Confrades da Poesia104

 
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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano X | Boletim Mensal Nº 104 | Dezembro 2018 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 / Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,11,12,13 / Rota Poética: 5 Cantinho dos Poetas 6 / Luz Poética: 7 / Faísca de Versos: 8 Tribuna do Vate: 9 / Contos e Poemas: 10 / Poetas da Nossa Terra: 14 / 10ª Aniversário: 15,16,17,18 / Rádio: 19 / Ponto Final: 20 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 9 Nesta edição colaboraram 52 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Albertino Galvão | Albino Moura | Alfredo Mendes | Anabela Dias | Arménio Correia | Artur Gomes | Carlos Alberto Varela | Carlos Bondoso | Celeste Vieira | Chico Bento | CMO | Conceição Tomé | Damásia Pestana | David Lopes | Felismina Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Francisco Jordão | Helena Moleiro | Hermilo Grave | João C. dos Santos | João da Palma | Joaquim Sustelo | Jorge Humberto | José Branquinho | José Carlos Primaz | José Jacinto | José Maria Caldeira Gonçalves | José Silva | Luís Eusébio | Luís Fernandes | Luiz Poeta | Magui | Maria Petronilho | Maria Procópio | Mário Pão-Mole | Mário J. Pinheiro | Miraldino de Carvalho | Maria V. Afonso | Nelson Fontes | Nogueira Pardal / Paulo Taful / Pinhal Dias / Quim D’Abreu | Rita Celorico | Rosélia Martins / Santos Zoio | Silvais | Teresa Primo | Tito Olívio | Vitalino Pinhal

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «A Voz do Poeta» Se quiser andar na frente. (“DÉCIMA-4 em septissílaba”) Mote: Se quiser andar na frente, Fale com conhecimento No que achar conveniente Tente no melhor momento. Décima de 2: Com metade deste mote Fiz a quadra como sei, A décima encaminhei, Antes que a calma se esgote. Como vou sendo velhote… O aconselho, esteja atento, Não queira ser avarento Mas, tente ser reverente… Se quiser andar na frente Fale com conhecimento. Não faça coisas à pressa, Leve a vida devagar! P’ra nela não tropeçar, Amigo, não caia nessa… Direitinho, não esqueça Com algum discernimento Dentro deste enquadramento Ame a vida, siga em frente No que achar conveniente, Tente no melhor momento. João da Palma - Portimão Questão Não estará tudo dito?! Já me diz o coração De escrever necessito Como meio de introspecção. Os amigos vão e vêm Não dão pela solidão Minhas mágoas não retêm São frutos de ocasião. Quando a dor dói a valer E tenho a alma em desgosto È então que vou escrever Qual vinho que veio do mosto. Fico feliz - é terapia È remédio para o sonho Meu rosto exibe alegria E nele um sorriso ponho. Maria Vitória Afonso Cruz de Pau CONFIDÊNCIA És tu quem me acorda, contigo me deito, E força me dás para um dia perfeito. A luz do relógio, que brilha na hora, Seduz os momentos que passo contigo, O som das ideias que tenho e persigo Parecem o beijo que a pressa demora. Palavras ocultas, que ficam caladas, Empatam o fio das nossas meadas. Só gritos merecem dizer a verdade, Que a alma apertada, querendo-se abrir, É jardim fechado, mas pronto a florir, Desejo oprimido, que quer liberdade. Tito Olívio - Faro Amar Amar é ir luz dentro é ser mais lesto ir mais além em busca do paraíso é criar inventar em si o amor descobrir como se dar improvisar! ter tudo sem nada ter mais do que sentir amor! amar é ser espírito secreto dado etéreo tanto e tão pouco num segundo Todo o brilho e toda a cor acontecer! luzinha de vela sentindo o fulgor de outra luz luzindo se expondo enchendo o Infinito tanto, quanto se apaga num sopro! Maria Petronilho - Almada Eu também respeito quem me respeita também, mas porém não me sujeito aqueles que batem no peito e não respeitam ninguém Vitalino Pinhal - Sesimbra Triatleta Pobre Grilo que já não cantas mais, Nem vais dar mais braçadas Nas águas calmas da piscina! As tuas vigorosas pedaladas Que mereceram honras de jornais, De rádio, de televisão, Não se repetirão. Oh, triste sina Que te trocou as voltas nas estradas Da vida que corrias Intensamente! Não, não merecias. Pobre Luís, atleta vezes três, Desviaram-te a meta. Malvadez! Rito final, que espírito fantástico Te cobre o rosto de grosseiro plástico E desvenda teu corpo à natureza? Não há maior baixeza! Sabes, Luís, agora, Que alguns demónios vivem sempre ao nosso lado, Desvariados, ceifadores da existência, Do tempo já de si abreviado, Antecipam, qual deus, a nossa hora, Num golpe de inclemência, Pondo-nos fora da corrida. Tramada que é a vida! Qualquer seguro Vira-se contra nós, não há futuro. “Sabes agora” é forma de falar, Pois já não sabes nada, Não ouves nada, Não sentes nada, Por obra insana Desses demónios de raça humana. Lauro Portugal - Lisboa É uma sim…outra não! - As batidas do meu coração! Batem leve, levemente, infinitamente... Suavemente. — como pancadas de amor, Assim até um novo sol-pôr… Ateus!… Silvino Potêncio Emigrante Transmontano em Natal/Brasil Se o tempo presente fosse constante E não apenas o ápice de um momento Presente, seria Eternidade. Filomena Gomes Camacho.- Londres

