Confrades da Poesia103

 

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Poesia Lusófona

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Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano X | Boletim Mensal Nº 103 | Novembro 2018 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 / Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,11,12,13 / Rota Poética: 5 Cantinho dos Poetas 6 / Luz Poética: 7 / Faísca de Versos: 8 Tribuna do Vate: 9 / Contos e Poemas: 10 / Poetas da Nossa Terra: 14 / Rádio: 15 / Ponto Final: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 9 Rádio Confrades da Poesia Nesta edição colaboraram 48 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Albertino Galvão | Albino Moura | Alfredo Mendes | Anabela Dias | Arménio Correia | Artur Gomes | Carlos Alberto Varela | Carlos Bondoso | Celeste Vieira | Chico Bento | CMO | Conceição Tomé | Damásia Pestana | David Lopes | Felismina Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Francisco Jordão | Helena Moleiro | Hermilo Grave | João C. dos Santos | João da Palma | Joaquim Sustelo | Jorge Humberto | José Branquinho | José Carlos Primaz | José Jacinto | José Maria Caldeira Gonçalves | José Silva | Luís Eusébio | Luís Fernandes | Luiz Poeta | Magui | Manuel Nobre | Maria Petronilho | Maria Procópio | Mário Pão-Mole | Mário J. Pinheiro | Miraldino de Carvalho | Maria V. Afonso | Nelson Fontes | Nogueira Pardal / Paulo Taful / Pinhal Dias / Quim D’Abreu | Rita Celorico | Rosélia Martins / Santos Zoio | Silvais | Teresa Primo | Tito Olívio | Vitalino Pinhal

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2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «A Voz do Poeta» SONHOS À VENDA São muitos os sonhos, que vou pôr à venda, A loja está cheia, já chega ao telhado, Compus no panfleto que aceito encomenda E faço desconto, pagando a contado. Mas não são os sonhos, que minha alma cria E a mente devora, pra que eu viva bem, São eles a base da minha alegria; Portanto não vendo, nem dou a ninguém. Só vendo os que tenho nas noites compridas, Que são pesadelos, angústias sentidas, Contendo momentos terríveis, medonhos. Eu vendo. Porém, se ninguém os quiser, Vou dá-los, à noite dum dia qualquer, E esqueço das horas tão más desses sonhos. Tito Olívio - Faro Cara a cara A cara que te dás não te pertence, Se a alma que te traz é outra alma. É aquela da auto-estima, a que te acalma, Aquela, onde teu riso tudo vence. O espelho que te vê de forma avara, Te mostra um outro rosto, não o teu; Se queres ver teu rosto, olha o meu, Que sou quem te admira e te repara. Enxerga-te na grandiosidade Que tens e que te dá felicidade Porque, quem não te vê como devia Não ama qualquer cara que tu tenhas, Por isso, eu quero, amigo que tu venhas Com a cara mais feliz da poesia. Luiz Poeta – RJ/BR Sopro Por vezes um frio sopro, Sai das trevas e se levanta, Querendo apagar A luz do meu caminho. Mas, eu, sempre silente, De repente, Solto um grito estridente, E, de novo, se acende Uma luz fluorescente, A iluminar-me de mansinho! Conceição Tomé (São Tomé) Corroios “SUMOS BREJEIROS” Subordinado ao mote: “De sumo importe, ora bem” “De sumo importe, ora bem” O que vou eu inventar? O mote, vejo que tem Algum sumo a importar! “De sumo importe, ora bem” Será sumo de tomate? De pêssego, bem me convém! E alguns de pêra abacate! “De sumo importe, ora bem” Talvez alguns sumos de uva Que de boas castas vem, Caía como uma luva… “De sumo importe, ora bem” De pêra e de laranja Não fazem mal a ninguém! Tomá-los, é como canja! “De sumo importe, ora bem” Também alguns tropicais. Não quero ficar refém… De sumo; não bebo mais! João da Palma - Portimão NÃO SEI Apetece-me escrever um poema A cantar o amor, a felicidade e o futuro… Apetece-me uma flor, a mais pequena, A mais pálida e triste e mais serena A exalar um perfume casto e puro. Apetece-me escrever versos sem sentido Abraçado às palavras que não escrevo… Apetece-me o beijo que anda perdido Nos sonhos de que sou acometido, Quando em sonhos sonho o que não devo. Apetece-me escrever sobre esse nada Que é a vida se vivida sem esp’rança… Apetece-me a noite enluarada, O silêncio musical da madrugada E o raiar d’aurora que não cansa. Apetece-me escrever o que não sei Na amargura sem fim de ser poeta… Apetece-me a mulher que eu encontrei A quem sem receios me entreguei E me chama amor, louco e pateta. Apetece-me escrever, ou talvez não Porque as palavras não surgem como quero… Apetece-me abandonar a solidão E saber enfim qual a razão De não achar o poema por que espero. Nogueira Pardal – Verdizela/Marisol ALÔ! ALÔ TORONTO: CARO JOE: Muito grato caro FURTADO, Permita que inda insista, Pelo que me diz, OBRIGADO, É um fixe BENFIQUISTA Lê o qu’escrevo com atenção, Isso digo-lhe mais o dignifica, Vê-me poeta! Vê-me LEÃO, Assim, JOE, viva o BENFICA! Eu ando muito. Muito distante, Dos “lagartos” pouco guerreiros, Não é bonito, talvez ultrajante, Vibrar só por “Leões” estrangeiros! Obrigado pelos comentários, Aos meus fracos poemas, Não são extraordinários, Mas…olvidam meus problemas! Repito o velho convite, Com todos os pormenores, Veja se arranja apetite, Venha ao Arroz de pato, ou cabidela co’o mesmo trato da VATEL D. DOLORES! Nelson Fontes Carvalho Belverde/Amora/Portugal

