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Material no Início do Processo SOLUÇÕES COMPLETAS PARA PROCESSAMENTO DE BOBINAS Antes do Estiramento AN5OS DE GARANTIA Depois do Estiramento Seu material está realmente plano? Você está confiante de que seu material vai continuar plano depois que seu cliente cortar a laser, na guilhotina ou puncionar? Só porque o material parece plano, não significa que ficará assim. Devido a tensões internas contidas no aço, uma vez que o material é cortado, pode apresentar o efeito mola (memória da bobina). O Sistema de Nivelamento por Estiramento produz o material mais plano e mais estável possível, independentemente da forma da tira que é processada. Em uma comparação de resultados, o estiramento será sempre muito superior a qualquer outro tipo de processo de nivelamento. O desafio da Red Bud – Envie-nos uma bobina que não consegue deixar plana com seu equipamento atual, e vamos nivelar de graça. Além de obter seu material plano, nós garantiremos que permanecerá plano. Material de primeira ou desclassificado, nós transformaremos práticamente qualquer material em “qualidade laser”. Venha ver e comprovar! Produto Final Contate nosso representante Red Bud Industries comercial independente no Brasil VPE Consultoria 11 -999860586 RedBudIndustries.com | 001-618-282-3801 mader@vpeconsultoria.com.br Red Bud Produzindo material plano que permanece plano.

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Expediente Editorial Edição 130 - ano 19 Setembro/Outubro 2018 Siderurgia Brasil é uma publicação de propriedade da Grips Marketing e Negócios Ltda. com registro definitivo arquivado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial sob nº 823.755.339. Coordenador Geral: Henrique Isliker Pátria Diretora Executiva: Maria da Glória Bernardo Isliker TI: Vicente Bernardo Consultoria jurídica: Marcia V. Vinci - OAB/SP 132.556 mvvinci@adv.oabsp.org.br Editor e Jornalista Responsável: Henrique Isliker Pátria - MTb-SP 37.567 Repórter Especial: Marcus Frediani MTb:13.953 Projeto Editorial: Grips Editora Projeto Gráfico: Ana Carolina Ermel de Araujo Edição de Arte / DTP: Ana Carolina Ermel de Araujo Capa: Criação: André Siqueira Fotos: Divulgação Divimec Impressão: Gráfica Elyon DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA A EMPRESAS DO SETOR E ASSINATURAS A opinião expressada em artigos técnicos ou pelos entrevistados são de sua total responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião dos editores. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS Rua Cardeal Arcoverde 1745 – conj. 113 São Paulo/SP – CEP 05407-002 Tel.: +55 11 3811-8822 grips@grips.com.br www.siderurgiabrasil.com.br Proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou qualquer meio, sem prévia autorização. O momento das incertezas está passando HENRIQUE ISLIKER PÁTRIA EDITOR RESPONSÁVEL CCaso se confirmem os resultados apre- sentados pelas pesquisas eleitorais, o Brasil está prestes a dar uma guinada política no sentido diametralmente oposto ao que vínhamos observando ao longo dos últimos 15 anos. Temos muitas condições para o crescimento como os recursos naturais e hídricos, nosso sub solo esconde minérios em profusão, possuimos condições para implantação de usinas de energia solar e eólicas e uma infindável lista de benesses que Deus nos concedeu além de uma população ávida por desafios. Porém, na mesma proporção, a falta de respeito por parte dos nossos governantes conseguiu minar esse cenário, gerando uma população de milhões de desempregados, outros tantos milhões de micro e pequenos empreendedores que juntamente com grandes empresas faliram ou estão saindo do país, este quadro gerou milhões de endividados e desanimados com o seu próprio futuro. Mas, somos a “Terra da Esperança”. E, como tal, nossa expectativa é começar tudo de novo, com um governo que abandone as velhas práticas nefastas, e que se volte para o desenvolvimento econômico. Estamos convictos de que tudo isso vai, efetivamente, acontecer. Por essa razão, nas páginas desta edição da Revista Siderurgia Brasil, caprichamos em apresentar uma fotografia bastante