Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio

 

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Bacia do Piracicaba - Outubro de 2018 - Edição 244 - Ano XXV

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Bacia do Piracicaba, Outubro de 2018 / Edição 244 – Ano XXV / Distribuição Dirigida Gratuita / Nas bancas: R$ 2,00 RIO DE LAMA Mais uma vez o Piracicaba é tomado por lama. Empresas negam problema, autoridades não atuam. Página 3 Preparando para a I Descida no Piracicaba Página 5 Aves do Piracicaba Canário Chapinha - O cantor do Brasil Página 8

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2Outubro de 2018 A sustentabilidade em nova sede Secretaria de Meio Ambiente tem novo endereço João Monlevade – Pensando em melhor atender a população, a Prefeitura de João Monlevade informa que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) está em nova sede em localização mais acessível. A nova sede foi transferida para a Rua Bernardino Brandão, 139 A - Bairro Rosário - Anexo ao prédio do CAT/SINE e conjugada num espaço educador sustentável. Em uma região próxima ao centro, mas não inserida ao mesmo, o novo endereço, próximo à Delegacia de Polícia Civil, oferece melhor acessibilidade aos que buscam a secretaria. Com forte apelo socioambiental a Secretaria apresenta o conceito de Vista do pátio da nova sede da Secretaria de Meio Ambiente de Monlevade preservação e conservação, por isso, tem a missão de fazer o público entender a importância do papel do cidadão na relação com seu habitat e seus espaços, ou seja, o meio ambiente. Sendo assim, a mobilização, urbanismo, a cidadania, educação, equilíbrio, inovação e muitos outros conceitos ligados a sustentabilidade serão temas pertinentes no incentivo e reconhecimento das ações e iniciativas ambientalmente responsáveis que visam replicar ao meio urbano. A SMMA ressalta o foco nas dicas ambientais – Projeto Pegada Ecológica, com informações ambientais sendo nosso dever, e direito de todos promover a sustentabilidade. Erosão em estradas rurais são uma tragédia ambiental Quando chega a época das chuvas a história se repete - estradas elameadas, população prejudicada e meio ambiente atingido Geral - O solo, patrimônio da Humanidade, se esvai na força das chuvaradas e as estradas rurais representam um grande vilão neste ponto. Agrônomos estimam que até 50% da perda de solos em certas regiões são provocadas pelas águas no leito das estradas rurais. Com montes de terra às beiras das estradas rurais, essas altas laterais impe- dem que as enxurradas se dispersem, canalizando-as sempre rumo à descida. Aqui mora o terrível problema. Quando naquele lugar surgiu a estrada, os veículos certa- mente passavam no mesmo nível da paisagem. Inexistiam os barrancos. A cada chuva, entretanto, forma-se um barreiro. Vem a máquina e aplaina o chão, retirando a terra solta. Passam os anos, o leito carroçável vai devagar se aprofundando, encaixando-se no terreno. A motoniveladora apenas penteia a estrada. Idéias conservacionistas, com ênfase na estrada rural, inspiraram especialistas a desenvolverem o programa “Melhor Caminho”. Um conjunto de técnicas de mecanização agrícola, com o objetivo de impedir que as estradas favoreçam a formação das enxurradas. O programa provoca uma pequena revolução na roça. Crianças deixam de perder aula na época das chuvas. Agricultores escoam sua safra sem medo do atoleiro. Prefeituras economizam na manutenção das estradas. Mananciais param de sofrer com o assoreamento. Enfim, um bom e melhor caminho a ser seguido. Para colocar em prática basta as prefeituras procurarem os parceiros certos – como a Emater, por exemplo. Expediente: • Diretor Responsável: Geraldo Magela Gonçalves • Comercial: dindao@bomdiaonline.com (31) 9 9965-4503 • Diagramação/Arte: Sérgio Henrique Braga • Impressão: Gráfica Bom Dia • Representante Comercial: Super Mídia Brasil - BH Redação e Administração Rua Lucindo Caldeira, nº 159, Sl. 301, Alvorada, CEP.: 35930-028 João Monlevade / MG / Brasil (31) 3851.3024 • A Voz do Rio Online: www.tribunadopiracicaba.com Circulação: Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba FUNDADO EM FEVEREIRO DE 1994 Razão Social : Geraldo Magela Gonçalves MEI CNPJ 27.776.573/0001-68 Inscrição Estadual : Isenta Inscrição Municipal 123470CNPJ.: 24538633/0001-16 Todos os Direitos Reservados dindao@bomdiaonline.com

