela não é aplicada. No momento em zem da importância de combater a homofobia e de trabalharmos que ela faz parte do ordenamento jurídico de uma nação, ela pode- todos para obtermos uma sociedade mais justa, livre e igualitária. rá ser aplicada a qualquer tempo. Isso deixa a todos em estado de vulnerabilidade, a mercê da justiça. Mariene Hildebrando Ativistas de Direitos Humanos, de direitos LGBT, lutam em diversas Especialista em Direitos Humanos Contexto e definição dos direitos humanos formalmente os direitos de indivíduos ou grupos contra ações ou abandono dos governos, que interferem no desfrute de seus direitos humanos. Os direitos humanos são comumente compreendidos como aqueles direitos inerentes Algumas das características mais importantes dos direitos humanos são: ao ser humano. O conceito de Direitos Hu- Os direitos humanos são fundados sobre o respeito pela dignidade e o manos reconhece que cada ser humano po- valor de cada pessoa; de desfrutar de seus direitos humanos sem Os direitos humanos são universais, o que quer dizer que são aplicados distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, de forma igual e sem discriminação a todas as pessoas; opinião política ou de outro tipo, origem soci- al ou nacional ou condição de nascimento ou Os direitos humanos são inalienáveis, e ninguém pode ser privado de riqueza. seus direitos humanos; eles podem ser limitados em situações específi- cas. Por exemplo, o direito à liberdade pode ser restringido se uma pes- Os direitos humanos são garantidos legalmente pela lei de direitos huma- soa é considerada culpada de um crime diante de um tribunal e com o nos, protegendo indivíduos e grupos contra ações que interferem nas li- devido processo legal; berdades fundamentais e na dignidade humana. Os direitos humanos são indivisíveis, inter-relacionados e interdependen- Estão expressos em tratados, no direito internacional consuetudinário, tes, já que é insuficiente respeitar alguns direitos humanos e outros não. conjuntos de princípios e outras modalidades do Direito. A legislação de Na prática, a violação de um direito vai afetar o respeito por muitos ou- direitos humanos obriga os Estados a agir de uma determinada maneira e tros; proíbe os Estados de se envolverem em atividades específicas. No en- tanto, a legislação não estabelece os direitos humanos. Os direitos huma- Todos os direitos humanos devem, portanto, ser vistos como de igual im- nos são direitos inerentes a cada pessoa simplesmente por ela ser um portância, sendo igualmente essencial respeitar a dignidade e o valor de humano. cada pessoa. Tratados e outras modalidades do Direito costumam servir para proteger Fonte: ONU Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 9 Na esteira da revolta de hoje: O que é o ensino da filosofia? favorece o despertar da curiosidade intelectual. Não é possível se Não faz muito tempo a filosofia voltou a ser uma disciplina no ensi- fechar apenas no espaço de um tipo de especialização. É necessá- no médio. A lei que torna a filosofia obrigatória é de 2008. Até 1971 ria uma cultura geral vasta que trabalhe em profundidade determi- ela havia feito parte do currículo do ensino médio, e durante todo o nados números de assuntos. É por isso que a filosofia faz tanto período da ditadura militar foi retirada e substituída pela então cha- mal! mada educação moral e cívica. Claro que não é uma grande coinci- É preciso dizer que o programa da filosofia no ensino médio consis- dência ela passar a ser alvo dos ataques do governo Bolsonaro. A te em apresentar a história da filosofia desde a Grécia antiga até os sociologia e a filosofia são retiradas do currículo durante a ditadura filósofos contemporâneos percorrendo as diferentes teorias do co- militar, voltam para o mesmo nos breves anos de democracia, e nhecimento. Estudar a teoria do conhecimento ou a epistemologia são ameaçadas por este atual governo que tem mais cheiro de di- significa conhecer as teorias que tratam sob o problema ou a possi- tadura do que de democracia. bilidade do conhecimento. O que conhecemos? Como conhece- E por que a filosofia é mais uma vez alvo de ataques? Para respon- mos? Quem é o sujeito cognoscente? Em última instância, por que der uma pergunta que parece até bastante evidente é preciso res- queremos conhecer? Muitas vezes os alunos são confrontados ponder qual é o papel do ensino da filosofia. com ideias que lhes parecem muito estranhas. Há efetivamente um No governo do PT, o objetivo principal do ministério da educação estranhamento no pensar filosófico porque há questionamentos. era com a promoção do desenvolvimento sistemático das questões Nada é simples. Mas através desse estranhamento os alunos ahumanistas, bem como a preparação dos jovens como cidadãos prendem a pensar, a questionar, a problematizar o mundo e as coique conseguissem refletir sobre os problemas e soluções para a sas que estão a sua volta. É por isso que a filosofia faz tanto mal! nação brasileira. Segundo a declaração do então ministro da edu- O ensinamento estéril da história da filosofia aos alunos de ensino cação Fernando Haddad, os jovens brasileiros deveriam ser res- médio pode não fazer nenhum sentido, mas se fornecemos as fer- ponsáveis e concernidos ao destino do Brasil. Neste período o en- ramentas aos alunos para que eles consigam compreender o que sino da filosofia segundo as diretrizes do ministério teve uma pro- uma doutrina e um conceito filosófico ainda têm a nos dizer no nos- posta não somente de ensinar a história da filosofia, mas, sobretu- so tempo, embora eles possam ter sido escritos antes mesmo de do proporcionar aos jovens uma reflexão, a partir dos conceitos filo- nossa era, o estranhamento inicial pode se tornar algo esplêndido. sóficos, sobre a vida, a ética e a política. As aulas de filosofia deve- Goethe, certa vez disse: “além disso, odeio tudo aquilo que somen- riam servir para a análise de questões sociais e políticas e a cons- te me instrui sem aumentar ou estimular diretamente a minha ativi- trução de vivências filosóficas com a vida, ativando o pensamento e dade”. Não devemos querer apenas instruir nossos alunos, e tam- o pensamento afirmando a vida. pouco discutir com eles mesmices do dia a dia; para tanto eles não Desastrosamente voltamos ao período em que não se quer filosofi- precisam de filosofia. O que