Confrades da Poesia102

 

Embed or link this publication

Description

Poesia Lusófona

Popular Pages


p. 1

Amora - Seixal - Setúbal - Portugal | Ano X | Boletim Mensal Nº 102 | Outubro 2018 CONFRADES DA POESIA www.confradesdapoesia.pt - Email: confradesdapoesia@gmail.com «JANELA ABERTA AO MUNDO LUSÓFONO/UNIVERSAL» SUMÁRIO EDITORIAL Capa: 1 A Voz do Poeta: 2 / Ecos Poéticos: 3 / Bocage: 4,11,12,13 / Rota Poética: 5 Cantinho dos Poetas 6 / Luz Poética: 7 / Faísca de Versos: 8 Tribuna do Vate: 9 / Contos e Poemas: 10 / Poetas da Nossa Terra: 14 / Rádio: 15 / Ponto Final: 16 O BOLETIM Mensal Online (PDF) denominado "Confrades da Poesia" foi fundado com a incumbência de instituir um Núcleo de Poetas, facultando aos (Confrades / Lusófonos) o ensejo dum convívio fraternal e poético. Pretendemos ser uma "Janela Aberta ao Mundo Lusófono e outros países “; explanando e dando a conhecer esta ARTE SUBLIME, que praticamos e gostamos de invocar aos quatro cantos do Mundo, apelando à Fraternidade e Paz Universal. Subsistimos pelos nossos próprios meios e sem fins lucrativos. Com isto pretendemos enaltecer a Poesia Lusófona, no acréscimo da Poesia Universal e difundir as obras dos nossos estimados Confrades que gentilmente aderiram ao projecto "ONLINE" deste Boletim. “Promovemos Paz” A Direcção «Este é o seu espaço cultural dedicado à poesia» Aniversários Para nós não existe concorrência. Existem parceiros de actividade! Tribuna do Vate …. página 9 Pág. Nr 15 Rádio Confrades da Poesia Nesta edição colaboraram 51 poetas Deixamos ao critério dos autores a adesão ou não ao “Novo Acordo ortográfico” FICHA TÉCNICA Boletim Mensal Online Propriedade: Pinhal Dias - Amora / Portugal | Revisão: Conceição Tomé A Direção: Pinhal Dias - Fundador Colaboradores: Albertino Galvão | Albino Moura | Alfredo Mendes | Anabela Dias | Arménio Correia | Artur Gomes | Carlos Alberto Varela | Carlos Bondoso | Celeste Vieira | Chico Bento | CMO | Conceição Tomé | Damásia Pestana | David Lopes | Felismina Costa | Filipe Papança | Filomena Camacho | Francisco Jordão | Helena Moleiro | Hermilo Grave | João C. dos Santos | João da Palma | Joaquim Sustelo | Jorge Humberto | José Branquinho | José Carlos Primaz | José Jacinto | José Maria Caldeira Gonçalves | José Silva | Luís Eusébio | Luís Fernandes | Luiz Poeta | Magui | Maria Petronilho | Maria Procópio | Mário Pão-Mole | Mário J. Pinheiro | Miraldino de Carvalho | Maria V. Afonso | Nelson Fontes | Nogueira Pardal / Paulo Taful / Pinhal Dias / Quim D’Abreu | Rita Celorico | Rosélia Martins / Santos Zoio | Silvais | Teresa Primo | Tito Olívio | Vitalino Pinhal

[close]

p. 2

2 Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «A Voz do Poeta» DIZES QUE ME AMAS Tu dizes que me queres. Acredito, Pois toda a tempestade tem bonança. Depois da discussão, com berro e grito, A paz, entre nós, sempre se alcança. Tu dizes que me queres. Eu medito Na beleza que dava a tua trança À cara diferente que ora fito. Passou o tempo e já não és criança. Não importa a beleza ir-se embora, Se não mudar o nosso interior E a vida se viver de forma intensa. Quem ama é feliz a toda a hora E temos de lutar pelo melhor, Que a vida é mais fugaz do que se pensa. Tito Olívio - Faro OS MARES O mar, sempre o mar na minha vida, A cor, o som, a cambraia da espuma, A miragem da sereia adormecida, O beijo das gaivotas uma a uma. O mar, sempre o mistério que me abraça E me tortura e me mata e faz viver E me protege e me beija e me ameaça E nas noites de luar me faz sofrer. O mar, lembra-me o mar da minha infância, O mar dos trigais, alentejano, Das moças a mondar a elegância, Das papoilas da cor do sangue humano. Aquele enorme mar da primavera Que ondeava ao vento fresco e brando, Aquele mar sem água, só quimera, Onde apenas em sonho vou nadando. São mesmo dois os mares que aqui vos canto, Diferentes mas iguais em quem os sente, Em quem sabe viver o seu encanto Em quem, afinal, sabe ser gente. Anoiteceu, na penumbra do meu quarto Aonde escrevo os versos que vos dou Nos sonhos que só sonho quando parto Nas asas do poeta que não sou. Nogueira Pardal - Verdizela ENIGMA Na minuciosidade da nossa mente Se sobe nos escaleres da consciência Onde cada indivíduo é um sarcófago Lotado pelo que sabe e pensa O poder está na mente É aí que se travam todas as batalhas No paradoxo da existência Se apuram e descortinam todas as falhas A mente, degenerescência Divina Entulhada de ideias em fundamento Fazem ricochete, vagueando nesta Servindo de bálsamo ou tormento Você sonha e sente E fica preplexo diante da inutilidade E tenta aparecer, fazendo frente à sorte Saindo do anonimato da vulgaridade As lutas do eu inteligente Do frenético ser sempre descontente Procurando algo incessantemente Para não se sentir impotente A nossa mente, toda ela encerra Um lampejo de esperança como elixir Correnteza de pensamentos e emoções Até quando o ser humano existir Celeste Vieira - Vera Gladys - Setúbal Paz e Quietude Como é belo o mundo visto assim Destes montes voltados ao poente, Onde toda a natureza circundante Traz a presença de Deus, junto a mim. Tuto aquilo que toco e me rodeia, Pertence ao meu extasiado olhar, O tempo ocioso que não quer passar E o vento que os cabelos despenteia. Sinto todos os poros a dilatar, Um ar puro, fragrante para respirar, Abraçando toda esta magnitude. Asas a revoar, evocam a liberdade, De viver abundante felicidade, Absorvida nesta Paz e Quietude! São Tomé - Corroios CÁ LONGE DE TI 1 Sinto ao recordar-te vontade de chorar p'ra depois dizer meu tão doce lar 2 Pois foi a chorar que um dia eu parti e digo onde estou cá longe de ti 3 Vou prometendo que hei-de voltar por ti minha terra eu vivo a sonhar Refrão Olá minha terra meu tão doce lar cá longe de ti eu venho a sonhar Tenho as recordações que o meu peito encerra e assim vou dizendo olá minha terra. Chico Bento Dällikon - Zurique - Suiça MEDITAÇÕES Desta vida se leva Encantos Desencantos Um beijar Ao luar!... Desta vida se leva O sol a dominar Amor traição Amor do coração P’ra se recordar!... Desta vida se leva Um caminho A percorrer Sozinho Sem nada para ver!... Desta vida se leva Persistência Paciência Para se lembrar Lindo amar!... Carlos Alberto Varela Paços de Brandão

