Revista O Campo 29ª edição

 

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Revista O Campo produzida pelo departamento de comunicação da Coopermota

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Edição 29 • março | abril • 2019 Mala Direta Básica Contrato: 2017 CNPJ 46844338/0001-20 / SE/SPI Coopermota Cooperativa Agroindustrial GADO BEM MANEJADO, RESULTADOS AMPLIADOS Mulheres no campo: vantagens da integração lavoura e pecuária Cuidados no controle de percevejos para evitar a resistência março | abril 2019 o campo 1

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BOAS PRÁTICAS, BONS RESULTADOS Chuva, estiagem, alta temperatura, pastagem, nutrição, vacinação, planejamento e uma série de outros temas fazem parte da agenda de atividades de grande parte dos entrevistados da revista O Campo, nesta edição. Todos buscam alternativas para implantar a melhor condução possível da propriedade, de forma a atingir o máximo potencial de rentabilidade de suas atividades. A adoção do sistema de semi-confinamento e a redução da mão-de-obra de terceiros para a cria, recria e engorda do gado Nelore, por exemplo, já mostra bons resultados na Fazenda Santa Maria, em Paraguaçu Paulista. Sob orientação dos profissionais da Coopermota, Ênio Ambrósio coloca em prática o planejamento do pecuarista José Oscar de Siqueira, proprietário da fazenda, para a migração a este sistema de produção do gado, ainda de forma gradativa. O período seco também é preocupação dos agricultores que atuam no desenvolvimento de grãos. Neste momento de colheita e planejamento da cultura do milho de segunda safra, as iniciativas de manejo de pragas e doenças realizadas no início da safra anterior fazem a diferença e podem ser percebidas nos resultados de rentabilidade. Além disso, neste mês de março, dedicado ao Dia Internacional das Mulheres, a revista O Campo não poderia deixar de trazer a história da agricultora Cláudia Padovan para fazer homenagem e incentivo às demais, trata-se da realidade de uma agricultora em representação às demais. Sabemos que o setor é ocupado majoritariamente por homens, com poucas mulheres em cargos de chefia, principalmente, mas já podemos comemorar alguns avanços conquistados. Aos poucos as diferenças vêm sendo minimizadas, graças à insistência e à garra destas mulheres que enfrentam os desafios do mercado e da sociedade em geral. A revista O Campo parabeniza as mulheres pela história de mudanças que vêm sendo obtidas. Em Teodoro Sampaio, retratamos a disposição dos agricultores daquela região em torno de capacitação e busca por informações que os auxiliem na produção da lavoura e da pecuária. A chuva já se estendia por dois dias, porém cerca de 400 produtores ainda se dispuseram a visitar a 1ª edição do CampoCooper realizado naquele município. Durante o evento, o prefeito destacou a importância da cooperativa para a cidade e se dispôs a trabalhar em parceria com a Coopermota para esta e demais iniciativas que venham a ser implantadas na cidade. Diante de tantas notícias positivas, nas editorias finais da revista destacamos a aprovação dos cooperados quanto às medidas que vêm sendo adotadas pela Coopermota. A Assembleia Ordinária aprovou as contas e as propostas de ações para os próximos meses. E para que estas ações sejam vindouras e perenes, a Coopermota se engaja há vários anos no projeto desenvolvido pelo Sescoop/SP em parceria com as cooperativas do estado, o Cooperjovem. Desta vez a atuação será em Assis, junto às escolas de tempo integral do município. Com educação voltada aos professores, o programa difunde o conceito do cooperativismo e da cooperatividade para que estes sejam difundidos entre os alunos e a comunidade como um todo. Tenha uma boa leitura!! Vanessa Zandonade Editora Expediente colaborou Bruna Reis Gabrielli Burgarelli 4 o campo março | abril 2019

