Indico N53

 

Embed or link this publication

Description

Indico N53

Popular Pages


p. 1

GPS GPS PONTE MAPUTO-KATEMBE A chave que vai dar ignição à capital MAPUTO-KATEMBE BRIDGE The spice that sweetens communities PREMIUM PREMIUM VILA DO SONGO Uma visita ao interior das montanhas VILLAGE OF SONGO A visit among the mountains ALTITUDE ALTITUDE STEWART SUKUMA Com três acordes se construiu um símbolo cultural With three chords a cultural symbol was built REVISTA DE BORDO DA LAM LAM’S INFLIGHT MAGAZINE ESTE EXEMPLAR É SEU YOUR FREE COPY . JAN FEV JAN FEB . SÉRIE IV . Nº 53 . 2019

[close]

p. 2



[close]

p. 3

06 HORIZONTES HORIZONS 08 PREMIUM PREMIUM vila do songo Uma visita ao interior das montanhas village of songo A visit among the mountains 14 EVASÃO ESCAPE pátio dos quintalinhos O descanso também exige bom gosto Resting also requires good taste 20 OUTRAS PARAGENS OTHER STOPS coimbra Cindazunda tem mais encanto Cindazunda has more charm 26 GASTRONOMIA GASTRONOMY 40 CULTURA CULTURE 54 PRIMEIRA FILA FIRST ROW Nada se perde, tudo se transforma Nothing is lost, everything is transformed 60 ÍNDICE CONTENTS 58 TERRA LAND Escola Verde Green School 60 CLASSES CLASSES more jazz big band 08 Educar através da música Educating through music 64 GPS GPS ponte maputo-katembe A chave que vai dar ignição à capital maputo-katembe bridge The spice that sweetens communities 68 ROLAR TAXIING mandy As linhas com que se cose a arte 20 The threads with which art is sewn 72 LOUNGE LOUNGE mia couto convida… Lica Sebastião mia couto invites... Lica Sebastião 75 MUNDO LAM LAM’S WORLD GPS GPS PONTE MAPUTO-KATEMBE A chave que vai dar ignição à capital MAPUTO-KATEMBE BRIDGE The spice that sweetens communities PREMIUM PREMIUM VILA DO SONGO Uma visita ao interior das montanhas VILLAGE OF SONGO A visit among the mountains ALTITUDE ALTITUDE STEWART SUKUMA Com três acordes se construiu um símbolo cultural With three chords a cultural symbol was built REVISTA DE BORDO DA LAM LAM’S INFLIGHT MAGAZINE ESTE EXEMPLAR É SEU YOUR FREE COPY . JAN FEV JAN FEB . SÉRIE IV . Nº 53 . 