De Biasi em Revista n° 28|Perspectivas sobre o governo Bolsonaro

 

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Comentário de Eduardo Zylberstajn, da FIPE

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em Revista Dezembro 2018 • Edição 28 • Ano VII EDUARDO ZYLBERSTAJN, DA FIPE, COMENTA AS PERSPECTIVAS SOBRE O GOVERNO BOLSONARO Receita federal Empresas em dia terão tratamento ‘VIP’ Como as empresas devem se preparar para a Lei de Proteção de dados Prêmio Confeb De Biasi é eleita a melhor empresa em outsourcing

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Preparação das demonstrações financeiras Instrumento importante na gestão do negócio, um conjunto completo das demonstrações nanceiras compreende: Balanço patrimonial DRE - Demonstração do resultado do exercício DRA - Demonstração do resultado abrangente DFC - Demonstração do uxo de caixa DMPL - Demonstração da mutação do patrimônio líquido DVA - Demonstração do valor adicionado Notas explicativas Precisa de ajuda? A De Biasi pode ajudar sua empresa na preparação ou revisão de seus demonstrativos. SÃO JOSÉ DOS CAMPOS Av. Alfredo Ignácio Nogueira Penido, 255 Cj. 1407 – Jardim Aquarius - CEP: 12.246-900 Tel: (12) 2138.6000 SÃO PAULO Av. Paulista, 1.636 - Cj. 706 Bela Vista – CEP: 01310-200 Tel: (11) 3197.4565 debiasi.com.br TAUBATÉ Rua Irmã Maria Rita de Moura, 50 Vila Jaboticabeira – CEP: 12.031-140 Tel: (12) 2138.6000

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Foto: Arquivo De Biasi Editorial Bem-vindos a mais uma edição da De Biasi em Revista! Com o novo presidente eleito, o Brasil vive um momento nunca visto antes em sua história. De um lado, existe um temor por medidas extremas que possam prejudicar parte da população, especialmente as minorias, de outro, paira no ar uma expectativa de crescimento e mudanças que já não acontecia há muitos governos. Para falar sobre estas questões, convidamos o economista e coordenador do Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), Eduardo Zylberstajn. Ele discorre a respeito das primeiras medidas já anunciadas pelo futuro Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, sobre as tão faladas reformas tributária, previdenciária e política, da provável adoção de novos impostos, entre outros assuntos, que, certamente, impactarão a vida de cada um de nós a partir do início do novo governo que inicia no próximo ano. Também abordamos a importância da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) que afetará todas as empresas, independentemente do modelo de negócio, explicamos como esta mudança transformará radicalmente a forma como as empresas e a sociedade enxergam os temas relacionados à privacidade e à proteção de dados. Além destes assuntos, esta edição mostra que a De Biasi recebeu o Prêmio Confeb 2018 na categoria Outsourcing, conta como a guerra comercial entre os Estados Unidos e China pode abrir oportunidades a empresas brasileiras, explica sobre combinação de negócios, entre outros tópicos interessantes para quem gosta de estar sempre atualizado. Boa leitura! Cassia Cossermelli Demarchi, Sócia da De Biasi Sua participação é muito importante para o aprimoramento da De Biasi em Revista. Mande suas críticas, sua opinião e suas sugestões para revista@debiasi.com.br.

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5 Entrevista com Eduardo Zylberstajn: ‘Mais cedo ou mais tarde será necessário aumentar a carga tributária no Brasil’ 8 Empresas que estão em dia com a Receita Federal serão premiadas com tratamento “VIP” 10 De Biasi é escolhida melhor empresa de outsourcing no Prêmio Confeb 12 PIS e COFINS: Conceito de insumo - Orientação da PGFN 14 Por que sua empresa deve se preocupar com a Lei Geral de Proteção de Dados? 16 Combinação de negócios: Qualidade da documentação para evitar risco fiscal 18 Guerra comercial entre EUA e China pode abrir oportunidades para empresas brasileiras 20 Ponto a Ponto A De Biasi em Revista é uma publicação trimestral do Grupo De Biasi, com distribuição gratuita e dirigida. Tiragem de 3.500 exemplares. revista@debiasi.com.br Digital Trix Comunicação LTDA. R. Frei Caneca, 33 – Consolação. Conj. 51, São Paulo – SP CEP: 01307001 Tel: 11 3255 8718 revista@digitaltrix.com.br www.digitaltrix.com.br Editor-responsável: Mônica Ferreira (MTB: 23440) Edição: Digital Trix Colaboradores: Adriana Almeida Resende Miranda, Cássia Cossermelli Demarchi, Celso Santos, Fábio da Silva Oliveira Revisão final: Daniel Agrela, Tuka Pereira Diagramação: Vinícius Amaral Imagem de capa: alphaspirit/depositphotos Madrabothair/depositphotos

