Confrades da Poesia107

 

Embed or link this publication

Description

Poesia Lusófona

Popular Pages


p. 1

Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano X | Boletim Mensal Nº 107 | Fevereiro 2019 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 / Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,11,12,13,15 / Rota Poética: 5 Cantinho dos Poetas 6 / Luz Poética: 7 / Faísca de Versos: 8 Tribuna do Vate: 9 / Contos e Poemas: 10 / Poetas da Nossa Terra: 14 / Ponto Final: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 9 Nesta edição colaboraram 54 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Adelina Velho da Palma | Albertino Galvão | Albino Moura | Alfredo Mendes | Anabela Dias | Arménio Correia | Anna Paes | Artur Gomes | Carlos Alberto Varela | Carlos Bondoso | | Chico Bento | CMO | Conceição Tomé | Damásia Pestana | David Lopes | Filipe Papança | Filomena Camacho | Francisco Jordão | Helena Moleiro | Hermilo Grave | João C. dos Santos | João da Palma | Joaquim Sustelo | Jorge Humberto | José Branquinho | José Carlos Primaz | José Jacinto | José Maria Caldeira Gonçalves | José Silva | Luís Eusébio | Luís Fernandes | Luiz Poeta | Magui | Maria Petronilho | Maria Procópio | Mário Pão-Mole | Mário J. Pinheiro | Miraldino de Carvalho | Maria V. Afonso | Nelson Fontes | Nogueira Pardal / Paulo Taful / Pinhal Dias / Quim D’Abreu | Rosélia Martins / Santos Zoio | Silvais | Teresa Primo | Tito Olívio | Vitalino Pinhal

[close]

p. 2

2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «A Voz do Poeta» Pedreiras de Borba Corações pétreos, mais duros que as pedreiras, Valores pátrios estão lá bem distantes Em desfavor dos cidadãos que, confiantes, Lhes facultaram os assentos nas cadeiras. O mal redobra quando são cabeças ocas Cheias de nada como os poços dos dois lados, O coração nas mãos, nos pés, com mil cuidados, E com razão, que a condução tem horas loucas. Foi retirada tanta pedra até ao fundo Em tal acção de desvario, que descamba Para a loucura; segue estrada em corda bamba, Olhar de cima vê crateras de outro mundo. Mas não há olhos para ver o tão visível? Não há vontades de evitar antes que tombe? Cuidados mil não impediram hecatombe, Carros tombaram no abismo. Foi horrível! Uma tragédia que ao lugar levou um fado, Fado corrido que lhe fez parar o cante. Lugar de Borba, continues doravante Mais pelo vinho que por pedras afamado. Entre acontecimentos inimagináveis, Não fosse caso grave e sério, dava riso Pensar que a culpa foi do vinho, que o aviso Não chegou muito claramente aos responsáveis. FRIO JANEIRO Vai frio o janeiro, neste ano bem seco, E, todos os anos, o inverno é pesado. Não há neve, aqui, mas estou congelado E tanto me encolho, que fico marreco. Quem dera uma chuva, do lado do sul, Que empurre pró norte este frio malvado! Ai meu calorzinho, meu sol destapado, Te mostra este céu, espelhado de azul! Me doem os pobres, vestidos de pouco, Na manta-cartão, qual galinha no choco, Na dor solitária que seu fado encerra. Janeiro vai frio. Quisera chovesse, E a água da rua, correndo, varresse A muita maldade, que existe na terra. Tito Olívio - Faro “Uso prata e uso oiro E uso o meu coração P’ra alguns valho um tesoiro P’ra outros nem um tostão” Silvais – Alentejo ROSAS E CRAVOS * Rosa: Sou a mais linda flor Que no jardim foi criada, Sou a Rosa, sou amor Tu, Cravo não vales nada! * Cravo: Não sejas tão atrevida Com esses piropos bravos, Porque tu, sem mim na vida, Não nascem Rosas e Cravos! * Ambos: O Cravo gostou da Rosa Algum tempo se passou Ela, bonita e vaidosa, Do Cravo se apaixonou! * Ambos: Loucamente apaixonados Neste país, Portugal, Um dia foram casados, O mais bonito casal! * João da Palma - Portimão Lauro Portugal - Lisboa O CASAL Ele é gordo, ela muito lingrinhas, porém em tudo o resto são iguais, qualquer deles faz poses doutorais, nenhum deles cumprimenta as vizinhas… Ambos dizem suar as estopinhas nos empregos, difíceis por demais, e desdenham o dever dos casais de gerar e educar criancinhas… Às vezes ela levanta arraiais mas regressa de rabo entre as perninhas à míngua de alternativas reais… Ele abre-lhe a porta sem fosquinhas e torna aos relatórios sempre iguais de sénior consultor pilha-galinhas… Adelina Velho da Palma - Lisboa CIGANITA… EU CÁ NASCI . Olhei a pequenita cigana que se estava aproximar, Com a sujita mão estendida, e tristeza no olhar, Fazendo os gestos de quem estava com fominha… Na esquina, ficou a cigana com duas já cresciditas, Que se eram dela não sei, só vi que eram bonititas, Mas precisando dum bom banho e roupa limpinha. . Apontou p’rá boquita no gesto de querer comer, E eu logo fiquei sem jeito e sem saber o que fazer, Olhando a criança que estava p’ra mim a olhar… E pergunto: porque tudo isto está sucedendo…? Porque as crianças estão nesta pobreza nascendo...? E os pais, porque nada fazem para a vida mudar...? … porque, estas crianças que p’ra nascer não pediram, Caem logo no que a miséria tem de triste e profundo… Pois, se no ventre materno a miséria já sentiram Ainda mais a sentem, ao nascerem neste pobre mundo. … e sentindo esta tristeza no coração a entrar, Do saco das compras que tinha na mão, Dei-lhe os bolos de que tanto gostava… mais o pão, Restando-me as perguntas p’ra continuar a perguntar. . (J. Carlos) - Olhão da Restauração

