Revista Perini 2018

 

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Revista Perini Business Park 2015

Popular Pages


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Ágora tech park Ecossistema de Inovação

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Nós Compartilhar é um dos principais atributos da nova economia, baseada em inovação e tecnologia. Cada vez mais, as pessoas e as empresas buscam afinidades e interesses comuns para repartir espaços, equipamentos, produtos e conhecimentos, focando seus ativos no que traz, realmente, um diferencial para seus negócios. Isto porque compartilhar é um exercício inteligente de divisão, que otimiza o uso dos recursos, tornando profissionais e empresas mais ágeis, produtivos e competitivos. Há 18 anos, o Perini Business Park surgiu da visão revolucionária e aparentemente sonhadora do empreendedor Fábio Perini, de disponibilizar um espaço onde as empresas pudessem compartilhar infraestrutura urbana, redes de insumos, logística, segurança e serviços para dedicar o seu tempo ao desenvolvimento das atividades principais do negócio. Neste período, tornou-se o maior parque empresarial multissetorial da América do Sul, reunindo 7,5 mil pessoas, que trabalham nas mais de 160 empresas ou estudam na única universidade federal sediada em um parque empresarial do país. Este universo compartilhado tornou-se uma rede de valor onde mais de 60% dos participantes realizam negócios entre si, e que gera uma riqueza anual conjunta de R$ 4,3 bilhões - número que corresponde a 21% do PIB da cidade de Joinville e a 2% do PIB do estado de Santa Catarina. O conteúdo desta revista anual, que chega à sexta edição, também faz parte do nosso jeito de compartilhar e traz informações sobre como fazemos isso. Seja abrindo espaço de nossas vias para os mais de 1,9 mil atletas que participaram da Corrida do Bem; promovendo a SIPATMA Coletiva Perini, que em 2018 contou com o envolvimento de 17 empresas e reuniu um público de mais de mil participantes, ou recebendo todo ano centenas de estudantes para visitar as trilhas ambientais que integram nossa área de preservação permanente de 600 mil m2. Compartilhamos, também, conhecimento. Seja participando do Think Tank do Projeto Resgate com empresas e parceiros – quando estimulamos a inovação empreendedora dos jovens universitários, ou unindo forças com a Fitej, a UFSC e a Prefeitura de Joinville para proporcionar vivências de tecnologia aplicada a estudantes do último ano do ensino público, estimulando seu interesse pela ciência. Mas a pauta da Revista Perini vai além do que acontece nas dependências do parque e nos possibilita dividir com os leitores alguns aspectos da riqueza do ambiente em que estamos inseridos, em Joinville e em Santa Catarina. Terceiro polo econômico do Sul, a cidade que nos sedia definiu os parâmetros de sua nova matriz econômica, de base tecnológica, e tem sido celeiro de negócios inovadores. Joinville também se destaca na cultura, como capital nacional da dança (com seu Festival citado no Guinness Book e sua filial do Ballet Bolshoi) e na gastronomia, com um delicioso circuito de cerveja artesanal, que surpreende os mais diversos paladares e dividimos com o leitor em detalhes nas páginas da revista. Não poderíamos encerrar este texto sem mencionar a importância do compartilhamento como base de todos os processos de inovação e como prática ainda mais presente no Perini, com a chegada do Ágora Tech Park, que reservou mais da metade do espaço de seu prédio principal para diversos ambientes voltados à convivência. Com ele, nos inserimos no ecossistema de tecnologia, um setor que em Santa Catarina fatura R$ 15,5 bilhões anuais e responde por 5,6% da economia do Estado. Para compartilhar ideias, projetos, negócios, aprendizados e resultados. 3

