Gazeta Valeparaibana

 

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Janeiro 2019

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Ano XI - Edição 134 - Janeiro 2019 Distribuição Gratuita E já é Ano Novo, outra vez 2018 PARA 2019 Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o Ano Pensar em 2019 e ter consciência que é possível fazer diferente do Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de que foi feito em 2018 e trocar o modelo negativo pelo positivo para vida, propósitos renovados para tantas coisas... recomeçar, com prazer, sem a exaustão do ano que passou com É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos novos objetivos e repetir o que deu certo, quantas vezes precisar, para o novo ano. com convicção de novas possibilidades, Página 2 Página 3 O paranormal Carlinhos ficou conhecido em todo o país por ter previsto a tragédia envolvendo o time da Chapecoense. Os anos passaram e o nome do vidente continua sendo um dos mais relevantes desse tipo de área. O vidente falou sobre o presidente eleito, Jair Bolsonaro. A previsão é de certa forma terrível, já que envolve o nosso futuro. Segundo Carlinhos, mesmo tendo prometido fazer o melhor para o Brasil, a gestão de Bolsonaro não será fácil. Em suas previsões, ele vê um problema em seu caminho e diz que Jair Bolsonaro poderá ter uma dificuldade em seus quatro anos de mandatos. Ele não saber se é saúde, mas “o vice vai tentar atrapalhar nessa situação”. Um estadista de verdade Neste século XXI, o mundo já não está divido entre os antagônicos blocos liderados pelos Estados Unidos e União Soviética. A União Soviética já não existe mais. Mas os países ocidentais ainda se incomodam com a posição russa na geopolítica. Por que a Rússia é tão incômoda ao Ocidente? Página 12 Viabilidade Já faz tempo que o MERCOSUL e a União Europeia tentam fazer um acordo comercial. É um acordo para abrir o MERCOSUL para os europeus e abrir a UE para os membros do MERCOSUL. Mas, a quem no Brasil, um acordo com a União Europeia vai realmente beneficiar? O Mercado Europeu vai fazer a indústria brasileira ser mais competitiva? Uma vez que o Mercado Europeu é muito exigente? Página 14 CULTURAonline BRASIL CARTA ABERTA A UM AMIGO QUE ODEIA CUBA Boa música Brasileira Palestras: - Cultura - Educação - Meio Ambiente - Cidadania Baixe o aplicativo Google Play no site www.culturaonlinebrasil.net Tantos anos se passaram desde a nossa infância, desde as nossas férias de verão , quando brincávamos juntos no mar ainda verde esmeralda de Ubatuba, onde nossos pais tinham a casa de praia e onde vivemos grande parte da magia daqueles anos. Página 16 O incêndio do Museu Nacional e o epistemicídio como projeto político de Esquecimento. Página 15 Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana E já é Ano Novo, outra vez Página 2 Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o Ano Novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de vida, propósitos renovados para tantas coisas... É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para o novo ano. Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta em que nos encontramos, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período convencional de um ano reinicia. Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que, quase sempre, esquecemos o que listamos? Alguns até esquecemos onde guardamos a tal lista, o que atesta da pouca disposição em perseguir os itens elencados. Ano Novo deve ter um significado especial. ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS (+ Datas? Visite nosso site) www.gazetavaleparaibana.com Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos emulados a uma renovação. Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional. Importar-se mais com os filhos, lembrando-se de não somente indagar se já fizeram a lição, mas participar, olhando, lendo as observações feitas pelos professores nos cadernos, interessando-se pelos conteúdos disciplinares. Sair mais com as crianças. não somente para passeios como a praia, a viagem de férias. 01 - Ano-Novo 06 - Dia da Gratidão 07 - Dia do Leitor 09 - Dia do Fico 20 - Dia de São Sebastião 24 - Dia da Previdência Social 25 - Aniversário de São Paulo 27 - Dia Internacional Vítimas do Holocausto 30 - Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete. Outros, para só ficar olhando a carinha lambuzada de chocolate, literalmente afundando-se na taça de sorvete. Outros, mais longos, para acompanhar o passo vacilante de quem está aprendendo a andar. Uma tarde para um papo com os que já estão preparando a mochila para se retirar do cenário desta vida, quem sabe, nos próximos meses? Isto é viver Ano Novo. Sair com amigos, abraçar amigos, sorrir pelo simples prazer de sorrir. Trocar e-mails afetuosos, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um olá, desejar boa viagem, feliz aniversário! Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso. A felicidade não é, portanto, um momento mas sim a consequência de nossa forma de viver ou de enfrentar a vida No final de um ciclo geralmente fazemos um "fechamento de contas", um "balanço", daquilo que nos havíamos proposto e não conseguimos, o que queríamos e não alcançamos, o que tínhamos e perdemos - inclusive entes queridos. Então, devido a diversos motivos, nesta época também existe uma cobrança excessiva, acompanhada de frustração e sensação de fracasso. Há muitos que se sentem so- Também pode pensar em mudar o visual. Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, fazer uma visita ao dentista. E é claro, um bom check-up. Porque cuidar da saúde é essencial. Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma. Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, devotar -se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo. Com certeza, cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista. Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalholar-escola. litários, angustiados, deprimidos e com uma falsa sensação de que todos demais estão felizes. Além disso, este "clima artificial" de alegria exagerada no final do ano pode ser extremamente enganoso e é em grande parte criado pela sociedade de consumo. Comemorações, festas nas empresas, festas com amigos, festa com parentes, presentes e presentes, viagens, gastos... Deixar-se levar por este clima de alegria artificial não é saudável. Ou coisas mais complicadas, como se dispor a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois. Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o novo ano. Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória. Seja este Ano Novo o ano de concretas realizações na sua vida! São os votos de toda a equipe do Jornal. Permita-se ser feliz, independente da época do ano É muito comum que as pessoas se façam perguntas ao refletir sobre o ano que passou. Acredito que não é possível montar um roteiro de como deve ser esse questionamento interior, pois esta é uma questão muito pessoal. Mas creio ser importante que ela pergunte para si mesma se conseguiu ser feliz. Um caminho para uma reflexão honesta de fim de ano, assim como os planos para o próximo período, é procurar ser feliz não só nesta época de fim de ano, mas sempre. Não se lamente, trabalhe as perdas e dificuldades, transformando-as em lições e cresci- mento pessoal. 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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana 2018 PARA 2019 Pensar em 2019 e ter consciência que é possível fazer diferente do que foi feito em 2018 e trocar o modelo negativo pelo positivo para recomeçar, com prazer, sem a exaustão do ano que passou com novos objetivos e repetir o que deu certo, quantas vezes precisar, com convicção de novas possibilidades, (o jogo só acaba quando se para de jogar). Sair da zona de conforto é como saltar de paraquedas, sem medo das consequências, sem ninguém pra te auxiliar; saltar de algo que não faz bem para despertar e cair numa realidade que pode ser bem melhor. A queda faz recomeçar, cura. Vale pagar o preço do medo que impede de enxergar para ver melhor a vida e não se escravizar por algo ou alguém que não valha à pena e parar de aceitar o que não quer mais. Pode ser que nem seja necessário descartar pessoas, mas, apenas mudar o caminho, pois o pior de tudo pode não ser o inimigo e sim manter-se ao lado dele. Ser confiante, mesmo que ande no escuro e acreditar que o melhor pode acontecer. Tomar posse da vida para que ninguém decida em seu lugar, construir seu próprio elo para que na turbulência os laços estejam firmes e não tenha dúvidas em confiar. Tirar o peso do ego também faz o caminho ter mais luz, protagonizar melhor a vida e o poder pessoal e, quando sentir um “friozinho na barriga”, não se esforçar para combater esse medo, apenas reconhecer o que tem de bom e deixar que seu lado flua seguindo com responsabilidade e, mesmo que cometer erros, permita-se ser imperfeito desde que tente fazer o melhor, seja seu próprio melhor amigo para sentir-se forte e orgulhoso. Todos têm problemas a serem superados como a ansiedade, medo, tristeza, porém, não meça esforços para não manter esse momento entediante e recuperar-se com determinação, sucesso e boas energias. O inesperado acontece, mas pode haver controle para lidar com uma coisa de cada vez e fazer com que tudo que desejar dê certo. É importante o relacionamento consigo ser saudável, pois é aí que tudo passa a ser bom ou ruim e se permitir acionar o gatilho da felicidade sem se comparar a outros. A trajetória é única, nunca se deve entregar os pontos. Há pessoas que consegue sucesso rapidamente ou mais facilmente, outras não, bem como alguns se ferem facilmente e outros se mantém inabalados por anos a fio. A verdade é que todos têm lugar e tempo certo, cada biografia é diferente mas de igual importância, cada qual com sua dose e medida de dificuldades e coragem. Os maus dias são experiências, os bons tornam a pessoa mais doce e a queda a torna mais humilde para quando alcançar o êxito saber manter o brilho. Caminhar a “duras penas” criam raízes fortes para quando estiver no topo saber não ter uma queda brusca e reconhecer que a insignificância está em não saber conduzir o voo seguramente. Enquanto respirar, o coração bater e tiver os pés no chão, está tudo bem, desde que não dramatize qualquer situação. O importante é não perder o poder da contemplação e a capacidade de lidar com o tédio para pensar melhor ao ficar consigo mesmo, pois os atropelos fazem perder a equilíbrio. Em 2019 decrete o que quer na vida e mesmo que tenha de enfrentar adversidades, mantenha-se firme nos seus objetivos. Não faça o bem em troca de benefícios para que isso não se torne hábito e nem parte de você. Genha Auga Jornalista MTB:15.320 Cora Coralina: “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que co- lher”. *** Einstein: “Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre”. *** Dalai Lama: “Só existem dois dias do ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e outro se chama amanhã. Portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver”. *** Provérbio chinês: “Jamais se desespere em meio às sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda”. *** Camilo Castelo Branco: “Não pense em jazigos! Coma e beba; a vida é um pagode, uma asneira alegre que se vai numa gargalhada”. *** Boris Pasternak: “O homem nasceu para viver e não para se preparar para viver”. *** Fernando Sabino: “Viver faz mal à saúde, envelhece, cria rugas, dá reumatismo, ataca os rins, o fígado e o coração”. *** Georges Bernard Shaw: “Enquanto tiveres um desejo, terás uma razão para viver. A satisfação é a morte”. *** Marilyn Monroe: “Não ligo de viver no mundo de um homem, desde que eu possa ser uma mulher nele”. Colaboraram nesta edição Genha Auga Mariene Hildebrando Loryel Rocha Sandro Ari Andrade de Miranda Pedro Augusto Pinho Almir Felitte Geraldo Eustáquio de Souza Lucia Helena Issa Johan Rockström Eduardo de Paula Barreto Fernanda Lima da Silva João Paulo E. Barros Leonardo Sakamoto Denis Churilov Callendar PRECISA-SE de voluntário revisor de textos - Contato: gazetavaleparaibana@gmail.com IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Diretor, Editor e Jornalista responsável Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 4 E a intolerância e ignorância continuam e discriminação. Há quem não consiga entender que tudo muda o tempo todo, falta amadurecimento para entender que não podemos manter pos- Incrível perceber que em pleno século XXI, existem pessoas que propa- turas rígidas, que as diferenças existem e que as pessoas são diferentes, gam o ódio, o antissemitismo, o racismo, a homofobia, o preconceito e a pensam diferente, e que não preciso gostar disso, mas não preciso agir intolerância, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. E