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «Ecos Poéticos» 3 O CACHORRO JOLI O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade, enquanto o homem a ignora."(Demócrito) Os animais dividem connosco o privilégio de terem uma alma." (Pitágoras) Se o homem pensasse como a baleia… veria a importância do poder da solidariedade. ESTIMADOS CONFRADES: O confrade PINHAL tem um cachorro, que adora O que há dias ao passar ali perto da Baia Rua que passo com prazer, talvez com mania, Aspirar, ver a majestosa paisagem d’AMORA! O JOLI em pé só nas patas de trás corria, Pra pasmo do povo que juntava agora A ver o animal, que andava numa nora Mesmo vaidoso pela gracinha que fazia! A graça do JOLI compreendeu as causas, As palmas do povo ali foram sem pausas Que deixou o nosso PINHAL alegre como vi… Não admira o cachorro ter graça e capricho Seu dono é poeta, adora demais seu bicho, Pois devem haver poucos JOLIS como JOLI! Nelson F. Carvalho - Belverde/Amora/Portugal Asas da Liberdade Segui-te por todo o lado, E, nunca me contestei. Abandonei tudo que de bom tinha: A inocência e os sonhos de menina, Tudo isso, eu por ti deixei. Para te seguir por todos os caminhos, E contigo conhecer novos mundos, Larguei outros afectos e carinhos. E demais sentimentos profundos. Fosse com sol, chuva ou mesmo ventos, Eu te segui por todos os cantos, Em tempos de paz, e abundância, Em tempos de escassez e guerra, Com espírito de sacrifício e dedicação, E tudo o mais que por ti nutria, Pois tudo cabia dentro do meu coração. Mas, jamais te doei as minhas asas: Asas que quiseram voar para além do tempo, À procura da Luz Divina e do Conhecimento. Asas que me protegiam dos percalços da vida, Asas da Liberdade, sem me deixarem vencida! Conceição Tomé (São Tomé) - Corroios ESTA MINHA... OUTRA FORMA DE LUTAR Não tenho armas nem canhões... para do mal me defender, Apenas ainda tenho esta minha simples forma de escrever, E não sei se p’ró mal do mundo, conseguirei alertar... Mas com ela, só desejo chamar de toda a gente a sua atenção, E se resulta, só cada um sabe o que lhe vai e manda o coração, Pois eu irei poetizando, como forma de contra o mal também lutar. Dói-me o coração ver ainda neste mundo as crianças a sofrer, Ver os anciãos postos de lado... e no seu dia a dia a envelhecer, Sem já obterem um olhar de atenção, desta nossa sociedade... Vejo as mulheres, ainda a serem neste mundo desprezadas, Nalgumas terras, a serem ofendidas e até bem maltratadas, Sem que a sociedade pense que elas tem todo o direito à dignidade. Dói-me o coração, por tantas guerras neste mundo ainda ver, Faltando os hospitais... p’rás pessoas que tem o corpo a sofrer, Depois de tantos e tantos anos, nesta vida a trabalhar... Por isso, podem dizer que meus poemas só falam em “mariquices”, Que são apenas coisas dum velho tonto, com as suas “pieguices”, Mas enquanto poemas escrever… esta será a forma de poetizar. José Carlos Primaz – Olhão da Restauração O que mais importa. Abandonam a escola por teimosia Procuram emprego?! Não para trabalhar… Homens, mulheres, num mundo de hipocrisia Fundo do desemprego?! Vem mesmo a calhar É à tarde em que o sol produz mais calor Bocas secas, que trocam a água por cerveja De tanta secura de beijos, sem amor Numa cegueira desenfreada?! Se veja! Os encapsulados, de falta de cultura Falta de civismo, educação? Rutura! Ambiente de gente que não se comporta Ir a um Ponto de Encontro, com ou sem chá Conversas desajustadas?! … Não há pachá! Fugir das ciladas é o que mais importa… Pinhal Dias (Lahnip) PT Amora

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4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «BOCAGE» ESTE NOSSO ALENTEJO... ESTE MAR DE ESPIGAS ALOIRADAS Meus pés, estes campos de verde vestidos, estão pisando, E meus olhos olham lá ao longe, as loiras espigas ondeando, Entre a névoa quente, que do chão se alevanta... Pois meu coração, que de tristeza se sentia, Segreda p’ra minha alma, ao ver que ela também sorria, Segredos, de quem se sente feliz... com tal beleza que espanta. E olho o casario, qual ilha branca neste mar de espigas aloiradas, Que de branco está vestido, como as velas do navio, enfunadas, Prontas p’ra navegar no calor que do montado já está aproximar... E meu coração, sentidamente, a Deus uma prece fica rezando, Pedindo-Lhe, p’ra que o trigal dourado, Ele esteja abençoando, E este mar de pão, pela brisa agitado, nunca venha a terminar. Depois olho a velhinha com o chapéu, a cabeça protegendo, De xaile negro pelas costas... a tristeza, no coração, escondendo, A caminho da igreja, para aos seus santinhos rezar... Rezar pelo seu amor... que mais cedo, desta vida, já partiu, Por ele, que este lindo mar de espigas aloiradas, já não viu, Para que entre as espigas do céu, se venham de novo a encontrar. ... sonhando acordado com este Alentejo, que um dia me acolheu... e que eu tanto amei. ... sonhando acordado com este Alentejo, com que sempre estou sonhando... nos meus sonhos. José Carlos Primaz – Olhão da Restauração O Beija-flor. Quisera ele ser o teu beija-flor! Beijar-te, acariciar-te com doces beijos de amor… Visa ser o teu insecto preferido que suga o teu odor perfumado de jasmim, que é doado pela natureza com certeza… Tu és aquela flor que ele sempre desejou excelso amor que ele sempre amou… No jardim tu és mulher amada, mulher desejada no seu esplendor nos braços do teu beija-flor… Pinhal Dias (Lahnip) PT Amora / Portugal À Minha Neta Viu o céu crescer: A minha neta, No meu modesto parecer, Sinto o coração em festa ! Porque sei que ela sente : Uma forte energia, Por gostar ardentemente Desenhar com a sua magia, Tudo que de belo tem a vida, Por isso, eu vou continuar A dar à minha neta querida! Toda a ternura e afeto, Para que ela, possa desenhar: Um mundo mais... Ternurento... Luís Filipe Neves Fernandes (Amora) CICLO DA VIDA Chega nos braços da madrugada Dum dia de haver promessa De realização concedida a todos os sonhos. Fica no encanto colorido de olhares atirados Para dentro de coisa nenhuma, Como se buscassem no prazer um quase tudo. Parte no embalo prometedor Dum canto tão sereno quanto inquieto, De coros afinados na teimosia da busca Doutro recanto, aonde possa chegar de novo. Quim d ‘Abreu - Laranjeiro Quadras Soltas Fazer quadras para quê? Já está tudo escrito. Mais toque menos retoque Fica tudo mais que dito. Isto cá entre amigos, Pouco trabalho é preciso É ouvir o pensamento Está o caso resolvido. E nem parece verdade Que está a acontecer Esta folha era branca E já tem algo que ler. Amadeu Afonso – Cruz de Pau