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ESPECIAL INOVAÇÃO Estratégia Tecnologia é ferramenta para a solução de problemas 06 nova economia Joinville identifica segmentos econômicos tecnológicos para manter relevância no futuro 24 tendência Alguns produtos que antes eram comprados passam a ser consumidos como serviço 08 Piangers O perigo de acreditar na solidez permanente do negócio 12 Ecossistema SC Conheça os diferenciais de inovação e tecnologia do estado que tem a maior densidade de startups do país 14 Ágora Tech Park O ambiente ideal para compartilhar conhecimento e promover conexões 20 Expediente: Publicação do Perini Business Park, produzida pela EDM Logos Comunicação Corporativa. Reportagem/Edição: Dalires Somavilla, Fernanda Thiesen Furtado, Rafaela Mazzaro e Simone Gehrke (6078/RS). Coordenação Editorial: Daiane Manerich. Revisão: Roberto Szabunia. Fotografia e imagens: André Kopsch, Antônio More, Cleber Gomes, Daniel Machado, Marcelo Kunde, Marcelo Kupicki, Mauro Artur Schlieck, Max Schwoelk e Nilson Bastian. Banco de Imagens: ELG, Estúdio Módulo de Arquitetura, Expogestão, Expoinovação, Instituto Internacional Juarez Machado, Mad Dwarf, Marcos Piangers, Opa Bier, Perini Business Park, Pollux, Prefeitura de Joinville, River Falls, Sebrae, Sercompe, SESI Joinville, Silva Santana & Teston Advogados, UFSC e Zeit. Diagramação: R2 Design. Impressão: Gráfica Tipotil. Tiragem: 4 mil exemplares.

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ÍNDICE DANÇA Festival reconhecido pelo Guiness Book e única filial do Bolshoi garantem a Joinville o título de Capital Nacional desta arte CHOPE Um roteiro gastronômico pelas cervejarias artesanais de Joinville 34 48 ARTE Uma leitura da Joinville das bicicletas, pelo artista plástico Juarez Machado 58 INTERAÇÃO Estudantes da UFSC movimentam o dia a dia do parque 54 ESPECIAL INOVAÇÃO 06 Tecnologia é estratégia 08 Robôs e TI: tudo como serviço 10 Fintechs impactam negócios 12 Marcos Piangers: a urgência da inovação 14 Ecossistema Catarinense de Tecnologia e Inovação 20 Nasce o Ágora Tech Park 24 Joinville define nova matriz econômica 26 Os caminhos da cooperação entre universidade e indústria 28 Compartilhar, um dos atributos da nova economia 32 Obra competitiva começa no planejamento 34 Festival e Bolshoi tornam Joinville Capital Nacional da Dança 38 Novas empresas no Perini 40 Esporte e qualidade de vida 42 Empreendedorismo Social 46 Eventos conectam pessoas e negócios 48 Roteiro do chope artesanal para todos os gostos 52 Um passeio pelas trilhas do Perini 54 Universitários modificam a rotina do parque 58 Obra de Juarez Machado selo FSC

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Especial inovação Tecnologia é estratégia “Nós passamos da era da inovação. Nosso mundo 13 anos, a internet em dois, o Facebook levou alguns me- está sendo completamente reescrito. De nada adianta ses, o aplicativo Angry Birds precisou de cinco dias e o modernizar um setor ou um processo; é PokemonGo, de oito horas.” uma questão de mudar toda a estrutura, olhar o todo, pois novos comportamentos de clientes geram novas ofertas de produtos e de serviços.” Esta reflexão, feita por Oliver Cunningham, diretor da KPMG, na Expo- “executivos que se dizem incapazes de inovar focam na tecnologia, quando Segundo Cunningham, muitas empresas têm apresentado dificuldade de inovar porque focam em tecnologias específicas, em vez de se concentrar nas dificuldades do negócio e na capacidade de romper sua cadeia de valor tradicional. gestão, sintetiza o desafio que a transformação digital representa para as empresas nos mais diversos segmentos deveriam focar em seus problemas. “Das empresas consultadas, 83% disseram não conseguir aplicar as tecnologias no dia a dia e 30% se dizem incapazes de econômicos. Resolvendo-os, inovar. Só que, nos casos de falhas, ge- Em uma sociedade em que milhões de pessoas estão hiperconectadas 24 transformam-se” ralmente os executivos focam na tecnologia, quando deveriam focar em seus horas por dia, sete dias por semana, as problemas. Resolvendo-os, transfor- novidades ganham escala com velocida- mam-se.” Para o especialista, é preciso de cada vez maior. “Enquanto o rádio levou 38 anos para superar barreiras culturais e correr riscos: “Transformar atingir 50 milhões de pessoas, a TV fez o mesmo em é arriscar”. 6

