Gazeta Valeparaibana

 

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Outubro de 2018

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Ano XI - Edição 131 - Outubro 2018 Distribuição Gratuita O PAPEL DO ARTISTA Votar com consciência Há um malabarismo no ato da sobrevivência do artista. Acredito que votar seja um direito nosso e que não deveríamos ser Ele vive de aplausos, porém não pode se envaidecer apenas com obrigados a isso. Votar é um exercício de cidadania. Um dos direi- isso e sim valorizar as críticas e deixar de argumentar e ouvir mais. tos básicos e fundamentais do ser humano é o direito à liberdade, Entender que esteja ele num palco de teatro, no chão da comuni- e, esse direito é também um dos princípios básicos que se encon- dade ou no picadeiro, haja gente influente na plateia ou não, deixa- tram em nossa constituição e que fazem parte da democracia. Se rá um pouco de si mesmo ali e essa responsabilidade poderá resul- não temos o direito de escolha, se somos obrigados a algo, esse tar na sua ascensão ou praticamente seu velório... princípio e direito fundamental estão sendo violados. Leia mais > Página 2 Leia mais > Página 4 Aquieta! O Golpe trazido por Temer e sua ‘Ponte para o futuro’ periga nos levar de volta ao mapa da fome da ONU e, o congelamento das verbas sociais por 20 anos, agravará sobremaneira as desigualdades além de aumentar consideravelmente a distância para nos tornarmos um País desenvolvido. Nestas eleições devemos cobrar de quem quer o nosso voto mudanças na política econômica, almejando um novo modelo de crescimento sustentável, sem a penalização dos mais pobres. Lembro no entanto, que as mudanças somente poderão vir através do Congresso, sendo então importante focarmos na mudança daqueles que contribuíram para a atual situação do Brasil. Não adianta elegermos um Executivo progressista e concomitantemente lhe darmos um Congresso composto em sua grande maioria por famílias tradicionais da política que ao longo dá nossa República têm feito deste País um feudo para benefício deles e de mais uns poucos. Esses mesmos que aprovaram o golpe e aprovaram a PEC da morte. Depois não adianta reclamar. Cuide e valorize seu voto. A mudança está na sua mão. A oportunidade é agora! Aquieta, homem. Aquieta! Aquieta que a fome é cão falando na orelha e não deixa a gente pensar direito. Aquieta que a fome quando grita, faz um barulho tão grande que derruba as paredes da nossa própria alma. Leia mais > Página 5 O impacto das fake news nas eleições 2018 O combate às fake news deve ser realizado por todos, tanto pelas empresas de tecnologia, como pelos órgãos governamentais, e até mesmo por cada um de nós. Leia mais > Página 7 Sociedade de grupos No Brasil, a desigualdade é tamanha que lembra o sistema de castas da Índia, cuja estrutura social é dividida em brâmanes (sacerdotes), os xátrias (guerreiros), os vaixás (comerciantes), os sudras (servos, trabalhadores braçais), e os sem casta... Leia mais > Página 8 CULTURAonline BRASIL - Boa música Brasileira - Cultura - Educação - Cidadania - Palestras Baixe o aplicativo no site www.culturaonlinebr.org LIBERDADE DE EXPRESSÃO Bom seria viver num país onde pudéssemos tomar decisões e fazer nossas escolhas de maneira saudável, ter o direito de discursar sobre o que gostamos ou não e entender bem o que significa essa liberdade sem ter que pagar o preço da punição... Leia mais > Página 6 O futuro que já não conheceremos Juntamente com o Museu Nacional ardeu muita da nossa memória, nosso presente ficou mutilado e nos roubaram um futuro que agora nunca conheceremos. Todos intuímos que algo muito importante se perdeu para a humanidade... Leia mais > Página 9

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 2 O PAPEL DO ARTISTA Há um malabarismo no ato da sobrevivência do artista. Ele vive de aplausos, porém não pode se envaidecer apenas com isso e sim valorizar as críticas e deixar de argumentar e ouvir mais. Entender que esteja ele num palco de teatro, no chão da comunidade ou no picadeiro, haja gente influente na plateia ou não, deixará um pouco de si mesmo ali e essa responsabilidade poderá resultar na sua ascensão ou praticamente seu velório dependendo muito do seu dom e empenho, do seu poder encantador de passar emoções e sentimentos, da fala mágica e certa deixada em forma de mensagem ou nas entrelinhas. O artista com alegria, tristeza ou hipocrisia está “na pista” não só para brilhar e acalentar seu ego e sim para levar e mostrar aos lugares em que irá atuar o veneno da vida, a fantasia do amor, o encanto dos figurinos seja de farrapos ou brilhantes. Mesmo que a farsa do artista é representar, vem com a essência da verdade de um circo onde a tristeza estampada na cara do palhaço, mesmo assim te faz rir, mas também pensar e chorar. A arte é uma labuta constante pela verdade, pendurados na imaginação, cheios de sentimentos traduzem sua fala com a alma cheia de intenções, como ginasta ou acrobata, doma sua fera interior e humana e hipnotiza num golpe de magia com a mente inquieta e idealista tirando da cartola o espetáculo surrealista arremessado ao público, mas num ato de amor espera deles a reflexão tornando-se assim um instrumento que liberta a mente. O que é um artista? Em forma de ator, poeta, músico, pintor é sempre um apaixonado, tem uma câmera no coração, ciente das paixões, é um instrumento pacificador ou de guerra, interessado pelos seres, separa-se de sua própria vida para moldar-se a um personagem e apaixonadamente despertar as pessoas e, romântico ou contundente, é também um ser político. Ele é um criador, e sua própria relação com o mundo é a recuperação da visão em relação ao amor e ódio, as mazelas da vida e à natureza reinventando, através da arte, o que por muitas vezes é deixado de lado e fica esquecido. O verdadeiro artista precisa ter a consciência e o dever de ter definido consigo sua responsabilidade social e saber que através de sua criação e dos tempos é sempre importante respeitar o público e ter claro que seu papel além de entreter, também é o de estimular a reflexão e instigar as pessoas a buscarem respostas e mudanças com a responsabilidade de auxiliar na evolução humana. O artista é um formador de opiniões através da arte! Autora: Genha Auga ALGUMAS DATAS COMEMORATIVAS 01 - Dia Internacional da Música 01 - Dia Internacional das Pessoas Idosas 02 - Dia Internacional da Não-Violência 03 - Dia das Abelhas 04 - Dia da Natureza 07 - Eleições 2018 07 - Dia do Compositor Brasileiro 08 - Dia do Nordestino 12 - Dia das Crianças 12 - Dia Nacional da Leitura 12 - Descobrimento da América 15 - Dia do Professor 17 - Dia Internacional da Erradicação da Pobreza 17 - Dia da Música Popular Brasileira 20 - Dia do Poeta 21 - Dia Nacional da Alimentação na Escola 23 - Dia da Força Aérea Brasileira 29 - Dia Nacional do Livro 29 - Dia Mundial do AVC 31 - Dia Nacional da Poesia 31 - Dia do Saci SALVEM AS CRIANÇAS Criança tem que sentar na cadeira da escola Hoje se vê as crianças sentadas na calçada. E seguem assustadas pela vida Com olhares que vislumbram nela Um futuro de bandida. Dia 8 - Dia do Nordestino nosco toda a riqueza e beleza da sua cultura! O Dia do Nordestino é comemorado a- O Nordeste não é feito apenas de prainualmente em 8 de outubro, no Brasil. as paradisíacas, belezas naturais, co- Esta data homenageia toda a diversida- midas deliciosas, festas animadas e ar- de cultural e folclórica típica da região tesanatos lindíssimo… O Nordeste tem Nordeste do Brasil. tudo isso e muito mais: os nordestinos, O Nordeste brasileiro é conhecido pela povo mais hospitaleiro do país! Que sasua musicalidade, culinária, danças, be abraçar e receber os turistas com superstições, artesanatos, belíssimas todo o carinho e dedicação! paisagens naturais e muito mais. Origem do Dia do Nordestino O povo nordestino é um grande tesouro A criação desta data é uma homena- da cultura nacional, um dos maiores gem ao centenário do poeta popular, traços da identidade do Brasil. compositor e cantor cearence Antônio O Nordeste brasileiro é composto pelos Gonçalves da Silva, conhecido como seguintes estados: Maranhão, Alagoas, Patativa do Assaré (1909 - 2002). Bahia, Ceará, Piauí, Paraíba, Pernam- O Dia do Nordestino foi oficializado com buco, Rio Grande do Norte e Sergipe. a lei nº 14.952, de 13 de julho de 2009, Mensagem para o Dia do Nordestino na cidade de São Paulo, região com a maior concentração de nordestino em Povo alegre, que vive com um sorriso todo o país (com exceção do próprio no rosto! Obrigado por compartilhar co- Nordeste, obviamente). Pequeninos que mal tem nome Que dormem em qualquer lugar, Algumas ainda têm pais Outras saem de seus lares Por conta do descaso Crianças têm brilho no olhar Sorrisos pra boca enfeitar Só perdem isso tudo Na tristeza do abandono E a barriga doer quando a fome chegar Criança precisa de um presente Com bons exemplos e aprender amar Corrigi-la enquanto há tempo Fazê-la sorrir hoje, para no futuro, Ela não te fazer chorar. A criança de hoje será A Pátria de amanhã! Autora: Genha Auga PRECISA-SE de revisora de textos Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 3 O incêndio do Museu Nacional e o epistemicídio como projeto político de esquecimento No último domingo, dois de setembro, um incêndio de grandes proporções atingiu o Museu Nacional. Das 19h30 até cerca de 3h da manhã do dia seguinte, quando o incêndio foi contido, um acervo estimado em 20 milhões de itens era consumido rapidamente pelas chamas. Os bombeiros, enquanto isso, enfrentavam problemas na captação de água, dada a falta de carga nos hidrantes. O palácio onde funcionava o Museu não tinha sistema de prevenção de incêndio e as instalações eram antigas e precárias. O diretor no Museu, Alexander Kellner, explicou em entrevista veiculada por alguns jornais, que há anos o espaço sofre com a falta de verbas. Exposições fechadas, prédio em más condições e, certamente, problemas de manutenção e restauração de peças. 300 milhões de reais, investidos ao longo de um década, seriam necessários para executar seu Plano Diretor, ainda segundo Kellner. A verba anual, de R$ 520 mil, que custeava a sua manutenção, também não era repassada integralmente desde 2014. Há uma frase genérica que pode ser ouvida de muitas bocas, em muitas ocasiões. Uma frase sobre um país Brasil que não conhece a si mesmo e à sua história. O arquivo do Museu Nacional, perdido para sempre, reunia fósseis, objetos etnográficos e arqueológicos, documentos antigos e raros. Todo esse material carregava consigo uma dimensão de vida, na possibilidade que encerrava de transmissão e produção constantes de conhecimento. As pesquisas sobre esse acervo nos deixam órfãs/ãos, porque certamente diriam respeito a quem somos. Os valores que poderiam ter impedido o assassinato de nosso maior museu, um museu de 200 anos de história, são de todo modestos. R$ 520 mil anuais: soma próxima, não raro inferior, àquela gasta com boa parte de nossas aristocráticas carreiras jurídicas e cargos políticos. Mas a história, como nos ensina o governo através, por exemplo, da reforma da educação, é apenas um penduricalho que podemos dispensar, no ensino básico, nas pesquisas das universidades, em nossa vida, enfim. Aliás, o atual governo vai além: nos empurra, através da emenda constitucional 95, um congelamento de gastos sociais de 20 anos, como se congelar o tempo e a sucessão dos acontecimentos fosse possível. No entanto, ninguém, do lado de cá ou do lado de lá, acredita nisso. Tanto é assim que somas vultuosas – um orçamento total de R$ 1,2 bilhão, segundo dados constantes do próprio Portal da Transparência – têm sido despendidas na guerra que o Brasil hoje trava com parte de seu povo no Rio de Janeiro sob intervenção militar, como lembra minha amiga Laura Gonçalves. Nossa política de memória é um imenso espaço em branco. O Museu Nacional é o maior e mais trágico exemplo do desprezo pela memória, mas não é o único. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente a situação do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano (APEJE), de Pernambuco – cujo acervo, friso, é infinitamente menor do que aquele perdido na noite do domingo. Alojado num galpão sem acondicionamento adequado, o acervo do APEJE sobrevive driblando calor, umidade, pragas e falta de manutenção. Sobrevive, certamente, nas mesmas condições que os demais arquivos do país. O desprezo pela memória pode, com toda adequação, ser chamado epistemicídio. Sabemos, por exemplo, que Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, foi perdido. Também foi perdida extensa documentação sobre línguas indígenas, objetos de diferentes povos e culturas. Com isso, perdemos inúmeras oportunidades de rediscussão e releitura sobre história e passado. E as maiores vítimas, para variar, são negras/os e indígenas. Quem, afinal, foi mais empurrado para a não-existência, não-pertença, não-história que esses grupos? A história é uma arma política poderosa. No período de tráfico atlântico de africanas/os escravizadas/os, o Porto de Ouidá, onde hoje se ergue o Portal do Não Retorno, era a última visão de África para muitas mulheres e homens levadas/os aos tumbeiros. Conta-se que, no trajeto do mercado da cidade até o porto, havia uma árvore mágica, a Árvore do Esquecimento. Em torno dela, os colonizadores obrigavam as/os aprisionadas/os a dar voltas. O cativeiro deveria ser, ele mesmo, uma política de não retorno, não retorno sobretudo a quem se era. Séculos depois, descendentes das/os cativas/os lutavam pela inclusão de sua história no currículo escolar do Brasil, o mesmo currículo desmontado pela reforma da educação. Agora se fala em repasse de verbas para a restauração do Museu Nacional. É preciso, nesse jogo de memória, não esquecer o que nos trouxe até aqui, nem desprezar os múltiplos significados do incêndio do último domingo. De minha parte, espero que alguns nomes fiquem marcados, de modo impiedoso, nos rumores e escritos da posteridade. Sei que, em qualquer caso, seguiremos vivas/os e ativas/ os, escrevendo, fiando e desfiando cotidianamente a história. Autora: Fernanda Lima da Silva Colaboraram nesta edição Genha Auga Mariene Hildebrando Loryel Rocha João Paulo E. Barros Filipe de Sousa Guigo Ribeiro Luiz Augusto Filizzola D'Urso Luiz Felipe de Seixas Corrêa Santiago Castroviejo-Fisher Fernanda Lima da Silva Elissandro Santana Gustavo Justino de Oliveira Márcia C. M. Marques Daniel Mello Hiago Rodrigues Amir Khair Cláudio Fernandes Augusto Küttner de Magalhães IMPORTANTE Todas as matérias, reportagens, fotos e demais conteúdos são de inteira responsabilidade dos colaboradores que assinam as matérias, podendo seus conteúdos não corresponderem à opinião deste Jornal. A Gazeta Valeparaibana é um jornal mensal gratuito distribuído mensalmente para download na web Diretor, Editor e Jornalista responsável Filipe de Sousa - FENAI 1142/09-J Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 4 Votar com consciência nosso voto. O voto no Brasil é obrigatório, (artº 14, parágrafo 1º, I) Segundo a Constituição Federal o voto é facultativo ( artº14,II) para os analfabetos, eleitores com 16 ou 17 anos e 70 anos ou mais. A Acredito que votar seja liberdade que possuímos é a de escolher entre os candidatos exisum direito nosso e que tentes, se vamos votar em alguém, se vamos votar em branco ou não deveríamos ser obri- anular nosso voto. gados a isso. Votar é um O voto facultativo combina com democracia, com o Estado de Direi- exercício de cidadania. to, é utilizado nos países desenvolvidos, vai contar com pessoas Um dos direitos básicos e fundamentais do ser humano é o direito que realmente estão querendo eleger agentes políticos que os re- à liberdade, e, esse direito é também um dos princípios básicos presente, pessoas mais conscientes da importância que seu voto que se encontram em nossa constituição e que fazem parte da de- tem. Com certeza os candidatos terão que se esforçar mais, mos- mocracia. Se não temos o direito de escolha, se somos obrigados a trarem serviço, cumprirem com suas propostas se quiserem o voto algo, esse princípio e direito fundamental estão sendo violados. do eleitor. O voto facultativo apresenta um eleitor mais consciente e Mas como por aqui o voto ainda é obrigatório, vamos fazer a parte politizado. O voto obrigatório apresenta todo o tipo de eleitor, o que que nos cabe. Votar vai muito além de depositarmos nosso voto na quer mudanças e o que não ta nem aí. Não vejo outra maneira das urna simplesmente. Começa antes, com a escolha do candidato. pessoas terem essa consciência da sua importância num pleito, Com o voto consciente que não seja através da educação. Vivemos um momento de des- Esse ano teremos 569 candidatos concorrendo as eleições majori- crédito na política, e a ignorância que há anos nos persegue, nos tárias no Brasil. Precisamos entender que nossa escolha é impor- fazendo de marionetes que podem ser manobrados da maneira tante. Votar consciente é importante. A quem diga que é melhor que quiserem é algo concreto que só faz aumentar o privilégio das não votar em ninguém. Como assim? Não queremos mudanças? minorias. Ta na hora de deixar de ser massa de manobra dos polítiQuem pode fazer isso acontecer somos nós. São as nossas esco- cos e não permitir mais que roubem nosso dinheiro, que nos engalhas que irão dar o rumo do nosso país para os próximos 4 anos. nem com falsas promessas, não aceitar benefícios em troca de voEstamos sem fé. Decepcionados com a nossa política, com nossos tos, deixar de seguir sem rumo, sem se importar com o futuro do políticos, com a falta de honestidade e lisura. Será que temos medo nosso país. de expor nossas opiniões? Porque quando o fazemos somos en- Temos que refletir para agir, e não seguir a boiada simplesmente. quadrados em “Direita” ou “esquerda”? Precisamos falar com as Se chegamos a esse ponto, de estarmos num cenário político em- pessoas, trocar ideias, debater com aqueles que pensam diferente. pobrecido, que não é o ideal para nosso país, foi por escolha nos- Não podermos achar sempre que quando alguém discorda de nós, sa. Escolhemos mal quem nos representa. O significado de voto está sendo preconceituoso, intolerante, estúpido. pelo dicionário Priberam é: Sufrágio ou manifestação da opinião Tenho medo de pensar que podemos nos iludir com alguém que individual a respeito de alguma pessoa ou de alguma coisa que apresente inovações e vamos todos atrás desse novo “salvador” queremos ou que não queremos que seja eleita ou posta em vigor. apenas porque estamos querendo algo novo. Esse novo tem que Quem é que não quer eleger o melhor para si e para seu país? Co- vir baseado em propostas concretas, se não, corremos o risco de mo fazemos isso? Com Consciência política. Elegendo pessoas votar em alguém que pode apresentar mudanças horríveis, mas que pensem e trabalhem pele coletividade. Descartando político que é uma mudança, tão carentes que estamos de bons governan- que só faz algo em época de campanha eleitoral. tes, de boas propostas,que nos deixamos levar pela crença de que pior que está não pode ficar, aí corremos o risco de não pensar no Autora: Mariene Hildebrando Dia 17 - Dia da Música Popular Brasileira Art. 1º – Fica instituído, no calendário das efemérides nacionais, o Dia Nacional da Música Popular Brasileira, a ser comemorado no dia 17 de outubro – data natalícia da compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga. Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 9 de maio de 2012; 191º da Independência e 124º da República. DILMA ROSSEFF Anna Maria Buarque de Hollanda O projeto original, do deputado Fernando Ferro (PT-PE), é de 2003. “A música é, entre todas as manifestações artísticas brasileiras, a que mais acentuadamente revela a riqueza de nossa diversidade cultural e regional”, afirmou o parlamentar na apresentação da proposta. “A adoção desse dia é uma forma de homenagear a primeira maestrina do país, que, em pleno século XIX, quando predominava a música europeia nos salões da aristocracia brasileira, desafiou os costumes de sua época e ousou trazer os ritmos africanos para suas composições musicais.” Primeira Presidente homenageia primeira maestrina do Brasil: 17 de outubro de 1847, nascimento de Chiquinha Gonzaga Ferro acrescenta que Chiquinha Gonzaga era “um mulher antenada com as grandes questões de seu tempo” – lutou pela abolição da 17 de outubro de 2012, Dia Nacional da Música Popular Brasileira escravatura e pela causa republicana, além de ser precursora na LEI Nº 12.624, DE 9 DE MAIO DE 2012 DOU de 10/05/2012 (nº luta por direitos autorais. A sua música mais célebre é a marcha- 90, Seção 1, pág. 1) Institui o dia 17 de outubro como o Dia Na- rancho “Ó Abre Alas”. Mas Chiquinha também é lembrada pela sua cional da Música Popular Brasileira. independência. Separou-se do marido imposto, um escândalo para a época. Teria dito que não conseguia ver a vida sem harmonia. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Na- cional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Fonte: Rede Brasil Atual Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 5 Aquieta! e gula. A nossa fome é a gula deles. Senta 20 - Dia do Poeta um pouco! Toma uma água. Dia 5 tem dinhei- Aquieta, homem. Aquieta! Aquieta que a ro e a gente se vira até lá. Cê tá aí rodando, A poesia de hoje em dia fome é cão falando na orelha e não deixa a pensando tanta besteira que Deus me livre. A poesia de hoje está degenerada. Não gente pensar direito. Aquieta que a fome Falando coisas que nem são de você. Nem há liricidade simples, como se o poeta quando grita, faz um barulho tão grande que parece que é você falando, sabe? Nem pare- falasse de si (pois fala de outra coisa: derruba as paredes da nossa própria alma. ce! Até a voz muda! Eu hein! Volta pra cá e sempre de sua... alma). Há uma secura Aquieta que a fome é troço ruim e foi feita pra fica. Essa linha que cê tá vendo mostra um nos poemas, muitos pontos onde entram deixar a gente assim. Andando de um lado caminho sem volta. A gente vê todo dia gente vírgulas. Há sujeira e palavrões nos ver- pro outro. E de tanto andar sem rumo, a gen- cruzando essa linha e não voltando mais. A sos, pouca filosofia, muita “simplicidade”, te se perde. É como andar no mato, sem sen- pessoa fica igual você, se mete a andar sem nenhuma sofisticação, pouca opinião, iro- tido ou direção. Acaba dando em lugar ne- rumo e vai indo. Vai indo, indo e quando vê, nia ou genialidade de contestação. nhum. Então aquieta! Deita um pouco e es- ficou longe de casa. Aí não volta. Não se perquece, vai. Faz uma oração forte. Dá um gole de não! Cê não fez isso criança, lembra? Se na cachaça. Vai te ajudar dormir. Dorme e perder, ué. Disso que tô falando! Não se pertenta sonhar. Pensa num lugar bom. Sem me- deu quando menino, vai se danar por aí com do ou solidão. Pensa num lugar que o sol é a cabeça ruim agora velho? Não, né? Porque pra animar e não rachar a cabeça num chão quando menino se metia até a pedir em barbatido. Se tiver muito difícil, come mais um racas por aí. A barriga falava, cê ia até algu- Os poetas de hoje são os que versam falando de como foram seu dia, ou versam seu perfil no Orkut, seu diálogo no trânsito, no elevador, na praça – nada contra, desde que seja a poesia a questão da situação, e não a normalidade. pouco de farofa. Pega um passarinho, depe- ma pessoa que tivesse com a barriga quieta e Não se fala mais de amor com aquela na bem e põe na panela. Fazer o quê? Enga- pedia alguma coisa. Se virava. Lembra? E vai inocência que nos fazia querer amar a na bem e não faz pensar besteira. Cê acha? se virar agora também. Sem dar gostinho pra ser amado, e nem da liberdade que fingi- Se isso fosse de agora, até daria pra enten- ninguém de perder o que é de seu caráter. mos hoje ter... com nossa recém funda- der essa agitação toda. Mas não. Cê sabe Aquieta, homem! Olha no espelho e lembra da: democracia. Os problemas do país que não. É coisa que vem de longe. Coisa de você. Tá ruim? Tá ruim! Mas tem que me- estão negligenciados ou são feitos de que as pessoas fazem pra deixar a gente as- lhorar. Porque daqui pra lá não tem mais na- demagogia versante por seres que só sim, com os pés agitados pela sala. Deus me da. Só o fim, né. Vai saber! Então aquieta! querem vender livros. Crônicas e contos livre! Aquieta e pensa que vai melhorar. Não Faz a oração forte que te falei e deita! Deita estão em versos; receitas de bolo estão dá esse gosto pra eles não. Não dá porque que vou deitar também. É que deu uma baita em verso, bulas de remédio estão em eles ficam felizes. A nossa fome é tira-gosto fraqueza. verso; manuais de instrução estão em pra eles, sabia? Pois é! É sim! Primeiro é a verso, diários, cartas de amor, cartas de mesa farta com coisa de gente que visita mui- Autor: Guigo Ribeiro é ator, músico, poeta, dor-de-cotovelo, cartas de despedida, to outros países. Depois vem a nossa fome. compositor e escritor. cartas de apresentação, de pedidos de Percebe não? A refeição dessa gente é fome namoro... tudo está em verso, ou seja: todo texto corrido teve suas frases que- 02 - Dia Internacional da não violência bradas e divididas em mais linhas do que deveriam – sem rimas nem métrica. Te- VIOLÊNCIA