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Olhar Cooperativo Sumário 06 GRÃOS DE QUALIDADE Estamos finalizando mais uma safra de soja, ainda na expectativa em relação aos números conclusivos da colheita. Passamos por um período de desafios no que se refere ao desenvolvimento das lavouras, com estiagem em pleno desenvolvimento dos grãos, principalmente entre aqueles que optaram pelo plantio antecipado da safra verão. Na região de abrangência da Coopermota, o panorama geral da soja foi de bom desenvolvimento para a maioria das lavouras com algumas localidades apresentando sinais de redução de produtividade devido ao veranico no final do ciclo. Os resultados verificados até o momento em nossas unidades de armazenamento estão variando bastante entre uma região e outra. Contudo, esperamos que ao final do período tenhamos uma média ainda satisfatória, de uma forma geral. Praticamente toda a soja que recebemos é direcionada ao comércio exterior, com exportações realizadas via portos de Santos e Paranaguá. A soja é um produto comercializado no exterior, com qualidade e características padronizadas pelo mercado internacional. Desta forma, os grãos que recebemos precisam passar por uma avaliação detalhada de forma a atender estas demandas em sua integralidade e garantir que o nosso produto seja bem aceito no mercado. Depois de um 2018 com vantagens obtidas pelo Brasil na exportação de soja, diante do entrave vivido por EUA e China, precisamos aguardar os desdobramentos da abertura novamente concedida para a negociação entre os países. A iniciativa de retorno da exportação norte-americana aos chineses deve afetar diretamente o mercado de grão nos próximos meses para o Brasil, o que deve influenciar também na comercialização desta safra. Dedicamos agora os nossos esforços para o inverno, com o milho de segunda safra. Neste caso, sabemos que se trata de uma cultura que reage de forma muito acentuada às ações de incremento ou de controle realizadas pelo produtor. O manejo adequado, nesta situação,écrucialparabonsresultados.Disponibilizamos todo o nosso corpo técnico de profissionais para auxiliar os produtores nesta “empreitada”. Boa safra!!!! Edson Valmir Fadel Presidente da Coopermota 10 15 19 24 28 34 36 39 Adoção de semiconfinamento do gado e novas práticas buscam maior eficiência nos resultados Agricultora conta desafios e oportunidades alcançados na condução da propriedade de sua família Tour demonstra práticas de nutrição e manejo em mandioca Pesquisador destaca cuidados necessários no controle do percevejo Produtores enfrentam chuva para acompanhar a 1ª edição do CampoCooper em Teodoro Estiagem evidencia influência de cuidados contra ervas daninhas em soja Produtores aprovam contas e autorizam ações da cooperativa para os próximos meses Cooperjovem é realizado em Assis com o envolvimento de quase 200 professores Artigo: Pesquisador destaca importância da soja no agronegócio brasileiro março | abril 2019 o campo 5