[close]

p. 3

A NOITE ACONTECEU Vesti-me de fato e gravata perfumei as ombreiras dei brilho aos sapatos comprei na esquina mais próxima um arranjo de flores corri que nem um louco não respeitei os sinais perdi-me na avenida fez-se tarde e chovia a noite aconteceu e não vi Maria Carlos Bondoso (CFBB) Alcochete PARA UMA ROMEIRA Que tão bem sabe viver E muito conhecer De festas, é a primeira… Com tão belo despertar, É bela esta caminheira, Esbelta no seu andar… D’esta Terra da Feira, Romarias vai conhecer, É esse o seu amar… A Nossa Senhora da Livração, Entrega seu coração; A Nossa Senhora d’Agonia, Lá vai por um dia; Ao Senhor dos Desamparados, Votos, Lhe são dados: «P’ra se afastar a dor, Com muita Paz e Amor»!... Carlos Alberto S Varela CASV - Paços de Brandão Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «Ecos Poéticos» 3 ALEIXO Na minha mesa de cabeceira tenho um livro sempre á beira, que às vezes, sem canseira, leio e releio a noite inteira. Na minha mesa de cabeceira enquanto os olhos não fecho, leio os poemas do Aleixo, que contêm a Filosofia inteira. José Jacinto – Casal do Marco É O FIM DO MUNDO! Só o cego é que não vê Que existe tal barafunda. Nalguns canais da TV Abunda quem dá a bunda. Reputo, com estranheza, Em nome dos ofendidos: Os erros da Natureza Não são pra ser exibidos! Têm direito a viver, Pois culpados não serão. Mas deveria de haver Uma maior discrição. Quem emprega tal mistela -Esta opinião é minhaCome da mesma gamela, É da mesma panelinha! Não se anda em boa via, Nem é de boa cultura, Fazer-se a apologia Do que é contranatura. Hermilo Rogério - Paivas Vamos ser mais tolerantes. A persentir a alma do errante para ser mais tolerante… A nossa vista os nossos ouvidos, se forem banhados de humildade aí sentimos o pular do nosso coração a gerar mais felicidade… A paciência é um dom que se adquire embutida na esfera fraternal “Não no deixa andar”, mas sim a tolerar, por uma réstia de frequência numa fluidez de melhor vivência, aliviando tal dor onde habita a paz e o amor Pinhal Dias (Lahnip) PT Eu vi na doce calma do poente Eu vi na doce calma do poente Esse clarão do sol que se escondia Teus olhos indagando o que sentia Pousavam já nos meus suavemente Será que essa beleza era diferente Um pôr-do-sol... ou esse olhar que vi? Nesse esplendor dos dois, o que senti? Se é que ali se sabe o que se sente... Olhei: bola de fogo em horizonte... Os teus olhos brilhando ali defronte Tudo era deslumbrante... extasiava! Rendia-me ao esplendor da Natureza Via no teu olhar tanta beleza Não sei em qual dos dois eu me encontrava... Joaquim Sustelo - Odivelas OUVIR E ESCUTAR Ouvir e escutar indubitavelmente não são sinónimos. Ouvir tem o significado de entender, perceber - no sentido da audição - captando sons sem lhes atribuir grande importância: ouvir bater a porta, o carro chegar, o cão ladrar… Normalmente o que se ouve não tem grande relevância. A atenção é efémera e votada ao esquecimento. Mais do que ouvir há que saber escutar. Escutar é prestar atenção ao que se ouve. Escutar requer muito mais que função auditiva. Exige participação, envolvimento, habilidade… Escutar é desenvolver a capacidade de saber interpretar a linguagem corporal, códigos, mensagens evasivas… Quem escuta envolve-se, emotivamente, com o interlocutor. Medita no que está a ser ouvido. Guarda, na memória, toda a mensagem captada. Filomena Gomes Camacho - Londres

[close]

p. 4

4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «BOCAGE» PAZ E AMOR Um Sábado Sem Sol A NOITE E OS SONHOS Em cada linha curva do meu pensamento, uma promessa de vida a despontar, e na natureza morta que me adorna o peito, um sombreado. Uma cadência de instantes, e de futuros por colher, e o amor a renascer. Ouvi as vozes dos anjos de pedra. Sábado, um pouco vago, comedido Inerte a possibilidade de sonho Este dia parece-me tristonho Quero-o no entanto bem vivido. Ergo ao Além um sábio pedido Fora do cerco da tristeza me ponho E a coragem que a mim mesmo imponho Imprime-me um consolo desmedido. Todas as noites me deito Contigo no pensamento E mais voltas dou no leito Que as voltas que dá o vento. O outro lado da cama Há muito que está vazio Ninguém me fala nem chama Porque secou o pavio. Quando me falaram de ti, de como chegarias para me resgatar à frieza mortuária das noites, às horas vazias dos dias, e fiz-me epígrafe e esperei. Em cada cruz, uma crença. E em cada letra capital uma tempestade de anseios cinzelados a fogo, e paixão, até que do alto de um céu plúmbeo de tristeza te anunciaste, presente. Em cada lágrima cristalina, em cada suspiro do vento, em cada folha ressequida, devolvida aos dedos ressequidos dos Alamos, numa primavera, rubra a germinar. São as sementes plantadas no inverno, que desprenham, as mais belas rosas, e fazem dos corpos eterna profecia. Mas é na fé, que já nos pertencia, antes de nossos olhos se abrirem em flor que jaz todo o mistério sideral da vida imortal, de PAZ E AMOR! Arménio Correia - Seixal De um tédio, outros dias foragida Estarei em beleza divagando Feliz, contente, exuberante a Vida. Das emoções terei algum comando E certa paz durável inserida. A Aurea Mediocritas amando. Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau Amora Suave flagrância Suave flagrância Uma melodia, Águas cantantes Salpicos de alegria... Um silêncio quase sepulcral Era o que existia. No denso arvoredo Minha alma se perdia, A sombra do medo Atrás de mim seguia. Suave flagrância Uma melodia. Corria, corria, corria. Damásia Pestana - Fernão Ferro O ESTRANHO BICHO-HOMEM Os outros fumam e eu também quero fumar; Os outros têm e também eu quero ter; Os outros jogam e também eu quero jogar; Os outros podem e também eu quero poder. Os outros são bons e praticam o bem, Dando comer e roupa aos sem-abrigo. Eu não me meto nunca na vida de ninguém E esse assunto já não é comigo! Ser amigo de verdade é um bem adquirido é um ser que nos é querido e nos faz muito feliz mas o velho ditado diz não há amigos de verdade e se nele houver falsidade corta o mal pela raiz. A dormir dizem que falo Coisas que ninguém entende É a raiva que não calo Pra bater em quem me ofende. Os meus sonhos são mais loucos Do que permite a loucura Os fantasmas não são poucos E a maleita não tem cura. Montei o sol a cavalo Puxei as rédeas a fundo O astro não teve abalo Cuspiu-me de volta ao Mundo. Tito Olívio - Faro Coração Vazio Se as garras do amor Deixam o coração ferido, Não sente alegria ou dor A vida perde o sentido. Se o coração vive a chorar, A vida perde o encanto, Não há murmúrios no mar, Nem há sussurros no vento. Se o coração perde o sonhar, As estrelas do firmamento, Não elevam o pensamento, E o céu deixa de ter ar. Se o coração está vazio Os sentidos entorpecem, Os sonhos desaparecem, E o mundo fica arredio! Hermilo Grave - Paivas Vitalino Pinhal - Sesimbra São Tomé - Corroios