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 3 «Ecos Poéticos» Fui e Sou O SOL NO CENTRO DO NADA Já fui: Pó de estrelas, nos confins do Universo, Poeira de terra, deste chão que ouso pisar, Flor silvestre, nos recônditos da serra, Água cristalina fluindo para os rios e o mar. Vento alísio rodopiando sobre a Terra, Escuridão da noite à espera do luar, Raio de sol em manhãs de primavera, Pedra áspera e dura por lapidar, Ave adejando sobre um mundo de quimera. Agora sou: Janela do tempo à espera do tempo passar, Sonho, Fé, Esperança, em corpo que se há-de finar. Se tudo se encaixa na eterna engrenagem sideral, O que vem do pó, por certo, ao pó há-de voltar! São Tomé - Corroios O sol dá vida é calor e quando está a nascer até parece que nasce ouro, ele tudo faz crescer, a semente que o homem tem para semear, ele tem muita influência na terra e no mar. Pois esta energia não pode nunca faltar, dá-me tanta alegria que me inspira amar. Quando o sol nasce, é como um esplendor, mas quando ele se põe, é como se faltasse o amor. Luís Fernandes - Amora Finalmente temos PAZ!... E será que é pedir demais? Que isto seja visto nos jornais, Na rádio e no cantar de muitos jograis... Ou é apenas a sensação de dar asas à imaginação!? Dizia o poeta em seus versos!... Porquê os homens são tão complexos? Todos de ambos os sexos, eles escrevem só por reflexos... E deixam a todos perplexos? Temos Paz em todo o lado,... E será que eu estou bem ajuizado? No soldado revoltado, No guerreiro despreparado? No politicamente mal formado, Que nos rouba a PAZ do arado... Que lavra e escreve (des)acordado, Um poema sempre tão apaixonado! Temos Paz de espírito acomodado. Não!... não, eu digo mil vezes não!... Não temos paz na palma da mão, Porque ela ainda nem nasceu no coração. Por isso ter PAZ é apenas uma ilusão, É tão só mais uma poética decepção... - de quem vive a paz de uma REVOLUÇÃO! SORRISO DE CRIANÇA É na calma do Alentejo, Que eu me revejo... Em que era pequenina... Oh! Criança traquina... Brincava... corria... E...alegre...sorria. Mas... passa o tempo... Surge o afastamento, A que a vida obriga. Oh! Terra amiga... Momentos felizes... Deixaram... raízes! Hoje... estou aqui! Alentejo... em ti! No tempo... viajei. Em silêncio... meditei. E... fez-se magia! A criança pequenina, Menina traquina, Que brincava e corria... Hoje, de novo... sorria! divago no centro do nada onde caminho ao acaso da ilusão meus passos percorrem uma estrada mas nunca sei para onde vão caminho no centro do nada sem sonhos sem amor sem paixão é tudo um acaso vida transformada sem apelo à vida sem emoção só gente a carpir só mágoa em cada rosto em cada coração que de dor sangra e água escorre dos olhos ofusca a visão este é o tempo do nada nada tem solução e a minha mente divaga no seio deste deserto árido onde a vida está a passar eu e tu e tu e tu impávido sem saber em que pensar como sair deste nada que nos anda a torturar seres sedentos de carinho crianças a soluçar nesta rota neste obscuro caminho onde em que curva irá parar sinto a terra a desaparecer sob a calçada molhada onde pés descalços mãos estendidas sem nada sem nada....... no meio deste vendaval de solidão de sentimentos de afectos de afeição onde minha alma anda a pairar olho em redor amargurada sinto a vida a passar e mergulho dentro deste nada amanhã haverá solução ? Rosélia M G Martins Silvino Potêncio Emigrante Transmontano em Natal/Brasil Maria de Jesus Procópio Paivas/Amora Vou-te dizer meu amigo errar não é o pior dá-me o teu melhor castigo para que nunca corras perigo ensina-me a ser melhor. Vitalino Pinhal - Sesimbra “O Cristo não ensinou A fazer mal a alguém Morro “pobre” porque sou Mais “rico” do que ninguém” Silvais – Alentejo

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «BOCAGE» Passageiro de canções Casamento Imperfeito DEVANEANDO Não existe nada em mim para lá de mim A não ser o que imagino com o olhar Assim é fácil de ver O que não estiver em mim não está para mim em nenhum lugar tudo o que sei foi com os olhos que aprendi o pensamento apenas quis para me julgar por isso como nunca ceguei consegui tudo o que sei a viajar sem sair daqui E foi assim amada que corri o mundo Numa viagem sem bagagem e sem eu Fui passageiro de canções além de tudo E tudo aquilo que cantei aconteceu Nada de mim há-de ficar por nada ser Até o sol destes meus versos já se pôs Assim é fácil de ver O que não estiver em nós não está para nós Em lugar nenhum Graças a Deus que sou assim e não ateu E sei que a pedra não tem alma nem esperança Por isso sou senhor de mim Porque Deus é Deus à minha semelhança E eu serei EU! Quem me dera, Quem me dera Juntar Inverno à Primavera Num casamento feliz.. Mas na Torre de Babel Onde as quatro estações São feitas Sem Vivaldi e sem violinos Não se podem cantar hinos. Tudo se faz Sem poetas, Sem os elegantes patetas Dum casamento feliz... Joaquim Evónio (Saudoso Confrade) Desejaste-me sonhos bonitos Tive-os, sabes? Estávamos à mesa o criado falava comigo e eu olhava-te enfeitiçado Nem o ouvia A sua voz estava ao nível da estática do silêncio Teus olhos ecoavam harmonias e teus lábios as melodias que te harpejavam no peito (pousaste a tua mão na minha alertando-me para o jovem de calça preta e casaco branco) - Só um minuto!, disse-lhe com sorriso contrafeito Olhámos a lista Escolheste linguado com mexilhões e molho “Bechamel” Eu, filetes com vinho do Porto Paco Bandeira - Elvas Para beber um Pinot Grigio di Pavia O ABRAÇO AZUL Não pode ser azul um terno abraço, Nem de nós está longe quem amamos, Se o vento nos lembrar e nos lembramos Que já fomos azul no mesmo laço, Na descorada cor da mesma boca, No quente entrelaçar das mesmas coxas, No abandono total das almas frouxas, Na fome de mil beijos, sempre pouca. Não pode ser azul. Se for desejo, Se for carinho e for também amor, Poderá ser abraço ou ser um beijo, Mas não será azul, pois não tem cor. Tito Olívio - Faro MÃE (meu poema definitivo) Perder, uma mãe, é tão irracional, Que, só de imaginar, nos sentimos mal, Tão mal, que nos recusamos a admitir, Que tal poderá um dia surgir. Porém, se pr’alguns é imoral, Perceber, que até nossa mãe, é mortal, Para outros, é a forma de permitir, Que para todo o sempre, não irá partir, De nossos corações, quem nos deu o Ser. E agora sim, para sempre, permanecer, Em nossas almas, como na saudade, nossa mãe, Imortal. E então, virá o dia - aquém, E além dor -, que esse amor, que em nós cabia, Já é só a alegria, de a ter conhecido, um dia. (o jovem tomava nota, diligente, com maestria) Olhando pela janela o mar rebentando no molhe salpicava o horizonte de espuma Disse uma laracha e em teus lábios um sol iluminou a bruma Para sobremesa escolheste tarte de maçã com passas Eu, uma mousse de caipirinha (imaginei-te assim por debaixo da calcinha) Paguei a conta e saímos Bebemos café alhures Beijávamo-nos quando - Horrores! – saídos de nenhures pulavam três amores (na cama em que te amo noites afora em lume brando) Jorge Humberto - Santa-Iria-da-Azóia Luís Eusébio - Londres