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sdecoret/depositphotos “Mais cedo ou mais tarde será necessário aumentar a carga tributária no Brasil” Entrevista com Eduardo Zylberstajn DE BIASI EM REVISTA 5

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Foto: Arquivo pessoal O ano de 2018 certamente ficará registrado nos livros de história. Depois de uma das eleições mais disputadas e polarizadas desde a reabertura democrática de 1985, a maioria dos brasileiros escolheu seu candidato. A partir de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe terão a missão de recuperar a economia, gerar empregos e diminuir as desigualdades sociais de um país complexo como o Brasil. Por ora, embora o clima sobre o próximo governo ainda seja de incerteza, o mercado financeiro responde positivamente às mudanças propostas, principalmente, pelo futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Medidas como a redução no número de ministérios, a escolha de nomes técnicos para pastaschave da administração e a intenção de se votar a Reforma da Previdência já nos primeiros meses do novo ano refletem positivamente sobre os investidores. No entanto, a interlocução do Governo com o Congresso ainda preocupa. Para falar sobre as perspectivas para o País, a De Biasi em Revista conversou com o economista Eduardo Zylberstajn, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Confira a seguir as análises do especialista sobre o cenário brasileiro a partir de 2019. Ao receio que havia com o programa econômico do candidato derrotado, que sugeria uma política econômica bastante temerária e, ao mesmo tempo, à confiança nas promessas e ideias do futuro ministro da economia. Como você avalia as primeiras medidas anunciadas por Paulo Guedes e sua equipe econômica antes mesmo do novo governo entrar em vigor? Ainda é cedo para avaliar. Há uma enorme diferença entre ideias/ intenções, os planos que serão desenhados para implementá-las e a capacidade de execução desses planos. Por enquanto, estamos apenas nas ideias e intenções. Nos últimos anos o dólar bateu recordes de cotação e a instabilidade na política contribuiu para este cenário. Agora a tendência que se apresenta é de valorização do real. Você acredita que esse fenômeno deve se manter no próximo ano? Não. Acredito que o câmbio está muito próximo de seu valor de equilíbrio e que os riscos maiores são os de depreciação, por conta da possibilidade de piora no cenário externo. Na sua visão, quais seriam as três primeiras decisões mais importantes do novo governo para a economia? Eduardo Zylberstajn definir a agenda de abertura comercial e realizar reformas tributária e política que melhorem nossa democracia. Embora de linha conservadora, você identifica que no campo econômico o governo deve adotar uma temática mais liberal? Paulo Guedes é um economista conhecido e respeitado, com formação em uma das mais prestigiadas universidades americanas. Creio que essa é a sinalização que o presidente eleito buscou dar. Para realizar os ajustes nas contas públicas, você acredita que o Governo irá adotar medidas impopulares como adoção de novos impostos? O mercado recebeu com positividade o resultado das eleições. A que você atribui essa reação? Elaborar um plano claro para resolver o problema fiscal do país, que passa pela reforma da previdência (mas não para nela); Acredito que sim, mais cedo ou mais tarde será necessário aumentar a carga tributária. Esse aumento pode vir da revisão de desonerações, mas 6 DE BIASI EM REVISTA