URBANA; CAUSA, CONSEQUÊNCIAS E SOLUÇÕES mos tudo em verso... menos a poesia, A violência urbana é um grande e antigo problema nacional. Os altos níveis de criminalidade que passa longe, caminhando sorridente, constitui-se em um cenário preocupante para o Brasil, uma vez que coloca a população em assistindo a decadência da genialidade perigo constante e contribui para que seja internacionalmente conhecido pela violência. As poética desta geração. raízes desse mal da sociedade brasileira estão na concentração de renda e pela marginalização das classes de menor poder aquisitivo. A negligência do Estado brasileiro em relação aos anseios da população é uma das causas da violência urbana. Não sendo a população atendida por serviços públicos de qualidade e não havendo perspectivas de melhoria de vida, o crime se torna uma alternativa para viabilizar qualidade de vida à essas pessoas. Além disso, o precário sistema prisional brasileiro não oferece condições para a reeducação e reinserção social dos presidiários. Prova disso é o fato de que a violência e o crime também são características marcantes nos presídios. Muitos detentos, quando em liberdade, voltam a cometer crimes ou, ainda, comandam facções criminosas ainda sob tutela do Estado. Entre as diversas consequências dessa situação alarmante estão crimes como assassinatos, latrocínios, roubos a mão armada, que assolam a sociedade brasileira. É relevante destacar, também, o impacto negativo, causado pela violência, na imagem internacional do país. Assim, além de ser um problema social, a violência urbana constitui-se em um empecilho ao desenvolvimento econômico, uma vez que afeta o turismo e inibe possíveis investimentos Posso estar extremamente enganado e dizer que “nossa” genialidade de hoje não é escrever Autos da Barca do Inferno, ou As Rosas do Povo ou As Cinzas das Horas... mas sim escrever Autos dos Ônibus Lotados, As Enchentes do Povo ou As Cinzas dos Barracos... mas talvez, com isso, todo o significado do que é poesia (que, no fundo, não é o que diz, mas o que quer o discurso dizer) está defasado, precisando ser ou reformado ou esquecido de vez. Sei lá, sei não: melhor perguntar para quem entende de discutir poesia. Só sei do que eu faço. externos no país. Autor: Hiago Rodrigues A violência urbana é um grande desafio nacional originado, em parte, pela concentração de renda e desatenção, por parte do governo, com os mais pobres. Caso medidas urgentes não sejam tomadas, tais como serviços públicos que atendam satisfatoriamente a população me- nos favorecida e um projeto que vise melhorias no sistema prisional, o cenário futuro pode ser ainda mais preocupante. Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 6 LIBERDADE DE EXPRESSÃO Vivemos hoje em dia o massacre das mídias e das Fake News, geralmente provocando discórdias e denegrindo imagens de pessoas Bom seria viver num país onde pu- disfarçadas na proposta de defender a verdade só que de forma déssemos tomar decisões e fazer pejorativa. E qual autoridade irá julgar isso tudo? Podemos cair em nossas escolhas de maneira saudá- uma armadilha ou na censura e aí o perigo dos desavisados darem vel, ter o direito de discursar sobre o suporte a essa nova modalidade de invasão e divergência irrespon- que gostamos ou não e entender sável esquecendo até onde vai a liberdade de cada um e de forma bem o que significa essa liberdade sem ter que pagar o preço da civilizada e, para uma sociedade ser verdadeiramente democrática, punição. os cidadãos devem ter o direito de falar e de ouvir as ideias que Acordamos todos os dias presos em nossas gaiolas e em nossos possam ser livremente expressadas mesmo que as que odiamos. pensamentos porque somos discriminados, julgados e subjugados Enfim, temos o direito de nos expressar ou não e essa liberdade nas redes sociais que limita nossa liberdade de expressão porque ninguém pode ceifar. nem todos sabem tolerar aquilo que às vezes não gostam. Estamos à beira das eleições e vem aí uma enxurrada de imposi- A população dividiu-se pela intolerância esquecendo-se que é direi- ções e informações nem sempre precisas ou que tentam nos impor to de cada um manifestar-se sem sentir-se desconfortável, quer como se fossemos marionetes. nas próprias ideias como cidadão ou artisticamente, pois essa deveria ser a base da sociedade pela qual tanto lutamos para tornar A ideia que vem rondando é a de votar nulo dando a ideia de que se a maioria o fizer, anula a eleição. Falso! Votar nulo apenas mos- nosso país democrático e plural. tra que você não concorda e que está indignado. Atualmente vivemos um período delicado onde a cada esquina vemos um grupo manifestar-se contra o direito de pensar de outros grupos cerceando quem pensa diferente e nem percebem que a- O voto em branco mostra que você não sabe em quem votar e está em dúvida. gem da mesma forma quando repudiam o Estado, se ameaçados Não comparecer mostra seu desprezo e para não votar no menos por cassetetes para impor a “ordem”, essa atitude é o mesmo que pior, prefere passear. colocar grades na janela do outro e isto não é ser livre e nem tão Uma eleição só é anulada pela justiça e não pelos eleitores e, de pouco o jeito de defender a democracia. qualquer forma, aqueles candidatos que receberam votos dos que Se todos são iguais perante a lei, quem somos nós para impedir compareceram às urnas, serão eleitos. isso? A função de julgar aquele que infringe leis é da justiça e que Portanto, os votos registrados serão validados e embora todos te- deveria ser “cega” para defender tanto os fracos e oprimidos, mas, nham direito de não querer votar depois irão dizer que não tiveram também punir os fortes e poderosos de acordo com a nossa consti- nada com os resultados. Afinal, em nosso país o voto não é faculta- tuição. tivo e sim obrigatório, portanto, constitui-se num dever de cidadão. Verdade que não é bem o que acontece e apesar do conceito estar Hoje temos sites mostrando a ficha corrida dos candidatos e da- certo nem sempre as leis são aplicadas como deveriam, por falha queles que nunca se candidataram proporcionando a possibilidade de caráter do ser humano que por vezes utilizam o poder nem sem- de pesquisar e pensarmos bem em quem escolher e nos represen- pre de maneira justa, pois todos deveriam ter assegurado o direito tar. de manifestar opinião mesmo que contrária aos demais, afinal a diferença entre ditadura e democracia é discordar e poder dizer não A população não costuma analisar o voto para prefeito, vereadores, ou, o que quiser e como quiser. Entender que ter opinião não signi- deputados, senadores e acabam, de última hora, decidindo por fica ofender, discriminar pessoas pela cor, raça, sexo e nem agir qualquer um ou em alguém que lhe indicaram sem saber do seu contra a moral e os bons costumes. Isso é contra lei e passível de histórico, mas pensem bem, afinal, eles é que aprovarão nossas punição. leis e decidirão nossas vidas. Não precisamos concordar com tudo e com todos mas aceitar e Simples mas o brasileiro ainda não aprendeu. conviver respeitosamente com quem pensa diferente, mesmo que seja a minoria. Autora: Genha Auga Dia 12 - Dia nacional da Leitura - Maior capacidade de persuasão; - Estímulo à abertura de novas opiniões e pontos de vista; A importância da leitura para a sua vida profissional e pessoal. - Expansão do repertório cultural; Livro, leitor digital, gibis, jornais ou revistas, não importa em qual - Maior qualidade nas relações interpessoais; ferramenta, somente o simples ato da leitura é uma das oportunida- - Autodesenvolvimento contínuo. des mais democráticas e acessíveis de desenvolvimento pessoal e profissional. É por meio dela que a pessoa se desliga do mundo O hábito de leitura dos brasileiros real, quebra as fronteiras da imaginação e descobre novos univer- De acordo com a quarta edição da pesquisa Retratos da Leitura no sos sem ao menos sair do lugar. Brasil, feita pelo Ibope e encomendada pelo Instituto Pró-Livro em Encontrar um tempo para ler é um processo que permite a expan- 2015, o hábito da leitura não faz parte do dia a dia dos brasileiros. são de si mesmo, criando a abertura para infinitas possibilidades e Segundo os dados, a população brasileira lê 4,96 livros por ano, trilhando o caminho para o despertar do potencial pleno. Um leitor sendo que 2,43 são completos e 2,53 em partes.Quem é estudante assíduo tem mais chance de absorver mais conhecimento incenti- ainda lê 9,38 livros ao ano, enquanto os outros leem 3,35. vando a evolução pessoal e profissional. Em uma análise para entender o gosto pela leitura, o item “gosta Benefícios da leitura para a vida pessoal e profissional: - Senso crítico mais apurado; um pouco” ocupa o primeiro lugar, seguido de pessoas que “gostam muito”, seguidos de quem “não gosta” e por último daqueles que “não sabem ler”. - Evolução do pensamento sistêmico; A falta de tempo, preferência por outras atividades e a falta de paci- - Conhecimento de novas palavras e termos, tornando o vocabulá- ência são alguns dos itens apontados como desanimadores do há- rio amplo e rico; bito de leitura. - Desenvoltura na oratória e expressão; Lei muito e sobre tudo leia! - Escrita mais coerente; Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 7 O impacto das fake news nas eleições 2018 de tweets publicados, relacionados à campanha eleitoral, 14% e- O combate às fake news deve ser realizado por todos, tanto pelas empresas de tecnologia, como pelos órgãos governamentais, e até ram Fake News, ou seja, mais de 3 milhões e 700 mil tweets tratavam de informações falsas. Aliás, existem bots (robôs) que podem publicar mais de mil tweets por segundo, provando, assim, a facili- mesmo por cada um de nós. dade de se viralizar algo inverídico nas redes. O vídeo que circulou nas redes sociais, com o título: “Denúncia: De- Este tema tem trazido muita preocupação, a ponto de o Tribunal putado marca presença de colegas ausentes”, que retratava um su- Superior Eleitoral (TSE) se mobilizar para combater e inibir as Fake posto deputado relacionando a presença dos colegas faltosos em uma sessão na Câmara Federal, é verdadeiro? A notícia que circu- News nas campanhas eleitorais deste ano. Também já existem diversos projetos de lei apresentados na Câmara e no Senado para lou na internet de que o STF autorizou o monitoramento do Whatsapp de todos os brasileiros é real? A publicação da informação de criminalizar as Fake News no Brasil. que quem não votou nas últimas eleições, não poderá votar no plei- O grande problema é que tais notícias falsas têm se utilizado do to desse ano, está correta? compartilhamento irresponsável de muitas pessoas na rede, que A resposta para as três perguntas acima é NÃO! No entanto, por estão disseminando notícias mentirosas, sem verificar previamente sua veracidade. Inclusive, há casos que o compartilhamento é reali- que tais notícias parecem ser verdadeiras e temos a impressão de zado após o indivíduo ler apenas a manchete, desconhecendo por que já as vimos em algum lugar? Isto se dá, pois estes boatos tratam-se de Fake News (notícias falsas) e circularam nas redes soci- completo o conteúdo compartilhado. ais, criando intensos debates na internet. Nota-se, também, que o Facebook não tem obtido pleno sucesso no combate às Fake News disseminadas em sua plataforma. Devi- A fúria que se verifica nos comentários sobre o vídeo do suposto deputado flagrado, demonstra o poder de influência das Fake do a estas dificuldades de controle, algumas empresas, que investem milhões em anúncios digitais, já informaram que cortarão seus News, especialmente junto aos eleitores. Ironicamente, o vídeo viralizado não era de um político brasileiro, na verdade tratava-se de um vídeo gravado e publicado na Ucrânia, em 2017. anúncios do Facebook e do Google, caso não se note uma mobilização das duas corporações em um combate eficaz às Fake News. Revela-se, assim, que a preocupação com o tema é mundial. Toda- Entretanto, tal denúncia mentirosa teve grande repercussão na internet, fazendo com que os internautas publicassem seus posts, via, cos a apreensão tem surtido efeito na mobilização de órgãos públie privados para o combate das Fake News. Estas iniciativas destilando sua indignação nas redes sociais (podendo atingir milha- são muito importantes para as próximas eleições, principalmente res ou até milhões de pessoas), estimulando ataques genéricos aos políticos brasileiros e a quaisquer parlamentares supostamente a- porque já há no mercado empresas que vendem serviços ção e viralização de Fake News para campanhas políticas. de cria- pontados como flagrados