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Capa ECLIrMiINaA,RrTeERcCErIiRaOSe engorda na propriedade Segundo o gerente, a meta é engordar 100% dos bezerros nascidos na propriedade, até 2020; atualmente a engorda envolve cerca de 70% do total N a Fazenda Santa Maria, Água do Borá, localizada no limite de município entre Paraguaçu Paulista e Borá, a engorda dos bois Nelores tem sido realizada nos dois últimos ciclos de crescimento no sistema de semi-confinamento. O objetivo, segundo o gerente Ênio Ambrósio, é obter uma melhor qualidade de carcaça e ainda ser beneficiado pela maior agilidade na conclusão de engorda dos animais até o momento do abate. A propriedade é do empresário paulistano José Oscar de Siqueira, que delega a Ambrósio o cuidado de toda a produção de gado na fazenda. “Quando eu entrei para trabalhar aqui era só recria. A gente comprava engordava e vendia. Há quatro anos adquirimos 450 matrizes e entramos também para a criação. Na sequência, começamos a segurar os machos para a engorda e com isso diminuímos o plantel de matrizes para 280 cabeças. Hoje a gente faz a cria, recria e engorda. Para mim, o segredo da profissão, no meu ponto de vista, é fazer o ciclo completo na propriedade e eliminar a intermediação de terceiros”, avalia. Ambrósio conta que atualmente são comprados apenas os touros. As vacas seriam todas filhas de touro P.O. (puro de origem) a e produção delas também. “A genética já está com pedigree”, brinca. O gerente considera que a margem de lucro do pecuarista já é pequena e com a presença de “atravessadores” o percentual de ganho reduz ainda mais. “Está ficando caro produzir carne porque subiu muito o valor dos insumos”, justifica. Das matrizes que dão origem ao gado que será engordado na Fazenda e comercializado junto aos frigoríficos da região, a capacidade de engorda da propriedade é de até 70% dos bezerros nascidos. A meta, segundo Ambrósio, é alcançar a engorda de 100% destes bezerros até 2020. “Hoje eu preciso vender 30% deles”, diz. Além disso, Ênio Ambrósio cita que em breve deve ser adotada na propriedade a Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), o que leva as matrizes a uma ovulação uniforme, de acordo com o período em 6 o campo março | abril 2019

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que foi realizada a iniciativa. “Na cobertura natural a prenhez oscila conforme o ciclo das vacas, o que gera dificuldades de manejo e custo”, cita a agrônoma e zootecnista, Luciane Custódio de Souza. Outra perspectiva de crescimento da Fazenda diz respeito ao aumento da adesão ao semiconfinamento. O sistema vem sendo adotado aos poucos, tendo sido realizada a primeira experiência no inverno do ano passado, em 2018. Atualmente, apenas 5,5% do gado da propriedade está no semi-confinamento. “Temos pretensão de ampliar a engorda por este sistema. Contudo, tudo o que a gente vai fazer de infraestrutura na fazenda precisa ser avaliado criteriosamente. Sempre temos os prós e os contras. Estamos fazendo as contas e o que temos notado é que os resultados têm sido muito bons. Com o semi-confinamento a gente consegue antecipar a ocupação do pasto por um novo lote, reduz o uso de medicação e o risco de doenças, além de outros problemas, tendo em vista que o gado é finalizado com pelo menos seis meses de antecipação”, argumenta. Ambrósio comenta que a sua pretensão é sempre possuir lotes de animais prontos para entrar no semi-confinamento no momento em que o pasto é liberado. “Ainda estamos no processo de transição. No caso do primeiro lote, eu consegui colocar os animais para engorda logo na sequência, mas desta vez eu ainda não tenho outro pronto para engorda. Os animais ainda estão leves”, afirma. A agrônoma explica que a orientação para a adoção do semi-confinamento é que os animais já tenham finalizado a fase de crescimento, pois antes de atingir o peso ideal, a nutrição recebida vai para o crescimento e não para a engorda, o que inviabiliza a iniciativa do ponto de vista financeiro. Ela comenta que o sistema de semi-confinamento está em ascensão no mercado, tendo em vista que a terra localizada no estado de São Paulo é cara para o sistema extensivo. “O semi-confinamento é mais barato para a engorda de bovinos, em relação ao confinamento total do gado. Por sua vez, é mais viável do que o sistema extensivo, que exige grandes áreas de pastagem. Além disso, o produtor também consegue aliar a produção de gado com a lavoura de grãos”, afirma. No confinamento o custo por cabeça de gado varia de 10 a 15 reais enquanto que no semi-confinamento este gasto fica entre cinco e 10 reais. Luciane e Ênio mantêm contato constante para o acompanhamento técnico em relação ao manejo do gado. março | abril 2019 o campo 7