2019 CAPA [[COVER JAY GARRIDO PROPRIEDADE [[PUBLISHER LAM - Linhas Aéreas de Moçambique SA; www.lam.co.mz; www.facebook.com/VOELAMM; Call Center: +258 21 468 800 Série [[Series IV, nº 53 DIRECTOR GERAL DA LAM [[ LAM’S MANAGING DIRECTOR João Carlos Pó Jorge EDITOR EXECUTIVO [[EXECUTIVE EDITOR Frederico Jamisse COLABORADORES [[CONTRIBUTORS Ana Filipa Amaro; Adelino Timóteo; Amâncio Miguel; Alda Costa; Cristina Freire; Custódio Mugabe; Francisco Manjate; Francisco Noa; Gil Filipe; Guilherme Mussane; José Machicane; Jorge Ferrão; Kaysa Johnsson; Laurindos Macuácua; Luís Loforte; Madyo Couto; Mia Couto; Magda Arvelos; Paola Rolletta; Pedro Cativelos; Rui Trindade; Sangare Okapi; Sónia Sultuane; Susana Gonçalves e Ungulani Ba Ka Khosa FOTÓGRAFOS [[PHOTOGRAPHERS Alexandre Marques; Acamo Maquinasse; Benoit Marquet; Chico Carneiro; Dudu Mogne; Filipe Branquinho; Jay Garrido; João Costa (Funcho); Koos van der Lende; Mauro Pinto; Madyo Couto; Mário Macilau; Mauro Vombe; Ouri Pota; Pedro Sá da Bandeira; Piotr Naskrecki; Ricardo Franco; Ricardo Pinto Jorge; Ricardo Rangel; Tito Calado; Tomás Cumbana; Vasco Célio e Yassmin Forte TRADUÇÃO [[TRANSLATION David Miranda, Pangeia - Serviços de Tradução DESIGN Executive Moçambique PRODUÇÃO GRÁFICA [[GRAPHIC PRODUCTION Iona - Comunicação e Marketing, Lda (Grupo Executive) PUBLICIDADE [[ ADVERTISING Departamento Comercial [[ Commercial Department Ana Antunes (Moçambique Mozambique) ana.antunes@executive-mozambique.com; iona@iona.pt/contacto@iona.pt (Portugal) ADMINISTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBLICIDADE [[ADMINISTRATION, EDITION AND ADVERTISING Executive Moçambique; Rua do Telégrafo, nº 109 – Sala 6, Bairro Polana Cimento, Maputo – Moçambique; Tel.: +258 21 485 652; Telm.: +258 84 311 9150; geral@executive-mozambique.com DELEGAÇÃO EM LISBOA [[LISBON OFFICE Rua Filipe Folque, nº 10 J – 2º drtº, 1050-113 Lisboa; Tel.: +351 213 813 566; iona@iona.pt IMPRESSÃO E ACABAMENTO [[PRINTING AND FINISHING MINERVA PRINT - MAPUTO - MOÇAMBIQUE Maputo - Mozambique TIRAGEM [[PRINT RUN: 15.000 exemplares 15.000 copies NÚMERO DE REGISTO [[REGISTRATION NUMBER: 08/GABINFO-DEC/2006 3

