Confrades da Poesia106

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano X | Boletim Mensal Nº 106 | Janeiro 2019 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» SUMÁRIO Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 / Bocage: 3,4,5,6 / Reflexão Poética: 07 / Ponto Final: 08 EDITORIAL O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate 2019 Página Nr 9 Tem lugar no próximo Boletim Nr 107 Nesta edição colaboraram 31 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Albertino Galvão | Anabela Dias | António Marquês | Arménio Correia | Carlos Alberto Varela | Carlos Bondoso | Carmindo de Carvalho | Chico Bento | CMO | Conceição Tomé | Damásia Pestana | Filipe Papança | Filomena Camacho | Francisco Jordão | Hermilo Grave | Ivanildo Gonçalves | João da Palma | Jorge Humberto | José Branquinho | José Jacinto | Luís Fernandes | Luiz Poeta | Magui | Maria Petronilho | Miraldino de Carvalho | Maria V. Afonso | Nelson Fontes | Pinhal Dias / Quim Abreu | Rita Celorico | Rosélia Martins / Silvais | Tito Olívio | Vitalino Pinhal

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 106 - Janeiro 2019 «BOCAGE» NUNCA SE DIZ TUDO. Impossível dizer tudo No silêncio, o que aparece. Guardamos o conteúdo Observando o que não esquece. E um pouco espantados, Com o nosso coração É nele… que ficam guardados Silêncios, na escuridão! Nunca se diz tudo, assim, Do modo que desejamos De causa boa ou ruim, Esforçados se empenhamos. Nunca se diz tudo, claro! Eu sou, nas opiniões Contemplativo, e raro… Em muitas afirmações! Nunca se diz tudo, não! E eu a ti, nem te digo, Seja qual for a razão, Ficará isso, comigo! João da Palma - Portimão pelo fogo devorador da noite atravesso espesso a impossível dor do amanhã ... jorge cortez funchal (madeira) Neste ano que está a terminar já fiz planos para o outro que irei ser menos maroto e as crenças respeitar nunca o fiz para insultar porque sou filho deste povo a todos quero desejar um bom e feliz ano-novo V.P. - Sesimbra UMA BÊNÇÃO Quando escrevo, faço-o com amor À procura das palavras mais certas! As palavras dignas do meu Amor Em minhas longas noites mais despertas. Sim, neste desejo bem arreigado, Estar à altura daquela que amo! Soneto escrito, soneto dado Virtude que para mim reclamo. Meu Deus, será tão difícil assim? Que meu valor, minha Flor reconhece E a mim chega sua aprovação? Anseio sempre presente em mim É este de a cantar como merece Uma bênção p’ra meu pobre coração. Lusofonia Na atualidade, a Língua Portuguesa, Mais que a ousadia dos desbravadores, Exprime e ostenta, em sua natureza, A sublimidade dos seus escritores. Brasileiro-lusa, Luso-brasileira, A voz portuguesa é uma só nação, Cujo som ecoa pela Terra inteira, Como o batimento de um só coração. Há, nessa fusão, bem mais que um idioma; Um fundir de almas que emociona Quem lê ou escuta essa nossa voz... E é a emoção da alma lusitana Que faz do Brasil, a pátria americana, Da lusofonia viva em todos nós. JGRBranquinho -Quinta da Piedade Luiz Poeta – RJ/BR JÁ NASCEU Serena era a noite e o inverno em começo, Sem nuvem no céu e sem vento travesso. O gado, nos montes, tranquilo dormia, As gentes da terra comiam a ceia Naquele sossego tão próprio da aldeia. De súbito a noite ficou como o dia, Cá fora, acendeu-se uma estrela gigante E o povo gritou: ela está a andar, Tornou a gritar: ela está a dançar. Três reis a cavalo passaram diante. Nós vimos de longe seguindo a estrela, Por terras de fogo, também o deserto, Por mares