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deve vir sim. É difícil prever quais produtos e empresas que podem sofrer com a revisão dessas desonerações. O novo governo não deve ter força para propor um aumento na carga tributária sem antes fazer um esforço para atacar o lado das despesas. Por exemplo, apenas uma boa reforma da previdência não resolverá sozinha o problema do governo. Há muita coisa que precisa ser feita. Você acredita que para os investidores externos é importante que haja independência do Banco Central. Por quê? produtividade que é o que o Brasil precisa desesperadamente. Como disse o Edmar Bacha em um artigo recente, a abertura comercial é a ‘mãe de todas as reformas’. Mais abertura é mais competição e mais competição é ganho de bem-estar para toda sociedade. Quais benefícios podem surgir do provável estreitamento entre Brasil e Estados Unidos? Difícil dizer a priori, ainda mais porque não sabemos como será o governo no Brasil e porque a atual administração dos EUA é, por vezes, errática. O Brasil deve fechar o ano com PIB de 1.36%. Embora seja cedo para traçar um cenário futuro, você avalia que o PIB no próximo ano será maior caso o governo adote medidas de austeridade e aprove as reformas que ficaram pendentes? Deve ser maior sim, até porque há uma enorme capacidade ociosa na economia. Mesmo com o avanço positivo do PIB, você acredita que isso se refletirá no bolso do trabalhador? Como isso deve se dar? Sim. Um Banco Central independente é mais imune a interferência política na sua busca pela estabilidade da moeda. Assim, o risco para um investidor investir no país é menor e, portanto, os juros são menores também. Inicialmente o governo se mostrou favorável a formação de acordos bilaterais com nações mais desenvolvidas, deixando um pouco de lado as negociações em bloco com o Mercosul. Qual o impacto dessa decisão? A falta de crédito na economia brasileira fez com que o Brasil perdesse os selos de Grau de Investimento, parâmetro que mostra confiança dos investidores no País. O que falta para que as agências de risco considerem o Brasil um país confiável para o capital externo? Falta escaparmos da trajetória explosiva da dívida pública – e para isso não há atalhos: é ajuste fiscal. O mercado de trabalho começou a dar sinais de recuperação – mas ela deve ser lenta, infelizmente. Isso porque, como disse anteriormente, a indústria tem uma capacidade ociosa muito grande. Por isso num primeiro momento temos uma condição relativamente fácil de crescer sem gerar inflação nem precisar de grandes investimentos. O desafio fica então para 2020 e 2021. Acho que o impacto imediato é colocar em discussão a necessidade urgente de se planejar a abertura do Brasil ao resto do mundo. O Brasil é um país muito fechado economicamente, comercialmente e culturalmente. Uma abertura comercial e econômica, obviamente se feita de forma bem planejada e não de uma hora para a outra, traz mais competição para o país e isso é o melhor mecanismo para induzir a busca e aumento de Votação da Reforma da Previdência será um dos principais desafios da nova legislatura STYLEPICS/depositphotos DE BIASI EM REVISTA 7

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joelfotos/depositphotos Empresas que estão em dia com a Receita Federal serão premiadas com tratamento “VIP” Da Redação 8 DE BIASI EM REVISTA