[close]

p. 5

Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 5 «Rota Poética» DE TI NÃO QUERO EU NADA Portal da Europa Amora como te chamam Quando quis, tu não quiseste por ti andei a sofrer por veres que me perdeste tens inveja do meu viver Tantas coisas me chamavas fedelho, miúdo eu sei o que pedia não davas hoje queres, nada darei Enfim o tempo passou cansaste-te de caminhar por veres que crescido sou querias tu atrás voltar Foi longo esse passeio foi curta a caminhada podes crer que não te odeio mas de ti não quero nada Refrão Deixa-te estar sossegada pois contigo não me iludo agora davas-me tudo, mas de ti não quero nada Portugal, Porta de entrada, início ou fim, De uma Europa entorpecida. Portal de entrada e saída, De quem não fica indiferente, A um povo cordial e diligente. …. Portugal, Não te deixes naufragar, Nas redes dos prepotentes, Porque o teu povo singular, De grandes feitos no mar, Acolheu dentro dos teus portões, Imigrantes de várias civilizações, Que vieram de todos os quadrantes. …. Portugal, País de pequenas dimensões Porém de grandeza pujante, Na coragem dos teus heróis, Marinheiros das frágeis caravelas, Sem temerem mitos ou procelas, Fizerem de ti um admirável gigante! De seguir-te me cansei cansei-me do teu desprezo agora estou bem preso ao amor que encontrei. Chico Bento Dällikon - Zurique - Suíça É Natal O dia amanheceu claro e frio, É Dezembro, é Inverno, é Natal, É este dia aos outros não igual Porque é o dia Maior que já se viu. É dia de lembrar quem nos partiu E também do abraço universal, Da criação do bem e não do mal. De perdoar até quem nos traiu. É dia da família e do menino Que sendo embora assim tão pequenino Dizem que só nasceu p’ra nos salvar. Não salvo, mas saúdo os meus irmãos A quem fraternamente estendo as mãos E abraço, neste meu modo de abraçar. Nogueira Pardal - Verdizela São Tomé – Corroios A VIDA CAMINHA Sou alma que habita meu corpo Sei que o tempo é cruel, Que a vida caminha E que deverei ser indigno da graça. Irei confrontar a promessa de eternidade E soltar asas amarradas. A estrada e o longe vão ficando mais perto. A vida caminha na agonia do fim do dia Sequência repetível da despedida De cada hora do relógio. Quanto mais longe no dia vou, Mais perto da noite estou. Tive berço, cobertor, lareira, E sonhos proibidos Sem queixume e sem voz. No rugir do trovão o tatuar de desejos. Em tempestade de fogo, de solitária orgia, A vida, que dura o espaço de um suspiro, Caminha pela rotina do ser noite e dia. João Coelho dos Santos - Lisboa I Amora como te chamam É um nome muito antigo Aonde a família do Gama Teve orgulho de ter vivido II Amora tem um sapal Que enche com a maré É uma reserva natural Que se pode andar a pé III Tens quintas de antiguidades Pertenceram à monarquia Amora a tua cidade Tem uma grande freguesia IV Tens casas senhoriais Foram de gente de bem Muitas quintas e quintais Hoje parecem terras de ninguém V Amora tem condições Mereces a mais-valia És cidade com brasões Dos tempos de fidalguia VI Em Amora nesta cidade A Atalaia é importante Ali se canta em liberdade Avante camarada avante Miraldino de Carvalho Mensageiro da Paz As palavras que eu escrevo Sob o céu azul, nas horas certas Vou dando a vós aos poetas, Neste mundo de ódio e de calma É claro que até me atrevo? Escrever o que sinto na alma… Porque o estado de espirito me diz, Escreve pela união e paz Luís, Neste mundo real…de ódio e de calma, Sou o mensageiro que falta faz Chegar por perto ou distante, A paz que o mundo precisa tanto.. Luís Neves - Amora

[close]

p. 6

6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «Cantinho dos Poetas» Memórias do marujinho. “Honrai a Pátria que ela vos contempla” Foi a sortes, por esmola marujinho alistado cumprimento de escola jaz…com honras de estado Marujinho partiu em missão numa réstia de saudades, lá longe, mais sol e mais calor. S.P.M. era um elo de alegria, num vaivém de telegramas, que satisfazia, que secavam as lágrimas com palavras recebidas de amor… Do marujinho ao marujão encenado por um Almirante e todos saberão… Almirante que vive sonhando escuta o marujinho cantando, mas sai fora do enredo e o que lhe apraz dizer: - “Quem tem cu tem medo” E o marujinho foi abraçado em segredo… O Almirante na hora ficou afinadinho, com as memórias do marujinho… Pinhal Dias (Lahnip) Amora/PT Só quem ama sabe do amor! Porque me dizes que não sabes se me amas o suficiente, p’ra ousar o mesmo caminho, que este que te quero ofertar, se te enleias Nos meus braços, após a trovoada? E aconchego teu corpo no meu corpo sussurrando-te baixinho – chiu! Dorme, Meu amor, sossega os teus medos! E tu estremeces, e procuras meu peito, onde repousar tua mão… E vendo-te dormir em paz felicidade é o meu nome, gravado na galeria. Só quem ama sabe do amor, entre um casal que se manifesta raríssima intuição do estar presente e saber que assim acontece, sem presunção. Jorge Humberto - Santa-Iria-da-Azóia Amor Paz e Vida Tranquilamente …escrevo Amor a Paz e a Vida Ideia para sempre bela. Muitos lutaram em vida. Para morrerem por ela. Entusiasmo e extrema alegria Elementos de boa escrita Sendo esta uma pura fantasia Passará muito bem, por erudita. Podes tu sempre lutar. Por cada ideal maior. Ajuda o mundo a mudar. Mas a mudar para melhor. Que cantem com muito brilho e bonomia Baladas e uma canção inaudita Pois com elas chegaremos um dia A atingir a poesia infinita. Faz sempre, no dia a dia. Gestos com sinceridade. E sentirás a alegria. De viver com mais verdade. Então temos de lutar. E convencer o universo Para as consciências mudar. Com a força de cada verso Que o sol no seu esplendor Possa aquecer com verdade. Quem luta por mais amor. E uma melhor sociedade. Força, poetas desta nossa era Escrevam pois com mais ou menos rima Seja ela indelével primavera. Tal qual como as aves em liberdade Criem gostosamente uma obra-prima Com muita beleza e sinceridade. Amadeu Afonso – Cruz de Pau De Palavra Em Palavra Deslumbro-me com as palavras E se tu também não queres Viver na Guerra no horror Junta-te a mim se quiseres Que encontro no caminho As quais guardo em segredo Só depois é que as escrevo. Viver em paz e Amor Vão saindo uma a uma Artur Manuel Gomes - Amora Sem escolher hora e local Como se fossem ensaiadas Para mais um recital Onde o principal actor Tem papel fundamental. Para Ti São simplesmente palavras Eu fui para ti A brisa levemente perfumada Que te preencheu a vida por momentos e passou. Uma papoila à beira do caminho Que o seu belo sorriso te ofereceu e murchou. A música do encanto arrebatado e terno Que deu asas aos sonhos que sonhaste E se calou. Mas tu para mim Foste um rochedo duro esmagador Que caiu Não sei donde nem porquê Mas que ficou. Sim bem o sei que o são Foram encontradas na alma Saíram do coração. Numa ânsia que desperta Toda a minha atenção No momento e hora certa Que por fim se completam Com carinho e paixão De serem escritas por mim . São feitiço dos meus olhos As flores do meu jardim Que a minha alma saciam E me dão mais vida e cor. Quim D’Abreu – Almada Que me dão felicidade Porque lhes dei liberdade E lhes abri o caminho Para que fossem voar Tal e qual um passarinho Sem destino de parar ! Fátima Monteiro Vila Pouca de Aguiar

