Revista CMC 288

 

Embed or link this publication

Description

é primsvera no cmc

Popular Pages


p. 1

Ano XXVII - Edição 288 - setembro de 2018 Pr mav n! Foto: Ana Maria Felgar de Toledo (Associada CMC)

[close]

p. 2

Bate aquel fom ? O CMC cont agor co nova delici a opçõe pr você! nova cara, novos sabores! Horário de funcionamento: Terças e quartas - das 9h às 22h Quintas - das 9h às 23h Sextas e sábados - das 8h às 24h Domingo - das 8h às 20h Agora, o Bar da Piscina é: 2 Coc gelad , suc naturai , chopp, prat saudávei , especiaria , doce queij . Caf d manhã d terç doming , partir da 07 . Horário de Funcionamento: Segunda-feira: fechado Terça a sexta-feira: das 07h às 20h Sábado, domingo e feriado: das 07h às 18h

[close]

p. 3

ÍNDICE NOSSO CLUBE 04 CULTURAL 18 SOCIAL 42 ESPORTES 58 TURISMO 84 EXPEDIENTE EXPEDIENTE Círculo Militar de Campinas -Fundado em 21 de abril de 1960 - GEN BDA Luís Cláudio de Mattos Basto Presidente de Honra CEL ADILSON MANGIAVACCHI Presidente do Conselho Consultivo CEL JOSÉ ROBERTO PIRES Presidente do Conselho Fiscal Diretoria Executiva CEL ALMIRANTE PEDRO ALVARES CABRAL Presidente CEL CARLOS HENRIQUE TEIXEIRA COSTA Vice-Presidente MÁRIO SATOCHI ASSANO Diretor Administrativo TC ROBERTO SAMIR SABBAG Diretor Secretário MAJ JORGE FREDERICO PORT Diretor Cultural Dr GILBERTO FALCO JUNIOR Diretor de Esportes JOE YOSHIDA Diretor de Patrimônio e Serviços PAULO CEZAR DE ALMEIDA Diretor de Comunicação Social TC SAMUEL ROBERTO DE ALMEIDA PACHECO Diretor Jurídico Dr ARMANDO EUSTÁQUIO GUAIUME Diretor Social LUIZ FERNANDO GIUDICI Diretor Financeiro Círculo Militar em notícia Publicação do Círculo Militar de Campinas sob a responsabilidade do Departamento de Relações Públicas relpub@cmcamp.com.br Diretor Responsável: PAULO CEZAR DE ALMEIDA Jornalista Responsável: Flávio Lamas Projeto Gráfico: Cristiane Costa T. Bispo Impressão: Lince Gráfica e Editora Tiragem: 5.200 exemplares Círculo Militar de Campinas Av. Getúlio Vargas, 200 Jd. Chapadão - Campinas - SP CEP 13070-0807 www.cmcamp.com.br (19) 3743.4800

[close]