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Aluno, Professor, Educador. As memórias vêm depois feitas histórias que fazem presente o caminho feito antes. A Escola continua no bolso da camisa, que ainda se usa desde a Primária. Ontem, numa Carteira já usada pela Gente Antiga que passou o testemunho e a mesma cantiga do recreio, Carteira antiga e usada para aprender como era a Vida que se esperava e que às vezes não foi bem como devia ser, de acordo com o que tinha sido pensada para acontecer, na mesma carteira onde se sentava naquela altura quando se começou a aprender, há tantos anos. Carteira da Escola, que perdurou, no sonho, descoberta, quem sabe, depois, por acaso, ou por necessidade, ou já pretendida desde sempre, por vocação, desde que se pensou doar e dar a mão na subida aos vindouros. Carteira antiga, onde o aluno de antes, o professor de ontem e o educador de hoje ainda se sentam da mesma forma insegura, mas continuantes na sua senda de Missão não cumprida, não, porque não efectiva, mas não, porque como os Missionários, não se quer que a Missão acabe de pedir mais entrega sempre. A Missão do professor tem sempre um campo que está de pousio, onde a seguir se tem continuar a plantar educação. Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 5 «Rota Poética» O rio do Conhecimento faz flutuar todos os barcos. Nenhum deles acaba como salvado, Todos Eles, Passados, Presentes E os que tiverem coragem de ser os próximos professores, são heróis Com uma Missão difícil, Mas abençoada: Serem simplesmente Humildes Educadores! Carteira antiga Que apenas se vê de outra maneira Continua lá, e o antigo aluno do lado de cá, agora professor, não a tem esquecida. Está ali à frente, renovada, tecnologicamente apurada, acompanhando as gerações do novo estar. Professor, ainda te estás a formar, quando ensinas os teus a aluno, mesmo depois de te reformares, o importante é sempre estares sempre perto e pleno de sabedoria. José Jacinto – Casal do Marco ENCONTREI-TE Numa tarde do dia mais feliz Pude eu encontrar a mulher querida! Foi graça divina em minha vida É meu coração contente quem o diz. Foi um acaso? Não sei responder! Foi Deus/Pai quem o quis... sua vontade? Fosse como fosse... foi felicidade! Deu nova vida a meu pobre ser. Foi, aí, então, que pude conhecer (Esquecidas outras lidas do meu viver) A mais bela mulher que eu encontrei. Hoje, meu Deus, sou alguém diferente! Sinto-me bem melhor, sinto-me gente. Por razão desse Amor que entronizei. JGRBranquinho - J. Little White" Quinta da Piedade, 3 de outubro de 2018 VOU EM TI SONHAR Sou mero sonhador Com coração a pulsar Vou encontrar um amor Para poesia lhe dedicar!... Neste mundo tão duro Não existe quem ame Tudo se torna escuro!... Uma lágrima que se derrame Em choro de noite ao luar!... É tamanha a canseira Nesta vida de penar Viver de tal maneira Para se mágoa deixar No momento d’amor se dar!... De tal ando esquecido Só poesia para se amar, Mas…vou em ti sonhar!... Carlos Alberto Varela (CASV) Paços de Brandão HUMILDE TE PEÇO Humilde Te peço, meu Senhor: - Envolve-nos com Teu Amor, Para que o perdão e a bondade Transformem a desvairada Humanidade. Ajuda Te peço, meu Deus, Ajuda esses tristes filhos Teus Que perderam a Esperança Cega, dos seus tempos de criança. Deus bondoso e clemente A Ti reza Tua gente E suplica o Teu perdão Por virar costas a seu irmão. Graças Senhor, eu Te dou Por ser assim, como sou, Um ser que em Ti confia Quer de noite, quer de dia. Sei que Teu filho, Jesus Cristo resgatou, O preço da nossa circunstância. Quando Jesus andou pelo mundo, Seus sermões eram rico estudo, Aproveitados pelo povo fecundo, Mas o homem instável e imundo, Com os séculos esqueceu tudo! João Coelho dos Santos - Lisboa Nelson Fontes – Belverde/Amora

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6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «Cantinho dos Poetas» Quantas vidas por viver Quantas horas, quantos dias, quantos anos, Quantas luas cheias, quantas marés, Quantos sonhos, ilusões e desenganos, Quantas madrugadas para ver o sol nascer, Quantas chuvas de outono a bater contra a janela Quantas pedras gastas nas calçadas da minha terra, Quantas primaveras ainda por viver? Conceição Tomé (São Tomé) – Corroios BEIJOS MEUS Beijos meus a correr do meu para o teu rosto grande amizade viver amigo que tanto gosto Beijos meus a voar sob este céu anilado com eles vou sonhar contigo meu amado beijos meus a sentir na tua tez com calor meu carinho a pedir doce beijo de amor Beijos meus a amar os teus carinhosos beijos a correr e voar entre estrelas amorosos. Rosélia M G Martins P. Stº Adrião Assim vou agradecer Eu digo muito obrigado É dito em poesia Pelo bom serviço prestado Aqui fui operado Já vejo bem o que não via Já tenho outra visão A catarata já foi retirada Sinto mais animação Vejo melhor na escuridão Na vista que foi operada É caso para dizer Na vida há sempre alguém Com a sua vontade e saber Aprendeu o bem-fazer Com a sabedoria que tem A Dra. Sandra oftalmologista Foi ela que me operou É uma especialista Deu mais luz a minha vista Muito agradecido, eu estou… Margem sul, margem suada Almada, Seixal, Barreiro. Na liberdade cantada, No silvo fé um cacilheiro! Arménio Correia (arlofeco) Seixal Miraldino de Carvalho Corroios CASAMENTO IMPERFEITO Quem me dera, quem me dera juntar Inverno à Primavera num casamento feliz.. Mas na Torre de Babel onde as quatro estações são feitas sem Vivaldi e sem violinos não se podem cantar hinos. Tudo se faz sem poetas, sem os elegantes patetas dum casamento feliz... Joaquim Evónio (Saudoso Confrade) UM GRITO Um grito, Um apelo. Não quero desacato Quero viver! Debruce-se Olhe o pesadelo Não quero morrer, Tenho direito… De querer viver, Oh quão doente Eu estou e tu? Acordai mentes Adormecidas! Olhai, o povo Que vos elegeu Ou quereis… O extermínio, Que por alguns euros Te adormeceu. Damásia Pestana Fernão Ferro CORAÇÃO TRANCADO Nas dobras do pensamento, Sem lugar e sem assento, Fica o pó das ilusões. Vejo tantos corações Vivendo sós, desprezados, Com seus destinos cruzados, Sem se encontrarem jamais. Outros há que são formais, Num inusitado desejo De viverem sem um beijo, Só por medo ou por pudor E assim morrem sem amor. Há quem feche o coração E não queira dar a mão A quem deseja ajudar. É mau ter medo de amar. Coração trancado e rude Faz muito mal à saúde. Tito Olívio - Faro QUERIA DAR UMA ROMÃ Fui ao jardim passear E apanhar uma romã Para dar a quem gostava Naquela fresca manhã A pessoa, a quem eu queria Dá-la, não quiz aceitar Naquela fria manhã Um desgosto fui apanhar Quando me ponho a pensar Nisto, fico maldisposto Que ao recusar a romã Deu-me um grande desgosto Ao perguntar-lhe porquê Respondeu-me ela então Não aceitava a romã E nem o meu coração Refrão Queria dar uma romã Ao amor que queria tanto Fui por ela recusado Para abafar a dôr, eu canto O que fiz, foi por amor Naquela fria manhã Queria dar-te o coração Queria dar-te uma romã. Chico Bento - Suíça Amizade Sincera Amizade sincera é, isto Duas pessoas que se gostam, Sob o amparo de Cristo, Em tudo ambos apostam! Há coisas que não são fitas, São reais, o seu programa, Amizades tão bonitas, São despejadas na lama! Nunca soubestes MARIA, Nem sabes – Valha-me Deus As coisas que te diria, Se fosse um brinco dos teus! Nelson Carvalho - Belverde