[close]

p. 3

Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «Ecos Poéticos» 3 Anoitecer Anoitecer da Vida, não do dia Já que quis crer na eterna juventude Porém são de tristeza e nostalgia Momentos vagos a que a mente alude. Por caminhos rotineiros eu seguia Rumo ao futuro com muita atitude Meu percurso era de sonhos e magia Impulsos com a que a vida nos ilude. Despiciendos foram inócuos intentos Arrastada por não sensatos ventos Caí em mim .Topei minha ilusão. De mãos vazias espero o meu Fim Queria mesmo tão só fugir de mim Ou dar à vida uma outra construção Maria Vitória Afonso - Cruz de Pau LUSO...BRASIL…ÂNSIAS CANTO LUSO-BRASILEIRO Tu me navegas, Portugal, se te imagino Com tuas velas enfunadas, desbravando O meu silêncio de poeta e de menino Que rumo às terras do Brasil e te viu chegando. E nessa lírica e sutil sinestesia Que se dilui na minha sensibilidade, Sinto o contato desta mesma escuma fria Que os teus sentiram ao tocar-nos de verdade... Cerro meus olhos, tuas naus trazem, primeiro, Além de cada tripulante aventureiro, A tua língua emocional... filha do fado... E o meu canto... português... e brasileiro Passa a fluir, guiado por um timoneiro: Nosso idioma derradeiro... e apaixonado. Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros RJ/BR Instantes do Tempo A vida é a distância que vai do útero ao túmulo, Só tu podes escolher o teu caminho para lá chegar. Dois pássaros azuis abrem as asas da poesia. Sobre um mundo perverso, à espera de melhorar! São Tomé - Corroios - Corroios “MIL IMPERFEIÇÕES” O que haverá p’ralém desta fraqueza Terrestre, enganadora e desumana, Que faz enriquecer qualquer sacana… Deixando o mais humilde sem defesa? Que leis espirituais e sem beleza, Espalhadas neste mundo, nos engana, Que fazem tudo o que lhes dá na gana… Os ricos, opulência e realeza!? Que doutrinas são estas no planeta Que não acerta aqui, nenhum profeta Nem se fazem valer justos direitos? Há mil religiões p’la negação… Faça-se apenas uma, em perfeição! Que a terra é inundada de imperfeitos! João da Palma - Portimão MENTIROSA! E, sim! Amei! Verdadeiramente Amei! E fizemos um Mundo só nosso, inteiramente só nosso… e fecundo!… Oito anos; prontamente se passaram (um segundo mais e, eloquentemente, saberiam o quanto tudo foi infecundo). Te fiz poetisa - “Reconhecida”! Nos meandros da ‘Arte amanhecida’… E lembro-me que sorrias Menos eu, que levava a vida iludido com a justiça indevida, Enquanto tu me mentias. PRAIA Era um dia de Sol Caminhando na areia Olhava o horizonte... Dava pequenas passadas Sobre a fresca água do mar !... Barcos a vela ... e de pesca ... Gaivotas esvoaçavam ... Dia calmo sereno ... Alguns banhistas Crianças brincando !... Pensamentos... Desejos ...Sonhos !... Na areia muitas pernas Horizontalmente ... Torrando e descansando !... “ Num olhar mais atento “... Entre elas... as tuas !... Sem saber ... E num querer ...silencioso ... Na força do pensamento ... Surgias como encantamento ... Fascinas-me sempre !... Um porquê ?...Uma Razão ?... Não sei que dizer ... Sei que na simples Praia !... Onde o Sol Brilha ... A Areia queima ... A água me refresca ... Respiro Natureza!... Tudo é Poesia ... E TU estás ali !... Sem saberes ... No meio de tanta gente Fazendo companhia !... Nesta linda Praia ... Onde o destino Nos Unia !... MAGUI - Sesimbra Jorge Humberto - Santa-Iria-da-Azóia Destino Estava o destino marcado Entre o sul e o norte, No País do velho fado, O meu amor foi mais forte!... Sou tábua rasa, sou fado, verso sem métrica e rima dum poema inacabado com mania de obra prima! Abgalvão – Fernão Ferro Por uma bela donzela, Que fez da minha vida: Uma raríssima vela, Que se mantém acesa ainda. Este nosso confrade PINHAL é das pessoas, Que se vê o JOLI está bem, tem todas c’roas, Pra viver bem, assim na linda baia d’AMORA! Luís Fernandes - Amora Nelson Fontes Carvalho – Belverde / Amora

[close]

p. 4

4 Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «BOCAGE» ILUMINADOS gela-me de medo a clarividência dos iluminados que deleitam em gabinetes um riso intenso frios como os números folgam em júbilo e correm incessantes numa agitação cruel e constante como o vento da desgraça e da ruína sugando o sangue e o suor à criação divina o povo clama no seu pensar a quem serve este destino num céu sombrio e frio onde o amanhecer tem tantas impurezas que as flores já não dão fruto e os pássaros trinam baixinho Carlos Bondoso (CFBB) Lisboa Nascido no Zambujal sou da família Pinhal e tenho orgulho de o ser eu nasci para morrer é o meu destino fatal Não creio que seja ainda amo a minha vila Sesimbra. e estou cá para durar o meu desporto é dançar mesmo que seja música pimba Cedo fui para as pedreiras moldar a pedra dura foi uma vida de tortura mas sem tempo para asneiras só ao domingo era a loucura Após longos anos fora voltei novamente agora onde estão minhas raízes passo momentos felizes e que a minha alma adora. Vitalino Pinhal - Sesimbra A Vida está começando A vida está começando aos poucos dentro de mim com os pedaços sobrando chegarei um dia ao fim A vida está começando naquele belo jardim o vento chega soprando fazendo bailado afim A saudade vai entrando aos poucos dentro de mim como as folhas amarelando caindo no meu jardim Dos ramos que vão secando fica um chão de marfim com os pedaços sobrando as aves fazem festim Entre os ramos deslizando o meu corpo de jasmim meu ser se vai quebrando chegarei um dia ao fim Rosélia M G Martins P. Stº Adrião Rios da minha vida No encontro de dois turbulentos rios, Entre pontes e margens escarpadas, A quem todos fazem rasgados elogios, Erguem-se vinhas, por socalcos amparadas. Enquanto a luz do sol incidia sobre os montes, Eu sonhava com outras pontes, com outros rios, Com outros destinos, com outros horizontes. Dos sonhos fiz um navio, para chegar ao mar, E do mar um desafio para nele navegar. A terra longínqua que desejava alcançar, Abriu-me os braços e fez-se vermelha de paixão Arrebatando para sempre o meu coração! Conceição Tomé - Corroios- Portugal. (Alentejo) Hei-de cantar-te meu berço e pão. Meu alimento de olhos e alma. Hei-de adorar-te! Enquanto a força me permitir, Enquanto a voz não desistir, De gritar teu nome… Formoso chão! Felismina Costa - Agualva Homem Mulher O homem é o cume da montanha A mulher a ladeira O cume é o término A ladeira o manto florido que envolve a montanha. O homem é a estrela A mulher a luz que rutila A estrela ilumina A luz fulgura. O homem tem a força no poder A mulher tem o poder na fé O homem concretiza sonhos A mulher é feita dos pedacinhos com que os sonhos são bordados. Filomena Gomes Camacho - Londres “OS PALMAS/GRUPO” Há Palmas em todo o lado, Mas neste Face, profundo… Há o grupo organizado, Com os melhores do mundo! * Viva os Palmas! (JP) João da Palma