[close]

p. 4

ÍNDICO JAN. FEV JAN. FEB

[close]

p. 5

Estimada(o) Passageira(o), Dear Passenger, É um enorme prazer podermos contar com a sua presença a bordo das nossas aeronaves. Nós, mais de 850 moçambicanos desta companhia também vossa, recebemo-vos com imenso carinho e profissionalismo e pretendemos fazer parte dos vossos sonhos, ao levá-la(o)s aos destinos da vossa escolha. Iniciamos o ano de 2019 revigorados e decididos a elevar o nome, fazer voar a bandeira e vincar o orgulho de Moçambique através da prestação de serviços que correspondem às expectativas da(o)s clientes, fazendo jus ao ADN moçambicano de bem-servir, com simpatia, hospitalidade e segurança. Continuamos determinados a conferir estabilidade aos horários dos voos, que desde 30 de Setembro do ano findo, com a introdução do horário fixo, estão a alcançar um ascendente prometedor, tendo nalguns momentos chegado aos 90%, o que supera a média de pontualidade da indústria. Esta eficiência dá-nos o impulso necessário para melhorarmos, gradualmente, outras áreas cujas acções têm impacto directo junto do cliente, nomeadamente o serviço de bordo, sobre o qual temos recebido comentários extremamente agradáveis, o que nos encoraja a esmerarmo-nos continuamente. Na mesma perspectiva, procederemos, em breve, à expansão do “Customer Care” a outros aeroportos. Esta é uma unidade de apoio ao cliente e a sua introdução no Aeroporto Internacional de Maputo aconteceu com o objectivo de estarmos presentes para vos receber e, em caso de perturbações imprevistas, oferecer a solução e o conforto necessários. Estamos empenhados em ter cada vez mais moçambicana(o)s e visitantes a viajarem nos nossos voos, tendo já lançado promoções para estudantes e outras demografias, a quem gostaríamos de ajudar a visitar a família, amigos, a fazer investigação ou simplesmente a conhecer Moçambique. Em Novembro, apoiámos o projecto Baobab, que incide sobre acções de caridade e, no Primeiro de Dezembro, dia de luta contra o HIV/SIDA, trouxemos meninos da Escola Primária Completa Unidade 18 para experimentarem os nossos serviços de bordo numa aeronave estacionada, além de participarmos no Natal Solidário do Hospital Provincial de Maputo. Estas iniciativas fazem parte da nossa vontade de prestar apoio social a moçambicanos necessitados. Assim que desembarca, começamos a sentir a sua falta. Tudo faremos para que sinta vontade de voltar a voar connosco. Esperamos vê-la(o) em breve. It is a great pleasure to be able to count with your presence aboard our aircraft. We, more than 850 Mozambicans at this company which is also yours, welcome you with the utmost affection and professionalism, and we intend to be part of your dreams, taking you to the destinations of your choice. We begin the year 2019 reinvigorated and determined to elevate the name, to fly the flag and to reinforce the pride of Mozambique through the provision of services that correspond to the clients’ expectations, living up to the Mozambican DNA of well-serving, with friendliness, hospitality and safety. We are still determined to give stability to flight schedules, which since 30 September of last year, with the introduction of fixed schedules, are on a promising upward trend, sometimes reaching 90%, which exceeds the industry’s average punctuality. This efficiency gives us the necessary drive to gradually improve other areas whose actions have a direct impact on the customer, namely the on-board service, on which we have received extremely pleasant comments, which encourages us to continually strive to improve. In the same perspective, we will soon be expanding Customer Care to other airports. This is a customer support unit and its introduction at the Maputo International Airport happened with the aim of being present to welcome you and, in case of unforeseen disturbances, offer the necessary solutions and comfort. We are committed to getting more and more Mozambican visitors to travel on our flights, having already launched promotions for students and other demographics whom we would like to help with visiting family, friends, doing research or simply getting to know Mozambique. In November, we supported the Baobab project, which focuses on charity and, on the 1 December, on the fight against HIV/AIDS, we have brought children from Primary School Unit 18 to experience our on-board services on a parked aircraft, in addition to taking part in the Solidarity Christmas of the Provincial Hospital of Maputo. These initiatives are part of our desire to provide social support to Mozambicans in need. As soon as you land, we begin to miss you. We will do everything to make you feel like flying again with us. We hope to see you soon. Votos de Próspero Ano Novo. We wish you a Happy New Year. 5 EDITORIAL EDITORIAL EDITORIAL EDITORIAL JOÃO CARLOS PÓ JORGE DIRECTOR GERAL DA LAM LAM’S MANAGING DIRECTOR

[close]