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}Adesão ao semi-confinamento A primeira vez que foi adotado o semiconfinamento da Fazenda Santa Maria foi no inverno do ano passado. Atualmente são 57 bois semi-confinados, que permanecem na alimentação dirigida por cerca de 100 dias, em uma mescla de pastagem e nutrição via ração Coopermota Confinamento. O lote atual entrou no sistema com 430 quilos e seriam comercializados dias após a entrevista com a reportagem da revista O Campo, com média de 540 quilos. Foram sete arrobas em 100 dias, o que equivale a um desenvolvimento de massa corpórea em cerca de 1,10 quilos por dia. Ao iniciarem a alimentação no semiconfinamento, os animais passaram por um período de adaptação até chegar no patamar ideal de consumo de 5,5 quilos/cabeça de ração por dia. O trato é realizado apenas pela manhã e a pastagem é utilizada no decorrer do dia, para a complementação da alimentação. “Eles passam a tarde na sombra e na pastagem, mas nem comem muito porque a ração já os alimentou bem”, comenta Ambrósio. A primeira boiada mantida no semi-confinamento da Fazenda foi abatida em outubro de 2018 e no segundo lote, que seria abatido em fevereiro de 2019, foi incluída a imunocastração realizada por vacina. Conforme dados da Zoetis, reponsável pelo produto, trata-se de um injetável que estimula o sistema imunológico do boi a produzir anticorpos que inibem o hormônio sexual dos bois, denominado GnRH. Segundo dados da empresa, o produto não se configuraria, portanto, como uma castração química ou hormonal. “Os bois foram vacinados na entrada do semi-confinamento e depois de 30 dias”, diz Ambrósio. A ração Confinamento da Coopermota é direcionada aos animais uma vez ao dia, pela manhã. 8 o campo março | abril 2019

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A nutrição do gado é alternada entre a ração balanceada e a pastagem com a B. brizantha cv. Marandu. }Ração e pastagem balanceados Além da nutrição balanceada oferecida diariamente aos bois por meio da ração Confinamento Coopermota, os animais também são alimentados na pastagem com a B. brizantha cv. Marandu. Na ração, são oferecidas proteínas, fibras, cálcio, fostato, vitaminas A, D3 e E, além de selênio, ferro, cobre, zinco, manganês, magnésio, iodo, cobalto, entre outros componentes em proporções recomendadas para a engorda dos animais. Enquanto que a pastagem realizada à base da brizantha traz proteínas complementares. Conforme dados da Embrapa, a brizantha tem resistência às cigarrinhas-das-pastagens, alta produção de forragem, boa capacidade de rebrota, tolerância ao frio, à seca e ao fogo. No entanto, é uma braquiária que exige solos bem drenados, de média a alta fertilidade, sendo indicada para bovinos de cria, recria e engorda. “Em 60 dias a pastagem aqui da Fazenda já está pronta para ser consumida, mas como é um pasto novo, é preciso alguns cuidados. Neste período só levo o gado mais leve para a pastagem”, explica. Entre um período de engorda e outro, Ambrósio adota a reforma do solo com o plantio de amendoim, cultivado a partir da parceria com produtores da região. Neste caso, os produtores de amendoim ficam responsáveis pela terra por cerca de 7 meses, período em que realizam o cultivo e ficam com a produção para eles. Em resposta, o gerente da fazenda recebe o solo de volta com elementos químicos e biológicos corrigidos e a pastagem cultivada. “Eu acompanhado e faço a recomendação da quantidade de sementes da braquiária a ser jogada ao solo. Antigamente a gente jogava menos sementes e deixava sementear o capim, mas como a gente já utiliza a pastagem com 60 dias ele ainda não soltou sementes. Então jogamos mais sementes ao solo. Hoje estamos adotando o montante de 35 quilos por alqueire”, comenta. março | abril 2019 o campo 9