ou beneficiários daquele ato ilícito, pre- sente no vídeo. Portanto, o combate às Fake News deve ser realizado por todos, As Fake News ganharam notoriedade após a campanha para elei- tanto pelas empresas de tecnologia, como pelos órgãos governamentais, e até mesmo por cada um de nós, que hoje temos voz e ção de Donald Trump, nos Estados Unidos, pesquisas apontaram que realmente houve em 2016, quando as uma influência direta vez nas redes sociais, modificando nosso papel social e nossa responsabilidade, obrigando-nos a conferir a informação antes de pu- das Fake News nas eleições norte-americanas e que, inclusive, 2- blicá-la ou compartilhá-la. Quem sabe, assim, um amadurecimento 7% do eleitorado teriam acessado, pelo menos, uma das News nas semanas que antecederam a eleição presidencial. Fake efetivo no combate às notícias falsas se materializará, e o impacto das Fake News nas eleições será menor do que o esperado, preva- Na Inglaterra, o termo “Fake News” foi classificado como a palavra lecendo a verdade e a própria Democracia. do ano de 2017, pela editora Collins, e receberá menção em um dicionário britânico. Já na Alemanha, em um campo de 27 milhões Autor: Luiz Augusto Filizzola D'Urso 31 - Dia do Saci animais e com as pessoas. O Saci-pererê, ou simplesmen- As principais travessuras são trançar os cabelos dos animais, fazer te saci, é uma figura presente no fol- sumir objetos (como os dedais das costureiras), e ainda, assobiar clore brasileiro. para assustar os viajantes. Ele é um menino negro e travesso Reza a lenda que costuma atrapalhar o trabalho das cozinheiras, que fuma cachimbo e carrega uma trocando os recipientes de sal e açúcar ou fazendo-as queimar a carapuça vermelha que lhe concede comida. poderes mágicos. Além de suas travessuras, é importante notar que o Saci tem o do- Uma das importantes características desse personagem é que ele mínio das matas e, por isso, possui outra função denominada possui apenas uma perna. “farmacopeia”. Origem da Lenda do Saci Assim, o Saci é o guardião das ervas e das plantas medicinais. Ele Originária nas tribos indígenas do sul do Brasil, a lenda do Saci- conhece suas técnicas de manuseio e de preparo, bem como de pererê existe desde fins dos tempos coloniais. sua utilização acerca dos medicamentos feitos a partir de plantas. É contada em todas as regiões brasileiras e, por isso, a estória mo- A partir disso, em muitas regiões o Saci é considerado difica-se conforme o local. um personagem maléfico. Ele guarda e cuida das ervas sagradas Inicialmente, o Saci era retratado como um personagem endiabrado, que possuía duas pernas e um rabo. negro e presentes na mata e costuma atrapalhar e que as coletam sem pedido de autorização. confundir as pessoas A partir da influência africana, ele perde a perna lutando capoeira e adquire o hábito de fumar o pito, ou seja, o cachimbo. A lenda garante que para capturar o Saci-pererê, a pessoa arremessar uma peneira dentro dos redemoinhos de vento. deve O gorrinho vermelho do Saci-pererê, por sua vez, advém do folclore do norte de Portugal. Era utilizado pelo lendário Trasgo que possuía poderes sobrenaturais. Dessa maneira, após capturá-lo, é necessário retirar-lhe o gorro para prendê-lo em uma garrafa. Acredita-se que o Saci nasceu do broto de bambu, permanecendo História do Saci-pererê ali até os sete anos e, após esse período, vive mais setenta e sete praticando suas travessuras entre os humanos e os animais. Por O Saci-pererê é considerado um dos personagens mais conhecidos fim, ao morrer, o Saci torna-se um cogumelo venenoso. do folclore brasileiro. Ele se diverte fazendo brincadeiras com os Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 8 dos mercadores é muito especializada em economia, em assuntos financeiros, monetários, etc. Mas, tem a tendência de ser mesquinha, interesseira e oportunista, é pouco sensível ao grupo dos trabalhadores assalariados principalmente. O grupo dos doutos é, aparentemente, o melhor adequado para liderar a sociedade, mas tem a tendência de desdenhar os outros grupos quanto a se ter informações e conhecimento, de se achar proprietário da razão e da verdade. O grupo dos trabalhadores assalariados é fundamental para a sociedade, é o que faz tudo funcionar, mas tem a tendência a se inclinar ao rancor e ao vitimismo, ao coitadismo de classe, naturalmente. E, se olharmos com atenção ao meio político hodierno, no contexto do Brasil e de vários países também, e nos esforçarmos para ser- mos imparciais, poderemos perceber um conflito desses grupos da sociedade pelo direito de regular o país, em vez de negociações Sociedade de grupos para conciliações de interesses diversos. Uma polarização na soci- edade. E o conflito está cada vez mais acirrado. Os grupos da soci- No Brasil, a desigualdade é tamanha que lembra o sistema de cas- edade estão intolerantes, não querem ceder a outro grupo que te- tas da Índia, cuja estrutura social é dividida em brâmanes nha ideais divergentes dos seus. E entre os vários candidatos à (sacerdotes), os xátrias (guerreiros), os vaixás (comerciantes), os presidência, não encontramos um líder capaz de mediar o conflito sudras (servos, trabalhadores braçais), e os sem casta, excluídos, entre os grupos oponentes entre si, só indivíduos que querem ga- os “impuros”, os intocáveis. rantir a imposição das vontades do seu próprio grupo aos outros Mas as sociedades agrárias pré-modernas eram, também de jure grupos. Ninguém está conseguindo proporcionar “ferramentas” para ou apenas de facto, dividas em castas ou em clãs (grupos de pes- solucionar o conflito de ideais e de interesses na sociedade. Os in- soas unidas por parentesco e linhagem). Normalmente, eram dividi- teresses de cada grupo oposto ao outro estão “pesando mais” do das em quatro grupos sociais, os sábios ou doutos (inclui o clero), que se ressaltar a enorme importância do senso diplomático social os guerreiros (inclui aristocracia), os mercadores e os camponeses. e comunitário. O perigo que a falta de bom senso e de noção sobre Na sociedade hodierna, esses mesmos grupos ainda existem em se recusar a fazer concessões é o possível desdobramento em diformatos diferentes e disputam o poder de regular as relações soci- reção a uma luta armada entre facções que disputam o poder, a ais. Nos dias atuais, a “casta” dos sábios ou doutos está no formato violência, a guerra. O pleito eleitoral de 2018 no Brasil é um evidende técnicos e acadêmicos, cientistas, pessoas que atuam na área te sintoma de grande imaturidade política, indivíduos políticos são do conhecimento, a “casta” dos guerreiros está no formato dos mili- notoriamente idolatrados devido ao que propõem ou ao que já fizetares e das polícias, a “casta” dos mercadores está no formato de ram, a confiança cega dos eleitores e militantes partidários. Pergunempresários, comerciantes, industriais, banqueiros, acionistas, ren- tas retóricas: até que ponto se deve lutar por qualquer uma das idetistas, o pessoal do dinheiro, do capital. E a “casta” dos antigos ologias políticas? Qual é o limite para se abraçar causas políticas? camponeses está no formato dos operários no chão de fábrica, dos Não é preferível ceder os anéis para não perder os dedos? A detrabalhadores assalariados, do proletariado, e também dos traba- mocracia representativa é realmente o modelo ideal de democracilhadores rurais. Esses grupos da sociedade são representados poli- a? Terá o modelo de Estado proposto por Montesquieu, se esgotaticamente na forma de partidos. Os partidos de esquerda represen- do? Até que ponto a conciliação de interesses é possível? tam majoritariamente o grupo dos operários e camponeses. Os de Assim como a Revolução Gloriosa inglesa no século XVII, a Revo- centro representam o grupo dos “mercadores”, o grupo do capital, e lução Francesa no século XVIII, a Revolução dos Cravos portugue- os partidos da direita conservadora representam os militares, pro- sa no século XX... também o Brasil necessita de uma Revolução prietários de terras de grande extensão e religiosos. Brasileira, que mude completamente a sua realidade. Não é um in- Prós e contras, a “casta” dos guerreiros é disciplinada, muito bem divíduo específico ocupando a presidência da República que vai regrada. Mas, tem a tendência a ser agressiva e inflexível, porque é trazer as mudanças tão necessárias. especializada em batalhas, em lutas, em medir forças. A “casta” Autor: João Paulo E. Barros Família patriarcal no Brasil meiro século da colonização, século XVI, a partir da herança cultu- ral portuguesa, cujas raízes ibéricas estavam, nessa época, forte- O modelo da família patriarcal esteve na ba- mente vinculadas com o passado medieval europeu – sem contar a se de formação social do Brasil. Muitos as- forte influência do modelo de patriarcado muçulmano, de quem os pectos de nossa sociedade podem ser com- portugueses absorveram muitas características. preendidos a partir dele. As diversas regiões brasileiras, inicialmente divididas em capitanias O modelo de família patriarcal foi determinante para a constituição hereditárias, foram controladas por poucas famílias que se apode- do Brasil Colonial raram dos mecanismos de desenvolvimento econômico dessas re- A família, como quaisquer outras instituições humanas, transformou giões. O exemplo mais notório foi o das fazendas de engenho de -se ao longo do tempo. E em cada continente do planeta, em cada açúcar no Nordeste brasileiro, especialmente em Pernambuco. Es- civilização e cultura específica, a estrutura da organização familiar se modelo atravessou séculos e, até os dias de hoje, pode-se per- assumiu formatos que se ajustaram às condições econômicas e ceber no Brasil traços desse tipo de dominação familiar regional. sociais ou mesmo influenciou tais condições. Na história da forma- O modelo da família patriarcal no Brasil gerou, assim, uma forma ção da sociedade brasileira, especialmente no período da coloniza- específica de organização social, que teve grande implicação em ção do Brasil, o modelo de família que se formou foi o modelo patri- nossa organização política. Trata-se do “patronato político”. Você já arcal. deve ter ouvido falar nas aulas sobre República Velha da prática do O modelo patriarcal, como o próprio nome indica, caracteriza-se “apadrinhamento” e do “clientelismo” por parte dos chamados por ter como figura central o patriarca, ou seja, o “pai”, que é simul- “coronéis” — líderes políticos locais. Pois bem, essas práticas que taneamente chefe do clã (dos parentes com laços de sangue) e ad- consistem em “estender os domínios privados”, o âmbito familiar, ministrador de toda a extensão econômica e de toda influência so- para a esfera pública, para os domínios da atividade política, têm cial que a família exerce. A extensão suas raízes no patriarcalismo. No Brasil, esse modelo de família começou a formar-se logo no pri- Autor: Cláudio Fernandes Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 9 O futuro que já não conheceremos as. E, principalmente, cria oportunida- Fechou-se repentinamente a porta pa- des para resolver problemas que ainda ra futuras descobertas desse tipo, que não somos capazes nem de imaginar. poderiam ter saído do incalculável pa- Ou seja: abre portas para o futuro trimônio científico do museu. As políti- desconhecido. E esse potencial, como cas mesquinhas dos sucessivos Gover- é imprevisível, é sem dúvida a mais nos − cada um agravando uma situa- tremenda das perdas que sofremos no ção que já era insustentável − em re- domingo passado. lação ao patrimônio só podem ser fruto Nos séculos XVIII e XIX, ninguém ima- de uma ignorância superlativa combi- ginava que a mudança climática causa- nada com interesses legalmente tur- da pelos humanos seria um dos maio- vos. Mas, na verdade, isso não está Juntamente com o Museu Nacional ardeu muita da nossa memória, nosso presente ficou mutilado e nos roubaram um futuro que agora nunca conheceremos. res desafios da humanidade no século XXI. No entanto, foram os dados coletados sobre a distribuição em altitude da vegetação entre 1773 e 1858 por Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland nas montanhas do Equador − muito distante de outros episódios como a recente anistia aos destruidores da selva, a impunidade diante da catástrofe ambiental no Rio Doce e o abandono de museus e edifícios históricos, que já causou o incêndio que des- Todos intuímos que algo muito impor- cuidadosamente preservados em cole- truiu em 2010 a coleção do Instituto tante se perdeu para a humanidade ções científicas − que, em 2015, per- Butantan, que é responsável pela mai- com o incêndio