p. 4

EDITORIAL ­Caríssimos Circulistas!!! A atual gestão “Consolidação e Resultados/2017-2020” completará, no próximo mês de Outubro, DEZESSETE meses de trabalho ininterrupto em prol, exclusivamente, do Associado, buscando atingir a satisfação da Família Circulista, particularmente, nos setores Social, Esportivo e Cultural, tripé de sustentação e razão de ser do nosso Círculo Militar de Campinas. O Departamento Social, nesse período, levou a efeito dois românticos Bailes aos apaixonados Namorados, duas tradicionais Festas Juninas com saborosas comidinhas típicas, duas Missas do Pescador para cuidarmos da saúde da alma, dois Bailes da Pátria que resgataram os Símbolos Nacionais, “Studio 54” replicando no Golden Room a famosa boite Novaiorquina, a espetacular comemoração do 58º Aniversário do Clube, um Reveillon de renovação das esperanças de um Novo Ano, um Sambão na Piscina aos amantes da música brasileira, o Carnaval do extravasamento do suor e da alegria, Balada Jovem contemplando o anseio dos sócios adolescentes, dois Jantares Dançantes em homenagem aos Pais e um Baile dedicado ao amor das Mães. DEZESSETE eventos que mobilizaram e entusiasmaram os Associados. O Esporte, em face das inúmeras práticas disponíveis e da realização da VI Olimpíada Interna, reuniu o maior número de Sócios nas seguintes competições: Festival de Ginástica Artística; Copa CMC de Tamboréu; Super Férias; Torneio de Truco; Futebol Feminino; Futebol Infantil Dia dos Pais; Torneio Duque de Caxias de Tênis de Campo; Caminhada da Primavera; Torneio de Habilidades no Taekwon-Do; Atleta de Ouro; Maratona Aquática; Projeto Verão; Festival do Karatê; Torneio de Carnaval de Beach Tennis; Vôlei Feminino Master; Torneio de Pesca; e, Futebol Masculino à Fantasia. DEZESSETE competições que, amistosa e cavalheirescamente, colocaram frente a frente os Atletas do nosso Clube. A Diretoria Cultural empreendeu uma programação diversificada e plena de boas surpresas, senão vejamos: Tributo a Rita Lee/ Mutantes; III Encontro de Corais de Campinas e Região; Vernissage “Pintando Emoções” com as alunas da Prof Vera Pinke; Tributo a Tim Maia; Comemoração do Dia da Criança; Tributo a Elis Regina, 35 Anos de Saudade; Auto de Natal com o Coral do CMC; Teatro Infantil “João e Maria”; Homenagem ao Dia da Mulher; Musical os “Boêmios de Adoniran”; Projeto “Vamos Conhecer o Brasil” no Norte é Assim; V Encontro Nossos Talentos Circulistas; Teatro Infantil “A Pequena Sereia”; Viagem Musical Pelo Mundo/Itália; Vivenciando 20 Anos de Arte; Teatro Adulto “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios; e, XVI Festival de Violão do CMC. DEZESSETE atrações que deleitaram os mais de dois mil e quinhentos Associados que passaram pelo Departamento. Com paixão arrebatadora pelo nosso querido Clube e carinho respeitoso aos nossos Associados, continuaremos trabalhando com afinco e denodo, pelo tempo que nos resta até Maio de 2020 (outros DEZESSETE meses e sessenta dias), à frente de uma Equipe primorosa que busca conquistar, dentre outros destinos, o objetivo maior de tornar o Círculo Militar de Campinas, que une Civis e Militares, no melhor Clube Sócio/Esportivo/Cultural da Região Metropolitana. Que a Verdadeira Luz nos ilumine!!! Cordiais Saudações! Cel Almirante Pedro Alvares Cabral Presidente 4

[close]

p. 5

Noite Tropical no Caribe 24/11 (sábado) das 21h às 02h, na piscina social convites à venda, com escolha de mesa, a partir do dia 10/11, NO DEPTO. SOCIAL MAIS INFORMAÇÕES 3743.4803 55

[close]

p. 6

20 DE OUTUBRO Das 19h Às 24h - NO ESPAÇO DA FESTA JUNINA FOOD TRUCKS - exposição de carros antigos - MÚSICA AO VIVO 6

[close]

p. 7

Grupo Escoteiro Craós NOSSO CLUBE Em 09 de junho, o Grupo Escoteiro Craós participou do 27º Mutirão Nacional Escoteiro de Ação Ecológica (MUTECO). O Grupo escolheu a Praça Ópera Salvador Rosa, próxima ao Clube, para a realização de atividades relacionadas ao meio ambiente que contou, entre outras coisas, com ações de limpeza da Praça e um bate-papo sobre o desastre ambiental ocorrido na cidade mineira de Mariana e que afetou drasticamente o Rio Doce e todo o seu entorno. A participação no 27° MUTECO teve como proposta incentivar nos lobinhos, escoteiros, sêniores e pioneiros não só a preocupação com o meio ambiente de maneira pontual, mas desenvolver a compreensão de todo o processo, aprofundando parcerias com escolas, buscando cultivar o interesse pelo Escotismo em novos jovens, adolescentes e crianças por intermédio da visão construtivista do Método Escoteiro e de trabalhos voltados para a área de meio ambiente já existentes nas escolas. Trata-se também de uma nova oportunidade de ampliar a atuação do Grupo Escoteiro na comunidade por meio de ações em prol de um mundo melhor. Crianças a partir de seis anos e meio podem iniciar no movimento escoteiro. As atividades do GE Craós são realizadas aos sábados, das 9h às 12h, no Círculo Militar de Campinas. Todos estão convidados! 7