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“MOULHcERaNmOSpNoEGÓeCrIOaSum sonho do meu pai e agora é o meu” A produtora rural da região de Echaporã conta sua trajetória no campo para a condução da fazenda recebida do pai; ela realiza o sistema de integração lavoura pecuária com gado Nelore e soja. E m pouco tempo a realidade da família Padovan Vidotti se transformou. A vida de 21 anos como psicóloga desempenhada por Carla Padovan Vidotti, e então exercida em Mato Grosso do Sul, deu lugar à vida ao sol na cidade do seu pai, em Assis. “Eu assumi em pouco tempo todos os aspectos de controle da propriedade, desde a parte financeira e econômica, até a operacional. Assumi a fazenda que era do meu pai. Ele sonhava em manter esta propriedade com um bom desenvolvimento e agora este é o meu sonho. Isso aqui é um presente que recebi dele”, afirma a agricultora, proprietária e também arrendatária da Fazenda Santa Rita, situada na região de Echaporã, área de atuação da Unidade de Negócios da Coopermota de Assis. Ela arrenda da mãe a área que ficou inventariada após a morte do pai. Ele teve problemas de saúde e faleceu em maio de 2017. O caso dessa agricultora registra uma história de sucessão em que a transmissão da voz de comando passou do pai para a filha. Fugindo à regra da maioria dos casos, foi ela quem se envolveu com o negócio da família e não o irmão. Em todo o país, o percentual de mulheres à frente da condução 10 o campo março | abril 2019

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A atual safra vem apresentando bons resultados, fato comemorado por Padovan. de propriedades rurais vem crescendo. Um trabalho desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com análise entre os anos de 2004 e 2015, registra uma tendência de crescimento da atuação da mulher no campo em 8,3% no decorrer dos anos avaliados. Até 2015, portanto, a participação da mulher nesta área era de 27,97% do total. Muitas delas, com nível de educação formal de maior qualificação em detrimento ao perfil até então evidente entre os profissionais do meio agrícola. Este mesmo crescimento pode ser percebido nas estatísticas publicadas em anos posteriores aos dados divulgados pelo Cepea. Conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Censo Agropecuário referente aos anos de 2006 e 2017, a participação da mulher na agropecuária passou de 12% para 18%, um aumento de 6%. O percentual de 18% equivaleria a um total de quase um milhão de mulheres em atuação nesta área. Carla comenta que seu pai era economista e sempre trabalhou com um grupo distribuidor de energia. “Ele sonhava trabalhar com gado, com agricultura. Foi então que comecei a namorar alguém que tinha uma vida na agricultura e então meu pai resolveu entrar nesta área. Inicialmente atuava na pecuária, com o gado Nelore, e viu que poderia reformar a sua pastagem com lavoura. Ele começou inovando na região, fazendo rotatividade a partir da integração lavoura pecuária”, conta a agricultora. Ela comenta que sempre conviveu com o pai na condução da fazenda, mas acompanhava à distância. Estava sempre próxima a ele no momento da compra do gado, dava ideias sobre alternativas e preços, bem como fazia parte do controle financeiro. Da mesma forma, participava das aquisições de insumos para a lavoura, mas nos dois dos casos não era responsável por nada na fazenda. Esta realidade mudou em 2017, quando ela passou de uma circunstância de acompanhamento para uma prática total de realizações na propriedade. A agricultora afirma que a rentabilidade obtida com a lavoura lhe permite fazer investimentos na propriedade. março | abril 2019 o campo 11