e rios, por rumo incerto, Os olhos na estrela, mas sempre atrás dela. Um cego e um mouco, um louco e um judeu Gritaram pró ar: «Já nasceu! Já nasceu!» Tito Olívio - Faro Ser pobre é triste e frustrante, porém não é vergonhoso! Vergonha é ser governante ladrão, corrupto, manhoso Abgalvão – F. Ferro MENSAGEM DE ANO NOVO 2018 está terminando ! Novo ano se avizinha O que aconteceu Já é passado ! E a VIDA É PRESENTE Desejo ... A TODOS os meus Amigos E Inimigos ... Muita Paz , Saúde , Amor ... Nada se faz sem essas 3 cousas Precisamos de Amar o próximo Isso nos dá Saúde e bem estar E assim vivemos em Paz !... O Amor é o Sentimento Mais valioso e importante Para que sejamos felizes ... Que o Novo Ano 2019 Traga consigo a ternura Do olhar e sentir a Vida Como uma bênção !... Carinho e compreensão Entre TODOS Seja o Milagre ... De pleno Amor ao próximo ! De mim para Todos vós Com Carinho ,desejo ... Felicidades ,Coragem E Beijinhos ... Maria Margarida Moreira Sesimbra

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UM POEMA Um rosto, que vi, expressivo e bonito. A alguém, com nome, pertence. Poetas se vão enamorar, Seus poemas lhe dedicar Por seu Amor, se vão perder. «Amar e ter amores, Ao luar e ao relento, Se encontra, teu cheiro a flores, Ele até a mim vem…vem com o vento!... Como é grande o abismo, Por não conhecer, teu catecismo!... Ficou um olhar…proibido, Que bem se torna, apetecido!... Talvez seja, pecado d’amor, Pela beleza. D’uma flor… Talvez seja…d’amor-perfeito, O que se esconde, no teu peito!...» Carlos Alberto Varela (CASV) Paços de Brandão Na atonia da esperança Perdido vou apalpando As asperezas da vida Por onde me embrenhei. Passo valados, pauis, Barrancos de incertezas Que moram dentro de mim. Relembro todas as dores Com todas suas vilezas, Fogazes, silenciosas Nos lampejos da memória, Que se despenham no escuro. Num céu azul de abril Pombas brancas esvoaçam, Em arabescos finitos Como um quebrar de algemas. Vozes entoam um salmo, Sombras desenrolam-se Na indiferença da noite E do medo. Onde caminho de mãos dadas Ao som de velhas promessas Na atonia da esperança. Arménio Correia - Seixal Sorriso é a luz que refulge quando acendemos o lampadário que trazemos no coração. Filomena Gomes Camacho Londres Confrades da Poesia - Boletim Nr 106 - Janeiro 2019 «BOCAGE» 3 FELIZ 2019 Amigos que me escutais entre sorrisos e ais desejo-vos ás carradas tudo de bom em vossas vidas que tenham boas saídas e depois melhores entradas Entre todos os virtuais incluo amigos reais e os da "" onça "" também que o ano que vai entrar possa a todos agradar e vos traga tudo de bem Assim vos saúdo então tal e qual o meu coração sorrindo me pede e diz entre um abraço e um beijo para todos vocês eu desejo um 2019 muito feliz. Chico Bento / Suíça ESTROFES E MELODIAS Música; há tanta música, dentro de mim, Solfejos, lampejos de um lírico jardim, Mais o “dó-ré-mi”, e o chilrear dos passarinhos (Cantarolar de asas, mais a melodia prós ninhos); Que me sinto envolvido, de princípio ao fim, Tal o contentamento da natureza, quando nos sabe assim: Seres abstractos, contudo, compondo caminhos: O tamborilar, que advém, do canto dos anjinhos. De pauta aberta sinto o cantar das rimas versejadas, Quando a poesia p’la música nos é emanada, E o poema é um corridinho de palavras encantadas; Mais a métrica variável das estrofes aprumadas; E a simetria da musicalidade desejada, É que faz a poética ser estas rimas tão bem comportadas. Jorge Humberto - Santa-Iria-da-Azóia Reino ilustrado de comunicação. Do lobo a uivar ao cão que ladra e o gato que mia… E o povo que dormia! O mugido da vaca a galinha cacareja o gorjeio do beija-flor ao chilrear dos passarinhos construindo os seus ninhos. O zumbido da abelha, com chuva caindo sobre a telha ouvindo o coaxo do sapo, que não é por engano que afasta o cigano… O rugido do leão que na selva é o mandão. Cavalo de inteligência com o seu relinchar, muitos lhe prestam atenção: - “Voz humana no fado e na canção” por um reino ilustrado de comunicação… Pinhal Dias (Lahnip) PT Amor sem “limites” de idade O Amor de minha mãe E o de quem me acarinha É o melhor que a vida tem Seja criança ou velhinha Silvais – Alentejo Sonhos de Outrora A noite estava serena, O Céu estava estrelado, E eu? Por uma estrela Fiquei encantado… Pois ela era aquela Estrela, que eu vi brilhar, Nessa noite de luar! Adormeci a cantar para mim, Uma melodia suave e leve. Frágil como uma ave, Que a gente até não sabe: O que a sonhar senti… No canto da minha amada, Flor do meu amor, Em que nós festejamos, Os beijos que trocamos… Sob o Céu que ainda alumia, Onde o mar ondeia, Os sinais que fizemos! Ai despertei e verifiquei Que também estava dormindo! E nesse sonho sonhado Realizei que era um sonho lindo!... Luís Fernandes - Amora

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 106 - Janeiro 2019 Ano Novo, Vida Nova?! «BOCAGE» Foi dentro da ruralidade alentejana, concretamente numa aldeia do concelho de Ourique que por volta dos meus 3 anos quando também outras noções matemáticas começaram a surgir na minha vida que me apercebi de que os anos também mudavam e matematicamente iam acrescentando um ano às nossas vidas. Quanto tempo Meu Deus! Eu tenho agora a idade dos avós. A avó, sobretudo, adorava esta época não só porque era a época natalícia, mas porque lhe custava a passar os dias pequenos e recebia com alegria o solstício de Inverno que ocorre no dia 21 de Dezembro. Claro que a avó que era uma mulher do campo desconhecia esta noção e esta terminologia. “Solstício- tempo em que o Sol se acha mais afastado do Equador”. A avó apenas ficava contente porque sabia que os dias começavam a aumentar e o sol pôr a ocorrer mais tarde. Isso animava muito a avó que dizia referente aos dias: “No Natal passada dum pardal.” Quanto ao Ano Novo a avó referia-se sempre a ele como o Ano Bom. Acho que vem daí o meu optimismo em relação ao ano novo e à esperança que nele deposito “Pelo Ano Bom passada dum boi bom.” “Janeiro fora uma hora.” E porquê o nosso desencanto pelos dias pequenos e invernosos? A casa da avó era grande e havia sempre muita lenha para a lareira, mas a cozinha era de chão de terra, a iluminação era a candeia de azeite. Essa luz bruxuleante e ténue projectava nas paredes, sombras que eu associava a histórias de bruxedo e de fantasmas tão comuns nesses tempos nas aldeias. Era assim a minha infância ligada ao campo que eu tanto amava. Os quatro anos de escolaridade afastaram-me um pouco do contacto com a Natureza, mas foi compensada pela magia das letras e dos números. Já no Liceu recordo os planos que fazia para melhorar o nível de estudos, mas não consegui pois coloquei sempre a literatura acima dos deveres a cumprir. O objectivo Ano Novo, Vida Nova acho que nun- ca se concretizou. Segundo certo escritor para alguém se sentir realizado terá que ter um filho, plantar uma árvore ou escrever um livro… De tudo isso já fiz um pouco… Tal como hoje encho as linhas com as letras