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Juliano Alves Pin to m DNA Empreendedor O diplomata Juliano Alves Pinto, consul-adjunto do Brasil para assuntos de inovação no Vale do Silício de 2013 a 2016, acompanhou de perto o surgimento de empresas que revolucionaram modelos de negócios, como Uber e Airbnb. Em palestra na Expoinovação, apresentou um conjunto de aspectos culturais que pautam o empreendedorismo inovador nesta região do Oeste americano, que tem oito milhões de habitantes, produz 1/3 do PIB do Brasil e onde nasceram algumas das mais valiosas marcas do mundo, como Google, Facebook e Apple. 1 Informalidade. Ficar à vontade, sem pressões do dress code, ajuda a ter criatividade e alta produção. 2 Diversidade. Dois terços da população economicamente ativa são estrangeiros. 3 Relacionamento. É um dos motores da inovação. Abertura para conversar com outras pessoas. Quando apresento alguém, estou referenciando esta pessoa. 4 Colaboração. De forma desapegada, as pessoas ajudam umas às outras sem pedir nada em troca. 5 Compartilhamento. Nada pode ficar ocioso. Daí surgiram empresas que têm como peça central o compartilhamento. 6 Comunicação. Concisão, coerência, clareza. Atrair a atenção do interlocutor é fundamental. 7 Fracasso é a peça-chave do sucesso. Os bons empreendedores têm cicatrizes de fracasso. 8 Pensar grande. Na Califórnia, todos miram o mercado global. 9 Mudar o mundo. Trazer um projeto que cause impacto de maneira global. 10 Retribuir. Aspecto central do sistema do Vale do Silício. Eu aprendo com o ecossistema e retorno de forma voluntária para ajudá-lo. “O fracasso é peçachave para o sucesso. No Vale do Silício não existe barreira para as ideias.” Oliver Cunningha “Nosso mundo está sendo completamente reescrito. De nada adianta transformar apenas um setor ou um processo.” 7

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Especial inovação como serviço 8

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locação chega À TI e Robótica O avanço da tecnologia está alterando o padrão de consumo das pessoas e das empresas. Na sociedade atual, em muitas situações a compra de um produto vem sendo substituída pela contratação do mesmo como um serviço, com pagamento pela disponibilidade ou pelo uso. A maioria dos computadores e celulares não armazena os dados, as fotos e as mensagens recebidas ou produzidas, no próprio aparelho. Músicas, jornais, revistas e filmes podem ser acessados mediante assinatura de aplicativos. Softwares sempre foram disponibilizados desta forma, mas mais recentemente equipamentos de tecnologia da informação e robótica também passaram a ser oferecidos assim, como serviço, por duas empresas sediadas no parque. São muitas as vantagens de trocar a aquisição pela locação. O contratante deixa de imobilizar capital que pode ser aplicado em outra atividade essencial para o negócio, evita a ociosidade, ganha mais agilidade para implantar a mudança e pode contar com o benefício fiscal de apontar a locação como despesa. Com mais de 30 anos de atuação em infraestrutura de informática, a Sercompe está criando a Octodata, uma unidade exclusiva para a prestação de serviços de tecnologia da informação. “O mercado está entendendo que apesar de ser crítica para os negócios, a TI não é core business e vale mais a pena contratá-la de acordo com a necessidade da empresa ”, diz o Diretor Comercial, Felipe Reimer. Segundo Reimer, além de não antecipar um investimento que na maior parte das vezes é projetado para atender necessidades de um prazo de cinco anos, a contratação como serviço possibilita a disponibilização de tecnologias de ponta de forma mais acessível, flexível e dinâmica. Os contratos incluem equipamentos, instalação e manutenção de toda a infraestrutura de TI, permitindo que os profissionais desta área na empresa se dediquem a aspectos que tragam impacto direto para o negócio. A substituição da compra pelo aluguel, o suporte técnico e a rapidez da tomada de decisão também são os maiores atrativos para a locação de robôs, que a Pollux lançou, de forma pioneira no país. De acordo com José Rizzo Hahn, CEO da Pollux, enquanto a aquisição de um robô requer um investimento de pelo menos R$ 400 mil, a locação mensal sai por R$ 10 mil. “Isto é vantajoso tanto para o cliente quanto para a Pollux, que cresce de forma estável e passa a contar com uma receita recorrente.” Com cem unidades alugadas no primeiro ano – cerca de 50% delas para empresas de médio porte - a Pollux projeta multiplicar este número por dez no prazo de três a quatro anos. O número parece alto, mas é compatível com o tamanho da defasagem da automação na indústria brasileira. Enquanto o país conta com uma média de 11 robôs para cada dez mil trabalhadores, os países mais automatizados têm 500 robôs para cada dez mil postos de trabalho. Felipe Reimer “contratação de ti como serviço disponibiliza teconologias de ponta de forma acessível, flexível e dinâmica.” José Rizzo “O aluguel de robôs pode diminuir a defasagem de automação na indústria brasileira.” 9