p. 6

ÍNDICO JAN. FEV JAN. FEB STEWART SUKUMA HOMENAGEADO NO BRASIL STEWART SUKUMA HONORED IN BRAZIL O músico moçambicano Stewart Sukuma foi recentemente distinguido com a “Medalha da Legião Paranaense do Expedicionário”. Trata-se de uma medalha atribuída por aquela Legião, que tem como missão preservar a memória da actuação dos ex-combatentes brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Em reacção a esta distinção, o artista e activista social lembrou que “Brasil e Moçambique têm uma língua comum mas, além disso, há um cruzamento de culturas muitas vezes imperceptíveis mas que em muitos momentos são visíveis”. Mozambican musician Stewart Sukuma was recently honored with the “Medal of the Paranaian Expeditionary Legion”. This is a medal attributed by said Legion, whose mission is to preserve the memory of Brazilian former combatants in World War II. In response to this distinction, the artist and social activist recalled that “Brazil and Mozambique have a common language but, even more, there is a crossroads of cultures that are often imperceptible but commonly visible”. MAURO VOMBE CONQUISTA PRÉMIO MAURO VOMBE WINS PRIZE O fotojornalista moçambicano Mauro Vombe, colaborador da revista Índico, foi um dos vencedores do Concurso de Fotografia Moçambique 2018, que decorreu na senda da maior exposição de fotojornalismo mundial, a World Press Photo, no passado mês de Novembro, em Maputo. Subordinado ao tema “Religião e Crenças”, o concurso contou com a participação de cerca de 40 fotógrafos, entre profissionais e amadores. Amilton Neves, Ricardo Manuel e Mariano Silva foram outros dos nomes distinguidos. Mozambican photojournalist Mauro Vombe, a contributor to Índico magazine, was one of the winners of the 2018 Mozambique Photography Contest, which took place on the trail of the world’s largest photojournalism exhibition, the World Press Photo, last November, in Maputo. Under the theme “Religion and Beliefs”, the contest had the participation of about 40 photographers, between professionals and amateurs. Amilton Neves, Ricardo Manuel and Mariano Silva were some of the other distinguished names. MARCELO PANGUANA LANÇA NOVO LIVRO MARCELO PANGUANA LAUNCHES NEW BOOK “Escrever a terra” é o mais recente livro do escritor Marcelo Panguana. Lançado sob chancela da Alcance Editores, o autor apresenta neste trabalho a recolha dos ensaios sobre algumas obras de escritores moçambicanos. Marcelo Panguana acredita que este é um contributo no âmbito da análise crítico-literário em Moçambique. O lançamento do livro está inserido no ciclo de comemoração dos 30 anos de carreira do escritor e jornalista. Escrever a Terra is Marcelo Panguana’s latest book. Launched under the seal of Alcance Editores, the author presents in this work a collection of essays on some works by Mozambican writers. Marcelo Panguana believes that this is a contribution under the scope of critical-literary reviews in Mozambique. The book launch is part of the cycle celebrating the writer’s 30-year career. UNGULANI BA KA KHOSA DISTINGUIDO COM PRÉMIO JOSÉ CRAVEIRINHA UNGULANI BA KA KHOSA AWARDED THE JOSÉ CRAVEIRINHA PRIZE Foi atribuído ao escritor moçambicano Ungulani Ba ka Khosa o Prémio José Craveirinha 2018. De acordo com o júri, este reconhecimento deve-se ao facto de o escritor inspirar novos autores moçambicanos e pelo facto de ter co-fundado a revista “Charrua”, que contribuiu para fortalecer a literatura e cultura moçambicanas. O Prémio José Craveirinha é uma iniciativa criada pela Associação dos Escritores Moçambicanos e atribui ao vencedor cerca de 1.500.000 meticais. The Mozambican writer Ungulani Ba ka Khosa was awarded the 2018 José Craveirinha Prize. According to the jury, this recognition comes from the fact that the writer inspires new Mozambican authors and because he co-founded the Charrua magazine, which contributed to strengthen Mozambican literature and culture. The José Craveirinha Prize is an initiative created by the Association of Mozambican Writers and awards around 1,500,000 meticais to the winner. 6

[close]

p. 7



[close]

p. 8

ÍNDICO JAN. FEV JAN. FEB 1 8

[close]

p. 9

PREMIUM PREMIUM Depois de aterrarmos no Aeroporto de Chingodzi, em Tete, onde fomos recebidos por um sol escaldante, iniciamos uma nova viagem, mas agora de carro. São, aproximadamente, duas horas, mais precisamente 128 km, desde a cidade até à vila do Songo. Pelo caminho vamos contemplando zonas desertas, inabitadas, com excepção dos arredores das zonas mineiras de carvão, onde se avistam pequenas povoações, muitas delas a crescer. After we landed at Chingodzi Airport in Tete, where we were greeted by a scorching sun, we began a new journey but now by car. It takes approximately two hours, more precisely 128 km, from the city to the village of Songo. Along the way, we contemplate deserted uninhabited areas, with the exception of the outskirts of the coal mining areas, where one can see small settlements, many of them growing. VILA DO SONGO VILLAGE OF SONGO UMA VISITA AO INTERIOR DAS MONTANHAS A VISIT AMONG THE MOUNTAINS TEXTO TEXT: FREDERICO JAMISSE FOTO PHOTO: JAY GARRIDO 9