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «Luz Poética» 7 CONSCIÊNCIAS Silêncio Decisão Um país para ter cultura Por carreiros irregulares passam elas apressadas num vaivém constante, leves ou carregadas as formigas seres amadas . Pouco importa ao rei senhor da terra, estas formigas ignóbeis e malfadadas são seres mal formadas, têm de ser maltratadas . José Silva - V. F. Xira Querida Donzília Hoje pensei escrever para ti Estes versos com inspiração Por tudo que contigo vivi, Cheio de carinho e emoção! Inspirado mesta melodia Que dedico hoje assim, Porque tu és a minha poesia Em poemas lindos sem fim. Suave presença, Que nos invade. Mistério que nos, Transcende. Sentimentos de, Eternidade; Plenitude que Enche; Espírito de, Verdade; Amor, Liberdade. Filipe Papança Lisboa Acabei com a hesitação, Ao ter tomado a decisão - Decisão rememorável; Decisão irrevogável. Decidi cruzar a linha. Deixei a vida mesquinha. Cansei de viver sem nexo. Deixei de ser irreflexo. Depois que experimentei, Sei muito bem quanto acertei; Sei muito bem quanto ganhei; E jamais o lamentarei. Porque hesitas, porque esperas? Queres-te enganar com quimeras? Não preferes a realidade De conhecer a Verdade? Jesus Cristo é a Verdade Que te traz a liberdade. Decide já crer em Cristo, Pois nada há melhor que isto. CMO – Qtª do Conde Um país para ter fartura E o seu povo não viver mal Tem que ter agricultura E um bom sector industrial I O país que sabe aproveitar Os seus recursos naturais Pode sempre crescer mais Sem o país se endividar Todos nós podemos ficar Com economia sã e pura Sem cair na aventura De um dia andar para trás É com um governo capaz Um país para ter fartura II Os países que têm mar As pescas é uma riqueza Para ter comida na mesa E não ter que a importar Os pescadores vão pescar Ganham a sua vida normal Com o seu esforço natural Levam o barco para a frente Dão trabalho a muita gente E o seu povo não vive mal Luís Neves - Amora "Visitei o céu" Percorro campos verdejantes, numa imensa planície, encontro a paz, a harmonia. Vejo crianças brincando a apanhar borboletas, são de tamanha beleza essas pequenas criaturas, todas vestidas de branco, que me fazem lembrar anjos que me aparecem em sonhos. Mais além observo um riacho de água pura e cristalina, que corre campos abaixo brilhando com a luz do sol, e um arco-íris se forma, na cor violeta se transforma dessa luz celestial. Encontro familiares e amigos, que há tanto tempo não via, abraço-os com fervor e recebo todo o amor e carinho. E as saudades enormes agora se vão esbatendo, fui o etéreo visitar, mas já posso regressar. Abram-se portas sagradas ao som de pássaros cantando para me facultar a passagem e acordar deste sonho, posso dormir descansada e agradecer a Deus a graça que me concedeu. Rita Celorico - Amora/Seixal In: Heaven AGARRA 2018! -com toda a tua GARRA! -com toda a tua GENEROSIDADE! -com a tua Guitarra! -com a tua CRIATIVIDADE! AGARRA 2018! -É a tua ESPERANÇA! -É o teu FUTURO! -É a tua CRIANÇA! -É o teu Ser PURO! Perdoa-me se me engano... minha irmã e meu irmão entre o sagrado e o profano não há grande confusão e pelo sim pelo não opto pelo que apenas vejo ser real é meu desejo aos crentes peço perdão. assina ...um humilde agnóstico...Vita III Não temos que ser doutores Para termos esta visão Só pode haver produção Onde há bons produtores Só com bons agricultores Temos economia segura Numa sociedade futura Sermos nós a produzir O que vamos consumir Tem que ter agricultura IV Nós sabemos que é riqueza A terra o mar e a sabedoria Porque a inteligência é cria Um mundo de amor e beleza Sabemos e temos a certeza Onde não há forças do mal Temos o que é essencial Para um país desenvolvido É ter o seu povo instruído E um bom sector industrial Manel Martins Nobre Paivas Amora Seixal "Quem trabalha e mata a fome Não come o pão de ninguém Quem não ganha o pão que come Come sempre o pão de alguém." Santos Zoio - Lisboa Vitalino Pinhal - Sesimbra António Aleixo ...