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Programa Pró-conformidade entra em vigor em 2019 e pontuará companhias com notas A, B e C Empresas que estiverem em dia com a Receita Federal serão premiadas com benefícios e tratamento “Vip”. Essa é a proposta do Pró-Conformidade, projeto que ficou em consulta pública até o dia 31/10, mas deve entrar em vigor já em 2019. O objetivo é incentivar às companhias a atualizarem e manter seus compromissos financeiros e burocráticos em ordem. Segundo a Receita, o programa vai classificar cerca de 7 milhões de empresas com notas A, B ou C. Os critérios de avaliação levam em conta: pagar tributos no valor integral e com pontualidade; entregar declarações e escriturações no prazo; prestar informações à Receita com veracidade e manter a situação cadastral compatível com as atividades realizadas pela empresa, todos considerando os últimos três anos. Quem obtiver nota máxima, terá benefícios exclusivos, como prioridade no recebimento de restituições, preferência no atendimento presencial e prioridades no julgamento de processos administrativos. Outro benefício para os contribuintes com nota máxima, ou seja, com classificação A, é que, diferentemente do que ocorre hoje, eles serão avisados caso seja identificado qualquer erro ou indício de infração. Com isso, as empresas poderão regularizar a situação sem pagar multa, que pode ir de 75% a 150% do valor devido. Cassia Cossermelli Demarchi, gerente de outsourcing da De Biasi, afirma que esse benefício é um dos pontos altos do programa da receita. “Nós sabemos da dificuldade que é, inclusive burocrática, de manter tudo em dia, muitos acabam cometendo erros por conta da complexidade dos sistemas, do próprio processamento da Receita. Então, é a chance de você ir se ajustando sem consequências financeiras”, comenta. De acordo com a Receita, a expectativa é de que de 30% a 40% das empresas recebam nota A e B e cerca de 20% fiquem com nota C. Se estiver neste último grupo, das que têm pontuação baixa, a empresa estará sujeita a medidas coercitivas, como a cassação de benefícios fiscais, e a inclusão no Regime Especial de Fiscalização (REF), que prevê fiscalização ininterrupta e mais rigorosa, segundo descrição do Próconformidade. Processo começa pelas empresas do Simples A avaliação será feita em todas as companhias nacionais com mais de um ano de vida, só que  progressivamente. As que estão inseridas no regime do Simples serão as primeiras a receberem as notas, em fevereiro. A expectativa é que, até abril, todas elas já saibam sua “pontuação”. Quem receber nota A ganhará ainda um certificado. João Paulo Martins, subsecretário de atendimento da Receita Federal, afirma que a ideia é mesmo tratar os adimplentes como “clientes”. “Os que tiverem nota A serão VIPs”, disse. O Pró-Conformidade é inspirado em práticas semelhantes adotadas em países que fazem parte da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para Cássia, a implementação em nível nacional trará benefícios não apenas para a economia, já que o sistema também vai identificar inadimplentes, mas principalmente para as próprias empresas. “Eu acredito que será muito benéfico para uma empresa atingir essa nota máxima, até no mercado, com maior facilidade para conseguir crédito, financiamento, participar de licitação, etc. Nossa experiência em São Paulo, que tem programa semelhante, mostra que as empresas que alcançaram esse patamar obtiveram benefícios. Muitas precisaram investir nessa área, seja em tecnologia, para processar as informações da melhor forma, seja em pessoal. Mas vale a pena”. Assim como ela, especialistas alertam para que a Receita Federal passe por um ajuste para dar conta da complexidade do programa, que terá de oferecer benefícios aos que atingirem as notas, por exemplo, na questão dos processos administrativos, cujos contribuintes Vips terão prioridade. “O programa é positivo de maneira geral, mas em um segundo momento serão necessários ajustes dentro da própria receita, principalmente em relação aos processos administrativos, cujo andamento é muito lento”, comenta o advogado tributarista Adriano Costa. DE BIASI EM REVISTA 9

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Imagens: Divulgação Confeb De Biasi é escolhida melhor empresa de outsourcing no Prêmio Confeb Da Redação 10 DE BIASI EM REVISTA

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Em outubro ocorreu a terceira edição do Prêmio Confeb 2018 que contemplou todo o setor Tributário e Fiscal do país. A premiação faz parte de uma pesquisa com líderes de grandes empresas dos mais variados segmentos do mercado fiscal e tributário para definir quais empresas mais se sobressaíram perante seus clientes durante o ano de 2017 nas seguintes categorias: Profissionais, Projetos e Fornecedores. A De Biasi, empresa de Auditoria, Consultoria e Outsourcing especializada em propor soluções inovadoras, foi premiada na categoria Fornecedores do Ano – Outsourcing. Para escolher os vencedores, houve um processo criterioso de avaliação. A primeira fase consistiu em indicação, por meio de citação livre, por profissionais do mercado. Os mais indicados nessa etapa, em cada categoria, passaram por aprovação dos Comitês Executivo e Deliberativo da Febracorp Live University, que realizaram entrevistas, análises de carreira e análises de projetos em blind review – critério que garante que os avaliadores não sabem quem estão avaliando. Desse processo, foram selecionados três finalistas por categoria. “Esta premiação representa não apenas um fortalecimento da nossa marca, como também um reconhecimento de um trabalho realizado com muita dedicação por uma equipe que está sempre em busca de inovação para oferecer serviços de qualidade. É um grande estímulo para continuarmos a Premiação contemplou melhores profissionais, fornecedores e projetos nas áreas tributária e fiscal investir em tecnologia e na atualização e aperfeiçoamento de nossos profissionais”, afirma Cassia Cossermelli Demarchi, Sócia da De Biasi. O CONFEB é uma das escolas de negócios da Febracorp University e é a maior escola de negócios focada na área fiscal, contábil e tributária do Brasil. Tem como principal objetivo promover a expansão de conhecimentos dos executivos que atuam no campo fiscal e tributário. DE BIASI EM REVISTA 11