com que homenageio o meu Alentejo, nestas crónicas despretensiosas enchi outrora os regos que o pai abria com a enxada e eu com uma medida (pauzinho de 30cm) dispunha os grãos, as favas, os chícharos ) que depois haviam de germinar e crescer para nos darem o alimento. E esse livro que escrevi vem na sequência de uma forças telúrica que me foi dada pelo amor pelo trabalho nos campos desde muito cedo. Ano Novo, Vida Nova?! Não a minha vida não mudou, continuo a ser uma alentejana que se sente bem nos mesmos campos agora herdados dos pais que se foram para Deus e a descrever com muito amor o sentimento , as reminiscências e o privilegio de ter nascido numa das mais pitorescas zonas do país –O Sudoeste Alentejano Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau/Amora Poesia ou Melancolia Quanto mais percorro as linhas Que formam os versos da poesia, Mais me convenço que lá reside A nossa acentuada melancolia. Por que sempre exaltamos A dor, a saudade e o desamor? Como se a vida fosse um rio de lágrimas, Um mar de angústias e de prantos, Fel a escorrer pelos cantos, Rosas espinhosas, inodoras e incolores, Como prenúncio de jardins sem flores, Manhãs tristes, enevoadas, Ciúmes e paixões subjugadas. E onde estão: Os risos que aqueçam as frias madrugadas. A exuberância das flores, fragrâncias e cores. O brilho do sol a iluminar-nos o rosto. O verde do mar, reflectido em cada olhar. O Amor bem-amado e bem vivido. O som da chuva a cair, para criar e florir. As aves compondo seus hinos. As crianças felizes, sorrindo e brincando. A ternura de mãos se encontrando. A Música de todos os estilos. As castas, mas só para bons vinhos. Os Espelhos do mundo a reflectir a beleza, Em perfeita harmonia com a Mãe Natureza! São Tomé - Corroios A Luz Ouça sempre seu coração e não faça nada mais, que pesar com a razão pra poder viver em paz. Não olvide sua razão que é severa, mas perspicaz, prestando muita atenção em tudo o que você faz. Tudo o que você fizer faça sempre com amor, mantendo sempre sua fé nos momentos vis de dor. Se a dor for forte o bastante pra atormentar seu coração, feche os olhos nesse instante e faça uma breve oração. Se bater descompassado implorando por um abrigo, estarei sempre ao seu lado serei sempre seu amigo. Amigo, não tenho nome, mas me chamam de Jesus. Sou o amor, não sou homem, sou seu amigo e sua luz! Ivanildo - Brasil Voar sobre o tempo Somei aos sonhos alegrias, E às esperanças um desejo. Distribuí o amor pelos dias, Com um abraço e um beijo! Adicionei vales aos montes, Troquei searas por carinhos, Ofereci as nuvens às fontes, E subtraí às árvores ninhos! Misturei água com a tristeza, E encaminhei-as para o mar... Juntei aos caminhos a beleza, E prendi à felicidade o olhar! Grata esta bucólica sensação, De amar a natureza onde vivi, Põe a felicidade no coração, Que ao vê-la, feliz lhe sorri! José Maria Caldeira Nada Onde estás? Onde estou? Estou onde não estás, onde estás eu não estou, Sem mim tu és o que sou, mas sem ti, sou o nada do que sou. Nada Rita Celorico - Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 106 - Janeiro 2019 «BOCAGE» 5 “A Verdade e a mentira” A verdade e a mentira Entram em discussão A mentira é que ganhou Depois de uma votação I Não acredito que alguém Diga que nunca mentiu Se calhar até conseguiu Aquilo que lhe convém É um mal que já vem No ar que se respira Pode provocar a ira Em certas ocasiões Entraram em confusões A verdade e a mentira. II Em todos os lados se mente Muitos