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Com reincidências MP já promoveu estudo detectando responsáveis que negam participação e, sem punição, poluição continua 3Outubro de 2018 Mesmo sem chuva, o Piracicaba permanece tomado de lama O rio durante vários dias se apresentou com colocaração vermelho alaranjada sendo ´possível detectar a olho nu as condições de suas águas elameadas. Foto feita em João Monlevade. Geral - A população da Bacia do Piracicaba, principalmente os que vivem ao longo do rio e ou que tem contato, mesmo que visual, diariamente com ele, já perdeu a conta de quantas vezes o mesmo foi tomado por lama. Nas duas últimas semanas, após algumas chuvas espaçadas, o rio foi tomado por uma cor de lama de rejeito de minério, lembrando que, em 14 dias, apenas em 3 dias aconteceram precipitações elevadas, mas apesar disso o rio continuava, até o fechamento dessa edição, com parâmetros, perceptíveis a olho nú, acima do permitido pela legislação em se tratando de turbidez. Em contato com um engenheiro ambiental que preferiu não se identificar, o mesmo alegou que nem precisaria de testes para verificar a extrapolação dos limites de turbidez: “Isso é detectado a olho nú. Veja a situação, veja as margens marcadas pela lama? Precisamos sim de promover uma analise onde poderíamos verificar o índice, o quanto ele está acima do permitido e até o tipo de material que vem causando essa situação”, explicou. CBH Piracicaba A reportagem entrou em contato com o presidente do CBH Piracicaba, Flamínio Guerra, apresentando a situação. Segundo Flamínio ele já estaria a par do caso pois teria recebido outras denuncias sobre o episódio. O presidente se mostrou perplexo com a situação e disse que estaria fazendo contato com o Igam e ainda tentaria falar com o MP – Curadoria Ambiental. O CBH Piracicaba criou um Grupo de Trabalho justamente para acompanhar a situação do Piracicaba quanto a essas denuncias de lama no rio que vem ao longo dos anos poluindo o rio e causando indignação à população. O Grupo foi criado após o Ministério Público ter detectado responsabilidades das empresas Vale e Samarco pela poluição do rio. Segundo Flamínio, ele solicitaria ao GT Piracicaba um posicionamento sobre o episódio. Reincidência A desconfiança de que a coloração do rio, ora avermelhada, ora alaranjada, era causada por operações das mineradoras ao longo de seu curso foi confirmada após levantamento feito a pedido do Ministério Público de Minas Gerais. O Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (Nucam), após inúmeras denúncias, incluindo do CBH Piracicaba e da Cenibra, solicitou da Polícia Militar do Meio Ambiente uma fiscalização. Através do relatório de fiscalização nº 552016, foi detectado que o excesso de turbidez no rio Piracicaba, durante o trabalho, era originado nas operações da Samarco e Vale. A fiscalização foi efetuada por equipe especializada da Polícia Militar do Meio Ambiente composta pelo te- nente Marcelos Antônio Marques, os sargentos Pedro de Castro Filho e Valdecir Geraldo do Nascimento e o soldado Jaider da Silva Oliveira. As empresas, na época, mesmo diante as provas levantadas, simplesmente informaram que em determinados processos da atividade algum material pode ter sido carreado para o rio com as chuvas, mas que um rigoroso esquema de controle é utilizado sendo todo processo monitorado diuturnamente para que sejam tomadas medidas prévias a esses incidentes. Empresas respondem a nova denúncia Vale O Tribuna entrou em contato com a assessoria da mineradora Vale e a mesma enviou o seguinte posicionamento: “A Vale esclarece que todas as suas barragens se encontram em absoluta normalidade, fato comprovado pelo resultado de auditoria externa finalizada em setembro deste