[close]

p. 7

Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «Luz Poética» 7 Assim seja Que se abram Todas as portas Que se escancarem Todas as janelas . Que se estiquem todas as asas Que se partam todas as grilhetas. Que sejam navegáveis todos os rios Todos os mares . Que se envergonhem Encolham e mirrem. Que se emperrem todos os engulhos Todos os escolhos . Que atrofiam Que tolhem Os nossos caminhos Os nossos passos. E atrapalham as nossas vidas . Para que possamos finalmente Em terra caminhar, caminhar Nos ares voar , voar Livremente e sempre ! Carmindo Carvalho - Suíça CANSAÇO Este cansaço constante Deste Viver do Nada ... Causam um vazio insano Um desapego Um vaguear num mar De revoltas águas paradas !... Sinto-me vaguear no tempo Vivendo sem estar presente Andando ao sabor do vento Já nem pensando no momento !... Desisti .. de Sonhar !... Como tudo era tao lindo Os sonhos sempre sorrindo... Hoje olho no tempo Que loucura acreditar ... Viver a sonhar ... Sonhos sem realidade !.. Que aos poucos se vão Vida sem futuro Onde tudo é fugaz ... Finalmente descobri Que a Vida é Ilusão Onde aos poucos todos se Vão !... E eu neste cansaço constante Vou aos poucos partindo Sem forças ... desistindo Da pouca força que sinto!... Ficar farta desta Vida !... MAGUI - Sesimbra ESTE MEU CORAÇÃO Quando meu coração parar… Não deixarei de amar! No meu coração… há sempre um lugar Quando quero fechar o meu coração Não posso! Quando quero deixar De sentir a desgraça… Não! Não posso fechar o coração! Quando quero viver em paz, Quando penso no que tu me dás Não posso fechar o coração! Quando penso na pobreza Quando quero ajudar o ser humano Não! Não posso parar o coração! Mas posso abrir a mão! Quando penso que há lares sem pão E passarinhos na gaiola… Sem liberdade… Não! Não posso abafar o grito! Meu bendito coração! Na minha alma há um conflito… Quando penso na falsa caridade E nas crianças indefesas… E nas que pedem esmola, porta em porta… Não! Minha alma não se conforta ! E meu coração se abre… Não ! Não posso fechar o coração! Meu coração tem cadeado! É sempre um coração apaixonado! Maria José Fraqueza VESTIDA DE FLORES Que alegria em todas estas Flores! Viva! Venha bailar com plenitude Nesta colorida festa de odores Que trazem o perfume de juventude. As Flores sempre vêm anunciar Da Natureza, a ressurreição. Sorrindo com o astro Sol a raiar, Elas cantam do Amor bela canção. Cantam horas e embelezam os dias... Depois escondem sua frágil beleza, Para que outras desabrochem em poesias... E assim, obedecem a lei da Natureza. Pra que nunca seja quebrada Esta dança de cores vestida, A Natureza fez uma bela grinalda Com as flores que enfeitam a Vida! Efigênia Coutinho Mallemont Balneário Camboriú/BR Desculpe Ah! Desculpe este ar de amar Este dom de doar. Desculpe quando te ligo. E te falo de prazer Quando te encho de afago Desculpe este ar inocente Este jeito demente. Esta volúpia em amar. Desculpe quando te chamo Te beijo Te abraço Te aperto. (É, que meu amor é tanto que não posso viver sem dizer: Te amo.) Desculpe se te sufoco, Se te toco. Se te deixo em foco. Desculpe se te amo tanto assim. Anna Paes - Brasília De Noite Ao Luar Será mito, ou vocação? Dar vida a muitas flores, Dar sorte aos amores: Oh Lua! És inspiração. Poeta em qualquer idade Maduro ou na mocidade Lhe falas ao coração. Hoje digo com verdade; O quanto sinto a saudade Dos tempos que já lá vão. Na lua nova vejo a meninice. Quarto crescente a juventude. Na lua cheia a atitude; Seja homem ou mulher A conseguir o que quer. Marcando a existência. E logo vem a decadência Com o quarto minguante, Eis que chegou a velhice; Passou a vida: num instante. Maria de Jesus Procópio Paivas/Amora Esperança Natalícia No princípio era o verbo. O verbo estava junto do pai. E o verbo fez-se carne. Nascido do ventre de Maria Arca Salvífica, Ele é a paz, A justiça, A verdade, O bem, O amor. Alegria beatífica Surpresa magnífica Espírito que se liberta Igreja que nasce Corpo místico Esperança Natalícia. Filipe Papança - Lisboa