[close]

p. 5

Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «Rota Poética» 5 Não sei? “Não sei quem sou, ao que vim ou para onde vou? Serei apenas substância, terei alma coração enfim? Palavra deserta, fruto maduro, folhas caindo em mim. Pesam-me as palavras, pesa-me o corpo. Respirar ofegante na desilusão, terra madura sem chão. Sopro de ar, leve bruma, amanhecer das manhãs na noite escura. Inquieta no caminhar, desiludida no andar. Grito aflito sem ouvidos, os ecos pairam no ar sem sentido. É grande o cansaço deste grito sem retorno Até quando minha voz sustentará o ruído? Voz que chama, voz que fala sem perceber. Caminhos errantes, sinuosos na confusão da multidão.” Teresa Primo - Lisboa Gente de má-fé Depois de ardida a floresta, Esses execráveis indivíduos, De ganância desmedida, Vão usando subterfúgios Para roubos incríveis. Sinto o meu coração ferido E arde como labaredas… Gente, nobre e sensível Disponibilizam a sua ajuda! Porém, os energúmenos Aproveitam-se dos donativos. E à socapa… vão construindo Com o dinheiro do vizinho Que vive na rua, Muito pobre, sozinho! Levou a vida inteira, A construir o seu ninho. Para gente de má- fé Se Interpor no seu caminho. Os políticos no entanto… Comem na mesma Tigela Esquecendo-se que ao morrer Todos ficam sem ela! Damásia Pestana - Fernão Ferro Vulcão Tenho um vulcão Entre o pensar e o coração, Que se reacendeu e entrou em erupção. Assim nasceu mais um poema de lava, Poema que não é de liberdade Ao longo de toda uma vida! Mas ela há tanta proibida. João Coelho dos Santos - Lisboa ALUCINAÇÃO Ouvi teus passos no vento Em movimento suspenso; Ecos do meu pensamento Nos trilhos onde me adenso. Era o som de um movimento Provindo do espaço imenso; Era num tempo sem tempo Prá minha alma um incenso. E num êxtase profundo Mergulhei num outro mundo, Horizontes de lonjura... Ante o frémito suave Rodei pela porta a chave E fui à tua procura. Joaquim Sustelo - Odivelas Que brilhe o Sol! Sorri o sol lá no alto do céu azul e sereno entretanto o brando outono em flores azuis desceu com beijos inesperados meus pés descalços beijou e aos ombros desabrigados num frio manto envolveu. Ao enlaçar-me em seus braços do verão me apartou e ia eu divagando na cálida fascinação sem perceber que findou! Sereno e doce o outono despertou-me do meu sonho com seus beijos me lembrou. Maria Petronilho - Almada Dia Feliz Hoje e Amanhã Também. Se não fosse Ela, Se não fossem Elas, Não seríamos. Este dia só devia anoitecer no infinito. E mesmo assim…só Ela não ia desistir. Porque sim, só Elas Nos fazem correr tanto… E às vezes, em troca, não Lhes damos alegria, mas pranto... E resistem e…que maravilhosas sois, com vosso eterno encanto, Mulheres da minha Vida de quem gosto tanto. Um beijinho. José Jacinto – Casal do Marco Devo Ir Se me apetecer ir correr Pelos campos fora. Sugando sonhos, vertendo sorrisos, Devo ir, sem cuidar saber Se pode haver lugar para provar sabor justo de juízos. Quim d’Abreu - Almada SONETO INCONVENIENTE Um dia, não sei quando, qualquer dia, Vou arrancar o poema das entranhas, Erradicar de vez as dores tamanhas Que matam o poeta que não cria, Mas poeta que acredita e que porfia (Poema não se escreve com artimanhas, Versos não são panfletos de campanhas) Encontrar sua carta de alforria, Açoitar o mundo em que vivemos, Talvez melhor, o mundo em que morremos, Roubados pelos que dizem ser senhores. Não é poema, é grito de revolta, Talvez a raiva surda que se solta! Sonetos não são só versos de amores. Nogueira Pardal - Verdizela

[close]

p. 6

6 Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «Cantinho dos Poetas» O QUE DIRÃO? O que é que irão dizer Deste humilde poeta? Nunca chegou a estudar Da poesia, a cartilha… Desde a simples redondilha, Apenas quis versejar… Tomou-lhe o gosto em rimar E explorar esta faceta… Pegou então na caneta Com humildade a escrever, O que é que irão dizer Deste humilde poeta? João da Palma - Portimão A CRIAÇÃO O homem é o modelo das criaturas A mulher a obra prima O homem lidera A mulher apazigua. A liderança comanda A paz ameniza O homem domina A mulher condescende. O domínio subjuga A condescendência tolera O homem é um ser criativo A mulher é a criação. A criatividade inventa A criação gera existência. Filomena Gomes Camacho - Londres A Cebola Em tuas mãos, me olhares Tal qual eu fora cebola Indolente me descascares E chorares como uma tola. Amares o âmago do ser Por ser não mais do que é E só de ternura verter Lágrimas preenches de fé. Cometeres pecado fatal, De me olhares todo nú, E desnuda e divinal Minha cebola seres tu, Alma errante Não há batalha perdida, Nem tempo mal-empregado. Quando vencemos na vida O proposto é alcançado. Minha alma anda errante Com ela não me avenho. Sou um triste viandante De tanto ter, nada tenho. Olho através da vidraça A fome, que nos consome. Na branda brisa que passa A fome, que ninguém come. Neste meu palco de sonho A vida passa alheada. Por vezes até suponho Que a morte foi enganada. Sonhando o homem percorre, O seu sonho acordado. “Só acorda quando morre, Desse seu sonho dourado”. Arménio Correia - Seixal 1º DIA DE ESCOLA Hoje, numa terra de lá, no Canadá, começou a escola como cá. Neste dia iniciaram a caminhada de estudo, minha netinha e netinho com 4 anos e meio e sem banda desenhada, nem deixar da Mãe o seio, mas com alegria e caderninho já levam lápis e mochila e borracha e afia e esperam na fila para entrar na aula… como se fosse mais um passeio… e Mãe e Pai já ensinaram até a dizer um, dois, três… em inglês. Que toda a vossa aprendizagem seguinte seja abençoada e que o Evereste vejam em baixo, no final da vossa escalada. E isto também desejo para todos os netos e netas de todos Avô Zé Luís Eusébio - Londres José Jacinto – Casal do Marco De Noite Ao Luar Será mito, ou vocação? Dar vida a muitas flores, Dar sorte aos amores: Oh Lua! És inspiração. Poeta em qualquer idade Maduro ou na mocidade Lhe falas ao coração. Hoje digo com verdade; O quanto sinto a saudade Dos tempos que já lá vão. Na lua nova vejo a meninice. Quarto crescente a juventude. Na lua cheia a atitude; Seja homem ou mulher A conseguir o que quer. Marcando a existência. E logo vem a decadência Com o quarto minguante, Eis que chegou a velhice; Passou a vida: num instante. Maria de Jesus Procópio Paivas/Amora O verdadeiro amigo Compreende a amizade Revela aqui, e acolá… Não desprezes a verdade Aonde esse amigo está! Até pode não estar Agora, como te digo! Certamente vai voltar Estará sempre contigo! João da Palma - Portimão Perdoou... não guardo rancor mas esquecer eu não posso tenho um coração feito de amor por eles rezo um pai nosso. Vitalino Pinhal - Sesimbra