nós queremos é fornecer-lhes o contaa, e não se deseja que haja reflexão dentro de sala de aula. É a to com o estranhamento, e dar-lhes a possibilidade de ver algo que ideia de “escola sem partido” que se propaga por este Brasil a fora. está para além da sua imediata compreensão. É o enfrentamento Lamentavelmente vivemos em tempo de crise das ideias. “Escola deste estranhamento que possibilitará o aluno adentrar no mundo sem partido” não significa que os professoras não devam ter um da filosofia e do pensamento. Nós não podemos ensinar a filosofia partido ou falar de uma bandeira partidária. Significa antes de tudo como ensinamos a história. É preciso deixar uma marca de dúvida que não devemos questionar, problematizar, exercer o pensamen- posto que filosofia não é a verdade incontestável, antes é a discusto. Tudo isso é o que a filosofia faz. Filosofia é entender o mundo são eterna. É por isso que a filosofia faz tanto mal! em conceitos. É justamente problematizar o mundo, a vida, a socie- Todavia, para que os alunos consigam discutir é necessário que dade, as leis, o conhecimento e a própria filosofia. É sair do confor- possamos percorrer o estranhamento e também a história do pen- to de nossas ideias lineares, nosso mundo homogêneo, enfim, de samento. É preciso que os alunos tenham conhecimento de seus nossa profunda bolha. É pensar o mundo, as instituições, as rela- antepassados. Das teorias que foram realizadas no decorrer de ções intersubjetivas, sociais, econômicas e políticas para além da- nossa história da humanidade. O fundamento de toda a educação, quilo que nos é oferecido ver. É por isso que a filosofia faz tanto segundo Hannah Arendt é certa relação com o tempo. Os homens mal. somente podem se tornar homens neste mundo comum que per- Praticamente todos os filósofos desde Sócrates, passando pelos passa o seu próprio tempo. O passado lhe ensina sobre os seus medievais, por Kant, na modernidade, Nietzsche no século XIX, e antepassados, e como professores temos o dever de mostrar aos Adorno já no século XX, se preocuparam com a educação. A filoso- nossos alunos o passado e lhes confrontá-los com o presente. A fia sempre esteve preocupada com a busca do conhecimento, mas educação não pode existir sem uma continuidade, continuidade estambém sobre a problematização do conhecimento. É preciso refle- ta que advém dos nossos ensinamentos passados. A educação é tir a respeito da finalidade do conhecimento. O Conhecimento pelo aquilo que se renova a cada tempo, mas não pode perder de vista conhecimento, para simplesmente colocá-lo no baú do esqueci- a transmissão do precedente. Cada novo aluno é uma renovação e mento não é o tipo de educação que a filosofia espera. É preciso o um potencial de conhecimento, que tem o direito de adquirir e coaprendizado de um tipo de conhecimento que nos dê a ferramenta nhecer aquilo que lhe precedeu. O mundo não pode iniciar com o adequada ao contínuo aprender. É preciso aprender a conhecer, nascimento de cada indivíduo, senão cairemos na loucura. Ao mesisto é, um tipo de aprendizado que foge da simples aquisição de mo tempo, o indivíduo que nasce é o iniciador de uma novidade saberes codificados e focalizar-se no domínio dos próprios instru- que não podemos antecipar. Sua relação com o mundo é o novo mentos do conhecimento. Esse domínio dos instrumentos é o meio que surge, mas lhe são necessárias as bases deste mundo para e a finalidade da vida humana. Pretende-se que cada indivíduo a- que seus passos consigam transformar. É neste sentido que a eduprenda a compreender o mundo que o rodeia, na medida em que cação consiste nesta dupla dimensão temporal; o tempo que preceisto é necessário para uma vida digna. Através deste domínio dos de e o tempo que está por vir. Educar consiste a dar ao educando instrumentos do conhecimento o indivíduo desenvolve a curiosida- a chance de se apropriar do mundo pessoalmente e singularmente de intelectual e esta por sua vez estimula o senso crítico e torna os enquanto herdeiro deste. É por isso que a filosofia faz tanto mal! indivíduos autônomos para compreender o mundo em sua volta. É Portanto, não podemos abandonar a filosofia e não podemos dei- somente através desta dinâmica do aprender que possamos formar xar que governos autoritários, os quais possuem um programa bem indivíduos autônomos e conhecedores de seu próprio mundo. É por claro para a educação, que consiste em torná-la escrava dos meios isso que a filosofia faz tanto mal! de produção capitalista, cortem verbas ou denigram o ensino da Segundo a filosofia, o conhecimento de uma cultura geral deve es- filosofia, nas universidades e nas escolas. A filosofia é o exercício tar no centro da finalidade da educação. Contudo, o aprendizado do pensamento. Um governo que solapa a filosofia é um governo desta cultura geral deve incluir sempre as mudanças constantes do que deseja cidadãos sem pensamento crítico. Filosofia não é “coisa próprio mundo em que se vive. A aquisição dos saberes permite de comunista”, é algo muito sério. compreender melhor o ambiente sob os seus diversos aspectos, e Evânia E. Reich é doutora em Filosofia pela UFSC . Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana IRONIA NUM ASSALTO A cidade anda muito violenta. Nunca se sabe o que pode acontecer. Isso é verdade! - Assalto! Foi o que ouviu de sobressalto na fila do banco e que azar, estava quase chegando a sua vez, pânico total, gritos e muita agonia. - Todos no chão, gritaram os bandidos. Mas, ele não se rendeu, continuou em pé. Seria o quê? Um louco, um desvairado? Os assaltantes armados ameaçavam matar se não lhes entregassem o dinheiro e, na dúvida, o pegaram como refém já que se mantivera em pé. Todos agachados, aterrorizados não entendiam a atitude do velho estúpido que não se rendera, a cara pálida, olhar atônito, mas de pé, peito estufado, assim se mantivera. Rapidamente recolheram todo dinheiro dos caixas e dirigiram-se para fora do banco com o refém à frente. Entretanto, começa soar o alarme e rapidamente uma correria, bandidos gritando para ninguém se mexer, polícia chegando com armas em punho ameaçando entrar ou que entregassem o refém e sairiam em segurança. Eis que um dos marginais empurra o velho que estava detido por eles em direção à porta e um tiro vem de fora acertando certeiro o peito do velho teimoso que cai no