ano. A empresa também dispõe de análises físico-químicas dos pontos de monitoramento hídrico de suas estruturas e estas encontram-se em confor- midade com os parâmetros legais definidos pelos órgãos competentes”. Samarco Já a Mineradora Samarco, que trabalha contra o tempo para retornar com suas operações após a maior tragédia socioambiental do país sob sua responsabilidade, após ter recebido os questionamentos feito pelo Tribuna, solicitou prazo para verificar a situação, entretanto, até o fechamento desta edição a assessoria ainda não havia retornando, mesmo após findar o esse prazo. Felício Araújo e João Bosco, moradores de Rio Piracicaba, satirizam situação - “rir para não chorar”

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4Outubro de 2018 Câmara promove entregaMedalha “José Couto de Almeida” do Mérito Legislativo e Cidadania Honorária Em reunião solene realizada no dia 29 de setembro, dia de São Miguel, padroeiro de Rio Piracicaba, também data quando se comemora a fundação do Arraial de São Miguel do Piracicaba que deu origem à cidade, a Câmara promoveu entrega da Medalha do Mérito Legislativo “José Couto de Almeida”. O evento aconteceu no Salão de Festas da Associação dos Aposentados e contou com a presença de autoridades, convidados e familiares dos agraciados. Naquela ocasião foram agraciados com títulos de cidadania honorária Deusmira de Fátima Ribeiro, o delegado Alberto Gomes Vieira, Edwirge Auxiliadora Vieira, Frederico Fonseca Torres, Henrique Dias Barcelos e Sônia Aparecida Guedes de Freitas, pelos relevan- tes serviços prestados à comunidade rio piracicabense ao longo dos anos e que, apesar de terem nascido em outros municípios, escolheram Rio Piracicaba como sua terra. Já a Medalha do Mérito Legislativo, que é entregue a personalidades e instituições que, por categoria, desenvolvem trabalhos que contribuem com o desenvolvimento do município, sendo: Cultura - Maria Magna Atanásia; Direitos Humanos - Bazar Solidário; Educação - Mariluce Pessoa Cota de Figueiredo; Esporte - Raimundo Fernandes Anastácio; Filantropia e Assistência Social - Júlio César O Editor desse periódico, Dindão, foi condecorado com a Medalha do Mérito Legislativo na categoria Meio Ambiente Mendes Elias; Justiça Hermes da Fonseca; Militar e Segurança Pública - Sidney Eduardo da Paixão e Saúde - Leandro José Dias Gonçalves de Oliveira. O Editor desse periódico, Geraldo Magela Dindão Gonçalves, foi condecorado com a Medalha do Mérito Legislativo na categoria Meio Ambiente, diante seu trabalho voltado à preservação ambiental ao longo dos 24 anos que atua frente ao Tribuna do Piracicaba.

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5Outubro de 2018 I Descida No Piracicaba: Jornal inicia trabalho preparatório realizando a “Expedição Nascentes” O Tribuna do Piracicaba - A Voz do Rio com apoio do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba, realizará na Semana Nacional do Meio Ambiente de 2019, no período de 24 de maio a 04 de junho, a Expedição Pela Vida Do Rio - ‘I Descida No Piracicaba`, que percorrerá o rio com equipes de água em caiaques e equipes de terra, da nascente em Ouro Preto até sua foz em Ipatinga. A iniciativa tem o objetivo de mobilizar as cidades da bacia em prol da revitalização do Piracicaba e colher dados para fazer um comparativo com alguns parâmetros levantados pela Expedição Piracicaba 300 Anos Depois, realizada em 1999 e demonstrar que a situação da qualidade e quantidade das águas está cada vez mais ameaçada por ações antrópicas, advindas da ocupação desordenada, da mineração e outras atividades que colocam em risco a segurança hídrica da sua bacia, bem como a vitalidade de seu depositário, Rio Doce, que nunca precisou tanto de uma boa contribuição. O trecho de abrangência da ação, além de focar no rio em si, cobrirá também uma região que é caraterizada por ser uma zona de recarga fluvial fundamental para o Piracicaba e abriga significativos Encontro dos riachos Capivari e Capanema, formando o Rio Conceição Classe Especial aquíferos que contribuem diretamente