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DragonImages/depositphotos PIS e COFINS Conceito de insumo Orientação da PGFN Por Fábio da Silva Oliveira 12 DE BIASI EM REVISTA

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A decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial (RESP) nº 1.221.170/ PR, confirmou a tendência de interpretação do conceito de insumos para PIS e COFINS já adotada, em instâncias inferiores, em outros processos judiciais sobre o mesmo tema e também no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Tal decisão firmou entendimento pela ilegalidade das regras de creditamento estabelecidas nas Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004 por comprometerem a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estabelecido pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em decorrência da adoção de uma interpretação restritiva do conceito de insumos, além de adotarem indevidamente a lógica da não-cumulatividade aplicável ao ICMS e IPI. “Dessa forma, esse julgado representa um marco importante para esclarecer os aspectos que devem ser levados em consideração para caracterização de um determinado gasto como insumo” O STJ definiu que o conceito de insumo deve ser aferido considerando os critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. “Dessa forma, esse julgado representa um marco importante para esclarecer os aspectos que devem ser levados em consideração para caracterização de um determinado gasto como insumo”, comenta Fábio da Silva Oliveira, sócio da De Biasi. É importante destacar que, para fins de caracterização de um bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente como insumo, deve ser levada em consideração a particularidade de cada processo produtivo, além de avaliar se a subtração desse item compromete a consecução da atividade-fim da empresa. Embora o STJ tenha definido critérios específicos, deixou claro que tal interpretação não deve ser demasiadamente ampliada a ponto de adotar os conceitos de custos e despesas operacionais utilizados pela legislação do Imposto de Renda. Diante desse cenário, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, se manifestou por meio da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF concordando e recomendando a aplicação da decisão pela Receita Federal do Brasil. Com a publicação da referida nota, a PGFN incluiu o tema na lista de dispensa de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, com base no previsto no art. 2º, V, VII e §§ 3º a 8º da Portaria PGFN nº 502/2016. “Na prática, além da dispensa de contestar e recorrer pela PGFN, a Receita Federal do Brasil também deve deixar de promover a glosa de créditos exclusivamente com base na interpretação restritiva do conceito de insumos previsto nas Instruções Normativas, mas sim levar em consideração os critérios de essencialidade e relevância”, destaca Fábio. Com isso, os contribuintes que eventualmente adotam conceito mais restritivo em relação aos insumos, podem ter a oportunidade de revisar os procedimentos adotados de forma a identificar outros gastos que atendam aos requisitos definidos pelo STJ, ampliando assim as possibilidades de apropriação de créditos de PIS e COFINS. É importante ressaltar que esses contribuintes devem buscar elementos suficientes para evidenciar a essencialidade do gasto em sua atividade produtiva, incluindo, além da avaliação física, o mapeamento contábil e fiscal, que devem ser mantidos como elementos de prova para exibição em eventual processo de fiscalização. DE BIASI EM REVISTA 13