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Carla Padovan enfatiza que a qualidade dos grãos que obteve nesta safra tem sido destacada no momento de entrega de sua produção. “Meu pai precisou de retaguarda e eu resolvi vir para cá para ajudá-lo. Por algum tempo ele me auxiliava à distância, mas quando não havia mais a perspectiva do retorno dele à atividade eu voltei a Assis para tocar as coisas. Era período de plantio, ele hospitalizado e a colheita em andamento. Neste meio tempo acabei assumindo tudo”, diz. Na fazenda Santa Rita é realizada a integração entre a lavoura e a pecuária. “Fazemos sempre metade da propriedade com soja e no inverno mantemos a pastagem na área total para que não falte alimento para o gado. Primamos muito pela qualidade e investimos bastante na terra, na correção do solo, na escolha de uma boa semente e em tudo que é necessário para uma boa qualidade de lavoura e gado. Mesmo nesta terra mista, mais arenosa, em que todo mundo não tem muita perspectiva de grandes produtividades eu tenho tido um ótimo desempenho”, afirma. O gado é considerado como “carro-chefe” da propriedade, porém a lavoura tem ganhado cada vez mais espaço diante do suporte e do retorno financeiro, considerado maior do que o obtido com a pecuária. “O gado mantém a propriedade e a lavoura nos dá condições de investimentos e melhorias”, complementa. Conforme a agricultora, a estrutura da propriedade vem passando por modificações em busca de melhores condições de produção. A família possuía parte do gado que precisava de descarte, o que foi realizado, a partir da compra de novas matrizes para o aprimoramento da genética. A fazenda comercializa bezerros para a engorda e, de acordo com Carla Padovan, os lotes que tem comercializado não possuem descartes. Isso porque os todos bezerros estariam dentro padrão esperado pelo mercado. “Temos uma carta boa de clientes que sabem da qualidade do nosso gado e sempre nos procuram. Não temos dificuldade nenhuma para a venda”, comenta. }MULHER NO COMANDO Neste mês de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data foi definida em alusão a uma história de reivindicação de trabalhadoras norte-americanas e a consequente represália àquelas mulheres que faziam greve por melhores condições de trabalho e por redução de jornada, em 1857. As portas da fábrica onde estavam foram trancadas e policiais atearam fogo ao estabelecimento. Embora as mulheres já tenham alcançado algumas conquistas depois dessa e de outras reivindicações que persistem e são realizadas em todo o mundo, a condição de preconceito ainda existe. Carla Padovan relata algumas dificuldades vividas, principalmente nos primeiros meses de sua atuação como responsável pela fazenda. “No início senti muita dificuldade. Talvez por insegurança da minha parte também. As negociações de gado são realizadas prioritariamente por homens. Na primeira vez que cheguei para negociar o gado, havia cinco homens, entre pecuaristas e picaretas, para negociar. Foi bastante intimidadora a forma como me trataram. Eles criticavam e tentavam impor um valor abaixo do que eu propunha”, relata. Contudo, destaca que esta situação vem sendo amenizada a partir do momento em que começou a ocupar os espaços, se posicionar e ter o respeito das pessoas. “Hoje esta negociação é mais tranquila, seja quanto ao gado ou à lavoura. Muitas vezes querem nos empurrar produtos, floreiam o que não é realidade, mas tenho conseguido sucesso nas ações que propomos aqui para a fazenda”, conta. A atuação como proprietária do negócio também lhe trouxe desafios no que se refere ao trato com os funcionários, que passaram a serem comandados por uma mulher. “Tudo foi uma conquista gradativa. A mulher é mais criteriosa e detalhista, então é uma mudança de postura que toda a equipe teve que adotar, mas as pessoas que trabalham comigo são muito competentes e eu só tenho que agradecer 12 o campo março | abril 2019