nos tribunais É onde se mente mais Muitas vezes está presente Incrimina-se o inocente Muitas vezes sem razão Os advogados também são Ninguém gosta de perder Não se sabem entender Entraram em discussão. III Muitos querem convencer Que a mentira e a verdade Em qualquer localidade Nunca querem perder Mente quem tem o poder E quem nele confiou Dizem aquilo que arranjou Foi com a sua lealdade Não respeitando a verdade A mentira é que ganhou. IV O que tem honestidade É o mais prejudicado Com a mentira é enganado Pensando que é a verdade A mentira não tem idade Faz parte da confusão Em qualquer ocasião A mentira tem lugar Continua a governar Depois de uma votação. Miraldino Carvalho - Corroios Decotes e Laçarotes Eterna Noite Já não vejo os laçarotes, Que punhas nos teus cabelos. Nem a ponta dos saiotes, Que mostravas aos pinotes, Pequenotes, desmazelos. Já não vejo os laçarotes, Que tinhas nos teus vestidos. Nem os ‘stilos brejeirotes, Provocando os rapazotes, Aos magotes, atrevidos. Agora mais ‘spigadotes, Quando brincamos discretos… Eu adoro que te ajanotes, P’ra quando me olhares denotes, Atrevidotes, afectos. É muito tarde já, e eu sinto a alma opressa Sozinho no meu quarto aonde a solidão Transforma sem demora, transforma sem perdão, Minha vigília triste em noite mais espessa! E as horas vão caindo; parece que não cessa O aperto que tortura o meu pobre coração, Que mansamente reza, a Deus, uma oração Para que o dia venha e o sol nele apareça! Para que, enfim, liberte de mim esta amargueza, Que a solidão me traz em dor que dilacera E a noite adensa mais em amargura fera!... Mas ah! Eu sei que Deus não ouvirá a reza, Que vai do peito meu em pedido bom, puro, Pedir-lhe que um dia morra lá em Vale Escuro Hoje possuis outros dotes, Que exaltam as tuas graças, Nos imponentes decotes, Que provocam os dichotes, Velhacotes, quando passas. Nelson Fontes Carvalho – Belverde Mas talvez que um dia notes, Que enleias os meus sentidos, Prendi-me aos teus laçarotes, E hoje prendem-me os decotes, Alegrotes, e atrevidos. Francisco Manuel Neves Jordão Luxemburgo Vassourar! Óh! Meu querido Portugal. Estás a saque! A política é uma mina de oiro! Uma coutada De fauna luxuosa, caríssima! MEUS OLHOS Meus olhos são dois tesouros Que não posso dispensar Sem eles o que seria? Eu nem quero imaginar Com eles eu vejo tudo… São eles que me guiam E me mostram o meu mundo. O Estado uma porca Com muitas tetas! A justiça um capacho Um escudo protector. Está tudo podre! Ao longe tresanda! E o meu querido Portugal Marca passo desanda E não anda. Este não rima Nem é pra rimar Quero ser VASSOURA! E poder VASSOURAR! Catarina Malanho - Amora Carmindo de Carvalho - Suíça

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 106 - Janeiro 2019 «BOCAGE» INCONVICÇÃO Água de mil fontes Que sede de mim me dás Vou bebendo horizontes E nada me satisfaz Náufrago do enleio Do ser que não desejei Vou fazendo que creio No Deus do universo lei Ref.. Não tenho remédio para o tédio Solução para a minha inconvicção Tudo no meu credo é contrariado Pelo obvio impossível da razão Lâmpada do mundo Inacreditável crer Nunca no túnel profundo Se viu essa luz sequer Invisível chama Das viagens desastrais No carrocel da minha alma Cada vez me perco mais Ref Catedral da aurora Alma do grande orixá Galáxia de Pandora De onde ninguém voltará Anéis de diamante Visão de enganos fatais Sempre fomos instantes E nunca seremos mais Paco Bandeira - Elvas Se as igrejas do mundo inteiro doassem a sua