chão enquanto policiais invadem o banco entre um forte tiroteio. Os assaltantes são rendidos, a ambulância socorre a vítima que não resiste e morre. No dia seguinte, após a perícia médica e a presença de familiares, uma surpresa: O velho era muito precavido para sair de casa, nunca deixava de levar o guardachuva caso chovesse, nunca saia sem o cartão do idoso para garantir seu lugar nas filas preferenciais de idosos e, visto a violência instalada e o numero de assaltos pela cidade, conseguiu um colete à prova de balas e nunca saia sem ele e, neste caso o tiro que lhe atingira o peito, na verdade não ultrapassou o colete e impediu a bala de atingir seu peito. Então morreu por quê? Tão apavorado ficou com o anúncio do assalto e, pela impossibilidade de se jogar no chão como os outros em virtude da artrite e artrose, por isso ficou de pé e, não por resistência, embora estivesse há muito tempo usando como precavido que era, um colete à prova de balas, não foi o tiro que o matou... Segundo a perícia médica, já desde o início do ocorrido abalou sua pressão e teve um início de infarto. Com o desfecho do tiroteio, não suportou e, morreu de susto... Se os assaltantes soubessem, poderiam ter levado seu colete, mas, esse o salvou, embora não foi suficiente para um desfecho feliz. A tecnologia poderia inventar um colete à prova de infarto! Genha Auga Jornalista MTB:15320 Página 10 AMOR DE MATUTO Genha Auga QUANDO O NAMORO ACABA O MATUTO SE ENTRISTECE EM VEZ DE FICAR COM RAIVA FAZ DA MATÉRIA PRIMA, OBRA DE ARTE EM RIMA. TRISTEZA E SAUDADE É DOR QUE QUANDO VEM, FAZ SOFRER DE MONTÃO E UMA DOR SE INSTALA LOGO NO CORAÇÃO. SAUDADE É SOLIDÃO E POR ISSO NÃO TEM PLURAL ATACA QUALQUER UM, DO CABOCLO AO GENERAL MATANDO SEM PERDÃO. OLHO AS ESTRELAS QUE PARECEM NO CÉU VOAR, QUEM ME DERA NOSSO AMOR EM TODO SEU ESPLENDOR, NUNCA TERMINAR. NOSSO AMOR CHEGOU AO FIM COMO UMA PÁGINA DA VIDA... NUNCA SERÁ LIDA NOVAMENTE! ESPERO O FIM DO OUTONO E QUE ALGUÉM CHAME POR MIM. Que país é esse? Como canta Legião Urbana. O contraste é violento e imediato, de um lado uma lindeza deslumbrante, do outro pessoas que pela própria imoralidade e interesses pessoais, o torna um imenso caldeirão de ilegalidade, ineficiência e injustiça. Marco Calistri Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 11 de, os lugares que os humanos também preferem para estabelecer terras de cultivo. O trabalho calcula que, a cada ano, as atividades humanas destroem 15 bilhões de árvores. A perda líquida, compensado com o aparecimento de novas árvores e o reflorestamento, é de 10 bilhões de exemplares. Desde o começo da civilização, o número de árvores do planeta se reduziu em 46%, quase a metade do que havia, indica o estudo da Nature. Se esse ritmo de destruição prosseguir sem alterações, as árvores desaparecerão do planeta em 300 anos. São três séculos, umas 12 gerações. “Esse é o tempo que resta se não fizermos nada, mas temos a esperança de que poderemos frear o ritmo e ampliar o re- florestamento nos próximos anos para aplacar o impacto humano nos ecossistemas e no clima”, explica Thomas Crowther, pesquisaNa semana do Meio Ambiente precisamos refletir sobre o mundo dor da Universidade Yale (EUA) e principal autor do estudo. que queremos para nossos filhos e netos e, não devemos nos esconder atrás do pano, certos que o ator dessa mudança são os ou- Europa sem florestas tros. Há dois anos, representantes da “Campanha do 1 Bilhão de Árvo- A humanidade já destruiu a metade de todas as árvores do planeta res”, da ONU, para replantar parte da vegetação perdida precisa- vam saber qual o impacto que seus esforços estavam tendo. Con- Existem 3 trilhões de árvores. No ritmo do desmatamento, desapa- tataram Crowther, que trabalha na Escola de Estudos Florestais e recerão em 300 anos. de Meio Ambiente de Yale, para lhe perguntar quantas árvores há É o tipo de pergunta que pega qualquer pai de surpresa e que nem no mundo e quantas nas diferentes regiões onde trabalham. Foi o as melhores mentes puderam responder de forma satisfatória: começo do presente estudo, assinado por 38 pesquisadores de 14 Quantas árvores há no mundo? países. Juntos compilaram dados da densidade florestal tomados Um novo estudo acaba de apresentar o cálculo mais preciso até o em mais de 400.000 pontos de todos os continentes, menos a An- momento, e os resultados são surpreendentes, para o bem e para o tártida. Dividiram a Terra em 14 tipos de biomas, ou paisagens bio- mal. Até agora se pensava que havia 400 bilhões de árvores em climáticas, estimaram a densidade de árvores em cada um deles todo o planeta, ou 61 por pessoa. A contagem se baseava em ima- com base em imagens de satélite e comprovaram sua confiabilida- gens de satélite e estimativas da área coberta por florestas, mas de com as medidas in loco. Por último, compuseram o mapa global não em observações in loco. Depois, em 2013, estudos com base de árvores mais preciso feito até hoje, no qual cada pixel é um qui- em contagens diretas confirmaram que somente na Amazônia há lômetro quadrado. quase 400 bilhões de árvores, por isso a pergunta continuou no ar. Os resultados mostram que a maior densidade de árvores se en- Trata-se de um dado crucial para entender como funciona o planeta contra nas matas boreais e nas regiões subárticas da Rússia, Es- em nível global, em especial o ciclo do carbono e as mudanças cli- candinávia e América do Norte. A maior extensão de floresta está máticas, mas também a distribuição de espécies animais e vegetais nos trópicos, com 43% de todas as árvores do planeta. As matas e o efeito da atividade humana em todas elas. do norte só contêm 24% do total de exemplares e 22% estão nas Uma nova verificação, publicada nesta quarta-feira pela revista Na- zonas temperadas. ture, mostra que na realidade há 3 trilhões de árvores em todo o A maior floresta é a Amazônia. Em 2018, o Brasil registrou os maio- planeta, umas oito vezes mais do que o calculado anteriormente. res números de desmatamento na Região Amazônica de toda a Em média, há 422 árvores para cada ser humano. história. Desde agosto, a devastação ilegal continua e atinge, em A distribuição por país revela uma enorme desigualdade, com ricos média, 52 hectares da Amazônia/dia. O novo problema é que os como a Bolívia com mais de 5.000 árvores por pessoa, e notoria- dados mais recentes, dos primeiros 