[close]

p. 7

AS VINDIMAS Pisam as uvas com esforço E todos bem alinhados É preciso é que os cachos Fiquem todos bem pisados Não é tarefa fácil Mas feita com alegria Todos já têm experiência Este é o seu dia a dia Vão cantando lado a lado Mais um ciclo se completa Tudo rima e continuam Para alcançar a meta A meta é sempre a mesma De um bom vinho fazer Vão dizendo uns aos outros Quem o faz tem que o beber Quando tudo está terminado Música, foguetes e festa Todos se congratulam Pro ano há mais como esta Mais umas se acabaram Pro ano há-de haver mais Todos cooperam na mesma Filhos, netos, tios e pais E passando esta fase Nada fica pelo caminho Tudo está feito e preparado Vem à adega e prova o vinho O vinho famoso néctar Das altas terras do Douro Que muitos deste bem gostam Desta terra é o tesouro Com bom vinho à nossa mesa E belo repasto na ementa É uma coisa preciosa Que o garçon recomenda Pisar uvas não é fácil Também tem a sua técnica O vinho que ali se fez Vai estar até na América Celeste Vieira – Vera Gladys Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «Luz Poética» 7 O pintor Mote “Quisera eu ser pintor Para pintar a saudade Vejamos pois qual a cor P’ra definir com verdade…” (António Boavida) Glosa Quisera eu ser pintor P’ra pintar a tua dor Onde guardas rancor Em exaltada paixão! Para pintar a saudade Nobre o sentimento Atrevido cometimento Arrojado empreendimento! Vejamos qual a cor Vermelho provocador Verde, a esperança Quisera eu ser pintor! P’ra definir com verdade Aquele que na Verdade Se não define, mas Vive. Dá Vida à cidade! Filipe Papança - Lisboa CASA DOS SEGREDOS FALSOS ENREDOS! Casa da incultura entre os dedos! Estimados cidadãos: Nunca comentei da T.V. qualquer programa, Minha cultura é pouca, dura, como “penedos”, Mas esta horripilante CASA DOS SEGREDOS, Mostra o pior que temos, pra pior fama!... Não entretém, falsos fantoches com arremedos, É a nossa T.V. que o analfabetismo derrama, Pelo que vejo == Nunca nada vi == obriga, chama Ver amostras de incultura com tais brinquedos! Só m’espanta como há gente que vê,esta T,V. Mete nojo,, a ignorância ressalta à mercê, Todo santo dia todas cenas são frequentes…. A CASA DOS SEGREDOS é dos mais vergonhosos Programas; sujos, ignorantes pra fazer famosos… Aguenta ZÉ, é o que mereces, não te lamentes! Nelson Fontes de Carvalho – Belverde/Amora (26/9/2014) O Mistério ou Dispensação da Graça de Deus O Que É? O Ministério da Graça Foi com Cristo que começou! Ele veio para o Seu povo, Israel O rejeitou. Então Deus deixou de lado, Por um tempo, como nação, O Seu povo, e iniciou A actual dispensação. O arquitecto das eras, Achou por bem, nos mostrar, Seu plano para o futuro, Seus propósito divulgar. Mistério oculto dos séculos Em Deus que tudo criou, Através de Jesus Cristo, Que a Paulo, o revelou. Tinha Paulo, por incumbência Divina, de esclarecer, A dispensação da Graça, E tudo à luz nos trazer. É a imensidão do amor, Revelado por Jesus, Que lavou nossos pecados, Com o Seu sangue na Cruz. É a formação da igreja, Corpo e esposa de Cristo! Judeus e gentios unidos, Paulo nos deixa o registo. É o governo para um povo Celestial! Revelado! Salvo por Divina Graça, Com o Espírito Santo selado. É uma fé que tudo vence Quando nada faz sentido! É Esperança que convence Quando te sentes perdido. Anabela Dias – Paivas/Amora

[close]