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8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «Faísca de Versos» Tanques Como se pode pela pátria lutar, Contra os canhões marchar, As tropas incitar “Às armas!”? Armas? Não há! Levaram-nas de cá! Quem as levou venha entregar-mas Imediatamente, Deveria dizer o presidente; Quem as levou venha trazer-mas neste instante, Deveria dizer o comandante; Quem as levou as traga já de volta, Caso contrário vou buscá-lo sob escolta E não vai apanhar só um tabefe, Deveria dizer o chefe; Quem as levou não se arme em bazuqueiro, Deveria ser ordem do primeiro. Só o ministro Não saberia que dizer – Caso sinistro! –, Tão-simplesmente por desconhecer. Vá lá, que não roubaram tanques De Tancos, pelo menos disso Não fala o relatório (A bem dizer nem houve relatório Sobre o sumiço, Mas houve grande falatório). Vá lá, que não roubaram tanques, Tal deixaria mais pesada A consciência, Ou então foi sinal de inteligência, Para evitar enorme trapalhada, Já que dava nas vistas Levá-los por estradas ou por pistas. Por outro lado, não se esconde um tanque Dentro de um camião, Que era tarefa igual A mostrá-lo em palanque, Mesmo para ladrão profissional. Passaram fora de controlo apenas Peças leves, pequenas, Bazuca, munições, Granadas, explosivos, Não há motivos P’ra grandes preocupações. Foi acontecimento desvalorizado, Pois o material era atrasado, Um embaraço, Só estava a ocupar espaço. Vem a notícia, A investigação traça o perfil Dos implicados: um civil E dois de farda, Um é polícia, Polícia militar (Também a investigar), Outro é da guarda. Sai da pasta o pretexto De que fragilizadas Estavam as Forças Armadas. Melhor será dizer, neste contexto, As Forças Desarmadas (Estão também desvariadas). Quem nos guarda o paiol, Como quem diz, Quem nos guarda o país? Quem vai gritar em vão “Polícia! Ó da guarda!”? Na falta de controle, Comprei uma espingarda. Lauro Portugal - Lisboa A outra nunca existiu Depois de tantos anos que passámos, Unidos p’la paixão e p’lo amor, Repara meu amor aonde chegámos, Apenas há em nós ódio e rancor. A culpa de quem é ? – Não sei dizer, Apenas sei que quase enlouqueci, Com medo que existisse outra mulher, E eu nunca mais pudesse olhar p’ra ti. Eu sei que não devia ter causado, Aquelas cenas tristes de queixumes, Porque nunca existiu outra ao teu lado, Fui eu que a inventei com os meus ciúmes. Errei, mas foi o medo de perder-te, Que me levou a ser desta maneira, Ceguei, e tudo fiz para prender-te, Sem ver que me vencia, essa cegueira. E agora que o ciúme já morreu, E que levou com ele o ódio e o rancor, Vamos mostrar que nunca nos venceu, Vamos viver enfim o nosso amor. Francisco Manuel Neves Jordão Luxemburgo

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 9 «Tribuna do Vate» Ventos de solidão (do baú) Abriste a janela e o vento entrou violando as cortinas de alva renda que te enfeitam a solidão... invadiu teu espaço, teu quarto prisão... tua cama ninho, esperança, quimera… a fronha mordaça que mordes na espera, a colcha o afago que abafa a paixão. Ávido e descarado beijou teu ventre, teu colo, teu corpo desnudo, afagou teus seios, tua pele veludo... e a virtude lhe deste como prenda. Fechaste a janela e o vento saiu... a lua se foi... a noite cobriu teu corpo suado, ardente, febril... o sono chegou e o sonho também em forma de estrela... lembrando-te alguém! Abgalvão – Fernão Ferro Nostalgia ESTE FRIO Da janela olho o campo que adormece… dum cacho d’uvas verdes, provo um bago, aspiro aquele odor que me entorpece e bebo a nostalgia dum só trago Olhei sobre a cidade adormecida As telas que a penumbra lhe recorta Nas horas em que a vida é menos vida E vive só dos sonhos que transporta Ao longe o grande colmo me parece, de velho, já vergado sobre o lago, recordo tempos idos e acontece ser menino, outra vez, num sonho vago Aqueles a que a alma dá guarida Os vivos... os que são já letra morta... Senti então na minha reflectida A parte que nos sonhos não tem porta A noite cai e agora a bruma tece com fios de cansaço e de saudade as rendas dos silêncios outonais Então eu preenchi meu pensamento Com mágoas que me deram desalento Um frio atravessou-me a alma nua Revejo o que da infância não se esquece apago o meu olhar... sufoco ais... e adormeço, à lareira, a minha idade. Fiquei um pouco mais, inerte, absorto Depois fui procurar algum conforto Mas noto que este frio continua. Albertino Galvão – Fernão Ferro Joaquim Sustelo - Odivelas Angústia Como é triste viver na incerteza de um sonho Como é triste esperar, com angustia, no tempo Como é triste sofrer a desilusão de um amor Como é triste calar a dor e o desespero Abgalvão (in palavras aladas) É quando a saudade me procura e a tristeza me encontra que melhor entendo a surdez das pedras... o silêncio do musgo quando pisado... e os suspiros mudos das urtigas na solidão dos montes! Abgalvão – Fernão Ferro NAS MARGENS Nas margens desse rio onde navegas Deixando o curso calmo do seu leito É onde nas loucuras tu te entregas Por culpa do amor que tens no peito E quem te visse assim nessas refregas Fazendo o que te sentes com direito Os longos devaneios, loucuras cegas Que fazem em gemidos louco efeito, Diria que perderas o juízo Sem ver nessa loucura o paraíso Que atingem os amantes fervorosos Também a água sobe... e quando inunda, A terra torna fértil, mais fecunda Os frutos amaduram mais gostosos. Joaquim Sustelo - Odivelas AMAR-TE À LUZ DA LUA Um dia eu hei-de amar-te à luz da Lua Sorvendo raios de prata no meu corpo... Em êxtase entrarei olhando, absorto, A tua silhueta curva... nua... Sob essa luz que desce e que flutua Iluminando suave o nosso porto, Eu hei-de amar-te até estar quase morto, Até que a minha força se dilua Hei-de jorrar em ti néctar e beijos E tu fonte de todos meus desejos Hás-de pedir-me em modos suplicantes, Que te ame sempre mais e de tal modo Que a Lua a nos beijar o tempo todo Fará jus ao seu nome... dos amantes. Joaquim Sustelo - Odevelas