positiva e colorida do momento. São reportagens selecionadas com o máximo carinho para você, que já nos acompanha há 20 anos. Assim, falamos do sucesso do Congresso Aço Brasil, do Fórum de Desenvolvimento da Abimaq, da economia mundial vista pelos olhos de uma das maiores consultorias internacionais, além de entrevistas, dados, lançamentos de produtos e tudo que de mais importante aconteceu recentemente em nosso setor. Finalmente – mas nem de longe menos importante –, reiteramos o desejo de receber a sua opinião, que muito nos ajudará a elaborar as pautas de nossas próximas edições. Por isso, fica mais uma vez o convite: entre em contato com a gente por meio de todos os canais que colocamos à sua disposição, OK?! Muita esperança e boa leitura para você!!! SETEMBRO/OUTUBRO 2018 SIDERURGIA BRASIL 3

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Índice de matérias 3 EDITORIAL O momento das incertezas está passando 5 PROJEÇÕES Representantes da Indústria se reúnem com presidenciável 6 MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Na rota do crescimento 10 CONGRESSO DO AÇO Questão de ordem 16 ATUALIDADES As barreiras a serem ultrapassadas 19 LANÇAMENTOS Novo caminhão no mercado 20 ECONOMIA MUNDIAL Um novo jeito de dar as cartas nos mercados emergentes 24 EMPREENDIMENTOS Inauguração de novo Centro de Pesquisas e Tecnologia 26 EVENTOS Feira Metalurgia 28 ARTIGO TÉCNICO Matérias Primas adequadas para fabricação de Tubos Soldados no processo HFIW 32 ESTATÍSTICAS 33 OPINIÃO Pensamento tributário parou no tempo 34 VITRINE 34 ANUNCIANTES Depositphotos.com 4 SIDERURGIA BRASIL SETEMBRO/OUTUBRO 2018

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Projeções Representantes da Indústria se reúnem com presidenciável Juntamente com líderes de vários outros segmentos industriais, a Abimaq apresentou sugestões para a retomada do crescimento. Henrique Pátria EEm uma reunião no Rio de Janeiro em que estavam presentes o presidente executivo do IABr, Marco Polo de Melo Lopes, e outros representantes da indústria nacional, o presidente executivo da Abimaq, JoséVelloso entregou um documento chamado de “Cartilha aos Presidenciáveis”ao candidato Jair Bolsonaro, contendo sugestões e visando contribuir com o que for necessário para a retomada do crescimento econômico do Brasil. O documento é fruto de uma coalizão entre várias entidades representativas da indústria nacional que acreditam na retomada do processo de crescimento econômico, a partir da definição do novo Presidente da República. (Veja o documento abaixo) Segundo o documento entregue em mãos ao candidato que lidera as pesquisas “Para gerar EMPREGO e RENDA, o Brasil precisa retomar o crescimento econômico. E, como concordam dez em dez economistas o INVESTIMENTO de hoje é o CRESCIMENTO de amanhã. Impostos menores sobre o sistema produtivo, um SISTEMA TRI- BUTÁRIO SIMPLES, JUROS compatíveis com o retorno das indústrias e um CÂMBIO que garanta a competitividade dos produtos brasileiros são essenciais para a retomada dos investimentos e do crescimento econômico. É DISTO QUE O BRASIL PRECISA!”. Ainda, segundo Velloso, “Preparamos para ser entregue a todos os presidenciáveis, para que eles tivessem a oportunidade de conhecer e entender as premissas básicas que consideramos imprescindíveis para o que o país retome o caminho do desenvolvimento”. Ele explicou ainda que os grandes players mundiais têm, cada um, um projeto de país e sua agenda macroeconômica visa obter e manter um crescimento sustentado. No Brasil, a estratégia não pode ser diferente. É necessário que o país se empenhe em ter uma indústria de transformação robusta, diversificada e competitiva capaz de se destacar no cenário internacional, que, assim como ocorreu em muitas nações hoje desenvolvidas, garanta à sociedade brasileira desenvolvimento tecnológico, empregos de qualidade e renda digna. Sabemos que, apesar de estar saindo de uma das mais profundas crises da sua história, o Brasil ainda tem grandes desafios porque convive com elevada dívida pública que o levou ao rebaixamento no ranking de bom pagador internacional, elevados juros de mercado, câmbio