para a manutenção do ciclo hídrico da região, como a RPPN Caraça e o recém criado Parque Nacional Serra da Gandarela. Expedição Nascentes Diante esse quadro, o Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, lançou, como ação preparatória, a Expedição Nascentes, que buscará justamente cobrir os nascedouros de tributários importantes dos afluentes do Piracicaba, como o Rio Conceição, Caraça, Una, entre tantos outros cursos d´água que merecem atenção por sua importante contribuição para manutenção do volume e qualidade das águas desse que é considerado o mais importante afluente do Rio Doce. A Expedição Nascentes já promoveu sua primei- ra investida, visitando o nascedouro do Rio Conceição, formado pela união dos córregos Capivari e Capanema – dentro do Parque Nacional Serra da Gandarela. Nessa primeira viagem, realizada nos dias 9, 10 e 11 de outubro, a equipe, formada pelos ambientalistas Carlos Eduardo Hosken, Djaine Ferreira e do editor do Tribuna, Geraldo Magela Dindão Gonçalves, subiu todo o trecho banhando pelo Rio Conceição, desde o encontro com o São João, passando por Brumal, o encontro com o Rio Caraça, registrando seus afluentes até seu nascedouro. Buscando ouvir moradores antigos das localidades ribeirinhas, a Expedição visa registrar a relação das comunidades com os rios e ainda buscar informações sobre as mudanças ocorridas ao longo do tempo. Capivari e Capanema A próxima etapa a Expedição Nascentes percorrerá o córrego Capivari e Capanema, até suas respectivas nascentes, registrando também seus tributários. Ao final des- se trabalho, a produção pretende desenvolver um relatório destacando as principais impressões registradas e os dados levantados, que farão parte do projeto Expedição Pela Vida Do Rio - ‘I Descida No Piracicaba`. AExpedição Nascentes é uma produção independente e até o momento conta apenas com o apoio dos jornais Bom Dia, Bom Dia Catas Altas, da revista Conheço Um Lugar, da agência Pé Pu Pé - Caminhos Legais. Contato para mais informações: dindao@bomdiaonline.com Imagens estão disponíveis no www.bomdiaonline.com

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6Outubro de 2018 Câmara aprova em primeiro turno projeto de proteção das águas Tarcísio Bertoldo, autor do projeto, agradeceu a compreensão dos colegas diante a grave situação hídrica em que a cidade, o estado é o pais atravessam Rio Piracicaba – Um projeto de iniciativa do presidente do legislativo piracicabense, vereador Tarcísio Bertoldo, que tem como objetivo, proteger as águas do município, basicamente trabalhando a proteção das nascentes, mananciais e depósitos de água, voltou ao plenário na última reunião ordinária daquela casa, realizada dia 24 de outubro. O projeto havia tramitado anteriormente, sen- do vetado pelo prefeito, quando na ocasião vereadores mantiveram o veto – derrubando o mesmo. Entretanto, passado algum tempo e atendendo o regimento da Casa, diante a reconsideração dos vereadores, o mesmo pode retornar para nova apreciação. Durante a discussão do projeto em plenário, mais uma vez o autor, vereador Tarcísio Bertoldo, defendeu a iniciativa, se mostrando preo- cupado com o futuro da qualidade e quantidade das águas do município. Já o vereador Valdeci Silva, que havia votado pelo arquivamento do projeto anteriormente, disse que, estudando melhor o projeto, percebeu que havia cometido um erro em não mantê-lo, pediu desculpas ao plenário e reforçou sobre a necessidade da aprovação do mesmo. Mesma linha seguiu o vereador Hugo Pessoa, que disse que além de aprova-lo, trabalhará para coloca-lo em prática, ressaltando que o município, diante sua arrecadação, tem plenas condições de implementar a execução do mesmo. Ao final das discussões o projeto aprovado em primeiro turno por unanimidade e retorna na próxima reunião para votação final. Recuperação da lagoa do Fidalgo O projeto em tramitação vem de encontro com uma indicação do vereador Hugo Pessoa, que solicitou do executivo municipal intervenção para recuperação da histórica lagoa do Fidalgo – uma represa dos anos 40 que durante