[close]

p. 8

Obras CMC Sanitários Ponto de Encontro Aquecimento da Piscina Para melhor conforto dos usuários do Conjunto Aquático, as piscinas aquecidas contam agora com 03 novos aquecedores de alto desempenho, cada um com capacidade de aquecimento de 180 m³ de água, o que resulta num melhor controle das faixas de tolerância para a temperatura. A substituição foi efetuada de forma gradativa, instalando-se inicialmente um aquecedor para avaliação e após confirmado o bom desempenho do mesmo, foram instalados os outros dois. O Ponto de Encontro agora conta com os banheiros reformados para melhor conforto dos usuários. Foram instalados novos revestimentos, pisos, divisórias e todas as peças dos sanitários masculino e feminino. Foram construídos 02 novos banheiros, sendo um para portadores de necessidades especiais - PNE e outro para atender a função de fraldário, ambos dimensionados de forma a atender os requisitos de norma. Para a intervenção, considerou-se aplicar soluções capazes de conciliar elevado padrão de qualidade, custo operacional e higiene. Todos os vasos sanitários são elevados e sem contato com o piso, os ralos são do tipo linear e as peças metálicas especialmente desenvolvidas para PNE. Renovação da Fachada Foi reformada a fachada do Clube com a troca das placas de policarbonato, recuperação de toda a estrutura metálica e do logotipo do CMC. Arena do Bosque Em continuação aos investimentos efetuados na Arena do Bosque, foram realizadas novas intervenções: - execução da obra de drenagem das quadras de areia com a instalação de tubos de dreno sobre o berço de pedras recobertos com manta Bidim; - colocação de areia especialmente escolhida pelos praticantes da modalidade; - instalação de novos equipamentos como postes e redes personalizadas com o logotipo CMC. Ainda em fase de execução, em breve estaremos entregando uma nova e agradável área de descanso coberta, com churrasqueiras, pias e banheiros, adequada para realização de confraternizações. 8

[close]

p. 9

Convidados: entrada após às 12h 12/10 Sexta Das 09h às 13h, no Ginásio de Esportes Camas Elásticas, Piscina de Bolinha, Balão Pula-Pula, Tobogã Gigante, Tombo Legal, Chute a Gol, Pinturas Artísticas e Esculturas de Balões (com a presença de monitores). Campo de Futebol Montanha de Alpinismo, Aero Jump, Boliche Humano e Futebol de Sabão (com monitores). Carrinhos de Pipoca, Algodão Doce, Personagens da Liga da Justiça, Patrulha Canina, Peppa e George, Lol Surprise e Transformers. Às 09h30 - Apresentação de Dança de Rua Com as alunas do Prof Rafael Cardozo. 11h30 às 12h30, no Centro Cultural Show: “De onde Vem o Som?” Com a Bandinha de Recife Mais informações no Depto. Cultural (19) 3743.4814 99

[close]