[close]

p. 8

8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «Faísca de Versos» “NÃO ME CALO, NEM ABALO” Poeta, eu também não, eu não me calo! Eu junto a minha voz, também à tua Aqui, em qualquer lado e na rua, Prometo nesta luta, acompanhá-lo! Escrevo, às vezes canto e também falo, A arma da caneta é uma pua… Que fura c’o a verdade nua e crua… Eu sempre gritarei, e não abalo! Ainda sobre CHARGES E GAMBUZINOS... deixo-vos o meu pensamento ilustrado nestes versos: Eu escrevo aquilo que eu sou!... E não aquilo que querem que eu seja. Alguns sonham ir aonde eu vou, Outros não vão!... nem sequer por inveja! Silvino Potêncio – Natal / Brasil Poeta, no silêncio dá um grito Aclara sempre o dito por não dito Defende a causa certa e a razão! Faz uma rima forte à confiança, Rima honestidade com esperança, E mata com poesias, a corrupção! João da Palma - Portimão Sem rei nem roque Cada verso é o que é Esta verso foi aonde? Foi pró mar e veio de lá De mãozinhas a abanar. Foi pró mar? Mas que gracinha! O que é que foi lá fazer? Foi ao mar pescar sardinhas Para fazer uma açordinha. Por favor! Que salgalhada. Que pouca vergonha é esta! Estes versos mais parecem As inaptidões do Crato. O estado da nação Ouço dizer ao governo que isto está a melhorar vemos nós no dia a dia só empresas a fechar Julgo ser culpa do euro a causa deste inferno estamos no bom caminho ouço dizer ao governo Ó bom povo português olhai que vos estão a tramar quem mama é que vai dizendo que isto está a melhorar Para distrair o povo lança o governo a fantasia os politicos mais ricoos vemos nós no dia a dia Portugal teve mais crises que conseguiu ultrapassar mas vê-se com este governo só empresas a fechar. Escolas sem professores Onde é que já se viu tal? A não ser, a não ser.. ah, Só se for em Portugal. Chico Bento - Suíça Airesplácido – Amadora Embrulhos de protagonismo. A ROSA E A LARANJA Num país encantado, foi a rosa Eleita pelo povo p’ra mandar… Houve festa, foguetes pelo ar E chorou a laranja, invejosa! A rosa, mais não fez do que roubar O ouro e toda a pedra preciosa!... A nação veio em peso, furiosa Elegendo a laranja em seu lugar. Mas o povo infeliz depressa viu Que, mau grado seu esforço e a labuta, O novo governante não serviu… Iniciou, então, mais uma luta, Mas nem com essa luta conseguiu Correr de vez com os filhos da fruta! Há gente que governa este mundo Pelas sombras, dizem-se democráticos São corruptos por um saco sem fundo Se entram na prisão!? Ficam dramáticos Esses embrulhos de protagonismo Que adulteraram a economia Esses governantes do cataclismo Banca rota!? A todos prometia! Nas eleições… Todos eles prometem Amantes de si mesmo que arrefecem Fazem desmaiar o mundo platónico Balança num peso e duas medidas Vil sociedade de classes perdidas Onde são graduados p’lo Gin Tónico Carlos Fragata - Sesimbra Pinhal Dias (Lahnip) – Amora - PT GOLD+GOLD=a m... Dois ou três meses atrás comentei com uma pessoa, (e nem fui sequer mordaz), ser os GOLD bem capaz não cheirar a coisa boa... Não sou bruxo nem profeta mas confesso nem estranhei ver gente ao governo afecta nesta embrulhada da treta agora a contas com a lei Sempre achei inusitada dos vistos a concessão... e “matei” logo a charada não vendo investir em nada a não ser casa ou mansão Nenhuma empresa montada nenhum emprego criado... int’ressa é “massa” lavada meio milhão e mais nada que o visto é logo passado Puxou-se o fio à meada mas falta agora saber se esta tão grande embrulhada chega a ser desembrulhada como eu penso deva ser Não me quero convencer!... Mas será desta que vemos a justiça não ceder aos int’resses e ao poder de quem todos nós sabemos?! Esperemos para ver se isto é só mera fumaça que acaba por esvaecer sem se chegar a saber quem engendrou a trapaça Se o que consta for verdade, (eu cá por mim não duvido)... se actue em conformidade e que a lei, por piedade não seja dura de ouvido E puna, severamente, mesmo que ostentem “galões” todo o interveniente nesta patranha indecente enquadrando os figurões Gold, gold, dá milhões!... Vão à merda seus… Abgalvão - Fernão Ferro

[close]

p. 9

Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 9 «Tribuna do Vate» Corações distantes Ouço o teu chamar Mas não consigo caminhar Pela esteira de prata Que a lua deixa no mar. Mas estou sempre atento Ao segredar do vento E ouço o teu murmurar Que num doce lamento Me conta do teu penar Vou buscar o meu bote Envergar o meu capote E remar, remar, remar Até te conseguir achar Espera por mim numa penha E acena-me com o teu lenço Não há mar que me detenha Porque é a ti que pertenço Se houver um contratempo E na tempestade naufragar Tens de pedir um desejo E um beijo ao vento ofertar Porque só a força de um beijo Molhado em lágrimas de sal Consegue vencer o temporal ................................... Rogério Pires - Seixal Os meus olhos vagueiam pela beira do tempo Onde tu fitas o horizonte tentando ver. Mas, meu amor, já devias saber Que só eu vejo o sol. Só eu vejo o mar Que guardas no teu olhar Abres os lábios e eu Sou o sopro que os vai beijar Deixando-te o peito a palpitar. Rogério Pires – Seixal Vou declamar o mais belo poema de amor Vou depois gravá-lo nas pétalas de uma flor Para quando o vento as soprar Todo o mundo poder escutar ...................... Rogério Pires A Rosa Tinha uma rosa na mão Veio uma menina E pediu-ma Eu de rosa na mão Não dei E chorei Dou Ou não dou E dei. Albino Moura - Almada Lugar íntimo No respirar Em silêncio De lábios cerrados No liberto desejo E no lugar qu ficou A intimidade perdida. Albino Moura - Almada O secreto desejo Em que vivo No deserto de mim Deixa chamar Com um grito A secreta ternura Dos abraços amados Albino Moura - Almada Fez-se branco Fez-se branco O olhar Puro Do teu Corpo. Albino Moura - Almada