p. 8

8 Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «Faísca de Versos» As portas que Abril abriu Nunca mais se irão fechar Foram noites e noites De frio e medo De palavras ditas Ao ouvido em segredo! Como num bosque de feras Espreitando cada passo, cada som. A madrugada esperada Vinha longe, muito longe Sem luz Nem tom! Sempre esperando, avançando O Sol viria e toda amalta o sabia! Mais um pouco companheiro! De mãos dadas vamos indo É Abril, e o Sol que vier, é lindo! E ouvimos o Poeta gritar As portas em Abril abriu Nunca mais se vão fechar! E todos os poetas cantaram Abriram-se as janelas e o Povo começou a cantar! E chorámos e cantámos Até a noite chegar E foi essa e nunca mais Sem medos, sem grades, sem algemas Um país novo nasceu e Um jardim de cravos rubros Como o sangue de um povo livre Que alegremente correu! E o Maio que na forja estava Explodiu com toda a força De ganga, do suor, da ceifa e do mar E em multidão veio para a rua e Da rua fez sua casa Mostrando com o punho erguido Que já nada o faria parar! E foram dias e dias De lutas, alegrias, esperanças E por fim a liberdade! E havia pão na mesa! Os filhos a perguntar Pai já não vais para a guerra Lá longe para o ultramar? E os homens ficaram em terra E não mais foram matar Os barcos acostaram no cais E as armas deitadas ao mar! Por isso valeu a pena Abril cumpriu a promessa A nossa terra sem luto Sem lágrimas para chorar. Somos livres Conquistámos a liberdade E todos cremos Veio para sempre ficar! E como disse o poeta As portas que Abril abriu Nunca mais se irão fechar! Helena Moleiro – Fernão Ferro Respeito desmantelado. Respeito O homem e a mulher são seres de respeito mútuo… E quando os ventos redopiam ao contrário, e passam de boca para boca, envenenando o seu semelhante iguala-se a uma estrela cadente, que deixa lugar vazio no semblante… Desmantelado… Depressa a noite escureceu! O dia clareou num silêncio profundo com almas penadas desse mundo, por um galopar de fera feroz deixando o artista sem voz… Pinhal Dias (Lahnip) - Amora/PT “ANDAR AO ADREGO-2” * Eu já sei o que pretendo Nestes dezoito, e vendo Todos os dias, sossego! Ter paz neste meu cantinho E lá fora se caminho, Não quero “andar ao adrego” * Porque sou um solitário, Não quero andar ao contrário Metido na confusão! Gosto dos passos medir, Parar para reflectir. E às vezes na solidão! * Parece que o destino, Me conduz desde menino A uma certa distância… Do barulho, da maldade E apego à tranquilidade Dar muito mais importância! * Porque tenho o coração Ao pé da boca, e então Alguns… não gostam de mim! Se ser um cara direita A muitos faço desfeita, Eu quero ser mesmo assim! * João da Palma – Portimão ONDE ANDAS TU EDUCAÇÃO Será que te extinguiste, óh educação óh respeito. Fará parte do avanço da humanidade acabar com a beleza ? Ainda vejo alguma é verdade, mas cada vez menos . Óh famílias ! Que andais fazendo aos vossos filhos ? Não se apercebem que o mais valioso da vida está terminando ? Não veem que com a avidez do salve-se quem puder, abrem as portas à esperteza da ignorância, talvez até as portas da prisão. Andamos construindo um mundo podre, de castelos de cartas, de falsidade que o temporal da vida irá derrubar ao mínimo sopro . Ainda iremos a tempo ? Talvez sim, mas para isso era preciso haver vontade de plantar searas de amor, de educação, de respeito, de vontades . Era preciso gente a mandar com ideias, com vontade, com garra, com tomates, sem facilitismos . Precisamente o contrário do atualmente, onde só temos searas em estufas, não searas em campos bravios, onde se aprenda que o esforço, o suor, faz parte do caminho para se atingir um fim . JOSÉ SILVA – V. F. Xira

[close]

p. 9

Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 9 «Tribuna do Vate» O MUNDO MUDOU Talvez fosse noite No Seixal se construiu No Primeiro dia que eu te vi Um pássaro cantava No mais belo amanhecer O mundo acordava Transformado Pela mais bela melodia Do romper da aurora Os campos eram mais verdes Os sorrisos mais verdade O mundo acordava Com mais vivacidade O olá era mais sentido O sorriso mais aberto O mundo acordava Com a felicidade mais perto Um pássaro cantava Nos telhados E nos pinhais O mundo mudou E o pássaro Nunca mais cantou Talvez fosse noite Quando sonhei Com o teu rosto amor Com lobos uivando E a lua dormindo Os morcegos voando Talvez fosse noite Com a lua tão calada A brisa tão fresca A tua face projectada Num caminho imaginário De uma longa estrada Talvez fosse noite Quando te vi Assim doce Tão selvagem Talvez por ser noite Eu tive essa miragem David Lopes - Massamá David Lopes - Massamá Ontem nasceu um poeta Parei para pensar E na solidão do meu quarto Fechei os olhos, e sonhei acordado Imaginei-me no palco A receber o seu aplauso Por momentos senti-me vedeta O meu corpo vibrou O meu coração acelerou O sangue correu nas minhas veias O meu sonho acabou Sei que vivi momentos de fantasia Na solidão do meu quarto No seixal se construiu Uma caravela de fama Com ela se conseguiu E a Índia se descobriu O herói Vasco da Gama No primeiro dia que eu te vi Já eras adolescente Nesse momento eu senti Fiquei a gostar de ti Senti-me alegre e contente Seixal terra de riqueza De gente que ali viveu Na quinta da marquesa Aonde vivia a nobreza E o dom que era o seu Olhei para ti de frente O teu cabelo e formusura O teu olhar atraente Ficaste na minha mente Para uma vida futura Foi terra de fidalguia Ficou a recordação Ao lado da sua baía Pouca gente ali vivia Nos tempos que lá vão Naquele dia marcado Cinquenta anos atrás Eu para ti estavas guardada Hoje estás ao meu lado Nas horas boas e más De frente à Arrentela Do Seixal é freguesia Viam-se barcos à vela Uma imagem tão bela Noutro tempo se vivia Temos que nos convencer O destino estava marcado Hoje estamos a envelhecer A outros demos a ver Mas sempre de braço dado Foi terra de pescadores Da pesca do bacalhau Também de navegadores Hoje guarda os seus valores Os modelos das suas naus Assim é a lei da vida A velhice já chegou Mas sempre de cabeça erguida Uma vida sempre unida Meio século já passou Por isso a sua história Não deve ser esquecida Os seus tempos de glória Escrita ficou na memória De uma época já vivida Os desgostos e alegrias Nós soubemos enfrentar São lembrados nestes dias Deixaste como vividas É sempre para recordar Seixal é uma cidade De grande população Com a sua antiguidade Tem vida de qualidade Outros tempos já lá vão Os filhos que a vida nos deu Nos soubemos educar A nós nunca esqueceu Assim unidos tu e eu É uma vida para lembrar Miraldino de Carvalho Corroios Miraldino de Carvalho Corroios Obrigado meus amigos Pelo vosso carinho Pelos vossos aplausos Se as minhas palavras são poesia Ontem nasceu um poeta David Lopes Poeta; letrista e Radialista David Lopes -Massamá

[close]