esta- com desrespeito em relação ao outro. Para sobreviver é preciso aceitar mos falando aqui também de jovens, pessoas que nasceram nesse sé- as mudanças. Para continuarmos a evoluir como seres humanos inseri- culo e deviam ter aprendido algo com a história, mas não, continuam a- dos em uma sociedade que ainda deixa a desejar quanto aos direitos bá- gindo como pessoas ignorantes , com ideias retrógradas, atrasadas, pre- sicos do homem, temos que continuar insistindo e lutando por um mundo conceituosas. Construir um mundo sem preconceitos é uma utopia, não mais justo, com mais dignidade e igualdade de oportunidade para todos. acredito ser possível, minha fé no ser humano está um pouco abalada, são tantas situações terríveis que chegam aos nossos ouvidos que me Como diz a carta de princípios sobre tolerância, “a tolerância não é con- parece difícil acreditar que o ser humano possa um dia aceitar as diferen- cessão, condescendência, indulgência” Não é privilégio de alguns, mas ças sem ofender e sem discriminar. sim, faz parte da vida das pessoas, da sociedade como um todo. Não há dúvida que a diversidade nos faz progredir. A palavra chave que Quem sai perdendo com tanta ignorância e intolerância somos todos nós. define Tolerância é respeito, e o que nos faz sair da ignorância é a edu- É a sociedade. Graves desrespeitos aos Direitos Humanos, guerras de cação. todos os tipos, a intolerância religiosa, motivo de tantos conflitos pelo mundo, a intolerância política, étnica, racial, territorial, cultural e outras Temos muita facilidade de comunicação, informações do mundo inteiro tantas que existem. chegam até nós e podemos perceber como as pessoas vivem como são, mas isso não diminuiu a intolerância. Conseguimos perceber grupos ten- A intolerância nos leva a crueldade, a prova disso está na história, está tando afirmar sua identidade frente a toda essa globalização, e, isso aca- no noticiário, no nosso dia-a-dia. Temos o nazismo na Alemanha, que ba formando movimentos que tentam afirmar o que é aceitável ou não. O pregava o antissemitismo e a eugenia, e infelizmente ainda tem muitos fato de alguém não se adequar a esses padrões gera a exclusão. Dizer discípulos espalhados pelo mundo, o integralismo no Brasil, que era con- que não temos preconceito nenhum seria muita pretensão? Provavelmen- siderado um movimento fascista, associado à moral religiosa, racista, o te sim. Não gostar de algo, é uma coisa. Mas quando o que eu digo ou apartheid na África do Sul, a segregação racial e o racismo nos Estados faço causa dor, humilhação, e, fere a dignidade de alguém, então eu te- Unidos. A intolerância religiosa no mundo que motiva guerras e ódio entre nho responsabilidade sobre isso. Se eu nego oportunidades a alguém por nações e pessoas desde há muitos séculos. Não tenho receio de afirmar conta do que eu falo eu estou cometendo um crime. Eu não sou obrigado que quanto ao preconceito não podemos ser tolerantes, não podemos a gostar, mas não posso ofender. compactuar com isso. A intolerância parece que virou moda, tem aumen- tado em vez de diminuir, falta às pessoas se colocarem mais no lugar do Diz a declaração dos Direitos do Homem que todos os homens nascem outro e pararem de achar que podem julgar tudo e todos. iguais, sim, mas por pertencerem a grupos diferentes essa igualdade não é uma realidade. Nascem iguais em direitos apenas. Existem Brigas que não valem a pena a gente entrar, mas existem polê- micas e temas que vale a pena discutirmos e lutarmos contra. Quem sa- As pessoas mais frágeis necessitam de um suporte, por isso as leis são be assim a gente consiga mudar algo, pelo menos tentar, quem sabe al- necessárias, para que aja esse amparo. gumas cabeças que pensam pequeno consigam se abrir para outras vi- sões de mundo, onde a intolerância não seja parte dele. Intolerância e ignorância andam juntas. No dicionário Priberam da Língua Portuguesa, ignorância é “ o estado de quem ignora, é a falta de ciência Mariene Hildebrando ou saber e é a incompetência”. Professora e especialista em Direitos Humanos E-mail: marihfreitas@hotmail.com Ao ignorante falta compreensão e entendimento, o que por sua vez o leva a ser intolerante com aquilo que desconhece, acaba gerando preconceito Vivemos tempos de intolerância no Brasil e no mundo. E a intolerância, seja qual for, por princípio jurídico universal fere o artigo 7º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e se caracteriza pela falta de informação e vontade em se conhecer e respeitar as diferenças em crenças, opções sexuais e opiniões. A sociedade parece estar se esquecendo do quanto é importante, para a convivência soci- al, aceitar, suportar, ser indulgente e clemente com os outros, as definições da palavra tolerar. A MORTE DA VERDADE do sistematicamente pela poluição e pela ganância. A sua morte encontra -se em contagem regressiva dadas as aceleradas mudanças climáticas. Achille Mbembe, historiador e A Democracia? Também foi fulminada pelo crescimento da xenofobia e cientista político camaronês, de governos neoliberais que trocaram a vida por números. Os EUA, em decretou, em artigo no jornal 2016, e o Brasil, em 2018, já deram provas de que o povo é capaz de co- britânico The Guardian em meter suicídio quando se apega ao medo, ao preconceito e à mentira. dezembro de 2016, a “morte Isto já havia acontecido com a Alemanha na década de 1930. Logo, não do humanismo”. Naquela épo- temos surpresas. O Direito, então? Este morre com a democracia, tentou ca afirmou de forma peremp- renascer várias vezes como Fênix, mas a sua morte é um processo contí- tória: “Não há sinais de que nuo de repetições. E Deus, a resposta para os limites dos seres huma- 2017 seja muito diferente de nos? Bom, este, pelo menos no Ocidente, morreu quando controlado pe- 2016. Sob a ocupação israe- los “vendilhões do templo”. O comércio da fé é o pior símbolo de destrui- lense por décadas, Gaza con- ção da dignidade humana, pois afeta o sagrado, aquilo que guardamos tinuará a ser a maior prisão a de mais íntimo, por isto é uma morte violenta. Já matamos Deuses e céu aberto do mundo”. Mais adiante aborda a violência do racismo polici- Deusas diversas vezes com os genocídios colonialistas, desta forma, a al estadunidense, a guerra de terror imposta pela destruição do planeta, a nossa espécie já possui experiência. orgia da fome espalhada pelo capitalismo financeiro, a emergência do ódio como última fronteira do humano. Não é nenhum exagero afirmar que em cada uma destas mortes o ser humano, como espécie, mata a si mesmo. Nada consegue sobreviver ao Tomar Israel como ponto de partida é uma medida lapidar. Criado pela cataclismo de destruição que estamos colocando em prática. Embora o Assembleia das Nações Unidas de 29 de novembro de 1947, como um visionário Giordano Bruno acreditasse em reencarnações, ele mesmo foi possível refúgio para as vítimas apátridas do nazismo, o país invadiu a queimado em Roma, no ano de 1600. E aqui talvez possamos encontrar Palestina tornando a região em verdadeiro campo de concentração, tal a última morte decretada, a da “verdade”. Ela insiste em resistir, se es- qual Auschiwtz-Birkenaw ou Dachau, verdadeiras máquinas de produção condendo em cada canto que encontra. Fugiu do gueto, quando necessá- de cadáveres em escalas. A violência de Israel contra os Palestinos e os rio, do campo de concentração, dos Tribunais do Santo Ofício, tornou-se bombardeios cegos contínuos contra Gaza, são a prova absoluta de que expert em camuflagem. Mas não tem jeito, os seres humanos descobri- a cultura da violência só produz mais violência. ram a tecnologia perfeita para matá-la… O que mais pretendemos matar? O Planeta? Este vem sendo envenena- Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana O Fim do Estado de Direito? Página 5 Feliz Ano Velho A Constituição da República Federativa do Brasil define, ainda no seu preâmbulo, que o país é um “Estado Democrático de Direito”. Tal definição tem implicações ainda maiores do que o conceito tradicional construído pelas Revoluções Liberais dos séculos XVII e XVIII. Se o Estado de Direito é aquele que salvaguarda as leis, os direitos e as liberdades civis de primeira geração, com respeito ao ordenamento formal, o “Estado Democrático” vai além, promovendo a construção de uma sociedade com justiça social e igualdade material. Aliás, tais valores estão expressos ainda nos primeiros artigos da nossa Lei Maior. Outra característica do “Estado de Direito” é a sua oposição ao “Estado Policial”, ou seja, aos regimes autoritários e totalitários onde direitos e liberdades são apenas disposições de pedaço de papel. Portanto, o que observamos nas ditaduras latinoamericanas das décadas de 1960 à 1980, jamais foram estados de direito no sentido conceituado pelos revolucionários iluministas, pois não basta haver separação formal de poderes, nem normas aprovadas dentro de um sistema formal. Antes de tudo é necessário a salvaguarda de direitos e liberdades e das suas garantias, o que inclui, inclusive, o direito de se opor ao arbítrio (vejam o direito de resistência consagrado pela Declaração de Direitos de Virgínia, de 1776). No Estado de Direito, tais valores fundantes se sobrepõem à decisão momentânea de dirigentes políticos, mesmo que eleitos em processo direto e às vontades individuais de juízes. É exatamente por isto que a nossa Constituição elenca uma série de “Cláusulas Pétreas”, as quais não podem ser modificadas pelos governantes de ocasião, por Emenda Constitucional ou pela doutrina e jurisprudência dos Tribunais. O “devido processo legal”, por exemplo, é uma garantia inscrita no art. 5º, LIV, CF/88. Logo, não pode ser derrubado em nenhuma hipótese. Da mesma forma, direitos e garantias decorrentes de documentos como a Convenção de San José da Costa Rica e da Declaração de Direitos Humanos das Nações Unidas de 1948, em consonância com a regra do § 2º, do art. 5º, da Norma Fundamental, também são protegidos. Outra cláusula pétrea é aquela que impede a prisão política, sendo vedada a existência de “juízo ou tribunal de exceção” (art. 5º, XXXVII). O mesmo vale para o direito à vida, à igualdade, à liberdade de ir vir, de opinião, de reunião, de expressão, dentre tantas outras. Ainda assim, não é isto que observamos no Brasil atual. A violação de direitos humanos é uma constante, inclusive com convalidação ou decisão do judiciário. Possuímos, pelo menos, um preso político notório, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado em processo sem provas e sem tipificação, submetido à execução provisória de uma pena sem esgotamento das instâncias judiciais de recurso, sem trânsito em julgado da sentença e em desacordo com o devido processo legal. Obviamente, o que atinge Lula também pode resultar em efeito cascata para todas os cidadãos e cidadãs, tornando a regra do devido processo legal “letra morta” na Carta Constitucional. Mais grave de tudo, a decisão da execução provisória não está embasada em nenhum risco processual, nem na possibilidade de fuga do réu. Não é uma execução cautelar, mas definitiva. Lula se negou a buscar asilo em embaixadas, mesmo com oferta, e optou por defender a sua inocência em território brasileiro. Portanto, a única sustentação da sua prisão é arbítrio judicial, inconstitucional, contrário aos fundamentos da nossa Constituição que resguardam a dignidade humana. Mas o desmonte do Estado de Direito ainda vai mais longe. O país está ameaçado pela extinção de normas que consagram a nossa reserva civilizatória, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Legislação Ambiental, de Defesa dos Consumidores, de proteção do trabalho, liberdade de ensino, de opinião, de manifestação e reunião, dentre outras. Todas sob duas falácias básicas: segurança e atividade econômica. O futuro Ministro da Justiça, Sérgio Moro, defende o fim do sigilo das conversas entre o acusado e seu advogado, o que é a essência do princípio da ampla e plena defesa. Na prática, estamos acompanhando a implementação daquilo que chamamos de “lei em movimento”, de uma jurisprudência móvel, da aplicação da Lei conforme o interesse de quem gerencia o processo e a sua relação com as partes, com excesso de discricionariedade e sem nenhuma reserva de princípios, tal qual faziam os tribunais nazistas. A isto chamamos de Estado Policial, Ditatorial, o que é a antítese do Estado de Direito. Sandro Ari Andrade de Miranda Advogado, mestre em ciências sociais . Adeus dois mil e dezoito Despeço-me com melancolia Do ano em que tive o desgosto De testemunhar a Democracia Sendo vítima de uma cilada Feita pela mesma gente fardada Que retirou da parede o retrato Do Presidente João Goulart Só que desta vez sem usar As armas de sessenta e quatro. . Quando der meia-noite De trinta e um de dezembro Os rojões saudarão