que destruiu o Museu mitiram que a humanidade entenda o or parte dos antídotos contra veneno Nacional do Rio de Janeiro. Sendo bió- efeito do aquecimento global na distri- usados no Brasil. logo e conhecendo as coleções científi- buição da vegetação. Quem diria aos Em um museu de ciências podemos a- cas que abrigava, também compartilho milhares de paleontologistas que dedi- prender as semelhanças e diferenças uma raiva e uma tristeza monumental caram suas vidas a coletar e preservar entre os humanos e outras espécies de com todas as pessoas com quem falei fósseis em todo mundo durante sécu- primatas, ou que nosso corpo contém sobre o assunto, do eletricista que está los, e aos cidadãos que com seus im- tanta quantidade de microrganismos trabalhando na minha casa em Porto postos e doações permitiram que estes (principalmente bactérias, sem muitas Alegre até meus colegas professores cheguem até nossos dias, que esses das quais morreríamos), que eles equi- da universidade onde pesquiso e ensi- restos orgânicos mineralizados acaba- valem em número às nossas próprias no Biologia. Todos concordamos que a riam sendo a evidência empírica defini- células. É o lugar onde nossos filhos perda do museu representa um exem- tiva de um problema que nem sabía- podem aprender que o ovo evoluiu mi- plo muito claro e tangível de uma dinâ- mos que poderíamos ter: um evento lhões de anos antes que a galinha. On- mica tristemente cotidiana para os que de extinção em massa de espécies, e- de os descendentes do povo Wari’ po- vivemos no Brasil: somos traídos vil- quiparável em magnitude à dos dinos- dem ir para entender como viviam mente pelas instituições públicas res- sauros. seus parentes poucas gerações atrás. ponsáveis por cuidar do patrimônio da nação. No entanto, poucos conseguem entender todas as dimensões daquilo que perdemos. Ou, mais perto de casa, o crânio de Homo sapiens conhecido como Luzia esteve 20 anos nas coleções do Museu Nacional até que um pesquisador des- É onde aprendemos de forma intuitiva nossa insignificância no universo. No domingo, entretanto, aprendemos nossa insignificância no Brasil. Juntamente Um museu atua em três frentes. Ofe- cobriu sua importância. Conhecer a da- com o Museu Nacional ardeu muita da rece um olhar para o passado, ou seja, ta da colonização da América não é al- nossa memória, nosso presente ficou um parâmetro para medir mudanças, go sem importância. Permite, entre mutilado e nos roubaram um futuro uma escala de tempo. Também educa, outras coisas, entender a capacidade que agora nunca conheceremos. no presente, sobre o mundo que nos dos humanos de povoar e conquistar Autor: Santiago Castroviejo-Fisher rodeia, tanto o físico como o das idei- um continente. Povo que não tem história não Daesh assume-se como o centro que vai actual. E, temos que ter Memória, para não tem futuro. anular a massa cinzenta que são todos os largar de vez a História, para não esquecer muçulmanos, que não alinham com eles, as Civilizações que nos fizeram chegar ao Talvez, o Daesh e a destruição de tudo o que tenha História, nos faça repensar a nossa forma colectiva de hoje estar vivos, sem individualismos exacerbados como vem a acontecer. passando-se a extremistas, Jihadistas, para depois aniquilar, desfazer toda a restante população da Terra, ou convertê-la à sua loucura. Isto é destruir, desfazer. Sem nada reconstruir, sem nada refazer. Hoje, o Daesh, tem espaço e tempo para fazer “isto” fa- que “ainda” somos hoje, e ao que talvez devamos querer ser amanhã. Se assim o não quisermos fazer, recordando séculos e séculos –milénios – de presenças humanas, até hoje, e por exemplo, juntar quem nasceu há 65 anos, há 35 e há 5 e cru- Não tenhamos dúvidas que “sem História ce ao mediatismo e ao imediatismo em que zar experiências, conhecimentos, vivências, não há Memória, e sem esta, não há Cons- estamos, todos, a viver. vai tudo correr pior, do que o que está hoje a ciência”. Consciência de Civilizações que nos antecederam e às quais – Civilizações – vamos, ou não, acrescentando as nossas existências, as nossas necessárias evoluções, as nossas modernidades, os nossos conhecimentos, mas sempre fazendo pontes entre o “passado, o presente e o futuro”. Se, como o Daesh desfizermos tudo, parecerá que “aparecemos” hoje, sem passado, mas por certo sem futuro, e com um presente demasiado imediato. O Os Refugiados são notícia, depois são os murros na Hungria, depois uns doidos que nos EUA andam aos tiros a matar outros, depois um imoderado de um candidato presidencial republicando a dizer insanidades, que só tem um penteado original, depois a Madame Le Pen que vence pela extremadireita, e de repente tudo o que se passou ontem, só tem 24 horas, vale muito, mas mesmo muito, uma vez que tudo o que ocorreu “antes”, esqueceu! E isto é repetitivo e acontecer. E vai vencer o Daesh, não por si, mas pela apatia de todos em queremos não saber ter objetivos de Vida, em não quereremos construir sem desfazer, passando a Memória e a História para o futuro e vivendo com a qualidade necessária mas não exagerada e individualista, o hoje, não esvaziando tudo para nada se saber amanhã lá colocar. Ou não, e ficaremos – ficarão – no Vazio! a nem saber estar e Viver! Autor: Augusto Küttner de Magalhães

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 10 Revolta ou Revolução? terão se tornado mestres numa interação discursos “moralizantes” ou “idealistas”, co- inútil e obsoleta”. mo os que o Brasil costumava fazer na O- Arendt escreveu esse texto em 1963. Hoje NU, tornaram-se praticamente inócuos em certamente ficaria surpresa em dar-se conta um contexto internacional completamente de que esse futuro ainda está muito distante conduzido pelos detentores de poder real, e que o conceito ainda está longe de se tor- voltado para regiões estratégicas de seus nar inútil e obsoleto. Os últimos desenvolvi- interesses diretos e estratégicos. mentos ligados à situação na península co- Arendt comenta que a questão social come- reana, assim com ao perene conflito médio- çou a desempenhar um papel revolucionário oriental, recordam-nos a cada dia a fragilida- na era moderna e que os homens começa- Faltam vozes de sensatez capazes de atrair de do sistema de segurança expresso pela ram a duvidar que a pobreza é inerente à as convicções da sociedade Carta da ONU. O uso da força ou da amea- condição humana, inevitável e eterna. As grandes Revoluções não ocorrem por acaso, nem de um dia para outro. Levam tempo. Passam por diferentes fases. Seus dirigentes às vezes se alternam. Umas fracassam. Outras são bem sucedidas. Estas últimas se prolongam em estado latente. As classes dirigentes não se preocupam em fazer as transformações demandadas pela so- ça de força continua a orientar os acontecimentos em escala mundial. A política praticada por Donald Trump e a política imperial levada a cabo pela Rússia de Putin para conter e, se possível, destruir a força da União Europeia são exemplos de um jogo em que eventuais acordos só serão alcançados pelo uso do poder. Essas divagações assaltam meu espírito no momento em que se tornam agudas as confrontações nas cidades e no campo brasileiro. As imagens recentes, principalmente do Rio de Janeiro, são extremamente preocupantes, ao retratar gangues que controlam os entorpecentes em boa parte consumidos pela alta classe média e pela classe alta, os ciedade. Confiam na força do aparato esta- A Europa terá exagerado ao levar a exten- ataques às forças da ordem, em muitos ca- tal de segurança e repressão. Com o tempo, são da União Europeia até as fronteiras físi- sos corrompidas, e também as lutas pelo o desgaste se agrava e um pequeno inci- cas da Rússia. Essa última terá exagerado controle do tráfico que são a expressão cla- dente deflagra a luta decisiva. O Poder Exe- ao intervir na Ucrânia e anexar a Crimeia. A ra – e hoje em dia instantânea – dos graves cutivo está impotente, o Congresso disper- China – que hoje pratica uma política muito problemas a que somos submetidos. so, tomado por interesses pessoais e setori- mais cautelosa do que a que levava a cabo Lembro do célebre diálogo ocorrido na noite ais e o Judiciário começa a dar sinais de até os anos 80 – terá também exagerado ao de 14 de julho de 1789 em Paris quando o partidarismos. Às vezes me pergunto se não avançar suas posições supostamente defen- Rei Luís XVI ouviu o relato de um cortesão será isto que estamos presenciando no Bra- sivas pelo Mar da China afora, afetando a sobre a Queda da Bastilha, dos ataques po- sil: o caos que precede grandes transforma- segurança do Japão e os interesses norte- pulares a guardas que já então se bandea- ções. americanos no Pacífico. vam para o lado popular e perguntou: “É u- Faltam vozes de sensatez capazes de atrair O arco político-estratégico que domina o ma revolta?” e ouviu então de seu interlocu- as convicções da sociedade. Política depen- mundo desde a queda de Napoleão Bona- tor : “Não, Majestade! É uma revolução!” de essencialmente da capacidade dos que parte em 1815 – Reino Unido, EUA, Cana- Será que isso é o que nos aguarda? Há uma se acham preparados para mandar e con- dá, Austrália e Nova Zelândia –, assume po- grande distância entre o debate político e vencer a população de suas ideias e sobre- sições defensivas. O Brexit, porém, sem dú- institucional em curso no Congresso e a rea- tudo de sua capacidade de pô-las em práti- vida debilitou o papel estratégico global da lidade das ruas. A operação Lava Jato trans- ca. A recente eleição do jovem Emmanuel União Europeia. corre com lentidão e talvez isso seja apropri- Macron na França bem revela a sua capaci- O equilíbrio mundial dá sinais de que voltou ado para não acirrar demasiadamente os dade de prometer com credibilidade. a depender de um equilíbrio de forças milita- ânimos. Mas os presos são soltos e os cul- Mas não é só no plano interno que estas se- res. E as Nações Unidas continuam a atuar pados resistem. E a sociedade fica ainda mentes revolucionárias estão verdejando. Atenuado ou superado o conflito ideológico, de forma engessada, e quase irrelevante nos grandes conflitos internacionais. Vai mais insegura e desesperançada com o futuro. Isso é muito grave, tanto mais porque a o mundo voltou de certa forma ao modo anti- pouco a pouco se transformando numa or- confiança no futuro foi sempre o principal go da interação internacional: o jogo de po- ganização de assistência humanitária, mas elemento que manteve o Brasil unido e con- der. pouco relevante no gerenciamento das ame- fiante. aças à segurança global. Em seu magistral livro “Sobre a Revolução”, Não chego, porém, a pensar, como Hannah a grande pensadora Hannah Arendt comen- As regiões periféricas continuam periféricas. Arendt, que o conceito de liberdade possa ta que “os que acreditam na política de po- Na África e na América Latina, o que se vê é estar-se desvanecendo. Prefiro refugiar-me der e, portanto, na guerra como o último re- pouco ou nada relevante. Vê-se corrupção em Guimarães Rosa, para quem “na vida curso da política externa estão fadados a descobrir num futuro não muito distante que ativa e passiva, vê-se perda de controle de recursos naturais estratégicos. Vê-se sobre- tudo termina bem; se as coisas não bem é porque ainda não terminaram!" estão tudo falta do que fazer no mundo. Mesmo os Autor: Luiz Felipe de Seixas Corrêa AS ABELHAS E A lhas do mel ou africanizadas. Estas são abelhas exóticas, híbridos POLINIZAÇÃO do cruzamento de abelhas trazidas da Europa e da África, e as mais utilizadas na apicultura: são abelhas com ferrão. As abelhas formam um gru- Existem também o grupo das abelhas solitárias e ainda as abelhas po diverso e numeroso, do gênero Bombus, popularmente conhecidas como mamangabas. compreendendo mais de 20 mil espécies no mundo. No Ao contrário de outros grupos de insetos, tanto as abelhas adultas, Brasil, estima-se a existên- quanto suas larvas e pupas, alimentam-se exclusivamente de re- cia de mais de 3.000 espé- cursos florais. Por isso, para suprir sua necessidade alimentar, as cies diferentes de abelhas, mas apenas pouco mais de 400 estão abelhas visitam uma grande variedade de flores, colhendo o pólen catalogadas. As espécies nativas são os meliponíneos, ou abelhas (fonte de proteína) e o néctar (para a produção do mel). A atividade nativas sem ferrão, que compõem a grande maioria das espécies de polinização é, portanto, uma ação involuntária dos polinizado- de abelhas de nosso país. res, mas essencial à vida das plantas, que se utilizam de cheiros, cores e sabores para atraí-los. Mas também existem as Apis Mellifera, conhecidas como