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BrianAJackson/depositphotos Por que sua empresa deve se preocupar com a Lei Geral de Proteção de Dados? Por Ricardo Freitas Silveira Sócio da Lee Brock Camargo Advogados O Brasil possui centenas de milhares de dispositivos legais. Muitos são desconhecidos, alguns “não pegam”, outros não se aplicam ao seu negócio. Fato é que a maior parte da produção legislativa acaba por não interferir no dia-a-dia das empresas. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) é diferente. Sancionada em agosto de 2018 e com início da vigência programada para fevereiro de 2020, esta lei impactará sensivelmente praticamente todas as empresas, independente do modelo de negócio ser baseado em tecnologia. Dados pessoais são as informações que nos caracterizam ou podem nos caracterizar. Nome, endereço, idade, localização, trajetos, receitas e despesas, etc. E estes dados também podem ser sensíveis como origem racional, convicção religiosa e política, saúde, vida sexual, biometria, etc. Mas será que sua empresa deve se preocupar com a LGPD? Este breve texto tem como objetivo listar 10 razões: • Os dados pessoais protegidos pela LGPD podem estar “no papel” ou nos meios digitais. Currículos, relatórios impressos, fichas cadastrais são apenas alguns exemplos de meios analógicos que contém dados pessoais. Imagine uma clínica médica e os respectivos prontuários arquivados em 14 DE BIASI EM REVISTA

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Acervo pessoal Ricardo Freitas Silveira “gavetas” repletos de dados pessoais sensíveis; • Os casos de vazamento de dados se multiplicaram nos últimos meses e diversos segmentos foram atingidos: e-commerce, companhias aéreas, redes sociais, aplicativos de transporte, entre tantos outros exemplos. Se a informação é o “novo petróleo”, o seu banco de dados passa a ter muito valor para terceiros; • Existe um movimento internacional de valorização da privacidade. Desrespeitar direitos ou não adotar as providências necessárias à segurança da informação pode inviabilizar parcerias internacionais. Proteger dados pessoais será tão importante quanto respeitar o meio ambiente ou os direitos humanos; • A Lei cria novos direitos para o titular de dados pessoais, como, por exemplo, a transferência para outra empresa, a anonimização e, principalmente, a eliminação dos dados, prática não habitual no mercado; • A Lei prevê expressamente a aplicação do Código de Direito de Consumidor o que facilitará o acesso à Justiça pela utilização dos Juizados Especiais e resultará na inversão do ônus da prova, ou seja, na hipótese do consumidor (titular dos dados) alegar algo em juízo, caberá à empresa provar que o fato não ocorreu ou que não tem responsabilidade; • As inovações devem contemplar o respeito à privacidade e à proteção dos dados pessoais desde a concepção da ideia. A empresa deve garantir a segurança da informação durante todo o ciclo de vida do dado. Será que todos os negócios baseados na biometria digital (aquela que você usa na agência bancária e na portaria do prédio) estão em conformidade com as melhores práticas de segurança da informação? • O consentimento do titular do dado pessoal passa a ser extremamente relevante para as empresas que tratam os dados. Quando você adquiriu um imóvel, você autorizou o compartilhamento dos seus dados pessoais para a empresa de móvel planejado? • Além da segurança da informação, a Lei expressamente fala da Governança relacionada aos dados pessoais. Não se trata das práticas da área de TI, mas sim de toda a política interna da empresa relacionada ao tema, como, por exemplo, treinamentos internos, manuais, políticas de acessos, entre outras providências: • A Multa por infração pode chegar a R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) ou, ainda, a uma penalidade que proíba a empresa de utilizar os dados pessoais. É importante destacar que a empresa deve estar atenta, tanto para as práticas internas, quanto para aquelas realizadas por fornecedores; • A correta aplicação da LGPD certamente impactará no custo das empresas, mas também poderá ser considerada um diferencial competitivo. Um consumidor pode, por exemplo, utilizar como critério de escolha de uma empresa o grau de confiabilidade relacionado à proteção de dados. Amanhã o prazo para entrada em vigor da lei será ainda menor. Estas e muitas outras razões justificam porque a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) irá transformar radicalmente a forma como as empresas e a sociedade enxergam os temas relacionados à privacidade e à proteção de dados. Se desejar comparar o estágio atual da sua empresa diante da LGPD, acesse o site www.lgpdbrasil.com.br e faça o teste. DE BIASI EM REVISTA 15

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