ferozes A nova bomba do Riocentro E seus ecos calarão o som De quem faz da canção Uma forma de protesto E os jornais que têm lisura Serão vítimas da censura Até virarem jornalecos. . Os escritores e poetas Cujas letras ninguém cala Verão as suas canetas Virarem paus de arara De onde pensamentos diversos Fluirão como textos ou versos Escorrendo diante dos olhares Daqueles que se regozijam Ao verem os que agonizam Nos calabouços militares. . E quem ousar bater panela Em busca do bem coletivo Será jogado numa cela Acusado de terrorismo E o Ministro da Justiça Como membro de uma milícia Usará o seu poder absoluto Para fazer da corrupção Uma peça de ficção Ao proteger os corruptos. . Dois mil e dezenove Será um ano decisivo E quem é de direita hoje Dirá ser indeciso E quando a sociedade Começar a sentir saudade Do que era viver livremente Todos chegaremos à conclusão De que a melhor direção É sempre para a frente. Eduardo de Paula Barreto Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 6 Vamos ignorar o elefante na sala? Bolsonaro fez sua campanha presidencial do mesmo modo como sempre se comportou no Congresso: defendendo a Ditadura e a Os tempos já não são perseguição a seus opositores. Sua turba, é claro, regozijou-se. como antes, e a oposição Mas, do outro lado, houve quem tivesse esperança de que, no 2º também não deve ser. Me turno, ele seria obrigado a baixar o tom. Mais uma vez, não perdoem o desespero, baixou… mas há um elefante na sala e uma grande parte E tampouco apresentou propostas para o País. Seguiu fazendo sua do país está simplesmente campanha centrada mais em seus “inimigos” do que em um projeto fingindo que não o vê de país, mesmo que alguns desses inimigos nem existissem de verdade. Afinal, foi no 2º turno que se descobriu que, via A tragédia anunciada WhatsApp, Jair Bolsonaro criava seus próprios moinhos de vento aconteceu. Anos de esgarçamento da nossa Democracia não para vender a uma população desinformada a imagem de que ele poderiam ter outro fim que não fosse o próprio fim da Democracia. era o próprio Dom Quixote. Mas, mesmo nesse momento, ainda há quem pense que estejamos vivendo na plenitude do jogo e das regras democráticas. Pior de Num esquema fraudulento que envolvia Caixa 2, doações ilícitas de tudo, ainda há quem continue apostando toda sua luta nessas empresas e disparos ilegais de mensagens, Bolsonaro já havia mesmas regras, mortas há pelo menos 3 anos. destruído a imagem de seus opositores com mentiras que beiravam o ridículo. Aliás, Bolsonaro já havia destruído as próprias eleições. É triste ver a ingenuidade de quem diz que será oposição e deseja Tudo com o aval da Justiça Eleitoral, que ao invés de combater as boa sorte ao mais novo mandatário do País. Ora, nem parece que redes de “Fake News”, achou mais plausível combater Roger o Brasil vive sob um Golpe desde 2016. Nem parece que as Waters. eleições deste fim de semana foram mais um fruto desse Golpe. Ao perceber o que acontecia por debaixo dos panos, foi bonita a Em 2014, Dilma foi eleita e, já no dia seguinte à eleição, ouvira do reação da esquerda brasileira. Bonita, mas também melancólica. Já opositor derrotado as ameaças de que não conseguiria governar o era tarde demais para virar o jogo. A bem da verdade, desde 2016 país. E não conseguiu. Foi já em 2014 que o Golpe, que se já era tarde demais para apostar nas instituições. concretizou em 2016, começou a ser orquestrado. Em meio a sabotagens no Congresso, correu um processo de “impeachment” Um “impeachment” sem base legal, a prisão política do maior que, desde o seu início, não respeitou em nada as leis brasileiras. candidato da oposição e favorito nas eleições e a vitória de um Sob o olhar de um STF cúmplice, rasgou-se a Constituição para candidato que, visivelmente, se utilizou de uma série de métodos colocar no poder o grupo político que hoje aí está. ilegais para vencer a eleição. E ainda há quem diga que devemos, simplesmente, aceitar o resultado e torcer pelo melhor, como se Fomos às ruas para impedir o Golpe, mas, reconheçamos, nos nada tivesse acontecido? faltou energia. Havia quem já pensasse em 2018. Triste ingenuidade… Como se não bastasse, não é como se esse processo tivesse alçado só mais um Presidente ruim ao poder. Não estamos falando E então 2018 chegou, não sem, antes, o grupo político que havia de um democrata. tomado o poder passar um trator de austeridade no país. Não sem, antes, esse mesmo grupo triturar direitos trabalhistas do povo Bolsonaro é um entusiasta do período da Ditadura Militar brasileira brasileiro. Não sem, antes, a turma de Temer ter invocado e, nos últimos 30 anos, não faltam promessas do mesmo de que, perigosamente a turma dos militares para resolverem conflitos se um dia chegasse ao poder, ele gostaria de repetir os mesmos políticos que o Governo não resolvia. métodos. Essa foi, inclusive, a sua plataforma de campanha, oras! Mas tudo bem, 2018 chegava junto com a nossa salvação. Era a Há pouco mais de uma semana, Bolsonaro prometeu a seus volta de Lula, o País feliz de novo. Era mais um engano de quem seguidores, em uma Avenida Paulista lotada, que varreria seus insistiu em acreditar que “as instituições brasileiras estavam opositores, os “marginais vermelhos” do país. Depois de eleito, pra funcionando normalmente”. quem acreditava que ele diminuiria o tom, fez questão de deixar claro, no Jornal Nacional, que os tais “marginais” eram os seus Lula, ao qual cabem muitas críticas, mas não nesse artigo, opositores do PT e do PSOL. Também esclareceu, como sempre disparava nas pesquisas eleitorais. A dúvida era se a vitória viria no prometeu, que enquadrará o MST, o MTST e outros movimentos 1º ou no 2º turno. Ao menos na cabeça dos que ainda acreditavam como organizações terroristas. nas instituições. Porque, na cabeça de quem não via lógica em um grupo que deu o Golpe em 2016 perder o poder dois anos depois Tudo isso tendo como pano de fundo um plano liberal de em eleições democráticas, a real dúvida era quando sabotariam as austeridade, na figura de Paulo Guedes, que já massacra o povo eleições. há mais de 3 anos no Brasil. Tal plano, porém, sequer foi discutido pela população, ocupada demais debatendo os “moinhos de vento” Foi então que, sob a chancela do STF (mais uma vez), o rasgador criados por Bolsonaro, como o “kit gay”. oficial da Constituição acovardado por ameaças militares, Moro encarcerou o jogo democrático em uma cela em Curitiba. Porém, de forma desesperadora, vemos, agora, a grande mídia e até mesmo setores teoricamente progressistas tentando, Esse é o fio desenrolado que nos trouxe até aqui. Em resumo: um forçadamente, encarar com normalidade toda essa situação. Golpe em uma Presidenta legítima e a prisão política do principal Encarar com normalidade o candidato que recebeu apoio da Ku candidato da oposição num espaço de 2 anos. Já seria o suficiente Klux Klan e que, nos jornais do mundo todo, é chamado sem meias para que o povo brasileiro não reconhecesse a legitimidade do palavras de fascista. resultado eleitoral deste fim de semana. Mas tem mais, muito mais… Será que parte de nós já esqueceu que, durante toda a campanha eleitoral, dizíamos estar combatendo o fascismo. É aceitável que a Isso porque o resultado eleitoral deu a vitória a Jair Bolsonaro. Um democracia eleja um fascista? É possível torcer pelo melhor de um entusiasta da Ditadura que, por quase 30 anos, covardemente Governo fascista? Devemos aceitar uma chapa que já falou escondido atrás de sua imunidade parlamentar, usou seu mandato abertamente em “auto-golpe”? Vamos mesmo pagar pra ver? de deputado federal para pregar a tortura e a violência política no Congresso. Os tempos já não são como antes, e a oposição também não deve ser. Me perdoem o desespero, mas há um elefante na sala e uma Até pouco tempo atrás, imaginar que aquele ser abjeto poderia ser grande parte do país está simplesmente fingindo que não o vê. nosso Presidente era motivo de piada. Mesmo que já fosse Esse elefante veste farda e tem nome: fascismo. chocante o suficiente que ele se candidatasse ao cargo, porém, houve quem, mais uma vez, se rendesse à ingenuidade para Almir Felitte acreditar que, ao menos em campanha, ele diminuiria o tom. Não Graduado pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da baixou… Universidade de São Paulo. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 7 PAPO PRA DEPOIS! MÃE NATUREZA! Voltei ao normal. Ufa! Finalmente livre daquela roupa quente e vermelha, aquele algodão na cara fazendo de conta ser barba e bigode, soltei as renas, replantei a árvore... Genha Auga Ano que vem o bom velhinho será mais real, uma panela na cabeça igual o “menino maluquinho”, calça de moletom confortável, chinelos, uma cartola de mágico, entrar pela porta da frente com dignidade, enviar um “zap” avisando que estou chegando... A árvore de Natal será um passe de mágica para as crianças que não a tem; sairá da cartola um biscoito enorme em forma de árvore enfeitada com guloseimas e muito chocolate (abaixo as bolinhas e frutinhas), criança gosta de “besteira”, se come bem durante o ano isso não lhe fará mal algum e, se não come, a diferença não será o que comer nesse dia... Nada de renas e sim cães (um pouco de enfeite natalino neles não fará mal nenhum), que me ajudarão a carregar os pacotes e a brincar com a criançada. E depois que acabar o Natal, sobrará a árvore para ser devorada, os presentes serão decodificados magicamente perante os pais, de acordo com o que partilharam com os filhos durante o ano... Será que vai ser bom? He he he... Para alguns sim, mas, para outros uma boa oportunidade para rever sua história de ano e entender que criança de hoje não quer só brinquedo de Natal mas, melhores pais e serem crianças felizes, seguras e com boa educação. O cachorro pode até ser adotado depois e Papai Noel agradece, pois a verba do ano não é suficiente para comprar ração e pagar veterinário e os mimos do pet shop, animais hoje em dia competem com filhos e são melhores ensinados. Vem a natureza e se rebela. Trouxe aos homens o mais belo da vida, Foi destratada e lhes devolve com ira, Responde ao homem de qualidade vil, Irá desaparecer para que aprenda a viver. Vem a chuva, desmorona, arrasta, O calor intenso, incendeia, alastra, mata, O frio, penetra nos ossos, adoece, enrijece, O outono, perdeu o romance e a poesia entristeceu Deixando os homens, sujeitos a morte. Ano novo e desafios a serem enfrentados Ano novo na busca de soluções, Ano novo com saudade de anos velhos, Ano novo, mais tecnologia, menos amor. Em casa, sem o disfarce, conversando com minha árvore que achou ótima ideia para os próximos anos, não arrancá-la do chão para enfeitar por uns poucos dias as casas, as renas não virem de tão longe numa jornada cansativa mesmo que pelos ares, pois nossos cães são prestativos e adoram correr pra lá e pra cá e visitar os amigos e reconhecer onde estão os inimigos... Fim dos tempos? Não, tempos novos, tecnologia, sociologia, praticidade, mais verdade e menos fantasias. Sem precisar deixar o romantismo, a proposta é mostrar que o Natal pode ser todos os dias, mas, já que a data é marcada e certa, vamos comemorar “de boa”, no jeitinho brasileiro e no linguajar do jovem que já não crê no que não vê, eles sabem decodificar até nossos pensamentos, imagine pensar em Papai Noel descendo pela chaminé trazendo tantos presentes e para crianças que precisam entender que presente custa e pra ganhar, tem que trabalhar e muito. Promessas! O que se se salvou... Que seja então essa a cruz do homem! Que pague o preço do descaso, Que a falta de respeito, mãe natureza não perdoe. Que seja essa uma lição para a humanidade, Como resposta pela sua vaidade! Fim de papo de Natal e fica para o próximo ano a nova versão aqui proposta. Ou não? Genha Auga Jornalista MTB: 15.320 Existe apenas uma idade para sermos felizes, apenas uma época da vida de cada pessoa em que é possível sonhar, fazer planos e ter energia suficiente para os realizar apesar de todas as dificuldades e todos os obstáculos. Uma só idade para nos encantarmos com a vida para vivermos apaixonadamente e aproveitarmos tudo com toda a intensidade, sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que podemos criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança, vestirmo-nos de todas as cores, experimentar todos os sabores e entregarmo-nos a todos os amores sem preconceitos nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que toda a disposição de tentar algo de novo e de novo quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na nossa vida chama-se presente e tem a duração do instante que passa.. Geraldo Eustáquio de Souza Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 8 O MERCADO PRECISA EXPLICAR sempre com o patrocínio e aproveitamento dadas, para