15 dias de maio de 2019, são mente pobres, como Israel, onde apenas há duas para cada habi- os piores em uma década - 19 hectares/hora, em média, o dobro do tante. Grande parte do contraste se deve a fatores naturais como o registrado no mesmo período de 2018. clima, a topografia ou as características do solo, mas também ao Foram perdidos oficialmente em uma quinzena 6.880 hectares de efeito inconfundível da civilização. Quanto mais aumenta a popula- floresta preservada na Região Amazônica, o mesmo que quase 7 ção humana, mais diminui a proporção de árvores. Em parte isso mil campos de futebol. se explica porque a vegetação prospera mais onde há maior umida- Filipe de Sousa Ímprobo Ricardo Salles ria e necessária, o ministro sabe que o Fundo Amazônia não é o quer tirar do Fundo instrumento para isso: afinal, ele existe com o objetivo claro de financiar ações que levem à redução do desmatamento. Amazônia para dar a Apenas 3% da área de unidades de conservação no Brasil precisa grileiros ser indenizada a proprietários privados, segundo o Instituto Chico Nota da coordenação do Obser- Mendes. Na Amazônia, onde imensa maioria das terras é pública, vatório do Clima ocupantes de áreas protegidas frequentemente são grileiros que Taxa de mortalidade de árvores sabem que não terão direito a indenização. Um exemplo é a Flores- de florestas tropicais úmidas ta Nacional do Jamanxim, no Pará, em que dois terços dos ocupan- mostra sinais de aceleração nos tes são invasores que chegaram depois da criação da unidade. O últimos anos. Perda de folhas facilita as queimadas. (Foto: Daniel plano do ministro, revelado neste sábado (25) pelo jornal O Estado Beltra/Greenpeace) de S.Paulo, é tirar dinheiro das ações que funcionam no Fundo A- Taxa de mortalidade de árvores de florestas tropicais úmidas mos- mazônia e dá-lo a criminosos ambientais. A menos, claro, que a tra sinais de aceleração nos últimos anos. Perda de folhas facilita ideia seja regularizar unidades de conservação fora da Amazônia, o as queimadas. (Foto: Daniel Beltra/Greenpeace) que seria um despautério ainda maior. O condenado por improbidade e ministro do Meio Ambiente Ricar- Espanto nenhum em se tratando uma gestão que assumiu com o do Salles insiste em seu ataque ao Fundo Amazônia. Depois de objetivo de quebrar os órgãos de fiscalização ambiental, que o pre- mentir sobre a existência de irregularidades nos contratos de ONGs sidente chama de “indústria de multas”, e que até hoje não apre- com o fundo e ser forçado a um recuo, Salles agora diz querer usar sentou um plano de combate ao desmatamento. A nova investida o dinheiro para indenizar proprietários rurais em unidades de con- para desvirtuar o Fundo Amazônia, que o ministro sabe também servação. que não terá anuência dos países doadores, disfarça mal a tentati- Embora a regularização fundiária em áreas protegidas seja meritó- va de acabar com mais um instrumento de política ambiental que funciona no Brasil e não deixar nada em seu lugar. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 12 Por uma educação que nos ajude a pensar e não que zer com múltiplas bolsas de iniciação científica, mestrado, doutora- nos ensine a obedecer do, ciências sem fronteiras e concursos públicos, pois o Brasil é muito maior que 2% da sociedade! A educação deixou de “ser qualidade” no mundo dos dados estéti- cos, para ser “quantidade” Pois enquanto as universidades vivem encasteladas em seus mu- ros e feudos, este mórbido e desigual sistema de prioridades impe- Vivemos em uma sociedade de que nossas crianças tenham a capacidade de desenvolver todo perfeitamente ajustada a seu potencial cognitivo, que desenvolva e amplie suas habilidades um sistema mórbido que e competências. Por mais que se abram atalhos entre estes dois mais nos tira do que dá. U- mundos, sem que seja feito um trabalho efetivo para destruir a de- ma sociedade que (com) sigualdade educacional, mórbida na essência - que é a forma como vive em paz com a corrup- esta criança é criada, o ambiente onde ela cresce e a escola onde ção; com o mercantilismo foi educada - eles serão meramente um paliativo, estamos enxu- da saúde, que prioriza o gando gelo. tratamento de doenças em detrimento da prevenção ou É impossível dissociar, para quem quer promover uma revolução até mesmo a cura; que educacional e cultural, saneamento básico, qualidade da educação (com)vive em paz com a básica, carinho e atenção dos pais, pois fazem toda diferença no violência cotidiana das ruas e com a intolerância de uma sociedade desenvolvimento cognitivo da criança e estão diretamente relacio- retrógrada, intolerante, conservadora e preconceituosa; uma socie- nados. dade que aceita passivamente a imensa desigualdade social e edu- E o que está sendo feito efetivamente nestas três frentes? Pouco, cacional de nosso país; que (com)vive em paz e sem entender as muito pouco. consequência da extração e destruição, sem parcimônia, de bens naturais comuns a todos nós, que são nossas riquezas naturais e nosso patrimônio cultural. As escolas de base vivem na época do cuspe e giz. Mas não vivemos mais na época do cuspe e giz onde o professor por 30 anos repete a mesma aula, quer dizer, vivemos esta realidade sim, em Enfim, uma sociedade perfeitamente ajustada a este sistema mór- muitas salas de aulas com goteiras no telhado, salas super lotadas, bido de exploração socioambiental, sociocultural e socioeconômico, cadeiras quebradas e direção, professores e alunos desmotivados. baseado na valoração do ser humano pelo que ele consome e pode exibir. Exaltamos como “progresso e avanço” a nossa atual capacidade de consumo, subvertemos a lógica, nos dias de hoje, “qualidade de vida é igual capacidade de consumo”. No entanto, não “percebemos”, isto é, não conseguimos dar significado a nossas profundas deficiências no campo do transporte público, segurança pública, saúde, saneamento básico e educação básica, entre tantas mazelas em que nossa sociedade está imersa. Bradamos As escolas da base estão sucateadas e desestruturadas, as aulas são dadas por professores mal formados, mal pagos e desmotivados. Pergunto, existe vontade política para ampliar o conceito de educação nas escolas indo além do “conteudismo”? Há espaços para formação de educadores que sejam facilitadores da inteligência coletiva, que consigam, mais do que tudo, mediar