p. 10

10 Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «Contos e Poemas» AFRICANDO-ME Escrevo… A arqueologia aponta África como um continente, ocupando um quinto da Terra. No Continente Africano podemos notar a pluralidade de idiomas, sendo mais de mil as línguas faladas. Na religião também é relevante a diversidade, assim como nos regimes políticos, atividades económicas e formas de construções habitacionais. Grande parte da História de África foi contada pelos seus colonizadores. O narrador, de uma outra cultura, torna-se etnocêntrico e eurocêntrico – conceitos antropológicos. O conceito etnocêntrico inculca, de forma subtil ou exacerbada, ideias de inferioridade racial e cultural. O etnocentrismo dificulta a compreensão para o que é normal, sendo apenas diferente. O eurocentrismo, por sua vez, é um sistema ideológico que realça a cultura europeia como a mais constitutiva do mundo. O continente Africano, foi dividido, pelos seus colonizadores, sem que estes tivessem levado em conta os interesses ou característica culturais dos seus habitantes. Povos da mesma etnia ficaram separados, por fronteiras, coabitando com os seus inimigos tradicionais. Este é um dos problemas que persisti até os nossos dias. Apesar de tudo o que se escreveu, África teve sempre a sua história, cultura, ciência, religião…simbolizada por uma bem alicerçada hierarquia composta por reis, chefes…distinguindo-se, muitos deles, como reinos de grande soberania e impérios do mais elevado poder! Algo bastante relevante que gostaria de ressaltar, na Família Africana, sendo comum em toda a Africa, apesar da divisão geográfica: a homogeneidade da Família! A Família Africana não é apenas nuclear (pais e filhos) como no mundo ocidental. Esta é muito mais alargada! É formada por um sem número de elementos que engloba os primos e todos os seus parentes, os avós, sobrinhos, cunhados e seus parentes… Filomena Gomes Camacho - Londres "Realidade de um sonho" Que as dores fiquem pela estrada, As lágrimas sirvam para regar; todas as sementes de felicidade, que deixamos pelo caminho. Que mesmo seguindo por entre pedras, Às vezes mesmo sem luz, Possamos ter a certeza, Que sempre haverá um novo dia, um novo recomeçar com paz, amor e alegria, Com um sol brilhando, Vento trazendo poesias e perfumes, Pássaros cantando e tu no leito me amando. Corre-me o sangue nas veias num pulsar tão inconstante, Será simples arritmia ou por te vizualizar deitado, Tão sereno e sossegado, Que penso ser a miragem de um quadro a óleo pintado. E quando olho janela, O sol começa a raiar, foram embora as estrelas, A lua deixou de brilhar, Os sonhos adormeceram e a noite se finou, E tu continuas deitado, tão sereno e sossegado, Como lindo quadro pintado, Que um qualquer pintor pintou, E o sonho terminou. Rita Celorico – Tavira/Amora - Tavira/Amora Minha terra é AMORA. Meu Rio é o Judeu. Não vendo a minha língua agora. E ainda há tantos como eu. Artur Manuel Gomes - Amora TODAS ELAS ME QUERIAM Queria casar ao sair da tropa Todas me queriam, ai que calafrios Eu só queria uma cachopa Deixei as outras a ver navios Não dou, pois não posso dar A mais que uma o coração Faz-me pena vê-las chorar Sem lhes poder dar a minha mão Abriram-se então tantas janelas Para eu poder escolher á vontade Mas não podia a todas elas Dar a mesma felicidade Tantos insultos que eu ouvi Tantos, tantos que já nem sei Com a cachopa que eu escolhi É que eu me sentia bem Refrão Todas elas me queriam Mas eu tinha que escolher Eu calculo o que sentiam Depois do nome eu dizer Enquanto uma sorria As outras tristes ficavam E naquela igreja um dia Á porta outras choravam. Chico Bento - Suíça

[close]

p. 11

Como? Como é que posso esquecer aquela bela mulata que um certo dia encontrei vendendo quissângua doce na velha gare da estação? Como é que a posso esquecer se ela tinha corpo de onça com fogo aceso na pele, cheiro de manga madura ancas balanço de mar, olhos poesias de amor, seios nascentes de vida, lábios desejos fugindo buscando os lábios de alguém! * Como é que posso esquecer A lua sobre a cubata cujo feitiço encarei... e o fogareiro de lata onde à noite, no recato, se alimentava o serão com massaroca de milho e batata doce assada! * Como é que posso esquecer o tam tam tam do batuque a romper a noite escura, os suspiros do quissanje embalando o capinzal e a dança do tchinganje pagã, vibrante, infernal; com a mata por moldura máscaras, vodu, ritual?!... * Como é que posso esquecer o cheiro da terra quente quando p’la chuva beijada, o cacimbo nas anharas ao romper a madrugada, o bailado das palmeiras ao som dos ventos do Sul e os coqueiros, emproados, a beijar o céu azul?!... * Como é que posso esquecer Angola, Benguela, Àfrica?! Como é que posso esquecer essa terra onde nasci se foi lá que eu aprendi a falar, andar e amar?! * Como é que eu posso esquecer a vida que lá deixei... as paixões que partilhei e os sonhos que não vivi porque o destino os matou quando a terra se cobriu do fumo negro da guerra e a água das cacimbas se tingiu da cor do sangue! Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 11 «BOCAGE» Como é que eu posso esquecer?! Se alguém me souber dizer... então, por favor, me diga! Abgalvão - Fernão Ferro COIMBRA Por lá andei. Lá estudei, Meu Amor encontrei. Por teus jardins passeei, Pela brisa do Mondego, beijo dei. Alegrias, que divertidas, Foram até atrevidas!... Houve momentos de pensar, Também de estudar, Alguns…de muito amar!... Tuas fontes, escondem segredos, Por entre tantos arvoredos, Recordá-los!...me dão medos. Coimbra, sempre a recordar, Esperança, de se alcançar, Numa noite…ao luar, Junto ao Mondego…novo sonhar!... Por lá se vai encontrar, Alguém que saiba adorar, Que escreva, poemas d’Amar!... Carlos Alberto Varela Paços de Brandão Maldita. Hoje quero estar só, sim mesmo só… Quero aprontar o meu diário dando algumas linhas de sumário… Pensar! Reflectir! Para escrever os meus versos recolhidos em prosa livre… Sim! Como eu sou e serei sempre livre… O dia de hoje foi mesmo esgotante e na cama fui repousar, e qual foi o meu espanto de madrugada, mas sem pesadelos fui incomodado e bastante incomodado… Rondaste o meu ouvido, com um zumbido refrescante… Deixei-me estar, Porque estava a gostar… Acariciaste o meu corpo, se estava torto?! Pus-me direito… Chupaste, sugaste, querias mais e muito mais… Àquela ave Àquela ave Tão bela, De uma plumagem cinzenta, Clara e suave, E que pelos sulcos do arado, Se alimenta De um ou outro inseto achado, Na hora levantei a mão para te esbofetear e a dor caiu em mim… Acendi a luz e tinha a cara ensanguentada dessa maldita, maldita, maldita melga… Pinhal Dias (Lahnip) Amora/PT Chamamos arvela! Ágil, astuta e assaz bonita... Quando os insetos procura, Qualquer obstáculo evita, De forma simples e segura! Diz o povo sobre a arvela, Mesmo em manhã de bruma, Se alguém apanhar alguma, É muito mais fino do que ela! José Maria Caldeira Gonçalves Fernão Ferro Opinião Os actores são todos Dignos de respeito, Cada um no seu posto… É o seu jeito, Os meus modos, Que são sempre afectados de mais… Eu do teatro só não gosto Porque os artistas são, Sem excepção, Todos, todos... Teatrais! Hermilo Grave - Paivas/ Amora