estes trilionários, em dólares, O Mercado chegou ao Brasil com as carave- do mercado. fundos de investimentos. las de Pedro Álvares Cabral. No Volume VI, da História Geral da África, Deste modo, as empresas, antes competin- E tratou logo de trocar o pau-brasil, a nossa ibirapiranga, por espelhinhos e outras bugigangas com os índios. Estes, encantados com a novidade, foram alegremente destruir as florestas para abastecer as caravelas. Chamou-se, depois, na nossa história, de ciclo do pau-brasil. Em seguida, o mercado foi à África e arrebanhou diversas etnias – nagôs, jejês, fanti, fulas, mandingas e, principalmente, malês e bantus – e os colocou para morrer em canaviais, por fome, doença ou torturas, para que o mercado levasse açúcar para Europa. Ainda no ciclo do açúcar, chegaram asiáticos, com suas famílias, escravizados por dívida, para trabalhar no sudeste. A tecnologia exigida pela transformação do ciclo do açúcar no ciclo do café levou à farsa da libertação dos escravos para a escravidão permanente pelas dívidas e salários de fome. Todas as tentativas de industrialização do Brasil foram obstaculizadas, combatidas, desfiguradas pelo mercado. Por isso, jamais tivemos o ciclo industrial. Apenas, aqui ou ali, um sopro, uma tentativa, logo assassinada por campanha de demérito do brasileiro, do convencimento que não tínhamos nem teríamos condição de ser um País industrializado. editada pela UNESCO, temos a informação que o Brasil recebeu 38% de todos os africanos que vieram para as Américas. E já descontados os cerca de 15%, que diversos historiadores apontam como mortos na travessia África-América. O mercado precisa explicar isso; ou, lavajatianamente, não tem importância? Sem o ciclo industrial, nem se poderia pensar no ciclo científico-tecnológico que faz a diferença no século atual. A tentativa de emergir, colocar a cabeça acima do nível da água, foi tentada no Governo Geisel. Veja que entre março de 1974 a 1979, foram criadas a Cobra (julho/1974), desenvolvimento da informática, a Nuclebrás (dezembro/1974), desenvolvimento da tecnologia nuclear, o Programa do Proálcool (1975), desenvolvimento de tecnologia da energia, e ampliação da Embraer (criada em 1969), tecnologia aeroespacial, hoje todas encerradas, privatizadas ou adormecidas, sem recursos orçamentários. No século XXI, o mercado se resumiu às finanças. É o sistema financeiro internacional, que denomino, abreviadamente, banca. E a banca transformou tudo que se fatura, por salário, por lucro, por aluguel, em juros, em dívida à banca. E deste modo foi se apossando de todos os bens. do pelos clientes, tem hoje os mesmos donos, denominados BlackRock, State Street Global Advisors, Allianz Global Investors, Vanguard Group, Fidelity Investments etc. Eles são os donos da Unilever e da ColgatePalmolive, da Ford e da General Motors, da Exxon e da Shell, das empresas de comunicação e de entretenimento. O mercado precisa, então, explicar o que é competitividade; ou isto também não tem importância? Sendo dono das empresas, como bom administrador, o mercado não vai ter custo administrativo e logístico dobrado ou triplicado, nem oferecer vantagem para conquistar um bom operário. Por isso vemos, também, os salários diminuindo e o número de empregos sendo reduzido. O mercado deve explicar isso; ou ainda não tem importância? A escola, o hospital, o ônibus ou o trem, de algum modo estão nas mãos do mercado. E, por isso, que rareiam ou somem, onde não dão lucros compensadores ao mercado. Afinal, para economia do mercado não é o atendimento, bom ou péssimo, que interessa, mas o lucro que se pode obter. Será que o mercado não nos deve uma explicação pela falta destes serviços fundamentais para a vida e dignidade humana? Ou também nossa vida não tem importância? É emblemática a frase de Eugênio Gudin, para Edmundo Macedo Soares, a respeito da criação da Companhia Siderúrgica Nacional: siderurgia é para brancos, não é coisa para nós. O mercado criou empresas de investimento, poderosos fundos de aplicação, coletando desde fortunas de famílias, lucro de traficantes, subornos de dirigentes privados e públicos, salários de magistrados e barnabés, e, Com meu agradecimento ao culto e percuciente analista Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães que, em palestra, em 01/11/2018, iluminou-me para escrever este artigo. Retomemos, brevemente, o vergonhoso período de 400 anos de escravidão oficial, se for possível, as esmolas caridosamente Pedro Augusto Pinho Avô, administrador aposentado T erra daqui a 200 milhões de anos: cientistas mostram Se mantiverem as condições atuais — com o Atlântico a se ampliar 'supercontinente' do futuro. e o Pacífico a diminuir — o novo supercontinente se formaria na CIÊNCIA E TECNOLOGIA parte oposta à antiga Pangeia, indicam especialistas. As Américas se colidiriam com a Antártida, que continuaria se movendo ao norte Dentro de 200-250 mi- e, em seguida, com a África e Eurásia já unidas, para criar a chalhões de anos, nosso pla- mada Novopangea. neta terá um aspecto totalmente distinto do que ve- Se a expansão do Atlântico começar a se interromper, seus dois mos hoje, ao juntar todos pequenos arcos de subducção poderiam se estender ao longo da os continentes atuais em costa oriental das Américas, o que levaria a uma recreação de Panum novo supercontinente, geia. Os continentes voltariam a se unir em um supercontinente descobriram os investigadores Mattias Green (da Universidade de chamado Pangeia Última, que estaria rodeado por um superoceano Bangor, Reino Unido), Hannah Sophia Davies e João C. Duarte (da Pacífico. Universidade de Lisboa, Portugal). Aurica No artigo, publicado no portal The Conversation, os cientistas expli- No caso de aparecerem novas zonas de subducção no Atlântico, cam que as placas tectônicas que formam a crosta terrestre estão ambos os oceanos poderiam se fechar e criar uma bacia oceânica. em movimento constante, deslocando-se a uma velocidade de pou- Neste cenário, a rachadura pan-asiática, que atualmente atravessa cos centímetros por ano. Em termos geológicos, isso faz com que, a Ásia, iria se abrir para formar um novo oceano. O resultado disso de vez em quando, os continentes se juntem em um supercontinen- seria a formação do supercontinente Aurica, em cujo centro estaria te que se mantém unido durante centenas de milhões de anos an- a Austrália. tes de se dividir novamente. Amasia O último supercontinente Pangeia, que existiu entre 200 a 540 mi- O quarto cenário supõe um "destino completamente diferente para lhões de anos atrás, durante a era Paleozoica, começou a se sepa- a Terra futura", segundo os pesquisadores. É destacado que várias rar há aproximadamente 180 milhões de anos. Espera-se que o placas tectônicas, inclusive a África e Ásia, estão se movendo atupróximo seja formado em cerca de 200 a 250 milhões de anos. A almente ao norte. É possível que todos os continentes, exceto a ruptura de Pangeia levou a formação do oceano Atlântico que ain- Antártida, continuem avançando ao norte até se unir ao redor des- da está se ampliando, enquanto o oceano Pacífico está se estrei- se Polo em um supercontinente, nomeado de Amasia. tando. De acordo com as avaliações dos cientistas, o cenário da Novopan- Segundo os autores do estudo, há quatro cenários fundamentais gea é o mais provável, sendo uma progressão lógica das tendên- para a formação do próximo supercontinente: Novopangea, Pangei- cias atuais, enquanto os outros três precisam da intervenção de a Última, Aurica e Amasia. processos adicionais. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 9 DESIGUALDADE DE RIQUEZA E segmentos da mesma sociedade, com brâmanes e dalits edade. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, por exem- DESEQUILÍBRIO DE PODER: (os “excluídos”, ou “intocáveis”) tendo, entre outras coisas, plo, tem um valor equivalente aos salários anuais de cente- UMA CRISE GLOBAL. diferentes cores de pele. E, embora esse tipo de hierarquia nas de milhares de programadores de alto nível / engenhei- A desigualdade de riqueza vem se tornando cada vez mais social fosse adequado para o seu tempo, permitindo que ros de software. Faça uma pergunta a você mesmo: quem atual ao longo dos anos. Apesar do fato de a mídia corpo- os indianos criassem uma das civilizações mais avançadas é mais importante para o Facebook e para o progresso da rativa ter publicado centenas de artigos sobre o assunto, do mundo no primeiro milênio aC, esse sistema perdeu Humanidade em geral: centenas de milhares de programa- muito poucas tentativas foram feitas para entrar na mecâni- quase toda a sua potência no final da Idade Média, deixan- dores altamente qualificados ou um Zuckerberg? É impro- ca real desse fenômeno e tentar explicar a teoria por trás do a região indefesa contra mais poderes capitalistas / co- vável que a resposta seja a favor de Zuckerburg, especial- dele. Tentamos preencher humildemente as lacunas e for- loniais imperiais avançados que lutavam pela hegemonia mente considerando que pessoas e entidades como ele necer um contexto mais amplo para o problema. mundial. normalmente usam seus ativos financeiros para ganhar Há uma velha piada dizendo que, em vez de ajudar os po- Pesquisas vêm mostrando há décadas que países com ainda mais poder à custa de todos os outros. bres, socialistas e comunistas sempre lutaram contra os grandes diferenças entre ricos e pobres são muito propen- O mais perturbador é que a desigualdade econômica vem ricos. Essas piadas podem ser engraçadas, mas há tam- sos à corrupção e têm níveis mais altos de tensão social, o aumentando em todo o mundo nos últimos anos. Nos Esta- bém uma realidade que gera a teoria das formas: você não que, obviamente, não contribui bem para a estabilidade dos Unidos, por exemplo, as pessoas cujos salários estão pode ter pobres se não tiver riqueza. E vice versa. social. Os países onde os muito ricos dominam muito mal nos 5% mais altos do país estão vendo seus salários su- experimentam problemas enormes (e muitas vezes fatais). bindo quase quatro vezes mais rápido do que os salários “Rico” e “pobre” são os termos usados para comparar as pessoas umas às outras em termos de riqueza. Se todos são ricos em qualquer sociedade, ninguém é. Desnecessário será dizer que a excessiva segregação socioeconómica prejudica a concorrência leal. Há uma chance muito pequena de que o filho de um motorista de dos trabalhadores americanos regulares. A Rússia viu recentemente um aumento acentuado no número de pessoas excessivamente ricas, mostrando um aumento de 19,7% Quando a diferença de riqueza entre as pessoas cresce ônibus possa competir de maneira justa contra uma criança no número de milionários em 2017, com o número total de significativamente, ela se transforma em poder. Se um mili- cujos pais são bilionários, devido a diferenças de escolari- bilionários aumentando também, enquanto a população onário, por exemplo, não quiser limpar seus banheiros, ele dade, tutoria, disponibilidade de recursos de informação e russa em geral tem experimentado um declínio constante pode contratar pessoas com menor status socioeconômico até mesmo qualidade da comida, que tem seus efeitos na riqueza, com poder de compra médio diminuindo 11% para fazer isso por ele. Ele pode exercer o poder de sua sobre o desenvolvimento do cérebro (muitos desses fato- desde que as elites ocidentais lançaram a guerra de san- riqueza sobre as pessoas mais pobres e fazê-las fazer o res explicam uma parte significativa da correlação entre ções contra o país em 2014. Na Austrália, os salários méque ele quer. No entanto, se esse milionário viver em uma genética e QI que observamos empiricamente – pessoas dios têm crescido significativamente mais lento que a taxa cidade hipotética, onde todos são milionários, ele não po- ricas são mais propensas a fornecer ambiente seguro, ali- de inflação, significando que, apesar do crescimento técni- derá contratar ninguém para fazer tal trabalho, porque to- mentos nutritivos e alta qualidade, enriquecendo a educa- co nos lucros, trabalhadores australianos na verdade estão dos teriam a mesma quantidade de energia, então ele teria ção para seus filhos). O conceito de mercado livre não fun- perdendo seu poder de compra, enquanto os CEOs e ou- que limpar seus próprios banheiros. ou trazer pessoas de ciona realmente se aqueles que competem têm diferentes tros altos executivos estão desfrutando das maiores taxas regiões mais pobres e pagá-las para fazê-lo. condições iniciais. de aumento salarial em anos. Outros países mostram dinâ- À medida que a diferença na riqueza aumenta, o mesmo Falando de mercado livre e do próprio capitalismo, o con- micas semelhantes. acontece com o poder dos ricos sobre os pobres. Um bilio- ceito foi um grande passo do sistema feudal, na época. A Além