instável, baixo nível de investimento privado, ausência de investimento público. Ainda assim, o próximo governo tem que ter a clara noção de que o aumento da desigualdade social e da violência, a polarização da sociedade, o alto desemprego e o crescente desalento de nossa juventude não podem ser enfrentados sem a retomada do crescimento sustentado, essencial inclusive para o equilíbrio das contas públicas. “Gostaríamos de alertar inclusive que é preciso, portanto, que o novo governo tome medidas urgentes no sentido de se organizar de forma a permitir o crescimento sustentado da economia de modo que a reversão da desindustrialização garanta emprego e renda para o cidadão. Para isso são necessárias ações que garantam a isonomia competitiva do setor produtivo, proporcionando ampliação de sua participação no mercado doméstico e internacional”. Foto: Divulgação SETEMBRO/OUTUBRO 2018 SIDERURGIA BRASIL 5

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Na rota do crescimento Depositphotos.com Máquinas e Equipamentos 6 SIDERURGIA BRASIL SETEMBRO/OUTUBRO 2018

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O horizonte parece promissor para o desenvolvimento do setor de máquinas e equipamentos no Brasil. Mas é preciso trabalhar muito para transformar tal promessa em realidade. Marcus Frediani NNo comecinho do mês de outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), relativa ao mês de agosto 2018. E os resultados não foram, digamos, muito animadores: o cômputo do estudo deu conta que a indústria geral registrou queda da produção física de 0,3% em comparação mensal, livre dos efeitos sazonais. Com isso, a indústria brasileira cravou o segundo mês de queda consecutiva, despencando em ambos um acumulado de 0,4%. A noticia“menos pior”, contudo, foi que no acumulado do ano a variação é positiva em 2,5% e em 12 meses em 3,1%. Agora, a boa notícia mesmo para um dos mais importantes clientes do setor siderúrgico é que o setor de máquinas e equipamentos está conseguindo manter a rota de crescimento em 2018, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) em seu último boletim mensal. O destaque para o mês de agosto foi que a receita líquida apresentou alta de 5,9%, no acumulado do ano, já a produção física, medida pelo IBGE teve uma alta de 5,3%, na fabricação de máquinas e equipamentos, no mesmo período. Na publicação, a entidade também diz acreditar que dada a conjuntura

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Máquinas e Equipamentos interna, esses resultados terno que podem influen- de dois mandatos é essencial para a Foto: Divulgação Abimaq Foto: Divulgação Abimaq foram obtidos porque o se- ciar o setor, são a guerra competitividade de bens e serviços tor, em grande parte, se viu comercial, que ganha no- brasileiros”, enfatiza Marchesan. obrigado a buscar alterna- vos capítulos constante- tivas no mercado externo. mente, além da situação O futuro em discussão “Contudo para um cresci- delicada pela qual atra- Todos esses pontos relaciona- mento mais consistente é vessa a Argentina, grande dos ao futuro do setor de máquinas imprescindível uma reação compradora de máquinas e equipamentos no Brasil estiveram do mercado interno, que e equipamentos do Brasil. na pauta do 4º Congresso Brasileiro virá caso o novo governo A incerteza pode ser ob- da Indústria de Máquinas e Equipa- consiga estabilizar o qua- servada no índice de con- mentos, promovido pela Abimaq no dro político e propor as reformas que o país necessita”, destaca o texto. Para entidade, o cenário atual continua contur- João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Abimaq fiança da indústria. Além disso, os executivos da Abimaq ressaltam a im- dia 17 de setembro, no auditório de sua sede, em São Paulo/ SP. No evento, foram debatidos com especial destaque os caminhos para o bado, com incertezas principalmente portância de uma agenda crescimento sustentado, com o quadro político e das diretri- de reformas estruturantes, as novas oportunidades zes a serem tomadas pelo próximo diminuindo as incertezas e de negócios no comércio governo. “O presidente que assumir