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CARTAS DE AMOR Ninguém escreve já cartas de amor, Com frases esmaltadas de ternura, Falando da saudade, da lonjura Ou das eternas juras com fervor; Falando de carinho e do calor Dos beijos à socapa, em noite escura, Pequenos pecadilhos de doçura, Trocados, no presente, sem pudor. Por vezes, folha seca entre o papel Ou uma flor campestre do vergel, A doirar a memória do sentido. Existe agora a Net das mensagens, Que voam para mundos e paragens, Deixando o amor das cartas esquecido. Tito Olívio - Faro Do palco à plateia. Ao artista que canta com plateia a escutar a bela música, a boa letra de bons autores… Direitos de autor que andam desajustados! Discográficas vão mais além por comércio galopante e adulterado… Deixa o artista sem vintém… A defesa do artista está no seu amealhar… Se quiser sobreviver!? Terá que produzir seus discos, para mais tarde os vender… É artista aquele que canta, como aquele que sabe escutar! Do palco à plateia artista, autor e poeta na veia… e a vida continua com o artista na rua… Pinhal Dias (Lahnip) PT (In: “Escreve enquanto vive”) Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «Rota Poética» 5 SETIMA ARTE Falar da Sétima Arte É falarmos de Cinema Sabendo bem representar Tornam-se actores sem problema A Pintura é uma arte Que se faz com muitas cores Há por esse mundo afora Bons artistas e pintores Da arte da Dança eu gosto Faz a alma flutuar Mas para isso é preciso O passo bem acertar Cantar também é arte Têm que ter voz afinal Muitos começam bem cedo E mais tarde vão cantar ao festival O Teatro como arte É bem saber memorizar O que no palco se diz E ter entoação no falar A Música também é arte É preciso muito trabalhar Criando belas sinfonias E os instrumentos saber usar O desporto também é arte A correr, nadar, ou pedalar É preciso muito treino Para chegar em primeiro lugar Como vêem há várias artes O que é preciso é ter jeito E fazê-los muito bem Para o acabamento ser perfeito Celeste Vieira – Vera Gladys Uma Trova de Ademar O meu verso ninguém toma nem apaga, nem copia. Ganhei de Deus um diploma... Eu sou formado em poesia! Ademar Macedo -RN / Br (Saudoso) POETA DAS MIL CORES (a Nelson Fontes Carvalho) Poeta de pergaminhos firmados, seus versos são como aqueles caminhos, Que se soltam do coração, Por Deus e seus santinhos; E os poemas – pura emoção Deixam-nos caidinhos, P´lo seu estilo “brincalhão”. De tudo quanto me deu Oh, Poeta, de Orfheu! A Amizade foi que perdurou; E nem o tempo se excedeu e nem a palavra cedeu, Enquanto a Canção durou. Jorge Humberto Santa-Iria-da-Azóia VI NEVE Vi neve, vi o morrer Dum sonho em tarde fria. Passaste, não quis ver Quem eu tanto queria. Vi o malmequer desfeito No asfalto negro da estrada; Vi as pétalas no ar voando E uma, de quando em quando, Caía exausta, cansada. E, nesse voo infernal, Vi teus dedos desfolhando: Bem-me-quer, mal-me-quer, Ou muito me está amando. Num longo riso eu ouvi Essa voz que tanto anseio; Como a neve, bela e fria E que a sorrir me dizia Aquilo em que eu não creio: Vê, desgraçado, vê, Esta folha abandonada. Cortaste a que queria muito, Esqueceste a folha do nada. João Coelho dos Santos Lisboa