[close]

p. 12

12 Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «BOCAGE» ISSO SIM, ISSO É AMOR REDENÇÃO Quando se força o amor Nunca dá bom resultado Sabe-se que o amor nasceu E nunca foi inventado Quando um coração vibra Com carinho e com calor Pode-se ter a certeza Isso sim, isso é amor Tanta coisa se tem visto Neste mundo que vivemos Casamentos contrariados Quantos é que conhecemos Quantas vezes nós amamos E não somos correspondidos É porque não existe amor Compatível aos dois sentidos Jesus o Redentor, nos redimiu! Nos resgatou com seu sangue puro! Sangue que é Vida, que quebrou o muro Que entre o pecado e Deus, sempre existiu. Ao mal, com o bem retribuiu! Ao homem infractor e obscuro! Levou-nos para um porto bem seguro, O caminho à morte, obstruiu. Pelo Juiz seríamos julgados! E também justamente condenados, A uma eternidade bem atroz Só tens de rejeitar ou aceitar Este Jesus de amor a transbordar, Que expiou na cruz, por todos nós. Anabela Dias – Paivas/Amora Refrão SONHO OU REALIDADE O amor nasce por si Nunca se deve forçar Como é que nasce o amor É difícil de explicar Chuva e vento a fustigar, O meu rosto, tão cansado. Já não consigo andar, Tenho frio, estou molhado, O amor que é comprado Não se pode chamar amor É amor de conveniência Têm também pouco valor. Chico Bento - Suíça O que mais importa. Só me apetece deitar-me, Esperar pelo meu fim. Desta vida separar-me, E morrer, já mesmo assim. A seguir à tempestade, Dizem, que vem a bonança. Até pode já ser tarde, Tenho um resto de esperança Abandonam a escola por teimosia Procuram emprego?! Não para trabalhar… Homens, mulheres, num mundo de hipocrisia Fundo do desemprego?! Vem mesmo a calhar É à tarde em que o sol produz mais calor Bocas secas, que trocam a água por cerveja De tanta secura de beijos, sem amor Numa cegueira desenfreada?! Se veja! Os encapsulados, de falta de cultura Falta de civismo, educação? Rutura! Ambiente de gente que não se comporta Ir a um Ponto de Encontro, com ou sem chá Conversas desajustadas?! … Não há pachá! Fugir das ciladas é o que mais importa… Se alguém me ajudasse, Pois, eu andar, não consigo. Ouvir alguém que falasse, Eu, vou levar-te comigo Só este sonho malvado, Me veio assim maltratar. Eu estou seco e agasalhado, De certo, estava a sonhar. Mário Pão-Mole - Sesimbra O sabe tudo nasceu E nunca chega a nascer Vai pedir perdão a Deus Ainda antes de morrer Pinhal Dias (Lahnip) - Amora/PT Silvais - Évora O que importa O que importa agora é fazer … Só para mascarar o ser!, Esquecem-se que é Ele que faz E que mais nada O satisfaz. Só o que por Deus é feito, É completo, é perfeito. Isto bem sabe o eleito. Há que honrar o preceito. O íntegro nas vistas dá, Ao destoar da multidão. É como o Filho de Judá, Que brilhava na escuridão. O que importa se ficar só, E os demais forem como Ló? Um dia verão tudo arder Por causa de não querer ver. O dia D se aproxima A verdade vem ao d'cima O fiel que a Deus honrou, Ouvirá de Deus: superou. Então, porque continuar A Deus, a Cristo, desonrar? Ele merece o meu eu tomar, E a minha vida comandar. CMO - Qtª do Conde 1 Coríntios 15:10; 2 Coríntios 6:14; 2 Timóteo 1:15; Colossenses 3:24; Gálatas 2:20 Amor Imagino-me agora como a lua E tu querido amor, sendo o meu sol Fruindo feliz o facto de ser tua Em cada dia louvo o arrebol. E se em pleno inverno o sol amua Tu sempre segues minha vida em prol De uma paz firme que radiosa actua Em meu livre ser sem nenhum controle. Eu giro em minha órbita de amor Minha mente reflecte seu esplendor Recebo de ti luminosidade. E se somos eternos namorados Eu capto teu carinho, teus cuidados E grande sensação de liberdade. Maria Vitória Afonso – Cruz de Pau

[close]

p. 13

Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «BOCAGE» AMOR DE UMA VIDA O Amor de uma vida, nasce de repente Fruto do acaso, junta as almas, dura para sempre A história é antiga, e também tem dor E quis o destino, que num desatino Nasce-se o Amor E quando dois jovens, se tornam gigantes Amam de verdade, e na felicidade se tornam amantes E seguem bem juntos, p´la estrada da vida. E com seu Amor, fazem com que a dor. Seja sempre vencida. Passaram os tempos, a vida correu Vieram as rugas, mas o seu amor nunca envelheceu Nasceram os filhos, e depois os netos E no coração, cabem de certeza Todos os afectos E ainda hoje, velhinhos os dois, cheios de alegria No outono da vida, que já vai comprida, ainda têm magia. E queira o futuro ver acesa a chama Que seja o seu fado, manter lado a lado. Quem tanto se ama. Artur Gomes - Amora Sou “Sou a alvorada da madrugada, quando a noite não dorme Sou o desalento e a ansiedade que me consome Sou o verde respirar dos campos ceifados Sou criança pequena à espera de um porto de abrigo Sou espiga doirada no chão quente da terra Escárnio de vida perdida Sou papoila sofrida a gritar em cada canto a liberdade Sou rio de águas claras chorando saudade Sou a inquietude do pensamento sombrio Sou espelho que limpa minhas lágrimas Sou nada! Não sei quem sou o que quero ou para onde vou!” Teresa Primo - Lisboa Acusações ao Fado Quando te ouvi acusar, o velho fado, De tudo o que ele não é, Pensei que devias ‘star, mal informado, Ou então era má fé. Acusaste-o de vadio, Rasca, reles e sem brio, Enjeitado e da ralé. Mas o fado não desvia, Segue sempre a mesma via, Com aprumo e com gajé. Estás enganado, completamente, O velho fado, tem nobreza e distinção. E também tem, p’ra quem o sente, A faculdade, de falar ao coração. Se um dia quiseres ouvir, sinceramente, Falar do fado a rigor. Sentirás que no passado e no presente, Foi sempre fonte de amor. Cultivou a honestidade, Foi calmante na saudade, E foi o pão de muita gente. Meio Povo meio tradição, Talvez por esta razão, Só o canta quem o sente. Francisco Manuel Neves Jordão Luxemburgo Sou alva manhã Cantiga ao entardecer Sou tudo o que cheira a pão Sou alma gémea da emoção. É como se o vento me conhecesse E a lua me calasse Ouço ao longe uma orquestra de búzios Conchas e castanheiros. Paulo Taful – Montelavar / Sintra 13 ELOGIO O elogio é considerado uma ferramenta mágica para, de forma fantástica e potencial criar e desenvolver a motivação, levantar a autoestima, incentivar… O poder do elogio é enorme! Para os psicólogos, o poder do elogio tem o efeito de uma maior eficácia que a punição, no que concerne à educação. Segundo os neurologistas, o elogio estimula a dopamina, elemento químico, dos mais relevantes neurotransmissores do sistema nervoso, no mecanismo do prazer, dando momentos de satisfação intensa. Não é fácil agradecer ou receber elogios. Porém é premente saber agradecer com graça, elegância, e aceitar com o coração. Não se mostre humilde rejeitando o elogio, dizendo que não merece. Não tenha medo de parecer vaidoso. Não sinta a opressão de restaurar o equilíbrio, nem a necessidade psicológica de devolver o elogio sufocando-se pelo desejo de evitar uma divida. A arte de corresponder consiste, simplesmente, no agradecimento sincero, na autenticidade, sem adicionar ou justificar nada. Filomena Gome Camacho - Londres