tornando o ambiente mais global e as tecnologias em janeiro de 2019 herdará um país adequado, para a volta do disruptivas que contribui- que cresce de forma insuficiente e crescimento, por meio da rão para promover o de- que acumula entre desempregados, subsequente volta da ca- senvolvimento econômico pessoas que desistiram de procurar emprego e trabalhadores em tempo parcial, um contingente de quase 30 pacidade de investimento. “Defendemos um modelo José Veloso, presidente de desenvolvimento eco- executivo da Abimaq e a inovação da indústria, contando, para isso, com a realização de diversos milhões de pessoas, ou seja, mais de nômico centrado na produção de bens painéis e palestras dos economistas um quarto da população economica- complexos e serviços sofisticados dos cinco candidatos à presidência da mente ativa”, afirma João Carlos Mar- condição indispensável para garantir República mais bem posicionados nas chesan, presidente do Conselho de o crescimento sustentado. Para tanto pesquisas, explicando suas propostas Administração da Abimaq. um ambiente macroeconômico ajus- para a próxima gestão. Ainda segundo a associação, os tado e a contínua redução do ‘Custo Durante o Congresso, foi entre- pontos relacionados ao mercado ex- Brasil’ até sua eliminação num arco gue aos palestrantes e a todos os seus participantes o documento da enti- dade intitulado “O Caminho para o Desenvolvimento”, proposta inicial- mente encaminhada aos presiden- ciáveis. O presidente executivo da Abimaq, José Veloso, fez uma apre- sentação sintética sobre o assunto, reforçando a importância desse tra- balho, que também havia sido entre- gue anteriormente a todos formado- res de opinião que são considerados relevantes na indústria. “A história mostra que o crescimento econômi- co dos países até hoje só foi possível via aumento de sua produção, princi- palmente de bens de serviços de alto Foto: Divulgação valor agregado e via ampliação do fluxo de comércio com uma crescen- te inserção na economia mundial”, ressaltou Veloso na ocasião, citando 4º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos, promovido pela Abimaq trechos do documento. 8 SIDERURGIA BRASIL SETEMBRO/OUTUBRO 2018

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Petróleo e gás: rumo a retomada NNos últimos cinco anos, o setor de Petróleo e Gás passou de um crescimento vertiginoso a total estagnação, período em que a crise brasileira foi substancialmente agravada pela situação internacional – com a cotação do barril do óleo caindo para um terço do valor que vinha sendo negociado até então –, bem como pelos desdobramentos da operação Lava Jato. Porém, segundo informa a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), já existem claros sinais de que o setor está“entrando nos eixos”e de que a trajetória de crescimento está sendo retomada. De acordo com a entidade, o preço atual do barril, na faixa dos US$ 80, já consegue viabilizar muitos dos empreendimentos que se encontravam paralisados e, no nosso caso, a retomada dos leilões da ANP, os ajustes no ambiente regulatório e o nosso potencial de reservas com custos de produção decrescente têm transformado o Brasil em um dos principais polos de interesse do setor no mundo. “As oportunidades estão aí e temos que estar preparados para participar desse mercado, que, se, por um lado, é bastante promissor, por outro ainda requer muitos ajustes, que abrangem fatores externos à indústria, melhorias internas em tecnologia, gestão e processos e, não menos importante, a melhoria no ambiente de negócios e na relação comprador/vendedor”, destaca um comunicado distribuído pela Abimaq no dia 5 de outubro, data da primeira reunião para reformulação do modelo de atuação do Conselho de Oléo e Gás da entidade, realizada em sua sede, com a participação direta das associadas interessadas, colocando as empresas diretamente em contato com o que acontece no setor. Na ocasião, foram formados três comitês para tratar de assuntos específicos, onde os especialistas das empresas poderão participar diretamente, trocando experiências com seus pares. Inicialmente serão formados três comitês: tributação, regulação e ambiente de negócios e qualquer associada poderá participar, segundo seu interesse. “Nesses pontos, a Abimaq tem importante papel a desempenhar, quer seja na maximização do aproveitamento das demandas considerando as restrições existentes, quer seja na busca da redução das restrições que nos prejudicam, tais como as baixas exigências de Conteúdo Local, o alto Custo Brasil, o desconhecimento de nosso potencial e a falta de identificação das oportunidades, entre outras”, reforça, ainda, o documento da entidade. Foto: Agência Petrobras