[close]

p. 10

ÍNDICO JAN. FEV JAN. FEB À medida que nos aproximamos, começamos a sentir uma temperatura diferente, mais fresca. É a vila do Songo que nos dá as boas vindas, esta pequena mas significante vila entre as montanhas, localizada no distrito de Cahora Bassa. O ambiente ameno que se sente quase todo o ano faz com que este seja um destino ideal para uma visita mais prolongada e o lugar certo para uns dias de férias. Aliado ao bom tempo está a simpatia dos cerca de 30 mil habitantes da vila do Songo, que se faz sentir logo à chegada, pela maneira afável com que as pessoas nos dão as boas vindas. A vida desta população está profundamente ligada à Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Da Cultura ao Desporto, sente-se a presença da empresa em todos os bairros ordenados e organizados. “A vila As we approach, we began to feel a different, cooler temperature. It is the village of Songo that welcomes us, this small but significant village among the mountains, located in the district of Cahora Bassa. The mild environment that is felt almost all year makes this an ideal destination for a longer visit and the right place for vacation. Together with the good weather, there’s the friendliness of the approximately 30,000 inhabitants of the village of Songo, which is felt on arrival, by the friendly way people welcome us. The life of this population is deeply connected to the Cahora Bassa Hydroelectric Dam (HCB). From Culture to Sport, the presence of the company is felt in all structured and organized neighborhoods. “The village has three swimming pools, a multipurpose 2 O Monumento Sandawana é uma enorme obra do pintor Naguib. “É um dos cartões-de-visita da vila”, revela Jorge Mantinosse. The Sandawana Monument is a huge work by painter Naguib. “It’s one of the village’s calling cards”, Jorge Mantinosse reveals. 1 A estrada serpente leva-nos até o centro da vila do Songo. The winding road takes us to the center of the Village of Songo. 2 Feita pelo artista Naguib Elias, a escultura patente na Praça representa a Liberdade da mulher. Made by artist Naguib Elias, the sculpture on display at the square represents the Freedom of women. 3 A barragem de Cahora Bassa é um dos orgulhos da vila do Songo. Cahora Bassa Dam is one of the prides of the Village of Songo. 10

[close]

p. 11

PREMIUM PREMIUM dispõe de três piscinas, um campo polidesportivo e dois campos de ténis. Foi construído um circuito de manutenção física e dois campos de futebol de onze. Temos ainda um campo polivalente da escola HCB e um self service para actividades culturais, supermercado e um centro social”, descreve Jorge Mantinosse, técnico da Cahora Bassa e guia para as visitas à barragem. field and two tennis courts. A fitness circuit and two eleven-player football pitches were built. We also have a multipurpose field at the HCB school and a self-service infrastructure for cultural activities, a supermarket and a community center”, describes Jorge Mantinosse, a technician at Cahora Bassa and the tour guide for the visits to the dam. O ORGULHO DA VILA Há três características que distinguem a vila do Songo. A primeira, e mais importante, é o facto de ser um motor preponderante da economia nacional com a barragem de Cahora Bassa. “Inaugurada em Dezembro de 1974, a nossa albufeira imprime orgulho em nós por ser a quarta maior do continente africano. Compreende uma extensão de 250 km em comprimento e 38 km de afastamento entre as margens. Ocupa 2.700 quilómetros quadrados”, conta Jorge Mantinosse. A segunda característica tem a ver com o investimento que foi feito na área da Cultura, que permitiu que a vila do Songo passasse a ser uma referência no país. O mais visível será, porventura, o Centro Cultural do Songo, inaugurado em 2012 e com capacidade para 2.000 pessoas. No entanto, o de maior relevância histórica será o Monumento Sandawana, localizado na Praça da Liberdade. “É um dos cartões-de-visita da vila”, revela Jorge Mantinosse. O Monumento Sandawana representa uma figura mítica da história local – um rato com escamas e cabeça humana que, segundo a lenda, quem o encontrar ficará rico. O mural, com mais de 100 metros de com- THE PRIDE OF THE VILLAGE There are three characteristics that set the village of Songo apart from others. The first, and most important, is that it is a major engine of the national economy, with the Cahora Bassa dam. “Inaugurated in December 1974, our reservoir makes us proud for being the fourth largest on the African continent. It is 250-km long and 38-km wide. It occupies 2,700 square kilometers”, Jorge Mantinosse says. The second characteristic has to do with the investment that was made in the cultural sector, which allowed the village of Songo to become a benchmark in the country. The most visible is perhaps the Cultural Center of Songo, opened in 2012 and with capacity for 2,000 people. However, the one of greater historical relevance is the Sandawana Monument, located in Praça da Liberdade. “It’s one of the village’s calling cards”, Jorge Mantinosse reveals. The Sandawana Monument represents a mythical figure of local history - a rat with scales and a human head that, according to legend, whoever finds it will become rich. The mural, more than 100 meters long and about six meters high, has the signature of Naguib Elias, who is also