p. 10

Mérito Esportivo Em sessão solene realizada em 04 de setembro no Golden Room, a Câmara Municipal de Campinas concedeu, por proposição do Vereador Paulo Haddad, ao Prof Ivaldo Luis Campos Mariano (Ivo) e por proposição do Vereador Marcos Bernardelli, ao Prof Edvaldo Cavalcante de Arruda, o Diploma de Mérito Esportivo “Sérgio José Salvucci”. Também por proposição do Vereador Marcos Bernardelli foi concedido ao associado Cel Eliz Luiz Tavone Serafim, o Diploma de Mérito Cultural “Guilherme de Almeida”. Além dos homenageados, Cel Serafim, Prof Ivo e Prof Edvaldo, a mesa de autoridades foi composta pelo Presidente do Círculo Militar de Campinas, Cel Cabral; pelo Presidente do Conselho Fiscal, Cel Pires; pelos Ex-Presidentes e Conselheiros de Honra do CMC, Cel Villaça, Cel Paula Freitas, Cel Pimenta, Cel Fábio e Gen Serra; Gen Seixas, Gen Nialdo, Paulo Haddad e Marcos Bernardelli que presidiu a sessão solene. Após a execução dos Hinos Nacional e do Município, os Vereadores Marcos Bernardelli e Paulo Haddad fizeram o uso da palavra e entregaram as honrarias concedidas pela Câmara Municipal a pessoas que tenham se destacado por relevantes serviços prestados ao município. A solenidade, abrilhantada com a participação do Coral CMC, sob regência da maestrina Fátima Viegas, terminou com palavras dos homenageados que foram calorosamente cumprimentados pelos familiares e amigos que prestigiaram o evento. 10

[close]

p. 11

Mérito Esportivo NOSSO CLUBE 11

[close]

p. 12

NOSSO CLUBE Espaço do Associado A IDEOLOGIA DAS PALAVRAS por Samuel Roberto de Almeida Pacheco Karl Marx foi o primeiro a empregar o termo ideologia como instrumento político para camuflar a realidade e alienar as pessoas. A ideologia se expressa por palavras ou expressões que possuem elevado grau de abstração e generalidade como por exemplo, liberdade e liberalismo, alvos de duras críticas de Karl Marx que, segundo ele, foram usadas para esconder os verdadeiros interesses da burguesia e dos políticos que era o domínio da sociedade. A ideia do liberalismo era que o Estado deveria intervir o mínimo possível na sociedade e na vida das pessoas e que este seria o melhor caminho para o bem comum. Na prática, o que houve foi liberdade apenas para os detentores do capital. Os trabalhadores não tinham liberdade de escolher o emprego, de negociar as condições de trabalho como salário, férias, previdência social, horas de trabalho, etc. Segundo Marx, a ideologia contida nas palavras liberdade e liberalismo visava impedir que as massas alienadas se organizassem em alguma ação revolucionária, fazendo com que aquilo que foi legalizado e estabelecido aparecesse para os homens como legítimo e incontestável. Assim, Marx entendia que a solução para as crises sociais de sua época estariam na mudança total da sociedade, elegendo a palavra igualdade como o objetivo a ser atingido. De fato, há certas palavras que de tanto serem exaltadas, repetidas como verdades absolutas, acabam sendo colocadas em um pedestal criando a ilusão de que se trata de um fundamento irresistível, ao qual ninguém pode recusar adesão. Tornam-se o fundamento absoluto no mundo das nossas ideias. Diante de um fundamento irresistível, a mente deve se dobrar, necessariamente, tal como o faz a vontade diante do poder irresistível. Essas palavras são colocadas acima da possibilidade de qualquer refutação. O século XVIII, iluminismo, século das luzes, Revolução Francesa teve como lema as palavras Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Embora os revolucionários franceses afirmassem que liberdade e igualdade estavam em um 12 mesmo plano, a liberdade foi colocada em primeiro lugar. A liberdade passou a ser a ideologia da burguesia. Com ela todos os outros objetivos seriam atingidos, no entanto, o liberalismo econômico sem freios produziu um enorme abismo entre ricos e pobres e fez nascer aquela corrente de pensamento, iniciada por Marx, que pregou a ideologia da igualdade. Assim é que no século XIX, a teoria marxista colocou-se em plano oposto, dando à palavra igualdade o maior destaque. Igualdade essa que, de início, seria feita pelo Estado e, posteriormente, surgiria de forma espontânea, considerando, segundo seus defensores, a natural solidariedade latente nos seres humanos. A história mostrou que a ênfase na liberdade produziu muita desigualdade social e a ênfase na igualdade forçada pelo Estado levou ao sufocamento da iniciativa e da criatividade inibindo a produção de riquezas. Hoje já se sabe que liberdade e igualdade são princípios que não são inteiramente compatíveis, pois o exagero de um reduz a eficácia do outro. Nem mesmo os EUA, que possuem a Estátua da Liberdade como um de seus mais destacados símbolos, admitem a liberdade sem limites. Penso que ocorre algo semelhante com as palavras e expressões: “Democracia”, “Eleito Democraticamente”, “Vontade Popular” e “Representantes do Povo”. Estas também tem sido colocadas no mesmo patamar que aquelas, ou seja, como algo incontestável, como verdade absoluta, além de qualquer refutação e que devem ser colocadas acima de qualquer outra, até mesmo de Instituições do Estado. A palavra Democracia tem sua origem na Grécia antiga e significa Governo do Povo (Demos = povo, Cracia = governo). É claro que democracia tem diversos outros significados e, sem discutir a validade do sistema democrático, mas apenas a etimologia da palavra, vemos que inúmeros pensadores definiram Democracia como o governo do povo. Abraham Lincoln, 16º presidente dos EUA (1861 a 1865) disse: “Democracia é o