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Questão de ordem Depositphotos.com Congresso do Aço 10 SIDERURGIA BRASIL SETEMBRO/OUTUBRO 2018

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Reformas estruturais e investimentos em infraestrutura são essenciais para a revitalização da indústria siderúrgica e da economia brasileira. Marcus Frediani CCom o objetivo de promover a análise e o debate de temas de grande relevância para a indústria do aço no Brasil e no mundo, em sua 29ª edição, o Congresso Aço Brasil – o maior evento nacional da cadeia produtiva do aço –, reuniu perto de 500 participantes, entre representantes da indústria do aço e da cadeia metal-mecânica, órgãos públicos, parlamentares, consultorias, bancos, academia, organismos internacionais e Imprensa. Realizado pelo Instituto Aço Brasil entre os dias 21 e 22 de agosto, no Hotel Transamérica, em São Paulo/SP, o encontro também congregou renomados palestrantes nacionais e internacionais. Uma conferência sobre o cenário político, com foco nos possíveis cenários que virão como desdobramento das eleições 2018 foi um dos gran- des destaques da programação, assim como também foram as participações das personalidades convidadas, que se revezaram em painéis para tratar das questões relacionadas à indústria brasileira e mundial do aço. Na ocasião, diante da proximidade das eleições que seriam realizadas em outubro, bem como das expectativas sobre as políticas a serem adotadas pelo novo governo, a indústria do aço considerou importante debater os problemas que levaram ao encolhimento da economia brasileira nos últimos anos e à queda da participação da indústria no PIB, buscando soluções para melhorar o ambiente de negócios no país. Por esse motivo, o novo presidente do Conselho do Instituto Aço Brasil, Sergio Leite de Andrade – empossado na sessão de abertura do Congresso, Adri Felden, Marcos Issa | Argosfoto Discurso de abertura do presidente da República, Michel Temer SETEMBRO/OUTUBRO 2018 SIDERURGIA BRASIL 11

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Congresso do Aço Adri Felden, Marcos Issa | Argosfoto Brasil”, que juntamente com a valorização cambial encarecem o produto nacional em relação ao importado em 30,4%. “Durante esse período em que procuramos ter competitividade, nossas indústrias devem ter algum tipo de proteção, para se desenvolver e crescer, gerar emprego e renda e resolver o principal problema, que é a falta de investimento”, afirmou Roriz. Dados do setor Com efeito, no Congresso Aço Bra- sil 2018 foi feita uma avaliação geral do atual setor siderúrgico no Brasil. Segundo Marco Polo de Mello Lopes, Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil e Sergio Leite de presidente executivo do Instituto Aço Andrade, novo presidente do Conselho, empossado na sessão de abertura do Congresso Brasil, os indicadores de atividade da indústria do aço referente aos primei- juntamente com seu novo vice, Marcos nhou que uma série de medidas que ros sete meses de 2018 apontaram a Faraco Wahrhaftig –, afirmou que a en- estão sendo tomadas pelo governo continuação da trajetória de recupera- tidade está bastante confiante no cres- em parceria com as entidades ligadas ção moderada do setor.“A fraca base de cimento e desenvolvimento no Brasil à indústria do aço, entre elas o Insti- comparação de 2017 continua amplian- nos próximos anos. Mas, alertou que, tuto Aço Brasil, para garantir isonomia do o crescimento em 2018. A greve dos para que isso possa se transformar em no mercado nacional.