[close]

p. 12

ÍNDICO JAN. FEV JAN. FEB 3 primento e cerca de seis metros de altura, tem a assinatura de Naguib Elias, que é também o autor do Monumento à Liberdade. “São inúmeros murais, com pedra lascada e brilhante, que representam os sete montes onde está inserido o Songo e contam a história da chegada dos portugueses à região, das missões de repovoamento e da conquista da Hidroeléctrica de Cahora Bassa pelos Moçambicanos”, explica Jorge Mantinosse, indicando ainda que foi construída uma rotunda onde foi colocada a figura de uma mulher, carregando ao colo uma criança, símbolo da liberdade. Outra atracção turística é o Nyau, uma dança da província na qual os homens dançam exibindo cobras vivas. Em Novembro de 2005, a UNESCO declarou o Nyau como obra-prima do Património Oral e Intangível da Humanidade. A terceira característica desta localidade tem a ver com o Desporto. O Songo orgulha-se de ter uma equipa que conquistou espaço e respeito no futebol moçambicano ao ter conseguido, em pouco tempo, ser bicampeão nacional. É a equipa União Desportiva de Songo, cuja história remonta a 1982. “Conseguimos trazer para Songo um troféu da Taça Moçambique e, actualmente, somos bicampeões do Moçambola”, diz com orgulho Jorge Mantinosse. the author of the Monument to Freedom. “They are countless murals with chipped and shiny stones that represent the seven mountains that surround Songo, and tell the story of the arrival of the Portuguese in the region, the repopulation missions and the conquest of the Cahora Bassa hydroelectric dam by Mozambicans”, Jorge Mantinosse explains, indicating that a roundabout was built where the figure of a woman carrying a child, a symbol of freedom, was placed. Another tourist attraction is the Nyau, a dance of the province in which men dance with live snakes. In November 2005, UNESCO declared the Nyau as a Masterpiece of the Oral and Intangible Heritage of Humanity. The third characteristic of this village has to do with sport. Songo is proud to have a team that has found its place and is respected in Mozambican football, having managed to become a two-time national champion in a short time. It is the União Desportiva de Songo team, whose history goes back to 1982. “In 1982, the team was established by the HCB company, with the name Grupo Desportivo da Hidroeléctrica de Cahora Bassa do Songo. But to allow the team to have more support, in 2015, the name was changed and it was renamed União Desportiva do Songo. We managed to bring to Songo the Mozambique Cup and, currently, we are two-time Moçambola champions”, Jorge Mantinosse proudly says. 12 ▶ COMO IR HOW TO GO A partir de Maputo, pode viajar nas Linhas Aéreas de Moçambique para a província de Tete. Do aeroporto, se não tiver o transfer do hotel, pode alugar um carro particular ou um táxi que o leve até a vila do Songo. From Maputo, you can travel on Mozambican Airlines to the province of Tete. From the airport, if you don’t have a hotel transfer, you may rent a private car or a taxi to the village of Songo. ▶ ONDE COMER WHERE TO EAT O restaurante do hotel Girassol confecciona deliciosos pratos, como é o caso do naco de vitela com arroz de feijão. No restaurante Teles não deixe de comer o peixe Pende, de preferência grelhado ou, então, peça o tradicional cabrito. Também tradicional é o petisco feito de dobrada e tripas de cabrito, devidamente enrolados, o Konguê. The restaurant at the Girassol hotel makes delicious dishes, such as the veal roast with bean rice. At the Teles restaurant don’t forget to eat pende (tilapia), preferably grilled or ask for the traditional goat meat. Also traditional is the snack made of rolled goat stomach and tripe, called konguê. ▶ ONDE DORMIR WHERE TO SLEEP O Girassol Hotel Songo oferece uma acomodação perfeita. Se estiver em família, pode desfrutar da luxuosa pentahouse. Outra opção é hospedar-se no Hotel Teles ou então no Ugezi Tiger Lodge. The Songo Girassol Hotel offers perfect accommodation. If you are travelling with the family, you can enjoy the luxurious penthouse. Another option is to stay at the Teles Hotel or at the Ugezi Tiger Lodge. ▶ O QUE FAZER WHAT TO DO Visitar a albufeira de Cahora Bassa, uma visita guiada por técnicos que vão dando as especificações sobre o empreendimento. Percorra a vila a pé para desfrutar do ar fresco e agradável, vendo de perto as inúmeras esculturas feitas pelo artista Naguib. Veja igualmente o memorial construído por ocasião da reversão da barragem do Governo português para Moçambique. Visit the Cahora Bassa reservoir, a guided tour led by technicians who tell visitors all about the specs of the development. Walk the village on foot to enjoy the fresh and pleasant air, watching closely the numerous sculptures made by the artist Naguib. See also the memorial built on the occasion of the return of the dam by the Portuguese Government’s to Mozambique.