[close]

p. 14

14 Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 «POETAS DA NOSSA TERRA» Voar sobre o tempo MONTE CARVALHO DOUTOR GOOGLE Somei aos sonhos alegrias, E às esperanças um desejo. Distribuí o amor pelos dias, Com um abraço e um beijo! Adicionei vales aos montes, Troquei searas por carinhos, Ofereci as nuvens às fontes, E subtraí às árvores ninhos! Misturei água com a tristeza, E encaminhei-as para o mar... Juntei aos caminhos a beleza, E prendi à felicidade o olhar! Grata esta bucólica sensação, De amar a natureza onde vivi, Põe a felicidade no coração, Que ao vê-la, feliz lhe sorri! José Maria Caldeira Gonçalves Fernão Ferro Guardo hoje uma agradável lembrança Da juventude - meu tempo adorado! Sempre em mim vivo, sempre recordado Memória que é eterna, que não cansa. Neste meu doce berço, meu lugar Revivo saudoso, meus calmos dias Dum passado bom de fartas alegrias Para sempre, em mim, a perdurar Ó meu Monte Carvalho, minha terra, Quanta paz em ti inda se encerra! Como me sinto bem, vivendo aqui! És tudo p’ra teu filho - mãe amiga! Hei de doar-te uma linda cantiga De todas a melhor que já escrevi. JGRBranquinho - J. Little White Monte Carvalho, 30 de agosto de 2018 ESTA NOVA TERRA... QUE DO ALTO ESTOU OLHANDO Daqui, do alto das nuvens, onde agora estou morando, Eu p’rá terra... fico todo o dia espreitando, Bem feliz, com aquilo, que daqui já estou vendo... Pois o azul lá do mar... mais azul está ficando, E o ar que as gentes, lá na terra, até ficam respirando, Não é igual aquele, que na altura, a terra já estava oferecendo. Lugar íntimo No respirar Em silêncio De lábios cerrados No liberto desejo E no lugar que ficou A intimidade perdida. Albino Moura - Almada Estuda-se medicina. O Doutor, lembra a vacina… Para o mal que vai surgindo! Porém tem um concorrente. Formado recentemente, Dr. Google, sê bem-vindo. É este ilustre Doutor, De tudo, conhecedor, Nada escapa ao seu talento. Da simples constipação, Ao tumor mais resmungão, Ele tem conhecimento! Se tem gripe, não hesite. Tenha calma, não se irrite, Entre em contato comigo! Verá que vou encontrar, Remédio para o curar, Desse maldito castigo. Não lhe vou dar melhoral! Seu corpo vai ficar mal… E as tripas em torvelinho. O que posso aconselhar? Ponha um bom bife a grelhar, Acompanhe com bom vinho! Vá depois para a caminha. Gozar uma dormidinha, E verá que ao acordar. Só dirá: muito obrigado! Dr. Google, ´stou curado, Mas preciso de ir cagar! Vejo o amarelo dos trigais, e a terra de verde toda vestida, Também vejo a passarada saltitando, de plumagem colorida, E até as libelinhas graciosas, entre as flores, esvoaçando... Vejo os animais lá do campo, doidamente, em alegres correrias, Com as águias lá da serra, olhando por entre as altas penedias, E as crianças, agora felizes, atrás da bola correndo... e sonhando. E de tanta coisa nova, que agora deste meu lugar, estou vendo, Fico verdadeiramente feliz... pelo que os homens estão fazendo, Por esta terra, que Deus, com amor, ás Suas gentes entregou... E de tal forma eu estou tão feliz e bem contente, Que com os desejos de gritar esta alegria p’ra toda a gente, Deixei a morada lá do céu... e p’rá terra, a minha alma voltou. José Carlos Primaz – Olhão da Restauração Sempre que olhava o teu rosto via nele uma flor hoje vejo com desgosto a dor desse fogo posto a quem tu causaste dor Leia… -quando acorda LEIA -quando se deitar LEIA -quando se acomoda LEIA -quando vai Sonhar… LEIA -para seu conselho LEIA -para investigar LEIA -para não ficar velho LEIA -para viajar… LEIA… Santos Zoio - Lisboa Lagos, 26/08/2018 Alfredo dos Santos Mendes Âncoras que se arrastam no mar, Navios perdidos na maré… Corpos que os tempos desgastam, Ondas que lhes trazem a fé. Mário Juvénio - Amora Vitalino Pinhal - Sesimbra

[close]

p. 15

Confrades da Poesia - Boletim Nr 102 - Outubro 2018 15 «Rádio» Fundada: a 28/04/2017 - Fundador: Pinhal Dias RÁDIO CONFRADES DA POESIA - 24 HORAS ONLINE GRELHA DE PROGRAMAÇÃO DEFINITIVA Dom. - 24 HORAS ONLINE 2ª F - 21/22h - "Voz e Musical" 3ª F - 21/22h - "Voz e Musical" 4ª F - 21/22h - "Voz e Musical" 5ª F - 21/22h - “Récitas dos Confrades” 6ª F - 22/23h - "Voz e Musical" RCP - Estatísticas das emissões 1ª arranque fase experimental de 17/4/2017 a 9/5/2017 s/estatística De 10/5/2017 a 29/9/18 Num total de 468 emissões Sábados e Domingos - DJ Automático 24 Horas Online Programas: b) – “Sujeita a Directos Especiais, com hora anunciar” Voz e Musical / Récitas .../... Locutor - Pinhal Dias Seja um dos nossos colaboradores/patrocinadores directos… Contribua para o nosso melhoramento da Rádio Confrades da Poesia 24 horas online, bem como os cinco Programas em Directo semanalmente… Programas: “Voz e Musical” - "Récitas dos Confrades" A Voz do Cancioneiro - OFF Ecos Musicais - OFF Onda Cristã - OFF Poesia para Todos - OFF SOS Musical - OFF Contribua http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/contribua Assine o nosso Livro de Visitas http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/livro-de-visitas ANIVERSÁRIO Links para ouvir a Rádio Confrades da Poesia http://www.radioconfradesdapoesia.comunidades.net/ http://tunein.com/radio/Radio-Confrades-da-Poesia-s292123/ http://www.radios.com.br/ao…/radio-confrades-da-poesia/47066 http://www.radioonline.com.pt/regiao/novo/… Em pareceria com Mensageiro da Poesia-Associação Cultural Poética Dia 21/10/2018 – (Domingo) - 15h Centro Cultural e Desportivo das Paivas Rua Rainha D. Leonor 2845-385 Amora Nota: Por email daremos mais detalhes aos nossos estimados Confrades...

[close]

Comments

no comments yet