disso, os números oficiais dizem que, em janeiro nário que vive num país relativamente pobre pode dobrar competição foi encorajada (muitos pensadores de Moderni- de 2017, os 8 homens mais ricos do mundo tinham toda a sociedade subornando / fazendo pressão a políticos dade, incluindo Adam Smith, viram humanos se esforçarem tanta riqueza quanto a metade mais pobre da popula- e legisladores, mudando o sistema legislativo e introduzin- para competir uns contra os outros como uma fonte de ção global! Apenas alguns anos atrás, o número era do leis e regulamentos que beneficiariam os seus negócios energia que pode ser colhida e usada para mover Civiliza- de 62 contra 3,6 bilhões. Hoje são oito! E esses são e a si próprio à custa das pessoas comuns. O mesmo prin- ção para frente, como vapor de alta pressão de água fer- apenas os números oficiais (podemos apenas especu- cípio se aplica a corporações grandes e ricas. Entidades excessivamente ricas que estão situadas em sociedades relativamente pobres podem facilmente acabar com qual- vente que fornece energia cinética para maquinário pesado). E foi, de fato, trabalhando na época. Mas, infelizmente, essas coisas só funcionam corretamente nos estágios inici- lar o quanto as famílias super-ricas e dos realmente possuem). os conglomera- quer crime, pois têm a capacidade de subornar as autorida- ais do capitalismo. À medida que o sistema avança, aque- Sistemas sociais com enormes lacunas de riqueza des e comprar todo o aparato legislativo. les que acumulam enorme riqueza tornam-se tão podero- são instáveis. Por isso, temos visto toda essa instabili- Circulam rumores de que David Rockefeller, que morreu no sos que podem mudar as regras do jogo a seu favor. Vi- dade no mundo nos últimos anos. ano passado, teve 7 transplantes de coração em vida, e mos como os Estados que atuam contra os interesses das Claro, é impossível tornar a riqueza de todos igual. Eu que ele recebeu seu último quando ele já tinha mais de 100 anos de idade (ele morreu aos 101 anos de idade). Se esses rumores são verdadeiros, é realmente perturbador, instituições transatlânticas têm uma guerra econômica contra eles, com outros poderes forçados a introduzir ilegalmente sanções contra seus próprios interesses econômi- pessoalmente não sou um grande fã das ideias esquerdistas radicais (algumas delas estão totalmente considerando que os lares (e órgãos humanos em geral) cos; mesmo os regulamentos convencionais da ONU e da fora de sintonia com a realidade, na minha opinião). são um recurso extremamente limitado e valioso, sendo o OMC não ajudam – os países são forçados a combater Algumas pessoas sempre serão mais talentosas, mais processo de seleção dos candidatos ao transplante estrita- guerras de sanções sem benefícios econômicos previsí- astutas e mais trabalhadoras do que as outras, natu- mente regulado (por exemplo, transplantes de coração não veis, tudo porque a tomada de decisão é influenciada pelas ralmente (e merecidamente!) Obtendo mais recursos são dados àqueles que são mais de 70 anos e para aque- figuras que jogam em seus interesses pessoais, sem consi- do que seus pares (é desnecessário dizer que a desi- les que têm outros problemas de saúde significativos, por- deração pelos interesses dos todos os outros. gualdade de poder não surge apenas da diferença de que suas chances de sobrevivência são muito baixas, inde- Se não for controlado por muito tempo, o mercado livre riqueza material). Ninguém pode cancelar a distribui- pendentemente da condição cardíaca). Todo transplante tende a distribuir riqueza de uma maneira que cria entida- ção estatística normal observada na natureza, afinal. de coração dado a David Rockefeller é uma vida humana des financeiras / industriais supermassivas que agem aci- Além disso, um pouco de competição saudável é ne- que poderia ter sido salva legitimamente. Além disso, con- ma do sistema, entidades que alteram o sistema da manei- cessário para a sobrevivência da Humanidade. Mas siderando que David Rockefeller já estava muito velho quando supostamente estava recebendo esses transplantes, os corações deveriam ter sido especificamente selecionados para serem altamente compatíveis com seu sistema (caso contrário, os tecidos poderiam ter sido rejeitados por ra que bem entenderem, criando monopólios e abusando do poder. Assim, temos todas essas famílias e entidades industriais / financeiras, como os Rockefellers, Rothschilds, Morgans, o complexo industrial militar dos EUA e todos os outros atores que tentam manter seu poder e enriquecer às ainda é necessário tentar regular os processos que levam a grandes lacunas de riqueza. Lacunas de riqueza grandes e desajustadas levam a abusos de poder sistêmicos, que, dada a globalização da capital seu corpo), o que nos leva a algumas especulações pertur- custas de todos os outros (por exemplo, começar guerras e o estado atual de nosso sistema capitalista, podem badoras de que a extração de órgãos negros estava envol- para vender mais armas e obter mais dinheiro de investi- levar a um colapso total, que seria seguido por desas- vida no processo, o que, mais uma vez, demonstraria o mentos, destruindo países e regiões inteiras para eliminar tres de proporções bíblicas. excesso ao seu poder. qual indivíduos super-ricos podem abusar de concorrentes e criar mão-de-obra humana barata, e tal, sem absolutamente nenhuma consideração pelo direito Eu recomendaria compreensão do tentar cultivar o mundo em que conhecimento e a vivemos, e tentar A diferença de riqueza, obviamente, cria a segregação internacional ou por princípios morais convencionais). É desenvolver o recurso mais precioso que a Humanida- social, que, com o tempo, os cimentos na cultura e até mesmo na biologia (os ricos normalmente querem se casar e ter filhos com outras pessoas ricas). Veja a Índia como apenas a triste mecânica do capitalismo que começa a se manifestar depois que o sistema progride além de um estágio ideal. de tem – a capacidade intelectual. Todos nós precisaríamos lidar com os desafios que teríamos que enfren- um excelente exemplo, onde pessoas foram separadas em Altamente desigual e, mais importante, a distribuição injus- tar em breve. diferentes castas por milênios. Essa segregação social ta da riqueza é uma questão sistêmica profunda nos dias Denis Churilov resultou em diferenças étnicas / genéticas entre diferentes de hoje, em praticamente todos os domínios da nossa soci- Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 10 TRANSFORMAÇÃO GLOBAL do sistema terreno de prover bem-estar social e econômico ponto que vemos aqui é 1980. Era uma situação em que de CINCO POLÍTICAS PARA UM MUNDO PRÓSPERO E para a humanidade. fato estávamos em um espaço seguro de operação mas Nós podemos hoje, cientificamente, quantificar essas fron- sem atingir muitos dos ODSs. Aqui está a tendência até teiras nos fornecendo um sistema terreno estável para a 2015. Então este é o mundo convencional, que de fato está SUSTENTÁVEL humanidade. Mas temos que ir além disso e reconhecer entregando um crescente número de ODSs, tirando mi- Em 2015, vimos dois avanços fantásticos, que encheram a que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, se real- lhões de pessoas da pobreza, mas às custas do espaço humanidade de esperança. Primeiro, a adoção dos Objeti- mente quisermos alcançá-los, agora devem ocorrer dentro operacional seguro na Terra. Aqui, este é o cenário de ne- vos de Desenvolvimento Sustentável, o plano coletivo, uni- deste sistema seguro de operação. Temos que alcançar os gócios como sempre, no futuro. versal para a humanidade para erradicar a fome, promover ODSs dentro das FPs. Se apenas continuarmos como hoje, seremos capazes de um bom desenvolvimento econômico e boa saúde, dentro das metas ambientais globais. Segundo, após 21 anos de negociações, adotamos o legalmente irrevogável Acordo de Paris, todas as nações mantendo o aquecimento global abaixo de 2 graus centígrados, com foco em 1,5 graus centígrados. Hoje, após três anos, ainda estamos só nas aparências. Mas, meus amigos, nem mesmo isso é suficiente. Temos que reconhecer que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estão a 12 anos daqui. É somente uma etapa. Precisamos atravessar o alvo e nos ampliar em direção a transformações para que possamos ter um bom futuro para todos os concidadãos na Terra, mais de 9 bilhões, dentro de um sistema terreno estável em 2050 e além. entregar alguns dos ODSs, mas faremos isso às custas da estabilidade do sistema terrestre. Mas, se formos mais rápido no crescimento econômico, e realmente nos aliarmos a 1% de aumento da receita por ano e até mesmo triplicar a economia mundial até 2050? Isso nos daria a seguinte trajetória Nós conseguiríamos sim ir um pouco mais além nas conquistas dos ODSs, mas ainda às custas do risco de Agora, acho que é hora de voltar um passo atrás e reco- desestabilização do planeta. Mas e se fôssemos realmente nhecer que eu duvido se os líderes mundiais realmente Isso é uma busca, e para realmente explorarmos isso e além? E se aumentássemos nossa habilidade de entregar sabem o que assinaram na Assembleia Geral há três anos. não apenas termos opiniões, juntamos a comunidade cien- o que prometemos em 30% por todos os setores na socie- Estas são metas universais, ambiciosas e de transforma- tífica, os melhores pensadores e modeladores e começa- dade, desde o clima até nossos acordos de negócios? Um ção para uma humanidade próspera e inclusiva em um mos a desenvolver modelo dinâmico todo novo de sistemas cenário mais difícil nos levaria a um ponto um pouco me- sistema terrestre estável. Mas existem problemas estrutu- complexos, o modelo Earth-3, construindo sobre modelos lhor, ainda assim, estaríamos falhando nos ODSs, e não rais. Temos contradições inerentes entre esses objetivos, que estão por aí pelos últimos 50 anos. E aqui está. Este é estaríamos conquistando um espaço operacional seguro nas quais há o risco de perseguir uma meta preferida em um trabalho fantástico. Ele tem um modelo de clima, uma para a humanidade. Então, isto nos levou a uma conclusão detrimento de outras. Veja por exemplo o Objetivo 8, traba- biosfera, um modelo econômico global; ele tem algoritmos, um tanto frustrante, a de que vamos, na verdade, mesmo lho digno e crescimento econômico. Se continuarmos a tem todo um espaço de conquistas fantásticas. Isso é o em futuros convencionais, falhar nos ODSs e transgredir as fazer isso explorando recursos naturais e queimando com- que excita a nós cientistas. fronteiras planetárias. Nós precisamos de um pensamento bustíveis fósseis, será impossível alcançar o Objetivo 13. Não é mesmo um lindo trabalho? E eu adoraria passar a radical. Precisamos ir para um futuro transformativo, turbuApós três anos, precisamos simplesmente admitir que esta- noite toda falando com vocês sobre isso, mas vou ter que lento, no qual começamos a pensar fora da caixa. A de- mos vendo ações limitadas em relação a de fato mesmo desapontá-los. Não posso fazer isso. Na verdade, a única monstração, o engajamento e o diálogo nos permitem iden- focar isso como um pacote universal coletivo e inclusivo. coisa que posso fazer é garantir a vocês que é a primeira tificar cinco transformações que poderiam potencialmente vez que isso é feito. Ninguém jamais tentou realmente nos levar lá. A primeira seria cortar emissões pela metade combinar analiticamente os Objetivos de Desenvolvimento a cada década ao longo do caminho científico para Paris, Sustentável com as fronteiras planetárias. E conseguimos dobrando os investimentos em energia renovável, criando encontrar padrões e tendências realmente convergentes uma democracia de energia global, o que nos permitiria que nos dão muita segurança em nossa habilidade de ago- atingir vários dos ODSs. A segunda seria rapidamente mu- ra projetar desenvolvimento econômico, uso de recursos da dar para sistemas de alimentação sustentáveis, investindo água, alimentos e energia, crescimento populacional, rendi- 1% ao ano em intensificação sustentável e realmente nos mento per capita, ainda em conjunto com estes caminhos voltando à implementação e investimento em soluções que sistêmicos e consistentes. Então, é a primeira vez que te- já temos disponíveis hoje em dia. A terceira é realmente mos uma robusta oportunidade de realmente explorar os mudar nosso paradigma de desenvolvimento e aprender futuros da habilidade de obter os ODSs pelas FPs. com muitos dos países desenvolvidos que mudaram muito rapidamente. E se pudéssemos ter um crescimento econô- O consumismo insustentável é uma das maiores ameaças à sobrevivência da humanidade na face do planeta Terra. Então, como fazer isso? Bem, veja só. Aqui temos os dados vindos do mundo real, calibrados de 1970 a 2015: 100 mil pontos de entradas