[close]

p. 13



[close]

p. 14

ÍNDICO JAN. FEV JAN. FEB TEXTO TEXT: ELMANO MADAÍL FOTO PHOTO: JAY GARRIDO Visitar a Ilha de Moçambique sem ficar, uma noite que seja, no Pátio dos Quintalinhos será lacuna grave do turista. Visiting the Island of Mozambique without staying one night at the Pátio dos Quintalinhos will be a serious fail for tourists. PÁTIO DOS QUINTALINHOS O DESCANSO TAMBÉM EXIGE BOM GOSTO RESTING ALSO REQUIRES GOOD TASTE Visitar a Ilha de Moçambique sem ficar, uma noite que seja, no Pátio dos Quintalinhos será lacuna grave do turista que desejar desfrutar da poética do lugar e da salsa vivência insular. Porque a guesthouse de Gabriele Melazzi (na foto), arquitecto italiano adoptado pelos nativos que o crismaram de Gabriel Mucunha (do macua “branco”) afirma-se – tanto pelo conforto colorido e despojado que proporciona, quanto pela história que encerra e a simpatia de quem a gere – como uma experiência singular. Sem especulações nem paralelo na pétrea cidade erguida, há centúrias, num leito de coral. Em frente à Mesquita Verde e aos pescadores que lavram o Índico, as portas índigo da Casa do Gabriel abrem-se para um pátio tingido de amarelo ocre e com uma palmeira a meio que brota de um tapete de azulejos. Em xadrez, consoante a configuração original. Como quase tudo o resto. “Esta casa, do século XVIII, era a ruína de uma loja de roupa e estava convertida numa lixeira”, conta Melazzi. Zeloso da memória do lugar e cioso “das técnicas construtivas e materiais de antanho”, recuperou feições e converteu funções, acolhendo agora hóspedes de todo o mundo. Visiting the Island of Mozambique without staying one night at the Pátio dos Quintalinhos will be a serious fail for the tourist who wants to enjoy the poetry of the place and the island experience. Because the guesthouse of Gabriele Melazzi (in the photo), an Italian architect adopted by the natives, who christened him Gabriel Mucunha (from the Macua word for “white person”), describes - as much for the colorful and bare comfort that it provides, as for the history that it contains and the friendliness of those who run it - as a singular experience. Without speculation nor parallel in the stone city, erected centuries ago in a coral bed. In front of the Green Mosque and of the fishermen who till the Indian Ocean, the indigo doors of Gabriel’s House open to a patio dyed ocher yellow and with a palm tree in the middle, which comes out of a tile floor. In a chess pattern, according to the original configuration. Like almost everything else. “This eighteenth-century house was the ruins of a clothing 14

[close]

p. 15

EVASÃO ESCAPE 15

[close]

Comments

no comments yet