as abe- Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 11 A florada do ipê e a rede social secreta da natureza natureza supostamente se adaptando a essas mudanças. A ciência Em setembro, em várias regiões do Brasil, floresce o ipê, uma árvore de flores grandes e vistosas que embelezam as matas e cerra- tem mostrado milhares de evidências de alterações nos ritmos de plantas e animais devido às anomalias climáticas. E por que não pensar que, seguindo este ritmo alucinante de emissões de carbo- dos, com praças e ruas das cidades. Os galhos sem folhas contrastam as inflorescências densas, nas quais milhares de flores se es- no na atmosfera e de elevações de temperaturas que a Terra está sofrendo, o próprio ipê poderá modificar sua florada, adiantando, premem para expor a beleza de seus estames e estigmas e, assim, atrasando ou mesmo dessincronizando seu relógio biológico... será, atrair aves, abelhas, auxiliarão a produzir borboletas e outros insetos polinizadores que as sementes que serão dispersas pelo vento então, que no futuro teremos uma florada descompassada? em alguns meses. É impossível não notar essa florada que desper- É triste pensar que o homem seja capaz de descaracterizar um rit- ta interesse e curiosidade em muita gente. mo que a história evolutiva das plantas moldou ao longo de milhões O botânico americano Alwyn Gentry foi um dos primeiros cientistas de anos. No entanto, essa pegada gigante que o homem está deixando no planeta, especialmente nos últimos 100 moderno anos, le- a estudar as plantas tropicais interessantes estratégias para da família das bignoniáceas e suas sinalizar aos animais a presença de va a crer que perderemos ainda muito as relações ecológicas. mais das espécies e das su- néctar e pólen. Ele observou que uma florada colorida, massiva e curta atrai uma gama grande de animais que aprenderam, ao longo Enquanto a florada do ipê não muda de forma mais perceptível, te- da evolução, que a visita a uma árvore chamativa como esta é a mos a chance de observá-la e admirá-la. Somos milhões de pesso- certeza de encontrar alimento. as que, ao mesmo tempo, observamos, fotografamos e publicamos as flores da estação. Os mecanismos evolutivos que levaram as Nas mais de 20 espécies de ipê que ocorrem no Brasil, as flores são amarelas, brancas, roxas e rosadas e, cada uma ao seu tempo, plantas a florescerem massivamente foram determinados pelos linizadores e o clima, não pelo homem. No entanto, a conexão poen- disputam a atenção dos polinizadores. O zum-zum dos animais é especialmente evidente nas plantas que estão nas suas áreas naturais – ou seja, nas matas dos parques e demais áreas protegidas –, tre indivíduos da espécie humana devido a um bem oferecido pela natureza – no caso, a beleza das flores - é algo recente e real e que nos faz refletir sobre o passado e o futuro de nossa espécie. mas pode ainda ser ouvido nas árvores usadas na arborização de inúmeras cidades brasileiras. A natureza é - e sempre foi - capaz de criar laços estreitos entre nós, pois dependemos dela para sobreviver. Seja na produção de Por ser bem marcada temporalmente, é comum que a florada do água para o nosso consumo, na renovação do ar atmosférico, na ipê estimule nas pessoas um espírito observador, o mesmo que reciclagem do solo que utilizamos na agricultura, na polinização de moveu o botânico Gentry a começar a associar os períodos de flo- espécies alimentícias ou no bem-estar promovido pela contemplarada com suas próprias atividades do dia a dia. Lembrar “o que eu ção da natureza, não é possível o homem existir sem as áreas naestava fazendo na florada do ano passado?” ou “será que a florada turais. A natureza promove uma “rede social secreta” de pessoas está acontecendo sempre na mesma época?” são indagações co- que se sentem humanas e pertencentes a um mesmo planeta. Se muns de um bom observador da natureza e do mundo que o cerca. dermos maior valor a essas conexões únicas, seremos capazes em Uma associação recorrente envolve a observação de que o clima pensar num futuro sustentável e possível. tem se tornado cada vez mais quente, as chuvas seguindo ritmos imprevisíveis – de tempestades torrenciais a secas severas – e a Autora: Márcia C. M. Marques 29 - Dia Mundial do AVC de, SAMU, unidades hospitalares de emergên- morragia dentro do tecido cerebral. cia e leitos de retaguarda, reabilitação ambulato- Os sintomas do AVC isquêmico são fraqueza de O acidente Vascular Cerebral (AVC), popular- rial, programas de atenção domiciliar, entre ou- um lado do corpo, dificuldade para falar, perda mente conhecido como derrame, é uma das tros aspectos. de visão e perda da sensibilidade de um lado do principais causas de morte e de sequelas no O Ministério da Saúde deve investir, até 2014, corpo. Normalmente, o tipo hemorrágico traz mundo e no Brasil. A doença cerebrovascular R$ 437 milhões para ampliar a assistência a víti- avisos, como alteração motora, paralisia de um atinge 16 milhões de pessoas ao redor do globo mas de Acidente Vascular Cerebral. Boa parte lado do corpo, distúrbio de linguagem, distúrbio a cada ano. Dessas, seis milhões morrem. Por deste montante (R$ 370 milhões) será destinado sensitivo, alteração no nível de consciência. Mas isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ao financiamento de leitos hospitalares em 151 todos os sinais dependem do local do cérebro recomenda a adoção de medidas urgentes para cidades. O restante vai ser aplicado no trata- que foi acometido. É o mais grave e tem altos a prevenção e tratamento da doença. mento trombolítico (uso de medicação para des- índices de mortalidade. O risco de AVC aumenta com a idade, sobretu- fazer o coágulo e normalizar o fluxo sanguíneo O neurologista Fábio Porto alerta que é muito do após os 55 anos. O aparecimento da doença que chega ao cérebro). comum o idoso apresentar o AVC mais de uma em pessoas mais jovens está mais associado a O AVC decorre da insuficiência no fluxo sanguí- vez. Nesse caso, a somatória de lesões no cére- alterações genéticas. Pessoas da raça negra e neo em uma determinada área do cérebro e tem bro pode dar problemas de memória. “Hoje as com histórico familiar de doenças cardiovascula- diferentes causas: malformação arterial cerebral isquemias cerebrais têm grande contribuição res também têm mais chances de ter um derra- (aneurisma), hipertensão arterial, cardiopatia, para os casos de demência no País”, afirma. me. tromboembolia (bloqueio da artéria pulmonar). A médica Sonia Brucki, do Departamento Cientí- No Brasil, são registradas cerca de 68 mil mor- Segundo o Ministério da Saúde, o fumo é res- fico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimen- tes por AVC anualmente. Um número ligeira- ponsável por cerca de 25% das doenças vascu- to da Academia Brasileira de Neurologia, explica mente inferior ao registrado no ano anterior: lares, entre elas, o derrame cerebral. que muitas vezes o derrame traz alguns sinais, 68,9 mil. A doença representa a primeira causa O mais comum é o paciente que sofreu um AVC mas na maior parte dos casos não vem com avi- de morte e incapacidade no País, o que gera apresentar sequelas. Entre as mais frequentes sos. “O importante é manter a saúde em ordem, grande impacto econômico e social. estão dificuldade na fala e paralisação de parte fazer sempre um acompanhamento – uma vez Por isso, o governo federal prioriza o combate à do corpo. por ano, para quem não tem nenhum problema”, doença com foco na prevenção, uma vez que O diagnóstico é feito por meio de exames de orienta. 90% dos casos podem ser evitados. E, caso o- imagem, que permitem identificar a área do cé- O tratamento preventivo engloba o controle de corra, o paciente pode ser tratado, se chegar rebro afetada e o tipo do derrame cerebral. Há vários fatores de risco vasculares como a pres- rápido a um hospital preparado para dar o aten- dois principais tipos de AVC: o isquêmico (85% são arterial, diabetes, colesterol, triglicérides, dimento imediato. dos casos), quando há parada do sangue que doenças cardíacas, além da necessidade de Como consequência, foi elaborada “A Linha de chega ao cérebro, provocado pela obstrução não fumar, ter uma alimentação saudável e pra- Cuidado do AVC” na Rede de Atenção às Ur- dos vasos sanguíneos; e o hemorrágico, ligado ticar exercícios físicos. gências. Ela deve incluir a rede básica de saú- a quadros de hipertensão arterial que causa he- Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 12 Dia 15 - Dia do Professor te. No Equador, a diferença é menor, mas os professores ainda recebem 77% da remuneração de outras áreas. No México, os vencimentos dos trabalhadores da educação é de 83% dos de outros ramos. Falta de infraestrutura Além da questão financeira, o estudo aponta para as condições de trabalho como razão do desinteresse dos jovens pela docência. “Muitas vezes a infraestrutura das escolas latino-americanas é deficiente em relação a equipamentos e laboratórios e até mesmo em termos de serviços básicos”, ressalta o documento. O estudo menciona as informações levantadas pelo Laboratório Latino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação em 2013 sobre escolas de 15 países latino-americanos, incluindo o Brasil. Na ocasião, foi constatado que 20% dos estabelecimentos de ensino não tinham banheiros adequados, 54% não tinham sala para os professores e 74% não contavam com laboratório de ciências. Brasil tem dificuldade de atrair jovens para a carreira de professor Desinteresse Segundo estudo do BID, 5% dos jovens de 15 anos querem dar au- O estudo aponta ainda que muitos jovens acabam seguindo a car- las. reira docente “por eliminação, não por vocação”. Recuperando da- dos do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) O Brasil, assim como outros países da América Latina, tem dificul- de 2008, a pesquisa destaca que, à época, 20% dos estudantes de dade em atrair jovens talentosos para a carreira de professor. Essa ensino superior com foco no magistério haviam feito a opção para é uma das conclusões do estudo Profissão Professor na América ter uma alternativa caso não conseguissem outro emprego e 9% Latina - Por que a docência perdeu prestígio e como recuperá-lo?, por ser a única possibilidade de estudo perto de casa. divulgado em 27 de Julho de 2018 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Ser professor na América Latina não é uma carreira atraente para jovens talentosos do ponto de vista acadêmico. Não se pode igno- No Brasil, apenas 5% dos jovens de 15 anos pretendem ser profes- rar o fato de que muitos futuros professores decidem frequentar um sores da educação básica, enquanto 21% pensam em cursar enge- curso de carreira docente exatamente por ser uma carreira mais nharia. No Peru, o índice dos que pretendem optar pela docência é acessível no aspecto acadêmico, e não necessariamente por terem de menos de 3%, contra 32% que querem se tornar engenheiros. uma vocação pedagógica”, analisa o estudo. Por outro lado, em países onde a profissão é mais valorizada, o in- teresse tende a ser maior, como na Coreia do Sul, onde 25% dos Reflexos jovens têm a intenção de lecionar, e na Espanha, onde o índice Esse problema tem, junto com outros fatores, reflexos no desempe- chega a quase 20%. nho dos estudantes. Os dados do Programa Internacional de Avali- Entre as razões para o desinteresse para atuar na educação básica ação de Alunos (PISA), citados pela pesquisa, mostram, por exem- estão, segundo a pesquisa, os baixos salários. “Mesmo nos últimos plo, que os conhecimentos em leitura, matemática e ciências dos anos, após uma década de incrementos nos salários dos professo- jovens de 15 anos da região está dentro dos 40% dos com pior re- res, eles continuam a ganhar consideravelmente menos do que ou- sultado entre os países da Organização para a Cooperação e De- tros profissionais”, enfatiza o texto. senvolvimento Econômico (OCDE). O percentual dos estudantes que não atingem o nível básico das competências é mais do que o A partir dos dados das pesquisas domiciliares no Brasil, Chile e dobro da média da OCDE. Peru, o estudo do BID mostra que os educadores ganham cerca da metade da remuneração de profissionais com formação equivalen- Autor: Daniel Mello Repórter da Agência Brasil São Paulo A Educação como econômico mundial como às mudanças na organização do trabalho revolução social que estão a exigir um trabalhador com competência para atuar na sua área e habilidades gerais de abstração, comunicação e integraPartindo do princípio que ção. Assim, a educação como processo de mudança social, tem a educação é fundamen- seu papel cada