[close]

p. 10

10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «Contos e Poemas» AFRICANDO-ME Escrevo… A arqueologia aponta África como um continente, ocupando um quinto da Terra. No Continente Africano podemos notar a pluralidade de idiomas, sendo mais de mil as línguas faladas. Na religião também é relevante a diversidade, assim como nos regimes políticos, atividades económicas e formas de construções habitacionais. Grande parte da História de África foi contada pelos seus colonizadores. O narrador, de uma outra cultura, torna-se etnocêntrico e eurocêntrico – conceitos antropológicos. O conceito etnocêntrico inculca, de forma subtil ou exacerbada, ideias de inferioridade racial e cultural. O etnocentrismo dificulta a compreensão para o que é normal, sendo apenas diferente. O eurocentrismo, por sua vez, é um sistema ideológico que realça a cultura europeia como a mais constitutiva do mundo. O continente Africano, foi dividido, pelos seus colonizadores, sem que estes tivessem levado em conta os interesses ou característica culturais dos seus habitantes. Povos da mesma etnia ficaram separados, por fronteiras, coabitando com os seus inimigos tradicionais. Este é um dos problemas que persisti até os nossos dias. Apesar de tudo o que se escreveu, África teve sempre a sua história, cultura, ciência, religião… simbolizada por uma bem alicerçada hierarquia composta por reis, chefes…distinguindo-se, muitos deles, como reinos de grande soberania e impérios do mais elevado poder! Algo bastante relevante que gostaria de ressaltar, na Família Africana, sendo comum em toda a Africa, apesar da divisão geográfica: a homogeneidade da Família! A Família Africana não é apenas nuclear (pais e filhos) como no mundo ocidental. Esta é muito mais alargada! É formada por um sem número de elementos que engloba os primos e todos os seus parentes, os avós, sobrinhos, cunhados e seus parentes… Filomena Gomes Camacho - Londres Introito Desbravamos a terra procurando O que nos satisfaça nesta vida. Uma causa maior, uma saída, Passamos nosso tempo imaginando. Procuramos a terra prometida Vivemos nossa vida nos amando, Em afagos de amor, mas até quando Durará esta lida comedida. Passando pela vida, nos perdemos, Nossos sonhos alados se confundem Com a semente agreste que trazemos Nossas mentes pensantes de profetas, Malhando-nos o corpo não iludem. Gerando os heróis, homens poetas! Arménio Correia - Seixal ESTRADA DA VIDA * Pela Estrada da Vida, caminhando, Sei lá, eu já as pedras que pisei! Pelas mesmas, às vezes tropecei, Caindo e a seguir, me levantando! * Queria ser veloz, me acautelando Por veredas sinuosas, eu passei! Estreitas azinhagas, escusei… Seguindo por atalhos, tropeçando! * E na Estrada da Vida, esta passada… Mirando os contornos da Estrada, Cá vou serenamente, por aqui! * Mudando de percurso, num senão… Sou eu, que aqui estou, em Portimão, Onde bons pavimentos, percorri! * João da Palma - Portimão Aquela rosa amarela Hoje entrou-me na alma a poesia Aproximei-me calma da roseira Que para uma sólida alegria A rosa amarela brotou fagueira. Eu olhei para ela com ironia Iria cortar essa flor primeira E será que ela triste se sentiria? Queria dá-la ao poeta de magia. Não permaneças triste é para o Aires. Um poeta sensível e plácido Que tem paixão de rosas amarelas. Quero que no jardim alegre paires Não ponhas esse ar triste e talvez ácido Dá-me muitas rosas, que eu quero vê-las. Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau

[close]

p. 11

Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «BOCAGE» 11 No Seixal se construiu I No seixal se construiu Uma caravela de fama Com ela se conseguiu E a Índia se descobriu O herói Vasco da Gama II Seixal terra de riqueza De gente que ali viveu Na quinta da marquesa Aonde vivia a nobreza E o dom que era o seu III Foi terra de fidalguia Ficou a recordação Ao lado da sua baía Pouca gente ali vivia Nos tempos que lá vão IV De frente à Arrentela Do Seixal é freguesia Viam-se barcos à vela Uma imagem tão bela Noutro tempo se vivia V Foi terra de pescadores Da pesca do bacalhau Também de navegadores Hoje guarda os seus valores Os modelos das suas naus VI Por isso a sua história Não deve ser esquecida Os seus tempos de glória Escrita ficou na memória De uma época já vivida VII Seixal é uma cidade De grande população Com a sua antiguidade Tem vida de qualidade Outros tempos já lá vão Miraldino de Carvalho Corroios Quem VIVE em POESIA -não tem disponibilidade (para o resto…) mas… se TUDO É POESIA : -Qual é o resto ? Santos Zoio. Paço de Arcos AMORA Desculpe Pertenço Á Natureza Amora, Ah! Sou filha da Natureza Que cora Desculpe este ar de amar Banhada pelo rei Sol Quando o Rio a beija, Este dom de doar. Beijada pelas luas de Verão Também sabe ser dura E chuvas de Inverno Com quem não deseja. Desculpe quando te ligo. As estrelas foram minhas companheiras Amora E te falo de prazer Ao meu primeiro vagido Namora o Rio, Quando te encho de afago Eu vim a este mundo Que se deita no seu colo Desculpe este ar inocente Tentar dar o que Deus me deu E lhe rega o solo, Este jeito demente. Bondade, carinho, sabedoria Mesmo vazio. Esta volúpia em amar. Sou as suas raízes Amora, Na tristeza ou na alegria Fruto silvestre, Desculpe quando te chamo É este o meu sentido… Nunca precisou de mestre Te beijo Filha da Natureza Para aprender a ser doce Te abraço Do mar, das serras, do universo Ou ter amargura, Te aperto. Dos mistérios, da morte, e da vida Nem antes nem agora, Que vivem dentro de mim Sua essência é Pura. (É, que meu amor é tanto Que quero aprofundar Amora que não posso viver sem dizer: Para os outros entregar Está segura Te amo.) Esse sentir que dá paz à alma Do seu valor, E quando sentir em pleno, esse bem-estar Da sua imagem. Desculpe se te sufoco, O Sol vai reflectir mais esplendor Amora, Se te toco. Junto à luz de Deus “ Senhora” Se te deixo em foco. Que vem derramar ao nosso mundo Não quer Senhor Desculpe se te amo tanto assim. Mais compreensão, mais ternura e muito amor Quer homenagem. Amora Anna Paes - Brasília É dona da sua Margem. Ivone Mendes - Setúbal Amora Não presta vassalagem. Amora, ÉDIPO Não é só “predial”, Amora é essencial. Vale tanto como o Seixal. Sempre ouvi dizer que isto de ser filho único não é lá grande coisa, ainda por cima se se fica órfão na mais tenra idade. Sei-o por experiência. Aconteceu-me aos três anos e o mistério do assassínio ainda hoje permanece Amora, Capital, Amora, Municipal. Amora É Fundamental. insolúvel. Clássico. Atiçador de fogão, crânio esfacelado, nem vestígios nem provas. Sonho muitas vezes com isso, cada vez é a maior clare- za. Esta noite tenho a certeza. Fui testemunha. Ele, sentado a ler à lareira. José Manuel da Cruz Vaz Por detrás, o meu Édipo gigante ergue a arma sem contemplações. Já está. Ó MAR A minha mãe chora de cara lavada, mas a partir daquele momento. Ficou só para mim. Sem fim! És infinito mistério de alegria! Joaquim Evónio – (Saudoso Confrade) És fonte inesgotável! Contraste/antagónico Ás vezes trazes, Outras levas, Mas quantas vezes lá ficam?! Vais?! … Vens?! ::: És o bem? És o mal? Demasiado intrigante Para um simples mortal… No passado o Natal. era vivido com humildade aqui no Zambujal e em todas terras em geral não se exibia a vaidade. Havia a noite do galo muitos iam para a igreja era para o povo um regalo eu calar não me calo já há muitos que o não deseja Catarina Malanho Semedo Amora Vitalino Pinhal - Sesimbra