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Especial inovação T ecnolo g ia revol u ciona siste m a financeiro Existem hoje, no Brasil, mais de 400 fintechs – empresas que, por definição, têm a missão de proporcionar inovação e otimização às transações financeiras, implantando novos produtos e processos ou aprimorando os já existentes. Analistas de finanças do Google Brasil identificaram nas preferências de buscas pela internet que corretoras e plataformas de investimentos já tomaram o lugar dos bancos na preferência por temas como educação financeira e investimentos. Estudo da Accenture Strategy que mediu o impacto da chegada das fintechs no sistema financeiro em 7 países desde 2005 mostrou uma redução de 20% nos bancos tradicionais devido à concorrência digital. Fintechs já causam impacto nos negócios As fintechs, que unem serviços financeiros a tecnologias inovadoras e disruptivas, envolvem aplicativos e plataformas digitais, muitas delas com uso de smartphones, visando atrair consumidores em modelos de experiência amigável, ágil, segura e com eficiência, transparência e automatização. Assessores robôs (robo-advisors), blockchain, criptomoedas e ativos digitais, factoring, plataformas de investimento direto (peer-to-peer lending), de crowdfunding (levantamento de recursos junto a um volume significativo de pessoas) e social trading (quando investidores seguem investimentos realizados por um líder reconhecido pelo mercado) são apenas alguns exemplos de negócios originados a partir desse novo modelo. Não existe um número definitivo acerca do montante de recursos atualmente movimentado globalmente pelas fintechs. Na Inglaterra, o mercado movimentou US$ 22 bilhões em negócios em 2015. Na Alemanha, estima-se que o número cresça de € 2 bilhões, em 2015, para € 148 bilhões em 2035. As previsões de crescimento são exponenciais e o resultado da expansão desses negócios trará uma mudança no comportamento do consumidor de serviços financeiros e, por 10 consequência, na indústria financeira como um todo. “Esta nova realidade está mudando a forma como pessoas físicas e jurídicas consomem serviços financeiros, impactando a oferta de crédito e os negócios de uma maneira geral”, afirma Roberto Hering Meyer, sócio do Martinelli Advogados, um dos maiores escritórios de advocacia do país, com caráter multidisciplinar, com forte ascendência no desenvolvimento e avaliação de soluções nas áreas societária e tributária. Roberto, com mestrado em Direito e Finanças na Goethe Universität, da Alemanha, conduz um projeto acadêmico sob orientação do setor regulatório do Banco Central da Alemanha que investiga a potencial transformação do modelo digital e seu impacto nas operações financeiras de comércio internacional, um mercado estimado em US$ 8 trilhões. “A digitalização do financiamento ao comércio internacional deve estimular um volume significativo de pequenas e médias empresas a ingressar no mercado mundial em decorrência das reduções de custo e do crescimento e facilitação no fluxo de comércio e temos que estar preparados para oferecer segurança jurídica neste novo contexto”, explica Roberto.