todas as formas de construção do conhecimento? que nunca vivemos tão bem, sem nos darmos conta de que nossa Existe um trabalho sério e efetivo que busque uma revolução na qualidade de vida há muito nos abandonou. Não conseguimos en- educação em médio e longo prazo que possibilite nas escolas uma tender que nossa vida para o consumismo e, consequente bem es- forma de educar que estimule a criatividade, transgressão, compar- tar material, é inversamente proporcional ao nosso bem estar soci- tilhamento de ideias, menos competitividade e mais associativida- al. de, que contemple a musica, arte, literatura, viagem, construção Mas como compreender o contexto de tudo que nos envolve se coletiva do conhecimento....? nossa educação está a cada dia que passa mais redutora e não É necessária uma profunda mudança no currículo com intensa par- convida a reflexão? ticipação dos professores e que este seja abordado de uma forma As universidades deram as costas para o ensino de base e para o país. Em um país onde uma pequena minoria dos universitários são “educados” e bancados por investimentos maciços, para pensar em sua profissão e como se encaixar no mercado de trabalho, o centro do “conhecimento” dá as costas para o ensino de base. A universidade se satisfez com as cotas, que são as pontes, mas deixa de lutar pela qualidade do ensino que formará cidadãos capazes de problematizar um país, ou os futuros candidatos à academia, ou local. É fundamental uma reformulação na forma de pensar a gestão das escolas e, também, mudança na concepção dos prédios escolares e do material didático, com salas equipadas com equipamentos modernos. É imprescindível investimentos efetivos na formação continuada desse professor, além de um significativo aumento de seu salário e diminuição de sua carga horária, para que este possa enfim ter tempo de ser ator ativo na “construção” e facilitação do conhecimento coletivo. seja, a Academia se satisfaz com o “paliativo”, mas não se engaja e É imprescindível uma reformulação conceitual e estrutural na forma luta para a solução efetiva do problema. de se conceber a educação, qualquer ação solitária é como tapar Afinal no que se transformaram as universidades desse nosso país? Qual a função cidadão destes centros do “saber” em um país onde grande parte das cidades sequer tem saneamento básico? uma goteira em um telhado cheio delas, é necessário trocar todo o telhado! De outra forma, por mais que se invista, é jogar dinheiro pelo ralo, e não mudar absolutamente nada. Um professor universitário está preocupado com sua pontuação no Lattes, nos artigos que vai publicar e no seu reconhecimento pela comunidade cientifica, o tal reconhecimento dos seus pares. Precisamos com urgência urgentíssima nas universidades de orientadores, PHDs na sua essência da palavra, professores que sejam respeitados por sua forma de pensar, orientar e inspirar. Professores que sejam capazes de pensar, não apenas no seu próximo artigo cientifico, na sua próxima consultoria ou no seu partido político Bem, a educação vem sendo sucateada há décadas, começou com o regime militar, baseado no treinamento e adestramento de nossos jovens, mas ganhou força com a progressão continuada, onde em sala de aula o professor é um mero espectador. A educação deixou de “ser qualidade” no mundo dos dados estéticos, para ser “quantidade”. Importante é mostrar que hoje há menor evasão escolar e mais jovem nas escolas, mesmo que para este fim, sejam formados analfabetos funcionais. (infelizmente nossa universidade está se transformando em braços Que futuro há em um país como o Brasil quando nós não consegui- de partidos políticos - educam-se militantes, não pensadores), mas mos ligar os pontos e entender que todo o "lixo" está sendo varrido precisamos, também e principalmente, de professores que pensem para debaixo do tapete? Mas que este lixo (educação, saúde, se- e estimulem seus alunos a entender que fazem parte e têm respon- gurança, transporte, saneamento básico) mesmo debaixo do tapete sabilidades para com uma nação, que estimulem seus alunos a en- continua lá, contaminando, adoentando, matando, segregando. tender que o conhecimento adquirido na universidade é um bem Infelizmente, longe dos olhos, longe do coração!Por fora, bela viola, comum não propriedade "privada". por dentro pão bolorento. Quem dera que toda a “sujeira e lixo acu- Não vivemos na Inglaterra moderna onde muitos fizeram seu dou- mulados” por gestores incompetentes pudesse "agredir" nossa so- torado, mas no Brasil. Em nosso país, por mais que não gostem, ciedade de forma tão impactante que os fizesse compreender que ainda é função sim dos PHDeuses meter a mão na “merda”, pois estamos vivendo uma ficção de bem viver, que muito precisa ser aqui ainda se vive em muitos pontos da Inglaterra Vitoriana, sem feito, mas para isso precisamos conseguir enxergar e dar contexto saneamento, onde se morria de cólera. aos problemas que afligem a nossa sociedade. É função cidadão das universidades problematizar a base social de nosso país, o centro do “conhecimento” não pode jamais se satisfa- Isabel Cristina Gonçalves Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 13 + ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS 19 - Dia do Cinema Brasileiro 01 - Semana Mundial do Meio Ambiente Esta data é comemorada em 19 de junho em homenagem ao dia em que o ítalo-brasileiro Afonso Segreto – o primeiro cinegrafista e A Semana Nacional do Meio Ambientecomeça em 1 de junho e vai diretor do país – registrou as primeiras imagens em movimento no até 5 de junho, quando se celebra o Dia Mundial do Meio Ambien- território brasileiro, em 1898. te. Esta semana de conscientização foi criada, no Brasil, pe- Afonso Segreto fez imagens da entrada da baía de Guanabara, no lo Decreto nº 86.028, de 27 de maio de 1981, a Semana do Meio Rio de Janeiro, a bordo do navio francês Brésil - a primeira filma- Ambiente. O objetivo era complementar a celebração ao Dia do gem em território nacional. Meio Ambiente instituído pela ONU. Algumas pessoas preferem celebrar a data em 5 de novembro para Esta iniciativa visa incluir a sociedade na discussão de pautas que relembrar o aniversário da primeira exibição pública de cinema no tratem da preservação do patrimônio natural do Brasil. país. Neste mês o filme brasileiro 'Bacurau' vence Prêmio do Júri no