muito tempo abasteceu a usina que produziu energia para a cidade. O projeto beneficia diretamente a causa quando em seu Art. 3º diz que “A proteção ambiental a que se refere esta Lei destina-se: II - no monitoramento e na preservação dos mananciais no tocante às nascentes, estoques e cursos d`água”. Vale destacar que a lagoa do Fidalgo, diante sua idade, já se configu- ra como um ecossistema próprio e principalmente um grande estoque de água, contribuindo para o equilíbrio hídrico daquela micro bacia que vem a ser um afluente do rio Piracicaba. PROJETO DE LEI N° 1.968, DE 18 DE OUTUBRO DE 2018 Dispõe sobre proteção ambiental de nascentes ‘de água no âmbito do Município de Rio Piracicaba e dá outras providências. Faço saber que a Câmara Municipal aprova e eu sanciono a seguinte Lei. Art. 1º. Esta Lei, respeitadas as competências da União e do Estado de Minas Gerais, dispõe sobre a proteção ambiental de nascentes de água no âmbito do Município de Rio Piracicaba. Art. 2º. Ficam reconhecidas como de interesse público, para fins de proteção ambiental, as nascentes de águas existentes no Município de Rio Piracicaba. Art. 3º. A proteção ambiental a que se refere esta Lei destina-se: I – Ao mapeamento e catalogação das nascentes; II - no monitoramento e na preservação dos mananciais no tocante às nascentes, estoques e cursos d`água; III - na proteção do ecossistema para manutenção do regime hidrológico; IV - no impedimento da proliferação de doenças que são causadas pelo uso de água contaminada; V - na melhoria das condições para recuperação e proteção da fauna e da flora existentes nas áreas dos mananciais; VI - na conservação e recuperação das margens quanto às florestas e demais formas de vegetação natural existentes nas nascentes dos rios; VII - no estímulo da melhoria da qualidade ambiental das áreas circunvizinhas aos mananciais; VIII - na compatibilização das ações de preservação dos mananciais de abastecimento e da proteção ao meio ambiente com o uso e ocupação do solo para atendimento ao desenvolvimento socioeconômico do município; IX - na promoção de gestão participativa, integrando setores da sociedade civil organizada com as diversas instâncias governamentais; XI - na integração dos programas e políticas habitacionais com as políticas de preservação do meio ambiente. Art. 4º É proibido nas áreas das nascentes: I – promover ações de desmatamento e degradação ambiental, aterro, desaterro, obstrução e outras que descaracterizem os ecossistemas locais sem as medidas compensatórias de recuperação exigidas; II – realizar obras que importem ameaça ao equilíbrio ecológico ou que atentem contra os objetivos referidos no artigo anterior; III – realizar obras de construção civil sem a devida medida de proteção ao ecossistema, mediante prévia autorização do órgão competente; IV – fazer uso de herbicidas ou produtos químicos ou realizar lançamento de efluentes sem o prévio tratamento. V - fazer confinamento de animais; VI - fazer depósito de qualquer espécie; VII - realizar poda ou queimada da vegetação existente; VIII - o pisoteamento por animais junto ao veio d`água. IX – Qualquer atividade agropecuária, horticultura que faça o uso do manancial sem outorga. Art. 5º Todas as nascentes e cursos d`água existentes no território do Município de Rio Piracicaba, em propriedades públicas ou privadas, serão cadastrados pelo Poder Público Municipal para fins de proteção e conservação, com vistas à garantia de suprimento de recursos hídricos para a população. Parágrafo único. Caberá ao Executivo Municipal, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias após a promulgação desta Lei, formular normas técnicas e estabelecer os padrões para cadastramento, preservação e melhoria das áreas onde se encontrarem as nascentes a que se refere esta Lei, das quais devem constar: I - o código e o nome atribuído à nascente d`água; II - o nome e o número de Registro de Imóveis da propriedade onde se encontra; III - o nome do titular da propriedade ou da posse, se for o caso, ou do explorador, na hipótese de