“Destaque nesse caminhoneiros, que afetou fortemente realidade, algumas providências es- sentido foi o esforço conjunto das em- a atividade da indústria do aço em maio senciais precisam ser tomadas. Nessa presas, entidades e embaixada brasi- deste ano, continua influenciando ne- toada, fez um apelo muito especial ao leiras em Washington para evitar que gativamente os dados do acumulado do presidente da República, Michel Te- os Estados Unidos sobretaxassem os ano”, ressaltou o executivo. mer, que marcou presença no primei- produtos brasileiros, assim como fez No cômputo parcial, a produção ro dia do encontro, para que não haja com os chineses e de vários outros paí- brasileira de aço bruto alcançou 20,2 abertura unilateral do mercado bra- ses”, pontuou, enfatizando o ponto de milhões de toneladas no acumulado sileiro em um mundo cada vez mais vista de que não existe país forte sem de janeiro a julho de 2018, o que repre- protecionista. uma indústria forte. senta um incremento de 3,4% frente “Sei das preocupações do setor e Para tanto, José Ricardo Roriz, na ao mesmo período do ano anterior. A reafirmo que temos que proteger nos- condição de presidente em exercício da produção de laminados no mesmo pe- sa indústria”, respondeu Temer em seu Federação das Indústrias do Estado de ríodo foi de 13,6 milhões de toneladas, pronunciamento, no qual ressaltou São Paulo (FIESP), Adri Felden, Marcos Issa | Argosfoto também a importância da indústria do fez questão de ob- aço na economia brasileira e ressaltou servar, na sequência a retomada do setor, que passou por do pronunciamen- momentos difíceis nos últimos anos. to do ministro do “No ano passado, estive presente nes- MDIC, que o Brasil te mesmo evento, quando víamos que precisa oferecer iso- o setor siderúrgico passava por um nomia no ambiente momento crítico. Hoje, constato com de negócios às em- alegria um crescimento de produção e presas brasileiras, vendas do aço para os mercados na- para que possam cional e internacional”, destacou. competir com as Em linha com Temer, o ministro da de outros países. pasta da Indústria, Comércio Exterior Segundo ele, essa e Serviços (MDIC), Marcos Jorge de falta de isonomia Lima, que também prestigiou a aber- se reflete nos com- Ex-ministro e economista Delfim Netto, participando do primeiro tura do Congresso Aço Brasil, subli- ponentes do “Custo Painel do evento – Indústria – Protecionismo ou isonomia? 12 SIDERURGIA BRASIL SETEMBRO/OUTUBRO 2018

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Marcos Lisboa, presidente do Insper, no primeiro Painel do evento – Indústria – Protecionismo ou isonomia? aumento de 6,2% em relação a 2017. A produção de semiacabados para vendas foi de 5,6 milhões de toneladas no acumulado de 2018, um aumento de 5,1% na mesma base de comparação.“Devido a uma perda que ocorre durante o processo produtivo do aço, a soma da produção de laminados e semiacabados para vendas não equivale ao total da produção de aço bruto”, observou Marco Polo. No mesmo período, os dados do Aço Brasil deram conta de que as vendas internas foram de 10,5 milhões de toneladas, o que representou uma benfazeja elevação de 10,3% quando comparada com igual período do ano anterior. Já o consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 11,9 milhões de toneladas de janeiro a julho de 2018, o que representa uma alta de 9,7% frente aos primeiros sete meses de 2017. Enquanto isso, de acordo com os dados do Instituto, as importações alcançaram 1,5 milhão de toneladas no acumulado de janeiro a julho de 2018, aumentando 4,3% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,6 bilhão, uma alta de 23,7% no mesmo período de comparação.“Já as exportações foram de 7,9 milhões de toneladas e US$ 4,9 bilhões nos sete primeiros meses do presente ano. Esses valores representam, respectivamente, queda de 6,0% e aumento de 15,7% na comparação com o mesmo período de 2017”, complementou o presidente executivo do Aço Brasil. Assimetrias competitivas Nos dois dias de trabalho do Congresso Aço Brasil, alguns pontos ficaram mais do que evidentes para que a indústria brasileira do aço volte a ter o vigor que apresentou num passado não muito distante. Entre eles, mereceu especial destaque, por exemplo, a reativação dos investimentos em infraestrutura e na construção civil requer segurança jurídica e linhas de crédito próximas ao padrão internacional, além de menor volatilidade cambial para o planejamento de longo prazo. Adri Felden, Marcos Issa | Argosfoto SETEMBRO/OUTUBRO 2018 SIDERURGIA BRASIL 13

