A Reserva das Coisas no seu Estado Latente | The Reserve of Things in their Latent State

 

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Description

Fernanda Fragateiro | Fundação Eugénio de Almeida | 2017

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A RESERVA DAS COISAS NO SEU ESTADO LATENTE

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FERNANDA FRAGATEIRO

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FERNANDA FRAGATEIRO A RESERVA DAS COISAS NO SEU ESTADO LATENTE THE RESERVE OF THINGS IN THEIR L ATENT STATE CURADORIA | CURATOR ADAM BUDAK

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Há o que tem limite e o que é sem limite. A arte é a forma perfeita da consciência destes opostos. Vergílio Ferreira A arte não nos pede certezas, pede-nos um olhar claro e aberto ao deslumbramento. Solicita-nos o encontro com vozes, ideias, imagens, silêncios e criatividade sem limites ou preconceitos. A arte inspira-nos, desafia-nos, pede-nos tudo. Cria pontes, fomenta diálogos, constrói afetos. Longe de constituir uma celebração do efémero, a arte contemporânea rompe com os limites e revela-se, revela-nos outras linguagens. Desafiando as convenções, sejam elas estéticas, académicas, sociais ou outras, explorando formas inovadoras de linguagem e de suporte, permite-nos compreender o mundo. É este o papel do Fórum Eugénio de Almeida, um centro de arte contemporânea voltado para o mundo – com o mundo – aberto à sua compreensão e descoberta. Um lugar de encontro, uma plataforma mediadora entre a criatividade dos artistas a que dá espaço e os públicos que aí dialogam e exploram novos horizontes. Atenta à realidade e às exigências do seu tempo, a Fundação Eugénio de Almeida procura que as suas iniciativas tenham um impacto efetivo e sejam motor de mudanças positivas. A promoção e a divulgação da arte contemporânea assumem uma importância nuclear enquanto meios estratégicos para a concretização deste objetivo institucional. É ao diálogo com o tempo, o espaço e a criatividade ilimitada, que nos convida esta exposição de Fernanda Fragateiro. Intitulada A Reserva das Coisas no Seu Estado Latente, com a curadoria de Adam Budak, esta exposição, que aqui fica para memória futura, convida-nos a um olhar límpido, largo e intemporal. Tirando partido dos diferentes usos da matéria e dos sentidos, Fernanda Fragateiro construiu no Fórum Eugénio de Almeida um novo lugar de diálogo e de encontros. Este catálogo dá sentido às memórias que A Reserva das Coisas no Seu Estado Latente, nos deixou. Torna-as permanentes. Tal como a eminente e profunda criação de Fernanda Fragateiro. Eduardo Pereira da Silva Presidente do Conselho de Administração da Fundação Eugénio de Almeida 8

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There is the limited and the limitless. Art is the perfect form of consciousness of these two opposites. Vergílio Ferreira Art does not ask certainties of us. Of us, it asks a gaze that is clear and open to fascination. It requires of us to encounter voices, ideas, images, silences and creativity without boundaries or preconceptions. Art inspires us, it challenges us; it asks everything of us. It creates bridges, fosters dialogues, builds affections. Far from celebrating the ephemeral, contemporary art shatters limitations and reveals other languages to us as it reveals itself. By challenging aesthetical, academic and social conventions, and exploring innovative forms of language and support, it allows us to understand the world. Such is the role of Fórum Eugénio de Almeida, a contemporary art centre turned to the world – and with the world – that is open to its comprehension and discovery. A place for encounters, a platform mediating between the creativity of the artists it hosts and the public that find in it a space for dialogue and the exploration of new horizons. Aware of the reality and demands of its time, Eugénio de Almeida Foundation seeks initiatives that are effectively impactful and may drive positive change. Promoting and divulging contemporary art are crucial and strategic means to implement this institutional objective. This exhibition by Fernanda Fragateiro is an invitation to a dialogue with time, space and limitless creativity. Titled The Reserve of Things in Their Latent State, and curated by Adam Budak, this exhibition also invites us to gaze clearly, openly and timelessly. Taking advantage of the different uses of matter and the senses, Fernanda Fragateiro has built a new place for dialogue and encounters at Fórum Eugénio de Almeida. This catalogue embodies the memories that The Reserve of Things in Their Latent State will leave us with. Turning them permanent, like the outstanding and profound creation of Fernanda Fragateiro. Eduardo Pereira da Silva President of the Board Eugénio de Almeida Foundation 9