parceria, arrendamento, locação ou qualquer forma de cessão de uso; IV - as características geográficas e demográficas do local; V - o tipo de solo e de vegetação existente no local; VI - a altitude da nascente; VII - o tipo de exploração econômica existente no local e nas adjacências. §1° O cadastramento será realizado pelo Poder Executivo Municipal, tanto nas áreas pertencentes ao Poder Público Municipal, como nas propriedades particulares. §2° Caberá ao Poder Público Municipal incumbir-se de implementar plano de comunicação, de forma a incentivar os proprietários particulares a prestar informações e participar de forma colaborativa quanto ao cadastramento de nascente ou curso d`água para efeitos de catalogação e registro. §3° Todos os custos relativos ao cadastramento serão suportados pelo Poder Público, vedada a atribuição de qualquer tipo de ônus financeiro ao cidadão. Art. 6º O Poder Público Municipal deverá promover programas de: I - proteção de nascentes e cursos de água, inclusive com o cercamento visando a sua proteção ; II - estimulo ao reflorestamento com espécies nativas, objetivando a proteção das áreas onde estão localizadas as nascentes. Parágrafo único. O Poder Público Municipal fica autorizado a desenvolver outros programas que atendam as finalidades previstas nesta Lei. Art. 7° Para fins do cumprimento do disposto nesta Lei, fica o Poder Executivo Municipal autorizado a realizar despesas em favor dos proprietários e/ou possuidores dos imóveis cadastradas nas forma do art. 5° desta Lei, especialmente aquelas relativas: I - a utilização de bens e equipamentos da administração municipal mediante cessão temporária; II - aquisição e distribuição de materiais e bens de consumo. Art. 8º. O Poder Executivo regulamentará a aplicação desta no prazo de 180 (cento e oitenta) dias. Art. 9°. A execução da presente Lei será executada à conta das dotações orçamentárias vinculadas à manutenção e preservação ambiental consignadas na respectiva Lei orçamentária do exercício financeiro em que for realizada. Art. 10. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Uma das beneficiadas com o projeto, a represa do Fidalgo, outrora formava um grande espelho d´água hoje totalmente assoreado Sala de Sessões, em 18 de outubro de 2018. TARCÍSIO BERTOLDO

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7Outubro de 2018 Três anos após tragédia da Samarco Rio Doce e população atingida ainda vivem cenário difícil Campus da univale, onde acontecerá o III Seminário Integrado do Rio Doce Geral – Nesses três anos após a maior tragédia socioambiental do Brasil, várias manifestações, encontros e debates serão realizados em novembro em Governador Valadares. Entre eles, está o III Seminário Integrado do Rio Doce, uma iniciativa da UNIVALE (Universidade do Vale do Rio Doce), com o apoio de várias universidades federais como UFMG, UFOP, UFV, UFJF, UFSC e do Fórum Permanente da Bacia do Rio Doce, que será realizado no dia 20 de novembro, no período da manhã, tarde e noite. Como nos anos anteriores o evento será realizado no Campus da UNIVALE, localizado às margens do Rio Doce, que, assim como parte da população, continua sofrendo ainda hoje os efeitos nefastos do desastre. A lama continua no fundo dos rios e do mar, a pesca proibida, a disposição final dos rejeitos e da lama ainda é desconhecida. A vida de milhares de pessoas ainda não voltou à normalidade como é o caso dos moradores das vilas de Bento Rodrigues e Paracatu, pescadores, população indígena Krenak, pequenos produtores rurais, comerciantes e donos de hotéis e pousadas no litoral capixaba, próximos da foz do Rio Doce. A programação do III Seminário Integrado do Rio Doce abrange atividades no período da manhã, tarde e noite. Na manhã do dia 20 de novembro, no Campus II da UNIVALE, se reunirão os professores/pesquisadores, doutorandos, mestrandos e graduandos da UNIVALE, UFJF e IFMG para discutir os trabalhos de pesquisa em andamento hoje na bacia do Rio Doce, da importância de se trabalhar em rede e em projetos de pesquisas de longo prazo e também