[close]

p. 13

governo do povo, pelo povo e para o povo”. A realidade mostra que o povo não governa e nem deve governar. Entendendo governar como a atividade destinada a estabelecer objetivos, reunir os meios necessários, ordená-los e impulsioná-los de modo a atingir as metas de uma determinada sociedade que devem estar voltadas para o bem comum. Em nenhum momento da história vemos o povo no poder governando até mesmo porque povo é entidade abstrata, não existe como unidade concreta. O que existe são indivíduos isolados manifestando seus interesses particulares que muito frequentemente não coincidem com os interesses da maioria. Considerar a vontade do povo em pesquisas de opinião, eleições ou votações em determinados momentos específicos é, a meu ver, um grande engano. O grande filósofo Sócrates foi condenado à morte por uma assembleia popular. Jesus Cristo foi condenado a ser crucificado por uma suposta vontade do povo. O povo como aglomerado de pessoas é massa facilmente manipulável. Hitler e Mussolini chegaram e se mantiveram no poder por algum tempo pela vontade popular. Platão condenava veementemente a democracia grega que era aberta apenas à elite econômica da época. Escravos, estrangeiros e mulheres não podiam participar dos debates na Ágora. Debates esses que em sua maioria discutiam futilidades em vez de interesses da coletividade. Santo Agostinho, um dos expoentes da filosofia patrística, em seu livro A Cidade de Deus, condena a participação do povo no poder, dizendo que o povo não tem condições de saber o que é bom para ele e se comporta como criança que precisa ser conduzido pelos mais sábios. A essas críticas, que são bastante conhecidas, é comum se dizer que o povo governa por intermédio de seus representantes que são escolhidos livremente pelo povo em uma democracia. A realidade, em especial a brasileira, tem mostrado que isto é uma grande ilusão. De início, observa-se que o povo não escolhe os seus representantes, mas sim os partidos políticos, que definem quem serão os candidatos. Na democracia vive-se a ditadura dos partidos políticos. Os políticos raramente Espaço do Associado NOSSO CLUBE representam o povo, por essa razão já se pensou em substituir partidos políticos por representantes das categorias profissionais; outro grande engano que resultou em ditaduras em todo os locais em que foi implantado. A política virou profissão onde se obtém poder e dinheiro. A preocupação do político resume-se, na maioria das vezes, em chegar ao poder e manter-se no poder. Para isso, no Brasil, funciona uma imensa rede formada por cabos eleitorais onde são necessários muitos recursos para ser eleito a qualquer cargo político. Daí a ligação dos partidos e dos políticos com os grandes agentes econômicos do país. Marlon Reis, juiz de direito no Estado do Maranhão, um dos autores do projeto Ficha Limpa, fez excelente pesquisa e a publicou em seu livro O Nobre Deputado. Nessa pesquisa apresenta relato chocante e verdadeiro de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasileira. Por meio de um personagem fictício, Cândido Peçanha, que incorpora o pensamento de vários políticos entrevistados em diversos pontos do Brasil, afirma nas páginas 13 e 14: “A vontade do eleitor individual não vale nada no processo. O que conta é a quantidade de dinheiro arrecadado para a campanha vencedora, que usa a verba num infalível esquema de compra de votos. Arrecadou mais, pagou mais. Pagou mais, levou. Simples assim”. “A política é movida a dinheiro e poder. Dinheiro compra poder e poder é uma ferramenta poderosa para se obter dinheiro. É disso que se trata as eleições: o poder arrecada o dinheiro que vai alçar os candidatos ao poder. Saiba que você não faz diferença alguma quando aperta o botão verde da urna eletrônica para apoiar aquele candidato oposicionista que, quem sabe, possa virar o jogo. No Brasil, não importa o Estado, a única coisa que vira o jogo é uma avalanche de dinheiro. O jogo é comprado, vence quem paga mais. Sempre foi assim e sempre será, pois os novatos que ingressam com ilusões de mudança são cooptados ou cuspidos pelo sistema” (pág. 21). Diversos políticos ouvidos por Marlon Reis definem o que pensam sobre democracia: 13