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Blockchain dá garantia a transações A tecnologia Blockchain surgiu no auge da crise financeira global, em 2008, criada a partir do pseudônimo de nome Satoshi Nakamoto, um suposto matemático japonês que divulgou um paper intitulado “Bitcoin: A Peerto-Peer Electronic Cash System”. Esta tecnologia funciona como uma espécie de livro -registro, digital e descentralizado, distribuído em rede, de modo que as inscrições não possam ser alteradas sem um consenso. Como resultado, as operações via Blockchain carregam consigo segurança, integridade e transparência. Originalmente projetado para aplicações usando criptomoedas, a tecnologia busca resolver um problema chamado “duplo gasto”, de fundamental importância para transações envolvendo ativos em meio digital. Por meio de um complexo modelo matemático, permite negociar ativos digitais entre pares, sem a necessidade de uma autoridade centralizadora ou intermediário. “O mais conhecido ativo digital atualmente é o Bitcoin, mas a tecnologia Blockchain vai muito além das criptomoedas e vem revolucionando também o mundo dos negócios”, diz Roberto. Considerada por especialistas como a segunda revolução da internet, criando a internet dos valores, traz impactos para os mercados de pagamentos, de contratos inteligentes, empréstimos, seguros, registros públicos (como identidade digital), serviços notariais, contábeis, legais, fiscais e até mesmo societários. Em termos de mercado, o uso de Blockchain deverá movimentar estimados US$ 4 bilhões em 2018, com expectativa de US$ 16 bilhões até 2024, de acordo com reportagem da Grandview Research. “Pense quantos intermediários estão envolvidos na compra de um cafezinho, utilizando dinheiro vivo ou cartão de crédito. Agora, imagine a hipótese de alguém efetuar a compra do mesmo cafezinho com pagamento em criptomoeda diretamente ao vendedor, por meio de um smartphone. Tal operação não envolveria o uso de cartão de crédito ou de débito, suas respectivas bandeiras e emissores, contas bancárias, TEDs ou DOCs, caixas eletrônicos, transporte de valores e até mesmo a emissão de moeda. Uma revolução está a caminho”, complementa. Roberto Hering Me yer “No futuro próximo as pessoas terão “carteiras digitais” (wallets) como hoje funcionam as contas de e-mail, uma mudança que altera todo modelo sociológico vigente.” 11

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Especial inovação A urgência da inovação Marcos Piangers A vida do catarinense Marcos Piangers é por si só um crise. Inovar sempre”. Para ele, a capacidade de inovação não exemplo de que inovar não é necessário somente nos mo- é mais um diferencial das empresas e, sim uma necessidade mentos em que a maré parece estar desfavorável. Com uma responsável por determinar, cada vez mais, o sucesso e a carreira de apresentador, repórter e colunista consolidada sobrevivência de um produto ou serviço. em uma das maiores empresas de comunicação do Sul do O investimento no desenvolvimento de novas formas país, o manezinho da Ilha resolveu avançar em uma platafor- de tornar as coisas mais convenientes, acessíveis e baratas ma, a literária, onde dividiu as experiên- deixou de ser uma prática de empresas cias como pai das meninas Anita e Aurora no livro “O Papai é Pop”. Não deu outra. “a constante ligadas somente à tecnologia. Mesmo as empresas que se intitulam tradicionais ou Foram mais de 250 mil cópias vendidas. transformação que se consideram consolidadas no mer- Já sucesso em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, foi como escritor que Piangers se encontrou com o público na- de produtos e serviços é a forma cado devem se precaver quanto às mudanças constantes de hábitos dos seus consumidores. cional. Não bastasse isso, o jornalista tem viajado o Brasil palestrando sobre criatividade e inovação, tema pelo qual também é especialista. Além de frequentar anual- de sobrevivência em um mercado cada vez mais dependente da “A gente tem profunda urgência em investir em inovação, que nada mais é que ferramentas tecnológicas que encontram a capacidade de imaginação de mente o maior festival de criatividade e inovação do mundo, o SXSW, nos Estados tecnologia.” alguém. Então, se alguma pessoa tem a capacidade de imaginar um mundo dife- Unidos, Piangers participou da master- rente e olha ao redor e encontra ferra- class digital da escola sueca de inovação mentas tecnológicas que permitem que esta imaginação se Hyper Island, em Londres, considerada a “Digital Harvard”. concretize, é aí que a gente tem a inovação. Neste sentido, é É com esta bagagem pessoal, aliada a sua constante urgente que empresas tradicionais se transformem em digi- busca por conhecimento sobre novas tecnologias, que Pian- tais. É urgente que as empresas parem de considerar a tec- gers tem levado um importante recado a profissionais de nologia uma área da empresa e assumam a tecnologia como todo o país: “Inovar em meio às adversidades, em meio à cultura”, defende o especialista. 12