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Sobre o ruído de fundo de que se faz o saber do curso normal do mundo, que precede, acompanha e sucede em nós todo o conhecimento, nós projetamos, acordados ou a dormir, frases que se pontuam como questões. Questões murmurantes. O que valem elas? O que dizem elas? Estas são ainda mais perguntas. Maurice Blanchot, L’Entretien Infini Há um conjunto de perguntas, ou suaves murmúrios, presentes como pano de fundo na nossa experiência íntima e diária do mundo. Sussurros que podemos abafar com o barulho da espuma dos dias, mas que muitas vezes são amplificados através da experiência artística. A exposição de Fernanda Fragateiro, no Fórum Eugénio de Almeida, A Reserva das Coisas no Seu Estado Latente faz exatamente isso: revelar perguntas que estão por detrás das codificações do mundo. Toda a exposição fala de latência, de espera. Materiais à espera de se transformarem noutros materiais, obras à espera de serem lidas e interpretadas, um museu à espera das obras, e dos seus visitantes, para ser ativado. Esta ideia do museu latente, que espera por cada um dos seus visitantes para ganhar sentido para a sua existência, é provavelmente a definição mais aproximada à minha visão do que deve ser um museu. Ao contrário, seria apenas uma carcaça ou um mausoléu. O trabalho de Fernanda Fragateiro sempre pensou o contexto e o espaço no qual é apresentado. Cada uma das suas obras reage e simultaneamente conversa com os lugares que a acolhem. Cada obra coloca perguntas que sussurram a cada um dos visitantes, àqueles que experienciam as propostas que a artista, conjuntamente com a visão poética e refinada do seu curador, Adam Budak, apresenta. A exposição pode ser lida como um livro que se vai construindo através das sucessivas obras. A exposição enquanto obra aberta. O visitante-leitor vai progredindo na narrativa através da sua leitura das diferentes esculturas. A história para Fragateiro começa invariavelmente numa imagem. Imagens encontradas em revistas, livros, num arquivo ou até reveladas por outra pessoa. A artista transforma essa imagem em escultura, e essa escultura em pergunta que fica latente até que alguma entidade exterior a acione de novo. Assim, a sua ação artística acontece nessa transformação, na metáfora e na poesia. A sua obra é uma leitura do mundo que se oferece sobre a forma de murmúrio. Um dia mais tarde, esse murmúrio pode(rá) voltar a ser ouvido. Será que vamos encontrar o silêncio necessário para o conseguir escutar? Filipa Oliveira 1 No original « Sur le bruit de fond que constitue le savoir du cours du monde et par lequel il précède, accompagne, suit en nous tout savoir, nous projetons, éveillés, endormis, des phrases qui se scandent en questions. Questions bruissantes. Que vallent-elles ? Que dissent-elles ? Ce sont encore des questions». BLANCHOT, Maurice, L’Entretien Infini, France, Éditions Gallimard, 2001, p. 12. 10

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Upon the background noise constituted by our knowledge of the world’s daily course, which precedes, accompanies, and follows in us all knowledge, we cast forth, walking or sleeping, phrases that are punctuated by questions. Murmuring questions. What are they worth? What do they say? These are still more questions. Maurice Blanchot, The Infinite Conversation There is an array of questions, or soft murmurs, which is always present in the background of our intimate and everyday experience of the world. Murmurs we can muffle under the foam of everyday life, but are often amplified by the experience of art. Fernanda Fragateiro’s new exhibition at the Fórum Eugénio de Almeida, A Reserva das Coisas no Seu Estado Latente [“The Reserve of Things in Their Latent State”], does precisely that; it reveals questions that lie under the patterns of the world. All in this show tells us about latency, and waiting. Materials waiting to transform into other materials, works waiting to be read and interpreted — a museum waiting for the artworks and for its visitors, so that they can activate it. This idea of a latent museum, one that waits for its visitor so that they can give it its sense of purpose, is probably the definition closest to what I think a museum should be. Otherwise, it would be just a carcass or a mausoleum. Fernanda Fragateiro has always taken into account the context and the space in which she presents her work. All her pieces react and dialogue with the places that receive them. Each piece raises questions and whispers them to each visitor, to those who experiment the proposals presented by the artist and by the poetic and elegant vision of her curator, Adam Budak. The exhibition can be read as a book, and each artwork as a new chapter. The exhibition as an open work. The visitor-reader progresses through the narrative as they read the different sculptures. Fragateiro’s story invariably starts with an image. Images that she finds in magazines, books, archives, or are revealed to her by other persons. The artist transforms those images into sculptures, and then the sculptures into questions that remain in a state of latency until they are activated by some exterior entity. Thus, her artistic action happens in the moment of this transformation, in metaphor and poetry. Her work is a gaze upon the world that is offered to us as a murmur. One day, this murmur may be heard again. Will there be enough silence, so that it can be heard? Filipa Oliveira 11

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