de dados por todo o mundo, basea- mico como a China, estando dentro dos parâmetros ambientais de uma civilização ecológica? Quarta, uma redistribuição da riqueza. Então, isso faz com que a gente tenha que dar um passo dos na habilidade de sete regiões de realmente atingir es- pra trás. Acho que temos que nos fazer algumas perguntas tes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Um exem- E se concordássemos que os 10% mais ricos não se per- difíceis: temos mesmo chance de atingir os Objetivos de plo de como calibramos isso, aqui temos dados para os mitiriam acumular mais que 40%, ao máximo, das receitas Desenvolvimento Sustentável até 2030? Há mesmo com- Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na erradicação nacionais. Uma redistribuição drástica da rique- pensações inatas que não sejam compatíveis com o nosso da pobreza, saúde, educação e alimentação. E aqui temos za, reformulando a habilidade de equidade pelas regi- paradigma atual de desenvolvimento? Mas, existem talvez, nos balões as sete regiões do mundo, como elas se mo- ões? E finalmente, quinta, um aumento radical em mais sinergias onde podemos realmente acelerar a mudança? E vem até 2015 em nossas observações empíricas em rela- educação, saúde, acesso a trabalho, contracep- isso é mesmo uma meta entre pessoas e planeta, que leva ção ao PIB per capita, dadas estas tendências universais ção, investindo amplamente em mulheres por todo o mun- de fato a sério os objetivos econômicos e sociais ambicio- convergentes que nos permitiram criar regressões que nos do, nos permitindo entregar os ODSs na desigualdade de sos dentro dos sistemas de suporte à vida na Terra? permitiram realizar simulações sobre o futuro, até o ano de gêneros, desenvolvimento urbano e econômico. Então, se Cidadãos por todo o mundo começam a reconhecer que estamos enfrentando um aumento mundial nos riscos am- 2050, mostrando obter os ODSs. a habilidade junto às linhas aqui para nos esforçarmos nestes cinco itens, nós testamos e isso nos daria uma caminhada impressionante em direção a um sistema operacional seguro e justo na Terra. Isso nos mos- bientais; de fato, um planeta estável é um pré-requisito Então, isso nos deu a oportunidade de construir diferentes tra que mesmo com um modelo conservador, baseado em para termos um bom bem-estar humano na Terra. Deve- cenários testando diferentes futuros possíveis: negócios, dados empíricos ou com sistema de dinâmica comple- mos definir um espaço operacional seguro em um sistema como sempre, transformações globais, esquemas de inves- xa, estamos em um estado onde podemos realmente pen- terrestre estável, e a estrutura de fronteiras planetárias foi timento em negócios, diferentes opções de governança, sar em transformações pelos próximos 12 anos e além que apresentada pela comunidade científica em 2009 para fa- normas, finanças… de verdade, para explorar como o futu- podem nos levar ao espaço operacional seguro e entregar zer exatamente isso. Ela tem sido amplamente adotada ao ro pode ser em nossa habilidade em obter os ODSs com as os ambiciosos objetivos sociais e econômicos. Isso é bem redor do mundo em normas, negócios e comunidades co- FPs. E os resultados, posso dizer a vocês, realmente nos encorajador, apesar de não estarmos nos movendo por mo uma estrutura para o desenvolvimento sustentável no surpreendeu. E esta será a primeira vez que é mostrado. essa trajetória. Antropoceno. Na verdade nem mesmo deverá ser mencionado fora desta Este slide mostra a estrutura com os nove processos ambi- sala. linha e concluir que não estamos entregando nossas promessas, e não apenas isso, estamos correndo os riscos de entais que regulam a estabilidade do sistema terrestre, Então, é na verdade apresentado ao longo de dois eixos. O que futuras gerações possam ter uma habilidade mais ain- provendo um espaço operacional seguro onde teremos eixo “y” mostra nossa habilidade de ficar dentro das frontei- da prejudicada, devido ao risco de forçar o sistema terreno uma grande chance de ter um bom bem-estar humano e ras planetárias. Quanto mais alto, mais perto do espaço além dos pontos cruciais. prosperidade e equidade. Se formos para a área amarela, operacional seguro. No eixo” x” estão os Objetivos de De- entramos numa perigosa cena de incerteza; e na área ver- senvolvimento Sustentável Quanto mais para a direita, Johan Rockström melha, temos uma alta probabilidade de momentos críticos mais ODSs atingimos. Nós todos queremos estar no canto Cientista que poderia irreversivelmente nos levar longe da habilidade superior direito, o mundo seguro e justo para o futuro. O Tradução: Renata Oliveira Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 11 Por que alimentamos covarde- Por que caminhamos cada vez mais em direção ao abismo da hipomente o ódio religioso? Por que crisia , do ódio religioso , do obscurantismo e da completa ignorân- cia sobre outras religiões que não sejam a nossa? não chamamos o que aconte- Você se lembra do norueguês que protagonizou o maior atentado ceu em Campinas de atentado da história do país , matando mais de 77 jovens do Partido Traba- terrorista? lhista norueguês, jovens que ajudavam os refugiados e faziam tra- Uma visão medieval do cristianismo e balho voluntário em uma ilha da Noruega? do mundo. Um conservadorismo doenti- Sim, Andrés Breibick se dizia um novo " cruzado " e era um fanático o e um profundo ódio ao Estado. cristão . Um terrorista cristão. As anotações encontradas no quarto de Euler Fernando Grandol- Você se lembra do atentado de Oaklahoma City, um dos maiores pho, o autor do atentado na Catedral de Campinas , citam clara- da história dos EUA ? Foi praticado por um homem americano chamente a intenção de cometer o ato e de chamar a atenção do Esta- mado Thimonty Mcveigh, um cristão evangélico norte- americano. do. Mas antes que a polícia americana elucidasse o caso e descobrisse Segundo a polícia, os bilhetes mostram que o homem se referia a história de Mcveigh, o cristão autor atentado nos EUA até então, com frequência ao dia 11 , alimentava um profundo ressentimento centenas de jornais do país levaram as pessoas a acreditar que se contra o Estado e contra pessoas próximas a ele e possuía uma tratava de um atentado muçulmano. pistola 9 mm há pelo menos um ano. Você se lembra de Jim Jones, um fanático cristão que levou mais Os bilhetes revelam que Euler queria eliminar o que chamava de de 900 pessoas à morte nas Guianas? Jim Jones era um pastor e"interferência" do Estado, dos familiares e de quem o "perseguia". vangélico. No dia 29 de agosto deste ano, Euler escreveu que o Estado e a Você se lembra de um atentado recente em Londres quando um família negaram ajuda profissional a ele e citou um massacre como homem britânico se dirigiu à saída de uma mesquita em atropelou um possível "solução". dezenas de muçulmanos, deixando pelo menos dez pessoas feri- Sim, Euler Grandolpho cometeu um atentado terrorista ao entrar das e uma vítima fatal? Ele era um fundamentalista cristão. naquela tarde na Catedral de Campinas portando duas armas le- Precisamos falar o ódio que estamos alimentando e sobre o funda- tais, ao atirar mais de 20 vezes contra os fiéis que ali estavam , ma- mentalismo cristão. tar cinco humanos. e tirar a própria vida no altar. Precisamos promover a empatia , a tolerância e o respeito por to- Um atentado terrorista. das as formas de manifestação religiosa. Um ato que me entristece profundamente como humana e como Não podemos mais alimentar o ódio religioso de forma tão covarde. ativista anti- armamentista . Não podemos mais dar um outro nome aos mesmos crimes e à Mas enquanto uma parte da mídia tenta omitir as semelhanças en- mesma dor, apenas porque o autor do atentado não era Um muçultre atentados terroristas cometidos por muçulmanos e o atentado mano. Um brasileiro que mata cinco pessoas e fere oito dentro de terrorista cometido pelo brasileiro , chamando-o por eufemismos uma igreja é um terrorista e minha ética profissional e meu respeito como " atirador", "homem solitário" , etc, os fatos insistem em trazer a todos os grupos religiosos me conduzem a escrever a verdade. a verdade à tona. Não sejamos hipócritas e covardes. . Não alimentemos o ódio a um O que aconteceu em Campinas foi um atentado TERRORISTA e único grupo religioso. não foi o primeiro cometido por um homem nascido em uma família Não alimentemos, através de eufemismos, o fanatismo religioso cristã tradicional , como a minha ou a sua família, um homem que que assola o Brasil hoje. Aumentemos o conhecimento, o respeito e estudou em ótimos colégios católicos, morava em um condomínio a tolerância a todos os grupos religiosos. Chega de ódio! de classe média alta , vinha de uma família com prestígio em sua Lucia helena Issa comunidade , assim como eu e talvez você. Jornalista, escritora e ativista pela paz. Foi colaboradora da Folha Por que nos recusamos a usar a palavra terrorista e alimentamos de S.Paulo em Roma. Autora do livro "Quando amanhece na Sicí- todos os dias , das mais diferentes formas, o ódio religioso contra lia". Pós- graduada em Linguagem, Simbologia e Semiótica pela os muçulmanos? Por que uma parte significativa da imprensa tem Universidade de Roma e embaixadora da Paz por uma organização doutrinado as pessoas a odiar os nossos irmãos muçulmanos no internacional. Atualmente, vive entre o Rio de Janeiro e o Oriente Brasil? Médio. Resgato um teste com espírito natalino que havia postado aqui. Você consegue identificar qual dos dois personagens históricos disse isso? Assinale a alternativa correta: 1) Não pensem que vim trazer paz. Vim trazer a espada. Vim causar a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra. Criar inimigos dentro da própria casa ( ) Jesus de Nazaré ( ) Karl Marx 2) No final das contas, será muito difícil salvar um rico. ( ) Jesus de Nazaré ( ) Karl Marx 3) Venda tudo o que tem e dê aos pobres. ( ) Jesus de Nazaré ( ) Karl Marx 4) Não importa o quanto você tem. Importa quem você é. ( ) Jesus de Nazaré ( ) Karl Marx Respostas: 1) Jesus (Mateus 10: 34-39); 2) Jesus (Lucas 18:1830); 3) Jesus (Mateus 19:21); 4) Jesus (Mateus 6: 19-21) Resultados: Bem-aventurados os que conseguem rir de si mesmos, pois a Terra lhes será mais leve. Leonardo Sakamoto Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 12 Um estadista de verdade em norte-americano. Pode gostar de comer yakisoba com hashi, de comer sushi, aprender japonês e ler mangá, ouvir K-Pop, nada dis- Neste século XXI, o mundo já não so vai lhe fazer deixar de ser brasileiro e lhe transformar em japo- está divido entre os antagônicos nês ou sul-coreano. Isso tudo só significa que se trata um indivíduo blocos liderados pelos Estados Uni- flexível ao multiculturalismo, tolerante aos costumes de outros po- dos e União Soviética. A União So- vos, mas nem todos os seres humanos são assim. Há pessoas viética já não existe mais. Mas os neste planeta que prezam muito a sua identidade cultural nacional, países ocidentais ainda se incomo- suas tradições ancestrais, e tais valores lhes são caros. dam com a posição russa na geopolítica. Por que a Rússia é tão incômoda ao Ocidente? Sobre os ideais liberais do Ocidente, ou as oligarquias ocidentais ou realmente não percebem que na prática se comportam de forma autoritária e impositiva (o que é improvável) ou percebem Porque a nação russa tem orgulho de sua identidade, tem e caem no erro de achar que ninguém vai notar que estão se com- respeito próprio, e o Presidente Vladimir Putin personifica o respei- portando de forma autoritária e hipócrita. Por mais imoral que seja to próprio que o povo russo tem a si mesmo. Diferente do Boris recusar a democracia liberal proposta pelo Ocidente, o que é um Yeltsin, que fez da Rússia nos anos 90 um país fraco e submisso fato desagradável, mas é fato, é que nem todas as culturas da Ter- ao Ocidente, Vladimir Putin faz a Rússia ser forte e soberana. Putin ra estão preparadas para lidar com o Estado democrático de Direi- é um Estadista com E maiúsculo, que está restaurando a Rússia to. Nem todos os povos tem maturidade para lidar com a democra- como protagonista geopolítica. Vladimir Putin apoiou os Estados cia. E nem todos os povos lidam com o modo de produção capita- Unidos de Bush na guerra ao terror, no começo deste século, mas lista da mesma exata forma. Nem tudo que se aplica nos Estados os atritos começaram em 2014, durante a crise política da Ucrânia. Unidos ou na Europa pode ser aplicado ao restante do mundo. A Vladimir Putin não é um ser humano desprovido de defeitos Rússia prefere o nacionalismo econômico e não está errada. Os humanos. É um político autoritário, repressor, tem posturas conser- russos não são obrigados a sacrificar a si mesmos para satisfazer vadoras, não é alguém que valoriza direitos humanos