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a dedicação de cada um. A gente trabalha em equipe e com planejamento a curto e médio prazo. Temos tido bons resultados nos últimos três anos, seja com a adoção de um menor rebanho com uma produtividade ainda melhor, ou na redução do custo da lavoura com produção mais elevada”, garante. A produtora avalia que ainda é muito escassa a presença de mulheres no agronegócio. “Não conheço ninguém, embora ouça histórias de mulheres que tenham histórias semelhantes à minha, não as conheço. Sempre nos encontros que vamos, as mulheres são as esposas acompanhando os maridos, mas não são as condutoras do negócio, principalmente aqui para a nossa região”, cita. Além disso, critica que ainda não existe ações técnicas agronômicas voltada para mulher. “Lá no Mato Grosso do Sul as coisas estão mais adiantadas neste ponto. Meu esposo esteve em um evento em Maracaju e me enviou a reportagem que dava destaque a uma mulher que estava à frente dos negócios, assim como eu. Ele disse que lembrou de mim na hora”, destaca. Entretanto, a produtora se mostra esperançosa de que a presença da mulher cresça no meio rural tanto por uma circunstância natural de ampliação de sua atuação, como também por uma mudança de cultura. “Existe a necessidade que se mude este olhar de que algumas profissões são masculinas e devem ser ocupadas só por homens. É preciso que deixe de se defender de que na sucessão agrícola é o homem quem deve assumir a propriedade. De repente acontecem estes percalços da vida, como foi o meu, e percebemos que o sucessor não é aquele que foi escolhido, mas sim aquele que se fez sucessor”, defende. Ela destaca a importância de persistir naquilo que se propôs a fazer. “Assim que meu pai faleceu, muitos vieram nos procurar para comprar ou arrendar a fazenda. Pensavam que porque ficou para as mulheres ou o dono morreu, que acabaria tudo. Mas sempre dissemos que não venderíamos e que iríamos tocar essa propriedade. Surpreendemos, fomos teimosas e estamos mostrando bons resultados”, enfatiza. Padovan comenta que desde que assumiu a propriedade adotou medidas diferentes à do seu pai, passando a trabalhar com cooperativa (Coopermota) e atuando na busca incessante pela redução de custos. No entanto, lamenta que as pessoas que atuam no meio rural, de uma forma geral, ainda sofrem com a inconstância de preços, seja no que se refere à arroba do boi quando ao valor da saca de grãos. “Esta instabilidade dificulta muito para gente fazer um planejamento mais exato de nossos gastos e rentabilidades”, reclama. Contudo, ela destaca que aceitou o desafio e irá trabalhar para que a propriedade seja ainda melhor do que já é. Desde que assumiu a propriedade, Carla Padovan se tornou cooperada e recebe assistência da equipe da Unidade de Negócios de Assis. Na foto, está acompanhada do agrônomo Lucas Napoleão Pereira. março | abril 2019 o campo 13

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CPROoDrUrÇeÃOçDãEoMAdNDeIOsCoA lo e nutrição para bons resultados Toda a definição de manejos nutricionais e correções de solo deve ser realizada conforme indicação da análise de solo A s folhas viçosas e a altura das plantas superam a estatura dos produtores dispersos na área preparada para a análise. Em outro espaço, as raízes foram preparadas de forma a proporcionar uma melhor observação no que se refere ao seu desenvolvimento. O detalhamento de características de novas cultivares e de variedades já bastante conhecidas, bem como o seu manejo nutricional foram temas abordados no “Tour da mandioca”, realizado na região de Campos Novos Paulista, em parceria com a Apta e a TimacAgro. Na ocasião, foram realizadas visitas a três propriedades, sendo uma delas com cultivo realizado para avaliação de pesquisa, conduzida pela Apta, e outras duas comerciais. A qualidade do manejo adotado, bem como a escolha da variedade correta e a adoção de nutrição ideal para a cultura foi enfatizado em todas as orientações. Na ocasião, o representante da Timac, Lucas Viel, destacou a importância de uma nutrição equilibrada para que se alcance o potencial produtivo da mandioca. “O produtor precisa considerar um conjunto de fatores, que se estendem desde a tecnologia utilizada até a adoção de uma adubação eficiente, para se obter altos índices de produção”, afirma. Ele explica que antes de qualquer medida, é necessário a realização de uma análise de solo bastante precisa, de forma a se definir as intervenções a serem realizadas durante a cultura. “A mandioca tolera mais a acidez do solo em relação aos grãos, mas em termos de correção, as exigências dela são iguais às outras culturas. Um solo fértil é essencial para se ter um potencial produtivo maior”, afirma. março | abril 2019 o campo 15

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