vez mais relevante, são muitos os avanços tecnolótal para a construção de gicos e de comunicação, logo, não basta ao homem receber inforuma sociedade democrá- mações, aprender tecnologias, se nele não forem despertadas motica em suas dimensões tivações para vencer os obstáculos do mundo em vertiginosa musocial, ética e política escola vem buscando construir mudanças no dança e que lhe dêem sentido à vida em todas as dimensões. paradigma da educação através de seus colaboradores. O homem é um ser inacabado, por essa razão está em constante busca e es- Desta forma, a educação deve estar intrínseca ao amor e a espesa busca se dá por meio da educação que deve ser essencialmen- rança, deve ser autêntica, autônoma e coletiva. A responsabilidade te um ato de conhecimento e conscientização e que, por si só não social da escola e dos profissionais de educação para o processo leva a sociedade a se libertar da opressão. A escola deve servir co- de aprendizagem se desenvolve através do relacionamento intermo instrumento de conscientização do cidadão, extrapolando as- pessoal entre escola, professores e comunidade que pensam o cursim, sua função de mera transmissora de conhecimento e lançando rículo de forma a fortalecer a escola como unidade do sistema es-se numa ação social diretamente relacionada à formação do senso colar e consequentemente promover uma mudança social no senticrítico, direcionada para a intervenção e mudança da realidade so- do de reconstruir uma sociedade mais justa e igualitária para todos, cial. ou seja, as mudanças se fazem a partir da nossa ação cotidiana na realidade concreta de forma que se possa aprofundar a democracia A educação escolar sempre foi fator de dominação colaborando na como princípio para uma boa convivência. construção de um homem obediente e submisso. A acelerada revo- lução tecnológica indica transformações radicais em todo o sistema Da redação Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana - Data Comemorativas Página 13 01 - Dia Internacional da Música fender um direito básico do ser humano. Antes, a 17 de outubro de 1987, Joseph Wresinski, o fundador do A data foi instituída em 1975 pelo International Music Council, Movimento Internacional ATD Quarto Mundo, convidou as pessoas uma instituição fundada em 1949 pela UNESCO, que agrega vários a se reunirem em honra das vítimas da fome e da pobreza em Pa- organismo ris, no local onde tinha sido assinada a Declaração Universal dos Objetivos do Dia Mundial da Música: Direitos Humanos. Ao seu apelo responderam cem mil pessoas. Promover a arte musical em todos os setores da sociedade; A erradicação da pobreza e da fome é um dos oito objetivos de de- Divulgar a diversidade musical; senvolvimento do milénio, definidos no ano de 2000 por 193 países Aplicação dos ideais da UNESCO como a paz e amizade entre as membros das Nações Unidas e por várias organizações internacio- pessoas, a evolução das culturas e a troca de experiências. nais. Neste dia decorrem vários concertos em todo o país, de forma a Neste dia se dá voz aos pobres e se unem esforços para acabar celebrar o Dia Mundial da Música. Muitos destes concertos são de com a pobreza. O tema de 2016 é "Passando da humilhação e da entrada livre. Este é também o dia ideal para comprar discos e ins- exclusão para a participação: acabando com a pobreza em todas trumentos musicais, uma vez que várias lojas apresentam descon- as suas formas". tos em artigos de música. A música é uma forma de arte adorada por milhões de pessoas es- 21 - Dia Nacional da Alimentação na Escola palhadas pelo mundo, fazendo parte do quotidiano. A música é até Esta data tem o objetivo de chamar a atenção de toda a comunida- uma forma de unir as pessoas do mundo e é considerada como um de sobre a importância de pensar e manter bons hábitos alimenta- alimento para a alma.s e individualidades do mundo da música. res para as crianças, jovens e adultos estudantes. 01 - Dia Internacional das Pessoas Idosas Uma boa alimentação é fundamental para o desenvolvimento da capacidade cognitiva dos alunos, ajudando no rendimento escolar Este dia foi instituído em 1991 pela (ONU) Organização das Na- e proporcionando outras melhorias, como: aumento da qualidade ções Unidas e tem como objetivo sensibilizar a sociedade para as do sono, da capacidade respiratória e a prevenção do aparecimenquestões do envelhecimento e da necessidade de proteger e cuidar to de doenças cardiovasculares, por exemplo. a população mais idosa. A mensagem do dia do idoso é passar É essencial a introdução de bons hábitos alimentares desde os pri- mais carinho aos idosos, muitas vezes esquecidos pela sociedade meiros anos de vida do indivíduo. e pela família. Para ajudar nesta tarefa (que também deve ser acompanhada de No Dia Internacional do Idoso decorrem várias iniciativas para a po- perto pelos pais ou responsáveis), foi criado o Programa Nacional pulação idosa, nomeadamente palestras, sessões de atividade físi- de Alimentação Escolar (Pnae), que desde 1955 contribui para a ca e workshops de artes manuais. construção e fortalecimento de hábitos alimentares saudáveis para os alunos de educação básica das redes públicas de ensino. 07 - Dia do Compositor Brasileiro Nesta data, as escolas também costumam realizar palestras Esta é uma data que homenageia e celebra o dom e a arte dos ou workshops direcionados aos responsáveis dos alunos, explican- compositores, ou seja, aquelas pessoas criam música, seja a sua do e dando dicas de como manter a alimentação saudável para ca- letra ou a sua melodia. da faixa etária. O Dia Mundial do Compositor é comemorado em 15 de Janeiro, no 23 - Dia da Força Aérea Brasileira entanto, o Brasil é o berço de grandes compositores, merecendo uma data especialmente dedicada para esses nomes. Fundado oficialmente em 20 de janeiro 1941, o Ministério da Aero- Compositores brasileiros famosos náutica foi criado espelhando outros modelos de organização das Heitor Villa-Lobos, Chico Buarque, Gilberto Gil, Cazuza, João Gil- forças aéreas, principalmente a Força Aérea Real (Reino Unido, berto, Tom Jobim, Cartola, Raul Seixas, Caetano Veloso, Noel Ro- 1918), a Regia Aeronáutica (Itália) e a Força Aérea da França, amsa, Vinícius de Moraes e muitos outros marcaram a história da Mú- bos na década de 1920. sica Popular Brasileira com as suas composições. 31 - Dia do Saci 12 - Dia das Crianças A data homenageia o Saci-Pererê, figura mitológica do imaginário O Dia das crianças é uma data comemorativa celebrada anualmen- folclórico brasileiro. O Dia do Saci foi criado com o intuito de ajudar te em homenagem às crianças, cujo dia efetivo varia de acordo a valorizar o folclore nacional, ao invés do Dia das Bru- com o país. Países como Angola, Portugal e Moçambique adota- xas (Halloween), que é celebrado no mesmo dia e que nada tem a ram o dia 1 de junho. No Brasil é celebrado em 12 de outubro. ver com a cultura do Brasil. Neste dia devemos nos lembrar não só dos presentes das nossas Origem do Dia do Saci crianças, nascidas e criadas em um mundo muito diferente daque- Com o objetivo de fazer resistência à cultura norte-americana, a les 22 milhões que passam fome no Brasil e, dos 300 milhões delas Comissão de Educação e Cultura elaborou o Projeto de Lei Federal que passam fome no mundo. nº 2.479, de 2013, que institui o31 de Outubro como sendo o Dia do Saci. 12 - Descobrimento da América No entanto, em São Paulo, a Lei nº 11.669, de 13 de Janeiro de 2004, já oficializa o dia 31 de Outubro como Dia do Saci no estado. Cristóvão de Colombo nascido em Génova, entre 22 de agosto e Várias outras cidades também já decretaram leis que oficializam a 31 de outubro de 1506. de 1451 e faleceu na cidade Valladolid, 20 de Maio data, com o mesmo intuito de reforçar a cultura e folclore nacional. “Entendemos que a comemoração anual do “Dia do Saci” permitirá Foi um navegador e explorador italiano, responsável por liderar a um contato sistemático com a variedade e a beleza das tradições frota que alcançou o continente americano em 12 de Outubro de do País, de modo a fortalecer o processo de consolidação da iden- 1492, sob as ordens dos Reis Católicos de Espanha. tidade nacional bem como a auto-estima do povo brasileiro". 17 - Dia Intern. da Erradicação da Pobreza Outra data que também celebra o Saci-Pererê, assim como todos os outros personagens míticos da cultura brasileira é o Dia do Fol- A data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, clore. com o objetivo de alertar a população para a necessidade de de- Fonte: Callendar Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 14 210 milhões de sonhos na ideológicos entremortadelas e coxinhas, ou outros que não se en- Locomotiva chamada Brasil caixam nem em uma nem em outra dessas nomenclaturas. Manter viva a esperança é importante, aliás, é imprescindível, mas Somos, aproximadamente, o/a brasileiro/a precisa sair do campo onírico para a práxis política. 210 milhões de brasileiros/ Acreditar, por exemplo, que o resultado presidencial das eleições as, e, consequentemente, de 2018 é a solução é um tanto quanto ingênuo e imaturo. Nesse 210 milhões de desejos e de sentido, é preciso mencionar que necessitamos, com urgência, de anseios na locomotiva cha- maturidade político-intelectual e de outra arquitetura-design mental mada Brasil que segue, há que nos possibilite novas rotas e, principalmente, o desenvolvimen- mais de quinhentos anos, to da capacidade para novas reflexões e críticas. Diante de saberes tentando arrancar alegria e e consciências nesta vertente, perceberemos que se não renovar- esperança no e do futuro[1]. mos as Casas do Legislativo – o Senado e a Câmara dos Deputa- A esperança, nos últimos anos, a partir dos golpes disfarçados de dos – pensando que o/a presidente/a, sozinho/a, mudará os rumos éticos e de legais, “com o judiciário e com tudo[2]”, amplamente a- da nação, teremos o de sempre, ou seja, os mesmos ingredientes poiados pela mídia tradicional, se abalou, mas não desvaneceu ou para o cozimento das pizzas e dos bolos para os banquetes da cor- morreu nos corações mais ávidos por um país justo, isonômico e rupção com o envolvimento de membros de quase todos os setores equânime, em que a felicidade sempre foi o cerne e principal proje- e instituições, pois a corrupção parece haver atingido um caráter to de vida. Ela segue, de alguma forma, e, até certo ponto, acesa e institucionalizado. Será a partir da sabedoria e da maturidade cida- vivaz nos corações de muitos/as brasileiros/as, tanto que nestas dã que daremos início a uma pequena revolução e, desta forma, eleições de outubro de 2018, mesmo diante de tantas fragilidades, não seguiremos fornecendo o capital nutricional para a horrenda desesperanças e insustentabilidades gestadas por estruturas políti- festa das pizzas. co-jurídico-midiáticas da dependência, seguem acreditando que ou- Ademais, menciono que nesse trem nação, com uma nacionalidade tro Brasil ainda é viável, ainda que com evidências corroborantes forjada em dor, a ferro e fogo, em escravidão e em injustiças, na de que os votos dos atores sociais mais frágeis sócio-político- exploração da vida em todos os limites semântico-semiológico- economicamente nem sempre são respeitados no país. sociológico-econômico-políticos, nos vagões que em pleno século A esperança continua tão ardente na mente e no coração de uma XXI, para os desvalidos e atores sociais frágeis, os explorados, vio- gama gigante de brasileiros/as que, mesmo cônscios/as de que há lentados e marginalizados, lembram os navios negreiros do poeta uma metrificação bem diferente entre o voto das elites e o do sufrá- condoreiro que se fundem com as pernas drummondianas, bran- gio dos pobres, e, por isso mesmo, balizado como inferior, não pen- cas, pretas e amarelas, do Poema de sete faces, para pensar es- sado, alienado, esse povo (composto pela classe trabalhadora, o- ses seres em movimento que constroem a nação, para, de alguma perária, de chão de fábrica ou até mesmo dos escritórios da ilusão) forma, construir uma intersecção semântica de crítica ao modus o- segue firme na luta, acreditando que a revolução é possível e ne- perandi histórico da elite colonial brasileira de capitalismo depen- cessária. A tal métrica hierarquizante de valorização ou não do vo- dente de exploração dos verdadeiros seres que movimentam e to, dependendo do ator social, escancara-se, pornograficamente e constroem – cotidianamente e rotineiramente – o gigante adormeci- por meio de uma maldade banalizada, diria, através de materialida- do – negros, negras, indígenas, quilombolas, sem-terra, sem-teto, des