e nem princí- as vontades do Ocidente. pios democráticos. É um governante que faz ferrenha repressão Na Segunda Revolução Industrial, o Ocidente, principalmen- aos seus opositores políticos. Contudo, Putin é alguém de persona- te a Europa, promoveu uma expansão imperialista sobre a África, lidade forte e capaz de governar com firmeza, o que inspira a segu- Ásia e Oceania, recorrendo a argumentos etnocêntricos como justi- rança e confiança em muitos cidadãos russos. Sim, é um Estadista ficativa, e os EUA também com a sua doutrina Monroe de “A Améri- que tem lá as suas características desagradáveis. ca para os americanos” e o Big Stick, e hoje o Ocidente é falso mo- Os Estados Unidos da América já estão entrando em deca- ralista, arrogante, se acha guardião dos direitos humanos e dos dência enquanto superpotência mundial, o poder geopolítico de princípios democráticos, se acha modelo a ser seguido pelo restan- Washington D.C. declina diante de uma China ascendente, e as te do mundo. E os Estados Unidos da América se acham a polícia oligarquias dos EUA estão histéricas, não estão conseguindo lidar do mundo com o seu intervencionismo maníaco em outras regiões com isso em paz. Impérios ascendem e caem, os Estados Unidos do mundo. Os cidadãos comuns dos Estados Unidos também são são mais um deles. Os Estados Unidos não ficaram satisfeitos em vítimas do sistema, pois boa parte daquela sociedade é alienada, ter a América Latina como o seu quintal, o Oriente Médio ainda tem sofre lavagem cerebral da mídia. E a parte daquela sociedade que alguns ditadores ou déspotas pró-Ocidente vassalos de Washing- tem consciência está de “mãos atadas” pois não têm condições de ton, a Europa e o Japão lhes são subservientes, mas a Casa Bran- vencer os poderosos lobbies que agem na política daquele país. ca e o Capitólio querem mandar no planeta inteiro através da sua Não é questão de ser socialista e nem de ser contra o capitalismo. Nova Ordem Mundial que é a globalização neoliberal. É questão de se ter bom senso, de ser honesto quanto às inten- Mas há povos que não se sentem parte integrante de uma ções. O compromisso de Vladimir Putin é com a Rússia, não está comunidade mundial, não querem participar dessa ordem mundial interessado em agradar poderes estrangeiros. Ninguém que tenha defendida pelo Ocidente liderado pelos Estados Unidos, ou pela a consciência desperta vai atentar contra os seus próprios interes- União Europeia liderada pela Alemanha, os russos não veem a si ses para agradar interesses de outros, e nem vai aceitar que gente mesmos nem como cultura europeia e nem como cultura asiática, de fora exerça autoridade dentro do seu espaço. Só quem tem mas como um tipo de civilização singular distinta. complexo de vira-lata é que acha louvável gente de fora ter autori- O fato de um brasileiro gostar de elementos de culturas es- dade dentro da sua própria casa, gente que não tem vergonha na trangeiras não cancela a sua identidade brasileira. Por exemplo, cara e nem respeito próprio. uma determinada pessoa nasceu e cresceu no Brasil, fala a varian- O Vladimir Putin está coberto de razão quanto a optar pelo te brasileira do português, mas pode gostar dos filmes de Hollywo- nacionalismo econômico para a Rússia. Ele é um estadista de ver- od, pode gostar de comer cachorro-quente, x-burguer, pode gostar dade neste século XXI. de assistir o Super Bowl e basebol americanos, aprender inglês, João Paulo E. Barros nada disso vai lhe fazer deixar de ser brasileiro e lhe transformar Brasil de todas as culturas. As influências indígenas e africanas deixaram marcas no âmbito A cultura do Brasil é uma síntese da influência dos vários povos da música, da culinária, do folclore, do artesanato, dos caracteres emocionais e das festas populares do Brasil, assim como centenas e etnias que formaram o povo brasileiro. Não existe uma cultura brasileira perfeitamente homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentes culturais que formam, juntas, a cultura do Brasil. Naturalmente, após mais de três séculos de colonização portuguesa, a cultura do Brasil é, majoritariamente, de raiz lusitana. de empréstimos à língua portuguesa (antes da chegada dos portugueses aqui era falado tupi-guarani). É evidente que algumas regiões receberam maior contribuição desses povos: os estados do Norte têm forte influência das culturas indígenas, enquanto algumas regiões do Nordeste têm uma cultura bastante africanizada, É justamente essa herança cultural lusa que compõe a unidade do sendo que, em outras, principalmente no sertão, há uma intensa e Brasil: apesar do povo brasileiro ser um mosaico étnico, quase to- antiga mescla de caracteres lusitanos e indígenas, com menor par- dos falam a mesma língua (o Português Brasileiro, além de muitas ticipação africana. outras, principalmente indígenas) e a maioria é cristã, com largo No Sul do país, as influências de imigrantes italianos e alemães predomínio de católicos. Esta igualdade linguística e religiosa é um fato raro para um país de grande tamanho como o Brasil, especial- são evidentes, seja na língua, culinária, música e outros aspectos. mente em comparação com os países do Velho Mundo. 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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 13 ALGUMASDATAS COMEMORATIVAS guês, tendo sido o Brasil elevado à reinoem 1815. Em 1821 eclode a Revolução do Porto, as elites políticas metropolitanas instalaram 01 - Ano-Novo as cortes para confecção de uma Constituição e o rei João VI voltou para o reino, deixando seu filho, Pedro de Alcântara, na Indícios históricos apontam que as comemorações para a chegada condição de príncipe-regente. do novo ano começaram em uma época anterior ao cristianismo, Ao longo de 1821 as discussões no âmbito das cortes caminhavam mais precisamente atribuída ao povo Mesopotâmico, por volta do na direção de retornar o Brasil ao status de colônia, os liberais radi- ano 2.000 a.C. cais se uniram ao Partido Brasileiro, visando evitar retrocessos. O ano-novo do calendário gregoriano começa em 1º de janeiro As Cortes expediram ordens ao príncipe regente D. Pedro de Al- (“dia de ano-novo”), assim como era no calendário romano. ... cântara, sendo que uma delas era a exigência de seu retorno ime- A comemoração ocidental tem origem num decreto do líder romano diato a Portugal, nomeando uma junta governativa para o Brasil.[2] Júlio César, que fixou o 1º de janeiro como o "dia do ano-novo" em Os liberais radicais, em resposta, organizaram uma movimentação 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano, o deus dos por- para reunir assinaturas a favor da permanência do príncipe. Assim, tões. pressionariam D. Pedro a ficar, juntando 8 mil assinaturas. Foi en- Foi só há pouco tempo que o dia 1º de janeiro voltou a ser o primei- tão que, contrariando as ordens emanadas por Portugal para seu ro dia do ano na cultura ocidental. Até o ano de 1751, retorno à Europa, quando então declarou a celebre frase.declarou na Inglaterra e no País de Gales, o ano-novo começava em 25 de a celebre frase. março. No Brasil as comemorações do Ano Novo foram incorporadas ao 20 - Dia de São Sebastião calendário festivo brasileiro a partir de inspiração nos demais paí- Existem algumas divergências sobre o local de nascimento de São ses de cultura ocidental, que tomam o 1º de janeiro como data cor- Sebastião, no entanto a teoria mais aceita diz ter sido em Milão, na reta. Isso só é possível porque o país também é regido pelo calen- Itália. São Sebastião defendeu os cristãos e a sua fé do imperador dário romano, adotado no ano de 743 a.C., este, por sua vez, foi romano Diocleciano, sendo condenado à morte por desobedecer preservado pela Igreja Católica, baseado no calendário gregoriano os seus comandos. Sebastião foi amarrado em uma árvore e alve- do século XVI. jado com muitas flechas. Porém, não morreu, pois foi salvo por u- A corte de dom Pedro II, sediada no Rio de Janeiro, foi a grande ma viúva chamada Irene que ajudou a curar todos os seus ferimen- responsável pela popularização das comemorações do Ano Novo tos. Depois de recuperado, Sebastião voltou a enfrentar o impera- no país. A partir de então, a festa também foi copiada pelas elites dor Diocleciano. Desta vez, foi condenado a ser açoitado até à mor- paulistas. te. São Sebastião morreu em 20 de janeiro de 288 d.C, sendo a da- 06 - Dia da Gratidão O dia da gratidão é comemorado anualmente em 6 de janeiro. Esse é um dia dedicado ao agradecimento, dia de expressar grati- ta de sua morte escolhida pela igreja católica para homenagear o mártir pelas suas ações de coragem e fidelidade ao Cristianismo. 27 - Dia Internacional Vítimas do Holocausto dão por tudo o que somos e temos, por tudo de bom que nos acon- O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto foi cria- tece e pelos desafios com os quais nos deparamos. do por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), atra- Agradecer é um exercício que nos traz muitos benefícios, pois des- vés de uma Assembleia Geral, pelaresolução 60/7, de 1 de dezem- perta em cada um de nós uma atitude positiva com relação à vida e bro de 2005. que nos fortalece para os momentos de dificuldades. O 27 de Janeiro foi escolhido por ter sido o dia, em 1945, que acon- 07 - Dia do Leitor teceu a libertação do campo de concentração de Auschwitz, consi- derado o principal do regime nazista. O Dia do Leitor foi criado em homenagem à fundação do jornal cea- Quando será que teremos o ‘Dia Internacional pelas vítimas de Hi- rense “O Povo”, criado em 7 de janeiro de 1928, pelo poeta e jorna- roshima e Nagazaki’ vitimas dos Imperialistas Norte Americanos? lista Demócrito Rocha. Somente em Nagazaki mais de 40 mil morreram e até hoje continu- Neste jornal, que ficou conhecido por combater a corrupção e divul- a morrendo gente pelo câncer herdado. gar fatos políticos, existia um suplemento chamado “Maracajá” que se tornou um espaço de divulgação do movimento modernista lite- 30 - Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos rário cearense na época. As obras de Demócrito Rocha são de grande importância para a cultural regional. O autor pertenceu à Academia Cearense de Letras, enquanto era vivo. Esta é uma data dedicada às pessoas que são apaixonadas pela literatura, ou seja, que amam livros! Ninguém nasce sendo um leitor. O interesse pela literatura é algo que se desenvolve no ser humano através dos anos, a partir de influências positivas relacionadas ao ato de ler. O hábito da leitura é importante para exercitar as capacidades de comunicação, interpretação e de cognição das pessoas. Também conhecidas como HQ's, as histórias em quadrinho são um modelo de leitura que mistura elementos textuais e visuais, criando a sensação de sequenciamento das cenas. Esta data visa homenagear este gênero literário, um grande responsável por apresentar e incentivar as crianças ao mundo da literatura. No Brasil, as histórias em quadrinho surgiram em meados do século XIX, mas apenas se popularizou com o lançamento de clássicos como “A Turma da Mônica”, “O Menino Maluquinho”, “A Turma do Pererê” e o “Tico-Tico”, que é considerada a primeira revista em quadrinho lançada no Brasil, em 11 de outubro de 1905. 09 - Dia do Fico Origem do Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos A explicação para a escolha desta data está no fato de ter sido “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou em 30 de janeiro de 1869 que foi publicada a primeira história de pronto! Digam ao povo que fico” quadrinho brasileira: “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de Dia do Fico refere-se, na história do Brasil, ao dia 9 de janeiro de uma Viagem à Corte”, autoria do cartunista Angelo Agostini. 