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10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «Contos e Poemas» NÃO É FÁCIL e acontece a qualquer um, até no reino animal de 4 patas. Quando as mágoas roçam o inesquecível, nada há de melhor que afogá-las num copo de uísque do bar mais próximo. Que o diga o Jeremias. Depois de apanhar em flagrante a sua bela gata nas patas dianteiras de um siamês, outra saída não teve que entrar no bar mais próximo. Conta quem viu, que na manhã seguinte o Jeremias saiu de uma casa que não a sua, com a Geraldina a acenar o adeus do telhado da mesma. Coisas de gatos! Que também podem acontecer a homens! Joaquim Figueiredo - Seixal "Corri... e não vivi" Queria parar um instante para poder pensar, mas nem isso me apetece, porque se ponho a pensar dou em doida e não queria, relembrar coisas antigas e fazer reflexões que embora com muito nexo e com algum realismo me avivem a memória e me façam perder na história, daquilo que já passou e aonde agora estou. Vivi já o passado e no presente aqui estou, do futuro sei somente que poderei já não estar, mas poderei vos dizer que não tenho ansiedade por o querer conhecer, pois se for para sofrer o melhor é nem saber com o que vou lidar. Porque vivo intensamente... e corro demais... Queria que entrasses dentro do meu coração para sentires seu pulsar, e dentro dele ficar e não saíres tão depressa para o analisar. Queria acalmar a saudade, acreditar que é verdade, mas não paro de pensar, que afinal no meu mundo, sou eu só a amar. Queria tanto, mas talvez não queira nada, porque de pedir tanto agora já não quero nada. Queria ser pássaro e voar para bem longe daqui, para o mundo diferente, ter o céu como tecto, ter as nuvens como chão e um coração como colchão. Hoje, a solidão bateu forte, e percebi que nada tenho. Tenho apenas um corpo e nada mais, que deambula na estrada da vida, onde o pouco é muito e o muito não é nada. Preciso de pouco, e do pouco que tenho, até isso nem sequer tenho. O nada que tenho é ouro, e de muito tenho amor, que é sem sombra de dúvida o melhor e maior tesouro. Nem tão pouco consigo reagir, nem à verdade ou mentira, nem consigo distinguir onde começa e acaba e nem sequer ouvir, porque não quero pensar como vou reagir. Vou caminhando por trilhos de um caminho que não sei onde irão dar!. Mas de certeza que quando chegar ao final dessa da jornada, eu vou estar descansada, porque não ouvirei mais nada, o sofrimento acabará e eu já cá não estarei para poder questionar, o que andei a fazer todo o tempo que por cá andei. E ao descansar um dia, para lá eu seguirei, devagar sem grande pressa eu lá também chegarei, pois todos vão esperar, porque sabem que eu corri e que nem sequer vivi. E quando bater à porta, ela se abrirá devagar, já que não tenho pressa e correr eu já não vou, porque ainda estou exausta de tanto andar a correr, sem tempo para viver, que agora aqui só quero descansar. "E um anjo perguntou-me, quem és tu?" Eu respondi: "Sou eu, aquela que correu, mas não viveu." Rita Celorico - Tavira/Amora MUDANÇA Chega sempre, na vida de toda a gente, aquele momento de olhar o seu interior e optar por uma mudança. Mudança para deitar fora, da cabana das emoções, todos os trastes acumulados como relíquias. Refazer tudo. Novinho. Abrir as janelas e espreitar as estrelas. Escancarar as portas e dar as boas vindas a novas oportunidades. Deitar, para bem longe, todo o rasquido de acumulação de sonhos terminados; de tentativas fracassadas; de projetos inacabados… Deitar fora, todos os trastes derrubadores de pontes onde a alegria passeava de olhos flamejantes, de mãos prenhes e de coração a melodiar acordes. Fechar o relicário do jardim do coração, a quem a oferta de uma flor, pelo seu perfume, não inebriava; nem a beleza das pétalas aveludadas, deslumbrava… Filomena Gomes Camacho - Londres

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A noite na cidade Cai o Sol no horizonte Num arrebol de encanto. Por de trás daquele monte A noite estende o seu manto. Numa esquina sem luz, Uma sombra passeando. Carrega a sua cruz Na noite que vai chegando. Cai a noite e um rufia, De cachecol ao pescoço. Diz um piropo à vadia, São sete cães a um osso. Um sem-abrigo que chega Sem ter local destinado. Vai preparando a enxerga Num desvão mais abrigado. Trinam de forma bizarra Numa viela perdida, As cordas duma guitarra Pela calçada puída. Pelos antros da cidade, Ouve-se uma voz melada. Ao compasso da saudade Com sua voz já cansada. Vem nascendo a alvorada, E os pregões das varinas. Já soam na madrugada Mais os pregões dos ardinas. Nos palacetes dos nobres, Os senhores da realeza. Esbanjam uns tantos cobres Sem se lembrar da pobreza. Enquanto a noite morria Um novo dia acordava, Nas asas da poesia A cidade dormitava. Arménio Correia - Seixal Trova a Santarém. As verdades são contadas Por aqui vão mais além Visam mouras encantadas No Castelo de Santarém Pinhal Dias - Amora Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «BOCAGE» 11 Aos 78 anos – um desejo RISCO ULTRAPASSADO Mil novecentos e quarenta foi o ano em que nasci, num dia de julho muito quente!... Estou, não sei se a subir, se a cair para os oitenta! Ao nascer, fui posto num berço em paus tecido, pousado na “pardinha” de xisto, duma casa sem registo!... Porque cresci, no meio de pobre, mas nobre gente, e depois de muito ter vivido... Aqui estou hoje, e por ora, até que me vá embora, a dar conta daquilo a que ainda me proponho!... Ter uma velhice linda, que permita realizar este meu sonho!... Poder conhecer gente nova e feliz que com toda a certeza seria para além de rica, muito sensível e prenhe de nobreza! O que sempre desejei ver no meu país! José Maria Caldeira Gonçalves Fernão Ferro O risco transporta o medo Ao ir em frente em segredo Todo o Amor é arriscado O Amor é o meu rochedo Que apaga todo o medo Do meu querer imaginado Travesso o medo aparece Quando o meu coração esquece Estar contigo a meu lado Mas logo desaparece Ao sentir que ele merece Ter o Amor tão desejado E ele bem reconhece Quando esse amor reaparece Sublime querendo amar Que o coração logo quebranta E a alma se levanta Para viver, rir e sonhar Este sentir de bem querer Por o Amor bem fazer E o risco ultrapassar Pois de tudo que é amado Do mais belo e sonhado Ele nos faz desejar O risco tem seu sabor Quanto mais forte ele for Mais valor se lhe dará Trazendo o amor distante De onde ele estiver errante Como sendo um maná A ALDEIA QUE ME VIU NASCER Numa aldeia, por detrás da serra, foi que eu nasci e vida comunguei. Essa que seria para sempre a Terra, aonde cresci, chorei, ri e namorei. Não há aldeia mais linda ao redor, Com seus jardins e ruas asseadas; E se dizem o contrário, é mal maior, Não conhecem as gentes ajuizadas, Que esta aldeia, da serra, viu nascer. E já adultos, humildes, trabalharem, Em prol da mesma, até o sol fenecer, Um novo amor para amar Desfaz o medo no ar Que se teve noutro tempo Que o passado assombrou Mas desse amor nada ficou Foi levado pelo vento E hoje ao reconhecer Que esse amor quero ter Comigo a toda a hora Pois de tudo o que tivera Não passa de uma quimera Do Amor que tenho agora Celeste Vieira - Vera Gladys Setúbal Por sobre a terra cultivada, dedicada aos deuses das searas, que a rezarem, Bons ventos colheram: gente cuidada. Jorge Humberto - P. Stª Iria Azoia