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Congresso do Aço Nesse sentido, ficou claro para os congressistas que fatores estruturais e sistêmicos não resolvidos ao longo de muitos anos – alguns, inclusive, exibindo quadro de agravamento – afetam sobremaneira os custos de produção no país, reduzindo a competitividade das empresas brasileiras. Entre eles, nada de muito novo, como a carga tributária elevada e cumulativa que incide sobre o setor, além de spreads bancários entre os maiores do mundo e gargalos de infraestrutura. Isso, sem falar na recente greve dos caminhoneiros que paralisou o país e onerou ainda mais a indústria devido ao aumento do preço dos fretes e à redução substancial e intempestiva do Reintegra. Foi consenso também entre os representantes de setores da indústria presentes ao evento que, dado o cenário atual de guerra no mercado internacional, fica ainda mais incongruente proposta de abertura comercial unilateral do Brasil, defendida por um grupo de economistas. Esse quadro, aliás, só tende a se agravar face ao aumento significativo do protecionismo no mundo em 2018, sendo o aço o produto mais afetado, seja por elevação de tarifas de importação, salvaguardas ou subsídios dados por governos para sustentar empresas que não sobreviveriam em uma economia de mercado. Painel 2: Excesso de capacidade de produção de aço no mundo Em relação a este último ponto, foi objeto de grande atenção no Congresso a divulgação de um estudo comprovando que a China não pratica economia de mercado no que se refere à indústria do aço. Naquele país, a maior parte das empresas é controlada pelo governo (central ou provincial) e recebem subsídios públicos. Ainda assim, possuem elevado nível de endividamento. Em outras palavras, a conclusão reafirmada durante o evento é que sem que sejam realizadas as devidas correções nas assimetrias competitivas existentes no país (e não nas empresas), haverá aumento substancial das importações, causadas pelo desvio de comércio e aceleração ainda maior do processo de desindustrialização do Brasil, com perda de renda e de empregos. “A indústria é a mola propulsora do desenvolvimento de um país. Todos os países com maior nível de renda fortaleceram a sua indústria para que ela pudesse sustentar a geração de renda e a consequente expansão de serviços e bem-estar social. O Brasil não pode prescindir de sua indústria e tampouco os brasileiros de seus empregos”, deixou o recado o novo presidente do Conselho do Instituto Aço Brasil, Sergio Leite. Adri Felden, Marcos Issa | Argosfoto Depositphotos.com 14 SIDERURGIA BRASIL SETEMBRO/OUTUBRO 2018 Investir é preciso Ao longo dos dois dias do Congresso Aço Brasil 2018, ficou bastante claro que o crescimento do Brasil depende da retomada dos investimentos em infraestrutura e das reformas que o país tanto precisa. O assunto foi tratado com especial destaque no painel“Infraestrutura – Destravando o Crescimento Econômico”, coordenado por Benjamin M. Baptista Filho, conselheiro do Aço Brasil e presidente da ArcelorMittal Brasil, que contou com a participação de José Carlos Martins, presidente da Câmara

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Brasileira da Indústria da Construção (CBIC); Paul Procee, líder do Programa de Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial e co-autor do estudo “Back to Planning: How to Close Brazil’s Infrastructure Gap in Times of Austerity”; e Eliana Taniguti, diretora da E8 Inteligência. Nele, os participantes ressaltaram a necessidade dos projetos no setor para destravar o crescimento, reforçando o consenso entre os representantes da indústria de que o investimento em infraestrutura fará o país voltar a crescer.