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Marcos Piangers O perigo da vaidade O sinal mais claro da necessidade da mudança, segundo Piangers, está justamente nas empresas bem sucedidas, que acreditam já ter um produto ou serviço que funcione. A vaidade de acreditar na solidez permanente de um negócio é a principal armadilha para muitas empresas tradicionais que torcem o nariz para inovação. No futuro, de acordo com Piangers, são estas mesmas empresas que estarão correndo atrás do tempo perdido, tentando lançar algo similar ao desenvolvido pelos inovadores. Só existe um caminho para quem não quer chegar atrasado, e ele não tem necessariamente ligação com altos investimentos: “Para se adiantar, primeiro, é preciso se manter informado. Mas, mais do que isso, disseminar uma cultura de inovação dentro da empresa, entendendo que é preciso contratar funcionários que estejam dispostos a aprender constantemente. Ter a noção de que aquilo que a gente sabe pode não servir para o futuro de curto e médio prazo. E, claro, transformar sua empresa em mais horizontal, permitir que toda a equipe possa participar, entender que as empresas modernas respeitam a autonomia dos funcionários.” Melhor momento para criação Não é apenas quando a economia de um país vai bem cancela SMS para usar WhatsApp, cancela TV a cabo para que as empresas podem se sentir confortáveis em trans- assistir Netflix, e depois da crise você não volta ao com- formar seus negócios. Muitas vezes é quando a crise bate portamento antigo”, argumenta. à porta que é preciso fazer movimentos decisivos para a sobrevivência de uma empresa. Para a inovação, muitas vezes é nos períodos ruins economicamente que ela encontra seu solo mais fértil. “A crise incentiva o consumidor a adotar uma solução mais con- “Acreditar na solidez permanente de um negócio é a principal armadilha para muitas Ou seja, se o momento é bom, melhor ainda para o desenvolvimento de novas práticas. Se é ruim, talvez seja a hora de repensar velhos hábitos. Sempre será necessário inovar, sobretudo porque o futuro próximo já reserva grandes reviravoltas e é preciso estar pre- veniente e barata. E isso é o que a inovação oferece. Inovação não é só um jeito novo de fazer as coisas. Ela acontece quando ferramentas tec- empresas tradicionais que torcem o nariz para a inovação.” parado. “Nos próximos cinco, dez anos não será tão fácil inovar. Nós viveremos uma entrada de cinco bilhões na internet, a internet cada nológicas encontram a capacidade vez mais rápida e abrangente e de imaginação, oferecendo uma so- computadores mais rápidos. Então, lução mais conveniente e barata para o impacto da internet nas empresas um problema antigo. Então, o momento de crise é per- está só começando. Todas as pessoas, marcas e empresas feito. É quando você vende o carro para andar de Uber, serão impactadas.” 13