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12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «BOCAGE» SONHOS Recado Quando tiver um sonho, construa um altar: um espetacular altar de rua que lhe couber em sorte no ato de amar ainda que imperfeito à luz da Lua! Quando você sonhar, construa um caminho de saibro ou granito, pouco importa!, onde a Lua possível seja o linho dum telhado com janelas e uma porta! Não há sonho que dure eternamente, perdemos um-a-um, sem grande esforço, sorrimos à deriva pela mente que nos atrai o pólo ou o seu dorso. Sob o teu olhar vesgo De troglodita serôdio Oscila o valor que me atribuis, entre o floreado Da gravata que em mim não vês E a pálida brancura da minha nudez... E assim, valho Não pelo que sou, Mas sim, pelo que em mim vês. Carmindo de Carvalho - Suíça Abalada chocha e furada Somos fiéis ao amor pra nosso mérito porque nele encontramos o que é feérico... Efigênia Coutinho Mallemont – SC/BR Pressite: Doença Epidémica O Senhor Mundo, tropeça ? Não corra, tenha cuidado ! Para quê ter tanta pressa E viver tão stressado ? Para quê tanta correria ? Pare, tenha paciência... Então melhor não seria, Se trocasse de cadência ? Inda tenho de ir a Leça... Parto, ja estou atrasado. Perdemos todos a cabeça . Até eu estou stressado !!! Para longe abalou . Abalou à procura do ( El – Dourado ) O que encontrou Foi um vintém furado Num pau de sebo pendurado . Subia , escorregava e caía . Coitado , não sabia Que tal esforço não valia . Lá se iam os Mercedes ! Os tais carrões ! E também os casarões ! A árvore das patacas Que tanto sonhava E ansiosamente procurava Essa malvada não encontrava . Pouco a pouco foi - se conformando Com um pequeno E rangente rançoso carrito . Afinal sempre eram umas dúzias de cavalos ! Enfim ! Era melhor que um burrito . Carmindo de Carvalho - Suíça Hermilo Grave - Paivas/Amora Quadras soltas “Passas o dia sentado Sentado estás tão bem Não mereces o castigo Não fizeste mal a ninguém A vida é uma luta Corre e passa sem avisar Traiçoeiro é o mar No seu belo volutear Quando fede o odor Abutres pairam ao redor A inveja é coisa feita Não sustém a dor Rugas da alma se escondem Bem dentro do coração Água limpa mata a sede Não mata a corrupção O poder tem cheiro fino Aguça a avidez Sonhas alto cantas alto O que és tu mais que um maltês Julgas o teu semelhante À tua imagem, ao teu feitio Vem junta-te aos indigentes Faço-te esse desafio Sempre que vais à igreja Te curvas perante o altar Desprezas o teu semelhante Desvias o teu olhar Olhar a pobreza arrepia A sarna coceira dá Anda tudo como quer Sem rumo ao deus dará.” Teresa Primo - Lisboa As mensagens que nos abraçam. Assim sentimos lágrimas, ânsias e alegrias mais perto de nós. Um mundo inteiro que nos inunda. Mensagens em papel, escritas por mãos que são ausências. Chegam de vários modos. Chegam de vários mundos, lugares esquecidos, mundos perdidos. Há coisas que nos são entregues por gente que se torna invisível na hora da entrega. Há papéis que passaram por tantas mãos que se acaba por perder qualquer sinal do remetente. Há garrafas que atravessam mares com uma mensagem dentro. Notícias do nunca acontecido. Estou a falar de um tempo em que a caligrafia, o papel e a força do aparo falavam. Uma lágrima que arrastava uma palavra. A mão trémula que complicava a escrita. A emoção. Vou esperar pela próxima mensagem. Jorge C Ferreira – Parede/Lisboa Estio no fim Estio chegou ao fim O teu sol já pouco brilha, Chamas o outono para mim Ainda assim és maravilha. Das árvores soltam-se folhas Que na passagem são pisadas, Pelo vento são varridas Outras ainda arrancadas. Já se sentem os sintomas Do fim deste belo Estio, Banhos que já não tomas Nas águas deste rio! Damásia Pestana - Fernão Ferro

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «BOCAGE» ANIVERSÁRIO – CONFRADES DA POESIA e RÁDIO CONFRADES Confrades da Poesia – Fundação - 1/8/2008 Rádio Confrades da Poesia – Fundação – 28/4/2017 13 Dia 25 de Novembro de 2018 “Restaurante “O Cristino” – Amora (Local: junto ao campo do Amora Futebol Clube) Transporte: Carreiras da TST 195 e 108 + Fertagus Almoço – 12h - das 13,30h às 16h – Poesia e Fado à Capela Confere a cada Confrade um Diploma de Consagração: Autor; Poeta e Colaborador Ementa Entradas: Salgados / queijo / pão Refeição: Grelhadas mistas de porco com batata frita, arroz e salada Ou Bacalhau à lagareiro Bebidas: Vinhos da casa (branco, verde ou tinto) Cerveja Águas Refrigerantes Sobremesa: 1 por pessoa Café Valor:15€ por pessoa Faça a sua reserva! Esperamos por si! Traga consigo um amigo! CAIR DE PÉ “Mãezita, quando caio, procuro sempre cair de pé” – disse-me, minha sobrinha, numa conversa. “Cair de pé!?” Já ouvi muita gente dizer que caiu: de cabeça, de joelhos, de “bunda” …mas cair de pé!? Bem! Para se cair de pé terá que ser de um grande obstáculo, como fazem os “parkouristas”, malabaristas ou então pessoas como a minha sobrinha. Não, ela não pratica Le Parkour nem malabarismo. Pratica a técnica da resiliência e da vontade de vencer! Apenas uma pequena abordagem ao Le Parkour, tema desportivo que, para muitos, se tornou uma filosofia de vida. Teve início em França, em 1980, e seu impulsionador foi David Belle. Belle cresceu admirando o pai nos exercícios de treinamento militar e de educação física. Fascinado por estes métodos, criou técnicas de movimentos corporais para a superação de obstáculos, incluído também, a esta modalidade, artes marciais. Le Parkour é uma habilidade que consiste na deslocação rápida de um obstáculo para outro como: pular muros, corrimões, rampas, árvores, prédios…usando apenas a agilidade e destreza do corpo na superação de limites. Minha sobrinha também usa a sua agilidade, a sua destreza…revestindo-se da mais veemente vontade, que lhe couraça, na superação dos procelosos e encapelados desafios do mar da vida. Quando tivermos de “cair de algum obstáculo” lembremo-nos de “cair de pé”, como fazem os que praticam a arte de Le Parkour ou a técnica da resiliência e vontade de vencer. Filomena Gomes Camacho - Londres