1822. Neste dia, o então príncipe regente D. Pedro de Alcântara A partir de 1984, ficou instituído, através da “Associação dos Qua- declarou que não cumpriria as ordens das Cortes portuguesas, que drinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo” (AQC-ESP), que exigiam sua volta a Lisboa, ficando no Brasil. todo o dia 30 de janeiro se comemoraria o Dia do Quadrinho Nacio- História: Com a chegada da família real ao Brasil, fugindo de uma nal, em homenagem ao trabalho de Agostini. possível invasão francesa, em 1808, o país deixou de ser uma sim- ples colônia portuguesa e passou a ser o centro do Império Portu- Fonte: callendar Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2019 Gazeta Valeparaibana Página 14 Viabilidade Congresso. Esse pessoal não ajuda na educação do povo, nas pesquisas científicas e tecnológicas, fazem do Brasil um país atrasado e uma gigante fazenda diante do mundo lá fora. Não há problema nenhum em ser rico! Como disse o ex-presidente chinês Deng Xiaoping, enriquecer é glorioso. Mas ser egoísta é sim, problema! Egoísmo capitalizado de quem quer desmatar florestas e enfiar “de goela abaixo” soja e gado para aumentar o seu lucro. Nos anos 70, o governo brasileiro criou a EMBRA- PA, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agrope- cuária, para ajudar o agronegócio brasileiro. Já faz tempo que o MERCOSUL e a União Eu- Só que o governo brasileiro devia ter feito uma ropeia tentam fazer um acordo comercial. É Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial e um acordo para abrir o MERCOSUL para os Tecnológica, para que o Brasil hoje tivesse u- europeus e abrir a UE para os membros do ma indústria nacional tão forte quanto é o a- MERCOSUL. Mas, a quem no Brasil, um acor- gronegócio brasileiro hoje em dia. Não é prefe- do com a União Europeia vai realmente benefi- rível o governo do Brasil investir no aprimora- ciar? mento da indústria nacional brasileira, de capi- O Mercado Europeu vai fazer a indústria brasi- tal nacional? Mesmo que seja capital privado, leira ser mais competitiva? Uma vez que o mas que seja brasileiro. Não devia ser prioridaMercado Europeu é muito exigente? Ou a in- de no Brasil? Por exemplo, ter uma indústria dústria brasileira vai ser massacrada pela in- genuinamente brasileira de automotores? De dústria europeia? Não está sendo defendido eletrônicos? aqui que o governo brasileiro proteja uma in- Deixando de lado o espectro ideológico direita, dústria que não é competitiva, mas se o mer- esquerda e centro, qual é o caminho que os cado brasileiro vai passar a ser praticamente atuais países capitalistas de primeiro mundo regulado pela União Europeia ou não e, se a percorreram? Como eles procederam para esdesindustrialização nacional brasileira vai dis- tar como estão hoje? Por exemplo, o que a parar desemprego massivo nesse setor da e- Finlândia, a Suécia e a Noruega fizeram? O conomia brasileira. O Mercado Europeu é um que a Suíça fez? O que a Coreia do Sul e Taimercado de mais ou menos 500 milhões de wan fizeram? O que o Canadá fez? O que espessoas com uma renda de mais de US$30 sas culturas distintas têm em comum ou fizemil, muito rigoroso quanto aos requisitos de ram de semelhante para hoje serem países qualidade. É um mercado gigante! A indústria desenvolvidos? É só o Brasil, com o seu jeitão brasileira não tem as mínimas condições de tropical, sua própria identidade sociocultural competir num mercado como da Europa Uni- genuinamente brasileira, seguir os passos que da. as nações desenvolvidas seguiram. O Japão Tudo indica que, quem vai ser o grande benefi- pós Segunda Guerra Mundial comprou produciado por esse acordo entre mercados é o a- tos industrializados dos Estados Unidos e fez gronegócio brasileiro, que é o lobby por trás da engenharia reversa desmontando peça por peBancada Ruralista no Congresso Nacional em ça, parafuso por parafuso para passar a fabriBrasília. O mesmo lobby que é um dos que car um modelo alternativo genuinamente nipônão deixam o Brasil se desenvolver, desres- nico. “Espiar o quintal” dos países ricos é mais peita direitos dos povos indígenas, despreza o rápido e barato do que tentar “reinventar a rodireito dos consumidores a terem sua saúde da”. É só o Brasil investir pesado em conhecipreservada com os agrotóxicos, destroem bio- mento científico e de aprimoramento tecnológimas, desmata florestas, faz o Brasil parecer co, buscar soberania tecnológica. Outros já estar na Idade Média. Sim, existem os peque- fizeram antes e não perderam suas identidanos e médios produtores rurais que respon- des étnicas. O Brasil também não vai perder. dem por grande parte dos alimentos dispostos Um acordo de livre-comércio com a União Euno mercado interno, que põem comida na me- ropeia vai contribuir para a indústria brasileira sa dos brasileiros mas, tem também os gran- se aprimorar e se tornar mais competitiva no des latifundiários que têm como alvo os merca- mercado mundial? O profissional brasileiro vai dos estrangeiros como exportar soja para a passar a ser mais qualificado e mais competitiChina, e beneficiam só a si mesmos, não se vo? A tecnologia brasileira vai se tornar mais interessam em investir no mercado brasileiro avançada? Quem realmente no Brasil vai ser para tentar ajudar a sociedade brasileira a me- beneficiado com um acordo comercial entre o lhorar, não contribuem para a prosperidade MERCOSUL e a União Europeia? Qual é a viinterna da nação, tratam o Brasil como sua abilidade de um acordo assim? propriedade particular e são esses latifundiários o lobby por trás da Bancada Ruralista no João Paulo E. Barros Politicamente falando: É mais recomendável estimular a diplomacia de um rinoceronte em uma loja de cristais, que tomar decisões com a esperança de agradar a todos. di matioli Para pensar! Roquette Pinto: “Os escravos sempre serviram para carregar, entre outros fardos, a culpa dos senhores”. *** O povo (nome de um bloco de carnaval do Rio): “Simpatia é quase amor”. *** Charlie Chaplin: “A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe”. *** Carmem Mayrink Veiga: “Há duas coisas que nunca pretendo fazer: es- portes e trabalhar”. *** Vinícius de Moraes: “O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado”. *** Galeão Coutinho: “O charuto é a chaminé da prosperidade”. *** Voltaire: “É perigoso estar certo quando o governo está errado”. *** Luís Fernando Veríssimo: “Às vezes, a única verdade em um jornal é a data”. *** Gondin da Fonseca: “Judas era um cidadão respeitável comparado a cer- tos entreguistas do Brasil”. *** Mário Quintana (sobre seus críticos): “Todos esses que aí estão atravan- cando meu caminho, eles passarão… eu passarinho”. *** Chico Xavier: “Ambiente limpo não é o que mais se limpa. É o que menos se suja”. *** Marquês de Maricá: “O roubo de milhões enobrece os ladrões”. *** Walther Waeny: “O homem é um animal racional. Racional, às vezes; ani- mal, quase sempre”. *** Graciliano Ramos: “Tanto faz morrer assim como assado. Tudo é morrer. Crucificado ou de prisão de ventre, em combate glorioso ou forca, o resultado é o mesmo”. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Janeiro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 15 O incêndio do Museu Nacional e o epistemicídio como projeto político de esquecimento Aliás, o atual governo vai além: nos empurra, através da emenda constitucional 95, um congelamento de gastos sociais de 20 anos, como se congelar o tempo e a sucessão dos acontecimentos fosse possível. No entanto, ninguém, do lado de cá ou do lado de lá, acredita nisso. Tanto é assim que somas vultuosas – um orçamento total de R$ 1,2 bilhão, segundo dados constantes do próprio Portal da Transparência – têm sido despendidas na guerra que o Brasil hoje trava com parte de seu povo no Rio de Janeiro sob intervenção militar, como lembra minha amiga Laura Gonçalves. Nossa política de memória é um imenso espaço em branco. O Mu- seu Nacional é o maior e mais trágico exemplo do desprezo pela memória, mas não é o único. Tive a oportunidade de conhecer pes- soalmente a situação do Arquivo Público Estadual Jordão Emeren- ciano (APEJE), de Pernambuco – cujo acervo, friso, é infinitamente menor do que aquele perdido na noite do domingo. Alojado num galpão sem acondicionamento adequado, o acervo do APEJE so- brevive driblando calor, umidade, pragas e falta de manutenção. Sobrevive, certamente, nas mesmas condições que os demais ar- No último domingo, dois de setembro, um incêndio de grandes pro- quivos do país. porções atingiu o Museu Nacional. Das 19h30 até cerca de 3h da Museu Nacional sofria com corte orçamentário desde 2014 manhã do dia seguinte, quando o incêndio foi contido, um acervo estimado em 20 milhões de itens era consumido rapidamente pelas chamas. O Museu Nacional era maior acervo de cultura ameríndia e afrodescendente do País Os bombeiros, enquanto isso, enfrentavam problemas na captação O desprezo pela memória pode, com toda adequação, ser chamado epistemicídio. Sabemos, por exemplo, que Luzia, o fóssil huma- de água, dada a falta de carga nos hidrantes. O palácio onde funcionava o Museu não tinha sistema de prevenção de incêndio e as instalações eram antigas e precárias. no mais antigo das Américas, foi perdido. Também foi perdida extensa documentação sobre línguas indígenas, objetos de diferentes povos e culturas. Com isso, perdemos inúmeras oportunidades de O diretor no Museu, Alexander Kellner, explicou em entrevista vei- rediscussão e releitura sobre história e passado. E as maiores víti- culada por alguns jornais, que há anos o espaço sofre com a falta mas, para variar, são negras/os e indígenas. Quem, afinal, foi mais de verbas. Exposições fechadas, prédio em más condições e, cer- empurrado para a não-existência, não-pertença, não-história que tamente, problemas de manutenção e restauração de peças. 300 esses grupos? milhões de reais, investidos ao longo de um década, seriam necessários para executar seu Plano Diretor, ainda segundo Kellner. A verba anual, de R$ 520 mil, que custeava a sua manutenção, também não era repassada integralmente desde 2014. A história é uma arma política poderosa. No período de tráfico atlântico de africanas/os escravizadas/os, o Porto de Ouidá, onde hoje se ergue o Portal do Não Retorno, era a última visão de África para muitas mulheres e homens levadas/os aos tumbeiros. Conta- Há uma frase genérica que pode ser ouvida de muitas bocas, em se que, no trajeto do mercado da cidade até o porto, havia uma ár- muitas ocasiões. Uma frase sobre um país Brasil que não conhece vore mágica, a Árvore do Esquecimento. Em torno dela, os coloni- a si mesmo e à sua história. O arquivo do Museu Nacional, perdido zadores obrigavam as/os aprisionadas/os a dar voltas. O cativeiro para sempre, reunia fósseis, objetos etnográficos e arqueológicos, deveria ser, ele mesmo, uma política de não retorno, não retorno documentos antigos e raros. Todo esse material carregava consigo sobretudo a quem se era. Séculos depois, descendentes das/os uma dimensão de vida, na possibilidade que encerrava de trans- cativas/os lutavam pela inclusão de sua história no currículo escolar missão e produção constantes de conhecimento. As pesquisas so- do Brasil, o mesmo currículo desmontado pela reforma da educa- bre esse acervo nos deixam órfãs/ãos, porque certamente diriam ção. respeito a quem somos. Agora se fala em repasse de verbas para a restauração do Museu Os valores que poderiam ter impedido o assassinato de nosso mai- Nacional. É preciso, nesse jogo de memória, não esquecer o que or museu, um museu de 200 anos de história, são de todo modes- nos trouxe até aqui, nem desprezar os múltiplos significados do in- tos. R$ 520 mil anuais: soma próxima, não raro inferior, àquela gas- cêndio do último domingo. De minha parte, espero que alguns no- ta com boa parte de nossas aristocráticas carreiras jurídicas e car- mes fiquem marcados, de modo impiedoso, nos rumores e escritos gos políticos. Mas a história, como nos ensina o governo através, da posteridade. Sei que, em qualquer caso, seguiremos vivas/os e por exemplo, da reforma da educação, é apenas um penduricalho ativas/os, escrevendo, fiando e desfiando cotidianamente a história. que podemos dispensar, no ensino versidades, em nossa vida, enfim. básico, nas pesquisas das uni- Fernanda Lima da Silva Mestranda em Direito, Estado e Constituição pela UnB Patrimônio histórico: uma questão de cidadania do do patrimônio histórico que, além de um valor material e estéti- co, conserva em si elementos da história do lugar e de sua popula- “Uma página apagada de nossa história”. É assim que Maria Bea- ção. triz Kother, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), define a importância da preservação do patrimônio Para Flávio Carsalade, da Universidade Federal de Minas Gerais histórico. “Perdemos muito cada vez que nosso patrimônio é demo- (UFMG), a destruição do patrimônio histórico significa não apenas lido, descaracterizado ou mutilado. É como se apagassem uma pá- perda de qualidade de vida, mas de cidadania e de senso de per- gina de nossa história. São danos irreversíveis”, afirma. tencimento aos locais e aos grupos comunitários. “O patrimônio é responsável pela continuidade histórica de um po- Mesmo reconhecendo a importância do patrimônio histórico, as au- vo, de sua identidade cultural. Além disso, cria personalidades úni- toridades responsáveis pela questão no Brasil não conseguem res- cas para cada cidade e favorece a orientação e a apreensão do es- ponder adequadamente, preservando, mantendo ou recuperando paço urbano”, explica. os prédios, monumentos ou antigos conjuntos industriais. Ações da sociedade civil têm conseguido ao menos alertar sobre o significa- Um povo sem história é um povo sem futuro. Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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