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Especial inovação A expansao do ecossistema catarinense de Tecnologia e Inovacao O Ecossistema Catarinense de Tecnologia e Inovação é um dos que mais cresce e se destaca no país. Grande parte deste resultado deve-se ao trabalho de entidades, como ACATE - Associação Catarinense de Tecnologia, Projeto Startup SC (desenvolvido pelo Sebrae SC com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado) e ABII - Associação Brasileira de Internet Industrial. Juntas, elas têm desenvolvido importantes iniciativas que contribuem para fomentar e consolidar o desenvolvimento da inovação e da tecnologia de forma integrada em Santa Catarina. Representando os interesses do setor desde 1986, quando registrava a existência de 129 empresas (as primeiras surgidas na década de 60), a ACATE tem como propósito promover a cultura de inovação em toda Santa Catarina. “Conexões são a espinha dorsal da inovação. Quanto mais gente em contato, com troca de conhecimento de diferentes níveis, mais gente inovando”, afirma o presidente da ACATE Daniel Leipniz, ressaltando que competitividade é o maior desafio das grandes empresas e em muitos segmentos, a inovação faz a diferença. Para cumprir seus objetivos, a associação desenvolveu o mais completo estudo sobre as empresas de tecnologia do estado, o Observatório Acate, e é gestora de iniciativas que fomentam a inovação, como a incubadora MIDITEC, o Laboratório de Inovação Aberta Link Lab (que incentiva a aproximação e a conexão entre empresas tradicionais e startups em busca de soluções de eficiência), Verticais de Negócios e Rede de Investidores-anjo. 14

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Acate faz radiografia e promove integracao do setor no estado 15,5Setor Tecnologia SC R$ bilhoes 5,6% da economia do estado 16,6 mil empreendedores 12,6 mil empresas Receita media de R$ 1,255 milhao 47 mil colaboradores Em comparação às demais unidades da federação, o estado catarinense é o terceiro maior em densidade de colaboradores, o quarto em faturamento médio e conquistou significativa representatividade nos últimos seis anos, considerando que 50% das empresas foram fundadas entre 2012 e 2017. Durante o auge da crise econômica, entre 2015 e 2017, o número de empresas catarinenses de tecnologia subiu 3,42%. A evolução do segmento de tecnologia catarinense também se destaca na densidade relativa à população (referência a cada 100 mil habitantes). Este indicador, que permite analisar o aumento na concentração das empresas, empreendedores e empregos, mostra que Santa Catarina foi o estado brasileiro que mais cresceu, com aumento de 11,3%. Segundo Leipniz, dos fatores que definem um ecossistema de sucesso, o compartilhamento é o mais importante deles, envolvendo conexões, oportunidades de investimento, atualização e inovação. “Nós, catarinenses, temos por cultura um viés associativista muito forte, que está em sintonia com a forma como este mercado se desenvolve: com colaboração, troca de informações e ajuda mútua”, afirma. A frente de sua segunda gestão na associação, Leipniz está liderando a integração dos seis polos de tecnologia e inovação no estado, que surgem e vão se moldando às necessidades econômicas de cada região. “Acreditamos que se tivermos uma marca estadual, respeitando as diferenças dos municípios, seremos muito mais fortes e traremos mais resultados para as empresas”, avalia. Outro dado do Observatório Acate mostra que quatro a cada cinco dos 16,6 mil empreendedores do estado estão nas regiões da grande Florianópolis (32,2%), Vale do Itajaí (26,1%) e Norte catarinense (22,4%). Este corredor econômico entre as cidades de Joinville e Florianópolis já foi apontado pela consultoria Urban Systems como um dos dez principais em geração de riqueza no país, tendo apresentado o maior crescimento médio anual entre 2007 e 2014: 14%. Impulso a aplicacoes na Industria 4.0 e o foco da ABII Lançada em agosto de 2016 em Joinville, por iniciativa de três sócios-fundadores catarinenses – as empresas Pollux e Embraco e o Sistema Fiesc Senai –, a ABII veio com o objetivo de acelerar o crescimento da internet industrial brasileira. Isto é feito por meio de grupos de trabalho que identificam necessidades, desenvolvem estratégias e colocam em prática negócios, soluções e tecnologia. Com 60 associados no Sul e Sudeste, atua em um segmento que prevê a conexão de 50 bilhões de coisas até 2020 e que está no radar dos negócios de 85% das indústrias. Seu presidente, José Rizzo Hahn, tem percorrido Santa Catarina e os demais estados do Sul e Sudeste difundindo a internet industrial e o ecossistema catarinense de tecnologia e inovação. 15

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