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14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 «POETAS DA NOSSA TERRA» Na taberna da menina Crisália na taberna da menina Crisália toca-se a música dos bandolins opressores e afins não calam a voz dos trovadores os poetas jamais se calarão. o delírio devassa a multidão cantam os fascistas em ritmo lento os símbolos dos ditadores e seus servidores os poetas cantam amor cantam os mortos e os loucos cantam os dias de sol o abismo os dias cinzentos da opressão não falamos aos anjos abraçamos a vida e as flores caídas ao primeiro vento suave é o silêncio que vem de perto e que lentamente se ouve ao mais pequeno acorde de um pensamento o medo não nos transcende nem a loucura nos faz crer que os poetas se calarão na taberna da menina Crisália toca-se a música dos bandolins cantam-se sonhos sabendo que a liberdade não tem fim Carlos Bondoso - Alcochete Solução p'ra Crise. Está na ponta da caneta De quem faz e nem prometa O limiar da pobreza Com os negócios da trêta Já não há no Planeta Alegria e pão na mesa Triste vida que tristeza Não olhares p'ra nós riqueza E trazeres a solução Com trabalho com certeza Que trazias fortaleza A qualquer pobre Nação Não te imponho condição Mas p´ra tua informação Quero que fiques a saber Se não ouvires quem tem razão Vás morrer na confusão E não me sabes entender No meu simples escrever Não me dou a conhecer Mas quero-te perguntar Porque vou empobrecer E mesmo já sem nada ter Ainda te vou pagar Não devia haver lugar Para quem anda a mandar Em nome da União Porque dá sem nada dar E continua a roubar Qualquer pobre "Geração". Silvais - Évora Mar Furioso De cima deste penhasco, Posso desafiar o mar! Ele ruge furioso A meus pés. Ergo-me e ele, temeroso, Encolhe-se. Mas ei-lo que ataca. Enraivecido, Tenta vencer as escarpas Que nos separam. É estrondoso o fragor Das vagas de encontro Às duras, negras penedias Que, ao longo dos tempos Se vão desfazendo Vencidas pelas águas revoltas. O bruto avança, Erguendo seus temíveis Tentáculos. Um uivo ecoa! Uma blasfémia Ergue-se aos Céus... Depois... Tudo serena! Só a rocha fica a chorar Lágrimas acres de sal, Sem saber por que a colocou A Natureza Em luta perpétua Com o Mar. João Coelho dos Santos (Lisboa) Tributo (Dedicado à excelsa pintora e poetisa D. Helena Moleiro.) Amoras! ... De uma árvore enorme cuja copa nos escondia a mim e a Áurea Maria enquanto íamos enchendo a barriga! ficávamos com os bibes brancos pintados de preto... mas não havia problema conhecíamos o segredo: o sumo de amora verde tira o sumo de amora preta! Maria Petronilho - Almada Fez-se branco Fez-se branco O olhar Puro Do teu Corpo. Albino Moura - Almada São lindos certos enganos... E muita gente se esquece: Uma mulher não faz anos; Apenas amadurece ! E mais, ainda: Mesmo quando ela fenece, E sempre linda ! Hermilo Grave - Paivas/Amora

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Confrades da Poesia - Boletim Nr 103 - Novembro 2018 15 «Rádio» Fundada: a 28/04/2017 - Fundador: Pinhal Dias RÁDIO CONFRADES DA POESIA - 24 HORAS ONLINE GRELHA DE PROGRAMAÇÃO DEFINITIVA Dom. - 24 HORAS ONLINE 2ª F - 21/22h - "Voz e Musical" 3ª F - 21/22h - "Voz e Musical" 4ª F - 21/22h - "Voz e Musical" 5ª F - 21/22h - “Récitas dos Confrades” 6ª F - 22/23h - "Voz e Musical" RCP - Estatísticas das emissões 1ª arranque fase experimental de 17/4/2017 a 9/5/2017 s/estatística De 10/5/2017 a 29/9/18 Num total de 468 emissões Sábados e Domingos - DJ Automático 24 Horas Online Programas: b) – “Sujeita a Directos Especiais, com hora anunciar” Voz e Musical / Récitas .../... Locutor - Pinhal Dias Seja um dos nossos colaboradores/patrocinadores directos… Contribua para o nosso melhoramento da Rádio Confrades da Poesia 24 horas online, bem como os cinco Programas em Directo semanalmente… Programas: “Voz e Musical” - "Récitas dos Confrades" A Voz do Cancioneiro - OFF Ecos Musicais - OFF Onda Cristã - OFF Poesia para Todos - OFF SOS Musical - OFF Contribua http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/contribua Assine o nosso Livro de Visitas http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/livro-de-visitas ANIVERSÁRIO Links para ouvir a Rádio Confrades da Poesia http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/ http://tunein.com/radio/Radio-Confrades-da-Poesia-s292123/ http://www.radios.com.br/ao…/radio-confrades-da-poesia/47066 http://www.radioonline.com.pt/regiao/novo/… Em pareceria com Mensageiro da Poesia-Associação Cultural Poética Dia 21/10/2018 – (Domingo) - 15h Centro Cultural e Desportivo das Paivas Rua Rainha D. Leonor 2845-385 Amora Nota: Por email daremos mais detalhes aos nossos estimados Confrades...

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