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «Cantinho dos Poetas» De Palavra Em Palavra Poemas Noturnos Deslumbro-me com as palavras Que encontro no caminho As quais guardo em segredo Só depois é que as escrevo. Vão saindo uma a uma Sem escolher hora e local Como se fossem ensaiadas Para mais um recital Onde o principal actor Tem papel fundamental. São simplesmente palavras Sim bem o sei que o são Foram encontradas na alma Saíram do coração . E de noite, quando reina a acalmia, Quando o mundo dorme, Que eu sinto o desejo enorme De fazer poesia. E mesmo a dormir, quando consigo apanhar A minha musa a jeito, Eu até ja tenho feito Poemas a sonhar ! Por não poder ajudar, O melhor é não pensar Que o mundo, por causa da tal Crise economico-social, Cheio de cansaço E de temor, Todo trema... Numa ânsia que desperta Toda a minha atenção No momento e hora certa Que por fim se completam Com carinho e paixão De serem escritas por mim . São feitiço dos meus olhos As flores do meu jardim Que a minha alma saciam E me dão mais vida e cor . Que me dão felicidade Porque lhes dei liberdade E lhes abri o caminho Para que fossem voar Tal e qual um passarinho Sem destino de parar ! Fátima Monteiro Vila Pouca de Aguiar Assim, eu so quero ter Um pouco de espaço, No meu computador, Para escrever Tanto poema ! Hermilo Grave – Paivas/Amora A BELEZA DO SONETO Amo o soneto, com culta trama, com floreio, De pér’las, safiras, joias do melhor lirismo, De retórica de amoroso romantismo, De tanto amor, paixão, dor e todo recheio! N’ele Bocage lhe inseriu lírico purismo, Deixou sonetos lindos de belo galanteio; Espanca encheu de dor todo seu anseio; Camões frustração e seu próprio heroísmo! Assim lemos nos LUSIADAS líricos cantos, Que teve co’o Adamastor seus quebrantos, Sonetos que ficaram com exemplar ventura… O PESCADOR Hó tu pescador põe os arrais E lança o teu barco no mar Porque as velas, tu e todo o pessoal Estão com saudades de enfolar Nos ventos que proveem da arte de marear. Deus! Pato! Nobre, mestres do soneto puro, Bem feitos, ficaram eternos pró futuro, Maravilhas das letras da poética cultura! Nelson Fontes de Carvalho Belverde/Amora/Portugal Tenho apreço pelos pescadores Porque mesmo que se levante tempestade E não temendo os vendavais Vão ao deus mar buscar o peixe Sem dizerem os seus medos os seus ais. Eu não sou um poeta Também não sou um cantor, Mas minha voz se manifesta na amizade e no amor. Carlos Fernandes – Mem Martins Luís Neves - Amora / Portugal Quem quer quentes e boas? É pra despachar a mercadoria Ó menina Esmeralda Leve uma dúzia para a sua tia Quem gosta de castanha assada A estalar na brasa Comprem-me lá tudo Tá de chuva, quero ír pra casa Já estou de galochas Com água pelo joelho Tenho um refogado ao lume Para o arroz de coelho Ó freguesa venha aqui Há castanhas pão e vinho E também água pé Para celebrar o S. Martinho Paula Cascalho - Amora Direitos Não tenho quaisquer direitos. Meus direitos estão na cruz. Os direitos ora eleitos, São os direitos de Jesus. Abri mão de meus direitos No dia em que me converti. Quando cri nos Seus preceitos, Todos meus direitos perdi. Há perdas que são um ganho, Por mais que pareça estranho. A perda dos meus direitos, Traz-me montão de proveitos. A Sua vontade é boa; É perfeita e agradável. 1 Ganhei-a como coroa - Uma riqueza inefável. Assistia-me o direito De eu deixar de trabalhar. Quis abrir mão disto a peito Para eu a ninguém pesar. 2 Para eu a ninguém pesar E ninguém fazer tropeçar, 3 Resolvi evangelizar Sem dar fim ao meu pão ganhar. 1. Romanos 12:2. 2. 1 Tessalonicenses 2:9; 2 Tessalonicenses 3:8. 3. 1 Coríntios 9:6,12. CMO—Qtª do Conde

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“Um Fado De volta ao Lar”! Dos Homens que eu nem conheço, Que nunca os vi!, mas não esqueço... --- Com eles eu vou cantar, Um Fado de volta ao lar! Um Fado que eu nunca ouvi, Cantiga do tempo que eu nem vivi... --- Com eles eu vou lembrar, Um Fado de volta ao Mar! Dos homens que eu nunca encontrei E nem por isso os abracei... --- Com eles eu vou viver, O Fado deste meu sofrer! Deste mundo que me rodeia, Da luz enferma que me enleia... --- Com ela eu vou sonhar, E a minha Alma lhe entregar! Dos Homens que eu nem conheço, Que nunca os vi!, mas me despeço... --- E com eles vou me embalar, Neste Fado eu volto a sonhar!... A todos me deixo iludir, Para a minha Alma eu ouvir... --- Com eles eu me vou embora, Porque o meu Fado faz a hora!!! Silvino Potêncio - Natal/BR Passagem Como está silenciosa hoje a casa, só o vento na janela a zunir, já na cinza morta não há brasa que aqueça este meu triste porvir. Até, meu estro que era asa adornando manto de " d´alquimir, se foi no gelo que me arrasa e meus olhos deixaram de sorrir. Sonhando...imagino o horizonte e esmeraldina nuvem é a ponte que me leva ao futuro? Ao passado? Sei apenas que caminho a outra "era" onde algo existe à minha espera e me leva num amplexo apertado. Natália Parelho Fernandes Entroncamento Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «Luz Poética» 7 Terra e mar nosso celeiro. Por muitos enxertos que se façam nas árvores?! Já viram uma figueira dar uvas!? Não!... Mas dos figos se faz aguardente, das uvas se faz vinho e também aguardente… Terra e mar nosso celeiro!... Mão na enxada e calejada pelo trabalhador que lavra, semeia e colhe, produtos dessa colheita… Se o tempo não ajuda?!... O sol se esconde e lá do alto sempre espreita… Os ventos intempéricos, que remoinham da esquerda à direita… Cobrança de impostos, tributo de César, com a lei do narciso, que aumenta o prejuízo… Árvores de fruta, ano sim, ano não, entre elas a oliveira, laranjeira, castanheiro e outras demais, que na contabilidade acrescentais… E a videira, com cachos de uvas tombadas pelo granizo aumenta o prejuízo… Limoeiro de riqueza, com sorte de produção! Árvores de fruta! Árvores de sombra! Árvores de floresta…ouro verde em extinção, que estende à humanidade o seu pulmão… Mar…água e vida que nele sustêm, desde o seu pescado a grande fonte de alimentação, às algas-marinhas, que nos fornecem grande parte do oxigénio, prolongando a vida ao nosso pulmão… A estrela solar de seu grande olheiro aquecendo a terra e o extenso mar nosso celeiro!... Pinhal Dias (Lahnip) PT (In: “Escreve enquanto vive”) Divina Inspiração Num dia de estar descansado o olhar Da tarefa de sementeira d’uma criação, Sorriu deleitado, ufano aquele magano, Por ter poder e desejar à tardinha criar Algo que não visse jamais comparação; E assim criou Deus o monte alentejano Qum d’Abreu - Almada