[close]

p. 12

12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «BOCAGE» ECOS DA PRIMAVERA Há no teu olhar Uma Primavera em flor, Uma oferta d'amor, Um intenso desejo d'amar. Há no teu olhar Andorinhas a caminho De morarem no fofo ninho Onde tu sonhas morar. Há no teu olhar Um brilho de diamantes, Um futuro feito d'instantes Que abrigam o sonho bom de o dar. Há no teu olhar Uma fonte jorrando prazer, Onde só bebe quem souber Entrar em ti por ele e, ficar. Quim d’Abreu – Almada MEU CÂNTICO DE AMOR Fosse eu um rouxinol te cantaria, embevecida, em meus trinados belos, a mais alegre e excelsa melodia que houvera, a festejar os nossos elos. Porém, me falta a voz, p’la idolatria à resposta encontrada aos meus apelos, que mágica ou divina se diria, p’los dons que nem ousava concebê-los. E é tanta a festa a estrelejar no peito que abafa qualquer hino de emoção, sufocados a voz e o coração. E o meu canto de amor assim calado, explode no teu corpo ao ser beijado p’las notas que componho em nosso leito! Carmo Vasconcelos Lisboa/Portugal Elevação Quando o Senhor contemplamos, Nossa alma e ser elevamos. Como é a Ele que amamos, Olhos para Ele tenhamos! CMO – Qtª do Conde HOJE... HOJE... Dou graças a Deus Por toda uma vida já passada, que me é querida! Pela esta vida que vivo no momento. Cheguei até aqui pra meu próprio contentamento Grato ao Céu por tanta graça tida. HOJE... Sou o que sou. Sou quem sou! Valho pouco, mas, consciente, não desisto, Não perco a esperança! Luto cada dia para ser melhor. HOJE... agradeço quanto recebi. Sonho, ainda, um mundo bem melhor! Sem ambição desmedida... usufruir justamente da paz de espírito Do saber útil! Da inspiração maior. HOJE... quero viver com o próximo em harmonia! Dormir tranquilo consciente do bem que fiz. Ser solidário, ajudando quem precisa! Dedicação sem limites que não cansa. Dar alegria aos tristes sem esperança! Ser feliz com eles, dizendo-lhes convicto: -Estou aqui ao vosso lado dia-a-dia. JGRBranquinho Quinta da Piedade Liberdade é só solidão Se buscas a passagem Que dá para a liberdade O teu destino Tens que a encontrar dentro de ti Ou na lanterna do Aladino Se te sentes perdido No ocaso deste mundo Por tudo e nada Ninguém se perde Tudo é caminho O mundo é apenas estrada E se queres ser luz e farol Pela tua voz pela tua mão Tens que saber também Se queres ser livre Liberdade é só Solidão Como começa a estrada Deves viver a vida Como quem dança Faça o amor O que fizer Não faças Deus dum malmequer Se queres beber com a gente O cálice da vida Faz-te vizinho Tens que ter céu Tens que ter Deus Dentro do copo do teu vinho Mas se queres ser luz e farol Pela tua mão pela tua voz Se queres ser livre Tens que saber irmão Liberdade é só Solidão Se ouvires dizer que o vento Leva para longe o verso que penso e digo Deixa levar, deixa dizer O vento é o nosso melhor amigo Mais que a filosofia Mais do que liberdade Com muito mais valor Há uma valia Uma verdade O amor ainda é o melhor Paco Bandeira - Elvas

[close]

p. 13

O Papel das mulheres na igreja Depois de criar o homem, Deus o olha com carinho! Todo o animal tinha par, Só Adão, estava sozinho. Deus queria vê-lo feliz E agiu sem mais demora; Derramou sobre ele um sono E formou-lhe uma adjutora, Não da cabeça do homem, Para não o governar, Não foi feita dos seus pés Para ele não a pisar. Foi feita então do seu lado P'ra poder ser amparada, E perto do coração, Para por ele ser amada. Deus quer a mulher sujeita Ao marido, como ao Senhor, Como a igreja a Cristo, Em união e amor. Também ordena que o esposo, Seja o chefe da família! Jesus se submeteu ao pai E obedeceu sem quezília. Cristo é o cabeça do homem! E o homem da mulher! Deus o cabeça de Cristo, São as Glórias que Deus quer. Ambos têm seu valor, Mas cumprem funções diferentes; Há no papel das mulheres, Aspectos muito abrangentes. A mulher dentro da igreja Vergonhoso é se falar! Devem por causa dos anjos, Um véu na cabeça usar. Deus não permite mulheres Pregando à congregação! Desobedecem a Deus, E caem em transgressão. Pois Deus primeiro fez o homem, E ele não foi iludido! A mulher sendo enganada, Fez o que era proibido. Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «BOCAGE» 13 Ambos têm o privilégio Com o Senhor ter comunhão Levando ao trono da Graça O poder da oração. Como mães é importante, Os seus filhos ensinar, No caminho do Senhor, A ler a Bíblia e orar. Ensinar outras mulheres, Com espírito de humildade; A serem fiéis em tudo, Principalmente à Verdade. Não deve ser maldizente, Deve exercer o perdão; Vestir-se decentemente, Ter um carácter cristão. Tanto homens como mulheres, Têm um papel bem profundo: Devem ser o sal da terra E também a luz do mundo. Anabela Dias - Paivas/Amora Um lenço branco Eu queria um lenço branco Para dizer adeus A um sorriso sepultado. Depois voltar à vida E beber o quotidiano Sem tédio, nem solidão. Sabendo que fenecias Por que me sorriste assim Fingindo a Eternidade?! Maria Vitória Afonso Cruz de Pau/Amora Noiva Solitária era um lindo dia que despontava naquela casa naquele cantinho a linda menina bem se enfeitava sonhando com seu novo ninho seu terno coração enamorado apenas sentia sonhos de amor esperava seu principe encantado na sua mão lindo ramo em flor rodopiou ao compasso do piano uma alegre melodia a seu gosto vestiu o branco vestido de pano lindo como aquele dia de Agosto chegou a hora desejada de sair ao encontro do bem amado seu à porta da igreja estava a sorrir entre abraços e beijos era o céu seguiram para casa já casados em busca do momento desejado esperando abraços apertados ele saira como se tinha enganado olhando em redor não o enxergou nem um beijo sequer lhe dera olhando para o vestido que ficou chorou lágrimas a dor a vencera pobre noiva estava desesperada como fora assim tão iludida sonhar amor fora abandonada perdera o amor da sua vida navegando entre mil abrolhos aquele amor sido seu primeiro lamentava da vida os escolhos aquele belo amor marinheiro. Rosélia Martins – P.StºAdrião Homem quem em dono se arvora da mulher que desposou não dignifica a que outrora o gerou e amamentou Abgalvão - Fernão Ferro “Eu gostava de morrer Um dia no meio do mar P’ra terra não me comer E os peixes alimentar” Silvais – Alentejo