“Para que isso aconteça, é preciso que um país invista pelo menos 5% do seu Produto Interno Bruto nesse tipo de obras. E o Brasil tem injetado atualmente menos de 2% do PIB no segmento, enquanto a Colômbia mantém um mínimo de 4% e a China, pelo menos 7% anuais”, ressaltou Procee.“Para crescer, um país precisa investir pelo menos 5% do seu PIB em obras de infraestrutura. E o mais grave é que ainda não foram criadas as condições para que o investimento voltasse ao Brasil. Projetos há, mas eles precisam sair do papel”, pontuou, a seu turno, José Carlos Martins, da CBIC. Na ocasião, a E8 Inteligência, também apresentou um estudo inédito feito pela consultoria a pedido do Instituto Aço Brasil, no qual foram analisadas 54 obras do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal. “Os sistemas previstos no PPI de óleo e gás, ferrovias, aeroportos, portos e rodovias têm potencial de consumo de 8,4 milhões de toneladas de aço, gerando impactos relevantes para a indústria do aço e a cadeia subsequente”, revelou a coordenadora do estudo, Eliana Taniguti. De grande relevância na programação do encontro, foi, ainda, a realização do painel sobre“Sustentabilidade”, que trouxe nova visão sobre o aço como nutriente tecnológico e prestador de serviços, além dos desafios da indústria para uma economia de menor uso de carbono. Ainda acerca do tema, o Instituto Aço Brasil aproveitou o Congresso para fazer o lançamento do seu Relatório de Sustentabilidade 2018, o mais versátil e totalmente responsivo do setor, realizado pelo conselheiro do Instituto e diretor presidente da Aperam South America, Frederico Ayres Lima, trazendo os dados dos três principais pilares da sustentabilidade: o econômico, o social e o ambiental.“Fomos pioneiros em produzir uma publicação como esta no Brasil, que é realizada a cada dois anos. Hoje, diversas outras indústrias já seguem o nosso exemplo”, lembrou Ayres Lima, em painel que debateu o tema da sustentabilidade na siderurgia com Peter Levi, analista de tecnologia de energia da Agência Internacional de Energia, e com o professor Michael Braungart, CEO da Environmental Protection and Encouragement Agency (EPEA). O que vem por aí Realizado no último dia do Congresso Aço Brasil, em São Paulo, uma discussão sobre os principais desafios que a indústria do aço encontra hoje. Participaram do debate os CEO’s da Gerdau, Gustavo Werneck; da Ternium, Marcelo Chara; e Jefferson de Paula, da ArcelorMittal Aços Longos para as Américas Central, do Sul e Caribe, todos também conselheiros do Instituto Aço Brasil. Todos eles concordaram que a inovação é, ao mesmo tempo, um grande desafio e uma enorme oportunidade para as empresas continuarem a ganhar competitividade.“A partir de 2020, viveremos a era pós-digital, o que im- plica no fortalecimento de pilares que já empregamos hoje, como a difusão de tecnologia e o uso de inteligência artificial, dados e analytics. Utilizamos novas maneiras de trabalhar e novos comportamentos, como o uso de uma metodologia ágil, foco no cliente e interação com o ecossistema tecnológico”, pontuou Werneck, da Gerdau, em sua participação. “Temos certeza de que o Brasil tem um potencial enorme e que a recuperação é possível se trabalharmos em conjunto”, destacou, por sua vez, Chara, da Ternium. “Acreditamos no aço, na empresa e no Brasil. Mesmo com a crise que houve no mercado nos últimos anos, continuamos investindo mais de R$ 1 bilhão por ano no país”, enfatizou, a seu turno, Jefferson de Paula, da ArcelorMittal. Na oportunidade, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, lembrou que o setor está saindo de uma das piores crises da sua história, que levou o setor a uma queda de 30% em vendas internas e no consumo entre 2013 e 2017.“O ano de 2018 começou bem, mas foi impactado pela greve dos caminhoneiros em maio. Mesmo assim, a expectativa é de crescimento”, sublinhou Lopes, deixando para discussão a questão: o que o setor precisa fazer para voltar a operar acima de 80% de sua capacidade instalada? “Atualmente, sua utilização está em 68%”, finalizou Lopes. Depositphotos.com SETEMBRO/OUTUBRO 2018 SIDERURGIA BRASIL 15

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