discursivas nos lócus mais desenvolvidos economicamente no artistas de rua em busca do pão de cada dia, nordestinos no aban- Brasil atual, quando, ao final dos últimos pleitos, podemos citar e- dono, pobres nas fronteiras do Sul e do Norte que se tornam vira- xemplos a partir das redes sociais e em outras virtualidades do e- latas em relação aos gringos ianques ou eurocêntricos, mas xenó- xistir, novas territorialidades de disputa e de opressão, terrenos fér- fobos no cenário latino-americano com violência contra os venezue- teis para a conexão entre povos e saberes, mas, também, para co- lanos e outros povos na diáspora forçada em busca somente do vardias, verdadeiras arenas que (se não forem usadas de forma direito à existência e trânsito pelo mundo, moradores de favelas do consciente e sustentável) servem para a promoção do ódio contra Rio e de São Paulo, os marginalizados ambientais do Rio Doce e os nordestinos e/ou outros povos historicamente sofridos com la- de tantos outros rincões do Brasil, ribeirinhos e povos das florestas tências do tipo “ajude o Brasil, mate um nordestino afogado”. do norte, aqueles/as com algum tipo de necessidade física, LGBTS, Na história recente, e não quero me estender e nem convencer nin- pobres em geral e pessoas que sofrem algum tipo de estigma, seja guém acerca da teoria do golpe, pois, sigo a linha Saramago de pela fé que professam ou por qualquer outra questão ideológica. E que toda tentativa de convencimento do outro é um ato de violên- como no Poema de sete faces do saudoso poeta mineiro, a espe- cia, bastando, para mim, as expertises de cientistas políticos/as re- rança, nesta eleição, procura novas direções, não somente à es- speitados/as e dos/as cidadãos/ãs comprometidos/as com análises querda, ao centro ou à direita, mesmo sendo difícil acreditar nesse não simplistas, entenda quem quiser e tiver capacidade para tal, processo como revolução, pois um ato revolucionário cabe mais presenciamos a violência simbólico-concreta do menoscabo aos que em uma urna, agora não apenas pernas de três cores se deslo- votos de mais de 54 milhões de brasileiros/as com o estupro cam, mas um infinito de pernas multicores movidas a sonhos, mes- (indultem-me o termo substantivo, pois não encontro outro mais a- mo que em movimentos incertos em direção ao controle da cabine propriado e não sou dado a eufemismos) da democracia com a comandada pela elite há séculos, mostrando a estas categorias so- destituição da Presidenta Dilma, eleita democraticamente e conde- ciais privilegiadas historicamente ao sabor do caviar de terras do nada pela maioria dos Deputados e dos Senadores em nome da mar além, que pobre também pode e deve decidir qual o ponto final hipocrisia em um ato cênico bizarro, depois homologado pelo judici- a que o país deve chegar. ário. Por último, destaco que mesmo diante de todas as intempéries polí- Em relação à referida hipocrisia dos parlamentares, ela se concreti- ticas a partir deste sistema hipoteticamente democrático de escolha za no fato de que parcela considerável dos atores que condenaram de nossos representantes pelo voto, ao longo de anos, não passa- a primeira mulher a ocupar a cadeira da Presidência da República mos de iludidos, de alienados sendo conduzidos pelos interesses Federativa do Brasil estava, na época (e está), envolvida em es- da elite econômico-financeira e que este jogo precisa virar a partir quemas históricos de corrupção e em outras ilegalidades, mas que, da renovação da esperança. Que com a esperança derrotemos os mesmo assim, valendo-se do ódio fomentado pela mídia tradicional horrores em forma de mito que se avolumam e a esperança atinja a irresponsável, a serviço das elites (peço aos de classe média que dimensão de uma fênix imortal! não tomem as dores com minhas críticas e, principalmente, não se sintam de elites, pois não o são e estão distantes de sê-lo) conse- [1] Expressão que tomo emprestado do MAIS. guiu, em nome de crenças, da família, para o sustento do esboço [2] Expressão que cunho a partir de áudios vazados de Jucá. do ódio, confundir e instaurar a desunião de todo o país transfor- mando a nação em um campo de embates e combates político- Autor: Elissandro Santana Informar para educar - Educar para formar - Formar para transformar

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Outubro de 2018 Gazeta Valeparaibana Página 15 ESTADO X GOVERNO, POLÍTICA X POLÍ- nas mãos do Executivo e os Municípios não NHUM, o TSE pode dizer que NÃO VAI TICA PARTIDÁRIA; SISTEMA ELEITORAL tem praticamente NENHUM poder. Tudo CUMPRIR A LEI do Estado que regula o X ELEIÇÕES que é produzido e arrecadado no Município Sistema Eleitoral. Isso não é mais FRAUDE, No Brasil, se confunde Estado com Gover- vai para o Executivo que "distribui" e configura GOLPE INSTITUCIONAL. no, Política com Política Partidária. O Estado "barganha/corrompe" com quem e como qui- Assim, SE estas eleições acontecerem em é permanente e contém as instituições, a ser. É o chamado "presidencialismo de coa- 2018, o Judiciário terá aplicado um GOLPE burocracia, constituição federal, o povo. Go- lisão". Ou seja, o Estado brasileiro foi mon- DE ESTADO. O judiciário, no caso o TSE, verno é aquilo que se elege de 4 em quatro tado para CORROMPER e ser CORRUPTO. sairá deste golpe com poderes de ESTADO. anos cuja governação NÃO pode alterar o É uma monarquia ditatorial mambembe dis- Ele, o TSE é que passará a LEGISLAR con- Estado através da sua política de governo. farçada de república. O "modelo" de Repú- trolando o Sistema Eleitoral, que passa a Política é relativa ao Estado; Política Parti- blica do Brasil foi extraído da ARGENTINA e não ser mais um serviço de Estado e sim do dária é relativa ao Governo, aplicada pela não dos EUA como se é levado a pensar. E Judiciário. Foi precisamente esse o caminho legenda partidária que ganhou as eleições. esse modelo é BOLIVARIANO e está enqua- seguido na Venezuela, onde o Judiciário é o Exemplo básico. A Monarquia Portuguesa drado dentro do desenho inicial, faseado da novo Executivo que governa junto com o tinha Estado e Política, mas, não tinha parti- REPÚBLICA MAÇÔNICA UNIVERSAL. Presidente. Ditadura cínica com nome de do político, que, aliás, é uma invenção bem O Sistema Eleitoral é um SERVIÇO que o democracia. nefasta do século XX. O Governo da Coroa Estado pode, ou não, prestar ao povo. De- Diante disso, TODOS os candidatos políti- era exercido SIMULTANEAMENTE pelas pendendo da forma como esse SERVIÇO foi cos- sem exceção de nenhum- nestas elei- Côrtes compostas pela: Nobreza (civil, ecle- "desenhado/concebido" as ELEIÇÕES são ções de 2018 estão não só CONIVENTES siástica e militar) e o Povo. O Rei REINAVA, um serviço que é uma FRAUDE controlada com o GOLPE DE ESTADO, bem como são mas, não ADMINISTRAVA. pelo Estado. Cuba, Venezuela e Brasil são CÚMPLICES na FARSA. Quais são os tipos de Estado? Via de regra: exemplos disso. Ou seja, o povo "vota e ele- O que vem acontecendo com o Brasil? Os Estado Unitário ou Simples – formado por ge" o candidato previamente escolhido pelos sucessivos governos- independentemente um todo unificado. Exemplo, todas as mo- partidos. No caso da eleição do "presidente" da legenda partidária- vem transformando narquias até o século XIX, Vaticano, algu- o partido que está no Governo decide quem política de Governo em política de Estado. A mas Ditaduras. será o "novo" presidente. As decisões são quantidade de alterações na CF visa preci- Estado Federado ou Composto por um todo heterogêneo, com exercício do poder entre “entes” (Executivo, Legislativo e – formado divisão do diversos Judiciário). de bastidores e o povo é uma massa de manobra para manter a FRAUDE de uma democracia dentro da República que na verdade é um regime totalitário disfarçado. samente atingir esse objetivo: fazer que um GOVERNO seja um ESTADO, e tudo dentro da mais absoluta "legalidade", pois, os ratos eleitos via eleições fraudadas executam im- Exemplo: EUA, Argentina, Brasil atual. O Qual é o caso atual do Brasil nestas elei- pecavelmente o papel de adulterar o Estado Brasil, embora seja uma República Federati- ções de 2018? De saída, é preciso entender para criar uma DITADURA SOCIALISTA va do Brasil (formada TEORICAMENTE pela que: o Sistema Eleitoral é um SERVIÇO dentro da "lei". união indissolúvel dos Estados, Municípios e prestado pelo Estado e NÃO pelo Judiciário. O Brasil é uma fraude silenciosa, e exata- do Distrito Federal) é uma federação FAL- Esse serviço tem uma LEI PRÓPRIA que mente por isso, extremamente perigosa. SA, pois, TODO o poder está concentrado NÃO foi criada pelo Judiciário. Portanto, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, de MODO NE- Autor: Loryel Rocha A CONSTITUIÇÃO CIDADÃ E A ELEIÇÃO para o Estado típicas de países desenvolvi- lho, o déficit primário foi de 77,1 bilhões (1,4 As vésperas de completar 30 anos, no próxi- dos. Assim, a “A Constituição não cabe no % do PIB). No mesmo período, o pagamenmo dia 5 de outubro, a Constituição de 88, orçamento”, ao gerar despesas incompatí- to com juros nominais foi de 394,5 bilhões mesmo que de forma subjacente, é a ques- veis com o grau de desenvolvimento da eco- (5,86% do PIB), representando 83,7% (!) do tão fundamental nestas eleições. nomia brasileira. déficit fiscal do País. O Artigo Terceiro sintetiza os objetivos da Em seu diagnóstico, o caminho é o enges- O que não cabe mais no orçamento é a des- Constituição de 1988: sar as despesas por meio teto ao longo pra- pesa de mais de 5% do PIB em juros. Uma art. 3º: define os objetivos fundamentais do zo, o que foi estabelecido na PEC 55. Como brutal transferência de recursos públicos pa- Brasil, que são a construção de uma socie- a Constituição de 88 buscou garantir recur- ra o setor financeiro. dade livre, justa e solidária; desenvolvimento sos para educação e a saúde, ao estabele- Se a resposta aos graves problemas da eco- nacional, eliminação da pobreza, diminuição cer os mínimos de gastos nessas duas á- nomia brasileira não está no Reformismo, das desigualdades sociais e promoção do reas, o Reformismo tem como proposta a tão pouco está em sua forma caricata, ex- bem de todos, sem qualquer forma de discri- desvinculação dos gastos. pressa pelo candidato de extrema direita, minação. Em relação à Previdência Social, o discurso identificado nas redes sociais no #elenão. No cumprimento desses objetivos, a Consti- reformista a isola da Seguridade Social para A candidatura, de forma distorcida, não ape- tuição de 1988 estabeleceu a educação, a destacar o déficit, o que não ocorre no con- nas faz uma oposição simplista entre Estado saúde e a seguridade social, na qual está junto do sistema da Seguridade. Desta for- e Iniciativa Privada, entre Estado e Socieda- incluída a Previdência Social, como direitos ma, o Reformismo projeta a partir da mu- de, mas entre os denominados direitos de universais, ou seja, que todos os cidadãos dança do perfil demográfico, o envelheci- primeira geração, aqueles que buscaram devem ter acesso. mento da população, o caos futuro da Previ- proteger o individuo em relação ao poder de As candidaturas identificadas com o Refor- dência. governos, e os coletivos e de promoção so- mismo, o receituário expresso no documen- Como já dito em artigos anteriores, ao focar cial. Na realidade, são complementares e to “Ponte para o Futuro”, seguido pelo go- apenas nas despesas na conta primária historicamente constituídos. A simples elimi- verno Temer, pregam a continuidade de re- (Receitas – Despesas, excluso juros), negli- nação desses direitos apenas conduzirá a formas constitucionais focadas nos direitos gencia os elementos da receita e da gestão, barbárie social e econômica. estabelecidos na carta magna. fundamentais para o equilíbrio fiscal. Neste São os direitos sociais, os de universaliza- O Reformismo aponta nos direitos estabele- sentido, o Brasil apresentou de 1997 até ção de acesso, os da seguridade social, os cidos na Constituição a origem do problema 2014 sucessivos superávits primários, ape- de combate as discriminações de qualquer fiscal, no qual decorrem todos os outros pro- nas passou a apresentar déficits quando a espécie, que ao olhar para o coletivo de for- blemas da economia. atividade econômica deprimiu. ma mais solidária e igualitária, mantém a Argumenta que um País de renda média co- Mas, a questão central está na conta nomi- coesão social. mo o Brasil incorporou direitos e obrigações nal, que inclui os juros pagos na dívida. No Autor: Amir Khair acumulado dos últimos doze meses, até ju-

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