[close]

p. 14

“Não sou funcionário do povo, não. A visão de que o deputado representa o povo é uma visão distorcida da política, disseminada pelos políticos para bajular a gente que pensa que os elegeu. Devo obediências às minhas lideranças partidárias, é a elas que me reporto e cabe a elas definir os rumos da minha carreira. Os líderes do meu partido são, portanto, meus chefes, não o povo” (pag.20). Marlon Reis identificou nos políticos entrevistados a predominância do interesse dele, interesse individual antes de tudo, depois o que interessa à sua família, em seguida o interesse dos amigos, depois, por último, o interesse do país. Pode-se argumentar que esta falta de representatividade não ocorre nas grandes democracias do mundo e que ocorre aqui porque não temos tradição democrática. O relato do psicólogo norte americano Carl Rogers mostra que também lá a democracia, como governo do povo, está longe de ser realidade, conforme se pode verificar em seu livro Sobre o Poder Pessoal (Capitulo 12 - pág. 241 a 265 – Ed Martins Fontes): “Há uma crescente descrença por parte do homem quanto à viabilidade de qualquer tipo de democracia política...” “Os direitos à liberdade de pensamento e expressão, o direito de defender qualquer ponto de vista no qual se acredita não são hoje em dia liberdades tão consideradas. Mesmo nas universidades que, por essência, provém dessas liberdades, frequentemente negam a palavra aos oradores cuja opinião se opõe à algum grupo influente. E não somente os administradores que limitam essa liberdade, mas também os membros do corpo docente e alunos” “No governo que é, supostamente, a fonte e o protetor da liberdade individual a erosão dos valores democráticos ainda é pior. O cidadão comum não acredita na autoridade eleita”. “O descaramento da elite federal, a parte do Presidente, no escândalo Watergate, mostra um claro desrespeito oficial pela pessoa e seus direitos. Mentiras, enganos, invasão criminosa da privacidade, burla da lei, vigilância e aprisionamento de dissidentes, todos esses instrumentos tem sido usados para controlar a população e manter o poder sobre as pessoas”. “Economicamente, o quadro é bizarro... Grandes empresas tem excessiva influência sobre o governo, sobre a nossa vida e até interferem presunçosamente nos negócios de nações estrangeiras. Altos cargos são ocupados agora preponderantemente por homens de dinheiro, de modo que, dos nossos 100 senadores, supostos representantes do povo, 40 são conhecidos milionários. A pessoa comum não tem qualquer representação significativa e complacente nem na firma em que trabalha, nem no governo que a rege”. “A nação americana ficou chocada, há pouco tempo, pelos esforços maciços do presidente Nixon e seus colaboradores para subverter a Constituição e assumir o controle. Entretanto, não podemos declinar nossa responsabilidade evidente há anos. Além disso, os antecedentes de Nixon eram claros. Ele acreditava e agia repetidamente de acordo com esta crença – que quaisquer meios poderiam e deveriam ser usados para manter o poder em suas mãos. O uso de mentiras e de outras formas sutis de enganar, bem como o emprego de assessores que eram peritos na construção de uma “imagem” sem qualquer semelhança com a realidade, tinha sido a base de sua política. Um grande cartaz nos escritórios do Comitê para reeleição do Presidente, em 1972, resumia sua filosofia: “ganhar na política não é tudo. É a única coisa”. Assim mesmo, nós o elegemos por esmagadora maioria. Nós o quisemos. É importante o fato de que, depois, não aguentamos mais digerir suas mentiras e forçamos sua renúncia, mas não menos importante é o fato de que o escolhemos conscientemente não só uma, mas duas vezes. E não há razão para supor que estamos livres do desejo de termos um líder forte opressor. É duvidoso que nosso povo realmente deseja a democracia de participação que foi idealizada pelos autores da nossa constituição”. Prossegue o autor destacando a apatia dominante na sociedade americana da época (1976): “Em recente pesquisa na Califórnia, 80% dos eleitores de 18 a 21 anos, os jovens, cujo futuro está em jogo não compareceram à votação. A atitude dos jovens não deixa dúvida. Para que serve? Eles não creem poder participar de forma significativa no governo” Estes relatos, verdadeiros, mostram que o povo 14