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «Faísca de Versos» Sei bem reconhecer a nossa tradição tauromática mas não compreendo o prazer que é ver um animal sofrer tanta violência FANÁTICA E se um dia vier uma outra espécie superior gostarias de sofrer e possivelmente morrer por causa de tanta dor? Pensa nisto porque é sadismo deixa viver os bois em paz tu que estás perto do abismo vivendo no teu egoísmo não sabes o que o futuro te traz. Vitalino Pinhal - Sesimbra “NÃO ME CALO, NEM ABALO” Poeta, eu também não, eu não me calo! Eu junto a minha voz, também à tua Aqui, em qualquer lado e na rua, Prometo nesta luta, acompanhá-lo! Escrevo, às vezes canto e também falo, A arma da caneta é uma pua… Que fura c’o a verdade nua e crua… Eu sempre gritarei, e não abalo! Poeta, no silêncio dá um grito Aclara sempre o dito por não dito Defende a causa certa e a razão! Faz uma rima forte à confiança, Rima honestidade com esperança, E mata com poesias, a corrupção! João da Palma - Portimão Enquanto houver lar sem pão, E homens escravizados. Não há povo, nem nação, Totalmente libertados! Arménio Correia (arlofeco) Seixal PREGUIÇOSO DUMA FIGA! Será que está moribundo? Está num sono profundo, Não querendo acordar. Eu lhe rogo, a todo o instante, Pra que ele se levante. Mas o tolo, o maganão, Nem sequer dá-me atenção. Nada há, pois, a fazer, Porque nele a minha mão Eu não consigo ter. Cansado das constantes e longas batalhas, Nunca sabendo se poupar, Já lá não vai nem com fogo de fornalhas. Terei de me conformar! Hermilo Rogério - Paivas POEMA É DEDICADO Á ÉPOCA ELEITORAL! NESTA ÉPOCA É ASSIM Na época das eleições e com os tachos nas miras ouvem-se falsos pregões e chorrilhos de mentiras Querem matar os desejos ter no bolso fáceis tostões até nas velhas dão beijos na época das eleições Tudo aquilo que prometem sãos papéis feitos em tiras sabemos bem que só nos mentem e com os tachos nas miras Fazem lembrar uma alcateia a uivar aos serões e de aldeia em aldeia ouvem-se falsos pregões Quando tudo terminar de não os veres te admiras ficam promessas no ar e chorrilhos de mentiras. Chico Bento - Suíça Stop Reactor Atómico Só um pedido Talvez um desejo Ou apenas um alerta Precisamos parar... STOP! Repara homem, é simples E não precisa-se pensar muito Acontece no Japão Com tristeza e pesar afirmo Também pode acontecer aqui Ou ali bem perto Reator atómico é um perigo… Atirar lixo radioactivo ao mar Tenho receio, pode ser pior... Ó meu Deus, onde irá esta civilização? Mundo continuará vivo para a outra? Imagino... penso... e tenho dúvidas Com este andar, seremos os últimos O Planeta Azul, se assim continuar, terá certamente o FIM ! João Furtado - Praia / Cabo Verde

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 9 «Tribuna do Vate» O POEMA dentro de mim existe amor e no esmichar dos meus braços um traço que repousa na pele de um verso onde a sua nudez é uma canção que respira devagar o poema traz o aroma da vida tem contracções que festeja na voragem do tempo a sua voz cala o abismo e a eternidade do silêncio Carlos Bondoso (CFBB) Alcochete É AMOR nos lençóis inquietos da noite aconchego-me ao calor dos teus seios num sopro perfumo a brisa que passa para que o vento invente madrugadas livres como os pássaros os seios rompem a inocência e contemplam a nudez das minhas mãos na escuridão o perfume esvoaça CFBB nos muros do silêncio esbateram-se as cores e os sorrisos na outra margem existe luz corre uma aragem partiu-se a ponte como é que vou Carlos Bondoso (CFBB) o Sol não traz frio transporta o manto para que os homens mudem o sentido do vento CFBB Lutas há lutas por tudo E por nada. Lutas pelo muito E pelo pouco. Lutas de animais E lutas de homens. À dentada À fisgada Ao pontapé no cu Ao murro no olho À chapada na cara À pistolada. E a tiro de canhão! Lutam gaivotas por um quinhão Que sirva de refeição. Lutas por sobrevivência Lutas por ganância. Lutas por estupidez Lutas por isto E por aquilo Lutas sem se saberem os porquês! Carmindo de Carvalho - Suíça Abalada chocha e furada Para longe abalou . Abalou à procura do ( El – Dourado ) O que encontrou Foi um vintém furado Num pau de sebo pendurado . Subia , escorregava e caía . Coitado , não sabia Que tal esforço não valia . Lá se iam os Mercedes ! Os tais carrões ! E também os casarões ! A árvore das patacas Que tanto sonhava E ansiosamente procurava Essa malvada não encontrava . Pouco a pouco foi - se conformando Com um pequeno E rangente rançoso carrito . Afinal sempre eram umas dúzias de cavalos ! Enfim ! Era melhor que um burrito . Carmindo de Carvalho - Suíça Recado Sob o teu olhar vesgo De troglodita serôdio Oscila o valor que me atribuis, entre o floreado Da gravata que em mim não vês E a pálida brancura da minha nudez... E assim, valho Não pelo que sou Mas sim, pelo que em mim vês. Carmindo de Carvalho - Suíça