Fes- 08 - Dia Mundial dos Oceanos tival de Cannes. O objetivo desta data é relembrar a importância dos oceanos para Produção de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles empatou o equilíbrio da vida no planeta Terra. E, para isso, são realizadas com francês 'Les Misérables' na categoria, terceira mais importante várias atividades de conscientização civil sobre os perigos enfrenta- do evento francês. dos atualmente pelos oceanos. É a primeira vez que o Brasil ganha na categoria, terceira mais im- Os oceanos constituem dois terços da superfície terrestre e são o portante da competição oficial do evento francês. principal regulador térmico do planeta. Hoje, o grande desafio é mi- 21 - Dia do Aperto de Mão nimizar o impacto que as atividades humanas estão provocando nos oceanos. Um gesto que pode valer mais do que mil palavras! O aperto de É importante conscientizar governos, populações e demais entida- mão é um dos símbolos corporais sociais mais utilizados em diver- des para a urgência de criar medidas que protejam os oceanos. sas culturas ocidentais, e representa um sinal de concordância e O Dia dos Oceanos foi criado durante a Rio-92, a Conferência das união entre duas pessoas. Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que Considerado um dos cumprimentos humanos mais antigos, o aper- ocorreu no Rio de Janeiro. to de mão representa um sinal de paz e, de acordo com a cultura, A data é celebrada desde 1992, no entanto a ONU (Organização costuma ser mais utilizado entre os homens. das Nações Unidas) apenas oficializou a comemoração em 2008. Segundo a simbologia deste gesto, acredita-se que era usado para 17 - Dia Mundial de Combate à Desertificação indicar que a pessoa não carregava uma arma consigo e que estava se apresentando com total confiança e amizade. A missão desta data é conscientizar a população internacional so- Como não era comum as mulheres primitivas carregarem armas, bre o processo de desertificação e os efeitos negativos que a seca assim como os homens, o hábito de estender as mãos em sinal de pode provocar a nível regional e mundial. paz não se desenvolveu entre elas inicialmente. O Brasil faz parte da UNCCD desde 27 de junho de 1997, se comprometendo a evitar o desgaste dos recursos biológicos dos dife- 26 - Dia Internacional de Apoio Vítimas de Tortura rentes climas que compõem o país. Mulheres, homens e crianças são torturados diariamente ao redor Calcula-se que uma área de 230 mil km², na região Nordeste, já do mundo, afetando diretamente a dignidade e a humanidade des- esteja em processo de desertificação. As cidades mais atingidas sas pessoas. seriam Irauçuba (CE), Gilbués (PI), Seridó (RN e PB) e Cabrobó O principal objetivo desta data é justamente tentar combater esta (PE), que somam 18.177 km² e afetam 399 mil pessoas. prática horrível, além de oferecer total apoio às vítimas de tortura. 20 - Dia do Refugiado Para conquistar essas metas, durante o Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura são organizadas diversas atividades e atos Esta data visa homenagear a coragem e a força das milhões de que ajudam a promover a criação de condições necessárias para pessoas que são obrigadas a fugir de suas casas e se refugiar em que haja o suporte solidário, material, jurídico e psicológico às víti- outras localidades para evitar perseguições, calamidades naturais mas de maus-tratos. ou guerras. A criação desta data foi uma iniciativa da Organização das Nações O principal objetivo também é discutir com a sociedade e os gover- Unidas (ONU), em 1997, como homenagem e marco da assinatura nos a ideia da solidariedade, respeito e responsabilidade que as da Convenção contra a Tortura e Outras Penas ou Tratamentos nações devem ter com os povos refugiados. Cruéis, Desumanos ou Degradantes, firmada em 26 de junho de Os refugiados são pessoas que sofrem perseguições e são força- 1987. das a fugir de seus países, seja por causa de sua etnia, naturalida- A tortura continua a ser praticada por muitas nações como força de de, religião, opinião política, grupo social e etc. punição, principalmente em países ditatoriais. Mas, infelizmente, 25 - Dia do Imigrante também está presente em diversos outros espectros da sociedade, inclusive as democráticas. A imigração é um fenômeno que ocorre quando há o deslocamento Colaboração: Callendar de grupos de indivíduos das regiões / países em que nasceram pa- SOBRE DATAS COMEMORATIVAS. ra terras estrangeiras. Esta data foi criada para homenagear essas pessoas, que deixam As datas comemorativas fazem parte do calendário anual. Enquan- para trás amigos e família em busca de melhores condições de vi- to algumas são conhecidas porque trazem a lembrança de um fato da, além de colaborarem para o crescimento do país que se desti- histórico ou são comemoradas mundialmente, outras despertam a nam. curiosidade como o Dia Nacional do Macarrão, instituído no Brasil O Brasil é um país formado e construído por várias diferentes na- em 2014. cionalidades, que migraram de seus países com o sonho de obter Em geral, as datas comemorativas reconhecem a importância de melhores condições de vida em terras brasileiras. um fato histórico, homenageiam uma profissão, registram uma con- Italianos, alemães, ucranianos, poloneses, africanos e japoneses quista social ou política e buscam mobilizar a sociedade em torno foram algumas das etnias que chegaram ao Brasil, em meados do de uma causa. - somam-se no total 275 datas distribuídas por ano. século XVIII e XIX, e ajudaram na colonização do país. VISITE NOSSO SITE - Lá terá todas as datas comemorativas Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 14 1º Junho - Dia da Imprensa tador. Um antigo artigo, não mais disponível para o público, publicado no O PAPEL DA MÍDIA NA FORMAÇÃO DA OPINIÃO SOCIAL jornal The Washington Post, Brazil’s Novelas May Affect Viewers’Lifes comprova o que foi apresentado anteriormente. Segundo esse artigo, o Brasil é "um país que, na média, assiste mais A tecnologia atual nos permite ter acesso a diversos tipos de infor- à televisão que qualquer outro país, exceto o Reino Unido" e no mação de qualquer parte do mundo, e a mídia, tanto a televisiva, mesmo artigo mostra a influência das novelas, afirmando que elas quanto online, é um dos principais meios utilizados para que essas "tem um efeito mais duradouro ao