[close]

p. 15

não governa e que os políticos não representam o povo, embora eles passem a ideia de que são os representantes do povo e que são eleitos democraticamente. De fato, o povo não governa, a eleição não é democrática e os políticos, em regra, não representam a vontade do povo. Deixo claro que não é minha intenção discutir a validade da democracia como sistema político, apenas chamar a atenção para palavras e expressões que são utilizadas como verdades indiscutíveis, mas que na realidade representam ideologias que servem de instrumentos da política para manter alienado grande parcela do povo. No Brasil, hoje, essas expressões tem sido utilizadas para afrontar instituições públicas. Alguns discursos chegam a deixar transparecer que o fato de determinados políticos terem sido “eleitos democraticamente” os impedem de ser alvo de investigação, não podendo ser presos ou condenados. Eles devem ser “julgados” pela vontade do povo que os elegeu “democraticamente”. Se Karl Marx tinha razão quando afirmou que os políticos do século XVIII e XIX pretendiam controlar o povo utilizando os termos “liberdade” e “liberalismo”, penso que nos dias de hoje, em especial no Brasil, as palavras “eleitos democraticamente”, “representantes do povo”, “vontade do povo” têm sido também utilizadas como projeto político para chegar ao poder e manter-se no poder. Reafirmo minha fé na democracia, mas acho imprescindível que ela seja aperfeiçoada e, para isso, a meu ver, o povo deve ser esclarecido conhecendo o verdadeiro significado das palavras que têm sido usadas por alguns políticos para atender seus interesses e interesses de grupos que estão no poder ou pretendem acessá-lo, para isso, as apresentam como dogmas, verdades absolutas e indiscutíveis. Ousar discutir essas questões tão enraizadas na consciência popular não é tarefa fácil, soa como heresia, mas me parece necessário, especialmente no Brasil de hoje. SAMUEL R.A. PACHECO Diretor Jurídico do CMC, Tenente Cel de Infantaria QEMA, advogado e professor Universitário de Filosofia Geral e Filosofia do Direito na Faculdade UNISAL de Campinas. Circulistas que deixam saudades TC Saulo Monte Serrat 20/05/1925 04/05/2018 Kleber Tezin 02/09/1936 31/05/2018 Bjarne Norking 15/02/1939 23/06/2018 Izabel de C. Gonçalves Dias 19/01/1949 17/07/2018 Aurora Regina dos Santos Margosian Leite 09/03/1963 20/07/2018 Alberto Castanheira 15/11/1937 03/09/2018 Waldir Gregolin 13/10/1935 04/09/2018 Manifestamos nossas sinceras condolências às famílias enlutadas. 15

[close]

Comments

no comments yet