riqueza matavam a fome á pobreza e ainda sobrava dinheiro Vitalino Pinhal - Sesimbra Casa doce lar que hotel de cinco estrelas praia cidade única João Furtado – Praia/Cabo Verde As Mãos Tremendo De repente, As mãos encontram-se Tremendo sozinhas No meio da noite Quase podendo tocar-te Tremendo Por desejar-te Mas tu estás tão ausente Se bem estejas tão presente! E o espaço se faz imenso Volteia no ar minha chama No teu encalço ... Mas não te alcanço! Escuta o coração lancinante Dizer-te secretamente Espero-te! Vem, meigo e doce, Fazer-me vibrar Fremente Corda de violino nos teus braços; Sê o arco que me faz gemer De prazer E gritar delirante As palmas das minhas mãos Dão por si tão de repente Vazias de ti, Tremendo. Maria Petronilho - Almada Poética é a Vida Poético é o canto do alvorecer Pleno de fulgor a vivacidade, Poético é o feitiço da mocidade, Transparente mundo do nosso ser. Poético é o entardecer da vida No leito do repouso e tranquilidade, Poética é a sensação da saudade Que fica de uma ilusão perdida. Poéticas são as horas da infância, Envoltas em abraços de ternura E pureza, doce fragilidade… Poética é a vida, suave fragância Do jardim fecundo em sonhos de ventura, Que fazem da vida, uma eternidade. Rosélia Martins - P.StºAdrião FALTA DE RACIOCÍNIO É duro, muito duro, Ninguém sabe quando o melão está maduro. É fácil, na verdade. O melão está maduro, Quando ele atinge a sua maturidade! Hermilo Rogério - Paivas Há festas a toda a hora... Assim se diverte o povo! O que será que vem agora, a seguir ao Ano Novo? João da Palma - Portimão Presunção e Água Benta... « O que imaginas ser tu, Meu pobre bicho rançoso ? » Diz o Pavão pro Peru, Abrindo o leque, vaidoso. Responde o Peru, sagaz: « O que dizes nada vale... Tira as penas, e veras Como serás meu igual ! Pra quê tanta ostentação ? Controla tuas maneiras. Fazes-me pena, Pavão. O que tu tens é peneiras ! » E após este sermão, Que o Peru fez com rudeza, Calou o bico o Pavão E despediu-se à francesa ! Hermilo Grave – Paivas / Amora

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DEUS NOS VALHA Deus criou o homem, E deu-lhe o poder de cantar Até ao limite do timbre prefeito. Deus colocou algodão nos ouvidos, Porque homem só ouve Z+es Cabras. Deus criou o homem, E deu-lhe o poder de ensinar Até ao limite de não ter o que aprender. Deus é candidato a um mestrado, Porque homem se diz professor/doutor. Deus criou o homem, E deu-lhe o poder de sonhar Até ao limite de querer ser Deus. Deus nunca mais dormiu descansado, Porque homem não reconhece limitações. Homem criou os deuses, E deu-lhes o poder para governar Até ao limite dos programas de governo Homem impugnou acto eleitoral, Porque Deus surgiu nos boletins de voto.. Quim d’Abreu - Almada MEMÓRIAS Na memória d’um recordar, Por Alguém que soube amar. Chorei!... As lágrimas, que derramei, Foi pela dor, que senti, Por que jamais te vi!... Chorei!… Foi porque amei, Sentimentos, que dei, À recordação d’um Amor. Partiu…fiquei com dor!... Chorei!... Com aquele emoção, De longa paixão, Que tanto amei, A quem coração dei!... Chorei!... Pela alegria do teu olhar, Que ao meu se soube juntar, Ele fica no meu recordar, Até ao dia do meu finar!... CASV – Paços de Brandão Confrades da Poesia - Boletim Nr 106 - Janeiro 2019 07 «Reflexão Poética» A primeira dispensação Ao homem foi dado tudo Como Deus tinha previsto! P'ra poder reger o mundo, Segundo a mente de Cristo. Foi lá no Jardim do Éden Que esta dispensação, Abrangeu todo o