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «Contos e Poemas» Respirar e não dar por isso. O peito num movimento que não se vê. O ouvido no outro peito. Um som que nos enche o corpo todo. Uma sensação de prazer difícil de controlar. Respirar o respirar do outro. Sentir a ternura num bater que nos alimenta. De súbito um acelerar a dois. A vida a fazer sentido. Tantas luas a espreitarem na noite. Tantos véus. Tantas sombras. As janelas abertas de par em par. Um silêncio que treme. Há coisas que se rasgam. Fracturas que se recompõem. Um músculo que se torna doce. O mel, uma abelha e uma flor. A respiração do pólen. A alergia que não chega. As flores numa entrega que excita e alegra o ser. Assim nos respiramos! JORGE C FERREIRA – Parede/Lisboa MEU ALGARVE SONHADOR Embalo-me nas tuas ondas caprichosas e aspiro o teu aroma! O cheiro a maresia penetra na minha alma e sonho contigo! Meu Algarve de lendas, de magia, de sonho inscrito nas ondas… As ondas falam comigo e levam-me pelo mar fora… onde a terra acaba e o mar começa! É lá na linha do horizonte que os meus sonhos esvoaçam como gaivota branca que sobrevoa aquele espaço infinito, onde a minha alma sonhadora se enlaça… Embalo-me nas tuas ondas e adormeço em lençóis de espuma branca, espreguiçandome sobre a areia, onde a maresia me devolve beijos de amor e sonho que tenho o teu carinho e jamais paro de sonhar! Sou a sereia das lendas marinas! Sou alma sonhadora! Sou algarvia nasci à rés do mar! O mar canta p´ra mim a toda a hora! Sou mareante da terra distante, onde cabe o sonho do Infante! Pelo sonho é que navego… Algarve que ri e chora comigo! Algarve de sonho! Algarve risonho! Algarve de Sol … Maria José Fraqueza - Fuseta MEMÓRIA DO POETA Na memória dos acontecimentos Tudo o poeta domina É vida que sol ilumina São nobres e velhos sentimentos Cantares, em Paz, nesta cidade Na memória de minha idade!... Não vou perder tempo a mentir Na curva do tempo, que há de vir A Poesia é luz que dominará Pelos sons dos Anjos virá Alegria de se conhecer Da injustiça, é para esquecer É procurar-se a aventura Sonhos com ternura O canto que perdoa Amor, a quem me odeia Procurar ter-se a veia Em letras de canto que falo, Canto livre, de que me não calo… E tudo soa com conta e medida Porque a Poesia, neste canto, é Vida!... Carlos Alberto S Varela Sob a Luz do Sol Por todo o tempo que tenho vivido Meu olhar sente-se dolorido Porque o poder da riqueza Veste o homem de franqueza Dá volta ao meu coração cansado Envolto por ela com dor. Ouço Deus na minha poesia de amor! Em mim trago um gesto de bondade Neste dia de Primavera em flor. Meu grito vai mais além Levar ao sol distante… O que meu coração sente, Sempre existiu no meu olhar… Para aliviar a dor, que Deus sente Sob a luz do sol distante. Das longas viagens pelo mar, Deve ter-nos ficado este gosto pelo deixa andar. Ficámos enfeitiçados pelo canto da sereia Que um banco de areia Nos convida a repousar. Continuamos a querer inverter o rumo à história Numa luta inglória, De quem espera que à sereia se desloque Ao nosso encontro. E enquanto a sereia espera a gente desespera. Nós desejamo-la, oh sim, mas não assim. É por isso que enquanto durar este braço de força, Nem o pai morre, nem a gente almoça. Daí que em toda a raça humana, Penso, não haver outra como a nossa… A Lusitana. Luís F. N. Fernandes - Amora Jota Mendes - Bélgica

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JESUS, O SALVADOR Não desceu dos céus, mas em Belém foi nascer! O sistema humano quis experimentar; Para ser capaz de melhor nos entender, E por experiência própria, nos ajudar. Cresceu como uma criança, mas sem pecado: Andou pela terra como um peregrino; Pelo Espírito Santo Ele foi gerado, Era humano pela mãe, pelo Pai divino. Ele era a Palavra! Era O Criador! Veio p'ró que era Seu, mas foi mal recebido! Quis tomar o lugar de todo o pecador, Para poder salvar todo o homem perdido. Como foi humilhado, o meu Senhor Jesus! Foi escarnecido e foi chicoteado! Mas foi por mim e por ti, que Ele morreu na Cruz: Ao terceiro dia por Deus ressuscitado. Se tiveres fome... Ele é o Pão da Vida! Andas em trevas? Ele é Luz na escuridão! Se nada te satisfaz.... te sentes perdida.... Ele é o Caminho...o Amor... Redenção. Hoje ainda há tempo, para reconhecer! Com genuína fé, crê na obra na Cruz! Pois nada mais haverá que te possa valer... Senão seres lavado no sangue de Jesus. Agora é o tempo, a oportunidade, De salvar a tua alma, de pedires perdão, Já não terás mais tempo na eternidade, Nem tão pouco o benefício da Salvação. Vive a tua vida com Deus, intensamente! Que a Sua vontade seja compreendida! Ele faz diferença na vida de tanta gente, Se O receberes, fará também na tua vida. Anabela Dias - Paivas/Amora Para um grande amigo morto No incógnito silêncio abandonas o corpo mas não a essência sobes o monte mais alto do Universo do qual só agora tomas consciência saboreias o merecido descanso num outro coração doravante magnânimo, imenso… apertas nos infindos braços os que almejavam por ti perplexos da tua entrega já sem qualquer refrega e rezas uma oração de ateu finalmente a paz dorme contigo amigo, não me enganei, pois não? Liliana Josué - Lisboa Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «BOCAGE» 11 Quem chora agora sou eu Quadras soltas Mote Vi-te à janela chorando Tua dor me comoveu. Casámos, vives cantando, Quem chora agora sou eu. Glosa Pensava dar-te alegria, Registei em memorando. Tua tristeza eu não queria Vi-te à janela chorando. Uma carinha laroca Meu coração demoveu. De olhares tristes, a troca Tua dor me comoveu. Foi tiro e queda a paixão Nossos corações voando. Senti má premonição Casámos, vives cantando. Minha cara de pipoca, Desviaste o fado meu. Varro a casa, lavo a loiça Quem chora agora sou eu. Maria Vitoria Afonso – Cruz de Pau AMOR PERFEITO Vens visitar-me, sempre, p` la calada; Quand` eu estou sonhando, no meu leito, Descansas o teu rosto no meu peito Permanecendo até de madrugada !... Desperto p` lo sonido da alvorada; Penso ser teu fragor e seu efeito E procuro-te - meu amor perfeito Mas, de ti : só a ilusão eternizada !... Sei que vens, os meus sonhos, vigiar E motivar meu ágil pensamento A crêr numa ilusão permanecente !... “Foste celeiro dos pobres Paraíso do opressor Foste humilhado, vendido Pelo grande capital Na primavera de abril Tornas-te um igual Mataste muita fome A quem muito trabalhou Mas nunca teve sustento Porque sempre foi explorado Naquele tempo do tempo Onde não havia liberdade Só conhecias a maldade Por entre teus superiores Que se julgavam senhores Da tua própria vida Naquela terra esquecida Onde o sol cala mais forte O frio rompe do norte Maresia não há Campos cobertos de trigo Boletas no chaparral Cortiça no montado Entre as estevas na terra A espreitar os cogumelos Os melros faziam parte Como cotovias pardais E outros pássaros mais O cante imemorial Cantado por gente nobre Que nada sabe da sorte O cante também é baldão Mastros no S. João A fogueira de alecrim Mantrastos no canto da casa As brasas do tronco forte Aqueciam toda a noite O serão era curto Não fosse o petróleo acabar De madrugada levantar Começar um novo dia De nada havia alegria Saudades muitas havia Os novos partiram As casas abandonadas Meia dúzia de tostões De uma vida cansada!” Teresa Primo - Lisboa Instigas a minh` alma a divagar E a colorir, de rubro encantamento, A ficção qu` escrevi na minha mente !... Maria Clarinda - Palhais, Barreiro