influenciar escolhas no estilo de informações cheguem até nós. E por essa tamanha importância, a vida, dizem os pesquisadores. As novelas se tornaram uma parte mídia deveria manter suas opiniões e ideias neutras de forma que muito importante na sociedade brasileira”. Isso mostra o poder da não influenciassem a opinião dos seus receptores. Porém, na maio- mídia televisiva, pois o cidadão ao se colocar à frente da televisão ria das vezes isso não acontece. Jornais de televisão, novelas, pro- está exposto ao conteúdo, recebendo-o e processando-o em sua gramas de entretenimento, todos, mesmo que seja quase imper- mente. O que tem facilitado a manipulação pela mídia, pois como o ceptível, inclinam seus conteúdos para um lado, e a população é artigo fala, influenciam até o estilo de vida dos telespectadores. manipulada, pois não filtra essas informações e não busca outras Em oposição a isso, Page e Shapiro (1992), e muitas outras pesso- fontes e opiniões para formar sua opinião. as defendem que "a opinião pública não é apenas resultado de ma- Segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2014 que entrevistou mais nipulações emocionais, pois ela apresenta uma racionalidade que de 18 mil pessoas, as afirmações acima colocadas se confirmam. se diferencia da estabilidade absoluta por ser pública." Porém, per- O estudo mostra que apenas 5% dos entrevistados brasileiros não cebemos pelo que foi apresentado acima, que a opinião não surge recorrem aos canais abertos de televisão para conseguir informa- do nada, ela é resultado de alguma influência, seja ela influenciada ções, mas têm o hábito de ler jornais e revista. Isso torna a televi- totalmente por uma fonte, ou baseada em várias leituras e pesqui- são um meio perfeito para, estrategicamente, manipular a opinião sas de pontos de vista opostos. popular. Assim, pelos motivos expostos, tanto pela pesquisa, que mostra o Além disso, a mesma pesquisa afirma que o grau de escolaridade grande número de pessoas que recorrem apenas a televisão para também influencia, porque "na casa das pessoas com até a 4ª sé- buscar informações e não tem acesso a outros meios, quanto pelo rie a televisão fica ligada quase 50 minutos a mais do que nas ca- artigo, que mostra a influência das novelas no estilo de vida das sas das pessoas com ensino superior." Isso acontece principalmen- pessoas, podemos concluir que as pessoas são manipuladas pela te pelo fato de poucas pessoas terem acesso a outras fontes como mídia, por estarem expostas a ela sem filtrar os conteúdos por ela jornais, livros, artigos e revistas, para buscar dados, referências e apresentados e por não buscar, talvez por falta de acesso, a outras conhecimentos, grande parte do povo se limitam ao tipo de infor- informações para formar sua opinião, provocando a alienação e a mação que a televisão apresenta por simplesmente não ter outra a cegueira intelectual. recorrer, ou pela facilidade que a televisão proporciona ao telespec- Sara Beatriz Hansen A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro. Noam Chomsky A influência da mídia na formação do caráter forma exacerbada, influenciando-nos em vários aspectos tais co- ou vida do individuo mo: comportamental, profissional, comercial e pessoal. A mídia somada a um determinado senso crítico da população resulta na cida- A mídia obtém grande influência sobre a sociedade, ela tem um pa- dania. Desde o nascimento de um ser, sempre existe o papel da pel fundamental na disseminação de pensamentos, na construção mídia influenciando como devemos comer, como devemos andar, de opinião pública, caráter e educação. Mas às vezes essas infor- como devemos estudar enfim, em todo tempo somos vigiados pela mações são utilizadas com fins de manipular a população. A TV é a sociedade que muitas vezes nos fazem sentir pressionados para se maior influência para as crianças, para elas, o que é passado neste adequar aos padrões estipulados pela mídia. Para as mulheres, pa- meio é o modelo certo a seguir de família, forma física, escolhas, drões de beleza como o de ser magra, significa dizer que se está gostos, resumindo, modelo certo de viver. com um corpo perfeito ou um rapaz dotado de músculos proemi- Essa influência tem seus pontos positivos e negativos. Como ponto nentes significa que está sarado, ambos são sinônimos de saúde. positivo é a interatividade que é usada para abordar certos temas Os padrões de beleza influenciam significativamente na vida de u- polêmicos, mas que é preciso ser abordado para o maior entendi- ma pessoa de modo que esta chega a sacrificar a sua própria saú- mento da população, e o seu lado negativo se tem quando é usado de em prol de um corpo perfeito ditado pela mídia. A moda é ditada esse meio de comunicação para mostrar apenas o que é interes- por quem estar na TV, pelo que usam, jeito de se vestir, cor da mo- sante para a mídia e para os políticos, fazendo assim a população, da, tudo isso cria em quem estar vendo a vontade de ter também, principalmente os leigos acreditarem apenas no que estão vendo aumenta o desejo de consumo. Pode-se observar também que o nela, e não procurarem outra fonte de conhecimento para ter a sua estereótipo do que se diz beleza, é baseado como as pessoas apa- opinião. recem na mídia, causando assim por muitas vezes a inquietação no A humanidade está com um grande problema: menos de 3% da po- espectador de querer ser igual. pulação leem livros, menos de 15% da população leem jornais. A Não podemos negar que a mídia exerce um papel fundamental pa- única verdade que a maioria da população conhece é aquela que ra a formação de um cidadão, porém é preciso ter cuidado e não vem da televisão. Agora existe uma geração inteira que nunca sou- aceitar somente no que a mídia nos mostra, utilizar ela apenas co- be de nada que não saiu da televisão, sendo assim, a esta possui a mo uma ferramenta de conhecimento, e saber que além desta tam- verdade absoluta. E assim começam a acreditar que o que ela fala bém existem varias outras para serem analisadas. Somos obriga- é a realidade e que as suas próprias vidas não são reais. Fazemos dos a aceitar e seguir uma série de modismos se quisermos fazer qualquer coisa que ela nos mande fazer: Nós nos vestimos como parte da sociedade. O poder midiático faz com que nos tornemos na tv, comemos como na tv, as mães educam os seus filhos como alienados e bitolados pelo que é passado. Porém vale salientar que veem na tv e até tentam pensar como as pessoas na TV. a última coisa que os geradores da mídia querem é um público bem A mídia é uma excelente ferramenta de comunicação. Estes meios informado, capaz de pensar por si próprio e fazer pensamento crítide comunicação social se tornaram um vício que nos domina de co. Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Junho de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 15 26 - Dia Internacional de Apoio Vítimas de Tortura Brasil lidera ranking de medo de tortura policial Rosas, da Anistia Internacional, diz que o sistema aprovado no país é louvável, mas que é agora preciso colocar essa política em prática. “É preciso treinar as forças de segurança e criar leis secundárias para dar apoio a este sistema”, afirma Rosas. “Isso deve ser feito especialmente em relação às manifestações que ocorreram e ainda estão por vir com a Copa do Mundo, para garantir que os protestos não sejam criminalizados e não colocar os manifestantes numa posição em que possibilite que eles sejam detidos e talvez torturados. O mundo estará de olho no Brasil neste período e a forma como o país lidar com isso servirá de exemplo.” Ao mesmo tempo, de acordo com a pesquisa da Anistia Internacional, a maioria dos brasileiros condena a tortura: 83% concordam que é preciso haver regras claras contra esta prática e que elas violam leis internacionais e 80% discordam que ela pode ser necessária em alguns casos para obter informações para proteger a população. Trinta anos depois da assinatura da Convenção Internacional Con- “Isso é como o racismo: ninguém declara abertamente apoio à tortra Tortura da ONU por 155 países, entre eles o Brasil, a grande tura. Mas percebemos que, em segmentos importantes da sociedamaioria dos brasileiros ainda teme por sua segurança ao serem de- de, bate-se palmas à tortura ou ela é ignorada porque foi praticada tidos por autoridades, revela um relatório divulgado nesta segunda- contra criminosos. Isso ocorre principalmente nas redes sociais, feira pela ONG de defesa de direitos humanos Anistia Internacio- onde as pessoas costumam ser mais honestas”, afirma Damous. nal. “A sociedade precisa fazer sua parte e colaborar, porque os polici- Quando questionados se estariam seguros ao serem detidos, 80% ais sentem-se legitimados por esta parte da população.” dos brasileiros ouvidos pela ONG no levantamento discordaram for- Juntamente com a pesquisa, a Anistia Internacional lançou uma temente. campanha contra a tortura. Trata-se do maior índice dentre os 21 países analisados no estudo Em seu relatório, a ONG afirma que, apesar de muitos países te- e quase o dobro da média mundial, de 44%. rem aceito a proibição universal da tortura e vêm combatendo-a “É um índice chocante que revela a percepção social em torno da com sucesso, diversos governos ainda usam tortura para extrair tortura”, diz Erika Rosas, diretora para Américas da Anistia Interna- informação, obter confissões forçadas, silenciar dissidentes ou sim- cional, à BBC Brasil. plesmente como uma punição cruel. “Não podemos dizer que a tortura é uma prática sistemática no Bra- Segundo Rosas, da Anistia Internacional, é preciso dar fim à noção sil como em outros países, mas temos documentado diversos ca- de que a tortura é necessária para controlar os níveis de criminali- sos preocupantes.” dade. No levantamento, que ouviu 21 mil pessoas em todo o mundo, o “Falta vontade política dos governos para punir quem pratica a torMéxico ficou num distante segundo lugar, com 64% dos participan- tura porque ela é vista como uma prática aceitável para combater o tes respondendo temer a tortura por autoridades. Turquia e Paquis- crime”, afirma Rosas. tão empataram na terceira posição, com 58%. Entre janeiro de 2009 e maio de 2013, a Anisitia Internacional teve O Reino Unido (15%), a Austrália (16%) e o Canadá (21%) foram conhecimento de torturas e maus tratos em 141 países. os países onde este medo é menor. Amarildo de Souza morreu após ser torturado por policiais O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Wadih Apesar de não fazer parte oficialmente desta estatística, o caso do Damous, diz não se surpreender com a posição do Brasil no ran- pedreiro Amarildo de Souza é citado nominalmente no lançamento king. da nova campanha contra tortura. “A tortura persiste porque houve a impunidade com a anistia dos Em 14 de julho de 2013, ele foi detido ilegalmente pela polícia mili- agentes da ditadura que a praticaram. Isso gera um salvo conduto tar na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Uma investigação con- para as autoridades atuais”, afirma Damous. cluiu que ele foi morto por meio de tortura dentro de Unidade de “A violência policial é perceptível e está enraizada nas políticas de Polícia Pacificadora (UPP) instalada pela polícia na favela. segurança pública do país.” “Assim como outros países do continente, o Brasil tem um legado Nos últimos três anos, o número de denúncias dos atos cometidos de violência gerado pelas ditaduras, que usava a tortura como fer- por agentes do governo no país cresceu 129%. ramenta de opressão. É muito preocupante que, em 2014, autorida- des sigam torturando”, afirma Rosas. Entre 2011 e 2013, foram relatados 816 casos por meio do Disque 100, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, envolvendo Vinte e cinco policiais acusados de terem envolvimento com sua 1.162 agentes do Estado. tortura e morte estão atualmente em julgamento. Damous aponta como avanço nesta questão a aprovação no Con- “O caso de Amarildo foi exatamente como ocorria na ditadura e gresso Nacional do Sistema Nacional de Prevenção e Combate à mostra que a tortura não é coisa do passado”, afirma Damous. Tortura, que prevê entre outras medidas a permissão para que peri- “Talvez por causa da repercussão na internet e internacionalmente, tos independentes tenham acesso a prisões e hospitais psiquiátri- ele tenha virado uma exceção, porque houve punição. A regra ain- cos para avaliar o tratamento dado a detentos e pacientes. da é a impunidade.” “Hoje, os peritos policiais se sentem coagidos por colegas a mudarem seus laudos”, afirma Damous. Thaís Cavalcanti Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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