período, Da mãe Eva e pai Adão. Á imagem de Deus criados, Dotados de inteligência, Eram santos, sem pecado, Nesta era da Inocência. Tinham comunhão com Deus, Lhe expressavam em verdade, Seu amor e Sua Glória, Seu poder e santidade. Mas havia obrigações... E os mandamentos, enfim... Comer só ervas e frutos, Também guardar o jardim. Dominar sobre animais, E sobre os peixes do mar, E sobre as aves dos céus, E a terra povoar. Deus também os advertiu, Que lhes seria fatal, Se eles comessem o fruto, Da árvore do bem e do mal. Tinha o homem livre arbítrio, Liberdade p'ra escolher, Ou ceder à tentação, Ou a Deus obedecer. E foi o tempo passando, Até que veio Satanás, Introduzir confusão, Num ambiente de paz. Assim, ambos ignoraram, Os planos do Criador, Quando a dúvida abraçaram, Ao ouvir o tentador. De serpente disfarçado, Com astúcia os enganou, E foi assim que o pecado, P'ra sempre no mundo entrou. Superlivro Há um livro que dá que pensar - A Bíblia, obra milenar. A sua resiliência Mostra a sua transcendência. Factos históricos dizem: Poucos livros sobrevivem. Mas, nenhum foi atacado Como a Bíblia, Livro amado. Suscita animosidade, Ódio, raiva, hostilidade. Motivo identificado? Ela aponta o pecado. Que dizer de um ser humano Que vivesse tanto ano? Que fosse largado ao mar Sendo impossível de afundar? Que fosse lançado às feras, Às alimárias severas, Sem que fosse devorado, Nem ficasse maltratado? Que fosse aprisionado, Totalmente agrilhoado, E andasse sempre solto, Sempre, sempre desenvolto? Que fosse lançado ao fogo E nunca soltasse um rogo, Pois as chamas que o lambiam Liberdade lhe traziam? E que fosse envenenado Tendo saúde mostrado, Revelando-se saudável, De uma forma impecável? De super-homem se trata? Nenhum humano retrata, Mas a Bíblia esplendorosa, Superlivro, Superprosa. CMO - Qtª do Conde Anabela Dias – Paivas/Amora Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. (Sal.119:105)

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08 Confrades da Poesia - Boletim Nr 106 - Janeiro 2019 «Ponto Final» «Rádio Confrades da Poesia» “RCP” online desde 28/042017 http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/ RCP – RÁDIO CONFRADES DA POSIA ./. Enquanto você navega pela Internet poderá ser um fiel ouvinte e participativo da nossa RCP que é um espaço criado para o seu entretenimento Musical e Poético, que estará online 24 horas por dia, sem fins lucrativos. DJ - Pinhal Dias; fará semanalmente cinco emissões em directo online; poderá acrescer um especial directo... Feitura do Boletim O Boletim será sempre colocado à disposição dos nossos leitores mensalmente! Futuramente os Confrades enviarão os seus trabalhos em word até final do mês a decorrer. A feitura do Boletim será a partir do dia 1 até ao dia 2, que corresponderá à data de saída... Os seus poemas devem vir sempre identificados com o seu nome ou pseudónimo e localidade de onde escreve seu poema. O Tema continua a ser Livre! Para sua orientação sugerimos que consulte as páginas das Efemérides e Normas no site dos Confrades... Durante o ano corrente, é acrescido do “ESPECIAL NATAL “ http://www.confradesdapoesia.pt/normas.htm Amigos que nos apoiam As fotos deste Boletim são dos autores e outras da Internet «A Direcção agradece a todos os que contribuíram para a feitura deste Boletim». www.fadotv.pt ADMINISTRAÇÃO, REDACÇÃO E PUBLICIDADE Rua Seixal Futebol Clube N.º 1—1º D 2840-523 Seixal Voltamos a 3/02/19

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