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «BOCAGE» Guarda Nocturno Sou um guarda dedicado Mas há coisa que não entendo Sou as vezes maltratado Das pessoas que eu defendo Tenho que andar sempre atento Rua abaixo rua acima Espreitar de esquina em esquina Por entre blocos de cimento Caia chuva ou faça vento Tenho que estar acordado Que é para ser respeitado Na vida que deus me deu Guardo o que não é meu Sou um guarda dedicado Este trabalho é danado Traz-me sempre a pensar Como é que vou evitar Que o cidadão seja roubado Eu não posso estar parado Tenho que andar sempre vendo Se respeitam quem eu defendo E ás vezes está contra mim Isto é uma vida ruim, Mas há coisas que não entendo Seja de Inverno ou de verão A ronda não pode ser errada Para a casa não ser assaltada Chego primeiro que o ladrão Eles dizem sempre que não Eu e que estou errado Como chego adiantado Não os apanho em flagrante Esta situação é constante Sou às vezes maltratado Já cá ando há vinte anos E conheço muito bem Aquelas pessoas que vem Com maldade nos planos Mostram sempre ser humanos O seu pensamento vou lendo Para ver se entendo A intenção que ele tem Pretende assaltar alguém Das pessoas que eu defendo Manuel Martins Nobre - Paivas Já estou na quarta idade E a morte não me finta Eu tenho fé, na verdade, De chegar até à quinta! “A última história do Guilherme Lopes (em verso) O douctor Português” Partiu para Veneza Cheio de tristeza Por se ir embora Levou com certeza Toda a beleza Das terras de Amora Homem prevenido Faz todo o sentido Levar o que faz falta Muito comprimido Pomada e ungido E saudades da malta Logo fez amigos Ricos ou mendigos Não importa a cor Entre mil artigos Sem olhar a perigos Espalhou amor O Homem de leste Escravo da peste Nem andar podia E tu ajudaste E os pés lhe lavaste Era uma alergia E de um guardanapo Feito em farrapo Nasceu a receita Era uma pomada Não faz mal a nada Mas cura a maleita O homem que curou A história espalhou Ficou bom de vez E para cada dor Pomada e amor Do Doutor Português De todos tratou De quem precisou Este homem de Amora Foi bonito de ver Gente a agradecer Quando veio embora Artur Gomes Amora ESTA NOVA TERRA... QUE DO ALTO ESTOU OLHANDO Daqui, do alto das nuvens, onde agora estou morando, Eu p’rá terra... fico todo o dia espreitando, Bem feliz, com aquilo, que daqui já estou vendo... Pois o azul lá do mar... mais azul está ficando, E o ar que as gentes, lá na terra, até ficam respirando, Não é igual aquele, que na altura, a terra já estava oferecendo. Vejo o amarelo dos trigais, e a terra de verde toda vestida, Também vejo a passarada saltitando, de plumagem colorida, E até as libelinhas graciosas, entre as flores, esvoaçando... Vejo os animais lá do campo, doidamente, em alegres correrias, Com as águias lá da serra, olhando por entre as altas penedias, E as crianças, agora felizes, atrás da bola correndo... e sonhando. E de tanta coisa nova, que agora deste meu lugar, estou vendo, Fico verdadeiramente feliz... pelo que os homens estão fazendo, Por esta terra, que Deus, com amor, ás Suas gentes entregou... E de tal forma eu estou tão feliz e bem contente, Que com os desejos de gritar esta alegria p’ra toda a gente, Deixei a morada lá do céu... e p’rá terra, a minha alma voltou. José Carlos Primaz – Olhão da Restauração ANGOLA Crianças com muita fome Muito pouco para comer Tenho dor, tenho revolta Por pouco poder fazer Tanta pessoa indiferente Por esses seres “pequeninos” Ossos sustidos por pele São como aves sem ninho Se vivem num país rico Com uma boa situação Onde da Terra sai riqueza Porquê, tanta fome então? Morrem por falta de tudo Cheios de febre, sobre a Terra Música para os seus ouvidos? Tiros, mais tiros, só guerra Não pares caneta, não pares Faz sair estes lamentos E também nós portugueses Que os ajuda em alimentos E tu bom português abres teu coração Repartes feliz, num naco do teu pão Sendo a vida de tantos, dolorosos trilhos E, mesmo assim, do pouco que tu tens Tiras um pedaço à boca dos teus filhos Hermilo Rogério - Paivas Ivone Mendes - Setúbal

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «BOCAGE» 13 Poesia Matemática I Num triângulo retângulo ... O que faz um cateto oposto sobre uma Hipotenusa? Um seno! II Qual a origem da palavra seno ? ... De seio ? ... E a Moralidade? A Inglesa claro! Sinus ... Seio ... III E, enfim seno e co-seno... resolveram se casar Constituir um lar. Mais que um lar Um perpendicular. Do quociente... Nasce uma tangente!!!! IV E ... Isto é Poesia Matemática!!!! Filipe Papança – Lisboa Estimados Confrades e Amigos da Poesia No inicio do Próximo ano 2019 O nosso Confrade Filipe Papança irá dar uma ação de formação sobre Didática da Matemática considerando a sua História e Sentido Poético! Se estiverem interessados inscrevam-se! Filipe Papança - Lisboa Que a docência continua a ser de excelência A Escola amanhã vai recomeçar. Vamos como sempre repetidamente, Lá estar com os sonhos que ainda nos acompanham a ensinar-nos a ensinar. Vamos lá estar do mesmo jeito novo todos os anos novos, mesmo que tenha passado já tanto tempo e depois de bué de canetas e gizes gastos desde o primeiro dia... Vamos Lá estar com a mesma alegria. Todavia, vamos continuar a aprender a lecionar, o que fazemos até muito bem. A Escola tem uma cola de Vida que nos prende à Aula que nunca é repetida e mesmo que a gramática já pouco decida, Bom ano letivo de 2018-2019 e sem precisar da prova dos nove... que a Nossa docência continue a ser de Excelência. José Jacinto – Casal do Marco