[close]

p. 14

14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «POETAS DA NOSSA TERRA» SEM RESPOSTA Entrei dentro de mim, pra descansar E pus-me a meditar na minha vida. Será que foi plo sol por mim vivida Ou pelo lado escuro do pecar? Virei-me e revirei-me no repouso E nem um voar de asa aconteceu. Não foi a flor da alma, que morreu, E não pergunto a Deus, que tal não ouso. Então, gritei bem alto o desespero, Silêncio desse nada, que não quero, Ausência do saber, que o homem tem. Então, tentei pedir, mas com bom modo, Perdão por qualquer mal, ao mundo todo, E não tive resposta de ninguém. Tito Olívio - Faro Perto da Madrugada Uivam os ventos num recanto do jardim, choro sozinha já perto da madrugada, pois os castelos com as torres de marfim foram visão, feneceram, hoje são nada. Sonhos de outrora, doce cheiro de jasmim ainda aflora minha face macerada, mas indiferente passa o tempo...e por fim, uma lágrima vai caindo envergonhada. Por tudo aquilo que ao tempo foi cedido fiquei perdida numa senda sem sentido, e a alma desvalida me acompanha. Choro em vão num sofrer despercebido e no meu reino de quimeras já perdido aos ventos lanço esta dor assim tamanha! Natália Parelho Fernandes - Entroncamento A SEMENTEIRA Semeei tantos ventos Nessa monção que por aí passou Ventos alegres, ventos nossos Que espero receber a sua colheita Em passos rápidos e breves. Nessa esperança vive sempre Quem mais arrecadou. Anabela Mestre – Cruz de Pau COISAS… DO TEMPO QUE PASSA Penso no tempo que passa… e não perdoa, Em que muitas coisas sucederam… algumas á toa, Mas todas formando uma vida de que fui gostando… Muitas, deixaram-me boas recordações, Outras houve que não passaram de meras ilusões, Mas todas fazendo parte da vida que está passando. Também muitas, muitas coisas, eu conheci, Dalgumas muito gostei, outras houve que nem as vi, Mas todas elas pertença do meu já longo caminho… Algumas eram belas flores, apesar de pequeninas, Outras eram grandes, só que eram ervas daninhas, Mas todas, boas e más, serviram para compor o destino. Hoje olho em frente, e já quase vejo o final da estrada, E nela ainda vejo rochas que me obrigam à sua escalada, Mas também outro céu azul, prometendo outro lugar… E mesmo caminhando neste meu passo já arrastado, Continuo olhando o que me rodeia… para todo o lado, Para ver a beleza da vida, e dela, poder tudo disfrutar. … e estas são coisas do tempo que está passando, São sentimentos com lembranças para recordar, São coisas do mundo… onde andamos caminhando. QUERER Quero-te Tanto E o tempo passou ... O Outono veio visitar-me ... Trouxe apenas as folhas Já envelhecidas caídas Sem força ... Perderam todo o Vigor !... Quero-te Tanto Que o Tanto foi passando !... E o Querer esse ?... Resolveu esconder -se Tomou o tom Outonal ... E com Leveza Amarelado Querer Vai envelhecendo no tempo... Tempo que urge no Querer!... Quero-te Tanto !... Que não consigo mais Querer parar o tempo !... Esperando que um dia Todo o meu Querer ... Não se perca no tempo !... E sem mais ... Eu fico dizendo para Mim ... Quero-te Tanto ... Sem medida e sem Fim !... MAGUI - Sesimbra José Carlos Primaz (Olhão da Restauração) Eterna Noite É muito tarde já, e eu sinto a alma opressa Sozinho no meu quarto aonde a solidão Transforma sem demora, transforma sem perdão, Minha vigília triste em noite mais espessa! E as horas vão caindo; parece que não cessa O aperto que tortura o meu pobre coração, Que mansamente reza, a Deus, uma oração Para que o dia venha e o sol nele apareça! Para que, enfim, liberte de mim esta amargueza, Que a solidão me traz em dor que dilacera E a noite adensa mais em amargura fera!... Mas ah! Eu sei que Deus não ouvirá a reza, Que vai do peito meu em pedido bom, puro, Pedir-lhe que um dia morra lá em Vale Escuro Nelson Fontes Carvalho – Belverde Ter amigos virtuais Eu gosto e não rejeito. Mas eu gosto muito mais De ter amigos do peito. Hermilo Rogério - Paivas PAZ A paz já não mora aqui Houve alguém que a levou E só a lembrança deixou Num requinte de amor ausente. Ficaram memórias Ficou a carta por escrever, Mas a paz, Essa, Já não mora aqui. Prenúncios de tempos vindouros Ausências cada vez Mais tenazes Porque o tempo avança Na sua cupidez E assim vai sendo Cada vez mais A paz não mora aqui. Anabela Mestre – Cruz de Pau

[close]

p. 15

Confrades da Poesia - Boletim Nr 107 - Fevereiro 2019 «BOCAGE» 15 Quota anual 2019 da Rádio Confrades da Poesia em Dia: Amadeu Afonso, Anabela Silvestre Gaspar; Filipe Papança; Francisco Jordão; João Coelho dos Santos; João da Palma; Lúcia de Carvalho; Silvino Potêncio; Tito Olívio

[close]

Comments

no comments yet