a perspectiva de se criar uma Rede Interinstitucional de Pesquisa Socioambiental na região. Na parte da tarde, no salão da Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, ocorrerá uma roda de conversa sobre a situação atual do Rio e da população de seu entorno, com os representantes do Jornal A Sirene, de Mariana, com a participação do Fórum Permanente do Rio Doce e de representantes dos movimentos sociais e dos atingidos. Na parte da noite, no auditório do Campus I da Univale, no bairro Vila Bretas, acontecerá uma mesa redonda sobre o tema Avaliação dos três anos do desastre, cuja coordenação estará a cargo do Prof. André Rodrigues, do Curso de Direito – UNIVALE. A mesa redonda constará de duas partes : 1 - Abertura: Visão geral da atual situação socioambiental da bacia do rio Doce: Consultor Cláudio Guerra; 2 - Conferência: Análise do TAC - Governança – Promotor Público Leonardo Maia. Em seguida, a palavra estará aberta aos profissionais de diferentes áreas do conhecimento e de vários segmentos sociais para discutir como está sendo realizada a reabilitação da bacia do Rio Doce pela Fundação Renova (entidade criada e mantida pela SAMARCO, VALE e BHP); sobre o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC - Governança), recentemente assinado pelas empresas Samarco/Vale/BHP, e de suas implicações jurídicas, socioeconômicas e socioambientais. As conclusões e recomendações do Seminário serão reunidos na 2ª Declaração de Governador Valadares a ser elaborada pelos participantes e especialistas. A coordenação dos trabalhos do III Seminário Integrado Rio Doce está a cargo do Prof. Haruf Espíndola, da UNIVALE e do consultor ambiental Claudio Guerra, que, além de nativos da bacia do rio Doce, trabalharam ali com a questão socioambiental, nos últimos 25 anos.

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8Outubro de 2018 O cantor do Brasil – nosso Canário Chapinha Hoje vamos falar sobre um dos mais famosos cantores do Brasil, o canário-chapinha, também conhecido como canário-da-terra ou simplesmente canarinho. Seu nome científico, Sicalis flaveola, numa tradução literal, significa pequeno amarelo. No Brasil, o gênero Sicalis abarca quatro espécies. Duas delas ocorrem na bacia do Piracicaba, o chapinha e o canário-rasteiro (Sicalis citrina), que futuramente será alvo de nossa coluna. Devido ao seu canto forte e “estalado”, é uma das aves mais aprisionadas (está entre as dez espécies mais apreendidas pelo IBAMA), a despeito de tal prática se configurar crime inafiançável. Guiranheemgatu foi o nome que nossos indígenas deram ao chapinha e significa “pássaro de canto bom”. Bom e variado, diga-se de passagem. Nosso canarinho possui um canto que só emite de madrugada, bem extenso e “áspero”, e outro que funciona para atrair a fêmea, baixo e melodioso. Nosso cantor de ouro tem é repertório! Além do “gogó”, utiliza-se de outros meios para conquistar a fêmea. Quando tem uma pretendente por perto, nosso canarinho vai logo botando as asinhas de fora, levanta a cauda e a cabeça, e dá uma dançadinha. É o tchan puro! Até 2010 era considerado uma espécie vulnerável à extinção no estado de Minas Gerais, mas graças à ação fiscalizatória e à conscientização ambiental, não só saiu da lista de espécies ameaçadas, como se tornou bastante comum. Tavinho Moura, multiartista mineiro, com quem tive o imensurável prazer de fazer várias expedições por esse nosso maravilhoso país, em seu primeiro livro dedicado às aves, “Pássaros poemas - Aves na Pampulha” de 2012, versou sobre a recuperação desse passarinho que faz parte da vida de todos nós brasileiros: “canarinho chapinha / cabeça de fogo que amanheceu minha infância de dias e noites no mato / voltou ao presente” Bem amigos leitores, esperamos que nosso canarinho, famoso não só pelo seu canto, mas também por emprestar seu nome à nossa seleção, continue cada vez mais a embelezar a paisagem sonora das praças e quintais do nosso país. Para tanto lembremo-nos, passarinho na gaiola não canta, lamenta...

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