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «POETAS DA NOSSA TERRA» Auto-retrato Se minhas mãos ao escrever traíssem-me o pensamento jamais voltava a fazer poemas com sentimento Não faço versos à toa não sou guiado p’la lua nem me meto na canoa se tiver uma falua Não alimento o orgulho nem me dou por virtuoso mas já dei muito mergulho em muito mar revoltoso Não sou mau, não sou devasso nem criatura cruel não me prendem p’lo cachaço nem me adoçam só com mel Sou tal e qual como sou sem pintura nem rebuço a toda a gente me dou e vida alheia não fuço! Também choro, também rio quer por dor ou por prazer também entro em desvario quando me querem “foder” Não sou dif’rente de ti nem sou igual a ninguém mas em tudo que aprendi dependi sempre de alguém Tenho fé e tenho esp’rança creio e aposto no amor mas quando perco a confiança também viro um estupor Vivo feliz e contente se no bolso houver dinheiro mas p’ra mim é ponto assente a amizade está primeiro Não há machado que corte da minha boca a razão não me guio pela sorte sigo a minha intuição Aqui fica o meu retrato pintadinho a preto e branco é simples, sem aparato honesto, leal e franco. A seguir a um sonho desfeito... De imediato, a seguir a um sonho desfeito... Sente-se dentro de nós que algo fenece, Embota o pensamento e faz doer o peito, Onde se definiu que o amor acontece! É indescritível o rumo das emoções!... Disparam contra alvos, sejam móveis ou não, Quase sempre duras, mas meras ilusões, Filhas de subjectividade e sem razão! Esperar que o tempo seja conselheiro É sempre o caminho que surge primeiro, Mesmo na presença de grande ansiedade!... Se conseguido o acesso ao discernimento, Poderemos eliminar num momento, A falsidade e, abraçar então a verdade! José Maria Caldeira Gonçalves Fernão Ferro A PAZ QUE SINTO EM MIM Eu trago a Paz dentro da alma Quando sinto o bater do coração Quando escrevo o poema que me acalma Quando posso controlar minha emoção! Eu sinto em mim o grito da revolta Quando vejo este mundo tão vazio Eu queria ver Paz à minha volta Sentir o Sol dourado no estio! Sinto Paz quando rezo uma oração Quando entrego minha alma ao Criador Quando me dou de alma e coração Aqueles a quem consagro o meu Amor! Sinto Paz quando meu amor me beija Quando contemplo o Sol dum novo dia Quero sentir minha alma benfaseja Sinto Paz quando escrevo uma Poesia! A Paz que sinto em mim é de ternura Na eterna magia dum sorrir... Dessa Paz que em vão, ando à procura Que o nosso Mundo tenta destruir! Maria José Fraqueza - Fuseta “al-buera” - “baltum” ALBUFEIRA Piso terra nacional... a outros povos um dia conquistada, E nela houve sonhos e amores... e sangue derramado também, Terra que aos outros... e doutros povos, já tinha sido tirada, Num tira e dá, da terra que é só sua, e não é de mais ninguém. Hoje, algumas recordações do passado, ainda por lá estão, Para lembrar aos passeantes, o que no passado se passou, Mas os sonhos dos que aqui viveram, esses não esquecerão, Pois das lágrimas da princesa moura, eu me lembro com emoção, Porque com a água dessas lágrimas… as amendoeiras regou. Agora olho para esta terra, que com água e sangue foi regada, E sinto no lamentar do vento, as dores que o tempo não tirou, Terra que por todos foi sempre sendo conquistada, Mas que como terra livre... para sempre ela ficou. Terra que tantos quiseram, pois pela sua beleza procurada, De nome Albufeira, mas que de Baltum e Al-Buera se chamou! Abgalvão - Fernão Ferro Albufeira, cidade do Algarve, foi ocupada pelos romanos... e era chamada de Baltum. Mais tarde, no século XIII, foi tomada pelos árabes e estes mudaram o seu nome para Al-Buera, diminutivo de Baram, que significa “ Castelo do Mar “ José Carlos Primaz – Olhão da Restauração

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 104 - Dezembro 2018 «X Aniversário» 15 Resenha – 2018 X Aniversário - “CONFRADES DA POESIA” Fundação: 1/8/2018 1º Aniversário – “Rádio Confrades da Poesia” Fundação: 28/4/2017 Caros Confrades e Amigos; no dia 25 de novembro de 2018;” Confrades da Poesia” «JANELA DO MUNDO LUSÓFONO» conta com o seu 10º Aniversário. O Boletim mensal online “Confrades da Poesia” - «JANELA DO MUNDO LUSÓFONO»; nasceu da comunhão de ideias dos seus fundadores Pinhal Dias e Conceição Tomé, utilizando as novas tecnologias ao seu dispor, para levar aos quatro cantos do mundo, com a rapidez que a Internet lhes permite a nossa boa Poesia. O Boletim “Confrades da Poesia” evoluiu gradualmente, alargando a sua janela aos países lusófonos. Páginas que oscilam entre as vinte e vinte e oito, tendo atingindo um alto nível de qualidade, graças ao empenho e esforço dos seus confrades e colaboradores. Nestes Dez Anos de vida, “Confrades da Poesia”, contam já com mais de uma centena de membros; editou 103 Boletins, cinco Antologias Poéticas (ebooks) e uma em papel; três Cirandas; Jogos Florais (abrangendo algumas Escolas e Lares da Terceira Idade do concelho do Seixal) e mais de 100 vídeos na Youtube. Os Confrades brindam, para o meritório trabalho que todos juntos temos desenvolvido em prol da cultura. Para celebrar o X Aniversário pretendemos celebrar e comemorar este evento na nossa “Rádio Confrades da Poesia”; com o seu 1º Aniversário. Nascemos e crescemos em parceria com o “Mensageiro da Poesia” Endereçamos-lhe os melhores votos de uma longa e feliz vida. O Nosso Bem-Haja a todos os Confrades/Colaboradores. A DIRECÇÃO - Pinhal Dias e Conceição Tomé

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